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1720 - ARTUR FONTE

Produto da formação do Sporting, seria ainda como membro das “escolas” leoninas que Artur Alberto Ferreira Fonte seria inicialmente chamado às contendas agendadas para as jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. No mencionado contexto competitivo, o lateral-esquerdo acabaria incluído no grupo que, a 22 de Março de 1977, entraria no Estádio Alfredo da Silva, para defrontar a Finlândia. Depois dessa partida, dos actualmente denominados por sub-18, durante a qual seria orientado por Peres Bandeira, ao jogador seriam ainda dadas muitas mais oportunidades para envergar a “camisola das quinas”. Por entre alguns jogos de preparação e a edição de 1977 do Torneio de Cannes, o defesa seria chamado às fases finais do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1978 e ao Mundial sub-20 de 1979. Tais convocatórias, também levariam o atleta, apesar de nunca ter entrado em campo, ao conjunto “olímpico” e entregar-lhe-iam, ao currículo, um total de 20 pelejas disputadas com as cores lusas.
No que concerne ao percurso clubístico, Artur Fonte, após deixar Alvalade, teria no plantel de 1978/79 do Vila Real os primeiros passos da caminhada sénior. Recebido em Trás-os-Montes pelo treinador Mário Nunes, os dois anos passados na disputa da 3ª divisão levá-lo-iam a ganhar traquejo suficiente para merecer a confiança dos responsáveis pelo Penafiel. Na colectividade duriense, muito para além da estreia no escalão maior, a temporada de 1980/81 revelaria o defesa-lateral como um dos titulares da equipa inicialmente orientada por Luís Miguel e de seguida por António Oliveira. Com a sua presença no “onze” a espraiar-se para a época seguinte, o jogador começaria a sublinhar-se como um intérprete de cariz primodivisionário. Porém, a descida de divisão da agremiação por si representada, levá-lo-ia a uma mudança de rumo. Já o ano cumprido com as cores do Vitória Futebol Clube, mesmo com a permanência entre os “grandes”, transformar-se-ia, no plano individual, num pequeno retrocesso evolucional e finda a campanha de 1982/83, passada na cidade de Setúbal, o atleta regressaria ao Norte do país.
A temporada de 1983/84, que representaria a sua segunda passagem pelo Penafiel, serviria de interlúdio para a chegada de Artur Fonte ao Belenenses. No Restelo, onde cumpriria 4 épocas consecutivas, o jogador teria no inglês Jimmy Melia o primeiro timoneiro. Sempre no escalão principal, a segunda campanha a representar os “Azuis” encaminharia o defesa até à final da Taça de Portugal. Chamado, por Henri Depireux, ao “onze”, o decisivo encontro da “Prova Rainha” não correria de feição para o lado do lateral canhoto e haveria de ser o Benfica a deixar o Jamor na posse do almejado troféu.
Já a campanha de 1987/88 traria outro momento de inolvidável importância para a carreira do jogador. Com a participação na Taça UEFA a dar-lhe a estreia nas competições de índole continental, o novo cenário competitivo faria com que fosse o FC Barcelona a calhar em sorte ao conjunto português. Arrolado por Marinho Peres ao embate ibérico, o defesa-lateral participaria em ambas as partidas frente aos “Blaugrana” e o atleta, apesar do afastamento dos homens da “Cruz de Cristo”, teria a honra de ver o seu nome associado à vitória do clube luso na 2ª mão da referida ronda.
Mesmo como um dos homens mais utilizados pelos diferentes técnicos do Belenenses, a temporada de 1988/89 apresentá-lo-ia como reforço do Penafiel. O regresso ao conjunto sediado no Estádio 25 de Abril encetaria um novo período de 4 campanhas sucessivas sempre na disputa do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Tal período, muito mais do que transformar os “Durienses” no colectivo mais representativo da sua carreira enquanto praticante, permitiria inscrever no seu trajecto profissional um invejável somatório de 12 campanhas consecutivas a disputar àquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico português. Findo esse capítulo, o lateral-esquerdo ainda teria força para dar seguimento à sua caminhada competitiva e só depois de dividir a época de 1992/93 entre o Valpaços e o Atlético da Malveira é que tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Em jeito de conclusão, como curiosidade, relembro-vos que Artur Fonte é pai do campeão europeu José Fonte e do internacional português Rui Fonte.

