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1672 - JOSÉ RAFAEL

Com o percurso formativo feito no Farense, seria ainda inscrito como júnior que José António Silvestre Rafael acabaria chamado, por Manuel de Oliveira, aos trabalhos da equipa principal. Nessa campanha de 1975/76, o avançado-centro, caracterizado por ser um praticante veloz, de enorme agilidade e com enorme faro para o golo, daria os primeiros passos numa carreira a entregá-lo, logo na época seguinte e resultado da despromoção do clube, às pelejas da 2ª divisão. No entanto, apesar do percalço competitivo, a cotação do jovem atleta não sairia beliscada e a prova surgiria, pouco tempo depois, com a chamada aos sub-18 de Portugal.
Com a primeira aparição a acontecer, pelas mãos de Peres Bandeira, a 26 de Outubro de 1976, as boas prestações que conseguiria com a “camisola das quinas” levá-lo-iam a manter-se como um dos elementos com presença assídua nas convocatórias das selecções. Ainda no escalão referido no termo do parágrafo anterior, o jogador conseguiria mais umas quantas chamadas, com a edição de 1977 do Torneio Internacional de Cannes a constituir o apogeu dessa experiência. Seguir-se-iam, bem mais à frente na carreira, as convocatórias para os “olímpicos”. Todavia, seria a passagem pelo conjunto “A” luso que mais embelezaria o currículo do ponta-de-lança. Nesse contexto, com José Torres como principal timoneiro, o atacante participaria na Fase de Apuramento para o Mundial de 1986 e surgiria, a 12 de Outubro de 1985, como um dos goleadores na vitória, por 3-2, frente a Malta. Passados uns dias voltaria a marcar presença em campo e, no inolvidável triunfo forasteiro frente à Republica Federal da Alemanha, ajudaria a selar a qualificação para o certame organizado no México.
Com o Farense longe dos principais palcos do futebol luso, as temporadas a seguir à primeira chamada de José Rafael à equipa principal seriam cumpridas no escalão secundário. Ainda assim, o avançado não ficaria afectado por tal desígnio e continuaria a revelar enormes habilidades futebolísticas. Nesse sentido, em 1977/78, o ponta-de-lança, que a meio da referida campanha deixaria o Algarve para uma curta passagem por Toronto e pelo First Portuguese, ainda conseguiria consagrar-se como o melhor marcador do conjunto do Sotavento. Pouco tempo depois da experiência na Canadian National Soccer League, dar-se-ia o regresso aos “Leões de Faro” e o atacante, algum tempo depois de voltar a Portugal, teria a oportunidade de fazer a estreia na 1ª divisão.
Apesar de ter regressado para representar o Farense, seria a transferência para o Portimonense a dar-lhe a oportunidade de conseguir exibir-se entre os “grandes”. Apresentado como reforço do plantel de 1979/80 dos “Alvi-negros”, onde voltaria a encontrar-se com Manuel de Oliveira, José Rafael, por razão do Serviço Militar Obrigatório, não revelaria, na experiência de 2 anos, números condizentes com o seu real valor. Seria necessária nova mudança de emblema para que esses parâmetros emergissem como uma realidade segura. No Amora a partir de 1981/82, época em que a colectividade da Margem Sul faria a estreia na 1ª divisão, a sua passagem de 2 campanhas pela Medideira levá-lo-ia a consagrar-se como um dos bons intérpretes a exibir-se no mais alto patamar português. Tal acréscimo de valor fá-lo-ia ser cobiçado por diversas agremiações. Contudo, apesar de tentado por Académica de Coimbra, Vitória Sport Clube e Beira-Mar, seria a “paixão” pelo emblema onde havia cumprido toda a formação a apelar ao seu coração.
Titular no Farense de 1983/84, onde faria parte de um tridente ofensivo também composto por Gil e por César, José Rafael, apesar das belíssimas exibições, veria uma grave lesão a comprometer o seu desempenho. Ainda assim, o fim das provas agendadas para a campanha aludida no começo deste parágrafo, empurrá-lo-ia para uma nova colectividade. Com a entrada no Boavista, onde, em 1984/85, passaria a ser orientado por Mário Wilson, o avançado-centro, mesmo com a concorrência de colegas como Filipovic ou Coelho, conseguiria destacar-se. Tal relevo faria com que o avançado-centro iniciasse no Bessa, com as chamadas à selecção “A” e o convite para ingressar no Sporting como os pináculos desse capítulo, o melhor trecho da sua carreira. Também nesse contexto, com as “Panteras” na luta pelos lugares cimeiros do Campeonato Nacional, as competições organizadas pela UEFA passariam igualmente a fazer parte do seu percurso. Todavia, outra mazela física voltaria a assolá-lo durante aquela que viria a tornar-se na derradeira época realizada pelos “Axadrezados” e o avançado, cumprida a temporada de 1986/87, deixaria a “Cidade Invicta”.
Seguir-se-ia o Vitória Futebol Clube de 1987/88, a partilha do balneário com Jordão ou Manuel Fernandes e a ruptura do tendão de Aquiles. Mais uma lesão, com muitas complicações no pós-operatório a comprometer a recuperação, levaria a que José Rafael, mesmo com uma mudança a meio da temporada de 1988/89 para o Belenenses, não mais jogasse futebol. O terrível desfecho impeliria o atleta para um final precoce da carreira e, com apenas 30 anos de idade, acabaria por “pendurar as chuteiras”.

