Mostrar mensagens com a etiqueta ILFE Editores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ILFE Editores. Mostrar todas as mensagens

1789 - RAMOS

Depois de ter terminado o percurso formativo ao serviço do Marítimo, José Manuel Abreu Ramos, ao ficar de fora do rol de atletas escolhidos para preencher o plantel principal dos “Leões do Almirante Reis”, acabaria por ter no CF Pilar o emblema a dar-lhe a oportunidade de, na temporada de 1982/83, fazer a estreia como sénior.
Também nos anos seguintes, o defesa acabaria por preencher a carreira a representar, sempre no cenário futebolístico madeirense, outros emblemas de modestas ambições. No entanto, as passagens pelo Académico do Funchal, onde já tinha cumprido boa parte da formação, ou pelo UD Santo António não viriam a extinguir a possibilidade de prosseguir a carreira ao mais alto nível. Muito pelo contrário, essa trindade de temporadas longe das colectividades mais proeminentes fariam com o atleta ganhasse um enorme traquejo competitivo. Tal acréscimo de tarimba, levaria que um dos clubes de maior tradição no universo insular decidisse, para a temporada de 1985/86, apostar na sua contratação e o jogador acabaria por ser apresentado como reforço do União da Madeira.
No “União da Bola”, numa temporada em que seria orientado inicialmente por Mário Morais e depois por Mourinho Félix, Ramos começaria por disputar a 2ª divisão. Manter-se-ia pelo mesmo escalão ainda durante 3 campanhas. Todavia, depois do emblema funchalense ter conseguido sagrar-se campeão no patamar secundário, 1989/90 representaria a época de estreia dos “Unionistas”, e do jogador, entre os “grandes”. Integrado num grupo de trabalho orientado por Rui Mâncio, e com Nelinho, Ricardo Jorge, Hajry, Jairo, entre outros, como colegas de balneário, o defesa acabaria por conseguir vincar-se como um dos pilares da colectividade madeirense. Para melhorar tal cenário, aquilo que viria a ser uma afirmação pessoal, também teria correspondência no plano colectivo. Porém, mesmo com o sucesso conseguido na luta pela manutenção, o defesa, no ano seguinte, não viria a manter-se como um dos preferidos no “onze”e a enorme falta de presenças em campo levá-lo-ia a procurar outra agremiação.
No Nacional da Madeira a partir da temporada de 1991/92, Ramos, apesar da ambição do clube, viria, de vez, a despedir-se do escalão máximo. As campanhas passadas a envergar o listado alvinegro não trariam para o currículo do defesa muito mais do que as pelejas agendadas para a divisão de Honra. Já a época de 1994/95, com a colectividade a apostar fortemente no reforço do plantel, apresentar-lhe-ia o Camacha. Na vila berço do futebol em Portugal, ao lado de João Paulo, Higino, Rui Duarte, Tininho, Ricardo Jorge ou João Amândio, nomes famosos no “jogo da bola” madeirense, o atleta manter-se-ia até ao termo das provas organizadas para 1996/97. Posteriormente, à imagem dos primeiros capítulos da sua carreira, surgiria o regresso às colectividades mais populares e seguir-se-ia o plantel de 1997/98 do 1º de Maio do Funchal.
Apesar de ter ultrapassado, em boa medida, a barreira dos 30, a verdade é que Ramos teria ainda muito para dar ao futebol. Com energia suficiente para dar seguimento ao trajecto competitivo, o defesa, nos anos seguintes, envergaria também as divisas do Ponta Pargo e numa caminhada dedicada, em exclusivo, aos emblemas madeirenses, o jogador, em 2002/03 e à beira de completar 40 anos de idade, teria no futsal do São José o final de uma longa senda competitiva.
Após “pendurar as chuteiras”, ao manter-se ligado ao futebol, Ramos, em 2020, regressaria ao União da Madeira, dessa feita para ocupar o lugar de Vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral.

1746 - SERRINHA

Irmão mais novo na tríade familiar também composta por António Serra e José Serra, João Mário de Carvalho Gonçalves, conhecido no universo do desporto como Serrinha, teria no Maximinense a primeira experiência enquanto sénior. Depois dessa temporada de 1982/83, ainda na disputa dos “regionais” da Associação de Futebol de Braga, a subida de degrau dar-se-ia com a mudança de emblema. Já no plantel de 1984/85 do Vieira, o jovem médio de pendor mais ofensivo passaria a experimentar os desafios do 3º escalão. Um novo salto dá-lo-ia para aquela que viria a tornar-se, à imagem dos manos mais velhos, na colectividade mais representativa da sua carreira e entrada no Sporting de Braga aconteceria na época de 1986/87.
À chegada aos “Guerreiros”, Serrinha, com a entrada na 1ª divisão, deparar-se-ia com Humberto Coelho no comando técnico da equipa minhota. Sem grandes oportunidades para demonstrar o seu real valor, a verdade é que a troca de treinadores, com a entrada de Manuel José, não iria melhorar a sua situação no seio do grupo de trabalho. A gritante falta de jogos faria com que os responsáveis pelo clube começassem a equacionar o seu empréstimo. Seguir-se-ia, então, a cedência ao Felgueiras e a curta passagem pelo 2º patamar. Já no regresso ao Estádio 1º de Maio, sob as ordens de Vítor Manuel, o traquejo ganho no ano anterior dar-lhe-ia um lugar de destaque e o médio, daí para a frente, haveria de sublinhar-se como um dos titulares da agremiação sediada na “Cidade dos Arcebispos”. 
Como referido no final do parágrafo anterior, o regresso ao Sporting de Braga na temporada de 1988/89 transformaria Serrinha numa das caras usuais no erigir do alinhamento inicial do conjunto minhoto. Também na época seguinte, o seu nome constituiria um hábito na inscrição das fichas de jogo. No entanto, a campanha de 1990/91 viria a alterar ligeiramente esse paradigma. Perdida alguma da preponderância conquistada anteriormente, o jogador decidir-se-ia por uma mudança de trajecto, com a transferência a levá-lo a aceitar o convite do Beira-Mar. Em Aveiro a partir de 1991/92, o atleta recuperaria o estatuto perdido no Minho e voltaria, ao manter-se no convívio com os “grandes”, a frisar-se como um dos bons intérpretes do futebol português.
Já ao par de temporadas cumpridas no Estádio Mário Duarte, suceder-se-ia uma nova camisola no seu já experiente currículo. Dessa feita, a escolha, de forma um pouco surpreendente, recairia sobre um Desportivo de Chaves orientado por Carlos Garcia, seu antigo treinador no Sporting de Braga, mas a militar no escalão secundário. Em Trás-os-Montes, o jogador constituir-se-ia como um dos pilares dos “Flavienses” na senda a levar o clube de regresso ao patamar maior do futebol luso. No entanto, ao retornar à 1ª divisão, o atleta não conseguiria segurar-se como um dos elementos a figurar, de forma incontestável, no “onze” a envergar o listado azul e grená. Daí em diante, com um currículo a somar 7 anos feitos na principal prova do calendário futebolístico português, Serrinha passaria a dedicar-se, em definitivo, às pelejas dos patamares inferiores. Nesse sentido, aos 3 anos passados no Esposende seguir-se-ia a entrada no Cabeceirense de 2000/01 e finda essa época, o médio decidir-se-ia a “pendurar as chuteiras”.