1650 - ISIDRO BEATO

Seria ainda como elemento das “escolas” do Belenenses que Isidro Miguel Palmela da Silva Beato viria a juntar-se aos trabalhos das equipas de formação a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Com os actualmente denominados sub-18, o jovem praticante, chamado por José Maria Pedroto, encetaria a caminhada internacional numa partida a contar para a Fase de Apuramento do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Tal desafio, disputado a 27 de Março de 1974, frente à Suíça, daria início a um trajecto que, ainda nesse ano, levaria o jogador à Fase Final do referido certame. Na Suécia, num grupo a contar com as presenças de Eurico, de Gomes ou de Lito, o centrocampista conseguiria assumir-se como um dos titulares do conjunto luso. Apesar dos resultados colectivos bem aquém do esperado, a competição organizada na Escandinávia, serviria para que o atleta continuasse a merecer a confiança dos responsáveis federativos e, daí para a frente, entre o já mencionado escalão e os “olímpicos”, o médio somaria um total de 12 partidas com as cores de Portugal.
No que diz respeito à sua carreira futebolística, impulsionado pelos jogos feitos com a “camisola das quinas”, Isidro Beato, na temporada de 1974/75, passaria a incorporar o plantel sénior dos “Azuis”. A trabalhar com Peres Bandeira, o médio rapidamente assumiria um papel de relevo no sector intermediário do Belenenses. Como um dos habituais titulares, o médio daria um enorme contributo para que a agremiação lisboeta fosse declarada como um das vencedoras da edição de 1975/76 da Taça Intertoto. Nisso de competições de índole continental é impossível olvidar a eliminatória da Taça UEFA disputada, em 1976/77, frente ao FC Barcelona. Como um dos elementos chamados ao “onze” por Carlos Silva, o jogador participaria, no Estádio do Restelo, no empate a 2 bolas. Já em Camp Nou ajudaria à espantosa exibição do agremiado luso, o qual, só bem perto do final do jogo, sofreria o golo a ditar a passagem dos “Culés”.
Também no plano interno, Isidro Beato contribuiria para os bons resultados que, amiúde, o Belenenses viria a registar. Porém, nas duas derradeiras temporadas no Restelo, a verdade é que a sua preponderância, nos esquemas tácticos idealizados para equipa, diminuiria substancialmente. Talvez à procura de um desafio capaz de relançar a sua carreira, o centrocampista aceitaria o repto lançado pelo Farense e acabaria por abraçar os desafios do 2º escalão. No Algarve, onde voltaria a trabalhar com António Medeiros, o atleta cumpriria apenas uma temporada. Finda essa campanha no sul do país, o jogador regressaria à Grande Lisboa, onde passaria a envergar as cores do Estoril Praia. A entrada no Estádio António Coimbra da Mota em 1982/83 devolvê-lo-ia aos principais palcos do futebol luso. Infelizmente para si, os “Canarinhos”, no final da sua segunda época no clube, claudicaria na luta pela manutenção. A partir daí, a sua caminhada ficaria definitivamente arredada dos cenários primodivisionários e mantendo-se fiel à agremiação da Linha de Cascais, o termo da sua carreira surgiria com o encerrar das provas agendadas para 1986/87.
Apesar de “penduradas as chuteiras”, Isidro Beato manter-se-ia ligado ao futebol. Numa carreira cumprida, na sua totalidade, nas pelejas dos degraus secundários, o antigo médio teria experiências, como treinador-principal, à frente de emblemas como o “O Elvas”, o Fanhões ou o Estoril Praia. No entanto, a sua carreira ficaria estreitamente ligada ao desporto açoriano e para além do Praiense, Marítimo da Graciosa, e Boavista de São Mateus, seria no União Micaelense que encontraria a colectividade mais representativa da sua caminhada enquanto técnico.

