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1745 - SERRA

Irmão mais velho de José Serra e de Serrinha, António José Carvalho Gonçalves seria o primeiro de uma linhagem com uma grande tradição no futebol português. Tal como os outros dois nomes mencionados, o defesa-central encontraria no Sporting de Braga, muito mais do que uma rampa de lançamento para uma carreira deveras respeitável, o principal emblema da sua caminhada desportiva.
Ao chegar ao Estádio 28 de Maio – posteriormente rebaptizado como Estádio 1º de Maio – vindo das “escolas” do Maximinense, a mudança, ocorrida na temporada de 1973/74, levaria o jovem jogador a apanhar o emblema minhoto nas disputas do escalão secundário. Porém, o referido cenário competitivo pouco tempo duraria. Num trilho ascendente, a campanha de 1975/76 marcaria o regresso do Sporting de Braga ao convívio com os “grandes”. Já com a colectividade por si defendida de volta às lutas do degrau maior, Serra, numa altura em que já tinha conseguido segurar um lugar no centro do sector mais recuado, teria a oportunidade de fazer a estreia na 1ª divisão. Depois desse ano de arranque nas contendas primodivisionárias, durante o qual seria orientado pelo “magriço” José Carlos, o atleta manter-se-ia como um dos preferidos dos treinadores e acabaria por estar na linha da frente de uma das épocas mais importantes da história dos “Guerreiros”.
A época de 1975/76 marcaria a presença de Serra em duas finais de competições lusas. No decisivo jogo da Taça de Portugal, o defesa-central seria um dos chamados por Mário Lino para, em pleno Estádio das Antas, defrontar o FC Porto. Com a derrota por 1-0 a deixar escapar o troféu para o aludido adversário, a final seguinte, o derradeiro encontro da inédita Taça da Federação Portuguesa de Futebol, correria de forma bastante diferente. Também convocado ao arrolamento inicial, “onze”, dessa feita, idealizado por Hilário, o jogador veria o seu lado a bater o Estoril Praia e à saída do conimbricense Calhabé seria o Sporting de Braga, como resultado do 2-0 registado no placard, a carregar para casa o “caneco”.
Outra campanha de grande relevância para o jogador seria a de 1978/79. Com os homens sediados na “Cidade dos Arcebispos”, na temporada anterior, a terminar o Campeonato Nacional no 4º posto, o referido lugar daria ao jogador a estreia nas competições de índole continental. Inserido o emblema português na Taça UEFA, ao Sporting de Braga calharia em sorte, na ronda inicial da prova, o Hibernians. Chamado por Fernando Caiado, o defesa-central entraria em campo apenas na 2ª mão dos confrontos agendados frente ao emblema maltês. Já na eliminatória seguinte, Serra seria escolhido para ambas as partidas contra o West Bromwich Albion. No entanto, a contenda a opor os “Guerreiros” ao conjunto inglês terminaria de forma contrária aos intentos lusos e os minhotos, mesmo com uma vitória caseira, acabariam afastados.
A época de 1979/80, ao fim de 7 anos consecutivos na equipa principal, marcaria o fim da sua ligação ao Sporting de Braga. Seguir-se-ia, com o atleta a manter-se a competir no escalão máximo, a transferência para um Varzim treinado pelo seu antigo técnico, José Carlos. No entanto, a passagem do defesa pelos poveiros seria curta. Com os “Lobos-do-mar” a claudicarem na luta para a manutenção, Serra preferiria dar seguimento ao trajecto competitivo noutra agremiação. Nesse sentido, na temporada de 1981/82, o atleta viria a ser apresentado como reforço do Sporting de Espinho. A representar os “Tigres da Costa Verde”, as 3 primeiras campanhas passá-las-ia ainda na 1ª divisão. Já época de 1984/85 marcaria, na sua caminhada, o regresso ao patamar secundário. De seguida, num trajecto a aproximar-se do termo, surgiriam o Gil Vicente, o Vila Real e o “pendurar das chuteiras” com o fim das provas planeadas para 1987/88. 

