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1734 - BOLINHAS

Com a formação concluída no emblema da terra natal, Luís Miguel de Sousa Bolinhas, na altura de transitar para a equipa principal, deixaria o Almada para, na temporada de 1989/90, ingressar no Pescadores da Costa da Caparica. Após cumprir a mencionada época na disputa da 3ª divisão, seguir-se-ia, com a subida de um escalão competitivo, a transferência para o Sacavenense. No entanto, apesar de demonstrar uma evolução prometedora, a verdade é que o extremo ainda demoraria alguns anos até conseguir dar o salto para um emblema com ambições primodivisionárias e feitas 5 campanhas no universo sénior, somando a essa experiência uma passagem de dois anos pelo Quarteirense, o jogador veria na mudança para o Sporting de Espinho a oportunidade que há muito ambicionava.
Com a chegada aos “Tigres da Costa Verde” a acontecer na temporada de 1994/95, Bolinhas, durante um par de campanhas, ainda teria de competir na divisão de Honra. Treinado inicialmente por Luís Norton de Matos, o atacante depressa conseguiria afirmar-se como uma das principais figuras do conjunto sediado no distrito de Aveiro. Como o dono de um lugar no “onze” inicial, o extremo daria um enorme contributo para as prestações do colectivo alvinegro. Nesse sentido, numa altura em que já era orientado por Adelino Teixeira, o 3º posto na tabela classificativa de 1995/96, alcançado no escalão referido no começo deste parágrafo, dar-lhe-ia, na época seguinte, o direito a estrear-se entre os “grandes”. Apesar da inexperiência no patamar máximo, o avançado não claudicaria perante os requisitos associadas àquela que é a competição de maior monta no calendário português de futebol e num sector ofensivo que também contava com elementos como Artur Jorge Vicente ou com Caetano, o atleta saberia manter-se com um dos pilares da equipa.
Apesar da estreia no patamar máximo ter constituído um marco deveras importante na sua carreira, a verdade é que o jogador rapidamente regressaria às contendas do escalão secundário. Com a descida do Sporting de Espinho, e sem abandonar o clube, Bolinhas passaria a temporada de 1997/98 de volta à divisão de Honra. Já o regresso ao escalão maior dar-se-ia na campanha de 1998/99, numa altura em que já representava o Rio Ave. Contudo, a entrada no emblema de Vila do Conde não recuperaria os resultados anteriormente conseguidos e treinado por Carlos Brito, mesmo tendo alcançado números aceitáveis, o extremo nunca haveria de tornar-se num dos nomes indiscutíveis para o aludido técnico.
O período passado de “caravela” ao peito acabaria mesmo por dar ao jogador a derradeira experiência na 1ª divisão. De seguida, mesmo ao passar por colectividades com ambições à subida, a perseguida promoção jamais aconteceria. Académica de Coimbra e os regressos ao Rio Ave e ao Sporting de Espinho redigir-se-iam como os capítulos dessa parte da carreira do atacante. Fase que antecederia a entrada nos últimos desafios da sua caminhada enquanto futebolista, a qual, após envergar as camisolas do Sintrense e do Almada, findaria, segundo a informação retirada do “site” oficial da Federação Portuguesa de Futebol, com o termo das provas agendadas para temporada de 2004/05.