1526 - CARVALHO

Terminada a formação no FC Porto, seria ainda como membro das “escolas” do emblema da “Cidade Invicta” que Fernando Carvalho acabaria chamado aos trabalhos das jovens equipas a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos juniores lusos, o jogador, a 27 de Maio de 1974, pela mão de José Maria Pedroto e ao lado de nomes como Eurico, Lito ou Gomes, ver-se-ia integrado numa peleja frente à Suíça. Já com 1 internacionalização no currículo, chegaria então a altura de subir aos seniores dos “Azuis e Brancos”. Porém, num conjunto a contar para o sector intermediário com nomes como Rodolfo Reis ou Octávio Machado, o atleta poucas oportunidades haveria de conquistar. Ainda assim, depois de um ano passado nas “reservas”, o médio estrear-se-ia na equipa principal e entraria em campo, num jogo a contar para a Taça UEFA de 1975/76, frente aos luxemburgueses do Avenir Beggen.
Com a patente falta de espaço nas Antas, sem abandonar a 1ª divisão, seguir-se-ia no seu percurso desportivo o Beira-Mar, onde, em 1976/77, partilharia o balneário com Eusébio. Já no plantel de 1977/78 do Sporting de Espinho, o médio, que também podia ocupar posições mais recuadas no terreno de jogo, acabaria por destacar-se no colectivo comandado por Mário Morais. Nesse sentido, mesmo sem ser um dos habituais titulares, os números alcançados ao serviço dos “Tigres da Costa Verde” valer-lhe-iam o regresso ao FC Porto. No entanto, tal como anteriormente, Carvalho teria muitas dificuldades para impor o seu jogo, dessa feita, pensado pelo treinador José Maria Pedroto. Ainda assim, a presença numa das jornadas do Campeonato Nacional atribuir-lhe-ia o primeiro título ao palmarés pessoal e o atleta sairia da segunda passagem pelos “Dragões” com a vitória naquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico luso.
A entrada no Varzim de 1979/80 permitiria ao atleta continuar o seu percurso nas contendas do escalão máximo. Todavia, seria o regresso ao Sporting de Espinho a elevá-lo à condição de atleta de cariz indubitavelmente primodivisionário. De volta ao emblema do distrito de Aveiro a partir de 1980/81, o médio afirmar-se-ia como um dos elementos mais importantes do conjunto. Titular ao lado de históricos como Raul, Vitorino ou João Carlos, Carvalho tornar-se-ia numa das figuras de proa das épocas seguintes e o seu trabalho contribuiria, e de que maneira, para a manutenção dos “Tigres da Costa Verde” no patamar maior do futebol luso.
Ao fim de mais 5 campanhas a envergar o listado preto e branco do Sporting de Espinho, em que a última temporada já seria passada em contexto secundário, Carvalho terminaria a sua ligação ao clube. Ao entrar na fase final da carreira enquanto futebolista, o caminho do jogador erguer-se-ia mais errante. Nas 5 épocas a preencher esses 5 derradeiros anos, seriam 5 as colectividades que ainda representaria e, nessa evolução, o União da Madeira, o Freamunde, o União de Lamas, os Dragões Sandinenses e o Pedrouços antecederiam, com o termo das provas agendadas para 1989/90, o “pendurar das chuteiras”.

1519 - RAMALHO

Ainda como elemento das camadas jovens do Benfica, João Fernando Mendes Ramalho seria chamado aos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com a estreia a acontecer, pela mão de José Augusto, a 11 de Novembro de 1971, essa partida frente à Suíça, a contar para o calendário competitivo dos juniores, serviria para encetar um trajecto que levaria o atleta, entre os agora denominados sub-18 e sub-21, a somar ao currículo um total de 6 internacionalizações com a “camisola das quinas”.
Apesar de revelar qualidades promissoras, a verdade é que defesa-direito, por altura da sua subida ao patamar sénior, veria os seus caminhos barrados por atletas bem mais experientes. Tapado por Artur Correia ou Malta da Silva, o jogador decidiria deixar a Luz para, mais a norte, tentar a felicidade. Nesse sentido, ao entrar no plantel do Beira-Mar como reforço para a temporada de 1972/73, Ramalho logo conseguiria afirmar-se como um dos pilares do grupo de trabalho inicialmente às ordens de Orlando Ramín. Ao caracterizar-se como um praticante aguerrido e muito cumpridor relativamente aos aspectos tácticos do jogo, nem a baixa estatura viria a impedir a sua afirmação. Daí em diante transformar-se-ia num pilar do conjunto aveirense e, numa carreira deveras positiva, constituir-se-ia como um dos titulares dos emblemas a darem seguimento à sua caminhada desportiva.
Seguir-se-ia o Vitória Sport Clube. Com a entrada na agremiação sediada em Guimarães a acontecer em 1974/75, Ramalho depressa conquistaria um lugar no “onze” ordenado por Mário Wilson. Como um dos indiscutíveis da equipa, o lateral-direito manteria esse estatuto na época seguinte. Já sob a alçada de Fernando Caiado, o atleta tornar-se-ia numa das peças fundamentais da caminhada dos minhotos até à final da Taça de Portugal de 1975/76. Para infelicidade do jogador, depois de ter participado em várias eliminatórias da prova, inclusive na ronda que ditaria o afastamento do Sporting, o defesa não marcaria presença no derradeiro encontro da competição, a qual acabaria por ser vencida pelo Boavista.
Tirando as características competitivas, Ramalho também ficaria conhecido pela sua personalidade forte e íntegra. Tais predicados levá-lo-iam a envergar a braçadeira de capitão. Porém, seriam mesmo os aspectos desportivos a entregá-lo à galeria de notáveis do Vitória Sport Clube. Para tal, em muito contribuiriam as 9 temporadas passadas no emblema da “Cidade Berço” e, acima de tudo, as 222 partidas disputadas no Campeonato Nacional, número que ainda hoje faz dele um dos nomes com mais presenças, pelos vimaranenses, naquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico português.
A longa ligação à colectividade minhota conheceria o fim com o termo da temporada de 1982/83 e depois de contribuir, com o 4º lugar conseguido no Campeonato Nacional, para o apuramento para a Taça UEFA. De regresso ao distrito de Aveiro, Ramalho, já a aproximar-se dos derradeiros capítulos da caminhada enquanto praticante, ingressaria no Sporting de Espinho. Nos “Tigres da Costa Verde”, o defesa-direito cumpriria a sua 12ª campanha no patamar maior do futebol luso. Daí em diante, com uma época em cada agremiação, o lateral ainda envergaria as camisolas do Felgueiras e do Varzim. Na Póvoa, com a época de 1985/86 a assinalar a conclusão da sua caminhada desportiva, o jogador ainda ajudaria ao regresso dos “Lobos-do-mar” ao escalão máximo.

