Mostrar mensagens com a etiqueta 1990-91. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1990-91. Mostrar todas as mensagens

1771 - SPASOV

Nikola Asenov Spasov teria no Lokomotiv de Sofia o início da carreira sénior. Com o encetar das actividades a acontecer na temporada de 1977/78, logo na referida campanha, o avançado-centro, ao lado de colegas como Radi, daria a sua ajuda para que o emblema situado na capital búlgara viesse a sagrar-se campeão. No entanto, mesmo com o estímulo dado pelo troféu ganho e pela presença nas competições de cariz continental, a verdade é que o ponta-de-lança, no par de anos a suceder-se, nunca conseguiria afirmar-se como um dos elementos preponderantes no desenho táctico e em 1980/81 seria apresentado como reforço de uma nova colectividade.
A transferência para o FC Dunav, primordialmente assente no pressuposto de que iria começar a aparecer com maior regularidade, levaria Spasov a descer ao 2º escalão das provas búlgaras. Aliás, a aposta no emblema sediado na cidade de Ruse, onde voltaria a cruzar-se com um atleta com passagem por Portugal, nesse caso Tzvetan Danov, vetaria o jogador a uma experiência de 3 anos longe do patamar máximo. Por outro lado, o traquejo ganho durante o mencionado período levá-lo-ia a ser novamente cobiçado por uma colectividade com metas mais ambiciosas. O acréscimo no seu valor faria com que o Cherno More aferisse a sua contratação como bastante positiva e a mudança empurraria o avançado não só de volta à 1ª divisão, mas também a um dos melhores capítulos da carreira.
Os anos passados no Cherno More, mais a meia temporada vivida ao serviço do Spartak Varna, ciclo durante o qual teria sempre como companheiro de equipa o irmão Yulian, sublinhariam o avançado-centro como um intérprete de qualidade primodivisionária e como um goleador capaz de manter, ao nível da finalização, números bastante interessantes. A regularidade apresentada, numa altura em que a chegada a Portugal de atletas do antigo Bloco de Leste começaria a ser habitual, fá-lo-ia também a arriscar nas provas lusas. Porém, recebido pelo Farense a meio da campanha de 1986/87, Spasov nunca conseguiria impor-se no plantel algarvio. Nesse sentido, cumprido um ano e meio na colectividade do Sotavento, o ponta-de-lança tomaria a decisão de voltar a mudar de emblema e, ao partir em direcção a norte, rubricaria um contrato com o Salgueiros.
A entrada na agremiação do portuense bairro de Paranhos, após experimentar a 1ª divisão, levá-lo-ia, na campanha de 1988/89, a descer um degrau competitivo. Ainda assim, numa caminhada que viria a tornar-se deveras errante, o jogador com a passagem pelo Salgueiros e principalmente com a época de 1989/90 vivida com as cores do Paços de Ferreira, recuperaria o “élan” goleador. Com 34 remates certeiros ao serviço do emblema da “Capital do Móvel”, Spasov veria um acréscimo no seu valor a levá-lo, outra vez, a ser cobiçado, com o Beira-Mar a apostar na sua contratação. Já a exibir-se com o equipamento aurinegro, a campanha de retorno ao convívio com os “grandes” teria como pináculo, mesmo sem a presença do atacante no jogo decisivo, a chegada dos aveirenses à final da Taça de Portugal de 1990/91. O pior é que a sua importância no colo da equipa comandada por Vítor Urbano, contrariando os índices revelados anteriormente, não permitiriam que conservasse o lugar no grupo a trabalhar em casa no Estádio Mário Duarte. Mesmo tendo em conta o pequeno desaire, o avançado conseguiria manter-se pelo escalão máximo e, em 1991/92, regressaria à Mata Real.
O ano cumprido com as divisas do Paços de Ferreira findaria a sua passagem pelo patamar maior do futebol luso. De seguida viriam, sempre com um ano em cada emblema, o Rio Ave, o regresso aos búlgaros do Cherno More e o fim da carreira no Freamunde de 1994/95. Logo de seguida encetaria a sua caminhada como treinador. Sucedendo-se ao tempo passado entre Portugal e Espanha, emergiriam os anos no Leste da Europa, nomeadamente no seu país natal. Por entre um rol considerável de diferentes emblemas, nos quais viriam a incluir-se as passagens pelo Casaquistão e pela Macedónia do Norte, os grandes destaques surgiriam com mais uma ligação ao Cherno More, pelo qual, nas temporadas de 2014/15 e na seguinte, venceria respectivamente a Taça e a Supertaça da Búlgaria. 

1749 - MAKUKULA

Descoberto no Association Sportive Vita Club, emblema sediado na capital Kinshasa, Jean-Baptiste Makukula Kuyangana deixaria o Zaire, actualmente designado por Republica Democrática do Congo, e teria no RFC Seraing o primeiro emblema na Europa. Depois dessa experiência na edição de 1985/86 da divisão máxima da Bélgica, onde ajudaria a referida colectividade na luta pela manutenção, seguir-se-ia a França, a curta passagem pelo modesto Le Touquet AC e a entrada no Amiens. Porém, com o possante avançado a manter-se pelos escalões inferiores do futebol gaulês, o convite de uma agremiação portuguesa fá-lo-ia regressar ao patamar maior de uma das ligas do “Velho Continente” e o ponta-de-lança, para a temporada de 1988/89, seria apresentado como reforço do Leixões.
Em Matosinhos, treinado inicialmente por António Morais, Makukula, apesar do desaire colectivo, apresentar-se-ia como uma das boas surpresas dos homens a actuar em casa no Estádio do Mar. Tal destaque, mesmo com a despromoção do Leixões ao escalão secundário, valer-lhe-ia a transferência para outro emblema com forte tradição nas provas lusas. Já em Setúbal, o jogador saberia igualmente conquistar a titularidade no grupo de trabalho do Vitória Futebol Clube. Num conjunto orientado por Manuel Fernandes e, com a saída deste, guiado por Conhé, o atleta integraria um sector ofensivo onde também estariam em destaque os internacionais Mladenov e Aparício. Apesar da forte concorrência por um lugar no “onze”, o avançado-centro, com bons índices exibicionais, conservar-se-ia como um dos grandes intérpretes daquela que é a prova de maior monta no calendário português. O estatuto mantê-lo-ia no ano seguinte e só na 3ª campanha ao serviço dos “Sadinos”, é que veria a sua valia a ser contestada por outros colegas.
Com um percurso internacional feito pela selecção do Zaire, ao longo do qual viria a cruzar-se com outros nomes bem conhecidos do futebol português, casos de Basaúla , Kipulu, N’Kongolo ou N’Dinga, Makukula, com a saída do Estádio do Bonfim, encontraria no Desportivo de Chaves a nova casa. Com a chegada a Trás-os-Montes a acontecer na campanha de 1992/93, o ponta-de-lança apanharia os “Flavienses” na disputa pela 1ª divisão. No entanto, tal como já tinha acontecido aquando da sua chegada a terras lusas, o jogador veria a sua equipa a falhar na luta pela permanência. Com a descida, a preferência dada pelo atleta recairia no convite endereçado pelo Lusitânia de Lourosa e o atacante, logo no ano de entrada na agremiação do distrito de Aveiro, faria parte do colectivo que conseguiria chegar às meias-finais da edição de 1993/94 da Taça de Portugal.
A contar com um segundo ano como atleta do Lusitânia de Lourosa, é correcto dizer que, posteriormente à época de 1994/95, não consegui encontrar mais nenhum registo a falar-nos da sua carreira. Curiosamente, Makukula, por essa altura, apenas contava com 29 anos, idade um pouco prematura para que pusesse um ponto final à sua caminhada enquanto futebolista. Se foi esse o caso, não poderei garanti-lo. Por outro lado, posso referir a leitura de alguns comentários feitos em fontes pouco fidedignas e a especularem sobre uma possível ida do atleta até às provas francesas. Qual a verdade? Volto a frisar que não sei. Ainda assim, espero por algum esclarecimento dos nossos leitores!