1636 - NANDO

Ao dividir o trajecto formativo entre duas agremiações com sede no extremo sul do país, Fernando Jorge Figueiredo Campos, tendo anteriormente representado o Portimonense, seria com as cores do Torralta que viria a concluir essa etapa do seu percurso. Tal transição, para o atleta que ficaria conhecido no mundo do desporto por Nando, levá-lo-ia, em 1982/83, a manter-se com as cores da colectividade associada ao mundo do imobiliário. Com o clube inicialmente a militar nos “regionais” algarvios, a verdade é que o forte investimento no futebol, por parte do referido grupo empresarial, depressa faria com que o emblema começasse a galgar alguns patamares competitivos. Individualmente, a presença no balneário de craques como Narciso, Toninho Metralha, Pacheco, Vado, Rui Manuel, Décio, Sota, Sabú, Florival, Norberto Rodrigues ou Matine contribuiria para o seu crescimento e o defesa-esquerdo rapidamente começaria a ser cobiçado por conjuntos de outra monta.
Antes ainda de dar o salto em termos clubísticos, Nando, ao revelar qualidades acima da média, começaria a ser chamado aos trabalhos das jovens equipas a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos trabalhos dos sub-18, o lateral-esquerdo, que também sabia actuar no lado canhoto do meio-campo, teria a estreia com a “camisola das quinas” a 23 de Dezembro de 1980. Após essa partida frente a Espanha, orientado pelo “magriço” José Augusto, o atleta manter-se-ia nos planos das jovens selecções lusas. Nesse sentido, continuaria a ser chamado aos desafios agendados para Portugal e num rumo a encaminhá-lo igualmente às jornadas dos sub-16, o jogador conseguiria somar ao currículo um total 8 disputas efectuadas pelo seu país.
Seria já com o estatuto de internacional que Nando, na temporada de 1986/87, acabaria apresentado como reforço do Rio Ave. A transferência levá-lo-ia a estrear-se, sob a alçada de Mário Reis, no Campeonato Nacional da 1ª divisão. Em Vila do Conde, perfeitamente integrado nas metas colectivas do clube, o jogador, nessa época de arranque com o listado verde e branco, acabaria por disputar um número bastante aceitável de partidas. Aliás, essa condição sairia reforçada nas campanhas seguintes, com a titularidade, amiúde, a ser entregue ao seu cargo. Curiosamente, numa altura em que estava a cimentar-se como um praticante de categoria primodivisionária, a descida do emblema da caravela fá-lo-ia regressar ao espectro secundário das competições portuguesas e só uma nova mudança viria trazê-lo de volta ao convívio com os “grandes”.
Depois de 4 temporadas ao serviço do Rio Ave, as 2 últimas na disputa da 2ª divisão, seguir-se-ia a transferência para o Vitória Futebol Clube. No entanto, em abono da verdade, a entrada na colectividade de Setúbal, com os “Sadinos” a competir no escalão máximo, não traria ao jogador qualquer presença no Campeonato Nacional de 1990/91. Tal ocaso, já com o colectivo a sofrer os efeitos da despromoção, inverter-se-ia. Infelizmente para Nando, a campanha de 1991/92 daria início a um períplo que, durante alguns anos, conseguiria afastá-lo dos principais palcos portugueses. Nesse sentido, Penafiel e Ovarense seriam os emblemas a preencher os capítulos seguintes da sua caminhada profissional e a anteceder a chegada à agremiação a devolvê-lo ao contexto primodivisionário.
Integrado no plantel de 1994/95 do Leça, a experiência de Nando empurrá-lo-ia, de imediato, para um lugar no “onze” inicial. Como um dos pilares da equipa comandada por Joaquim Teixeira, o jogador, nesse ano de entrada no clube, seria umas das principais peças na conquista da divisão de Honra e na consequente subida de patamar. Com a agremiação do concelho de Matosinhos de regresso, mais de meio século depois, à 1ª divisão, o defesa, só por tal razão, conquistaria o direito a inscrever o seu nome nos anais da colectividade. Contudo, a ligação de 5 campanhas daria para muito mais. No período ainda agora sublinhado, destacar-se-iam as 4 épocas consecutivas no patamar maior, a partilha do relvado com Jaime Magalhães, Constantino, Vladan, Armando, Cao, Sérgio Conceição, Zé da Rocha, Serifo, Alfaia, Tozé, ou Cristóvão e as 97 partidas cumpridas na principal prova do calendário luso. Ainda assim, a separação entre o atleta e a colectividade surgiria numa altura periclitante para o emblema nortenho e a denotar algum ressentimento por parte do experiente praticante – “Por aquilo que fiz ao longo destes cinco anos, merecia mais respeito”*.
Numa altura em que já estava a aproximar-se do termo da carreira, Nando ainda revelaria disponibilidade para representar Marco, Vilanovense e Celoricense. Alguns anos depois, ao trocar as chuteiras pelas sapatilhas, o atleta voltaria à prática do desporto federado e entraria, em 2006/07, para a equipa de futsal do SS Montepio Geral.

