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1718 - CAMACHO

Luís Lourenço Oliveira Camacho, após concluir o percurso formativo no Marítimo, teria a primeira inscrição sénior, mantendo-se ao serviço dos “Leões do Almirante Reis”, na temporada de 1978/79. No entanto, só final da campanha seguinte, numa altura em que a colectividade funchalense era orientada por António Medeiros, é que conseguiria estrear-se na equipa principal. Tendo sido, até a essa altura, tapado por colegas com maior tarimba, casos de Eduardinho, Valter, Bernardino Pedroto, Fernando Martins ou Vítor Gomes, a solução para o crescimento sustentado do jovem centrocampista acabaria a levá-lo na direcção de outro clube e durante um ano, mais concretamente na época de 1980/81, o jogador cumpria as suas funções como futebolista com as cores do União da Madeira.
O regresso de Camacho aos “Verde-rubros” apanharia o clube no patamar secundário. Tendo ajudado à vitória dos madeirenses no referido degrau, o médio, na campanha seguinte, voltaria a enfrentar os desafios do escalão maior. Todavia, tanto em termos colectivos, como na aferição individual das suas exibições, a temporada de 1982/83 ficaria bem abaixo dos objectivos traçados pelos responsáveis do Marítimo. A descida de patamar, resultado do antepenúltimo lugar na tabela classificativa da 1ª divisão, levaria o jogador, no que diz respeito ao convívio com os “grandes”, a um hiato de um par de anos. Ainda assim, a ligação entre o médio e o clube, reconhecida a sua utilidade e paixão pelo emblema insular, manter-se-ia firme e o retorno aos palcos principais do futebol português dar-se-ia em 1985/86.
Numa carreira que, nos anos a envergar o listado do Marítimo, ficaria vincada pelas diversas subidas e descidas de escalão, a verdade é que Camacho, aquando das suas passagens pela 1ª divisão, nunca conseguiria afirmar-se como um dos titulares indiscutíveis da agremiação sediada na cidade do Funchal. Mesmo com uma utilização bastante positiva na última campanha mencionada no parágrafo anterior, o completo ocaso que viveria no decurso da temporada de 1986/87 empurrá-lo-ia para uma nova cedência e o União da Madeira, dessa feita o plantel de 1987/88, voltaria a acolhê-lo nas contendas do patamar secundário.
Depois de mais uma campanha fraca ao serviço do Marítimo, Camacho, com as 9 épocas passadas na equipa principal funchalense a abrilhantarem o seu currículo competitivo, teria no termo das provas agendadas para 1988/89 o fim da ligação aos “Verde-rubros”. Daí em diante, tendo já cumprido meia dúzia de temporadas na 1ª divisão, o médio, sem nunca deixar o arquipélago da Madeira, teria nas pelejas dos escalões inferiores o seu derradeiro plateau. Nesse contexto futebolístico, Portosantense, Câmara de Lobos, ACD São Vicente e Ribeira Brava transformar-se-iam nas divisas a colorir os capítulos de um trajecto que, com a decisão de “pendurar as chuteiras”, conheceria o fim em 1994/95.