1625 - PEIXOTO

Formado pelo Atlético, seria ainda como membro das “escolas” do emblema alcantarense que Carlos Manuel dos Santos Peixoto viria a ser chamado aos trabalhos das jovens selecções a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Incluído nos actualmente denominados sub-18, o lateral estrear-se-ia com a “camisola das quinas” a 15 de Abril de 1968. Esse amigável frente à Bulgária servira de arranque a uma caminhada que, em Maio do ano seguinte, levaria o jogador a ser convocado para a disputa da edição de 1969 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. No certame organizado na Republica Democrática da Alemanha, o atleta acabaria por marcar presença em todas as partidas disputadas pela sua equipa e, num percurso internacional que terminaria com o fim da participação lusa na referida prova, o defesa passaria a somar 7 pelejas com as cores de Portugal.
Terminado o percurso formativo, a temporada de 1970/71 serviria para Peixoto fazer a transição para o universo sénior. Com a colectividade a jogar em casa na Tapadinha a militar no 2º escalão, as campanhas seguintes do defesa, a jogar pelo Portimonense e pelo Estoril Praia, seriam igualmente cumpridas nas contendas dos patamares inferiores. No entanto, contrariamente à sua experiência na agremiação algarvia, a integração no emblema sediado na Linha de Cascais serviria para encetar a ligação mais representativa da sua carreira desportiva. Com a entrada no Estádio António Coimbra da Mota a acontecer na época de 1973/74, o atleta desceria um degrau competitivo e passaria a exibir-se na 3ª divisão. Ainda assim, orientado inicialmente por Jimmy Hagan e depois por António Medeiros, o lateral seria peça importante nas duas subidas em dois anos consecutivos e, desse modo, constituir-se-ia como uma das caras a levar os “Canarinhos” ao patamar máximo.
O regresso do Estoril Praia à 1ª divisão, com Carlos Pereira a ocupar a primazia nas escolhas de António Medeiros, não seria de todo prodigiosa para Peixoto. Contudo, a campanha de 1975/76 não deixaria de marcar a estreia do lateral no convívio com os “grandes”. Esse percurso primodivisionário prolongar-se-ia nas épocas seguintes e uma das boas marcas conseguidas durante esse percurso de 4 anos seria a presença do lateral, chamado pelo treinador José Bastos, na final da Taça da FPF de 1976/77. Já no plano estritamente pessoal, o defesa haveria de merecer mais oportunidades no “onze” dos “Canarinhos” e as provas agendadas para 1977/78 acabariam por marcar o início da titularidade atribuída ao jogador.
Apesar da importância conquistada na esquematização táctica da colectividade da Amoreira, a época de 1979/80 apresentaria o defesa como reforço do plantel do Amora. De regresso à 2ª divisão, o atleta passaria a trabalhar sob as instruções de Mourinho Félix e, na Margem Sul, voltaria a contribuir para mais uma promoção. De novo a actuar nos principais escaparates do futebol luso, a verdade é que os números retirados dessa temporada de 1980/81 ficariam bem aquém do currículo apresentado pelo lateral. Tal desilusão levá-lo-ia a deixar a Medideira e, nos anos seguintes, a abraçar os projectos de dois emblemas já por si bem conhecidos. Nesse sentido, após um par de campanhas a envergar as cores do Atlético, a campanha de 1983/84, outra vez ao serviço do Estoril Praia, marcaria a derradeira aparição do atleta nos cenários primodivisionários. Daí em diante, numa caminhada competitiva a durar até 1987/88, Peixoto ainda vestiria a camisola do Seixal.