1447 - MANOEL

Nascido no seio de uma família onde o irmão, Darci Maravilha, também escolheria o futebol como a modalidade de eleição, Manoel da Silva Costa encetaria o seu trajecto, em 1968, no Atlético Lansul Futebol Clube, equipa desportiva ligada à empresa de lanifícios para onde, ainda adolescente, iria trabalhar.
Cotado como um praticante com índices físicos muito acima da média, nomeadamente a força e a velocidade, o ponta-de-lança também conseguiria destacar-se pela inteligência com que aparecia em zonas de finalização. Tais predicados levá-lo-iam a uma das mais importantes colectividades sediadas no Estado do Rio Grande do Sul e, a partir de 1971, o avançado passaria a envergar a camisola do Internacional. No emblema de Porto Alegre, os seus desempenhos fariam com que os responsáveis técnicos da Confederação Brasileira de Futebol começassem a olhar para si como um bom elemento para os jovens conjuntos da “Canarinha”. Pelo seu país, ao lado de nomes como Falcão, Roberto Dinamite, Dirceu ou Abel Braga, Manoel seria chamado por Antoninho a participar nos Jogos Olímpicos de 1972 e, com o certame disputado em Munique, o avançado acabaria por somar 14 internacionalizações na referida categoria.
Apesar das convocatórias para a selecção brasileira, Manoel nunca conseguiria, de forma categórica, afirmar-se como um dos titulares do Internacional de Porto Alegre. Por essa razão, em 1974, seria emprestado ao América. Já ao serviço da agremiação do Rio de Janeiro, o traquejo ganho despertaria a atenção de outros emblemas. Com o Sporting à procura de um atleta capaz de colmatar a saída de Yazalde, Manoel surgiria como uma boa solução e com as negociações concluídas, o possante avançado-centro viajaria até ao outro lado do Oceano Atlântico para rubricar um contrato com os “Leões”.
Com a entrada em Alvalade a acontecer na metade final da temporada de 1975/76, a estreia de avançado nas provas portuguesas dar-se-ia pela mão de Juca. No entanto, seria na segunda campanha de “verde e branco”, dessa feita já sob as instruções do inglês Jimmy Hagan, que Manoel surgiria como um elemento preponderante no “onze” leonino. Porém, apesar de ser um jogador com uma boa utilização, a verdade é que o ponta-de-lança seria aferido como um atleta algo irregular. Ao formar grandes trios ofensivos com Manuel Fernandes, Keita e, mais tarde, com Jordão, os números apresentados de “leão” ao peito de longe seriam motivo para qualquer vergonha. Com 156 jogos oficiais disputados e 58 golos concretizados ao serviço do Sporting, o atacante deixaria a sua marca na passagem pelo emblema “alfacinha” e as vitórias na Taça de Portugal de 1977/78 e no Campeonato Nacional de 1979/80 seriam razões mais do que suficientes para que ficasse na memória dos adeptos leoninos, como um bom futebolista.
De forma algo surpreendente, Manoel acabaria dispensado pelo Sporting. Aparentemente sem espaço no grupo de trabalho dos “Leões”, a carreira do ponta-de-lança prosseguiria, nas edições de 1981/82 e 1982/83 da 1ª divisão, respectivamente com as cores do Portimonense e do Sporting de Braga. Porém, as épocas passadas no Algarve e no Minho mostrariam um atleta distante dos índices exibicionais revelados em Alvalade. Talvez por essa razão, numa caminhada que continuaria a fazer-se em emblemas lusos, o avançado acabaria por apostar em colectividades a militar nos escalões secundários. Depois do Académico de Viseu, surgiria, no seu trajecto, o Amora. Por fim, numa senda que conheceria o fim com o termo da campanha de 1990/91, tempo ainda para o atleta representar o Almancilense, o Loures e o Odivelas.