1551 - GARRIDO

Com o percurso formativo terminado com as cores do Monção, seria na agremiação do Alto Minho que José Garrido haveria de encetar a caminhada enquanto sénior. Tal passo, a levá-lo a partilhar o balneário com o avançado Penteado, fá-lo-ia entrar nas disputas do Campeonato Nacional da 3ª divisão de 1978/79. Aliás, seria nos escalões inferiores que o defesa-central trilharia praticamente toda a primeira metade da carreira. Ainda assim, 4 épocas cumpridas sobre a estreia do atleta na equipa principal do emblema raiano, surgiria a transferência para uma colectividade com outras ambições. No Gil Vicente a partir da campanha de 1982/83, o jogador começaria a ganhar o traquejo e a visibilidade que, alguns anos mais tarde, o levariam a ser cobiçado pelo Desportivo de Chaves.
A entrada nos “Flavienses” na temporada de 1986/87 coincidiria, não só com a sua estreia nas pelejas da 1ª divisão, como com a melhor classificação de sempre da colectividade sediada em Trás-os-Montes, no escalão máximo do futebol luso. Orientado por Raul Águas, sob as ordens do qual o conjunto “azul-grená” atingiria o 5º posto no Campeonato Nacional, o defesa-central, como um dos nomes mais utilizados no “onze”, seria também um dos responsáveis pela brilhante e inédita qualificação para as provas de índole continental. Apurado para a edição de 1987/88 da Taça UEFA, ao Desportivo de Chaves calharia em sorte disputar a ronda inicial da referida competição com Universitatea Craiova e o jogador, após participar nas duas mãos a com o conjunto romeno, também entraria em campo em ambos os jogos frente aos húngaros do Hónved.
As excelsas exibições conseguidas com a camisola do Desportivo de Chaves valer-lhe-iam, pela mão de Juca, algumas chamadas à selecção nacional. No entanto, apesar de ter chegado, em Dezembro de 1987, ao banco de suplentes em duas partidas a contar para a Fase de Apuramento do Euro 88, Garrido nunca alcançaria a tão almejada internacionalização “A”. Ainda assim, alguns meses após as aludidas presenças frente a Malta e a Itália, surgiria, sob a intendência do treinador referido no começo deste parágrafo, a convocatória para os “olímpicos” e o jogo, agendado frente à Islândia, a 24 de Maio de 1988, daria ao currículo do atleta 1 partida com a “camisola das quinas”.
Outro dos prémios alcançados com as exibições ao serviço dos “Flavienses” seria a transferência para o Benfica. Na Luz, a trabalhar sob as instruções de Toni, Garrido, na condição de suplente de Mozer e de Ricardo Gomes, daria um bom contributo para a conquista do Campeonato Nacional de 1988/89. Já na campanha seguinte, depois da contratação de Sven-Göran Eriksson, o defesa-central ainda participaria na pré-temporada das “Águias”. Contudo, seria preterido pelo técnico sueco e a alternativa surgiria no Boavista. Com a chegada ao Bessa na época de 1989/90, o jogador acabaria por regressar à titularidade. Escolhido em grande parte das partidas disputadas pelos “Axadrezados”, excepção feita a 1991/92, seria também dele a responsabilidade por momentos de relevo na história do clube portuense. Nesse contexto, ajudaria a vencer a Supertaça de 1992/93 e marcaria presença, ainda no mesmo ano, na final da Taça de Portugal.
Já na derradeira fase da carreira como futebolista, Garrido teria no plantel de 1993/94 do Famalicão a última presença no patamar maior português. Seguir-se-iam os dois anos ao serviço do Desportivo das Aves e o “pendurar das chuteiras” com o termo das provas agendadas para a temporada de 1995/96. No ano seguinte, encetaria o trajecto como treinador. Depois das primeiras épocas como técnico cumpridas em Portugal, o antigo defesa começaria uma extensa aventura pelo estrangeiro. Durante esse longo périplo, passaria pela Malásia, por vários países do Médio Oriente, onde chegaria a campeão pelos sauditas do Al-Batin, e teria ainda um experiência na selecção do Gabão, mas como Coordenador Técnico.

1385 - CRISANTO

Defesa-direito formado no Sporting Clube de Portugal, Crisanto destacar-se-ia por ser um elemento raçudo e de bons índices físicos. Tido como um jogador de enorme potencial, a sua primeira internacionalização surgiria a 18 de Abril de 1976, quando o jovem atleta contava apenas 14 anos de idade. Mais de uma década depois, já com a carreira sénior bem cimentada, surgiriam as restantes partidas feitas com a “camisola das quinas”. Com as chamadas ao conjunto “olímpico” a contribuírem para um total de 4 jogos cumpridos com as cores de Portugal, faltou-lhe apenas entrar em campo pela equipa “A”. Aliás, esse feito esteve à beira de acontecer, pois, pela mão de Juca, o jogador chegaria a sentar-se no banco de suplentes na Fase de Qualificação para Euro 88.
Apesar de prometer muito, a verdade é que os primeiros anos de Crisanto nas pelejas seniores não seriam fáceis. Tapado em Alvalade, a subida à equipa principal seria vetada pela presença de outros atletas. Esse passo dá-lo-ia bem longe de Lisboa e junto à Raia alentejana. Parte integrante do plantel do Estrela de Portalegre de 1980/81, o defesa ver-se-ia afastado do “glamour” dos grandes palcos competitivos, para abraçar o contexto da 2ª divisão. Porém, o ano passado sob a alçada de Orlando Ramím, nome mítico do futebol português e também com um passado ligado ao Sporting, serviria de impulso para a carreira do lateral. Seguir-se-iam, ainda no mesmo patamar, as 2 campanhas feitas com a CUF e, naquele que ficaria caracterizado como um período errante da sua caminhada profissional, as passagens pelo União de Tomar, Lusitano de Évora e Montijo.
Já como um jogador experiente, surgiria então a proposta que viria a mudar a sua carreira. Ao aceitar o convite do Vitória Futebol Clube, Crisanto, no decorrer da temporada de 1985/86, finalmente conseguiria dar os passos iniciais na 1ª divisão. Ironicamente, essa campanha de estreia no escalão máximo não correria de feição e o conjunto de Setúbal acabaria despromovido. “Sol de pouca dura”, pois, passada a época no quadro secundário, o regresso ao patamar máximo surgiria com uma força mais acirrada e consistente.
De volta ao convívio com os “grandes” na temporada de 1987/88, tanto em termos colectivos, como individualmente, a caminhada competitiva de Crisanto surgiria em propósitos bem mais risonhos. Com o jogador a afirmar-se como um dos homens habituais no sector mais recuado dos “Sadinos”, a sua titularidade seria acompanhada de um Vitória Futebol Clube a lutar pelos lugares de acesso às competições europeias. No entanto, já com 6 anos de ligação à colectividade setubalense, a “separação” dar-se-ia com nova descida. Curiosamente, o final da épocas de 1990/91 também marcaria o termo da caminhada primodivisionária do defesa. Entrando mais uma vez numa fase mais errática, o lateral-direito viveria das experiências na Académica de Coimbra, de um regresso ao Estádio do Bonfim e das passagens por Felgueiras e Lixa.
Com a caminhada futebolística de Crisanto a aproximar-se do fim, as 7 temporadas cumpridas com o listado verde e branco do Vitória Futebol Clube, tornariam a agremiação sediada na cidade de Setúbal no emblema mais representativo da sua carreira. Contudo, o defesa conseguiria ainda juntar ao currículo outras situações importantes. Uma deles passar-se-ia no Felgueiras sob o comando de Jorge Jesus, com o lateral a assumir-se como um dos pilares da inédita subida do conjunto do Vale do Sousa à 1ª divisão. Outro desses momentos, mais como uma curiosidade, seria a curta experiência do jogador nos marroquinos do Ittihad Tanger que, terminada a campanha de 1995/96, desembocaria no seu “pendurar das chuteiras”*.
 
*PS: informaram-me algumas fontes que Crisanto, depois do regresso de Marrocos, terá continuado a sua carreira no Alcochetense.