1532 - LIMA

Seria já como praticante das “escolas” leoninas que José Lima acabaria chamado pela primeira vez aos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Notabilizado como um extremo veloz e com boa capacidade para municiar os seus companheiros de área, depois da estreia, a 10 de Abril de 1982, pelos actualmente denominados sub-14, o jogador, de forma regular, continuaria a ser convocado aos desafios de Portugal. Essa aposta com as cores lusas, faria com que Manuel José, no decorrer da temporada de 1984/85 desse ao atacante algumas oportunidades na equipa principal do Sporting. Porém, mesmo tendo em conta o potencial apresentado, a verdade é que o atleta não conseguiria cimentar-se como um dos indiscutíveis do plantel “verde e branco” e tal facto valer-lhe-ia o epíteto de “eterna promessa”.
Mesmo nunca tendo conseguido atingir a titularidade indiscutível, Lima, ainda assim, haveria de garantir um lugar no plantel do Sporting. Pouco utilizado nas épocas seguintes, o extremo teria a campanha mais consistente no desenovelar das provas agendadas para 1988/89. No rescaldo das prestações individuais alcançadas durante a referida temporada, Juca, à altura o seleccionador nacional, passaria a olhar para si como um bom reforço para o principal conjunto de Portugal. Convocado no âmbito da Fase de Apuramento para o Mundial de 1990, o avançado entraria em campo num par de ocasiões. A primeira verificar-se-ia a 6 de Outubro de 1989, num duelo frente à antiga Checoslováquia. Alguns dias depois, o atacante voltaria a ser escalonado frente ao Luxemburgo e, com tais pelejas, o atleta passaria a apresentar no currículo um total de 18 internacionalizações espalhadas pelos diferentes escalões lusos.
Voltando ao seu percurso clubístico, Lima pouco mais conseguiria do que ser um dos suplentes, mais ou menos, utilizados no Sporting. Tal facto, provavelmente, levá-lo-ia a tentar a sorte noutras paragens e o Minho surgiria como o novo destino da sua carreira. No entanto, também ao serviço do Vitória Sport Clube, o atleta não conseguiria demonstrar o seu real valor e cumprida a temporada de 1992/93 na cidade de Guimarães, o jogador regressaria a Lisboa. Como elemento do plantel do Atlético a partir de 1993/94, muito para além de afastado do escalão máximo, o extremo passaria a abordar a vida de uma forma um pouco diferente. Sem deixar o futebol, o atacante decidiria regressar aos estudos, acabando por completar, nos tempos seguintes, a Licenciatura em Educação Física e Desporto. Mesmo tendo em conta as aludidas opções, ainda como praticante, o atleta voltaria a viver alguns momentos de destaque. Ao entrar no Alverca em 1997/98, o extremo contribuiria para a subida da sua equipa e participaria, no ano seguinte, na inédita presença do conjunto ribatejano na 1ª divisão.
Ao deixar para trás as lides de futebolista, Lima passaria a desempenhar o papel de treinador. Como adjunto de José Romão, na época seguinte a ter “pendurado as chuteiras”, o antigo praticante transitaria para a equipa técnica do Alverca. Sem deixar o conjunto ribatejano, nos anos seguintes passaria também pelos juniores, onde, em 2001/02, orientaria o clube até ao título nacional da categoria. Aliás, tem sido nas camadas jovens que tem trilhado grande parte do seu caminho. Nesse cenário, ficaria, a partir de 2006/07, ligado às escolas do Sporting, conseguindo, por 3 vezes consecutivas, ganhar o Campeonato de Juniores. Já em 2018, após a experiência nos angolanos do 1º de Agosto e de um curto regresso aos “Leões”, assumiria um cargo técnico na Federação Portuguesa de Futebol e desde então tem estado à frente de vários patamares competitivos.