1397 - BRAVO

Ainda como elemento pertencente às “escolas” do Benfica, João Bravo viria a ser convocado para os trabalhos das jovens selecções portuguesas. No escalão hoje conhecido como sub-18, o atacante seria incluído num grupo de trabalho onde marcariam também presença nomes que acabariam por ficar bem conhecidos no futebol luso, casos de Formosinho, Cavungi ou Chalana. Nesse “particular” frente a França, disputado no barreirense Estádio D. Manuel de Mello, o atleta entraria em campo já no decorrer da partida e, com disputa calendarizada para 1 de Janeiro de 1975, o jogador conseguiria embelezar o seu currículo com 1 internacionalização.
Com o fim do percurso formativo, Bravo seria chamado aos seniores do Benfica. No entanto, a forte concorrência de elementos com mais traquejo no plantel sob o comando de Mário Wilson, faria com o jogador passasse a temporada de 1975/76 com as “reservas” “encarnadas”. Sem conseguir somar qualquer minuto pela equipa principal, o avançado terminaria a sua ligação às “Águias” e arrepiaria caminho com outros emblemas ao peito. No ano seguinte à saída da Luz, o jovem atleta, a vogar pela 2ª divisão, passaria a envergar a camisola do Torres Novas. Na campanha subsequente, já ao serviço do União de Tomar, o maior destaque, sem menosprezar outros acontecimentos, haveria de ir para o balneário partilhado com António Simões e com Eusébio. Falta ainda fazer referência, nesses primeiros anos, à época vivida com cores do Benfica de Castelo Branco, a qual permitiria ao atleta dar um salto qualitativo na sua caminhada profissional.
Com a sua evolução a justificar outros patamares competitivos, seria o Boavista a apostar na sua contratação. No Bessa a partir da temporada de 1980/81, Bravo conseguiria, no comando de diferentes técnicos, assumir-se como um dos principais esteios da equipa. Logo na primeira campanha com as “Panteras”, para além da estreia naquele que é o patamar maior do futebol português, também as competições continentais surgiriam na sua caminhada, com o atleta a participar nas eliminatórias da Taça UEFA frente ao Vasas e ao Sochaux, como uma verdadeira novidade. Já na quarta campanha cumprida com os “Axadrezados”, Bravo acabaria por desperdiçar algum do fulgor até aí apresentado. Com a perda de preponderância no seio do grupo de trabalho do Boavista, brilho que em anos anteriores chegaria a prometer outros voos, o fim da época de 1983/84 traria igualmente o termo da sua ligação à colectividade portuense.
Seguir-se-ia a aposta no Tirsense. Porém, aquela que viria a tornar-se na agremiação mais representativa do seu trajecto competitivo levá-lo-ia, por outro lado, a afastar-se em definitivo dos contextos competitivos primodivisionários. Daí em diante, durante meia-dúzia de temporadas consecutivas, os “Jesuítas” configurar-se-iam como a sua nova morada. Já mesmo na fase derradeira da carreira, num regresso à zona de Lisboa, o atacante ainda teria tempo para exibir a camisola do Bairro da Boavista e, na campanha de 1992/93, o emblema do Atlético do Cacém.