1594 - GUEDES

Manuel Fernando de Azevedo Guedes, saído das “escolas” da colectividade nortenha, entraria para a equipa principal do FC Porto na temporada de 1972/73. De forma espantosa, nesse primeiro ano como sénior, o defesa, muito mais do que conquistar um lugar como titular na esquerda do sector mais recuado dos “Azuis e Brancos”, posicionar-se-ia, apenas atrás de Abel Miglietti, como o segundo nome mais utilizado pelo treinador chileno Fernando Riera. Também a época seguinte, dessa feita sob as ordens de Béla Guttmann, traria ao atleta praticamente o mesmo tipo de destaque. Tais números não fariam prever o desfecho da campanha de 1973/74 e o anúncio da sua saída das Antas provocaria uma enorme surpresa entre a massa adepta dos “Dragões”.
Com a mudança consumada, as provas agendadas para 1974/75 apresentá-lo-iam como reforço de um Leixões primodivisionário. Curiosamente, a entrar num verdadeiro contraciclo, Guedes perderia em Matosinhos a preponderância apresentada enquanto grande esperança formada pelo FC Porto. Talvez por essa razão, um ano após a chegada ao Estádio do Mar, o jogador tenha tomado a decisão de procurar um novo rumo para a carreira. Tal oportunidade surgiria em Aveiro e o defesa, com o Beira-Mar a disputar a 1ª divisão, acabaria por recuperar e manter a titularidade no par de épocas passadas a envergar o equipamento aurinegro.
A despromoção do emblema da Beira Litoral no termo do Campeonato Nacional de 1976/77 levaria Guedes, cimentado como um praticante merecedor dos melhores palcos, a prosseguir a caminhada competitiva no Varzim. Nos “Lobos-do-mar”, orientado por António Teixeira, o jogador contribuiria para um dos mais bonitos capítulos da existência do emblema poveiro. Incluído num plantel do qual fariam parte nomes como Washington, Jesus, José Domingos, Cacheira, Albino, Festas, Montóia, Francisco Mário, Jarbas ou Horácio, o defesa-central transformar-se-ia num dos pilares do 5º posto alcançado com o termo do Campeonato Nacional de 1978/79.
Apesar do sucesso vivido na Póvoa de Varzim, seria a mudança para o Minho a apresentá-lo ao emblema mais representativo da sua caminhada desportiva. Com as cores do Sporting de Braga a partir da campanha de 1981/82, o defesa-central continuaria a somar temporadas ao seu currículo primodivisionário. Para além desse facto, o qual culminaria com 14 anos entre os “grandes”, o atleta, nessa época de chegada aos “Arsenalistas”, faria parte do grupo que, comandado por Quinito, chegaria à final da Taça de Portugal. No Jamor, à imagem da maioria das partidas disputadas pelos homens sediados na “Cidade dos Arcebispos”, Guedes acabaria arrolado para a disputa do importante desafio. Porém, a sua presença no “onze” seria insuficiente para evitar a derrota e acabaria por ser o Sporting a sair do Estádio Nacional na posse do almejado troféu.
As 5 temporadas passadas ao serviço dos “Guerreiros” dariam lugar àqueles que viriam a tornar-se nos derradeiros capítulos da sua caminhada no papel de futebolista. Com o São Pedro da Cova e o Gondomar a preceder a decisão de “pendurar as chuteiras”, não demorariam muitos anos até que o antigo defesa assumisse as funções de treinador-principal. Nas novas tarefas, com o trajecto feito em exclusivo através dos escalões secundários, Guedes passaria pelo comando de Marco, Castêlo da Maia, Ermesinde, Sporting de Lamego, Rebordosa, Torres Novas, Famalicão e Rio Tinto.