*retirado do artigo de Renato Melo, publicado a 23/07/1999, em www.record.pt

1469 - LUÍS MANUEL

Com a formação concluída com cores do FC Barreirense, Luís Manuel passaria os anos seguintes a representar outras colectividades. Com a estreia como sénior a acontecer na temporada de 1980/81, o modesto Marítimo Rosarense serviria de arranque para uma caminhada que, durante as primeiras 4 épocas, ainda teria espaço para uma campanha feita pelo Quintajense.
De regresso ao Estádio Dom Manuel de Mello na temporada de 1984/85, o guarda-redes procuraria lançar a sua carreira num sentido mais condizente com a qualidade patente nas exibições até aí conseguidas. Porém, com o FC Barreirense a militar nos patamares secundários, o jogador acabaria por afastar-se do emblema da Margem Sul do Rio Tejo, para, bem mais a norte, tentar mudar o seu destino. A aposta feita no plantel de 1986/87 do Desportivo das Aves, talvez com ideia posta na época feita pelo emblema do concelho de Santo Tirso na 1ª divisão, não afastaria o jogador do cenário competitivo a que estava habituado. Ainda assim, as suas prestações nas duas campanhas cumpridas com o listado vermelho e branco, seriam aferidas de forma positiva e tal avaliação levá-lo-ia a subir mais um patamar.
A entrada no Sporting de Braga faria com que o guarda-redes finalmente conseguisse a tão almejada estreia na 1ª divisão. Porém, nessa temporada de 1988/89, o guardião iria enfrentar a concorrência de um colega de balneário já bem tarimbado. Com o treinador Vítor Manuel a preferir Hélder em seu detrimento, Luís Manuel não entraria muito em campo nesse primeiro ano passado no Minho. Nas campanhas seguintes, mesmo sem agarrar a titularidade de forma inequívoca, o atleta começaria a participar com mais frequência nos embates dos “Guerreiros” e esse crescimento, durante 4 campanhas consecutivas, permitir-lhe-ia manter-se como um dos elementos da colectividade sediada na “Cidade dos Arcebispos”.
A transferência para o plantel de 1992/93 do Farense, mantê-lo-ia no patamar máximo do futebol português. No entanto, contrariamente a uma fácil conquista da titularidade, a mudança para o Algarve faria com que Luís Manuel enfrentasse a competição do internacional brasileiro José Carlos. Nos anos passados no Sotavento, o guardião, sob a intendência do catalão Paco Fortes, cumpriria um par de anos que, em termos individuais, pautar-se-iam por alguma discrição. Seguir-se-ia uma nova aposta. Integrado no grupo de trabalho do Sporting de Espinho, o jogador, apesar de competir no 2º escalão, passaria, de uma forma regular, a conseguir um lugar no “onze” inicial. Como um elemento de enorme experiência competitiva e de qualidade, o guarda-redes transformar-se-ia numa das figuras centrais da colectividade da “Costa Verde”. Como um pilar dos “Tigres”, seria também dele parte da responsabilidade pelo regresso da equipa aos panoramas primodivisionários e 1996/97 tornar-se-ia na 7ª e última época da sua carreira entre os “grandes”.
Após mais algumas temporadas enquanto futebolista, tempo para envergar as camisolas do Imortal, de regressar ao Marítimo Rosarense e de defender os interesses do GD Quimigal, o jogador, com o termo da temporada de 1999/00, decidiria ser a altura certa para “pendurar as luvas”. Afastado das lides de atleta, Luís Manuel não deixaria a modalidade, assumindo-se como técnico. Nessas funções, começaria por treinador de guarda-redes. Mais tarde, aceitaria as funções de treinador-principal e nesse papel, para além de inúmeras passagens pelos escalões secundários portugueses, o antigo guardião teria igualmente a oportunidade de orientar os suecos do Södertälje Fotbollsklubb.