1386 - ANTÓNIO BORGES

Formado no Desportivo de Chaves, António Borges surgiria na equipa sénior flaviense na mudança para a segunda metade da década de 1970. Com o emblema transmontano a militar no segundo escalão nacional, a aposta do extremo noutra colectividade, por certo, terá tido como objectivo maior a procura por um novo caminho para atingir o patamar máximo do futebol português. Contudo, a mudança para o plantel de 1976/77 do Famalicão manteria o atacante na disputa da mesma divisão. Ainda assim, a sua passagem pela agremiação minhota, num grupo com nomes sonantes, como Reinaldo, Jacques ou Vítor Oliveira, traria ao seu currículo, na campanha da sua chegada, os quartos-de-final da Taça de Portugal e, já na segunda temporada, a almejada promoção.
Mesmo com o Famalicão a assegurar a subida, a verdade é que António Borges seguiria outro caminho. Dentro do mesmo concelho, o avançado escolheria o Riopele para prosseguir a carreira. Mantendo-se como um jogador rápido e dono de uma técnica bem acima da média, as duas épocas passadas na equipa da famosa empresa de têxteis, serviriam, com nova transferência, para catapultá-lo para outros voos. Integrado no plantel do Varzim na campanha de 1980/81, o atleta, finalmente, haveria de estrear-se na 1ª divisão. Porém, aquele que poderia ter sido um passo decisivo para que conseguisse estabelecer-se entre os “grandes”, terminaria com a despromoção dos “Lobos-do-Mar” e, mesmo ao ser um dos titulares do “onze” orientado por José Carlos, o extremo não conseguiria manter-se no patamar máximo.
A descida, relatada no final do parágrafo anterior, levaria António Borges a decidir-se pelo retorno ao Desportivo de Chaves. Mais uma vez a competir no escalão secundário, o atacante assumir-se-ia como um dos mais ilustres elementos do grupo de trabalho flaviense. Com o regresso a acontecer em 1981/82, a época de 1984/85 tornar-se-ia numa das mais importantes da sua caminhada profissional. Ao capitanear o colectivo sediado em Trás-Os-Montes, o extremo seria peça fulcral na subida de divisão e, por conseguinte, participaria naquela que viria a tornar-se na estreia primodivisionária do clube nortenho.
A temporada de 1985/86, com os desempenhos do Desportivo de Chaves a surpreender positivamente, serviria para destacar António Borges como um dos grandes intérpretes a militar nas competições lusas. O estatuto alcançado pelas boas exibições não passaria despercebido ao seleccionador José Torres. Em ano de Mundial, o extremo acabaria incluído na lista de pré-convocados para a disputa do torneio organizado no México. Mesmo tendo sido excluído do grupo final, nada viria a abalar a fama alcançada pelo jogador, que acabaria transferido para o Sporting de Braga.
Na “Cidade dos Arcebispos”, apesar dos bons desempenhos, António Borges apenas passaria a temporada de 1986/87. Com a mudança talvez justificada pela veterania do avançado, um ano volvido sobre a chegada e o jogador deixaria o Sporting de Braga para ingressar no Sporting da Covilhã. Nos “Leões da Serra” o atacante viveria a derradeira campanha primodivisionária e entraria na última fase da caminhada competitiva. Seguir-se-iam Felgueiras e Mirandela e no emblema transmontano, com a transição a acontecer em 1990, o futebolista encetaria o seu trajecto enquanto treinador.
Curiosamente, o "site" da Federação Portuguesa de Futebol dá o antigo atleta, na temporada de 1992/93 como jogador da AA UTAD. Já como técnico, numa longa carreira, António Borges vogaria exclusivamente pelos escalões secundários. Ainda assim, o ex-avançado orientaria emblemas de longa tradição no futebol português, tais como o Desportivo de Chaves, o Tirsense ou o Académico de Viseu..

1357 - QUIM BRITO

Após ter terminado o percurso formativo no Sport Clube do Barco, José Joaquim Dias Lucas, popularizado como Quim Brito subiria aos seniores na popular colectividade da zona da Serra da Estrela. Com a modesta agremiação, nessa temporada de 1980/81, a disputar a 3ª divisão nacional, as épocas seguintes, com o emblema a vogar por entre a descida aos “regionais” e a nova promoção ao já referido escalão nacional, serviriam para dar estaleca ao defesa. Nesse sentido, a época de 1982/83 seria de fulcral importância para o jogador e com as prestações colectivas a merecerem um bom destaque, o atleta, acompanhado por outro futebolista pertença do mesmo “clã” familiar, acabaria transferido para o Sporting da Covilhã.
Como ligeiramente destapado no parágrafo anterior, seria na companhia de outro atleta do Sport Clube do Barco, o avançado César Brito, que Quim Brito acabaria integrado no plantel principal a jogar em casa no Estádio Municipal José dos Santos Pinto. Nos “Leões da Serra” a partir da temporada de 1983/84, o defesa-esquerdo rapidamente conseguiria conquistar um lugar de destaque no seio do grupo de trabalho. Na campanha de 1984/85, a seguinte à da sua chegada à cidade da Covilhã, o lateral tornar-se-ia num dos esteios da senda que, sob o comando do treinador Vieira Nunes, levaria o emblema da Beira Baixa às meias-finais da Taça de Portugal e ao regresso ao patamar maior do futebol português.
Com Quim Brito a consumar a estreia na 1ª divisão logo na jornada inicial do Campeonato Nacional, a derrota forasteira, por 2-0, frente ao Marítimo, encetaria um percurso, em termos meramente individuais, avaliado bem longe de classificações negativas. Ao ter marcado presença, até à 19ª ronda da principal prova do calendário futebolístico luso, em todos os desafios disputados pelo Sporting da Covilhã, tal facto transformar-se-ia num número bem demonstrativo do seu valor enquanto praticante da modalidade. Essa razão, mesmo com a descida da colectividade ao patamar secundário, daria alguns contornos de estranheza à sua saída do clube. Seguir-se-ia a partida para o Minho e a temporada, sob o comando do “magriço” José Carlos, passada a envergar as cores do Gil Vicente.
Numa carreira profissional que viria a findar bem antes daquilo que ditam as probabilidades, Quim Brito ainda vestiria as camisolas de outras agremiações. Sem mais abandonar os patamares secundários, depois da passagem por Barcelos, o defesa ainda representaria o União da Madeira. De seguida voltaria ao Sporting da Covilhã para, segundo os dados conferidos no “site” da Federação Portuguesa de Futebol, dar por finda a sua caminhada enquanto futebolista na temporada de 1990/91 e, num regresso ao 3º escalão, ao serviço da Associação Desportiva do Fundão.