1175 - NARCISO

Nascido na cidade de Setúbal, seria no Vitória Futebol Clube que, ao entrar para os patamares de formação, Narciso começaria a caminhada no futebol. Já na temporada de 1972/73, promovido pelo treinador José Maria Pedroto, o jovem atleta estrear-se-ia na equipa sénior do emblema sadino e, por conseguinte, na 1ª divisão. No entanto, apesar de ser uma aposta para o futuro da equipa, demoraria uns quantos anos até conseguir afirmar-se como um elemento com alguma preponderância. Tal aconteceria na época de 1976/77, depois de um empréstimo ao Torreense, de um regresso de curta duração ao Estádio do Bonfim e da experiência nos canadianos do Toronto Italia.
A partir da segunda metade da década de 70, Narciso surgiria no esquema táctico do Vitória de Setúbal com regularidade. Durante 4 anos, o médio, que cumpria tanto em funções defensivas, como nas manobras de construção de jogo, tornar-se-ia num dos elementos mais importantes do plantel sadino. Nesse sentido, seria com alguma surpresa que os adeptos veriam o jogador deixar o clube para, na Margem Sul do Rio Tejo, abraçar outro projecto. No Amora, onde trabalharia com outro ilustre setubalense, o treinador Mourinho Félix, para além de manter a titularidade, aperfeiçoaria a sua “veia goleadora”. Ao pautar-se como um dos bons intérpretes dessa temporada de 1980/81, receberia o convite do Vitória de Guimarães para rumar ao Minho e, já na “Cidade Berço”, voltaria a encontrar-se com José Maria Pedroto.
Após envergar as cores do conjunto vimaranense, onde nunca conseguiria impor-se como um elemento indiscutível, Narciso continuaria a alimentar um percurso que, de algum modo, tinha começado a caracterizar-se pela constante mudança de clubes. Depois de, em dois anos, ter vestido a camisola de dois emblemas diferentes, o centrocampista, nessa senda mais errática, regressaria ao Vitória de Setúbal para a derradeira temporada primodivisionária, passaria pelo Benfica de Castelo Branco e, a seguir à aventura albicastrense, aceitaria o desafio daquela que viria a tornar-se na sua última colectividade enquanto futebolista profissional.
Terminada a ligação ao Torralta na segunda metade da década de 80, Narciso, formado em Educação Física e com o 4º nível do Curso de Treinadores, iniciaria o seu trajecto enquanto técnico. Durante vários anos, seria adjunto de Quinito. Como “braço direito” do seu conterrâneo, passaria por diferentes emblemas, casos do Sporting de Espinho, Marítimo, Portimonense, União de Leiria e, quase de forma inevitável, pelo Vitória Futebol Clube. No entanto, seria noutra variante da modalidade que viria a ter grande sucesso. Ao aceitar o desafio do emblema sadino para comandar o conjunto dedicado à vertente de praia, por certo, jamais adivinharia a glória destinada ao seu trajecto. A verdade é que logo no ano de estreia à frente do listado vertical verde e branco, levaria os seus discípulos à conquista da edição de 2008 da Liga Nacional. Repetiria o feito em 2010 e, em 2013, ao rubricar o contrato para ocupar o cargo de seleccionador nacional, subiria mais um degrau na carreira. À frente de Portugal, o seu trabalho levaria a “Equipa das Quinas” a grandes glórias e entregaria aos escaparates da Federação os troféus referentes às vitórias dos Campeonatos do Mundo de 2015 e 2019, 4 Ligas Europeias, 1 Jogos Europeus de Praia, entre outros prestigiados certames. Para além disso, seria eleito como o Melhor Treinador do Mundo em 2015 e 2016.

