1019 - ABAZAJ

Formado no Dínamo de Tirana, a rápida ascensão na equipa da capital albanesa levá-lo-ia a ser tido como uma das promessas mais valiosas do seu país. Para provar tal potencial nada melhor que a estreia na selecção principal. Com apenas 16 anos de idade, Eduard Abazaj seria chamado ao apuramento para o Mundial de 1986, onde, numa partida frente à Grécia, conseguiria a sua primeira internacionalização.
Depois dessa partida inicial, o defesa teria que esperar sensivelmente 4 anos e meio para conseguir jogar novamente pela Albânia. Pelo clube, a sua evolução corroboraria tudo aquilo que dele havia sido dito. Podendo posicionar à esquerda e no centro do sector mais recuado, Abazaj, com o passar dos jogos, conseguiria tornar-se num dos elementos mais importantes das estratégias tácticas da sua equipa. Muito mais do que a polivalência mostrada dentro de campo, o jovem atleta apresentaria outras características que aumentariam o seu valor. Aguerrido, disciplinado e com uma técnica superior a muitos da sua posição, o jogador veria o seu valor crescer.
O que também elevaria a sua cotação, seriam os títulos conquistados colectivamente. Sendo o Dínamo de Tirana uma das potências do futebol albanês, seria com alguma naturalidade que a glória chegaria ao seu trajecto. As vitória na Liga de 1985/86, na Taça de 1988/89, e, principalmente, a “dobradinha” ganha em 1989/90, acabariam por servir de incentivo a uma nova mudança. Com o antigo Bloco de Leste mais permissivo a movimentações, o Hajduk Split, na temporada de 1990/91, decidir-se-ia pela sua contratação. No emblema croata, que à data ainda concorria no contexto competitivo da Jugoslávia, conseguiria conquistar um lugar. Mais uma vez, os troféus iriam enriquecer o seu currículo. O 1º lugar em 1992, tomado naquela que viria a ser a 1ª edição da Liga croata, seria apoiado por mais 1 Taça e 2 Supertaças. Com tudo isso, o defesa estabelecer-se-ia como um dos nomes habituais nas convocatórias da selecção e uma das grandes estrelas do seu país.
O interesse de outros emblemas, e de outros campeonatos, serviriam também para asseverar o seu valor. Antes ainda da chegada a Portugal, certos registos dão-nos conta que o defesa poderá ter tido experiências noutros países. Uma curta passagem pelos austríacos do Grazer AK, segundo o que é veiculado por algumas fontes, terá sido precedida pelo “namoro” com o Benfica. Sendo fiel a referida informação, o emblema da “Luz”, depois de contratar o jogador, tê-lo-á cedido aos croatas do HNK Sibenik. Mesmo com todas essas dúvidas, o certo é que Abazaj faria a pré-temporada de 1994/95 com as “Águias”. Rezam algumas crónicas que o excesso de extracomunitários e a recusa a um casamento “arranjado” terão inviabilizado a sua continuidade nos “Encarnados”. Todavia, o jogador haveria de desmentir tais boatos – “Quando cheguei a Portugal, assinei pelo Benfica, mas não fiquei por opção própria. Tinha contrato e fui convidado a ficar, mas o Benfica tinha quatro jogadores estrangeiros e surgiu o Boavista, portanto preferi ser emprestado. Não me arrependo”*.
A boa temporada nos “Axadrezados” levaria o Manchester City a investir na sua contratação. No entanto, a passagem por Inglaterra seria curta e infrutífera. Sem hipóteses de jogar, o atleta acabaria, já a meio da temporada de 1995/96, por vestir as cores da Académica. No emblema de Coimbra, viveria os melhores anos do seu período em Portugal. Mantendo-se ao longo de 4 campanhas como titular, Abazaj ajudaria à subida da “Briosa” em 1997/98. Com o regresso à 1ª divisão, e sem nunca baixar o nível exibicional, o internacional encetaria a derradeira etapa da carreira como futebolista. Depois dos conimbricenses, tempo ainda para uma “perninha” nos “regionais” com a camisola dos Marialvas, e ainda o regresso ao seu país. No Shkumbini teria também a primeira experiência como treinador. Nas referidas funções, e já de volta ao nosso país, haveria de, igualmente, ganhar currículo. Clubes de menor monta e o trabalho com jovens marcariam essa fase. Hoje em dia, Abazaj vive um pouco desligado do desporto e, tendo fixado residência em Coimbra, gere um café.