1140 - FORMOSINHO

Depois de terminar a formação no emblema mais representativo da sua cidade, seria também no Vitória de Setúbal que Formosinho, na temporada de 1974/75, conseguiria estrear-se no patamar sénior. Todavia, e mesmo sendo um nome chamado regularmente aos trabalhos das jovens selecções portuguesas, a verdade é que o médio demonstraria algumas dificuldades em conquistar um lugar no “onze” dos “Sadinos”.
Após ser lançado pelo “magriço” José Augusto e tendo em conta um crescimento que, ao longo das épocas seguintes, revelar-se-ia positivo, a verdade é que o centrocampista seria várias vezes tido como uma escolha secundária. Ainda que sempre a disputar a 1ª divisão, Formosinho, 5 temporadas após a promoção à equipa principal, tomaria a decisão de dar outro rumo ao percurso profissional. Escolheria, sem abandonar o escalão máximo, o Varzim orientado por António Teixeira. Na nova equipa, para onde entraria na temporada de 1979/80, o atleta veria a mudança trazer os seus frutos e, como um dos jogadores mais vezes chamados à ficha de jogo, atingiria a titularidade de forma regular.
Seguir-se-ia, 2 anos passados sobre a chegada à Póvoa do Varzim, a entrada no Amora. Com mais uma experiência gratificante no seu percurso, o traquejo ganho pelo médio levá-lo-ia, em 1982/83, a voltar ao Estádio do Bonfim já com outro estatuto. Estimado como um atleta de indubitável cariz primodivisionário, no regresso ao Vitória de Setúbal, Formosinho, de forma quase indiscutível, agarraria um lugar na equipa inicial. Acrescentaria, nessa segunda passagem pelo conjunto do listado “verde e branco”, outras 5 campanhas na 1ª divisão e, desse modo, justificaria a sua entrada para o rol de históricos do emblema setubalense.
Já na fase final do seu trajecto enquanto praticante, o médio viajaria até ao Sul do país. No Algarve, depois de algumas épocas ao serviço do Farense, o Olhanense surgiria na caminhada do atleta como a oportunidade para fazer a transição dos relvados para as tarefas de técnico. Com essa temporada de 1990/91, no papel de jogador-treinador, a marcar o arranque de outra fase na vida profissional de Formosinho, o seu percurso como “timoneiro” empurrá-lo-ia para uma longa carreira. Apesar de nunca ter conseguido orientar uma equipa no escalão máximo português, as passagens por diferentes clubes de grande tradição em Portugal serviriam para valorizar as suas competências. Destaque também para as experiências na Arábia Saudita, Vietname, Angola, Tunísia, Malásia e Sudão ou ainda as diversas colaborações com José Mourinho que levaria o antigo futebolista a trabalhar no FC Porto, Real Madrid, Manchester United e Tottenham.

1057 - JUCA

Desportista de eleição, começaria por praticar diversas modalidades. Apesar de abraçar o eclectismo com fervor, numa altura de decisões, o chamamento do futebol acabaria por ser o mais forte. No Sporting de Lourenço Marques, concorrente de Costa Pereira, começaria por jogar como guarda-redes. Porém, a falta de atletas em algumas posições de campo, faria com que o treinador chamasse Juca para pontos mais avançados do terreno de jogo. Abandonadas as balizas, fixar-se-ia como “quarto-defesa”. No eixo central, sempre em posições recuadas, o jovem futebolista começaria a dar os primeiros sinais do seu brilhantismo. Já a estreia sénior pela equipa da capital moçambicana, tornaria evidente que o seu lugar estava a uns milhares de quilómetros de distância e junto aos “Leões” da metrópole.
Em Setembro de 1949 chegaria a Lisboa e com Mário Wilson como companheiro de viagem. Entraria na equipa com alguma intermitência e, por vezes, escalonado para posições diferentes daquela em que tinha conseguido notabilizar-se. Com a contratação de Randolph Galloway, e com a implementação do “WM” como sistema táctico, Juca começaria a ser utilizado com maior regularidade. Ainda assim, demoraria alguns anos para que, de forma incontestável, conseguisse fixar-se no “onze” titular. Esse momento, ainda com o treinador britânico aos comandos do Sporting, aconteceria na temporada de 1952/53. A jogar a médio, rapidamente passaria a ser visto como um dos elementos mais valiosos do grupo leonino. Também na selecção nacional, como testemunho do seu crescimento, disputaria o primeiro jogo pela equipa “A” e, frente à Áustria, a “amigável” peleja acabaria por vincar o seu valor, ao mesmo tempo que brindaria as fileiras do “Leão” com mais um atleta internacional.
As épocas seguintes, mesmo com várias mudanças de treinador, não fariam mais do que sublinhar a sua importância. Sempre como titular, Juca passaria a ser uma das caras associadas aos momentos históricos vividos pelo Sporting, na segunda metade da década de 50. Nesse sentido, na campanha de 1955/56, estaria presente na primeira partida de um emblema nacional na Taça dos Clubes Campeões Europeus. No ano seguinte, a inolvidável inauguração do Estádio José de Alvalade e, mais uma vez, o seu nome inscrito no jogo de estreia. Por fim, a sua participação no particular frente ao Áustria de Viena, que, a 9 de Fevereiro de 1958, marcaria o início das transmissões televisivas de futebol.
Curiosamente, seria 1958 que marcaria um ponto de viragem na sua carreira. Ao sofrer, nesse dito ano, uma grave lesão num dos joelhos, Juca nunca mais conseguiria ver-se livre das mazelas. Depois desse incidente, mesmo tendo tentado regressar à competição, a sua atenção virar-se-ia para as tarefas de treinador. Para trás deixaria um trajecto que tinha dado ao seu palmarés, 5 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal. Porém, à sua frente perfilar-se-ia uma caminhada que, nos juniores do Sporting, teria as primeiras etapas. Já em 1961/62, ao substituir Otto Glória, teria a sua oportunidade como técnico principal. Não decepcionaria quem nele havia apostado e, ao tornar-se no mais novo timoneiro de sempre a alcançá-lo, levaria o Sporting à vitória no Campeonato.
Indissociável ficaria a sua carreira de treinador às cores do Sporting. No entanto, outros emblemas também acabariam por fazer parte desse trajecto. Vitória de Guimarães, Académica de Coimbra, Barreirense, Belenenses e Sporting de Braga seriam os clubes que preencheriam um vasto currículo. Ainda assim, logo a seguir aos anos passados em Alvalade, há que destacar, por ordem de importância, as suas passagens pela selecção nacional. À frente dos destinos de Portugal, Juca completaria mais de 4 dezenas de partidas. Pelo meio, 4 Fases de Qualificação e o desgosto de, por um triz, não ter levado o nosso país ao Mundial de 1978.