1331 - EDMUR

Filho de Edmur, goleador brasileiro e nome histórico do futebol português e do Vitória Sport Clube, Edmur Filho, ainda que no percurso formativo, também teria a sua passagem pelo emblema da “Cidade Berço”. No entanto, no que diz respeito ao percurso sénior, seria com outra camisola que mais brilharia. Antes ainda, o traquejo ganho ao serviço de outros clubes, como nos conta a temporada de 1978/79, a defender as cores da Associação Recreativa São Martinho, onde chegaria a partilhar o balneário com a antiga estrela da CUF, o avançado Capitão-Mor.
Depois da referida experiência na agremiação sediada no concelho de Santo Tirso, seguir-se-ia na caminhada do médio, ainda na disputa da 3ª divisão nacional, as duas campanhas feitas pelo Moreirense. Já o Atlético de Valdevez de 1981/82, onde haveria de encontrar outro nome histórico do futebol luso, Rui Casaca, representaria para a sua carreira a subida de mais um degrau nos escalões do desporto português. Finalmente a temporada de 1982/83 e a chegada àquele que viria a tornar-se no clube mais importante da carreira de Edmur.
A primeira passagem do médio pelo Desportivo das Aves encetaria uma ligação que, alguns anos depois, empurraria o jogador para um dos momentos de maior monta na sua caminhada competitiva. Pelo meio surgiria ainda o desafio lançado pelo Gil Vicente, mas seria a época de 1984/85 que traria ao percurso do atleta o tal episódio referido no começo deste parágrafo.
Com o listado vertical vermelho e branco, sob o comando do Professor Neca, Edmur, como um dos principais intérpretes do feito, contribuiria para a estreia do clube fundado na Vila das Aves nas pelejas do escalão máximo. Também na aludida campanha primodivisionária, o seu nome manteria a importância no seio do grupo de trabalho. Como um dos titulares indiscutíveis, como provam as 28 presenças no “onze” inicial, seria uma das mais relevantes peças do “xadrez” idealizado pela equipa técnica avense. Infelizmente, mesmo num plantel que contava com nomes como o do guarda-redes Silvino, Vasco, Luís Filipe, José Augusto ou Alain Thiriart, o esforço posto em campo pelo colectivo seria insuficiente para manter a equipa no convívio entre os “grandes”.
A descida ao cabo da temporada de 1985/86, num interregno de um par de anos, levaria Edmur a optar pelo Vizela, para, na época seguinte, rubricar um contrato com o Felgueiras. Esse novo capítulo na caminhada do jogador não mais levaria o centrocampista ao degrau maior da principal competição nacional. Todavia, o mencionado passo não conseguiria afastá-lo, em definitivo, do Desportivo das Aves. Com a campanha de 1988/89 a representar o regresso do atleta ao clube que viria a tornar-se na agremiação mais representativa do seu rumo futebolístico, seria também essa nova ligação que encetaria os últimos passos da senda competitiva do médio, com o fim a chegar no término de 1990/91.
 
PS: Segundo a informação retirada do "site" da Federação Portuguesa de Futebol, Edmur, na temporada de 1992/93, terá sido inscrito pelo Pevidém