*retirado do artigo de Vítor Hugo Alvarenga, publicado a 13/10/2008, em https://maisfutebol.iol.pt

1018 - ZACH THORNTON

Tendo chegado ao estrelato pelos Greyhounds, equipa de futebol da Universidade de Loyola, Zach Thornton, paralelamente, haveria também de praticar Lacrosse. Mesmo dividido entre os dois desportos, e já findo o capítulo académico, seria o apelo do “soccer” que levaria o guardião a tornar-se profissional. Os MetroStars, numa altura em que já era internacional “A”, abrir-lhe-iam as portas da MLS (Major League Soccer) em 1996. Contudo, seria a transferência para outro dos conjuntos da principal liga norte-americana que daria ao jovem jogador as primeiras notas de destaque. 
Com Tony Meola como principal concorrente a um lugar na baliza, e depois de poucas oportunidades ganhas ao serviço do conjunto sediado no Estado de New Jersey, a sua mudança para os Chicago Fire alteraria por completo o pragmatismo do seu, ainda curto, percurso profissional. Em Illinois, mesmo tendo Jorge Campos como colega de balneário, Zach Thornton conseguiria vingar no “onze” inicial. Logo em 1998, época da sua chegada, o currículo do guardião ficaria colorido pelos primeiros títulos. As vitórias na MLS Cup e na US Open Cup acabariam sublinhadas pela presença no jogo “All-Stars” e, principalmente, pela conquista do Prémio de guarda-redes do ano. 
Mantendo-se ao serviço do mesmo emblema, os anos seguintes continuariam a trazer troféus ao seu caminho. Com novas vitórias na US Open Cup em 2000 e 2003 e a conquista do MLS Supporters Shield de 2003, Zach Thornton lograria ver a sua fama crescer. Como resultado dessa evolução, na carreira do futebolista abrir-se-iam as portas a uma novidade. Tendo sido orientado por Daniel Gaspar na selecção olímpica do seu país, seria o treinador de guarda-redes, à altura a trabalhar no Benfica, que aconselharia a sua contratação. Tendo afirmado, na altura de rubricar o contrato que “O meu objectivo é ajudar o clube a manter a tradição, pois sei que já venceram vários campeonatos e que já foram campeões europeus”*, o guardião teria a oportunidade de fazer parte do plantel que venceria a Taça de Portugal de 2003/04. 
Em abono da verdade, Zach Thornton não chegaria a jogar pela equipa principal “encarnada”. Faria apenas umas partidas pelos “bb” do Benfica e, não vendo accionada a cláusula que prolongaria a sua ligação às “Águias”, partiria para a América do Norte. O regresso aos Chicago Fire, porém, tornar-se-ia igualmente penoso. Não tendo disputado qualquer desafio em 2004, só na temporada seguinte é que o guarda-redes voltaria a competir.  
Passando, desde aí, a ser escalonado com regularidade, 2007 transformar-se-ia em ano para nova mudança. Colorado Rapids e New York Red Bulls tornar-se-iam no “intermezzo” para a sua ligação com os Chivas USA. Naquela que acabaria por tornar-se na última equipa enquanto jogador, o guardião, ao voltar a vencer em 2009 o Prémio de Melhor Guarda-Redes do ano, conseguiria recuperar a glória individual. 
O final da temporada de 2011 representaria também o fim da sua carreira enquanto futebolista. Ainda assim, ficaria ligado à modalidade, mas como técnico. Nas funções de treinador de guarda-redes, Zach Thornton haveria de começar pela sua antiga universidade para, em 2015, passar a fazer parte dos quadros do DC United.
 
*Retirado do artigo de Irene Palma, publicado a 1 de Fevereiro de 2004, em https://maisfutebol.iol.pt/