1601 - MANUEL AMARAL

Numa altura em que já exibia o estatuto de internacional, Manuel António Amaral Fonseca sairia dos escalões de formação do Atlético para fazer a estreia na equipa principal do conjunto sediado no lisboeta bairro de Alcântara. Antes da referida transição, a oportunidade sob a chancela da Federação Portuguesa de Futebol, com a orientação de José Maria Pedroto, surgiria no âmbito das partidas agendadas para os juniores. Depois desse jogo frente à Suíça, disputado em Alvalade a 27 de Março de 1974, desafio que também marcaria o arranque da caminhada de Fernando Gomes com as cores lusas, o atacante continuaria a ser arrolado às pelejas de Portugal. Com a “camisola das quinas” participaria num total de 18 contendas, divididas as mesmas, em partes iguais, pelo já aludido escalão e pelos “esperanças”. Já o grande destaque viria no final desse trajecto, com as suas presenças nas edições de 1976 e de 1977 do Torneio de Toulon.
Clubisticamente, com o atleta ainda em idade de júnior, as primeiras jornadas disputadas como sénior surgiriam na temporada de 1974/75. Com a estreia a acontecer pela mão de Fernando Vaz, mas com Guerreiro, Arcanjo e Prieto a revelarem-se como as prioridades nos diferentes alinhamentos do Atlético, Manuel Amaral ainda demoraria algum tempo até conseguir asseverar-se como um dos atletas de maior calibre na colectividade “alfacinha”. Em abono da verdade, tal afirmação nunca viria a acontecer nos anos cumpridos pelo jogador no Estádio da Tapadinha e seria preciso uma mudança de emblema para que o atacante começasse a ver a frequência da sua utilização a crescer.
Como membro do plantel do Belenenses a partir de 1976/77, a mudança de Manuel Amaral para o Restelo estaria intimamente ligada à contratação do seu último treinador no Atlético. Com Carlos Silva como “timoneiro”, o jogador, mesmo sem atingir a titularidade indiscutível, começaria a jogar com maior regularidade. Por outro lado, a grande novidade na primeira época ao serviço dos “Azuis” emergiria com a participação do clube nas provas de cariz continental. Nesse contexto competitivo, ao conjunto português, no sorteio da Taça UEFA, calharia em sorte defrontar o FC Barcelona. Com o atacante a ser chamado às duas mãos da 1ª eliminatória e apesar do afastamento do conjunto luso, o 2-2 no embate caseiro frente aos “Culés” de Neeskens ou de Cruyff, não deixaria de ser um momento inolvidável na carreira do avançado.
Após 4 temporadas a representar o Belenenses e um cúmulo de aproximadamente um cento de partidas disputadas pela agremiação a jogar em casa no Estádio do Restelo, Manuel Amaral voltaria a cambiar de emblema. No Sul do país a partir da campanha de 1980/81, o avançado passaria a envergar a camisola do Portimonense. No entanto, orientado por Manuel de Oliveira, os números do jogador, ainda que a manter-se no escalão máximo do futebol português, cairiam drasticamente. Pior surgiria, na temporada seguinte, com a transferência para o Amora treinado por José Moniz e com a ausência de registos da sua presença em qualquer das rondas do Campeonato Nacional da 1ª divisão.
A partir do termo dessa época passada na Medideira, não encontrei mais pistas sobre a sua carreira. Com Manuel Amaral a contar, por essa altura, apenas 25 anos de idade, não sei dizer-vos se terá posto um ponto final na carreira ou se terá dado continuidade à mesma. Noutro sentido, em jeito de curiosidade, encontrei na rede LinkedIn um perfil com o mesmo nome do antigo futebolista e com uma fotografia, mesmo tendo em conta os anos de diferença, a quase “jurar-me” o ex-avançado como consultor imobiliário.

1584 - PIRUTA

Com percurso formativo concluído ao serviço do FC Porto, a subida ao patamar sénior afastá-lo-ia do Estádio das Antas. Aferido como dispensável no plantel dos “Azuis e Brancos”, José Soares de Freitas, popularizado no “universo da bola” como Piruta, encontraria no União de Lamas a oportunidade para dar seguimento à carreira. A disputar a edição de 1966/67 da Zona Norte do Campeonato Nacional da 2ª divisão, o médio começaria a destacar-se pela atitude intrépida e a roçar, por vezes, a raia do permissível. Como um elemento dono de uma entrega inabalável, o jovem jogador, após um par de anos cumpridos com a camisola negro-rubra, viria a conhecer um novo emblema. A mudança entregá-lo-ia a outra descida no patamar competitivo. Por outro lado, a transferência introduzi-lo-ia a um capítulo deveras importante e o Grupo Desportivo Riopele, ao longo dos anos, tornar-se-ia na agremiação mais representativa da sua senda como futebolista.
Com a entrada no emblema sediado no concelho de Vila Nova de Famalicão a ocorrer na temporada de 1968/69, Piruta passaria a integrar um projecto com ambições de monta superior ao escalão por essa altura disputado. Concluída a segunda campanha do médio no emblema fabril, num grupo de trabalho em que a estrela maior era Mascarenhas, o jogador tornar-se-ia numa das figuras da subida da colectividade minhota ao segundo patamar. Daí até a uma nova promoção, apesar da constante proximidade a tal objectivo, ainda decorreriam alguns anos. A meta, num grupo de trabalho comandado por Ferreirinha, seria atingida com o termo da campanha de 1976/77 e o 1º posto conquistado na Zona Norte da 2ª divisão, levaria o Riopele, na campanha seguinte, à estreia entre os “grandes”.
A verdade é que para Piruta, a temporada de 1977/78, ao lado de companheiros como Padrão, Jorge Jesus, Garcês, Fonseca ou Luís Pereira, desembocaria numa grande desilusão. Como um dos elementos mais utilizados pelo treinador mencionado no parágrafo anterior, a avaliação pessoal obtida pelo médio até seria positiva. Já em termos colectivos, com o Riopele a quedar-se pelo penúltimo posto da tabela classificativa, a história seria completamente diferente. No entanto, mesmo com o revés sofrido com a despromoção, o jogador, à altura capitão de equipa, decidira manter-se fiel à colectividade e ao estender a caminhada competitiva por mais duas épocas, continuaria a defender as cores do grupo minhoto.
Com o fim da carreira de futebolista a chegar com o termo da temporada de 1979/80, Piruta, ao manter-se ligado à modalidade, abraçaria as responsabilidades inerentes à posição de treinador. Nessas funções, mormente envolvido nas contendas dos degraus secundários, teria passagem por diversos emblemas. Riopele, União de Lamas, Freamunde, Vianense e Paredes transformar-se-iam igualmente nas cores de uma caminhada que viveria o seu vértice com a passagem pelo primodivisionário plantel de 1993/94 do Famalicão.