1450 - RESENDE

Com os últimos anos de formação a serem divididos entre o Torralta e o Benfica, seria ainda como membro do emblema algarvio que António Luís Amaral Resende acabaria chamado aos trabalhos sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado para os agora denominados sub-16, o médio de características ofensivas estrear-se-ia, pela mão de José Augusto, a 20 de Novembro de 1985. Essa partida frente à Suíça, serviria de arranque para uma caminhada de excelência nas camadas jovens lusas. Claro está que o cume dessa caminhada emergiria já como elemento dos sub-20. Orientado por Carlos Queiroz, o atleta seria chamado à edição de 1989 do Campeonato do Mundo da última categoria referida. No certame organizado na Arábia Saudita, o jogador entraria em duas partidas e, desse modo, ajudaria Portugal a vencer o torneio.
Voltando ao seu percurso clubístico, Resende, sem espaço para evoluir nos seniores do Benfica, passaria a temporada correspondente à competição disputada no Médio Oriente emprestado ao Farense. No Algarve, o jovem esquerdino, mais uma vez puxado por José Augusto, conseguiria estrear-se na 1ª divisão. Na senda do escalão maior do futebol luso, seguir-se-ia, já bem mais a norte, o Feirense. Nos “Fogaceiros” voltaria a encontrar-se com alguns dos companheiros da proeza conseguida no torneio saudita, casos de Valido e de Morgado. Porém, num plantel onde também evoluíam outras promessas do futebol luso, como seriam Pedro Martins e Pedro Miguel, as prestações colectivas não seriam suficientemente boas para manter a colectividade do Distrito de Aveiro no convívio com os “grandes”. A descida de patamar arrastaria o médio, já com as cores de outros emblemas, para as competições secundárias e, durante variadíssimos anos, o atleta viveria afastado dos principais holofotes.
Intercalando, na divisão de honra, épocas de bons números com outras de resultados pessoais bem mais modestos, Resende, nos anos subsequentes à saída do emblema de Santa Maria da Feira, envergaria as camisolas do Académico de Viseu, Ovarense, Amora, Rio Ave e Desportivo de Beja. Curiosamente, seria já com o emblema alentejano a militar na 2ª divisão “b” que o médio, pondo fim a um interregno de 8 anos afastado do degrau máximo, conseguiria chamar à atenção de uma colectividade primodivisionária. Apresentado como reforço do Vitória Futebol Clube para a temporada de 1998/99, o jogador, ao juntar-se a Amaral, Brassard e Hélio, seus colegas no Mundial sub-20 de 1989, passaria a ser orientado por Carlos Cardoso. No entanto, a sua estadia de 2 anos na cidade de Setúbal, ficaria muito aquém das expectativas delineadas. Sem praticamente jogar, o atleta deixaria os “Sadinos” para, mais uma vez, passar a vogar pelos escalões inferiores.
Gondomar, Louletano, Juventude de Évora e Quarteirense transformar-se-iam nas últimas etapas da sua estirada enquanto futebolista profissional. Contudo, mesmo ao “pendurar as chuteiras” com o termo da campanha de 2003/04, o antigo jogador manteria a ligação à modalidade. Ainda na agremiação algarvia onde, para além de ter iniciado a sua caminhada formativa, haveria de pôr um ponto final na carreira enquanto praticante, Resende daria os primeiros passos como treinador. Nas funções de adjunto, nas camadas jovens ou como técnico-principal do conjunto sénior, para além das tarefas cumpridas na já referida colectividade, teria ainda passagens pelo Quarteira SC e pelo CHEDUL.

1289 - EUSÉBIO

Após terminar o percurso formativo com as cores do Tirsense, a mudança para a equipa principal, na temporada de 1985/86, dar-se-ia sem a necessidade de cambiar de clube. Porém, com os “Jesuítas” afastados do escalão máximo, Eusébio, veria os anos iniciais do trajecto pelo patamar sénior a cingirem-se à disputa da 2ª divisão. Tal cenário acabaria por alterar-se na campanha de 1989/90. Ao ajudar à promoção conseguida no final da época anterior, o médio encetaria uma grande caminhada pelos palcos principais do futebol luso e sempre com números bem positivos.
Com a estreia entre os “grandes” a acontecer pela mão do Professor Neca, Eusébio não deixaria intimidar-se pelo salto competitivo e, desde logo, assumiria um papel preponderante na manobra táctica do conjunto sediado em Santo Tirso. Ao pautar-se como um elemento aguerrido, os equilíbrios por si conseguidos no sector intermediário dariam um enorme contributo aos desempenhos colectivos. Nesse sentido, num plantel que também contava com elementos de grande traquejo, casos do guarda-redes Lúcio, Tueba, José Maria, Quim, entre outros, o centrocampista tornar-se-ia num dos pilares do 9º posto conquistado no termo do Campeonato Nacional e, igualmente, um dos grandes responsáveis pela chegada da equipa aos quartos-de-final da Taça de Portugal.
Em termos individuais, a temporada seguinte também correria de feição para o médio. No entanto, a 16ª posição e a consequente descida de divisão do Tirsense, levaria Eusébio a procurar dar um novo rumo à carreira. Avaliado como um praticante de indubitáveis índices primodivisionários, o atleta seria apresentado como reforço do Sporting de Braga. Com a mudança para o Minho a acontecer na preparação da temporada de 1991/92, o atleta conseguiria manter-se como um elemento com muitas presenças em campo. Aliás, esse registo seria uma constante na grande parte da sua caminhada profissional e talvez por essa razão, sem desprimor para qualquer um dos emblemas, a sua mudança para o Beira-Mar tenha causado alguma surpresa.
A exactidão dos números acabaria por desenhar a transferência para a colectividade de Aveiro como o início de uma das relações mais importantes do trajecto de Eusébio enquanto futebolista. Nos “Aurinegros” a partir de 1993/94, as duas passagens pelo emblema a jogar em casa no Estádio Mário Duarte, empurrá-lo-ia para o momento mais alto da carreira. Pelo meio, sem deixar o escalão máximo, surgiria a campanha de 1995/96 a jogar de novo pelo Tirsense. Essa temporada feita ao serviço da agremiação fundada na sua terra natal, também traria para o currículo do médio um facto interessante e os 97 jogos cumpridos na 1ª divisão pela referida colectividade, transformá-lo-iam no 2º atleta na história do clube com mais presenças no patamar maior do futebol português.
De volta ao Beira-Mar, a temporada de 1998/99, em termos de troféus, tornar-se-ia na mais marcante da sua caminhada. Com a progressão na Taça de Portugal a encaminhar o conjunto aveirense até à final da prova, Eusébio seria um dos escolhidos pelo técnico António Sousa para entrar de início na derradeira peleja da competição. No Estádio Nacional, frente ao Campomaiorense, o médio transformaria a sua exibição num elemento pendular para o êxito colectivo e, frente ao emblema alentejano, contribuiria para a vitória por 1-0.
A partida disputada no Jamor viria a assinalar o final da ligação com o Beira-Mar, mas também o termo das suas participações primodivisionárias. Daí em diante, numa carreira já marcada pela fase descendente, Eusébio ainda representaria outros emblemas. Nesse sentido, Freamunde, Ovarense e o regresso ao Tirsense marcariam os últimos passos de uma caminhada que terminaria em 2002.