1017 - MÁRIO JORGE

Seria com o Estoril Praia, emblema onde terminaria o seu percurso formativo, que Mário Jorge daria os primeiros passos como sénior. Depois de alguns anos no escalão secundário, a subida do clube da Linha de Cascais ao patamar máximo do futebol português acabaria por pôr o jogador numa posição de destaque. Com Fernando Santos a confiar ao atleta um lugar no “onze” inicial, a sua evolução levá-lo-ia, em primeiro lugar, às convocatórias dos sub-21 de Portugal. Depois da selecção, e no final dessa temporada de 1991/92, viria o desfio de um dos “3 grandes” e a transferência para o Benfica.
Na “Luz”, o médio, que poderia colocar-se no centro ou na direita do sector intermediário, ver-se-ia confrontado com uma forte concorrência. Como colegas de posição, Mário Jorge acabaria por partilhar o balneário com nomes como Kulkov, Paulo Sousa, Hêrnani, Vítor Paneira ou até Schwarz. Tamanho rol de craques tornariam a sua passagem pelos “Encarnados” num autêntico deserto exibicional. Sem conseguir qualquer oportunidade para entrar em campo, a solução encontrada para a sua carreira seria a mais óbvia. Nesse sentido, e no final da campanha em que tinha entrado para o clube, a sua dispensa levá-lo-ia até ao Estrela da Amadora.
Na Reboleira começaria por trabalhar com João Alves. Seria, no entanto, com a chegada do seu antigo treinador no Estoril Praia que Mário Jorge voltaria a merecer um destaque especial. Mantendo-se como titular e como uma das principais figuras do Estrela da Amadora, o rescaldo da temporada de 1994/95 voltaria a pôr o médio na rota de um desafio maior. Porém, e tal como tinha acontecido na passagem pelas “Águias”, a sua experiência no outro lado da 2ª Circular traria os mesmos resultados. Aliás, o tempo passado em Alvalade seria menor do que aquele vivido com as cores do Benfica. Sem conseguir convencer Carlos Queiroz a dar-lhe um lugar no plantel leonino, o centrocampista, semanas após a sua chegada, acabaria emprestado ao Marítimo.
Depois dos “Insulares”, o regresso ao Estrela da Amadora dar-se-ia em 1996/97 e com a bênção, mais uma vez, de Fernando Santos. Curiosamente, as duas campanhas realizadas pelos da Linha de Sintra lançariam Mário Jorge para outro desafio. Dessa feita no estrangeiro, o convite surgiria do Leganés, que, à altura, disputava o 2º escalão espanhol. Alegando, motivos familiares, o retorno a Portugal materializar-se-ia um ano depois. O Campomaiorense abrir-lhe-ia as portas, para que voltasse ao nosso Campeonato. Nos alentejanos cumpriria as últimas campanhas no patamar máximo, completando, no fim dessas 2 épocas, 9 temporadas na 1ª divisão.
Antes ainda de começar a dedicar-se às tarefas de treinador, Mário Jorge representaria outros emblemas. Imortal e Abrantes, intercalados pela experiência nos canadianos Vancouver Whitecaps, serviriam para dar mais cor ao seu percurso. Numa fase seguinte, e quando já exercia a profissão de técnico de forma exclusiva, o centrocampista ainda teria tempo para uma “perninha” no 9 Abril de Trajouce. A orientar equipas de futebol, o antigo praticante construiria um currículo feito em conjuntos amadores. Destaque também para a sua passagem pelo desporto feminino e pelo 1º Dezembro, onde daria o seu contributo para a vitória em 2 Campeonatos Nacionais.

1016 - KOSTOV

Chegaria ao Sporting para temporada de 1982/83 e já como um jogador consagrado no país natal. Com uma carreira cimentada no Slavia de Sófia, onde chegaria a ostentar a braçadeira de capitão, também na selecção búlgara marcaria presença por diversas vezes.  Tendo subido à categoria principal do emblema da capital ainda na primeira metade da década de 70, o médio haveria de merecer o seu lugar no grupo de trabalho. Nisso de conquistas, mesmo sem ter conseguido alcançar o título de campeão nacional, Kostov embelezaria o seu currículo com a vitória nas edições da Taça da Bulgária de 1975 e 1980. A equipa nacional também chegaria à sua carreira durante esse período. Com a estreia a acontecer em Novembro de 1974, o centrocampista lograria vestir a camisola da sua pátria por mais 14 vezes.
Já a sua passagem pelo Sporting, muito mais do que falada pelo aspecto desportivo, acabaria envolta em polémica. No sentido de contornar a restrição imposta ao número de estrangeiros em cada plantel, Kostov e Bukovac, chegados na mesma altura e ambos via Slavia de Sófia, acabariam por obter a cidadania portuguesa através de casamentos, diz-se, “arranjados” pelos próprios dirigentes leoninos.
Voltando ao rectângulo de jogo, o médio acabaria por impor-se com alguma naturalidade. Sendo um atleta que, para além da capacidade física, também mostrava uma certa habilidade com a bola nos pés, António Oliveira e, mais tarde, Jozef Venglos não hesitariam em inscrevê-lo no “onze” inicial. Pior seria aquando da saída do treinador Checoslovaco, para a entrada do galês John Toshack. Com a antiga estrela do Liverpool aos comandos do “Leão”, o jogador acabaria por perder o espaço conquistado nas temporadas anteriores. De tal forma ficaria vetado ao estatuto de escolha secundária que, na época de 1984/85, poucas seriam as vezes que seria utilizado. Tão irrisório o número de partidas disputadas e o futebolista decidir-se-ia a cambiar de rumo. Ficaria em Lisboa, mas mudar-se-ia para o Restelo. Na bagagem ainda levaria consigo a conquista da Supertaça de 1982/83. Porém, a partir do Verão 1985, passaria a representar o Belenenses.
Mesmo estando à porta de completar 30 anos de idade, ninguém adivinharia que a sua contratação pelos da “Cruz de Cristo” antecedesse, em pouco mais de um par de anos, o fim da sua carreira profissional. Pelo Belenenses conseguiria destacar-se. Voltaria à competição ainda na campanha de 1987/88, mas, dessa feita, já com as cores do Farense. No Algarve, o fulgor mostrado dentro de campo desenvolver-se-ia apenas como uma réstia de um passado que não era assim tão longínquo. Há registos, sem que tenha conseguido confirmar tal informação, de uma passagem sua pelo Bragança! Vanio Kostov haveria de terminar o seu percurso competitivo antes da viragem para a década de 90. Todavia, continuaria ligado à modalidade. Ficaria a residir em Portugal e passaria a dedicar-se às actividades de empresário desportivo.