1328 - SCHWARZ

Filho de pai alemão e mãe sueca, seria nos germânicos do Bayer Leverkusen que Stefan Schwarz terminaria o percurso formativo. No entanto, na altura de iniciar a caminhada no patamar sénior, a sua opção levá-lo-ia a retornar à cidade natal e a partir da temporada de 1987, o jovem atleta passaria a envergar as cores do Malmö FF. A sua contratação pelo emblema situado sul da Suécia, onde chegaria a partilhar o balneário com Mats Magnunsson e Jonas Thern, concordaria com uma fase prolífera do clube. Para além das boas prestações nas competições europeias, como provam as 3 vitórias na Taça Intertoto, entre a época de ingresso do jogador e a que coincidiria com a da sua saída, entrariam também para os escaparates da colectividade os troféus correspondentes às vitórias em 3 Campeonatos e em 1 Taça.
Pelas razões acima arroladas, o defesa-esquerdo, que podia igualmente posicionar-se no sector intermediário do terreno de jogo, começaria a despertar o interesse de outros emblemas europeus. Como é óbvio, há outro factor que em muito terá contribuído para a sua valorização. Falo das chamadas à selecção nacional. Pela Suécia, depois da estreia num particular frente aos Emirados Árabes Unidos, jogo disputado a 14 de Fevereiro de 1990, Schwarz seria convocado ao grupo que, ainda nesse ano, viajaria em direcção a Itália para disputar a Fase Final do Mundial. Também no que ao percurso internacional diz respeito, há que fazer alusão às participações em outros 2 torneios de monta, o Euro 92 e o Campeonato do Mundo de 1994. Nesse sentido, falta referir as 69 partidas pelo país escandinavo e que acabariam por colorir o seu currículo como futebolista profissional.
Voltando ao percurso clubístico de Schwarz e com Sven-Göran Eriksson no comando técnico do Benfica, o passo seguinte da sua carreira seria dado com as cores da colectividade lusa. A sua chegada à Luz dar-se-ia no começo da temporada de 1990/91 e apesar da titularidade conquistada, uma grave lesão afastá-lo-ia durante grande parte da época. Com a mazela debelada, o jogador rapidamente voltaria a assumir o seu posto no “onze” das “Águias”. Ao tornar-se num elemento de fulcral valor no “xadrez” da equipa, as suas presenças em campo transformar-se-iam num pilar dos futuros sucessos colectivos. Depois da vitória no Campeonato Nacional correspondente ao ano da sua chegada a Lisboa, já com Toni à frente dos “Encarnados”, o atleta adicionaria ao palmarés as conquistas da Taça de Portugal de 1992/93 e do Campeonato Nacional de 1993/94.
Os êxitos conseguidos catapultariam Schwarz para as ligas de topo. Depois do ingresso no plantel de 1994/95 do Arsenal, campanha em que disputaria a final da Taça dos Vencedores das Taças, seguir-se-iam a passagem de 3 épocas pelo “Calcio” e pela Fiorentina, a contratação pelo Valencia de 1998/99, onde venceria a Taça Intertoto e a Copa del Rey, e um ano volvido sobre a chegada a Espanha, o regresso a Inglaterra para representar o Sunderland. Durante o aludido período há ainda que destacar dois marcos importantes na carreira do jogador: a conquista da Guldbollen de 1999, prémio anualmente atribuído ao melhor futebolista sueco, e fim da caminhada competitiva, com o termo da temporada de 2002/03.

1072 - PAULINHO

Formado no Estoril Praia, seria também com as cores da equipa da Linha de Cascais que Paulinho, na temporada de 1984/85, subiria à categoria sénior. A disputar o 2º escalão nacional, o defesa-central cedo deixaria boas indicações. Embora longe dos palcos mais mediáticos, a verdade é que as exibições do jovem atleta haveriam de chamar a atenção de emblemas com outras ambições. A regularidade com que passaria a ser chamado ao “onze”, faria com o Benfica visse nele um potencial bom reforço. Destacando-se como um dos jogadores com melhores aptidões no plantel “canarinho”, a sua transferência para a “Luz” acabaria por concretizar-se.
A estreia com as cores do Benfica, pela mão de Sven-Göran Eriksson, aconteceria a 26 de Agosto de 1989. Chamado à titularidade logo à 2ª jornada do Campeonato Nacional, esse jogo frente ao Vitória de Guimarães acabaria por dar a ilusão que Paulinho poderia agarrar a oportunidade na equipa “encarnada”. Já a realidade haveria de ser um pouco diferente. Os internacionais brasileiros Aldair e Ricardo Gomes tomariam a dianteira por um lugar na equipa. Ainda assim, nessa primeira metade da época, o central conseguiria disputar outra importante partida. Frente ao Derry City, o defesa inscreveria o nome na caminhada “europeia” que, nessa campanha de 1989/90, levaria as “Águias” a mais uma final da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Sem espaço no Benfica, Paulinho acabaria por transitar para o Nacional da Madeira. De volta às boas exibições, a titularidade conquistada serviria para elevar a sua cotação. Cimentado como atleta de cariz primodivisionário, o regresso ao Estoril Praia, um ano após a chegada ao Funchal, desembocaria naquela que, provavelmente, terá sido a sua melhor temporada enquanto futebolista profissional. Como um dos bons intérpretes do Campeonato, Carlos Queirós tomaria a decisão de chamá-lo à selecção. Por Portugal, tendo também representado os sub-21, o defesa faria a estreia pelo conjunto principal em Fevereiro de 1992. Frente à Holanda, num “amigável” disputado em Faro, o atleta conseguiria a sua internacionalização “A”.
A temporada de 1993/94 marcaria a sua transferência do Estoril Praia para o Estrela da Amadora. A mudança para o emblema da Reboleira daria continuidade a um percurso que, só na 1ª divisão, acabaria colorido por 12 temporadas. O Salgueiros seria outro dos emblemas representado por Paulinho no escalão maior do futebol português. Pelos 4 emblemas já referenciados, a carreira do defesa somaria um total de quase 3 centenas de partidas disputadas no patamar máximo dos nossos Campeonatos.
Depois de, mais uma vez, voltar ao Estoril Praia, Paulinho, no final da campanha de 2001/02, decidir-se-ia pelo fim do trajecto enquanto jogador. Mantendo a ligação à modalidade, o antigo internacional encetaria a carreira de treinador. Como técnico, tem vogado por equipas dos escalões secundários. Destaque também para sua passagem pela China, onde, no papel de adjunto, trabalhou no Beijing Renhe e no Shenzhen FC. Para a temporada de 2020/21, marcando o seu regresso a Portugal, o “agora” Paulo Mendes já foi apresentado como timoneiro do 1º de Dezembro.

1067 - FREIRE

Ao chegar ainda muito novo ao emblema de Alvalade, Freire haveria de mostrar qualidades que, logo à partida, o rotulariam como um futuro craque. Para sublinhar ainda mais essa avaliação, o avançado começaria também a ser chamado aos trabalhos das jovens selecções nacionais. A sua evolução, alicerçada numa boa técnica e velocidade, empurrá-lo-ia, ainda em idade júnior, para a categoria principal do Sporting. A temporada de 1976/77, pela mão do técnico Jimmy Hagan, marcaria, desse modo, o arranque de uma caminhada sénior que, de “Leão” ao peito, cumpriria 7 campanhas.
Apesar de ser visto como uma promessa do futebol leonino, não é menos verdade que, ao chegar à categoria principal, mostraria alguma debilidade na hora de agarrar um lugar no “onze” inicial. Com tendência para cair num dos lados do ataque, o avançado acabaria por enfrentar algumas dificuldades. Sem conseguir adaptar-se tão bem a certos esquemas tácticos, a presença de grandes craques também tornaria a sua afirmação numa tarefa bem mais difícil. Elementos como Rui Jordão, Manuel Fernandes, Manoel ou Keita revelar-se-iam como os preferidos dos treinadores. Ainda assim, Freire nunca deixaria de ser visto como um atleta de enorme utilidade e com uma utilização condizente com esse estatuto. Nesse sentido, a sua presença em campo seria essencial para a conquista de diversos troféus.
As épocas de 1977/78, 1979/80 e 1982/83 ligadas, respectivamente, às vitórias na Taça de Portugal, Campeonato Nacional e Supertaça, seriam apenas ultrapassadas em importância pela campanha de 1981/82 e pela “dobradinha” conseguida nessa temporada. Porém, e para o currículo de Freire, a relevância desse ano desportivo teria também outras cores. Com passagens pelos sub-16, sub-18, sub-21 e equipa “b”, Outubro de 1981 marcaria a sua chegada ao principal conjunto da selecção nacional. Numa partida a contar para a fase de apuramento do Mundial de 1982, o atacante envergaria a “camisola das quinas”. Chamado à equipa por Juca, o desafio frente a Israel tornar-se-ia na sua internacionalização “A”.
O Verão de 1983 assinalaria o fim da ligação contratual de Freire com o Sporting. O Vitória de Setúbal e o Portimonense precederiam a sua única aventura por campeonatos estrangeiros. No 2º escalão de Espanha, a experiência no Celta de Vigo não seria de longa duração. Já o regresso a Portugal, também ao patamar secundário, levá-lo-ia à primeira passagem por um emblema que, um par de anos depois, traria ao seu percurso outro momento inesquecível. O Beira-Mar, depois de 2 temporadas com as cores do Estoril-Praia, representaria o retorno do avançado àquele que é o patamar máximo do futebol luso. Para além desse marco, a caminhada feita pelo emblema aveirense na Taça de Portugal de 1990/91 só terminaria na final. Mesmo não tendo marcado presença na derradeira peleja, a sua comparência nas meias-finais da prova, inscreveria o seu nome em tão memorável feito.
Depois de uma carreira sénior desenhada em década e meia, e com espaço para 12 campanhas na 1ª divisão, Freire teria ainda a disponibilidade para uma derradeira aventura. Não conseguindo negar-se ao repto lançado pelo emblema da sua terra natal, o avançado, nas funções de treinador-jogador, ainda defenderia as cores do Sintrense. Depois desse último desafio, o antigo internacional português acabaria por afastar-se do futebol profissional, para passar a gerir um negócio de combustíveis.