1197 - VASCO

Filho de Paulista, figura inesquecível do Desportivo das Aves e que no clube desempenhou o papel de atleta e treinador, Vasco também haveria de merecer esse mesmo estatuto de celebridade. Ao crescer num contexto onde o futebol depressa ascenderia a temática maior, o entusiasmo demonstrado pelo listado branco e encarnado da camisola avense, para além de passar a fazer parte das rotinas do defesa, anos mais tarde também entraria na casa da família Ferreira pela mão do irmão mais novo e conhecido das andanças primodivisionárias, o médio Vítor Manuel.
Voltando ao percurso daquele que ficaria conhecido como um elemento de uma entrega exemplar, a ligação de Vasco ao emblema sediado no concelho de Santo Tirso encetar-se-ia ainda nas camadas jovens. O valor revelado durante esses anos de formação, levá-lo-ia aos juniores do Vitória Sport Clube. Contudo, na altura de enfrentar os desafios lançados às provas do escalão sénior, o atleta, dando corpo a uma paixão que o acompanharia pelo trajecto desportivo fora, deixaria Guimarães para voltar à Vila das Aves.
Com a sua entrada na equipa principal a ocorrer na temporada de 1980/81, seria o patamar terciário do futebol luso a receber o jogador no universo das provas seniores. Com o Desportivo das Aves a revelar ambições maiores, a luta por lugares condizentes com essa avidez competitiva, transformaria o defesa num dos principais intérpretes das lutas travadas pelo clube. Essas contendas, esgrimidas durante alguns anos no escalão acima aludido, teriam o seu momento áureo na temporada de 1985/86. Antes ainda, no final da campanha de 1983/84, o 1º lugar na Serie A da 3ª divisão permitiria a subida de mais um nível. Ainda assim e tendo em conta a justiça e valor dado a essa subida, o que estaria para acontecer na época seguinte surpreenderia até os mais optimistas. Com Vasco a assumir-se como um modelo de abnegação e furor pelas metas colectivas, bastaria um ano mais após a dita promoção para que outro degrau fosse galgado.
Como é fácil deduzir, a chegada do Desportivo das Aves à divisão maior em 1985/86, sendo essa a primeira participação na cronologia do cube, coincidiria com a estreia de Vasco na prova mais importante do futebol português. Sob a alçada do Professor Neca, timoneiro da subida e da referida “première”, a experiência primodivisionária do defesa, em termos pessoais, traduzir-se-ia em 10 presenças em campo. Ainda assim, mesmo tendo em conta a modesta participação, o seu estatuto de figura impar da história do emblema nortenho não sairia beliscado. A prova disso mesmo viria com a sua incontestada permanência na colectividade. Nesse sentido, a grande curiosidade prender-se-ia com o abandono prematuro das lides de jogador. O atleta, que também chegaria a envergar a braçadeira de capitão, tomaria a decisão de terminar a caminhada de praticante no final da campanha de 1988/89, numa altura em que contava apenas com 27 anos de idade.
Apesar da retirada precoce, Vasco não deixaria de vez os labores do desporto. Já como treinador de futsal, colaboraria com o Desportivo das Aves e também lideraria a equipa técnica do conjunto feminino da Associação Recreativa Restauradores Avintenses. Aliás, esta sua ligação à modalidade de pavilhão serviria de inspiração para o crescimento de outra estrela. Pisko, a sua filha, joga actualmente (2021/22) como universal no Grupo Nun´Álvares e, com inúmeras internacionalizações, continua a representar as cores de Portugal.

1092 - RUI FRANÇA

Apesar de um trajecto pintalgado pelas “escolas” do FC Porto e do Boavista, seria a outro emblema da “Cidade Invicta” que a carreira de Rui França ficaria intimamente ligada. Depois de terminar a formação nos “Axadrezados”, o médio ainda passaria pelos seniores do Estarreja. Curta a experiência, visto que, logo no ano seguinte, Rui França viria a ser contratado pelo Sport Comércio e Salgueiros. Essa temporada de 1982/83 transformar-se-ia num marco para o seu percurso futebolístico e o primeiro passo para uma jornada de 11 anos consecutivos a envergar a mesma camisola.
A estreia com as cores do Salgueiros serviria também para o jovem jogador dar os passos iniciais na 1ª divisão. Ainda sem o traquejo necessário à conquista indiscutível da titularidade, os dois primeiros anos em Paranhos, com o de estreia a ser orientado por Henrique Calisto, trariam poucas oportunidades ao atleta. Nesse evoluir, ajudado por algumas mudanças perpetradas no seio plantel, a temporada de 1984/85 marcaria um ponto de viragem. Com o regresso do treinador supranomeado e as saídas dos médios João Silva e Luís Pereira, o lugar no centro do terreno abrir-se-ia para a sua entrada.
A partir da campanha referida no parágrafo anterior, Rui França, muito mais do que passar a jogar com uma regularidade aceitável, começaria a ser tido como um dos pilares do conjunto portuense. À medida da progressão demonstrada pelo médio, a preponderância do futebol praticado por si no sector intermediário salgueirista continuaria a aumentar. Com o virar de uma das mais importantes páginas da história da colectividade, o atleta, sem grande surpresa, transformar-se-ia numa das caras dessa proeza. Em 1990/91, ao ser um dos atletas mais utilizados por Zoran Filipovic, em muito contribuiria para a melhor classificação de sempre do clube na 1ª divisão. Depois do 5º lugar alcançado no Campeonato Nacional, viria a participação do Salgueiros nas provas europeias e a competir na Taça UEFA, Rui França entraria de início nas 2 mãos disputadas frente ao Cannes, emblema francês onde despontava um jovem de nome Zinédine Zidane.
Curiosamente, a época seguinte à da presença nas pelejas continentais, seria a última de Rui França no Salgueiros. Seguir-se-ia, ainda na 1ª divisão, a experiência ao serviço do Beira-Mar. Porém, o fim da sua carreira estava para breve e Rui França, após as passagens pelo Desportivo das Aves e do Cucujães, daria por terminada a caminhada como futebolista. Depois de “penduradas as chuteiras”, no mesmo emblema onde havia tomado a decisão de assumir o final do trajecto enquanto atleta, encetaria a senda como treinador. Nas novas funções, tem trilhado caminho pelos escalões secundários, com a passagem pelo Sporting da Covilhã, Oliveira do Bairro, Coimbrões ou Cesarense, como algumas das jornadas mais emblemáticas.