1028 - ROSÁRIO

Tendo passado pelas “escolas” do Sporting, período durante o qual também chegaria às camadas jovens da selecção portuguesa, a promoção ao patamar sénior afastá-lo-ia, enquanto atleta, do emblema sediado em Alvalade. O Sacavenense, às portas de Lisboa, recebê-lo-ia e, na temporada de 1979/80, acabaria por lançá-lo na competição profissional.
Um ano bastaria para que Rosário voltasse à “alta-roda” competitiva. Apesar de ter uma estatura baixa, a sua habilidade com a bola haveria de compensar alguma da hipotética fragilidade física. Posicionando-se nas alas do ataque, e podendo jogar em ambos os lados, a Académica de Coimbra veria nele um bom reforço para o seu plantel. Na “Cidade dos Estudantes”, o extremo acabaria por fazer uma época de bom nível. Sendo um dos atletas mais utilizados, o seu contributo seria exíguo para manter a “Briosa” no escalão máximo. Todavia, aquilo que mostraria na campanha de estreia na 1ª divisão tornar-se-ia suficiente para que surgissem clubes com disponibilidade para recebê-lo. Nesse sentido, apareceria o Académico de Viseu e a temporada de 1981/82 passá-la-ia na Beira Alta.
Nova despromoção acabaria mesmo por levar o atleta ao escalão secundário. Dessa feita e apesar de competir em emblemas com ambições à subida de patamar, Rosário passaria um largo período sem pisar os palcos maiores do futebol português. Nacional, Marítimo e Estrela da Amadora marcariam a meia-dúzia de anos dessa travessia pela 2ª divisão. Curiosamente, a sua experiência na Madeira quase que devolveria o atacante à 1ª divisão. No entanto, e apesar de em 1984/85 ter ajudado os “verde-rubro” a regressar ao convívio dos “grandes”, o destino empurrá-lo-ia para a Reboleira.
Seria o emblema da “Linha de Sintra” que devolveria Rosário aos palcos principais. Coincidindo essa época de 1988/89 com a estreia dos “Tricolores” na 1ª divisão, o atleta, inevitavelmente, acabaria por inscrever o seu nome na história do clube. Porém, sem tirar importância à referida temporada, haveria de ser a próxima experiência no escalão máximo que mais marcaria o futuro do atacante. Depois da passagem pela União de Leiria, a campanha de 1989/90 ligá-lo-ia ao Estoril Praia. A aposta nos “Canarinhos” levá-lo-ia a ser orientado por Fernando Santos. Durante as 3 campanhas realizadas no Estádio António Coimbra da Mota, muito mais do que a já referida vivência primodivisionária, a relação criada com o treinador haveria de revelar-se muito importante.
Depois de, no decorrer da campanha de 1993/94, ter terminado a sua carreira de futebolista no Alverca, seria ainda durante essa temporada que abraçaria um novo desafio. Como adjunto de Fernando Santos, o regresso ao Estoril Praia daria a Rosário a oportunidade de estrear-se como técnico. Nessa senda, tornar-se-ia no braço direito do actual seleccionador nacional e acabaria por acompanhá-lo no Estrela da Amadora, FC Porto, Sporting, Benfica e em grande parte da sua aventura pela Grécia. Trabalharia também com Sérgio Conceição, que já tinha orientado aquando da passagem de ambos pelo PAOK, adjuvando-o até à partida deste para França. Em 2016 voltaria a aceitar o convite do “Engenheiro” e, ao começar a trabalhar com as cores de Portugal, daria o seu contributo para a vitória no Euro 2016.