1015 - AGOSTINHO OLIVEIRA

Após um treino de captação, Agostinho Oliveira acabaria por ser aceite nas “escolas” do Sporting de Braga. Faria aí todo o seu percurso formativo até que, na temporada de 1965/66, transitaria para o patamar sénior. Primeiro a jogar pelas “reservas” e, mais tarde, pela equipa principal, o defesa depressa conseguiria segurar um lugar no “onze” inicial. Porém, e apesar de ser um dos elementos mais utilizados no plantel, a titularidade assegurada logo na época de 1967/68 não faria o atleta desviar-se do outro grande objectivo da sua vida.
Paralelamente ao futebol, Agostinho Oliveira continuaria a alimentar a sua vida estudantil. Procurando conciliar as duas facetas, o defesa decidiria partir para Coimbra. Inscrever-se-ia na Faculdade de Letras e, no desporto, passaria a vestir as cores da Académica. Contudo, o percurso que tinha iniciado na temporada de 1968/69 seria interrompido pela “chamada à tropa”. Já no Curso de Oficiais do Exército, decide regressar ao Sporting de Braga. Mais tarde, voltaria a matricular-se no ensino superior. Mais uma vez, harmonizando os estudos e o futebol, o jogador completaria a Licenciatura em Filosofia, na Faculdade de Letras do Porto.
Com a descida do Sporting de Braga ao 2º escalão no final da campanha de 1969/70, Agostinho Oliveira jamais voltaria a competir naquele que é o palco principal do futebol português. Mantendo-se fiel ao conjunto minhoto, mas tendo sempre outras actividades em paralelo, em 1974 abraçaria também o cargo de Presidente do Sindicato dos Jogadores. Pouco tempo depois e por razão dos salários em atraso rescinde com os “Guerreiros”, deixando de vez a vida de futebolista de alta-competição.
Depois do “divórcio”, só quase passada uma década é que voltaria ao futebol profissional. Na sequência da sua presença, ao lado de nomes como Jesualdo Ferreira ou Carlos Queiroz, naquele que passaria a ser o primeiro curso de treinadores leccionado em Portugal, Agostinho Oliveira é desafiado pelo Sporting de Braga para regressar ao clube. Dessa feita como Coordenador da Formação “arsenalista”, o antigo defesa iniciaria uma longa carreira dedicada à área técnica. Ainda assim, não conseguiria largar de vez os campos e, nos “regionais” continuaria a dar uns pontapés na bola.
Passados alguns anos, seria a Federação Portuguesa de Futebol a endereçar-lhe um novo convite. As camadas de formação seriam o seu destino e, num percurso com cerca de duas décadas, conseguiria fazer um trabalho de reconhecido mérito. Ganharia 3 títulos internacionais. Porém, as vitórias nos Campeonatos da Europa de sub-16 em 1996 e sub-18 em 1994 e 1999, acabariam por revelar-se insuficientes para que outras oportunidades surgissem. Chegaria por duas vezes, mas apenas como interino, ao cargo de seleccionador principal. Essas experiências, antes da chegada e depois da saída de Luiz Felipe Scolari, serviriam essencialmente para testar novos valores. Já depois de 2010, e de, como adjunto de Carlos Queiroz, ter marcado presença no Mundial disputado na África do Sul, o treinador deixaria a Federação, para abraçar novos projectos.
Sempre ligado aos mais jovens, Agostinho Oliveira teria passagens pelo Sporting de Braga e Gondomar. Aquando da sua presença na equipa dos subúrbios do Porto, mais uma experiência digna de registo. Tendo conhecimento de todo o seu saber, a Federação Chinesa de Futebol passaria a tê-lo como Conselheiro.