953 - PAULO FERREIRA

Após ter passado pelas “escolas” do Sporting e, ainda, pelas do Damaiense, a sua chegada ao Estrela da Amadora faria com que novos olhares nele poisassem. Os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol, tendo reparado nas qualidades técnicas do extremo, começariam a chamá-lo aos trabalhos das jovens selecções lusas. As esperanças nele depositadas começariam a tomar corpo no começo dos anos 90, com as primeiras convocatórias aos sub-18. Dando resposta à boa evolução do atleta seguir-se-iam novas chamadas. Em 1993, pela mão de Agostinho Oliveira, é então que Paulo Ferreira participa num dos principais torneios organizados pela FIFA. Na Austrália, ao lado de jogadores como Costinha, Porfírio, Litos ou Andrade, participa em 2 partidas do Mundial sub-20.
Por altura do certame disputado na Oceânia, já o avançado, na campanha de 1991/92, tinha feito a estreia pelos seniores do Estrela da Amadora. Na Reboleira, com o emblema ainda a militar na Divisão de Honra, o extremo acabaria por ter que trabalhar muito para conseguir algumas oportunidades. Após essas primeiras temporadas, vividas na sombra dos seus colegas de balneário, seria com o regresso do clube ao escalão maior que Paulo Ferreira começaria a merecer mais chamadas à ficha de jogo. No entanto, a grande mudança na sua carreira chegaria com a contratação de um novo treinador. Com Fernando Santos, o esquerdino passaria a merecer mais oportunidades. A partir de 1994/95, ainda sem conseguir ser um dos titulares indiscutíveis, a regularidade com aparecia em campo começaria a cimentá-lo como um dos bons futebolistas presentes no Estádio José Gomes.
A relevância que tinha para a estratégia montada cresceria a cada época passada. A admiração que o técnico tinha pelos seus atributos, baseada nas suas exibições, tornar-se-ia inegável. De tal forma era a certeza nas capacidades do atleta que, já Fernando Santos estava há um ano à frente dos destinos do FC Porto, e o seu nome é sugerido como novo reforço dos “Dragões”. Contudo, e contrariamente àquilo que a aposta do treinador faria acreditar, Paulo Ferreira não conseguiria impor-se de “Azul e Branco”. Essa temporada de 1999/00 tornar-se-ia numa enorme desilusão para o atacante. Com apenas algumas partidas disputadas pela equipa “B”, a meio da referida campanha o jogador seguiria para Sul e, por empréstimo, passaria o resto da época a defender as cores do Farense.
Na sequência dessa primeira cedência e, posteriormente, após a rescisão que o ligava ao FC Porto, Paulo Ferreira entra numa fase mais errática da sua carreira profissional. As duas passagens por Faro, o regresso ao Estrela da Amadora e ainda o Varzim marcariam a última parte da sua caminhada como atleta de alta competição. Destaque, ainda antes de um adeus definitivo, para o tempo passado nos “regionais” lisboetas e ao serviço do 9 Abril Trajouce.
Depois do final da sua carreira, ainda que longe dos palcos de outrora, Paulo Ferreira tem mantido a sua ligação à modalidade. Tendo sido internacional pelas camadas jovens de Portugal, é na área da formação que tem trabalhado. Como treinador, tem estado vinculado a colectividades de cariz amador.