929 - FESTAS

Com a formação repartida entre o Leça e a Académica de Coimbra, seria com as cores do Varzim que Festas faria a sua aparição no escalão sénior. O jovem atleta, que tanto podia actuar no eixo da defesa como na posição mais recuada do meio-campo, acabaria por participar numa das melhores fases da história dos “Lobos-do-Mar”. Orientados por António Teixeira, antiga estrela do FC Porto, os “Povoeiros” acabariam a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa.
Após a subida de divisão no final de 1975/76, as épocas seguintes revelariam um Varzim de grandes recursos. Com Festas a assumir um papel cada vez mais relevante, o grupo conseguiria atingir o 7º posto em 1977/78 e o 5º lugar duas temporadas depois. Pelo meio, o jovem atleta acabaria por ser chamado aos sub-21 portugueses. Esses bons resultados e as internacionalizações daí resultantes, acabariam por pôr o jogador na rota de outros clubes. Quem ganharia a corrida seria o Vitória de Guimarães e a transferência consumar-se-ia no Verão de 1979.
Na equipa minhota o atleta veria o seu estatuto a ser catapultado. A coragem que mostrava em campo levá-lo-ia a ser considerado como um dos grandes futebolistas a actuar na 1ª divisão nacional. Incapaz de virar as costas à luta, as 3 temporadas passadas na “Cidade Berço” fariam dele um esteio na composição táctica da equipa. O apoio defensivo que dava a toda a equipa começaria a ser visto como fulcral nos objectivos do conjunto. Mesmo sendo avaliado por alguns como um jogador “duro”, essa aferição não seria suficiente para diminuir as suas qualidades. Foi isso mesmo que os responsáveis do Sporting entenderiam.
Impressionados pelas suas características, a transferência de Festas para Alvalade consumar-se-ia no “defeso” de 1982. Com os “Leões” a saírem de uma “dobradinha”, a sua contratação teria como objectivo dar mais segurança ao sector intermediário. Mesmo sendo visto como o “polícia” ideal para um departamento liderado por António Oliveira, a verdade é que o “trinco” nunca haveria de impor-se de forma indiscutível no “onze” inicial. Ainda assim, as suas exibições durante a primeira temporada de “verde e branco” seriam suficientes para que Otto Glória visse nele um elemento válido para também vestir as cores de Portugal. Com a estreia a acontecer num “amigável” frente à antiga Alemanha Federal, seria durante o ano de 1983 que o jogador conseguiria as suas 4 internacionalizações “A”.
Tido como uma pessoa um tanto fleumática, seria dito que a sua saída de Alvalade dever-se-ia a polémicas com a Direcção do clube. Verdade ou não, o que é certo é que na temporada de 1984/85 o atleta passaria a representar o Sporting de Braga. Depois de uma campanha no Minho, a sua transferência para o Salgueiros marcaria uma mudança na sua relação com o futebol. Durante a época de 1986/87, Festas seria convidado a comandar os seus colegas. Apenas com 30 anos de idade, o antigo internacional daria o passo inicial de uma carreira que, passados alguns meses, assumiria em exclusivo. Como treinador, o seu percurso seria feito, em grande parte, nos escalões secundários. Excepção para duas situações: a já referida experiência em Paranhos e, em 1995/96, a passagem pelo comando técnico do Leça.