1148 - ICA

De vez em quando elejo um atleta que, apesar de ter feito parte de um remoto imaginário de dominicais relatos radiofónicos e de coloridas colecções de cromos, pouco ou nada sei sobre a sua carreira. Porém, dentro desse grupo de futebolistas, há aqueles que, com algum esforço e com uma boa dose de pesquisa, é possível, com um certo grau de certeza, esquissar a sua caminhada profissional. Por outro lado, emergem aqueles cujos mistérios do seu trajecto competitivo são, numa impiedosa escala de dificuldade, bem superiores à minha vontade de contar uma história. Ica é, sem dúvida, um membro deste último grupo!
Aquilo que consegui descobrir sobre o ponta-de-lança brasileiro, pouco mais é do que o trajecto competitivo que, durante alguns, acabou por fazer em Portugal. Nesse sentido, a Oliveirense tornar-se-ia no primeiro emblema do avançado no nosso país. Ora, logo após essa temporada de 1981/82, a disputar o 2º escalão, surgiria a oportunidade de passar a representar o Recreio de Águeda. A mudança de colectividade, sem, com isso, deixar o patamar secundário e o Distrito de Aveiro, transformaria o avançado num dos principais esteios da promoção dos “Galos do Botaréu” à 1ª divisão.
Depois da campanha de subida, durante a qual iria consagrar-se como um dos titulares e como o melhor marcador da equipa, o atacante, à imagem da memorável página escrita na história do clube, também conseguiria estrear-se no escalão máximo. Contudo, contrariamente ao que tinha demonstrado no ano anterior, o jogador perderia o lugar no “onze” inicial. Essa temporada de 1983/84, em termos individuais e colectivos, transformar-se-ia numa grande desilusão. Ainda assim, e com a descida do Recreio de Águeda à 2ª divisão, Ica manter-se-ia no convívio dos “grandes”, acabando por mudar-se para o sul do país.
Já com as cores do Farense, exibições discretas não dariam muitas presenças em campo ao avançado. Seguir-se-ia o Leixões e, sem certeza do que vou escrever, o fim da sua caminhada em território luso. De resto pouco mais conseguirei dizer. Com algum grau de convicção poderei ainda fazer referência à sua passagem, a montante dos anos vividos em Portugal, pelo Campo Grande do Rio de Janeiro. Há ainda, sem ter conseguido confirmar tal informação, à presença de Ica no plantel de 1987 da Portuguesa dos Desportos…

1016 - KOSTOV

Chegaria ao Sporting para temporada de 1982/83 e já como um jogador consagrado no país natal. Com uma carreira cimentada no Slavia de Sófia, onde chegaria a ostentar a braçadeira de capitão, também na selecção búlgara marcaria presença por diversas vezes.  Tendo subido à categoria principal do emblema da capital ainda na primeira metade da década de 70, o médio haveria de merecer o seu lugar no grupo de trabalho. Nisso de conquistas, mesmo sem ter conseguido alcançar o título de campeão nacional, Kostov embelezaria o seu currículo com a vitória nas edições da Taça da Bulgária de 1975 e 1980. A equipa nacional também chegaria à sua carreira durante esse período. Com a estreia a acontecer em Novembro de 1974, o centrocampista lograria vestir a camisola da sua pátria por mais 14 vezes.
Já a sua passagem pelo Sporting, muito mais do que falada pelo aspecto desportivo, acabaria envolta em polémica. No sentido de contornar a restrição imposta ao número de estrangeiros em cada plantel, Kostov e Bukovac, chegados na mesma altura e ambos via Slavia de Sófia, acabariam por obter a cidadania portuguesa através de casamentos, diz-se, “arranjados” pelos próprios dirigentes leoninos.
Voltando ao rectângulo de jogo, o médio acabaria por impor-se com alguma naturalidade. Sendo um atleta que, para além da capacidade física, também mostrava uma certa habilidade com a bola nos pés, António Oliveira e, mais tarde, Jozef Venglos não hesitariam em inscrevê-lo no “onze” inicial. Pior seria aquando da saída do treinador Checoslovaco, para a entrada do galês John Toshack. Com a antiga estrela do Liverpool aos comandos do “Leão”, o jogador acabaria por perder o espaço conquistado nas temporadas anteriores. De tal forma ficaria vetado ao estatuto de escolha secundária que, na época de 1984/85, poucas seriam as vezes que seria utilizado. Tão irrisório o número de partidas disputadas e o futebolista decidir-se-ia a cambiar de rumo. Ficaria em Lisboa, mas mudar-se-ia para o Restelo. Na bagagem ainda levaria consigo a conquista da Supertaça de 1982/83. Porém, a partir do Verão 1985, passaria a representar o Belenenses.
Mesmo estando à porta de completar 30 anos de idade, ninguém adivinharia que a sua contratação pelos da “Cruz de Cristo” antecedesse, em pouco mais de um par de anos, o fim da sua carreira profissional. Pelo Belenenses conseguiria destacar-se. Voltaria à competição ainda na campanha de 1987/88, mas, dessa feita, já com as cores do Farense. No Algarve, o fulgor mostrado dentro de campo desenvolver-se-ia apenas como uma réstia de um passado que não era assim tão longínquo. Há registos, sem que tenha conseguido confirmar tal informação, de uma passagem sua pelo Bragança! Vanio Kostov haveria de terminar o seu percurso competitivo antes da viragem para a década de 90. Todavia, continuaria ligado à modalidade. Ficaria a residir em Portugal e passaria a dedicar-se às actividades de empresário desportivo.