1130 - DUÍLIO

Duílio Dias, para além de herdar o nome, haveria de dar os primeiros passos no futebol ao serviço do emblema que já tinha notabilizado o seu pai. No entanto, ao contrário do progenitor, famoso pelos golos, seria no centro da defesa que, durante largos anos, haveria de mostrar os seus dotes desportivos.
Depois de completar a formação no Coritiba, seria também no conjunto do Paraná que o jovem jogador, na segunda metade da década de 70, faria a transição para o escalão sénior. Durante as temporadas passadas com a camisola do “Coxa” ajudaria à vitória nas edições de 1976, 1978 e 1979 do Campeonato Estadual. Os títulos conquistados catapultariam a sua carreira e seguir-se-iam as experiências na Portuguesa dos Desportos e no América do Rio de Janeiro. No entanto, seria noutro emblema “carioca” que Duílio, a partir da campanha de 1983, viveria os melhores anos do seu percurso profissional.
Apesar da entrada num plantel com nomes bem conhecidos do público português, casos de Ricardo Gomes e Branco, Duílio conseguiria impor-se no Fluminense. Como um defesa possante e com habilidade para os livres-directos, a sua presença regular no “onze” “tricolor” seria decisiva para que a equipa alcançasse importantes troféus. Porém, após a conquista do Campeonato Carioca de 1983 e 1984 e do “Brasileirão” de 1984 dar-se-ia a separação entre o atleta e o clube – “Eu era o capitão da equipa, tinha recebido duas convocatórias para a selecção do Brasil, mas continuava a ser um dos jogadores com o salário mais baixo. Falei com presidente, disse que havia a proposta de um clube grande e que precisava de fazer o meu pé-de-meia. Senti que o Fluminense só valorizava os avançados, os extremos e os médios atacantes. Era o momento certo para sair”*.
Seguir-se-ia o Sporting. Contudo, a adaptação ao futebol europeu faria com que o atleta, tapado por Venâncio e Morato, demorasse um pouco mais a impor-se. Com a temporada de estreia em Portugal a correr de forma discreta, aos poucos, o defesa conseguiria ganhar um lugar na equipa leonina. Nesse percurso e depois da chegada em 1985/86, a Supertaça de 1987/88 pautar-se-ia como o único título do central nos 3 anos passados em Alvalade. Ainda assim, Duílio viveria a glória de um dos episódios míticos da história dos “Leões”. Convocado pelo técnico Manuel José para a 14ª ronda de 1986/87, o jogador marcaria presença na vitória frente ao Benfica por 7-1 – “Entrei nesse dérbi, joguei os últimos 25 minutos. Estava 5-1 quando entrei. Participei nos últimos dois golos e tenho a certeza de que se o jogo durasse mais dez minutos seriam oito, nove ou dez”*.
Com a entrada de Jorge Gonçalves para a presidência do Sporting, Duílio seria dispensado. Escolheria o Estrela da Amadora para prosseguir a carreira e em boa hora o faria. Já a cumprir a segunda temporada com o conjunto da Linha de Sintra, ajudaria o clube a atingir o derradeiro desafio da Taça de Portugal. Ao jogar de início na final e na finalíssima, para além de contribuir para a inédita vitória do seu emblema, a condição de capitão de equipa faria com que fosse ele a receber e a erguer o troféu na tribuna do Estádio do Jamor.
No que restaria da sua carreira em Portugal, e a militar nos escalões secundários, tempo ainda para vestir as camisolas da Ovarense e do Portimonense. No regresso ao seu país, depois de terminada a carreira como futebolista, Duílio passaria a dedicar-se às tarefas de técnico. Com passagens pelos portugueses do Machico, e por equipas do Cazaquistão e do Kuwait, tem sido no Brasil que tem trilhado grande parte do seu percurso como treinador. Hoje em dia (2021), já a trabalhar nas “escolas” do clube desde 2018, é o Coordenador de Formação do Fluminense.

*retirado da entrevista de Pedro Jorge da Cunha, publicada em https://maisfutebol.iol.pt, a 24/09/2020

1054 - JAIRO

Com um currículo assente nas campanhas feitas ao serviço do Olaria, equipa brasileira sediada nos arredores do Rio de Janeiro, Jairo despertaria a curiosidade dos dirigentes do Rio Ave. Chegaria na temporada de 1987/88 e para reforçar o sector intermédio da equipa vilacondense. No entanto, e apesar de ser um jogador com uma boa experiência no futebol sénior, a sua adaptação à realidade primodivisionária portuguesa revelaria algumas debilidades.
Sem conseguir impor-se como titular e empurrado pela despromoção do Rio Ave, o médio, finda a campanha da sua chegada a Portugal, acabaria por mudar de clube. Já no União da Madeira, a sua caminhada revelar-se-ia bem diferente. Com o emblema funchalense a disputar a 2ª divisão, mas com a ambição apontada à subida de patamar, Jairo tornar-se-ia num dos pilares da época de 1988/89. Com a promoção garantida, o regresso à divisão máxima não amedrontaria o jogador. Manter-se-ia, naquela que viria a ser a primeira temporada dos “Unionistas” no escalão principal, como uma das apostas mais firmes do grupo. O contexto histórico faria o resto e o atleta, ainda hoje, é recordado como um dos nomes icónicos da colectividade madeirense.
Tendo tudo um fim, também a ligação do médio ao União da Madeira acabaria por conhecer o seu término. Após 4 temporadas, e sem que nada conseguisse beliscar o seu estatuto de titular, Jairo deixaria o conjunto insular. Manter-se-ia por Portugal, durante mais alguns anos. Todavia, as escolhas feitas nos anos vindouros afastá-lo-iam dos palcos principais. Sucedendo-se à sua partida do Funchal, Estrela da Amadora, onde venceria o Campeonato da Divisão de Honra, Campomaiorense e Estoril Praia seriam as colectividades que acolheriam o centrocampista. Já o que aconteceu depois de 1995 tornar-se-ia numa verdadeira incógnita para a maioria. Depois de deixar o emblema da Linha de Cascais, a única evidência é que, a certa altura, terá regressado ao Brasil.
Os registos mais recentes contam-nos que o antigo médio mantem o seu vínculo com o futebol. Por um lado, e no regresso ao Olaria, muito mais do que a sua presença na formação de “veteranos” do clube, Jairo Francisco seria um dos seus fundadores. Paralelamente, a sua ligação profissional à modalidade apresenta-o, nos dias de hoje, como treinador. O bom trabalho realizado à frente dos sub-20 do Madureira levá-lo-ia, em 2017, aos comandos da equipa principal. Mais recentemente, e dando continuidade ao seu percurso pelas “escolas” de emblemas brasileiros, há também que destacar a sua passagem pela Portuguesa do Rio de Janeiro.