918 - WALTER

Seria no Caldas que, na temporada 1986/87, Walter faria a transição para o patamar sénior. Depois de 4 campanhas no plantel principal, as suas prestações mereceriam por parte de um dos históricos do futebol português uma atenção mais pormenorizada. A conclusão chegada após essas observações, levaria a que a Académica de Coimbra assinasse um acordo com o atleta. A mudança chegaria pouco tempo depois e no final Verão de 1990 já o lateral-direito trabalhava com o plantel dos “Estudantes”.
Com Mota e, já na segunda campanha, com Crisanto a tomar para si o lugar na direita da defesa, as oportunidades dadas a Walter seriam escassas. Durante os 2 primeiros anos o atleta, à custa da maior experiência dos seus colegas, acabaria por ter que contentar-se com a condição de suplente. No entanto, a partir de 1989/90 tudo mudaria. Nesse sentido, e mesmo sem nunca ter a possibilidade de disputar o nosso escalão máximo, as suas exibições levá-lo-iam a ser cobiçado por emblemas de maior monta.
O clube que haveria de apostar na sua contratação seria o Vitória de Guimarães. A transferência, para a temporada de 1994/95, levaria o jogador à estreia na 1ª divisão. Todavia, a sua chegada ao principal patamar do futebol português acabaria por não ter a resposta esperada. Tanto nos vimaranenses, como, passados dois anos, já com as cores do Leça, Walter não conseguiria tornar-se num pilar para os seus treinadores. Ainda assim, essas 3 épocas serviriam para que o defesa conseguisse chegar a internacional. Tendo dupla nacionalidade, seria por Angola que o futebolista decidiria jogar. Chamado a representar o seu país, o lateral seria convocado para a disputa da CAN (Taça de África das Nações). Em 1996, ao lado do seu irmão Wilson, viajaria para a África do Sul e aí viveria um dos momentos mais altos da sua carreira.
Em 1997, o lateral regressaria aos escalões secundários. A partir desse momento, e no que restaria da sua caminhada, Walter não voltaria ao convívio dos “grandes”. Gil Vicente, Caldas, Nazarenos e Marinhense preencheriam assim o derradeiro terço do seu percurso. No conjunto da Marinha Grande, o defesa decidiria ser a altura certa para pôr um ponto final na carreira de futebolista. Todavia, não seria por muito tempo que ficaria afastado da modalidade. Em 2006, num regresso ao clube que também tinha representado nos escalões jovens, dá os primeiros passos nas tarefas de treinador. Depois das “escolas” do Nazarenos, o antigo jogador daria seguimento à nova actividade. Como uma trajectória que tem sido dedicada aos emblemas da Associação de Futebol de Leira, destaque para a sua passagem pelo Ginásio de Alcobaça.

907 - ERIKSSON

Após ter passado pela formação e conjunto “b” do Hammarby, seria já com 21 anos que Lars Eriksson teria a primeira oportunidade na principal equipa do emblema de Estocolmo. A partir desse momento, isso já no final da temporada de 1986, o jovem guarda-redes tomaria o lugar para si. A titularidade conquistada levaria a que os responsáveis da selecção começassem a equacionar o seu nome para as futuras convocatórias. Já em 1988, o guardião surge como “número 1” da equipa nacional. Depois dessa partida frente à Alemanha de Leste, seguir-se-ia a sua estreia numa grande competição. Mesmo sem ter entrado em campo, os Jogos Olímpicos de Seul acabariam por servir esse referido propósito.
Curiosamente, e no que diz respeito à selecção, Eriksson raramente conseguiria livrar-se da condição de suplente. Ainda que chamado durante anos a fio, e de ter sido convocado para os Mundiais de 1990 e 1994 e ainda para o Euro 92, seriam poucas as vezes que sairia da sombra de Thomas Ravelli. Já no que ao seu percurso clubístico diz respeito, as coisas seriam um pouco diferentes. Depois de no final de 1988, o Hammarby ter sido relegado ao 2º escalão, é no IFK Norrköping que prosseguiria a sua carreira. Logo no primeiro ano com o novo clube, o guarda-redes torna-se num dos principais pilares da vitória no Campeonato. Aliás, seriam as campanhas passadas no sudoeste do país que mais valorizariam o seu currículo. Essa caminhada de 7 épocas acabaria por trazer mais troféus ao seu currículo, entre eles 2 Taças da Suécia.
Mesmo com uma carreira em ascensão, só em 1995 é que Eriksson teria a primeira oportunidade para jogar fora do seu país. Contudo, a experiência nos belgas do Charleroi acabaria por não ser a esperada pelo atleta. Sem conseguir agarrar a titularidade, seria em Portugal que o jogador tentaria relançar a sua carreira. Num FC Porto que, com a possível venda do passe de Vítor Baía, tentava assegurar a sucessão para o lugar “à baliza”, a contratação do sueco parecia uma boa solução. Tendo chegado às “Antas” já a meio da temporada de 1995/96, a verdade é que o internacional nunca seria a primeira escolha para os seus treinadores. Ainda assim, como o viria a declarar, a passagem pela “Invicta” não seria negativa e, para além dos 3 Campeonatos, 1 Supertaça e 1 Taça adicionada ao seu palmarés, a experiência ficaria na sua memória – “Estive sempre muito feliz no Porto, adorava os adeptos, o clube a cidade e, além disso, estava numa grande equipa. Toda a gente andava feliz. Ganhámos três campeonatos consecutivos e uma Taça ao Benfica. Não joguei muito, sei que não deixei muita gente feliz, mas adorei a vida em Portugal e no Porto. Foram tempos muito positivos para mim”*.
O resto da sua carreira seria dedicada ao emblema que o tinha lançado anos antes. Tendo regressado à Suécia, seria no Hammarby que em 1998 voltaria à competição. Até 2001 não voltaria a conhecer outras cores. Depois, e já com as “luvas penduradas”, a sua ligação à modalidade manter-se-ia. Para além dos trabalhos nos resumos televisivos de jogos de futebol, Lars Eriksson tem trabalhado na selecção sueca como treinador de guarda-redes.