888 - LUÍS FILIPE

Com a presença no escalão máximo e a chamada ao afamado Torneio de Toulon, a carreira de Luís Filipe parecia bem lançada. Com as cores “lusas”, dando mais fôlego a essa ideia de futuro sucesso, ainda marcaria um golo frente à Bélgica. No entanto, a descida do Atlético nessa temporada de 1976/77 acabaria por representar um passo atrás na progressão do jovem jogador. Muito para além de uma situação temporária, a passagem pela 2ª divisão, tornar-se-ia numa sentença muito pesada. Para o extremo, que por Portugal até tinha jogado ao lado de Fernando Gomes, os escalões secundários prolongar-se-iam na sua carreira durante anos a fio.
Já depois ter deixado a Tapadinha, Juventude de Évora, Desportivo de Chaves, Amarante e Rio Pele, seriam os emblemas que fariam parte do seu percurso como futebolista. Em nenhuma dessas colectividades conseguiria a oportunidade de voltar aos grandes palcos. Todavia, a situação alterar-se-ia com uma nova aposta. Depois de 1978/79, ao serviço do já referido emblema alentejano, ter estado perto da subida, só com a ligação ao Desportivo das Aves é que esse objectivo tornar-se-ia numa realidade.
A campanha de 1984/85, ao serviço do emblema sediado no concelho de Santo Tirso, daria novo alento à carreira do jogador. Após ajudar o seu clube a vencer a Zona Norte, Luís Filipe seria também uma das figuras na conquista do título de campeão da 2ª divisão. Esse feito daria ao clube, e também ao atleta, um lugar no escalão máximo. Na época seguinte, o ala-direito conservaria o seu lugar no “onze” inicial. Apesar da titularidade, e do peso que teria nas actuações do colectivo, as suas exibições seriam insuficientes para evitar a descida.
Com a despromoção, o atleta também acabaria afastado daquela que é a mais importante competição em Portugal. Naquilo que restou da sua carreira, esse objectivo jamais seria alcançado. As derradeiras 4 campanhas marcariam a última fase do seu percurso como futebolista. A sua carreira, já depois de representar Freamunde e Vilafranquense, terminaria no final da temporada de 1990/91.

838 - JANITA

Janita é o reflexo do trabalho feito pelas “escolas” do Torreense. Durante alguns anos, o extremo conseguiria mostrar as suas habilidades no escalão máximo português. Curiosamente, acabaria por nunca o fazer ao serviço do emblema que o formou.
Seria pelos do Oeste, na transição da década de 70 para os anos 80, que Janita faria a estreia no patamar sénior. Manter-se-ia no clube por diversas épocas. No entanto, e durante esse período, acabaria por nunca abandonar os escalões secundários. Ainda assim, e na incapacidade do grupo alcançar a subida à 1ª divisão, as boas exibições que conseguiria rubricar haveriam de catapultar a sua carreira.
Foi então no Salgueiros que o extremo-direito conseguiria estrear-se nos palcos maiores do nosso futebol. A sua contratação por parte do emblema da cidade do Porto, apresentá-lo-ia ao convívio dos “grandes” na temporada de 1983/84. Numa época conturbada, em que os de Paranhos haveriam de contar com 3 treinadores, as prestações do atleta acabariam, de algum modo, por cooperar para o apaziguamento da instabilidade vivida durante essa campanha.
No sentido daquilo que foi o seu contributo para as prestações colectivas, e não sendo o jogador aquilo que possa designar-se como um “titular absoluto”, Janita faria parte da lista daqueles que mais presenças em campo haveriam de contar. O seu estatuto manter-se-ia inalterado nas épocas seguintes. Curiosamente, seria no ano em que mais presenças conseguiria alcançar no Campeonato Nacional que a sua ligação ao clube acabaria por conhecer o fim.
À procura de uma nova direcção, Janita voltaria ao Torreense. Todavia, e ao contrário do que seria espectável, o regresso ao clube não traria à sua carreira a estabilidade que necessitava para o seu futuro como futebolista. A partir dessa temporada de 1986/87 o atleta entraria numa senda errante. Com constantes mudanças de clubes, o atacante, daí em diante, envergaria um incontável número de diferentes camisolas. Com as cores do União da Madeira, ainda conseguiria inscrever o seu nome num plantel primodivisionário. Contudo, a sua passagem pelo Funchal pouco acrescentaria à sua caminhada e, no final da temporada de 1989/90, já estava de volta à rota habitual.
Vilafranquense, Moreirense, Mirense, Marinhense, Rio Maior e Peniche também fazem parte do seu trajecto como futebolista. O fim desse percurso aconteceria já na temporada de 1997/98 e ao serviço do Ponterrolense.