1014 - NITO

Com o percurso formativo feito no Ponte da Barca, seria no emblema da sua terra natal que o jovem Adelino Rocha Vieira faria a transição para o universo sénior. Porém, Nito – apelido que assinaria toda a sua carreira desportiva – não era um atleta de 3º escalão. Bastar-lhe-iam 2 campanhas na categoria principal do conjunto minhoto para que conseguisse destacar-se. Indicado pelo treinador Quinito, o defesa-esquerdo daria o salto para o patamar máximo do futebol português. Ao serviço do Sporting de Espinho, o lateral continuaria a mostrar os predicados que tinham feito dele uma grande aposta. Aguerrido e com louváveis índices físicos, o jogador rapidamente ganharia o estatuto de futebolista primodivisionário. Tendo começado nos “Tigres” na campanha de 1987/88, a sua caminhada profissional saldar-se-ia por 11 temporadas na 1ª divisão e por uma regularidade invejável.
Com o Sporting de Espinho despromovido à 2ª divisão, Nito acabaria arrastado para o referido contexto competitivo. “Sol de pouca dura”, pois, volvido um ano, o atleta estaria de volta aos palcos principais. A mudança ficaria a cabo da transferência para o Belenenses. Em Lisboa, mesmo com uma forte concorrência no plantel de 1990/91, caso do brasileiro Zé Mário, o defesa acabaria por impor-se. Nos anos seguintes, manteria a preponderância nas manobras tácticas idealizadas pelos diferentes treinadores. Nem mesmo uma nova despromoção desmoralizaria o jogador. Aliás, o dito revés, sofrido na época da sua chegada, daria ainda mais força às suas exibições. Já sob a batuta de Abel Braga, a raça e perseverança mostrada na sua lateral tornar-se-iam num exemplo e num pilar para o regresso ao 1º escalão.
De volta ao convívio com os “grandes”, Nito vincaria ainda mais a sua importância, conseguindo ser “totalista” no Campeonato de 1992/93. Todavia, a constância que mostrava, imagem de marca na sua carreira, esbater-se-ia mais adiante. Com o objectivo de voltar a ser utilizado com frequência, o defesa decidiria mudar de ares. A meio da temporada de 1995/96 abalaria do Restelo e “usaria” o Tirsense como passagem para um emblema, também ele, icónico no seu percurso profissional. O Rio Ave marcaria, por assim dizer, o derradeiro terço da sua caminhada. Muito por razão da titularidade, recuperada logo à sua chegada, também para o emblema de Vila do Conde, o lateral transformar-se-ia numa das figuras marcantes da sua história.
Após 6 temporadas de “caravela” ao peito, o atleta entraria nos últimos anos competitivos. O Atlético Valdevez, muito mais do que dar casa a esse capítulo final, serviria de começo para nova história. No emblema minhoto, Nito daria os primeiros passos como técnico. Nessas funções destaque ainda para o regresso ao clube onde tudo havia começado, para, nas divisões “regionais”, orientar o Ponte da Barca.