1429 - PINTO

Tornam-se cada vez mais difíceis os desafios que proponho para este “blog” ou que acabam por ser sugeridos. Nesse fado, hoje trago à barra um jogador do qual praticamente não consegui obter qualquer informação! Ainda assim, não virei as costas ao repto e, mesmo com o risco de cometer sérios erros, vou apresentar-vos esta pequena biografia.
De Manuel Pinto da Silva, de quem dizem ter nascido em Lourosa, o primeiro registo que encontrei foi o da sua presença no plantel de 1969/70 do Lusitânia de Lourosa. Este par de dados, com a naturalidade a ser veiculada por diferentes fontes, parece estar correcto. É certo que relativamente ao clube a única coisa que consegui confirmar, foi que o primeiro emblema na caminhada do guarda-redes terá sido a agremiação acima referida. De seguida, sem descortinar de forma fidedigna a cronologia das etapas, apresentou-se-me a época de 1971/72 no grupo de trabalho do Varzim e, como as primeiras experiências naquele que viria a tornar-se num dos emblemas mais representativos da sua carreira, as passagens pelo Feirense.
Da vivência na colectividade sediada em Santa Maria da Feira, tirando as espaçadas campanhas a que fiz referência no parágrafo anterior, terá havido, hipoteticamente, um período de vários anos consecutivos em que o jogador envergou a camisola dos “Fogaceiros”. Se aceitarmos que esse intervalo de tempo terá começado em 1973/74, então, pelas várias informações encontradas, posso atestar que as temporadas de 1976/77 e 1977/78 terão sido cumpridas por Pinto no Feirense. Esses dois registos acabariam por ser deveras importantes no evoluir do trajecto competitivo do guardião, pois, se o primeiro corresponde à promoção da equipa, a segunda época aludida será a da sua estreia na 1ª divisão.
A campanha a encetar a caminhada primodivisionária do jogador, começaria sob a alçada técnica do argentino Eduardo González, mas correria na sua grande fatia com a orientação de João Mota. No entanto, num plantel a contar com alguns nomes interessantes, casos de Baltemar Brito, Babalito, José Pedro ou José Domingos, os resultados colectivos ficariam aquém das expectativas e o termo do Campeonato Nacional ditaria o Feirense como último classificado e como um dos conjuntos despromovidos. No que diz respeito às prestações individuais de Pinto, mesmo tendo em conta que dividiria as presenças em campo com Silva Morais, seriam suficientes para que terminasse a época como o guarda-redes mais utilizado pelos “Fogaceiros”.
Daí em diante, pela informação oferecida pelo “site” da Federação Portuguesa de Futebol, o percurso do atleta deixa de ser um tão grande mistério. As duas épocas imediatamente a seguir à da despromoção vivida com o Feirense, seriam cumpridas com o Sporting de Espinho e, num regresso a casa, feita com as cores do Lusitânia de Lourosa. Com esses dois anos passados de volta às contendas dos patamares secundários, os dois que os sucederiam, à baliza do União de Lamas, também viriam a ser atravessados no mesmo contexto competitivo. Seria nova transferência, nesse caso para o Salgueiros, que viria a permitir ao guarda-redes registar novos convívios com os “grandes”. Com a mudança para Paranhos a acontecer em 1982/83, essa e a temporada seguinte, com Henrique Calisto a apadrinhar o regresso de Pinto ao patamar máximo e ao lado de Fidalgo, Carvalho, Soares, Penteado, Jorginho e tantos outros futebolistas de excelsa tradição no desporto luso, viriam a ser realizadas como as últimas do jogador na 1ª divisão.
Seguir-se-iam, numa caminhada a entrar na veterania, o União de Lamas, o Candal e numa carreira sénior a supostamente a terminar na temporada de 1988/89, o Anadia. Bem, tenho de ser franco e dizer que não consigo garantir que a campanha mencionada tenha, de facto, correspondido ao fim do seu trajecto como profissional. Existem outros registos, nomeadamente ao serviço do Fiães, do São Roque e, mais uma vez, na defesa do União de Lamas. Porém, a informação encontrada em algumas fontes, diz-nos que estas experiências terão sido vividas nas disputas das provas de veteranos.