581 - MENDES

Após fechar o ciclo da formação nas escolas do Benfica, e tal como para qualquer outro jovem na sua situação, o objectivo de Mendes seria o de vingar no plantel principal dos "Encarnados". Muito por culpa da presença dos internacionais Manuel Bento e António Botelho, esse sonho, com sua a utilização a ser praticamente nula, esfumar-se-ia bem depressa.
No entanto, num jovem tão promissor, soluções para o evoluir da sua carreira não faltariam. Rapidamente, no seu encalço apareceria a Académica. Nos "Estudantes", em jeito de interlúdio, o guarda-redes passaria a temporada de 1980/81. E se o escalão principal era, sem sombra de dúvidas, o seu lugar, seria já no Sporting de Espinho que, na época seguinte, daria jus a esse estatuto de primodivisionário.
No clube do Distrito de Aveiro, Mendes mostraria o porquê de lhe agoirarem um bom futuro. Elástico, de reflexos felinos e de uma bravura ímpar, o guardião lá ia conquistando o seu lugar. Titular nos "Tigres da Costa Verde", Mendes acabaria por ver o seu grupo, corria a temporada de 1983/84, falhar o objectivo da manutenção. Contudo, as suas boas exibições levariam a que outro nome com história no Sporting de Espinho, nele decidisse apostar.
A mudança para o Portimonense, liderado pelo técnico Manuel José, ocorreria no Verão de 1984. Em boa hora viria a transferência, pois os Algarvios estavam, por essa altura, prestes a encetar a melhor fase da sua história. Com o 5º posto garantido, nesse que seria o ano de estreia de Mendes, o que também ficaria assegurado para o clube, seria a participação na Taça UEFA. Na época seguinte, em favor de Vital, Mendes acabaria por não conseguir um lugar na lista dos que, em campo, disputariam a eliminatória com o Partizan de Belgrado. Apesar desta desilusão, o seu nome ficará, para sempre, ligado a este memorável episódio dos do Barlavento algarvio.
Alguns anos após ajudar a escrever essa brilhante página, a carreira de Mendes começaria a perder algum fulgor. Deixa o Portimonense e, sem ter completado os 30 anos de idade, começa a vogar pelos patamares secundários. Excepção feita à passagem pelo Marítimo (1990/91), Varzim, Sporting da Covilhã, Olhanense, e, ainda, um regresso a Portimão, seriam as paragens que preencheriam esse seu périplo pelo segundo escalão português.
Depois de terminar a sua carreira como futebolista, Joaquim Mendes decide-se pela vida de treinador. Como técnico, tem trilhado o seu caminho nos escalões "não profissionais". A grande curiosidade para este seu percurso vai para a Taça de Portugal, onde, por duas vezes, já levou os seus clubes (Lagoa e Sertanense) a cruzarem-se com os "gigantes" do futebol luso.

526 - PEDRO XAVIER

Após terminar a sua formação em Alvalade, ele que a tinha iniciado ao serviço do Casa Pia, Pedro Xavier vê o seu trajecto futebolístico a ir de encontro aos destinos do Estoril-Praia. Inicialmente com o intuito de ganhar algum traquejo, o atleta acaba por prolongar a sua ligação ao clube da "Linha de Cascais" por diversos anos, acabando mesmo por nunca mais regressar ao Sporting. Seria, então, pelos "Canarinhos", um ano após ter aí ingressado, que o avançado acabaria por fazer a sua estreia na 1ª Divisão. 
Começava aqui, em 1981/82, um trajecto que o levaria a 10 temporadas consecutivas no escalão maior do nosso futebol. Mas se foi no Estoril-Praia a sua estreia, seria por outro emblema que Pedro Xavier acabaria por ver a sua carreira ganhar outra dimensão. Na Académica passaria, como o próprio reconhece, os melhores anos como jogador. As razões? Primeiro posso citar as óbvias: como o número de partidas realizadas, os golos que aí conseguiu e, acima de tudo, a sua primeira chamada à Selecção "A" de Portugal. Depois, temos aquilo que só os atletas que por lá passaram podem entender - "Ser internacional pela Académica significou muito e ligou-me para sempre ao clube e à cidade. Se existe um clube de que, como agora se diz, sou «desde pequenino», esse clube é a AAC [Associação Académica de Coimbra](...). Talvez haja clubes maiores do que a Académica, mas não em amizade e em companheirismo"*.
Depois destes jogos, realizados no âmbito da qualificação para o Mundial de 1986, Pedro Xavier ainda voltaria, por mais duas ocasiões, a envergar a "camisola das quinas". Essas suas derradeiras internacionalizações, seriam conseguidas já Pedro Xavier vestia o equipamento tricolor do Estrela da Amadora. No emblema da Reboleira, o avançado, com outras 3 épocas (ainda faria mais uma pelo clube), completaria o seu percurso no patamar máximo do futebol português. De seguida viriam os escalões secundários e o Campomaiorense, Barreirense e o Olivais e Moscavide.
Numa fase terminal da sua carreira, contava o atacante com 33 anos, e numa altura em que a maioria dos profissionais já começa a pensar nos anos da reforma, Pedro Xavier decide-se por uma nova aventura. Emigra e, pasme-se, em Hong-Kong acabaria por conseguir ter a sua primeira experiência num clube estrangeiro.
Finalmente, corria o ano de 1998, e já após essa sua curiosa passagem pelo South China, Pedro Xavier põe um “ponto final” na sua vida desportiva. Hoje em dia, sem contar com uma, ou outra, “perninha” pela variante de praia, o antigo internacional vive um pouco afastado do futebol. Dedica-se, e com bastante sucesso, ao negócio da restauração, dentro do qual, em parceria com outros dois sócios (um deles é o seu irmão Carlos Xavier) abriu uma tasca de petiscos... a saber, a "Taberna XXL".