974 - JORGE SILVÉRIO

Desde muito cedo que começaria a destacar-se pela sua técnica e capacidade de entender o jogo. Essas habilidades acabariam por levá-lo, já na recta final da sua formação, a integrar os juniores do Benfica. Todavia, e na altura de fazer a transição para o patamar sénior, a presença de grandes craques no plantel “encarnado” acabaria por subtraí-lo às contas do seu sonho.
Tal como tantos outros, Jorge Silvério teria que contentar-se com a saída para um emblema de menor monta. No Loures, no início da década de 80, daria os primeiros passos no patamar sénior. A mudança para o Beira-Mar, como um sinal promissor da sua evolução, também apareceria de rompante. Todavia, e com os de Aveiro a perpetuarem-se no escalão secundário, a sua estreia primodivisionária teria ainda que aguardar alguns anos.
Seria após mais uma mudança de camisola que o médio ofensivo conseguiria cumprir o sonho de competir nos maiores palcos nacionais. Sendo um atleta, como já aqui foi dado a entender, de recorte técnico acima da média, era na esquerda, ou como “10”, que Jorge Silvério melhor conseguia interpretar as dinâmicas do jogo. Tendo em conta tudo aquilo que poderia acrescentar ao grupo de trabalho, Raúl Águas decidiria juntá-lo ao plantel do Desportivo de Chaves. A transferência, acordada para a temporada de 1987/88, acabaria por trazer ao seu trajecto muito mais do que a estreia na 1ª divisão. Com o conjunto flaviense a escrever a melhor página da sua história, o jogador acabaria também por conseguir participar nas competições europeias.
O 5º posto alcançado na época anterior à sua contratação, levaria o Desportivo de Chaves à Taça UEFA. Depois de não ter entrado em campo em nenhuma das partidas frente à Universitatea Craiova, a 2ª mão da 2ª ronda permitiria a Jorge Silvério participar na prova. Aos 15 minutos da 1ª parte, para substituir Diamantino, o médio é posto em jogo. Mesmo não tendo conseguido evitar a eliminação frente ao Honvéd, o contributo que prestaria ao conjunto transmontano acabaria por gravar o seu nome num dos mais bonitos episódios da memória “azulgrana”.
Curiosamente, seria uma nova mudança de rumo que, mais uma vez, empurraria o jogador para outo momento de merecida importância. Para ser mais exacto, a transferência perpetrada para a campanha de 1990/91, não seria mais do que um regresso a uma “velha casa”. De volta ao Estádio Mário Duarte, após não ter conseguido agarrar a titularidade no Desportivo de Chaves, Jorge Silvério aproveitaria a permanência do clube na 1ª divisão para também ele dar continuidade à sua caminhada no referido escalão. Mais uma vez, a sua entrada coincidiria com um dos grandes êxitos da história do clube. Com Vítor Urbano à frente da equipa técnica, o Beira-Mar atingiria a final da Taça de Portugal. Num grupo que contava com Spassov, Abdelghani ou Dino, o médio também sublinharia a sua importância. No desafio disputado no Jamor, mesmo com a derrota frente ao FC Porto, o atleta teria o orgulho de ver o seu nome no “onze” inicial.
Já no Campomaiorense, onde encetaria os trabalhos na campanha de 1994/95, também gravaria o seu nome na história da colectividade. Tendo começado ainda com o emblema a disputar a Divisão de Honra, a temporada da sua chegada coincidiria com a promoção do clube e, por resultado, com a futura estreia no escalão máximo do futebol português. A época seguinte, acompanhando os alentejanos numa nova realidade competitiva, tornar-se-ia na última da sua carreira na 1ª divisão. Mesmo tendo passado grande parte da sua carreira nos escalões secundários, a passagem de Jorge Silvério no principal patamar saldar-se-ia em 8 anos.
A última parte do seu percurso profissional vivê-lo-ia em clubes que, mesmo tendo alguma tradição no desporto nacional, atravessavam uma fase mais modesta. Sanjoanense, “O Elvas” e Portalegrense, precederiam a sua ligação ao “O Calipolense”. O novo emblema tornar-se-ia num momento de viragem. Começando por ser treinador-jogador, a sua saída dos de Vila Viçosa entregá-lo-ia, em exclusivo às tarefas de técnico. Nessas funções tem feito carreira nos escalões secundários, com especial destaque para os regressos ao Loures, “O Elvas” e Campomaiorense.

704 - SLAVKOV

Sendo que, por norma, são os atletas dos maiores clubes que merecem maior projecção, existem outros, como o caso de Slavkov, que conseguiram destruir esta ideia. Ora, o avançado haveria de começar a dar os primeiros passos no Trakia Stamboliyski. Ainda em idade de formação, os bons préstimos conseguidos ao serviço do seu emblema, despertariam a atenção de outra colectividade. O Trakia Plovdiv, com tradição no nível máximo do futebol búlgaro, avançaria para a sua contratação. Aí, Slavkov faria a sua transição para o futebol sénior e na temporada de 1976/77 conseguiria a estreia na equipa principal.
Com qualidades técnicas acima da média, mormente aquelas que o destacavam na grande-área dos adversários, o jovem atacante pouco demoraria a confirmar o seu estatuto de bom jogador. Logo na época seguinte à da sua estreia, Slavkov consegue merecer a confiança dos responsáveis pela selecção e, pela primeira vez, é chamado a vestir a principal camisola do seu país. Esse amigável frente à Escócia, a 22 de Fevereiro de 1978, dá início a um percurso que o levaria a representa a Bulgária por 37 vezes. Contudo, e apesar de ter estado presente nos trabalhos da equipa nacional entre 1978 e 1983, a Slavkov faltaria uma presença num dos grandes certames internacionais. Com a Bulgária a falhar a maior parte das qualificações (Mundiais de 1978 e 1982; Euros 80 e 84), a grande oportunidade do atleta viria com o Campeonato do Mundo de 1986. Todavia, e contra muitas vozes, Slavkov acabaria por ficar de fora da lista dos convocados.
Seria com a camisola dos clubes por onde passou, que Slavkov conseguiria os maiores feitos na sua vida de futebolista. Depois de, ainda em tenra idade, ter feito a sua estreia pela selecção principal, eis que, quase de seguida, chega o interesse dos maiores emblemas da Bulgária. Nesse sentido, a primeira passagem pelo CSKA de Sofia acabaria por não trazer os resultados esperados. Após essa experiência menos conseguida, Slavkov voltaria ao Plovdiv. Esse regresso acabaria por mostrar que o avançado em nada tinha perdido as suas qualidades goleadoras. Na época de 1980/81, na qual haveria de conquistar a Taça da Bulgária, Slavkov consegue algo em que poucos apostariam. Com 31 golos marcados no decorrer da referida temporada, o atacante sagra-se o melhor marcador do campeonato. Mais surpreendente ainda, é que na corrida para a Bota de Ouro, ultrapassaria nomes como o do alemão Karl-Heinz Rummenigge, acabando por vencer a almejada distinção.
A segunda passagem pelo CSKA de Sofia, que se prolongaria desde 1982 a 1986, acabaria por trazer diversos títulos à carreira de Slavkov. A liga de 1982/83 e a Taça de 1984/85, a juntar ao título de campeão conseguido aquando da sua primeira experiência com o clube, fariam dele um dos atletas com melhor currículo no seu país. Esse facto acabaria por fazer com que, de campeonatos estrangeiros, começassem a surgir alguns convites. Ora, seria já depois de uma passagem por França e pelo Saint-Étienne, que o avançado chegaria a Portugal. No Desportivo de Chaves, Slavkov seria parte integrante daqueles que foram os melhores anos dos flavienses. Tendo chegado na mesma temporada que o seu compatriota Radi Zdravkov, o atacante faria parte das equipas que conseguiriam qualificar-se para as competições europeias. Tendo, inclusive, marcado um dos golos que, em 1987/88, permitiriam ultrapassar os romenos da Universidade de Craiova, o internacional búlgaro inscreveria o seu nome no rol dos históricos do emblema transmontano.
O regresso ao seu país e ao Botev Plovdiv (o clube, entretanto, havia recuperado a sua denominação original) acabaria por pôr um ponto final à sua carreira de futebolista. Slavkov, no entanto, ficaria ligado ao futebol e, por altura do seu falecimento em 2014, ocupava o cargo de Director do Complexo Desportivo Botev 1912.