*retirado do artigo de Ricardo Gouveia, publicado a 05/03/2014, em http://www.maisfutebol.iol.pt

776 - RUI CORREIA

Descoberto por Osvaldo Silva, antigo craque leonino, Rui Correia deixaria a Sanjoanense para integrar o plantel de juniores “Verde e Branco”. Cumprindo um sonho de menino, o jovem guardião chega a Alvalade com apenas 16 anos de idade e passa a fazer parte de uma equipa que contava com promessas como Jorge Cadete.
Duas temporadas nas “escolas” do Sporting e, terminada essa etapa formativa, a sua passagem à categoria principal dá-se no início da época de 1986/87. Todavia, num plantel que contava com Vítor Damas e Vital, as oportunidades já se previam escassas e o atleta pouco haveria de jogar. Curiosamente, e logo na campanha seguinte, a chegada de Keith Burkinshaw iria alterar esse cenário. Tendo consciência que Rui Correia tinha tudo para conseguir afirmar-se como titular, o técnico inglês passa a incluí-lo no “onze” inicial.
O despedimento do referido treinador faz com o destino do guarda-redes sofra uma pequena contrariedade. Já depois de perder espaço no escalonamento da equipa, o Verão de 1988 torna-se ainda mais penoso. Sem lugar no Sporting, é Manuel Fernandes, outra estrela dos “Leões”, que o leva para Setúbal. Ainda assim, pouco muda para si e, durante os anos que seguiriam, as chances que teria para demonstrar o seu valor seriam praticamente inexistentes.
Poder-se-á dizer que o seu caminho só voltou a entrar nos eixos, já no início da década de 90. Ainda que sem nunca abandonar a 1ª divisão, só a sua ida para Trás-os-Montes é que acabaria por trazer uma lufada de ar fresco à sua carreira. O Desportivo de Chaves acabaria por marcar uma verdadeira mudança de paradigma e elevá-lo à condição de um dos melhores a defender as redes no Campeonato Nacional.
Bem, para dizer a verdade, o emblema flaviense acabaria por servir apenas de passagem. É certo que a titularidade aí conseguida muito contribuiu para aos sucessos vindouros. Todavia, seria já no Sporting de Braga, para onde se transferiria na temporada de 1992/93, que conheceria aquele que, segundo o próprio, daria um enorme alento à sua progressão – “Quando dizem que treinador x dá-se bem com jogador y, isso é verdade. O meu caso com António Oliveira é elucidativo e nem o consigo explicar. Eu gostava muito dele, pronto. E eu dava-me bem com ele. Tão simples com isso. Por isso, joguei com ele em Braga e depois na selecção e depois no Porto. São aquelas relações de empatia imediata”*.
Como dá para entender, a convivência com António Oliveira terá tido grande influência naquilo que Rui Correia conseguiria alcançar como profissional. Como já tiveram oportunidade de ler, seria pelas mãos do antigo seleccionador nacional que o guarda-redes faria a sua estreia por Portugal. Aliás, muito mais do que esse jogo de qualificação frente ao Liechtenstein, a sua presença num dos maiores certames futebolísticos, neste caso o Euro 96, muito se deve à admiração que o técnico sempre teve por ele.
É esse mesmo respeito que faria com que Oliveira, já aos comandos do FC Porto, o escolhesse para defender o último reduto “Azul e Branco”. Já nas Antas, onde chegaria para a temporada de 1997/98, o atleta faria parte das equipas que ajudariam a selar o inesquecível “Penta”. Na “Cidade Invicta” e nos 4 anos que passaria de “Dragão” ao peito, Rui Correia acrescentaria ao seu currículo nada mais, nada menos, do que 2 Campeonatos, 3 Taças de Portugal e, ainda, 1 Supertaça.
Depois desse período no FC Porto, e numa altura em que já entrava na fase descendente da sua carreira, a passagem pelo Salgueiros marcaria a sua despedida do nosso escalão máximo. No que restou do seu percurso de futebolista, Rui Correia acabaria por representar Feirense, União de Lamas e Estoril-Praia.
No “Emblema da Linha” decidiria, então, ser a altura certa para “pendurar as luvas”. Ainda assim, logo de seguida, daria os primeiros passos como técnico e, no Portimonense, aceitaria o cargo de treinador de guarda-redes. Nestas funções, o antigo internacional ainda passou por diversos emblemas nacionais e pelos gregos do OFI Creta. Neste momento (2017) é o coordenador da formação dos guardiões do Shandong Luneng (China).