1363 - TININHO

Tendo feito a temporada de 1971/72 entre os juniores e as “reservas”, António Egídio Fernandes, conhecido no mundo do futebol como Tininho, passaria a campanha seguinte já na equipa principal do Marítimo. Com o conjunto insular apenas na disputa das provas regionais, a época de 1972/73 tornar-se-ia num marco para o clube sediado na cidade do Funchal. Autorizados a discutir as competições de cariz nacional, os “verde-rubros” participariam na Liguilha de acesso à 2ª divisão e, depois de alguns “faits-divers” burocráticos, lá conseguiriam o tão almejado lugar.
Naquele que viria a ser o jogo de estreia do Marítimo no escalão secundário do Campeonato Nacional, Tininho seria escolhido pelo técnico Alberto Sachse para, frente à União de Leiria, incorporar o “onze” funchalense. Daí em diante, como um praticante de índole ofensiva que, no terreno de jogo, podia colocar-se tanto a extremo como a interior, o jogador passaria a assumir-se como um elemento preponderante nas manobras tácticas do conjunto madeirense. Nesse sentido, já com o fim da temporada de 1976/77 à vista, o atleta também seria escolhido para aquela que viria a tornar-se na partida a selar a primeira subida do clube ao escalão principal do futebol português. Frente ao Olhanense, numa ronda disputada no Estádio dos Barreiros, o treinador Pedro Gomes haveria de chamá-lo o ao “onze” inicial e, com o encontro a terminar num 4-0 favorável aos da casa, Tininho daria o seu contributo para a concretização da subida dos “Leões do Almirante Reis” – “Sempre que me lembro desse momento vem-me sempre à cabeça a enchente do Estádio dos Barreiros, quase 30 mil pessoas. Havia gente por todos os lados de pé a apoiar o Marítimo. Só de me lembrar começo a ficar todo arrepiado”*.
Com o início da caminhada de Tininho na 1ª divisão a acontecer na temporada de 1977/78, a mencionada campanha, em termos individuais e também colectivos, corresponderiam às projectadas expectativas. Curiosamente, mesmo ao manter-se como um dos titulares e de ver a sua equipa conseguir a manutenção, o jogador decidir-se-ia pela mudança de emblema e, num regresso ao patamar secundário, assinaria por um emblema do continente. No Rio Ave a partir de 1978/79, a época de estreia pelos vilacondenses daria ao currículo do atacante nova promoção. Porém, ao contrário do ano vivido com o Marítimo no convívio com os “grandes”, o atleta já não conseguiria alcançar números tão faustosos. Talvez por essa razão, a sua preferência para o passo seguinte acabaria por levá-lo de volta à ilha da Madeira, opção que haveria de pôr um fim ao seu trajecto primodivisionário.
Daí em diante, Tininho passaria a alterar períodos a representar emblemas madeirenses, com novas passagens por colectividades do continente. Nacional da Madeira, União de Leiria, União da Madeira, Torreense e Câmara de Lobos preencheriam o resto da sua carreira. Numa senda um pouco errante, mas que ainda prolongaria o seu trajecto no futebol por quase uma década, o jogador decidiria “pendurar as chuteiras” com o termo da campanha de 1988/89.

*retirado do artigo escrito por João Sá, publicado a 15/05/2021 em www.csmaritimo.org.pt