574 - FILGUEIRA

Tendo, para a temporada de 1988/89, chegado ao Desportivo de Chaves como um dos reforços da equipa, Filgueira, por essa altura, ainda era um perfeito desconhecido do futebol português. Contratado ao Brasília, o currículo que o atleta apresentava, em nada fazia adivinhar que o seu futuro profissional acabasse por ser tão brilhante. Contudo, o defesa rapidamente haveria de encaminhar o seu percurso na direcção do sucesso.
Com 21 anos e, ainda por cima, vindo de uma realidade futebolística um tanto diferente, por certo, poucos esperariam que Filgueira conseguisse afirmar-se de uma forma tão convicta. A verdade é que a estreia na Primeira Divisão portuguesa em nada amedrontou o central. Fazendo dupla com jogadores mais experientes, tal como Manuel Correia ou o brasileiro Jorginho, a presença no "onze" flaviense torna-se, rapidamente, numa constante. A sua capacidade defensiva, sinónimo de uma maneira abnegada de encarar o jogo, faziam dele uma das pedras basilares dos transmontanos. Essa solidez acabaria por ser um dos segredos para que o emblema, na pós-presença nas competições europeias, conseguisse completar aquele que seria o melhor ciclo da sua história.
No entanto, com o Desportivo de Chaves a descer de divisão em 1993/94, Filgueira, já com a época a decorrer, decide trocar de morada. A mudança que o levaria à cidade de Setúbal, faria com que o atleta conseguisse manter-se no escalão máximo do futebol nacional. Aliás, essa seria uma (quase) constante da sua carreira. Tanto nos sadinos, como já depois no Funchal, com as cores do Marítimo, Filgueira consolidar-se-ia como um atleta de "Primeira" e, justamente, um dos melhores do nosso campeonato.
Outro aspecto que o acompanharia durante a sua carreira, seria a maneira como, em qualquer dos clubes por onde passou, conseguiu, de uma forma inequívoca, impor o seu jogo. Indiscutível nos emblemas que já referi, seria também com o estatuto de titular que conquistaria aqueles que, de alguma forma, estão ligados ao Belenenses. Admirado tanto pelos corpos técnicos, como por todos os adeptos da "Cruz de Cristo", Filgueira, servir-se-ia das 8 temporadas que passou no Restelo, para se tornar num dos ídolos "azuis". Esse seu carisma, que, da mesma forma, era sentido no seio do balneário, entregá-lo-iam a um dos lugares de maior prestigio como futebolista. Eleito pelos seus colegas, Filgueira acabaria por ostentar, para a época de 1999/00 a almejada braçadeira de "Capitão".
Como já deu para entender, a regularidade que conseguiu apresentar ano após ano, fez dele um dos atletas mais apreciados do campeonato. Essa sua característica levá-lo-ia a outra meta sensacional. Com 15 temporadas na maior divisão portuguesa, atingiria, naquele que seria o seu derradeiro ano nos relvados (2003/04), as 400 partidas disputadas no referido escalão - "É um orgulho, pois é uma marca que poucos conseguiram, mesmo sendo portugueses"*.
Já depois de "pendurar as chuteiras", manteve-se ligado ao futebol. Desempenhando diversas tarefas como treinador, ou, ainda, na função de Director da Secção de Futebol Feminino, Filgueira continua a ser um dos maiores símbolos do Belenenses.


* Artigo de Sheila Figueiredo, para o jornal "Record"