1013 - ARTUR

O início da sua caminhada nas “escolas” do Futebol Benfica serviria apenas de rampa para que terminasse a etapa formativa no emblema do seu coração. Já no Sport Lisboa e Benfica, Artur, que até então jogava a avançado, passaria a posicionar-se em lugares mais recuados do terreno. Apesar da alteração táctica, o jovem praticante continuaria a impressionar. Valentia, disponibilidade física e técnica apurada era o que prometia a cada desafio. Tal era a crença no seu valor que, instruídos por Otto Glória, os dirigentes das “Águias” tentariam manter o craque nas fileiras da “Luz”. Porém, os seus sonhos rolavam para além do esférico. Com a ideia de completar os estudos superiores, partiria então para Coimbra e, na temporada de 1968/69, conseguiria estrear-se pela primeira equipa da Académica.
Apesar de um começo difícil, onde no primeiro ano de sénior poucas oportunidades lograria conquistar, a segunda época com a “Briosa” mostraria Artur como titular. Adaptado a defesa, como lateral-direito, mas podendo posicionar-se também à esquerda, depressa subiria ao estatuto de peça essencial nas manobras dos “Estudantes”. Num plantel cheio de grandes jogadores, casos dos irmãos Campos, Rui Rodrigues, Gervásio, Serafim, Carlos Alhinho ou Manuel António, o “Ruço”, alcunha por que ficaria conhecido, daria um grande contributo para os feitos alcançados colectivamente. Em 1969/70, participa em grande parte dos jogos que levariam a Académica aos quartos-de-final das Taças dos Vencedores das Taças. Já na campanha seguinte, embora afastado das competições continentais, o atleta, mais uma vez, seria uma das grandes figuras do 5º lugar alcançado no final do Campeonato.
As boas exibições conseguidas em Coimbra acabariam por pô-lo de novo a caminho de Lisboa. De regresso ao Benfica, e mantendo-se na senda titular, novas metas seriam cruzadas pelo jogador. Quase em simultâneo, ao seu currículo chegariam 1 Campeonato Nacional, 1 Taça de Portugal e a primeira de 34 internacionalizações “A”. A “dobradinha” de 1971/72 e a estreia com a “camisola das quinas” a 10 de Maio da referida temporada, como que sublinhariam o seu valor. A partir desse momento, o nome do defesa tornar-se-ia numa referência do Benfica e da selecção portuguesa. Salvo raras excepções, a sua presença nas fichas de jogos passaria a ser habitual. Com o avançar dos anos, mais certa transformar-se-ia essa regra e, em face dessa razão, muitos ficariam surpreendidos aquando da sua saída em 1977.
A sua contratação pelo Sporting, como não poderia de deixar de ser, ficaria envolta em alguma polémica. Dizendo-se que os dirigentes do Benfica, por altura da renovação, haviam exigido uma baixa salarial, houve também quem veiculasse que, a referida perda de regalias contractuais, teriam sido alicerçadas na pleurisia, sofrida pelo atleta uns tempos antes. Recuperado, e tendo visto as suas condições melhoradas, o lateral mudar-se-ia para Alvalade. Com mais 4 Campeonatos ganhos pelas “Águias”, o defesa passaria a vestir de “verde e branco”, acusando o seu antigo emblema de o “empurrar” para o outro lado da 2ª Circular.
Com os “Leões”, Artur daria continuidade à senda de sucessos. Em 1977/78 voltaria a vencer a Taça de Portugal, para, no ano seguinte, conquistar o Campeonato. Nessa caminhada de vitórias, que melhor para aferi-lo como uma “estrela” do que uma passagem pela, tão em voga por essa altura, liga norte-americana de “soccer”? À imagem de tantas outras figuras do futebol mundial, o lateral português deixaria a sua marca no “El Dorado” do futebol dos anos 70. Representaria os Boston Tea Men por duas ocasiões e sempre em alternância com metades de temporada feitas pelo conjunto leonino. Seria num desses regressos que acabaria por sofrer um acidente vascular. As mazelas da doença levá-lo-iam a abandonar a carreira precocemente. No jogo de despedida, dando provas do reconhecimento que tinha conseguido alcançar, conseguiria juntar dois dos maiores rivais do futebol luso. Sporting e Benfica, num “particular” agendado para o Estádio de Alvalade juntar-se-iam para homenagear o “Ruço”.