977 - PETER BARRY

Veiculam-nos alguns sítios na “internet”, sem que tenha conseguido corroborar tal informação, que Peter Stuart Barry terá chegado ao Marítimo vindo do Manchester City. Se assim foi, também é fácil atestar que o avançado só poderá ter vestido a camisola do clube inglês nas categorias inferiores e nunca no conjunto principal. Outra verdade que contam é que, quando aterrou na Madeira para integrar o plantel de 1977/78, já o atleta tinha 22 anos. O que terá acontecido antes dessa transferência, anos de formação incluídos, é, pelo menos para mim, outro mistério*.
Já no que à sua passagem por Portugal diz respeito, as passadas são fáceis de seguir. No Marítimo acabaria por viver uma das páginas históricas do conjunto insular. Nessa 1ª temporada na 1ª divisão, estreia para o clube e para o jogador, à adaptação a uma realidade competitiva diferente faria com que poucas vezes fosse escolhido para entrar em campo. Já no regresso aos “Verde-rubro”, depois de uma temporada no Nacional da Madeira, as coisas acabariam por melhorar um pouco. Mais de duas dezenas e meia de partidas disputadas e uma mão cheia de golos fariam com que Peter Barry conseguisse destacar-se dos seus colegas.
Esse protagonismo abrir-lhe-ia as portas para uma das equipas que, na passagem para os anos 80, começaria a crescer. O Portimonense seria o clube seguinte na carreira do ponta-de-lança. Orientado por Manuel de Oliveira, um dos seus treinadores na segunda passagem pelo Marítimo, a época de 1980/81 voltaria a correr positivamente. No que aos números diz respeito, e com a equipa a terminar ligeiramente abaixo do meio da tabela classificativa, Peter Barry cotar-se-ia como um dos atletas mais utilizados. No entanto, e quando a lógica parecia alimentar o prolongamento da ligação entre jogador e clube, a separação dá-se.
Curiosamente, na nova aventura, Peter Barry voltaria a cruzar-se com dois dos seus antigos treinadores. Na União de Leiria seria, mais uma vez, conduzido por Pedro Gomes (1º técnico no Marítimo) e, a partir da 10ª jornada desse Campeonato de 1981/82, por Manuel de Oliveira. Porém, e ao contrário do que começava a ser a norma da sua carreira, a temporada no conjunto da “Cidade do Lis” acabaria por não correr como esperado. Para além de pouco jogar, o inglês vê também o clube a terminar a referida campanha no último lugar da classificação.
No que restaria da sua passagem por Portugal, o avançado ainda teria tempo para escrever o seu nome na história de outro emblema nacional. No Desportivo de Chaves, após uma passagem de 2 anos pelo Leixões, Peter Barry faria parte dos grupos de trabalho que levariam o emblema transmontano à promoção e, já na temporada de 1985/86, à estreia na 1ª divisão.
Essa temporada de regresso ao escalão máximo do futebol português, coincidiria com os últimos registos da sua presença no nosso país. A idade que tinha à altura do “divórcio” com a colectividade flaviense, deixa adivinhar que o atacante até poderá ter dado seguimento à sua carreira desportiva. No entanto, o rumo que o jogador deu à sua vida depois dos 31 anos é, mais uma vez, uma incógnita. Resta-me apelar aos nossos leitores que, encarecidamente, preencham as lacunas nesta pequena biografia*.
 
*ver nos comentários as adendas enviadas pelo próprio atleta e que, de forma precisa, põem fim às dúvidas aqui lançadas.