1309 - SOTA

Sobrinho de José da Luz, filho de António da Luz, irmão mais velho de José Júlio da Luz, todos conhecidos por Sota e todos com uma forte ligação ao Portimonense, a Manuel da Luz pouco mais restaria do que seguir a carreira de futebolista no referido emblema do Barlavento e adoptar para a sua caminhada desportiva a alcunha Sota!
Como já foi dado a entender, seria nas “escolas” do Portimonense que Manuel Sota terminaria a formação para, na temporada de 1967/68, subir à equipa principal. A estreia no patamar sénior, pela mão do treinador e antigo guarda-redes Orlando Ramín, daria conta do emblema algarvio a competir na 2ª divisão do Campeonato Nacional. Durante os anos seguintes, apesar das classificações mostrarem a equipa, no final da grande maioria das campanhas, a posicionar-se na metade superior da tabela classificativa da Zona Sul, a verdade é que nada iria alterar-se em relação ao escalão disputado pelo futebolista.
Curiosamente, seria na época correspondente à sua passagem pelo Esperança de Lagos que o Portimonense conseguiria a tão almejada subida. Mesmo não tendo participado na campanha que resultaria na aludida promoção, Sota, logo no ano seguinte, acabaria por voltar à equipa do listado alvinegro. O regresso permitir-lhe-ia, na temporada de 1976/77, fazer parte do grupo de trabalho que, pela primeira vez na história da colectividade algarvia, competiria ao lado dos maiores emblemas nacionais. A partilhar o balneário com figuras míticas, como os internacionais Matine e Adolfo, o jogador viria a assumir um papel de enorme relevância no decorrer desse ano desportivo. Ao posicionar-se tanto nas laterais da defesa ou no meio-campo, o atleta conseguiria ser um dos elementos mais utilizado, primeiro pelo treinador Mário Nunes e, a partir da 16ª jornada, por José Augusto.
Assegurada a manutenção no escalão máximo do futebol luso, Sota seguiria para a época subsequente mantendo-se como um dos titulares da equipa. Aliás, para ser correcto, o atleta participaria em todas as rondas do Campeonato Nacional de 1977/78. No entanto, o seu contributo seria insuficiente para segurar o Portimonense na 1ª divisão. Como capitão do colectivo sediado no Barlavento algarvio, acompanharia os seus colegas na descida, dando continuidade a um elo que, com o já referido interregno, redundaria numa caminhada de 12 anos como sénior. Porém, a sua ligação ao clube viria a terminar com o final da campanha de 1979/80. Seguir-se-ia, na única experiência do jogador pelo norte do país, a Sanjoanense. Já de regresso aos emblemas do sul, destaque para as passagens pelo Torralta e pelo Alvorense, onde chegaria a conciliar as funções de praticante com as tarefas de treinador.

1145 - EDUARDINHO

Depois de envergar a camisola de algumas colectividades de âmbito local, seria no Marítimo que Eduardinho continuaria o trajecto formativo e daria os primeiros passos no futebol sénior. Estrear-se-ia na equipa principal dos “Verde-Rubro” na temporada de 1969/70. Tal como nos anos passados nos juvenis e juniores, o médio mostraria qualidades que levariam os responsáveis do conjunto funchalense e aferi-lo como um elemento deveras precioso. Esse valor faria com que o Sporting de Braga, durante esses capítulos iniciais da carreira do jovem futebolista, o convidasse para treinar “à experiência”. Os testes correriam de feição, mas no momento de rubricar o contrato com os minhotos, as saudades pela ilha da Madeira tomariam uma imensidão enorme e, com o regresso a casa em mente, recusaria a proposta dos bracarenses.
Voltaria ao Funchal e ao Marítimo, mas não muito tempo depois surgiria nova separação. Forçado a apresentar-se para cumprir o Serviço Militar Obrigatório, Eduardinho ver-se-ia na obrigação de partir para o território continental. Interrompida a carreira de futebolista em 1972, depois da passagem pelas Caldas da Rainha, seria colocado em Vendas Novas. Já no Alentejo, receberia um convite dos responsáveis pela colectividade local, o Estrela Futebol Clube. Aceitaria o desafio e, desse modo, aproveitaria para dar continuidade à prática da modalidade. O mesmo aconteceria após a sua incorporação nos contingentes destinados à Guiné. Em África passaria a vestir as cores da União Desportiva Internacional de Bissau e jogaria ao lado do antigo craque portista, o atacante Lemos.
Para a temporada de 1973/74 dar-se-ia o retorno à Madeira e ao Marítimo. Como um praticante de recorte técnico elevado e bom na condução do jogo ofensivo, seria no apoio ao sector atacante que o médio-ofensivo conseguiria destacar-se. Rapidamente conquistaria um lugar de relevo na equipa insular. Titular ao longo dos anos, o exemplo em que se transformaria, levá-lo-ia a envergar a braçadeira de “capitão”. Já como líder do balneário, a campanha de 1976/77 empurraria o atleta, e os companheiros, para um dos momentos mais importantes da sua carreira. Depois de na época mencionada conseguir ajudar à vitória no Campeonato Nacional da 2ª divisão, a subida de escalão levaria Eduardinho e os “Verde-Rubro” à estreia no patamar máximo nacional.
Seguir-se-iam outras 6 temporadas e sempre com o listado maritimista. Cumpridas, num cômputo, 13 campanhas no emblema madeirense, o término da época de 1982/83 representaria também o final do seu trajecto enquanto futebolista. Mesmo “penduradas as chuteiras”, Eduardinho manter-se-ia ligado à modalidade. Como treinador, mormente em funções de adjunto, começaria a caminhada no Marítimo. Passaria depois pelo Nacional, onde viria a trabalhar com José Peseiro. Aliás, seria como “braço direito” do referido técnico que o antigo atleta viveria muitas das experiências na condução de equipas. Sporting, Panathinaikos, Rapid Bucareste, a selecção da Arábia Saudita, Sporting de Braga e vários emblemas no Médio Oriente acabariam por preencher o seu currículo.