973 - MIHAYLOV

Filho de Biser Mihaylov, antigo internacional búlgaro e guarda-redes do Levski de Sofia, Borislav, na posição de jogo e na cor das camisolas, acabaria por seguir os mesmos passos do seu pai. Primeiro no conjunto da capital e, não muito tempo depois, com as cores da selecção, o guardião escreveria as páginas iniciais da sua carreira. Com exibições que rapidamente começariam a alimentar a sua evolução, a titularidade apareceria na sua caminhada quase como por feitiço. Porém, e muito mais do que uma qualquer magia, a sua presença no “onze” titular, numa altura em que a pouca experiência poderia apontar noutro sentido, cimentar-se-ia nas suas habilidades desportivas.
Ágil e com quase 1,90m, o seu posicionamento parecia querer tapar todos os caminhos para a baliza. Com a estreia como sénior a acontecer no início da década de 80 e a primeira internacionalização a surgir na 2ª época como profissional, a frequência das chamadas à equipa da Bulgária tornar-se-iam, rapidamente, numa constante. A convocatória para o Mundial de 1986, muito mais do que sublinhá-lo como um dos pilares do conjunto nacional, serviria para mostrar o guardião ao universo futebolístico. As suas exibições no certame decorrido no México, juntamente com o trabalho que vinha a realizar ao serviço do clube, ajudariam para exaltar o seu prestígio. Tido como um jogador de gabarito, também por conta das exibições nas provas da UEFA, nem a ausência da fase final do Euro 88 beliscaria a sua fama.
Foi como uma “estrela” que em 1989 assina contrato pelo Belenenses. Todavia, e tendo em mente o estatuto com que tinha chegado, a sua passagem pelo Restelo não seria de todo consensual. Com uma regularidade intermitente, as boas exibições acabariam manchadas por algumas prestações menos positivas. Conseguindo, ainda assim, manter a titularidade na grande parte do tempo vivido em Lisboa, a verdade é que já para o fim desse período de 2 anos, Mihaylov começaria a perder o lugar para o jovem Pedro Espinha. Com a despromoção do Belenenses no final da temporada de 1990/91, dá-se então a separação entre o jogador e o “Emblema da Cruz de Cristo”. O guardião búlgaro seguiria para França e, no 2º escalão gaulês, daria novo impulso à sua carreira.
Mesmo afastado dos palcos primodivisionários, a sua presença no “onze” da selecção búlgara manter-se-ia sem contestação. Tanto assim foi que, depois de participar na fase de qualificação, a sua chamada ao Mundial de 1994 seria encarada com normalidade. A passagem pelo Mulhouse em nada diminuiria a confiança do seleccionador Dimitar Penev. Já nos Estados Unidos da América, ao lado de craques como Kostadinov, Stoichkov, Iordanov ou Balakov, o guardião seria um dos principais responsáveis pela boa campanha da equipa de Leste. Ainda assim, o torneio não chegaria ao fim sem uma pequena polémica. Ao intervalo do jogo de atribuição do 3º e 4º lugar, já a Bulgária perdia por 4-0. O que se passou no tempo de descanso só os que estavam no balneário o saberão. A verdade é que para a segunda metade do encontro Mihaylov já não entrou, sendo o lugar à baliza entregue a Plamen Nikolov.
A última parte da sua carreira, e apesar da presença habitual na selecção, seria um pouco menos produtiva. Botev Plovdiv, os ingleses do Reading, o Slavia de Sofia e uma derradeira experiência nos suíços do Zurich transformar-se-iam nas cores desse troço final. A presença no Mundial de 1998, já depois da titularidade no Euro 96, acabaria por ser um prémio de consagração. Todavia, e nisto de reconhecimentos, o guarda-redes conseguiria bem melhor. Poucos anos após “pendurar as luvas”, o antigo futebolista decidir-se-ia por outras funções dentro da modalidade. Depois de ter começado como vice-presidente, em 2005 Mihaylov seria eleito para “número 1” da Federação Búlgara de Futebol.

948 - ROSADO

É certo que das escolas do Alferrarede para os juniores do Sporting vai uma grande diferença! Espantados com tamanho salto?! Sim! No entanto, a justificação chegaria pouco tempo depois da sua entrada em Alvalade. A convocatória para os sub-18 portugueses acabaria por dar razão a quem de tal aposta. Com tão rápida evolução, essas 2 internacionalizações pareciam alicerçar um bom futuro para o jovem atleta. Porém, as chamadas à selecção acabariam por ser insuficientes para que, no ano seguinte ao da sua chegada, Rosado conseguisse permanecer de “Verde e Branco”.
Com a subida a sénior, e a falta de espaço no plantel leonino, a passagem pelo Benfica de Castelo Branco daria continuidade ao seu percurso desportivo.Com a estreia na categoria principal dos albicastrenses a acontecer na temporada de 1978/79, as 2 campanhas passadas no 3º escalão abrir-lhe-iam as portas para um dos históricos emblemas nacionais e, acima de tudo, as da estreia na 1ª divisão. Todavia, a experiência na Académica de Coimbra, ainda que bastante enriquecedora, empurraria o jogador de novo para os escalões secundários. No final da primeira campanha pela “Briosa”, e com a despromoção do clube, seguir-se-iam na sua carreira uma meia dúzia de temporadas longe dos palcos principais do futebol português.
Entre o Verão de 1981 e o de 1987, Rosado ficaria vetado à 2ª divisão. Académica, Ginásio de Alcobaça e Vizela tornar-se-iam nos tons desse trajecto. Depois surgiria o Penafiel e novamente a 1ª divisão. Contudo, e para mal dos seus pecados, o atleta ficaria novamente entregue ao destino de anos antes. Com os resultados dessa campanha de 1987/88 a serem registados em números modestos, pouco mais restou ao futebolista do que render-se à ideia de nova separação. Todavia, o afastamento daqueles que são os grandes palcos da modalidade em Portugal, empurrá-lo-ia para a união mais importante do seu percurso profissional.
Com cerca de metade da carreira já cumprida, a sua contratação pelo Gil Vicente em 1988/89 concluir-se-ia de maneira bastante diferente. O traquejo ganho ao longo de vários anos permitiria ao atleta, que podia colocar-se no centro da defesa ou na posição de “trinco”, chamar para si um lugar no “onze” inicial dos “Galos”. Como titular, Rosado acabaria por ser peça fulcral numa das páginas históricas do emblema minhoto. Com Rodolfo Reis no comando técnico do grupo, os gilistas, em 1990/91, conseguiriam estrear-se na 1ª divisão. Ao contrário de testemunhos anteriores, os números apresentados pelo jogador dá-lo-iam como um dos mais importantes dentro do balneário. Assim sendo, não foi estranho constatar que, daí em diante e sempre no escalão máximo, continuasse a ser visto como um pilar de todas as manobras tácticas da equipa.
O fim da ligação de Rosado ao Gil Vicente surgiria em 1994. Com a sua caminhada a aproximar-se do fim, Famalicão e um ovacionado regresso ao Alferrarede preencheriam esses derradeiros anos. No entanto, o regresso ao emblema que o havia lançado no futebol acabaria também por ter outro significado. Tendo, nesses dois anos, desempenhado a tarefa de treinador-jogador, daí em diante o antigo futebolista abraçaria as funções de técnico. Nessas tarefas, já com o vasto currículo, tem conseguido destacar-se ao comando de diversas equipas dos patamares amadores.

916 - GALO

Formado pelo Almada, seria no emblema da margem sul do Rio Tejo que, no início dos anos 80, Galo faria a transição para o patamar sénior. Curiosamente, e sendo um clube dos escalões inferiores, por essa altura a colectividade albergava atletas cujos nomes iriam tornar-se familiares no nosso principal escalão. Oceano e Paulo Monteiro seriam, por essa razão, alguns dos colegas que acompanhariam o lateral-direito nos primeiros anos da sua carreira.
Mesmo estando incluído em tão rica fornada, a verdade é que o jogador ainda teria que esperar alguns anos até ver o seu valor reconhecido por emblemas de maior tradição. Seria já em meados da década de 80 que o Atlético decidiria recrutá-lo ao emblema que o tinha lançado. No bairro de Alcântara, resultado da maior visibilidade obtida, o tempo aí passado serviria para que conseguisse alcançar o principal patamar do futebol português. Nessa transição, sempre acompanhado pelo já referido Paulo Monteiro, o defesa chegaria ao Belenenses na temporada de 1986/87.
Mesmo com a sua idade, 25 anos, a ditar uma maior experiência, a luta por um lugar no “onze” não seria assim tão pacífica. Com a titularidade dividida com Carlos Ribeiro e Teixeira, as primeiras temporadas com os da “Cruz de Cristo” serviriam para confirmar Galo como um defesa trabalhador e fiável. Ainda que sem ser um dos indiscutíveis do plantel, essas campanhas levariam o atleta a atingir algumas metas importantes. As competições europeias, onde faria a estreia em 1988/89, seria o primeiro passo para voos maiores. No final dessa temporada, numa campanha em que o conjunto do Restelo eliminaria o FC Porto e o Sporting, a chegada ao derradeiro desafio da Taça de Portugal transformar-se-ia num marco da sua carreira. No Estádio Nacional, mesmo não vendo o seu nome na ficha de jogo, o lateral testemunharia a conquista daquele que é o maior troféu no seu palmarés.
Com a saída de Marinho Peres, o técnico brasileiro responsável pela vitória no Jamor, Galo passaria a desempenhar um papel de maior importância no seio do plantel “Azul”. Esse destaque acabaria por ficar bem patente já no começo da época seguinte. Com Artur Jorge no lugar de seleccionador, o defesa-direito seria chamado à equipa nacional. O particular, disputado no Estádio “da Luz” em Agosto de 1990, tornar-se-ia no prémio para umas das melhores temporadas conseguidas pelo futebolista. Frente à antiga República Federal Alemã, o lateral entraria de início, sendo, no decorrer da partida, substituído pelo benfiquista José Carlos.
Por essa altura, o caminho que parecia levar à sua afirmação, acabaria por sofrer um volte-face. Com uma campanha de 1990/91 a terminar com a despromoção do Belenenses, o início da temporada seguinte não seria mais fácil para o jogador. Afastado, diz-se que por decisão dos dirigentes em função, a sua saída acabaria por ser tudo menos pacífica. Essa cisão, mesmo com o atleta a contar com apenas 30 anos de idade, levá-lo-ia a decidir-se pelo fim do seu percurso profissional. Ainda que tendo terminado a sua relação contratual, a sua ligação ao clube manter-se-ia bem viva. Galo, que chegaria a envergar a braçadeira de capitão, ainda voltaria a carregar a “Cruz de Cristo”. Em 2009, num conjunto que contava com antigas estrelas como Jorge Martins, Sobrinho, Jaime, Rui Gregório, Paulo Sérgio e Gonçalves, o antigo internacional português defenderia o clube no futebol de praia.