415 - HAJRY

Alguns anos após subir à equipa principal do Raja Casablanca, o médio-defensivo seria eleito o melhor atleta da edição de 1987 do Torneio de Toulon. Sempre à procura de novos craques, o Benfica tomaria a decisão de apostar no jovem jogador marroquino e no início da temporada de 1987/88, Hajry daria entrada no Estádio da Luz. Contudo, num plantel cheio de craques, onde o destaque para os homens da sua posição ia para nomes como os de Elzo, Shéu ou Nunes, as oportunidades para o recém-chegado reforço não seriam muitas. Ainda assim, apesar das poucas presenças em campo durante as provas de índole interno, o jogador, com a brilhante campanha das “Águias” nas competições além-fronteiras, viria a tornar-se no primeiro futebolista do seu país, e até à data no único, a participar numa final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. A partida, de má memória para os benfiquistas, haveria de ditar a derrota do Benfica frente ao PSV. No entanto, nesse encontro de Estugarda, já no desempate por penalties, Hajry seria chamado à cobrança do “castigo máximo” e frente a van Breukelen, seria um dos homens a concretizar o remate em golo.
Depois dessa experiência única, o Benfica, com mais estrangeiros do que era permitido pelo regulamentos, decidiria emprestar Hajry. Após representar o Farense e o União da Madeira nas duas épocas a seguir à chegada a Portugal, o jogador, na temporada de 1990/91, voltaria à colectividade sediada na capital do Algarve. De novo a envergar a camisola dos “Leões de Faro”, o centrocampista encetaria aí a mais importante etapa da carreira. Nos 10 anos seguintes, sempre com o mesmo emblema, o atleta viveria alguns dos melhores momentos da sua caminhada competitiva. Um desses capítulos emergiria com a qualificação para as competições continentais e, já na campanha seguinte, com a participação na edição de 1995/96 da Taça UEFA.
Após algumas experiências como treinador, Hajry decidir-se-ia pelo regresso aos "campos da bola". Depois da temporada de 2003/04, durante a qual também vestiria a camisola do Imortal de Albufeira, o médio, à imagem de outras antigas estrelas do nosso futebol, casos de Cadete, Fernando Mendes, Pitico ou Mané, passaria a envergar as divisas do São Marcos, colectividade amadora da Associação de Futebol de Beja - "A ideia é continuar a ser treinador. Em vez de fazer os jogos de veteranos, venho fazer estes jogos, com a mesma alegria que sempre pus no futebol"*.

*retirado do artigo publicado a 27/11/2004, em www.cmjornal.pt

204 - SYLVANUS OKPALA

Quando a Nigéria decidiu candidatar-se à organização da CAN de 1980, poucos apostariam no nome de Sylvanus Okpala para figurar na lista dos eleitos a participar no certame disputado no país. A verdade é que, com o avizinhar do torneio, o jovem, que já brilhava no Enugu Rangers e até capitaneava a selecção de sub-20, começaria a mostrar-se como uma hipótese a ter em conta. Seria esse valor que levaria o conhecido técnico Otto Glória a incluí-lo na lista dos eleitos. Em boa hora o faria, pois as "Super Eagles" haveriam de vencer o troféu pela primeira vez, reservando, para os membros daquele grupo, um lugar na história do futebol da nação.
Passados alguns anos sobre essa grande conquista, depois de ter vencido Taças e Campeonatos no seu país, Sylvanus decidiria, num tempo em que poucos dos seus conterrâneos tinham tal privilégio, ser a altura certa para tentar a sorte na Europa. A oportunidade surgiria no União da Madeira, emblema que, em 1983/84, disputava a 2ª divisão. Em Portugal continuaria a mostrar ser o jogador que imprimia um ritmo alucinante às partidas, que corria desenfreadamente atrás do esférico e a quem, por essas mesmas razões, carinhosamente baptizariam como "Quicksilver".
Fosse no meio-campo, a atacar ou a defender, ou mesmo no sector mais recuado do terreno, Sylvanus transformar-se-ia no exemplo de uma polivalência bem distante da, tantas vezes alvitrada, falta de categoria. Essas incontestáveis qualidades, passada apenas uma temporada após a sua chegada a Portugal, levá-lo-iam até ao Marítimo. Com um novo contrato, Sylvanus manter-se-ia a jogar na ilha. Aliás, a sua carreira futebolística tem uma curiosidade! É que à imagem de outros atletas, como por exemplo Jokanovic, o internacional nigeriano, por cá, só jogaria em emblemas da Madeira!
Seria mesmo ao serviço do Nacional que, precocemente e com apenas 29 anos de idade, haveria de pôr um ponto final na sua vida nos relvados. Contudo, continuaria ligado à modalidade, como “olheiro” nos mais importantes clubes nigerianos ou como representante de novos atletas. Já em 2011, assumiria as funções de adjunto de Stephen Keshi, na selecção principal do seu país.

181 - VÍTOR PONTES

Como jogador, Vítor Pontes sofreu da síndrome que só os guarda-redes costumam padecer, a do “eterno suplente”. Os indícios surgiram após completar a formação na União de Leiria e, depois do curto empréstimo ao Vieirense, na volta à “Cidade do Lis”. Durante as épocas seguintes ao regresso, pouco mais alcançou do que a sombra de nomes como Padrão ou Álvaro. Passados 5 anos, a ida para o Vitória Sport Clube só veio agudizar a sua condição. Em Guimarães encontrou-se com o internacional luso, Jesus. De início ainda conseguiu sentar-se no banco. Porém, o que o destino trouxe daí em diante acabou por ser bem pior e com o fim da segunda temporada no Minho, ao não conseguir ser convocado uma única vez, restou-lhe a saída. Seguiram-se outros clubes na 1ª divisão. Porém, tanto no "O Elvas", como no Nacional da Madeira ou ainda no Tirsense, a sua história teimou em repetir-se, acabando por agrilhoar o guardião a à ideia de uma carreira bem recatada.
Como treinador parece estar a delinear uma trajectória igualmente discreta. Após o estágio com José Mourinho e de, pelo "Special One", ter sido avaliado como uma das grandes promessas na função, Vítor Pontes pouco mais tem feito do que acumular desaires. Este ano não foi excepção! Não sei se deram por isso, mas o treinador passou pelo nosso Campeonato! É verdade, o técnico substituiu Pedro Caixinha à 4ª ronda para, após a 6ª jornada, abandonar o comando da União de Leiria!
Agora pensem bem! Quem quer ser honesto, tem que ser coerente na maneira de viver. Como já fiz referência, a imagem de Vítor Pontes no futebol, tem sido a discrição. A prová-lo temos números a dizerem-nos que, nas suas 7 épocas primodivisionárias enquanto atleta, participou em cerca de meia-dúzia de partidas. Tal registo torna óbvio que o antigo futebolista e agora técnico tem aversão ao estrelato!