*retirado de https://ionline.sapo.pt/; entrevista publicada a 26/02/2015

732 - JORDÃO

Após ter terminado a sua formação no Estrela da Amadora, as dificuldades demonstradas na adaptação à primeira equipa, leva o clube a optar pelo empréstimo. Campomaiorense e Leça, também estes a disputar a divisão de Honra, seriam os emblemas que, após duas épocas falhadas no emblema da “Linha de Sintra”, acabariam por acolher o atleta.
O regresso à “casa-mãe” ocorreria em 1995/96. Com o Estrela da Amadora a disputar a divisão maior do nosso futebol, o atleta, ao contrário daquilo que tinha conseguido até então, haveria de impor-se com alguma facilidade. Como um típico médio-defensivo, Jordão tinha na força e resistência as suas melhores armas. Fernando Santos, à altura o treinador, entendendo o que tinha em mãos, encaminharia o atleta no sentido de tirar dele o melhor rendimento. Potenciadas as suas características, Jordão passaria a ser um dos mais utilizados, tornando-se num dos pilares da equipa.
Duas temporadas de bom nível, seriam suficientes para que o “trinco” começasse a ser cotado como um dos melhores a actuar na sua posição. Este crescendo, levaria a que Manuel José, à procura de reforços para o meio-campo benfiquista, visse nele uma boa contratação. Nesse sentido, e tendo chegado a internacional nas camadas jovens portuguesas, Jordão parecia cotar-se como uma boa ajuda. Contudo, o que acabaria por se verificar seria o contrário. Não sendo chamado à equipa com a regularidade esperada, e já com Graeme Souness ao comando das “Águias”, o médio, no mesmo ano da sua chegada à “Luz”, acabaria por ser dispensado.
A sua ida para o Sporting de Braga, em Janeiro de 1988, voltaria a revelar um futebolista de qualidade. Preponderante nas manobras “arsenalistas”, Jordão recupera o seu estatuto de bom jogador e, mais uma vez, passa a ser cobiçado. Desta feita, e depois de duas temporadas e meia no Minho, o convite chega de Inglaterra. Já com a primeira jornada disputada, é o West Bromwich Albion (WBA) que vai no seu encalço. É ainda nessa temporada de 2000/01 que Jordão parte para “Terras de Sua Majestade”. Por lá ficaria 3 temporadas. As duas primeiras, com os “Baggies” a competir no 2º escalão, seriam bastante prolíferas para o jogador. Já a 3ª época, após a promoção do clube à “Premier League”, testemunharia um decréscimo exibicional do jogador que, no final dessa mesma campanha, conduziria ao fim da sua ligação com o emblema britânico.
O último capítulo da sua carreira seria escrito num regresso à Reboleira. No Estrela da Amadora, entre os dois escalões maiores do nosso futebol, Jordão faria mais 4 temporadas. O fim do seu percurso profissional acabaria por chegar com o términus da época de 2006/07, pondo termo a um trajecto com quase duas décadas.