633 - VALDEMAR

Tendo feito a primeira parte da sua carreira no Fafe, aliás, onde terminaria a formação como jogador, Valdemar haveria de fazer a sua estreia na 1ª divisão, ao serviço do Varzim.
Ora, depois de, na época de 1975/76, ter subido ao plantel sénior da colectividade minhota, as 5 temporadas que se seguiriam, acabariam por consolidar Valdemar como futebolista. Apesar de construído na 2ª divisão, o percurso feito pelo avançado não o deixaria na sombra de outros jogadores. Tanto assim é que, do escalão máximo em Portugal, começa a despertar alguma cobiça.
Quem, no defeso de 1980, acaba por dar aval à sua contratação, seria o antigo internacional português e capitão do Sporting, José Carlos. Sem ser, logo de início, uma das escolhas incontornáveis no “onze” varzinista, a evolução que ia apresentando agoirava bons momentos.
Sendo a velocidade a sua principal arma dentro de campo, o atacante, na segunda temporada com os da Póvoa, começa a ganhar preponderância no seio do plantel. A despromoção do Varzim no final da temporada de 1980/81, e a saída de alguns dos seus companheiros do sector ofensivo, abrir-lhe-iam, em boa hora, as portas da titularidade. Apesar de, em termos de números, essa época passada na 2ª divisão ter sido uma das mais prolíferas da sua carreira, um dos maiores destaques da sua vida como profissional chegaria com o regresso ao convívio dos “grandes”. Tendo como treinador José Torres, à 7ª jornada do Campeonato, os “Lobos do Mar” preparavam-se para receber no seu estádio o campeão em título. Mais do que favorito, o Sporting apresentar-se-ia em campo com uma equipa recheada de estrelas. Contudo, no meio de Jordão, Manuel Fernandes ou António Oliveira, o nome que, naquela tarde de Outubro, mais brilharia seria o de Valdemar. Com dois golos da sua autoria, contra um de Lito, o atacante acabaria por ser o principal responsável por uma das mais memoráveis vitórias na história do Varzim. A prova é que, ainda hoje, é recordado por essa brilhante exibição.
Depois de 5 temporadas ao serviço do Varzim e mais uma com as cores do Paredes, Valdemar decide-se por encerrar a seu trajecto como futebolista. Todavia, e tendo sido um aluno exemplar, o antigo avançado sabia que a vida não se esgotaria com a sua saída dos relvados. Licenciado em Biologia, Valdemar é, nos tempos que correm, um estimado professor do Ensino Secundário.