1115 - BRASFEMES

Vítor Manuel dos Santos Fernandes ganharia o apelido à custa da sua terra natal. Seria também no Real Brasfemes que o defesa-direito, terminada a formação, daria os primeiros passos no futebol sénior. Já como internacional sub-18, o ingresso na primeira equipa da Académica de Coimbra afigurar-se-ia como um grande salto. Depois da temporada passada no emblema dos arredores da cidade conimbricense, a campanha de 1966/67 marcaria, não só a sua estreia com as cores da “Briosa”, mas o prelúdio de uma carreira que conseguiria caracterizar-se por um trajecto marcadamente primodivisionário.
Porém, essa primeira época com a Académica não traria, em termos individuais, os resultados esperados. Apesar de, colectivamente, o clube ter conseguido o 2º lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional e de ter atingido a final da Taça de Portugal, Brasfemes poucas oportunidades conseguiria conquistar. Tapado por atletas mais experientes, casos de Curado ou Celestino, a solução para alimentar a sua evolução encontrar-se-ia com a saída do lateral. A partida não levaria o atleta para muito longe e, no União de Coimbra, encontraria a nova morada.
As temporadas entre a 3ª e a 2ª divisão serviriam para relançar a carreira de Brasfemes. O traquejo ganho nos 4 anos passados nos patamares secundários, levá-lo-ia de volta à Académica e ao escalão máximo do futebol português. Ainda sem conseguir afirmar-se como titular indiscutível, a reentrada no plantel dos “Estudantes” caracterizar-se-ia pela sua integração sustentada. Nem a despromoção sofrida no final dessa campanha de 1971/72 desvirtuaria o regresso do defesa. Com a subida assegurada logo de seguida, a época de 1973/74 desenrolar-se-ia com a confirmação do jogador como um dos pilares da estratégia montada pelo técnico Fernando Vaz e, mais tarde, por José Crispim.
Mesmo com a entrada e saída de treinadores, o lateral-direito conseguiria conservar a titularidade. Durante vários anos manteria o estatuto, transformando-se num dos símbolos do emblema beirão. Com um trajecto colorido por 8 temporadas a disputar a 1ª divisão, os últimos anos dessa caminhada fá-lo-iam entregar-se às pelejas dos patamares inferiores. Marialvas, Ala-Riba, Académica (secção de futebol) e o regresso ao Real Brasfemes completariam uma carreira cheia de bons momentos.
Também no papel de técnico, Brasfemes escreveria a sua história e Santacombadense e Mirandense dariam ao antigo futebolista a oportunidade de experimentar as tarefas de treinador-principal.