1012 - MATOS

Depois de consumada a transferência da AD Guarda para os juvenis do Sporting Clube de Portugal, seria no emblema lisboeta que Matos terminaria o percurso formativo. Já em 1975/76, e no sentido da sua evolução, o guarda-redes conseguiria estrear-se no conjunto principal. Porém, os dois primeiros anos como sénior tornar-se-iam um pouco ingratos para o jovem atleta. Tendo como concorrentes para a sua posição colegas mais experientes, as oportunidades conseguidas seriam escassas. A presença de Vítor Damas e, depois da saída deste para o Racing Santander, a contratação de Conhé vetá-lo-iam ao estatuto de escolha secundária. Sem conseguir escapar a essa condição, a solução encontrada para a sua carreia seria a saída para outra agremiação.
Tendo conseguido chegar aos sub-21 de Portugal ainda com as cores do Sporting, seria já como atleta do Boavista que Matos viveria os melhores anos como desportista. Os 7 anos que viveria de “axadrezado” elevá-lo-iam ao estatuto de titular. Todavia, muito mais do que a quantidade de partidas disputadas, os troféus começariam a fazer parte da sua carreira. Depois da sua chegada ao Bessa na época de 1977/78, a campanha seguinte traria ao seu palmarés a Taça de Portugal. Escalonado pelo técnico Jimmy Hagan para “onze” inicial que disputaria a final e a finalíssima da “Prova Rainha”, o guardião contribuiria para a vitória frente ao Sporting. Já com Mário Lino como treinador, a temporada de 1979/80 voltaria a pô-lo como o “nº 1” de mais uma conquista. Dessa feita frente ao FC Porto, o guarda-redes ajudaria a vencer a Supertaça.
Curiosamente, seria já ao serviço dos “Dragões” que o futebolista voltaria a provar o sabor da conquista. Alicerçado como um dos melhores guardiões a actuar em Portugal, depois também de várias participações nas provas organizadas pela UEFA e de, paralelamente, ter conseguido internacionalizar-se pelos “olímpicos” e “BB”, para Matos chegaria a hora de voltar a competir por um dos denominados “3 grandes”. Nas Antas, tal com já tinha acontecido em Alvalade, Matos acabaria na sombra da concorrência mais directa. Zé Beto, Mlynarczyk, Barradas ou Peter Borota seriam alguns dos nomes que, durante essas duas temporadas, fariam frente ao guarda-redes. Ainda assim, tempo para acrescentar aquele que viria a tornar-se no título mais importante do seu currículo, o Campeonato Nacional de 1985/86.
A saída do FC Porto marcaria o começo da sua última fase como futebolista. Os anos seguintes, tendo vestido as cores de Felgueiras e Sporting de Espinho, vivê-los-ia na 2ª divisão. Em 1990/91 regressaria ainda ao escalão máximo do futebol português com as cores do Tirsense, mas para a derradeira temporada como atleta de alta competição. No entanto, o amor à modalidade não o afastaria dos “campos da bola”. Passados alguns anos após deixar os relvados, o antigo jogador voltaria como treinador de guarda-redes. Nesse trajecto, que já leva mais de 20 anos, seriam vários os clubes que representaria.  Destaque para as suas passagens pela Arábia Saudita, India ou China e ainda para os anos passados no Boavista, Académica e Benfica.
Faz parte, neste momento (2019/20), dos quadros técnicos do Sporting Farense.

1011 - FERTOUT

Seria no Wydad Athletic Club (WAC) de Casablanca que Fertout começaria por ganhar alguma notoriedade. Ainda muito novo, os golos do avançado levá-lo-iam a enriquecer o seu percurso. Com a estreia na equipa principal a acontecer na transição da década de 80 para a de 90, seria ao lado de velhos conhecidos do futebol português, casos de M’Jid, Naybet, Saber, Fouhami ou Daoudi, que o atleta venceria grande parte dos seus troféus. Esses 3 Campeonatos e as 2 Taças de Marrocos só seriam ultrapassados em importância pelas conquistas nas provas continentais. Nesse contexto competitivo, destaque para a vitória na Taça Afro-Asiática de 1993 e, principalmente, para o triunfo na Liga dos Campeões da CAF de 1992.
Também a nível individual, o destaque ganho na primeira parte da sua carreira profissional, merceria especial realce aquando do título, na temporada de 1992/93, de Melhor Marcador do Campeonato Marroquino. A importância das suas exibições contribuiria para que Fertout começasse a ser chamado à selecção nacional. A estreia com a camisola do seu país aconteceria em Outubro de 1992 e a exibição frente à Etiópia seria brindada com o seu primeiro golo internacional.
Seria já como o dono de um bom currículo que, em 1995/96, chegaria a Portugal. A aposta no avançado surgiria por parte do Belenenses. Logo no ano de estreia com os da “Cruz de Cristo”, as exibições do ponta-de-lança acabariam por justificar a sua contratação. Bom no jogo aéreo e com um físico combativo, era na grande área que mostrava maior eficácia. Contudo, o jogador também expunha algumas fraquezas. Um tempo de reacção débil e uma faceta anímica delicada, transformar-se-iam no mais prejudicial para o marroquino. Com o avançar das temporadas, as suas exibições perderiam algum fulgor. Depois de uma primeira campanha em que seria o goleador máximo da equipa, a qualidade dos seus desempenhos começaria a deixar dúvidas. Reflexo do que passariam a ser as prestações colectivas, ou talvez por culpa própria, a verdade é que o avançado começaria a desperdiçar as oportunidades concedidas pelos treinadores. A época de 1997/98 decorreria como a mais infrutífera do atacante e os “Azuis” acabariam por não evitar a descida de escalão. Já para Fertout, o Verão seguinte marcaria o começo de uma nova aventura e a partida para outro emblema.
Curiosamente, seria durante a última campanha em Portugal que Fertout seria chamado a jogar a CAN 98. Aquela que seria a única grande competição de selecções em que participaria, daria algum fôlego à sua ida para a Holanda. Num AZ Alkmaar recém-promovido ao escalão máximo holandês, o avançado teria uma passagem, em alguns aspectos, semelhantes à feita em Portugal. Começando por assumir um papel preponderante nos desempenhos colectivos, as suas exibições, progressivamente, também perderiam algum brilho.
Com alguma surpresa, os primeiros anos do novo milénio, trariam o fim da sua carreira como futebolista profissional. Depois de uma passagem pelo modesto FC Chabab, emblema fundado pela comunidade marroquina de Amesterdão, Fertout voltaria ao futebol de alta competição já nas funções de técnico. Nas novas tarefas, e também com uma experiência na Líbia, o antigo internacional tem trilhado o seu caminho no principal patamar de Marrocos.