809 - NOGUEIRA

Ainda muito novo chegou a Portugal, vindo da Guiné-Bissau. Tinha, por essa altura, representado os Balantas de Mansoa e o Sport Bissau e Benfica, bem como a selecção do seu país natal. Vinha para mostrar a sua habilidade desportiva e apesar da ilusão de ser contratado por um clube de maior tradição no nosso país, o destino empurrá-lo-ia em direcção aos “regionais”. A sua modéstia fá-lo-ia encarar esse desafio como se num “grande” estivesse a jogar. O resultado dessa sua atitude, lado-a-lado com as suas qualidades futebolísticas, depressa ditaria que o seu lugar estava longe de tão modesto escalão. Rapidamente, o Ala-Arriba tornou-se pequeno demais e bastaria uma temporada para que Nogueira encontrasse nova morada.
Como um avançado rápido e de boa técnica, o União de Coimbra, à altura a disputar a 2ª divisão, decide apostar na sua contratação. Também na “Cidade dos Estudantes”, as suas exibições seriam merecedoras de enorme destaque. Todo o relevo dado, faria com que alguns emblemas de maior monta mostrassem interesse em juntá-lo aos seus plantéis. Falar-se-ia de Boavista e Belenenses, mas a ligação que havia assinado com o clube conimbricense acabaria por atrasar a sua chegada ao maior escalão do futebol português.
A sua estreia na 1ª divisão acabaria por acontecer 4 anos após a sua chegada a Portugal. Com o Gil Vicente, também ele pela primeira vez nessas andanças, a época de 1990/91 correria de feição para o ponta-de-lança. Sob a alçada de Rodolfo Reis, Nogueira acabaria por ser um dos atletas mais chamados a jogo, contribuindo para o 13º lugar e consequente “manutenção” da equipa de Barcelos.
Pior seriam as épocas seguintes. Assolado por graves lesões, o atacante acabaria por perder o protagonismo até aí alcançado. Quase sem jogar, o final da temporada de 1992/93 levaria ao fim da sua ligação com o Gil Vicente. Seguir-se-iam Maia e União de Montemor. Apesar de no clube dos arredores do Porto ter tido uma primeira temporada modesta, as restantes campanhas, ainda que na 2ª divisão “b”, faziam prever um novo salto até aos escalões superiores. Contudo, tal não aconteceria e o avançado acabaria por encontrar nova solução para dar seguimento à sua carreira.
Sem oportunidades em Portugal, é então que chega um convite do Médio Oriente. Da Península Arábica, ainda longe do “El Dorado” dos dias de hoje, surge a proposta do Qatar SC. Pelo emblema por onde já passaram nomes conhecidos do nosso futebol, casos de Caniggia, Akwá, ou Roger, Nogueira estaria ao serviço entre 1996 e 1999. Já o regresso aos nossos campeonatos, mais uma vez vetaria o atleta às divisões secundárias. Por entre diversos clubes, destaque para a sua passagem pelo Nacional da Madeira. Com José Peseiro ao comando dos insulares, o ponta-de-lança seria um dos intérpretes do regresso dos “Alvi-Negros” à 1ª divisão.

Após Trofense, São Vicente e de ter terminado a carreira ao serviço do Seixal, o regresso ao seu país levá-lo-ia a desempenhar novas funções no futebol. Fundou a Associação Academia de Futebol Anopisa & Amigos; foi Agente FIFA; cumpriu funções como Vice-Presidente para Desenvolvimento do Futebol; e, já em 2016, anunciaria a sua candidatura à Presidência da Federação de Futebol da Guiné-Bissau.

727 - CALDAS SC


O Team Misto Caldense juntava-se para disputa de jogos com equipas de outras cidades. Os atletas que formavam este grupo terão, posteriormente, decidido rebaptizar o conjunto, que passaria a exibir o nome de Caldas Sport Clube. Já a fundação do grupo original, ainda que com alguma controvérsia, tem o consenso do ano de 1916. Para a data em si, o assentimento já não é tão grande, sendo que a que consta no “site” oficial do clube é a de 15 de Maio.
Tendo sido um dos membros fundadores da Associação de Futebol de Leiria (20 de Maio de 1929), foi com alguma naturalidade que, em termos do distrito, o clube começou por tomar a dianteira. O sucesso do conjunto, bem patente já nos anos 30, levaria os das Caldas da Rainha a vencer 4 “regionais” (1930/31; 1932/33; 1933/34; 1935/36). Já no panorama nacional, o “assalto” aos Campeonatos começaria no início da década de 50. Este crescimento, exponencial, reflectir-se-ia em periódicas subidas e levaria o Caldas, na temporada de 1955/56, a atingir a 1ª divisão.
O desenvolvimento do clube também deve, e em muito, à passagem de excelentes treinadores. Mariano Amaro, antigo internacional e craque do Belenenses, acabaria por ser o grande responsável pela ascensão do Caldas ao escalão máximo do futebol português. Tendo orientado a equipa durante a época de 1954/55, o antigo médio levaria os seus pupilos à disputa da “liguilha”. Com o Boavista como adversário, as “duas mãos” seriam insuficientes para determinar quem, na temporada seguinte, jogaria a 1ª divisão. A terceira partida, disputada no Estádio Municipal de Coimbra, acabaria com as dúvidas e, com o resultado de 4-1, a promoção do Caldas ficava assegurada.
Pelo Campo da Mata, alojamento que sucederia a recintos como o do Bairro da Ponte ou o do Borlão, outros nomes passariam pelo comando técnico do clube. Já no patamar maior do nosso futebol, Jóseph Szabó e Fernando Vaz abrilhantariam o percurso primodivisionário do Caldas Sport Clube. Esse trajecto, que duraria 4 temporadas consecutivas, acabaria por ser abalado por alguns episódios caricatos. Num deles, num jogo a contar para a Taça de Portugal de 1955/56, dá-se a expulsão do atacante Bispo. O curioso desta situação é que a indicação para o atleta sair de campo não seria dada, como mandam as regras, pelo árbitro do jogo. A ordem surgiria de Leandro, o “capitão” do Caldas, que constatando a falta de empenho do colega, indica ao mesmo o caminho dos balneários.
Na temporada de 1958/59 o Caldas não iria além de um 13º lugar. A inevitável despromoção conduziria o emblema caldense a uma fase mais negativa e que, até aos anos 70, o levaria a disputar, em grande parte das épocas, os “distritais”. Num passado mais recente, o Caldas também passaria por uma fase muito atribulada. Alguns anos após a viragem do milénio, e resultado de graves problemas económicos, a sua extinção esteve em cima da mesa. Felizmente para este histórico do desporto nacional, foi possível atingir a estabilidade e, neste que é o ano do seu centenário, o clube tem saldadas as suas dívidas e encontra-se a disputar o Campeonato de Portugal (3º escalão).