525 - PAQUITO

Para o enquadrarmos nesta temática familiar, há que referir que o verdadeiro nome de Paquito, já que esta é a sua alcunha, é Francisco Saura. Depois de esclarecido este pormenor, não poderei esquecer que, tal como os outros elementos da sua família, a sua carreira desportiva tem uma forte ligação ao Rio Ave.
Ora, seria no emblema vilacondense que o extremo começaria a sua formação. Terminada a mesma, e, já por esta altura, com um percurso nas selecções jovens portugueses, Paquito é chamado à categoria principal. Estreia-se em 1979/80 e por aí continuaria por mais 3 temporadas. Essa última, que, por sinal, até marcava o regresso da equipa ao escalão principal do futebol português, acaba por mostrar um Rio Ave bem diferente do habitual. Reforçados, os de Vila do Conde acabam por fazer uma campanha extraordinária, terminando o ano no topo da tabela classificativa.
Um dos responsáveis por tamanha campanha, acabaria por ser Paquito. Rápido, com uma técnica acima da média, fazia da ala direita do campo um ponto municiador do ataque. Seria desta posição que, com sua qualidade de passe, acabaria por ser tornar num dos atletas do Campeonato Nacional com melhor capacidade de assistência. Esta sua característica, acabaria por levar o Vitória de Guimarães a apostar na sua contratação. Malas feitas para o Minho e Paquito, depois do normal período de adaptação, e tal como o tinha conseguido no seu anterior clube, torna-se num dos elementos fundamentais dentro do seu plantel. A confusão que lançava nas defesas contrárias, juntamente com uma capacidade de luta sensacional, torná-lo-iam num dos favoritos da massa associativa vitoriana.
Quem não deixaria de reparar nesta sua ascensão, seriam os responsáveis técnicos do FC Porto, há altura liderados por Artur Jorge. As suas qualidades faziam dele uma boa aposta, no entanto, para os lados das Antas estavam a criar-se os alicerces daquela que viria a ser uma futura equipa campeã europeia. Este contexto fazia com que, naturalmente, a concorrência dentro do plantel fosse enorme. Ora, na disputa por um lugar no onze "Azul e Branco", Paquito acabaria por perder algum espaço. Jogaria pouco e, apesar do Campeonato conquistado, no final dessa época de 1985/86, o atleta deixa os "Dragões".
O encerrar deste capítulo na "Cidade Invicta", leva o jogador a uma nova fase na sua vida profissional. Sem nunca abandonar a 1ª Divisão, começa a cirandar por diversos clubes, com uma frequência maior do que a habitual. Já depois de envergar as cores do Marítimo, Varzim e Beira-Mar, numa altura final da sua carreira, Paquito faz ainda algumas temporadas nos patamares inferiores do nosso futebol. Joga no Torrense e no Vizela acaba por "pendurar as chuteiras".
Tal como qualquer outro apaixonado pela modalidade, a sua vida não poderia afastar-se muito dos relvados. Tal razão faz com que apresente um consistente trajecto como técnico. Nessas funções, tem-se destacado na sua passagem pelas “escolas” do Rio Ave, onde, com a mesma entrega que teve como jogador, é reconhecido pela sua consistência - "É um trabalho interessante porque eu vejo partir, vejo ir para o escalão seguinte, vejo os miúdos crescerem, vejo-os andarem, começam a aprender a estar no campo, começam a despertar para o futebol e eu vejo essa caminhada com grande entusiasmo. Sinto-me bem, dou aquilo que sei e que aprendi”.

256 - BÓBÓ

Quando ouvimos falar nas equipas do Boavista que, durante os anos de 1990, pisaram os relvados nacionais, há sempre presente uma faceta de luta impossível delas dissociar. Um dos primeiros responsáveis, que recordo, por sublinhar bem essa faceta batalhadora da equipa portuense, foi Bóbó.
É inegável que o “trinco“ era um jogador duro, daqueles que raras eram as ocasiões em que terminava uma partida sem o correspondente cartão amarelo. Porém, longe da agressividade intempestiva e por vezes com laivos de loucura de alguns, Bóbó, acima de tudo, caracterizou-se por ser um atleta incansável. Por razão da sua bravura, foi considerado um dos esteios, um verdadeiro pilar no meio-campo defensivo e que permitiu aos "Axadrezados" vogar, durante anos a fio, nos lugares de topo do Campeonato Nacional. Nesse sentido, o médio também ajudou a garantir muitas presenças nas competições europeias, foi figura essencial nessas mesmas campanhas continentais e, como titular, fez parte do grupo que venceu a Taça de Portugal em 1992.
Aliás, foi na última prova referida que o "trinco" encetou, para a sua carreira, a conquista de grandes títulos. Representava na altura o Estrela da Amadora de 1989/90, clube que acabou por ser um novo impulso numa caminhada muito prometedora e que, em certa medida, chegou a andar adormecida. Talvez muitos não saibam, mas o centrocampista começou por ser uma das apostas do FC Porto. Ao subir à equipa principal dos “Dragões” com apenas 18 anos, o guineense, com um empréstimo pelo meio ao Recreio de Águeda, pouco jogou de “azul e branco”. Seguiram-se outros emblemas primodivisionários, onde as suas prestações até tiveram sucesso. Tanto no Varzim, como no Vitória Sport Clube e no Marítimo, as suas qualidades sobressaíram. Ainda assim, acabou por ser com o equipamento “tricolor” do emblema sediado na Linha de Sintra e já no Bessa, que Bóbó sublinhou a carreira como a de um dos futebolistas de maior destaque na última década do século XX, a jogar em Portugal.
Terminada a carreira nos relvados, Bóbó continuou ligado ao futebol, tanto pela criação de uma escola na Guiné-Bissau, como a trabalhar na prospecção de novos craques. Aliás, foi essa nova função que o levou a assinar contrato como "olheiro", pelos londrinos do Chelsea.