173 - PEDRO MARTINS

Nunca foi um intérprete muito vistoso. Ao invés de outros colegas de toque “mais artístico”, a sua grande arma sempre foi a vontade que mostrava dentro do relvado. Talvez por isso mesmo, só começou a revelar todas as verdadeiras capacidades quando o fizeram recuar no campo. De avançado, posição onde despontou no Feirense, passou a médio-defensivo. No miolo do terreno deixou de ser um elemento mediano e provou ser virtuosamente pendular e capaz de metas mais ambiciosas.
Já ao serviço do Vitória de Guimarães, no regresso à 1ª divisão – a estreia aconteceu a 1989/90, pelo emblema de Santa Maria da Feira – a constância das suas excelentes exibições, levaram a que o seu nome começasse a constar da lista de pretensões dos “grandes” emblemas portugueses. Bastou uma temporada para que, na companhia do também “vimaranense”, Pedro Barbosa, viajasse para Lisboa e assinasse contrato com o Sporting. Nos “Leões”, apesar da forte concorrência de Oceano ou Vidigal, o rigor táctico que apresentava e a solidez que conferia ao meio-campo, fez com que, durante os anos em que permaneceu em Alvalade, fosse presença regular nas fichas de jogo. Essas 3 temporadas de “verde e branco” acabaram por ser as melhores da sua vida futebolística. Nelas, para além de vencer 1 Supertaça, conseguiria, na partida de apuramento para o Mundial de 98 contra a Irlanda do Norte, a sua única internacionalização “A”.
Com a surpreendente dispensa do Sporting, resultado da “limpeza” perpetrada por Mirko Jozic em 1998, a carreira de Pedro Martins entrou numa fase menos fogosa. A passagem pelo Boavista, Santa Clara e, por fim, pelo Alverca transformaram-se nos derradeiros passos de “chuteiras calçadas”. Porém, a despida foi apenas um ponto de viragem. No clube ribatejano, ao cruzar-se com José Couceiro, recebeu o convite para, como adjunto, integrar a sua equipa técnica. Hoje em dia comanda a equipa principal do Marítimo. A experiência insular, há que ser franco, teve no ano passado uma época sem grande glória. Já o bom arranque nesta temporada, deixa antever uma campanha auspiciosa e, provavelmente, uma classificação nos “lugares europeus”.

136 - MAGNUSSON

Há uns anos atrás li uma entrevista em que Mats Magnusson falava dos seus últimos anos de carreira no emblema da sua terra natal, o Helsingborg. Nela contava como, depois dos treinos, ficava a ajudar uma das jovens promessas do clube a melhorar as suas qualidades de avançado. Esse rapaz dava pelo nome de Henrik Larsson e o treino consistia em, na sequência de cruzamentos, rematar à baliza, mas com um pormenor... sempre à primeira!
Nem mais, essa foi a imagem com que fiquei do sueco. Um jogador que dispensava os elementos assessórios nas suas jogadas, que privilegiava a simplicidade e que, ao aliar essas ideias ao poderio físico, conseguia uma tal eficácia no ataque que, ainda hoje, faz dele um dos melhores atacantes de que tenho memória na "Luz".
Vindo do Malmö FF em 1987, muito deu ao Benfica nas 5 temporadas que passou de “encarnado”. Não foi apenas com os seus golos, que até deram ao atleta o lugar cimeiro na lista de Melhores Marcadores de 1989/90, que Magnusson contribuiu para os sucessos colectivos! O avançado era um batalhador nato. O seu 1,88m e os mais de 80 kg permitiam-lhe desempenhar a função de "pivot" e desgastar os defesas adversários, assistindo os companheiros no ataque. Que o digam Vata e Rui Águas! Essas parcerias fizeram com que as "Águias" pudessem chegar longe tanto nas competições internas, como nas provas europeias. Em 1988, e dois anos mais tarde, o Benfica chegou à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Porém, tanto na primeira edição referida, frente ao PSV Eindhoven, como na seguinte contra o AC Milan, o ponta-de-lança haveria de ser eclipsado. Duas brilhantes duplas de centrais, respectivamente Ronald Koeman com Ivan Nielsen e Franco Baresi com Costacurta conseguiriam maniatar os intuitos do goleador. O Benfica perderia ambos os jogos e tal facto acabaria por alimentar a única pecha que ainda hoje é apontada à sua carreira, ou seja, a ideia de que falhava nos ditos “jogos grandes”.
Ainda assim, nunca saiu dos corações benfiquistas. Nem por essa altura, nem quando, resultado de uma grave lesão sofrida durante o Mundial de 1990, começou a perder o protagonismo na equipa. Para esse carinho, muito também terá contribuído toda a sua boa disposição, o sorriso sempre presente na sua face e o amor que continua a jurar ao clube lisboeta.

53 - ABEL CAMPOS

Habituada a enfrentar leões, a Palanca-Negra é intrépida. Assim era o comportamento de Abel Campos. Quando em frente a qualquer adversário, avança para ele com destemor e, no seu drible rápido, derrotava-o. Talvez seja uma visão um pouco poética do jogador. Contudo, o extremo-direito angolano delineava-se nisso mesmo: velocidade e boa técnica.
Terão sido essas características que, em 1988, levaram o Benfica a elegê-lo como reforço para seu plantel, contratando-o ao Petro de Luanda. Na sua época de estreia chegou vestir a camisola encarnada, na soma de todas as competições, 38 vezes. Marca notável, tendo em conta que a sua posição de campo era disputada com Vítor Paneira.
Abel Campos jogou no Estádio da “Luz” apenas mais uma temporada, representando de seguida Estrela da Amadora, Sporting de Braga e Benfica de Castelo Branco. Em 1994 arriscou-se pelo campeonato indonésio. Depois de um curto regresso a Portugal, para vestir as cores do Alverca, regressou ao referido país asiático onde terminou a sua carreira.
Do percurso de Abel Campos fica uma certeza. É que será sempre recordado, por onde quer que tenha passado, como um verdadeiro bravo.

30 - PAULO SÉRGIO

Se como jogador a sua carreira, apesar de muitas épocas na primeira divisão, não terá tido grande motivo de destaque, já como treinador, e apesar dos 7 anos de experiência, Paulo Sérgio está a dar os primeiros passos na "alta-roda" do futebol português.
Escolha arriscada a do Sporting. Talvez o treinador compense essa falta de currículo, nota de excepção para a presença na final da Taça de Portugal 08/09 ao serviço do Paços de Ferreira, com a sua faceta destemida. Mostra disso mesmo, foram as suas palavras durante a apresentação aos sócios - "Não quero um discurso lamechas para justificar qualquer insucesso que possa ter. Por isso, digo frontalmente que não chego ao Sporting para encurtar distâncias, mas sim para lutar pelo título.(...). Quero risco e arrojo, ao mesmo tempo que pretendo também que todos pensem dessa forma para alcançarmos os objectivos e metas a que nos propusemos".
Vamos esperar pelo Natal!