706 - ALLY McCOIST

Diz-se que, ainda adolescente, terá ido treinar ao St. Mirren. Todavia, o seu físico não terá agradado ao treinador, um tal de Alex Ferguson, que acabaria por rejeitá-lo. Nisto, quem haveria de abrir as portas ao jovem avançado seria o St. Johnstone. Rápido, com uma leitura de jogo acima da média e um pontapé certeiro, as características do atacante não demorariam muito a pô-lo no caminho do “onze” inicial. No clube escocês, a facilidade com que conseguia marcar golos, rapidamente fariam dele um dos jogadores mais cobiçados na liga. Em 1980/81, depois de 3 temporadas como profissional, e quando um largo número de emblemas já andava atrás dele, eis que o Rangers também entra na corrida pela sua contratação. No entanto, a preferência de Ally McCoist acabaria por ser a Liga inglesa e o seu destino o Sunderland.
Com o montante pago pelo Sunderland a quebrar o recorde do clube, a esperança depositada no atleta seria enorme. Contudo, Ally McCoist decepcionaria responsáveis e adeptos. Nos 2 anos que permaneceria em Inglaterra, poucas seriam as vezes que, de forma certeira, conseguiria introduzir o esférico nas redes alheias. Este seu insucesso, acabaria por levá-lo de volta ao seu país e, finalmente, ao Rangers.
No emblema de Glasgow, a época de 1983/84 daria início a uma relação, a muitos níveis, perfeita. O começo, com McCoist a impor-se logo de início, até indicava isso mesmo, mas a chegada de Graeme Souness (como treinador-jogador) ao comando do Rangers haveria de alterar o seu estatuto de titular. Mesmo tendo conseguido sagrar-se o melhor marcador do campeonato em 1985/86, o avançado, na época que se seguiria, não haveria de convencer o novo responsável técnico dos “Gers”. Curiosamente, nesse mesmo defeso, o jogador, mais uma vez, veria Alex Ferguson a preterir os seus serviços, quando, na convocatória para o México 86, deixa o nome do atacante de fora do grupo de eleitos.
Mesmo com esses contratempos, a simpatia que Ally McCoist tinha por parte da massa adepta manter-se-ia inalterada. Já no escalonamento da equipa, o banco de suplentes continuaria a ser o seu lugar. Claro que esta opção, apesar de contestada por alguns, haveria de ser desculpada pelo sucesso que o Rangers haveria de alcançar nos anos vindouros. Sem conseguir sagrar-se- campeão há 8 anos, os de Ibrox, logo nessa temporada de 1986/87, quebrariam o longo jejum. Para McCoist seria a primeira de 10 de ligas conquistadas.
Só com a saída de Souness para o Liverpool, e com a chegada de Walter Smith ao clube, é que a história de Ally McCoist volta à normalidade. Ora, o treinador que, mesmo com seu estatuto de suplente, não haveria de ter dúvidas em convoca-lo para o Mundial de Itália (1990), devolveria o avançado ao “onze” inicial. Em boa hora o faria, pois McCoist, logo nas temporadas seguintes voltaria ao topo dos goleadores e, desta feita, vencendo também a corrida para o melhor marcador dos campeonatos europeus de 1991/92 e 1992/93*.
Os anos que se seguiriam a esta dupla “conquista”, serviriam para cimentar Ally McCoist como um dos grandes atletas da história do Rangers. Os números confirmariam tal estatuto e às, atrás referidas, 10 Ligas, no final da sua ligação com o clube, o avançado contaria também com vitórias em 9 Taças da Liga e 3 Taças da Escócia. Já no plano individual, os golos que conseguiria concretizar transformá-lo-iam, tanto na liga escocesa, como a nível das competições europeias, no melhor marcador do emblema.
Em 1998/99, Ally McCoist decide dar continuidade à sua carreira no Kilmarnock. Longe dos seus melhores anos, mas ainda com a capacidade de afrontar muitos dos defesas contrários, o atacante prosseguiria o seu percurso profissional durante mais umas quantas temporadas. Seria já no final de 2000/01, e bem perto de completar 39 anos de idade, que o internacional tomaria a decisão de pôr um ponto final à sua longa caminhada.
Já depois de experimentar uma passagem pelos “media”, o seu regresso ao futebol dar-se-ia através da selecção. Como adjunto da equipa nacional escocesa, Ally McCoist daria os primeiros passos como treinador. A oportunidade seguinte, ainda na mesma posição, surgiria pela mão de Walter Smith. Como “braço-direito” do treinador que o firmou no estrelato do futebol, a antiga estrela do Rangers voltaria ao seu clube. Já depois da saída do técnico, McCoist assumiria o papel de “Manager”. Infelizmente, como o próprio haveria de afirmar, o período que passaria ao “leme” do clube, coincidiria com a falência do histórico emblema e com a descida do mesmo ao 4º escalão. Ainda assim, McCoist não abandonaria o cargo e teria um papel crucial na promoção do clube até ao “Championship” (2ª divisão).

 
*entre 1991/92 e 1995/96, a Bota d’Ouro não seria, oficialmente, entregue.

668 - CACIOLI

Com uma carreira feita em modestos clubes, mas com algo mais faustoso no percurso escolar, Cacioli, no final dos anos 80, chega a Portugal.
Tendo sido capaz de conciliar a vida académica, na qual conseguiria formar-se em “Tecnologia e Computação”, com a actividade desportiva, a decisão de prosseguir a vida dentro dos relvados, levá-lo-ia, ainda no Brasil, a percorrer uma série de pequenos clubes. Mesmo afastado dos palcos maiores do futebol “canarinho”, as suas capacidades chamariam a atenção de um dos nomes mais conceituados do futebol do seu país. Ora, Abel Braga, antigo internacional brasileiro e, por essa altura (1988/89), a iniciar a segunda passagem pelos campeonatos portugueses, era o timoneiro do Famalicão. Para o Minho, com ele, traria Cacioli e este, rapidamente, assumir-se-ia como um dos indispensáveis na táctica do clube.
Ainda na 2ª divisão, a entrega do médio, aliada a uma técnica e visão de jogo excepcionais, fariam dele uma das principais armas no ataque à subida de escalão. Conseguida essa promoção, a visibilidade que Cacioli haveria de granjear, levá-lo-iam a ser cobiçado por emblemas com objectivos maiores. O Boavista seria um dos que, na vontade de o contratar, partiria na linha-da-frente. No entanto, o limite de estrangeiros, imposto por essa altura, fazia com que a transferência fosse mais difícil. Uma solução, muito em voga nesses tempos, ainda seria posta em cima da mesa. Contudo, o atleta acabaria por recusar tal saída – “Houve pessoas que me aconselharam a casar para ficar com nacionalidade portuguesa, mas eu pensei: vou lá eu casar por conveniência! Eu quero casar por amor! Sei lá com quem ia casar…”*.
Falhado o negócio com os do Bessa, a sua carreira prosseguiria no Sp. Braga. Na “Cidade dos Arcebispos”, contrariando até o que indicava o começo de época, Cacioli não alcançaria o sucesso desejado. Findo o ano futebolístico de 1991/92, o médio ver-se-ia em nova mudança. Contudo, aquilo que à primeira vista poderia ter sido visto com um passo atrás, acabaria por tornar-se nos melhores anos da sua carreira.
A transferência para o Gil Vicente, entre muitas outras coisas, permitiriam a Cacioli partilhar o balneário com alguns jogadores que marcaram o futebol português. Entre os internacionais Laureta, Dito e Miguel ou o seu conterrâneo José Carlos, Drulovic, até pela amizade que os havia de unir, mereceria o seu destaque – “Jogávamos quase de olhos fechados. Eu sabia onde ele ia aparecer e metia-lhe a bola. Depois ele fazia o resto. Chegou a dizer, numa entrevista, que eu era dos melhores estrangeiros a jogar em Portugal. Isso tocou-me muito”*.
Já depois da saída do avançado sérvio rumo ao FC Porto, o médio continuou a merecer o destaque no seio da equipa de Barcelos. Ora no centro do terreno, ora mais encostado ao lado esquerdo do sector, Cacioli, fosse no apoio ofensivo ou em manobras mais recuadas, cimentar-se-ia como um dos pilares da formação minhota. Esse destaque, em 1993/94, numa partida em jeito de “All-Stars”, valer-lhe-ia a presença na “Selecção dos Melhores Estrangeiros” a disputar o Campeonato Nacional.
Já depois de 3 temporadas ao serviço do Gil Vicente, e numa altura da sua carreira em que a idade já vazia prever um fim, o jogador ruma ao Sul do país. No Farense, com a qualidade com que sempre tinha pautado as suas exibições, tem a sua derradeira aparição no escalão máximo. No final desse 1995/96, com o emblema algarvio em plena crise financeira, Cacioli decide-se pelo ingresso no Varzim.
Após terminar a carreira de futebolista no Vizela, e de aí, já na condição de treinador/jogador, ter dado os primeiros passos como técnico, Cacioli decide dar continuidade a esse seu trabalho. Nesse trilho, tem tido passagens pelos escalões secundários, nos juniores do Gil Vicente e até uma pequena experiência numa equipa amadora de França.