104 - CLÁUDIO ADÃO

Apesar de ter sido, até há bem pouco tempo, um verdadeiro mistério para mim, este avançado brasileiro, cuja estadia em Portugal pode ser, simpaticamente, adjectivada como efémera, no Brasil, pelo qual chegou a internacional, foi considerado um grande jogador.
Cláudio Adão, na sua carreira de mais de 20 anos, passou por 21 emblemas e 5 países diferentes. Apelidado de "Cigano", tal a frequência com que mudou de clube, teve na passagem pelo Benfica, um dos episódios mais fugazes da sua vida como futebolista. Na "Luz", comandado por Sven-Goran Eriksson, o avançado chegou apenas à partida de apresentação da temporada de 1983/84. Tirando o referido encontro, um empate a 2 bolas com o Coventry, não há registo algum, oficial ou não, de outra participação sua com as cores das "Águias".
O atleta, nos dias a seguir ao “amigável”, acabou por deixar Lisboa. Segundo o que foi veiculado por essa altura, o internacional “canarinho”, que nunca teve um contrato assinado, desentendeu-se com a direcção do clube “encarnado” e decidiu regressar ao seu país. Ora, não fossem alguns cromos e afins imagens, bem que poderíamos considerá-lo quase como uma miragem! E a verdade é que, sem ter marcado presença em jogos das nossas provas nacionais, praticamente foi!

91 - TÓ ZÉ

Com passagem pela formação do Sport Lisboa e Olivais, o jovem futebolista tem a sua estreia como sénior já no Atlético. Após a descida do clube e de 2 temporadas na 2ª divisão, o aguerrido defesa-central decide aceitar o convite do seu antigo treinador no emblema de Alcântara. Sob a alçada do técnico Carlos Silva, e para abraçar um projecto de subida, vai para o Algarve no Verão de 1979 e assina um contrato com o Farense. Contudo, o plano do emblema “algarvio” acaba por sair gorado e a promoção não acontece. Ainda assim, as suas boas prestações chamam a atenção de um dos históricos do futebol português. Tó Zé regressa a Lisboa e, dessa feita, para vestir a camisola azul do Belenenses.
O primeiro ano com o emblema da "Cruz de Cristo", com Tó Zé a participar em pouco mais de metade dos jogos, não corre como o desejado. Já a época seguinte, no plano estritamente pessoal, revela-se bem mais proveitosa. O defesa consegue ser um dos atletas com mais presenças no “onze” titular. No entanto, o Campeonato de 1981/82 acaba por não correr de feição e o Belenenses, pela primeira vez na sua longa história, vê-se relegado à divisão secundária do nosso futebol.
O jogador "esquiva-se" à despromoção e ruma ao Norte, mais precisamente ao Rio Ave. Em Vila do Conde ainda começa por ser utilizado com alguma frequência, mas o regresso ao clube de Baltemar Brito e um joelho em condições débeis, impossibilitam-no de lutar por um lugar no eixo da defesa. Na segunda temporada não disputa qualquer jogo e, no final da mesma, acaba por sair. Na campanha seguinte ainda assina contrato pela Académica de Coimbra, mas as mazelas contraídas impedem-no de atingir boas prestações.
Terminada a carreira futebolística, troca a luta nos relvados pela defesa dos seus concidadãos. No Município onde reside, funda a Comissão de Utentes de Saúde do Concelho de Sintra. Nessa luta pelo povo, é também normal encontrar o seu nome, António Manuel Gonçalves Carrasco, nas listas da CDU para as Eleições Autárquicas. Assim, e com a mesma bravura que entrava em campo, Tó Zé está sempre pronto a "morder as canelas" a quem atacar os mais desfavorecidos.