1091 - FRAGUITO

Por razão da mudança dos pais para o Brasil, a sua paixão pelo futebol seria alimentada com o ingresso nas “escolas” do Fluminense. Regressaria a Portugal já na plenitude da adolescência, mas logo arranjaria abrigo para as habilidades com a bola. No Vila Real, ainda em idade de formação, começaria a jogar pelos seniores. À custa de tanto surpreender os adeptos, alguém faria chegar uma carta à Federação Portuguesa de Futebol a relatar as suas capacidades. Depois de ser chamado para alguns testes, Fraguito agradaria e ainda como atleta do emblema transmontano, começaria a representar os juniores nacionais.
Com tamanha evolução, o Boavista apostaria na contratação do jovem praticante. Com a mudança para o Bessa a acontecer na temporada de 1970/71, a sua capacidade futebolística faria com que não estranhasse o salto competitivo. Utilizado com bastante regularidade por Fernando Caiado e pelos treinadores seguintes, seriam necessárias apenas 2 campanhas com a camisola axadrezada para que conseguisse subir um novo degrau. Com a viagem para Lisboa, o Sporting serviria para sublinhá-lo como um elemento dono de uma mestria ímpar. Com uma excelente visão de jogo e uma técnica estonteante, Fraguito instalar-se-ia em Alvalade para, de forma quase automática, ser proclamado como um grande condutor de jogo. Ao conquistar um lugar de destaque no miolo do sector intermediário, o atleta passaria a ser um dos pilares da equipa e o responsável por alavancar uma série de conquistas.
A vitória em 2 Campeonatos Nacionais e 2 Taças de Portugal tornar-se-iam no grande destaque da sua passagem pelo Sporting Clube de Portugal. Também como elemento do grupo “leonino”, Fraguito conseguiria chegar à principal selecção lusa. Com a estreia a acontecer em Novembro de 1973, essa partida disputada frente à Irlanda do Norte, daria início a uma caminhada que terminaria apenas com 6 internacionalizações*. Poucos jogos para um tão talentoso jogador, dirão alguns! A verdade é que as várias lesões e operações a que teve de sujeitar-se ao longo da carreira, acabariam por afectar muitos aspectos da mesma. Não só ao serviço dos “Leões”, numa afirmação pouco cabal, sairia prejudicado pelas mazelas. Como já deixei adivinhar, por razão da frequência e gravidade dos episódios médicos, foram muitas as chamadas à “equipa das quinas” que acabariam subtraídas ao seu percurso.
Seria muito por culpa da rápida deterioração física que Fraguito, ainda sem completar 30 anos de idade, deixaria o Sporting. Ao fim de 9 temporadas, o médio decidiria ser a altura certa para abandonar os palcos maiores do nosso futebol e, nos escalões secundários e distritais, continuar a alimentar a paixão pela modalidade. Seria nesse contexto que também daria os primeiros passos como treinador. Ao mesmo tempo que desempenha as suas tarefas como funcionário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, o antigo médio tem mantido a ligação ao futebol em emblemas de cariz “regional”, mormente associado à formação de novos jogadores.

*incluída a partida que Portugal disputou frente a uma selecção de Goiás, a 09/03/1975

1086 - MATINE

Descoberto, pelo Benfica, no Central de Lourenço Marques, Augusto Matine chegaria a Lisboa corria o ano de 1967. Já integrado na equipa da “Luz”, o médio, exceptuando algumas aparições pelo grupo principal, começaria por jogar nas “reservas”. Com a promoção ao conjunto “A” a acontecer, de forma definitiva, na temporada de 1969/70, a vitória na Taça de Portugal desse ano, acrescentaria ao seu currículo o grande primeiro troféu.
A sua relação com as “Águias” teria a vantagem dos títulos vencidos. Ainda assim, apesar de ter ganho mais 2 Campeonatos Nacionais ao serviço dos “Encarnados”, seria com as cores de outro clube que o jogador mais conseguiria destacar-se. Essa visibilidade, usufruída nos anos passados ao serviço do Vitória Futebol Clube, coincidiria com um dos melhores períodos da história dos “Sadinos”. Como um dos indiscutíveis do conjunto setubalense, os lugares cimeiros alcançados na principal prova lusa e as subsequentes participações nas provas organizadas pela UEFA, tornar-se-iam numa montra de enorme importância para o seu percurso profissional.
Outro escaparate, ainda que de uma relevância diferente para a sua caminhada desportiva, seria a equipa nacional portuguesa. Com a estreia a acontecer ainda no tempo em que Matine vogava por Lisboa, dois terços das suas 9 internacionalizações surgiriam enquanto atleta do Vitória. Com a “camisola das quinas”, sem que tenha participado num dos grandes torneios organizados para selecções, o médio acabaria por fazer parte de um grupo que ficaria famoso. Ao participar em 4 jogos da Taça da Independência de 1972 (Mini-Copa), Matine ajudaria Portugal a ultrapassar as poderosas equipas da Argentina ou da União Soviética. Acabaria por não participar na final e, no Maracanã, veria os seus colegas perder frente ao conjunto da casa.
Com a primeira metade da carreira a caracterizar-se pela alternância entre o Benfica e o Vitória Futebol Clube, já a última parte emergiria mais discreta e, na quase totalidade, longe dos palcos maiores do futebol luso. Com uma derradeira passagem pela 1ª divisão a acontecer na temporada de 1976/77, ao serviço do Portimonense, Matine ainda disputaria outra meia dúzia de épocas. Lusitano de Évora, Desportivo das Aves, Estrela da Amadora e Torralta tornar-se-iam, dessa maneira, nos emblemas da referida etapa final.
Alguns anos após deixar os relvados, Matine passaria a dedicar-se às tarefas de treinador. Ao dar os primeiros passos no Estrela da Amadora, a parte maior do seu trajecto enquanto técnico cumpri-lo-ia em Moçambique. De regresso à terra natal, o antigo internacional orientaria a selecção moçambicana e emblemas como o Ferroviário e o Desportivo de Maputo.