*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo, em www.maisfutebol.iol.pt, a 22/01/2014

588 - BEN-HUR

Da equipa regressada à 1ª divisão em 1990/91, há uns quantos nomes que ficaram para a história do futebol português. Contudo, nesse Famalicão montado pelo célebre treinador Abel Braga, houve um sector que, formado por compatriotas seus, acabou por ficar ainda mais conhecido.
Ora, no centro da defesa do clube minhoto, moravam nomes como os de Tanta e Lula. O outro elemento desse aguerrido trio, dava pelo nome de Ben-Hur. Já com alguma experiência nos campeonatos nacionais, por razão da sua passagem pelos "Marialvas", o central brasileiro, bem à imagem dos seus colegas, era um portento de vontade. E se "vontade", como quem se lembra de o ver jogar, acaba por ser, relativamente à sua maneira de actuar, um eufemismo, então o que dizer das suas prestações? Bom, Ben-Hur era rijo!!! Ben-Hur era um atleta cuja impetuosidade o levou, muitas vezes, a adiantar-se na ida para os balneários.
Nesta senda, expulsões contou umas quantas... mas, também, o que se quer de um central? E nisto, a verdade é que, por mais críticas que se possam fazer ao jogador, seria esta faceta lutadora (a sua e a dos seus colegas aqui referidos) que foi mantendo o clube no escalão maior do nosso futebol. É por isso mesmo que Ben-Hur está associado à melhor fase da história do Famalicão. Essa mesma, inegavelmente, muito se deve à combatividade e solidez que o atleta foi dando às estratégias montadas. A prova do seu valor, encontra-se nos números que apontam para a sua utilização. Esses, de tão imparciais que são, dizem-nos que, durante duas épocas, Ben-Hur superaria as várias dezenas de partidas disputadas.
No entanto, características como as suas são sempre foco de alguma polémica. Neste contexto, há quem refira a sua curta passagem na 1ª divisão, como resultado desta sua força. Mas apesar de ter deixado o convívio com os "grandes" em 1992, a sua carreira em Portugal prosseguiu. Após esta sua passagem por Vila Nova de Famalicão, Ben-Hur vestiria, nas temporadas que se seguiriam, as camisolas de Lusitânia de Lourosa, Rio Ave e Freamunde.
Seria após nova passagem pelo Famalicão que a carreira de Ben-Hur tomou (se é que não terminou por aqui) um caminho que ignoro. À imagem do que sei sobre os seus primeiros anos como sénior, ele que na formação tem passagens pelo São Paulo e Portuguesa, fica a dúvida de qual o rumo tomado na sua vida profissional. Sei, no entanto, que, já depois de "penduradas as chuteiras", terá enveredado pelas tarefas de treinador. Nessas funções conta com passagens por emblemas mais modestos, dos quais o São João Tênis Clube ou o Esporte Clube Atibaia.

537 - UNIÃO DE TOMAR


Os primeiros relatos de disputas com bola na cidade de Tomar, reportam-se, pelo menos, ao ano de 1913. Pois assim, é com naturalidade que, desse grupo de entusiastas por esse desporto, que ainda hoje é conhecido como futebol, alguns quisessem praticar a dita modalidade de uma forma mais organizada. Seria na sequência dessa necessidade que, no seio do sector comercial da "Cidade dos Templários", um grupo de empregados decide-se pela criação de uma colectividade. Baptizada com o nome de Sport Grupo Caixeiros de Tomar, é a 4 de Maio de 1914 que o tal empreendimento começa a tomar corpo.
Só em 1922 é que a referida agremiação passa a ser conhecida pelo nome que a familiarizou. O União de Futebol Comércio e Indústria de Tomar começa, então, por se popularizar nos campeonatos locais, organizados, fase à inexistência de uma entidade competente (a Associação de Futebol de Santarém só seria fundada em 1924) pelos emblemas da cidade nabantina.
Já mais a sério, é na temporada de 1936/37 que o União de Tomar marca a sua estreia nos Campeonatos Nacionais, tomando parte da 2ª Liga. Melhor do que esta sua participação (igualada noutras ocasiões), só mesmo a presença naquele que é o maior patamar do nosso futebol. Como é lógico, essa parte da história do clube começa uns anos antes da dita chegada ao primeiro escalão. A época era a de 1964/65, e depois de derrotar a Ovarense na final, o União de Tomar consegue sagrar-se campeão da Terceira Divisão Nacional. De degrau em degrau, subindo-os, bastaram apenas 4 anos para que a abençoada escalada levasse o conjunto tomarense ao convívio dos maiores emblemas portugueses. Comandados pelo argentino Oscar Tellechea, o União de Tomar, depois do primeiro embate frente ao Atlético, haveria de fazer nessa temporada de 1968/69, uma campanha bem acima daquela que muitos estariam à espera. Um 10º lugar na tabela classificativa, a melhor posição que haveriam de conseguir, acabaria por ser obra de um grupo equilibrado, onde pontuavam algumas figuras que fariam história no futebol luso. Mas se nomes como os de Conhé, Francisco Caló, João Barnabé, José Ferreira Pinto não são desconhecidos dos adeptos do desporto, então, o que dizer de Manuel José, Raúl Águas, Fernando Cabrita, Simões ou... Eusébio???!!!
Pois é, todos estas estrelas passariam pelo União de Tomar, fazendo a vida do clube um pouco mais rica. Contudo, depois de nos anos 60 e 70 o União de Tomar ter vivido, com seis participação na 1ª Divisão, a sua época áurea, os anos vindouros nunca mais puseram os holofotes na direcção dos ribatejanos. Desde então o clube tem vindo a perder alguma preponderância no panorama desportivo nacional. Excepção feita aos anos de passagem entre a década de 80 e 90, onde militou na 2ª Divisão "B", o União de Tomar tem disputado os escalões mais baixos do nosso futebol. Este perder de fulgor acabaria por ser agravado por uma profunda crise financeira, que empurraria, definitivamente, a equipa para os Campeonatos Regionais.
Actualmente, a prioridade dos responsáveis directivos é, de algum modo, estabilizar as contas, permitindo, desse modo, a sobrevivência do clube. Militam na 1ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Santarém onde, compreensivelmente, os resultados desportivos tenderão, num futuro próximo, a ficar para segundo plano. Contudo, com a memória de um passado e de pergaminhos gloriosos, estamos cientes que o União de Tomar há-de recuperar a chama de outrora e voltará a pôr o Ribatejo no mapa desportivo português.

463 - LUISINHO

Desde muito novo apaixonado pela modalidade, foi no emblema da terra natal, o Vila Nova, que Luisinho começou a dar os primeiros passos no “mundo da bola”. Ao mesmo tempo que praticava futebol, o jovem desportista de origens humildes tinha de repartir os dias entre a escola, o trabalho e os campos de jogos. Nesses tempos, ajudava a mãe na venda de produtos agrícolas e dava uma mãozinha ao pároco local, na realização das missas. Então, numa altura em que já pensava que o seu futuro havia de passar, tal como o quotidiano do pai, por uma oficina automóvel, o defesa conseguiu o primeiro contrato profissional como desportista.
No Vila Nova, as suas prestações rapidamente conseguiram despertar a curiosidade dos olheiros a trabalhar para os principais clubes brasileiros. O primeiro a tentar a sua contratação foi o Cruzeiro de Belo Horizonte, onde até chegou a fazer alguns testes. Ao não agradar, voltou a Nova Lima, mas depressa apareceram outros pretendentes. Entre vários emblemas, o mais decidido na aquisição do seu passe, acabou por ser o Atlético Mineiro. No "Galo" tornou-se num dos melhores defesas-centrais brasileiros dos anos de 1980. Para tal aferição, em muito contribuiu a maneira serena como enfrentava cada lance. Contudo, Luisinho não era um defesa molengão! Muito pelo contrário, o jogador tinha mestria suficiente para conseguir, com um sentido posicional apurado, visão de jogo e poder de antecipação excepcionais, desarmar qualquer adversário. Outra das suas principais características era a disciplina mostrada dentro e fora de campo. Terá sido esse aspecto regrado a levar Telê Santana a adicionar o seu nome à lista de convocados para o Mundial de 1982. Já a disputar o certame realizado em Espanha, foi um dos titulares no centro do sector mais recuado da "Canarinha". Todavia, como em tudo na vida, quando o insucesso colectivo emerge, tem de haver sempre um bode expiatório. Assim aconteceu com o atleta que, acusado de falta de coragem e após a eliminação do "Escrete", foi apontado como um dos principais responsáveis pela queda do Brasil.
Injustiças à parte, Luisinho, de regresso às competições domésticas, continuou a mostrar porque era considerado um dos melhores a actuar na sua posição. Nesse sentido, nos mais de 10 anos em que vestiu a camisola "Alvi-Negra", ajudou o Atlético Mineiro a conquistar um longo rol de títulos, entre os quais o maior destaque vai para os 9 Campeonatos Mineiros. Com tudo isso, transformou-se num dos predilectos da massa associativa e, mais uma vez sob alçada de Telê Santana, tornou-se no capitão de equipa.
Também no Sporting foi um dos preferidos dos adeptos. Chegou a Portugal na temporada de 1989/90 e apesar de não ter a frescura de outros tempos, pois passava dos 30 anos de idade, a classe mostrada dentro do relvado era inconfundível. Deixou boas memórias e, depois de 3 épocas a impor-se como um titular indiscutível, boas também foram as recordações que levou consigo – "Tenho uma saudade imensa. Dos amigos, dos torcedores do Sporting… Aliás, já sonhei algumas vezes que estava chegando a Alvalade e era aplaudido pelos sportinguistas. Quero aproveitar esta oportunidade para dizer aos torcedores que amo o Sporting e que tenho muitas saudades"*.
De regresso às provas brasileiras, a passagem pelo Cruzeiro deu-lhe uma nova vitória no “estadual” de Minas Gerais e a conquista da Copa do Brasil. Seguiu-se o regresso ao Vila Nova, onde Luisinho tomou a decisão de pôr um ponto final na carreira enquanto futebolista. No entanto, não ficou afastado do desporto, tendo assumido vários papéis desde então, como por exemplo: treinador das camadas jovens do Atlético Mineiro, Presidente do Vila Nova e ainda, num cargo político, Secretário de Esporte e Lazer de Nova Lima.