1010 - JORGE PLÁCIDO

Era tão inquestionável a sua qualidade que, antes ainda de chegar à maioridade, já Jorge Plácido trabalhava com os seniores do Amora. Depois da estreia durante a temporada de 1981/82, a campanha seguinte serviria para afirmar o atacante como uma das boas promessas do futebol nacional. Tal seria a esperança nele depositada que, em 1983, o Vitória de Setúbal decidir-se-ia pela sua contratação. Daí até à chamada aos sub-21 portugueses seria um pequeno salto. Com a convocatória da selecção e com as boas temporadas na margem do Rio Sado, a sua carreira parecia mais que lançada. Para asseverar a sua evolução, rapidamente surgiria uma nova proposta e a mudança para outro clube lançá-lo-ia na direcção de desafios maiores.
A chegada ao Desportivo de Chaves coincidiria com o melhor período da história do clube. No emblema transmontano, depois de ter ajudado ao 6º lugar na época de 1985/86, Jorge Plácido transformar-se-ia num dos elementos mais importantes da qualificação para as provas europeias. Nessa temporada de 1986/87, o avançado, que podia ser utilizado na esquerda e no centro do ataque, daria um enorme contributo para o 5º lugar alcançado no Campeonato Nacional. As boas exibições acabariam também por levá-lo a ser chamado aos trabalhos da principal selecção lusa. Pela mão de Ruy Seabra, o atleta, num particular frente à Bélgica, faria o primeiro de 3 jogos pelos “AA” de Portugal.
Não ter jogado a Taça UEFA pelos flavienses, seria o resultado directo de uma nova transferência. Admirado por Artur Jorge, o treinador haveria de indicá-lo como reforço do plantel portista. No entanto, e com a saída do técnico português e com a chegada de Tomislav Ivic, a temporada de estreia nas Antas ficaria um pouco aquém do esperado. Ainda assim, Jorge Plácido seria utilizado muitas vezes. As partidas disputadas, apesar de não garantirem a sua continuidade no grupo “azul e branco”, acabariam por traduzir-se no ganho de importantes troféus. Nesse sentido, a vitória na Supertaça Europeia de 1987/88 seria o êxito que antecederia as conquistas, ainda nessa mesma campanha, do Campeonato Nacional e da Taça de Portugal.
A campanha de 1988/89 marcaria a sua mudança para França. Na Liga gaulesa passaria a trabalhar com Artur Jorge. No entanto, nem o encontro com o treinador que o tinha indicado para os “Dragões” conseguiria impulsionar a sua carreira. A partir desse momento, e sem conseguir adaptar-se à nova realidade competitiva, o seu trajecto tornar-se-ia um pouco errante. Ao fim de alguns meses ao serviço do Matra Racing, Jorge Plácido acabaria “emprestado” ao Sporting. Ainda voltaria ao emblema de Paris, mas, mais uma vez, não conseguiria impor-se. Seguir-se-iam o regresso ao FC Porto e a passagem pelo “europeu” Salgueiros. Com tanta mudança, as exibições do atacante entrariam num inexplicável declínio. Ao tentar contrariar essa tendência, o jogador ainda voltaria ao Campeonato francês. Nesse sentido e depois da curta passagem pelo Créteil, seria nos Lusitanos de Saint-Maur* que o atleta passaria a grande parte dessa última etapa.
Alguns anos após a sua retirada, o antigo internacional teria ainda uma experiência como técnico. Em Angola, país onde nascera, treinaria o Benfica de Luanda.

*Créteil e Lusitanos de Saint-Maur unir-se-iam em 2002, passando o emblema a denominar-se Union Sportive Créteil-Lusitanos