*Retirado de "Académica - História do Futebol", de João Santana e João Mesquita

200 - JORGINHO

Nascido no Porto, foi nos clubes da sua cidade que Jorginho passou toda a vida como profissional de futebol. Porém, ao contrário de muitos, o avançado não surgiu no seio de um dos emblemas de maior monta. Apareceu no modesto Futebol Clube da Foz. Aí fez-se Homem; cresceu como desportista e, acima de tudo, fez com as suas habilidades, mesmo ao disputar as “distritais” da Associação de Futebol do Porto, chamassem a atenção dos maiores emblemas da “Invicta”.
O passo seguinte, bem mais ao jeito de um grande salto, levou-o à 1ª Divisão. Apesar de contar apenas 19 anos, as qualidades mostradas no rectângulo de jogo faziam dele uma boa aposta e o Boavista não viu razão para não arriscar na sua contratação. Por intermédio do Prof. João Mota, treinador da referida agremiação sediada na Foz e que chegou a ser preparador físico no FC Porto, a transferência avançou. Com a mudança na temporada de 1974/75, Jorginho juntou-se ao plantel “axadrezado” comandado por, também ele recém-chegado, José Maria Pedroto. Todavia, apesar do potencial revelado, os espaços deixados por um grupo que contava nas suas fileiras com João Alves, Taí, entre outros, não foram muitos e raras foram as vezes que o jovem extremo-esquerdo teve oportunidade para mostrar o seu valor.
Mesmo ao contribuir para as vitórias do Boavista nas edições de 1974/75 e 1975/76 da Taça de Portugal, o seu espaço no clube manteve-se reduzido e a proposta vinda de Paranhos fez com que Jorginho fosse para o Salgueiros. No Estádio Vidal Pinheiro a partir da temporada de 1978/79, finalmente teve o ensejo para mostrar tudo o que sabia; finalmente o seu brilhante pé canhoto e a capacidade de entender o jogo, postos ao serviço dos seus passes, conseguiram, geometricamente, traçar intermináveis movimentos ofensivos. Assim o fez durante 12 temporadas e reconhecida a sua entrega, tornou-se num dos mais acarinhados atletas e num dos grandes exemplos da “Alma Salgueirista”.

39 - PORFÍRIO

Se, por um lado, a escolha de Porfírio prende-se com o facto de acreditar que a equipa por ele dirigida é um dos conjuntos com maior possibilidade de lutar pelos primeiros lugares da 2ª Liga, por outro, a justificação também tem razões no meu imaginário infantil.
Apesar de não ter sido um dos mais mediáticos jogadores do nosso Campeonato, lembro-me perfeitamente de ouvir o seu nome nos saudosos Domingos de relatos radiofónicos. Associando esta memória à das colecções de cromos, decidi ser Porfírio a fechar a temática dos "Treinadores".
E se a sua carreira futebolística não foi das mais estrondosas, representando Académica e Famalicão, o que se seguiu ao "pendurar das chuteiras" é curioso. Digo curioso, pois Porfírio é capaz de já ter feito de tudo um pouco nos bastidores do futebol. Ora vejamos! Foi adjunto de nomes como Abel Braga, Nelo Vingada e José Romão. Já como treinador principal, orientou o Famalicão. Foi também dirigente do Sporting, onde foi campeão. No Trofense também passou pelos corpos directivos, tendo, este ano, passado para o comando da equipa técnica.