*retirado do artigo de to-mane, publicado a 5/2/2009, em www.wikisporting.com

447 - ABEL SILVA

O percurso a levar um grupo de jovens futebolistas a sagrarem-se campeões do mundo é, por si só, o mote certo para uma conversa interessante. No entanto, nessa caminhada houve alguns momentos mais curiosos do que outros. Uma das histórias mais engraçadas passou-se com Abel Silva. Como titular nessa selecção que, em 1989, venceu o Mundial sub-20, o jovem lateral-direito foi um dos escolhidos para disputar a final do torneio. Antes do início da partida agendada para Riade, todos os presentes no relvado do Estádio International King Fahd, acabaram por conhecer um dos grandes astros da história do desporto. Foi então que o defesa, no alto da sua jovem irreverência, decidiu fazer uma promessa – “Antes da final, quando Pelé nos veio cumprimentar, eu disse-lhe que ia marcar um golo à… Péle. Nem sei se ele me ouviu mas sei que viu o meu golo, que foi mesmo um golo à… Péle, sem dúvida maravilhoso”*
Foi com um espectacular e portentoso pontapé à entrada da grande área que Abel Siva veio a tornar-se no primeiro dos marcadores daquele que foi o derradeiro jogo do certame. Esse 44º minuto da primeira parte, até pela vitória no desafio, ficará para sempre na memória colectiva do futebol nacional. Contudo, a carreira de Abel Silva teve um pouco mais do que essa belíssima finalização. Desse modo, ao terminar a formação no Benfica, foi com naturalidade que, na mesma temporada do referido Campeonato do Mundo sub-20, ocorreu a sua transição para a categoria sénior. Com a normalidade inerente às primeiras fases de uma carreira profissional, o jovem atleta pouco foi utilizado. Ainda assim, bastou-lhe uma partida disputada – 1-0, em casa, frente ao Sporting de Braga – para que pudesse erguer o troféu atribuído aos campeões nacionais. As 3 épocas seguintes, em parte devido à forte concorrência dentro do plantel “encarnado”, deram à caminhada do lateral-direito um périplo, a título de empréstimo, pela Académica de Coimbra, Penafiel e Marítimo. Já o regresso à “casa mãe”, apesar de continuar afastado da titularidade, deu-lhe a oportunidade de conquistar mais 2 títulos e de acrescentar ao currículo os triunfos na Taça de Portugal de 1992/93 e na edição de 1993/94 do Campeonato da 1ª divisão.
Com a revolução perpetrada por Artur Jorge na preparação da campanha de 1994/95, Abel Silva tornou-se num dos preteridos do técnico português. Daí em diante começou um trajecto a levá-lo, por entre os principais escalões lusos, a representar uma série considerável de emblemas, edos quais há a destacar Vitória Futebol Clube, Felgueiras, Campomaiorense, Estoril Praia, Alverca e Atlético.

*retirado da revista “A Bola – A Fantástica viagem da Geração de Ouro”, Janeiro 2007

421 - DRAGAN GACESA

O defesa que, pode dizer-se, dividiria a caminhada competitiva em duas fracções, viveria a primeira metade desse percurso ao serviço do FK Vojvodina. Nesse sentido, seria ao lado de velhos conhecidos do futebol português que Dragan, alguns anos após a estreia como sénior, viria a vencer o título de maior importância na carreira. Ao partilhar o balneário com Vujacic, Punisic, Milovac, Vorkapic, Curcic, Bosancic e ainda com os famosíssimos Sinisa Mihajlovic e Slavisa Jokanovic, o jogador seria um dos intérpretes da vitória do emblema sediado na cidade de Novi Sad na edição de 1988/89 do Campeonato da antiga Jugoslávia.
A mencionada conquista permitiria a Dragan disputar a Taça dos Clubes Campeões Europeus do ano seguinte. No entanto, a época a marcar a sua presença naquela que é a maior competição de clubes organizada pela UEFA, haveria de marcar o termo da ligação do defesa ao emblema da sua cidade natal. Seguir-se-ia a viagem a trazê-lo até Portugal, mais precisamente ao Funchal. No União da Madeira a partir da temporada de 1990/91, o jogador passaria a ocupar um papel de grande preponderância no seio do plantel. Durante os 8 anos passados com os “Insulares”, o atleta, independentemente do treinador a orientá-lo, transformar-se-ia num dos favoritos do “onze” inicial. Obviamente, não seria apenas o longo período de ligação à colectividade lusa que haveriam de pô-lo em posição de destaque. A titularidade, resultados dos predicados apresentados em campo, serviria para aferir o atleta como um dos bons elementos a actuar nas provas agendadas no calendário luso de futebol, somando, só na 1ª divisão, um total superior a 100 partidas disputadas.

414 - NELINHO

Se há figura que pode ser associada aos melhores momentos da história do União da Madeira, então Nelinho, com certeza, é um deles.
Formado nas “escolas” do União, também ele nascido na capital madeirense, Nelinho faria a estreia como sénior ao serviço do plantel de 1986/87 do Andorinha. Já o regresso à “casa mãe” dar-se-ia em “vésperas” da estreia do emblema insular no patamar maior do futebol luso. Nesse contexto, depois de ajudar à vitória no Campeonato da 2ª divisão de 1988/89, o jogador, igualmente estreante nas andanças do 1º escalão, começaria a evidenciar-se dentro do grupo de trabalho. Logo à 3ª jornada, frente ao Boavista, o defesa marcaria um golo. Porém, só a entrada no último terço da época daria ao atleta a oportunidade de assumir, com maior frequência, um lugar entre os titulares.
A campanha da sua afirmação, em abono da verdade, seria a de 1990/91. Na lateral do sector mais recuado, sem ser um jogador com uma estatura surpreendente, Nelinho, à imagem de tantos outros craques, deixaria bem evidente que o 1,70m não o impossibilitaria de mostrar as suas qualidades. Raçudo nas acções defensivas e com uma propensão ofensiva a permitir-lhe, pela ala destra, apoiar os atacantes, o defesa-direito facilmente começaria a mostrar-se como um dos portadores da alma do “União da Bola”. Tal reconhecimento tornar-se-ia num facto inequívoco e se mais não houvesse para fazer prova desse mesmo valor, os números a ilustrar-lhe a carreira seriam bastante demonstrativos da sua importância. Desse modo, para além de mais de uma década a vestir a camisola amarela da equipa principal, anos onde estão incluídas todas as 5 temporadas na 1ª divisão, o maior prémio, como recompensa pela entrega demonstrada ao longo de todos esses anos, tê-lo-ia com a entrega da braçadeira de capitão à sua intendência.
Depois de concluir a carreira futebolística, ainda com passagens por outros emblemas do arquipélago, tais como o Ribeira Brava e o Estrela da Calheta, e de ter concluído, na Universidade da Madeira, a Licenciatura em Educação Física e Desporto, a ligação de Nelinho com o Clube Futebol União tem sido feita à custa de novas funções, caso da de Director-Desportivo. Relativamente ao futuro do antigo defesa, tudo é uma incógnita. Contudo, ainda neste defeso, ouvimos o ex-técnico da equipa, Pedrag Jokanovic, a sugerir o seu nome para ocupar o cargo por ele deixado livre - "O Nelinho é uma pessoa que está há muito ligada ao clube e percebe muito de futebol. Se eu fosse presidente, era nele que apostava"*.

*retirado do artigo publicado a 15/06/2013, em https://desporto.sapo.pt