545 - FILÓ

Formado nas escolas do Sporting de Espinho, seria também no dito clube que Filó, corria a temporada de 1989/90, faria a transição para a categoria principal. Como é normal em jovens jogadores, os primeiros anos com os seniores acabariam por ser os da adaptação a uma nova realidade competitiva. Poucas vezes chamado a jogo durante essa fase, o jovem defesa acabaria por, durante duas épocas, ganhar experiência ao serviço do Fiães.
Depois do traquejo conseguido nos campos da 3ª Divisão, o seu regresso à "casa mãe" aconteceria numa fase ascendente para o Sporting de Espinho. A militar na Divisão de Honra, mas sempre com os olhos postos no patamar acima, os "Tigres" lá iam tentando acercar-se dos lugares cimeiros da tabela classificativa. A tão almejada promoção, numa altura em que Filó já era um dos nomes recorrentes na lista de convocados, aconteceria terminada a temporada 1995/96. Na época que sucederia, Filó continuaria a ser uma das peças fundamentais na manobra da sua equipa. Contudo, e apesar das exibições convincentes do atleta, o conjunto da Costa Verde claudicaria perante uma concorrência mais forte, não conseguindo evitar nova queda no segundo escalão.
Depois desta primeira experiência, e apesar de grande parte da sua vida como desportista estar ligada ao Sporting de Espinho, seria por outro emblema que, alguns anos passados , Filó voltaria aos palcos maiores do futebol português. Com as cores do Paços de Ferreira, já depois de uma passagem pelo Penafiel, o defesa (que também podia jogar a médio defensivo) acrescenta mais três épocas (2001/02; 2002/03; 2003/04) ao seu currículo primodivisionário. Pelos "Castores", a intermitência com que ia aparecendo em campo, nunca lhe permitiria atingir um patamar de importância tão vincado, quando, anteriormente já havia conseguido.
Seria já depois de terminado este capítulo, e numa altura que já tinha passado a casa dos 30 anos de idade, que Filó regressa ao clube que o lançara para o futebol. De volta ao Sporting de Espinho, sob aquele princípio de que "um bom filho a casa volta", Filó percorre os derradeiros passos da sua vida profissional dentro das quatro linhas.
Foi logo a seguir a essas duas últimas temporadas que, sem abandonar a modalidade que sempre o apaixonou, Filó decidiu seguir um novo rumo. Como treinador daria início à sua actividade no Lousada. De seguida, depois de comandar equipas como o Fiães, Paredes e Aliados Lordelo, deu-se novo regresso ao Estádio Comendador Manuel Violas. A passagem pelo "banco" do Sporting de Espinho acabaria, resultado das boas exibições da equipa, por dar alguma notoriedade ao antigo jogador dos "Tigres". No entanto, e apesar da boa prestação, a sua saída do clube, a meio da segunda temporada, haveria de ficar envolta em alguma polémica. Apesar da controvérsia, a verdade é que o convite da Naval 1º de Maio, com entrada directa para os campeonatos profissionais, era bom de mais para ser recusado. Depois de se consolidar neste escalão, e já neste novo ano (2014/15), Filó, ao leme do Freamunde, tem tudo para ser a grande surpresa da Liga II. Para já segue no topo da tabela e, quiçá, para o ano fará a sua estreia enquanto técnico, no principal patamar do nosso futebol.

485 - DOMINGUEZ

Como é que um jovem jogador passa de motivo de romarias para dispensado?
Pois bem, a história de Dominguez começa ainda este andava pelas escolas do Benfica. Por essa altura, começam os adeptos a ouvir falar de um pequeno futebolista que, apesar de ficar uns palmos abaixo dos seus companheiros de jogo, conseguia zombar deles todos. A história, à imagem de um "David e Golias", acaba por fazer com que muitos adeptos comecem a deslocar-se aos "campos da bola". Tal era o fenómeno que até a RTP não quis perder tamanho "furo" e, por altura de um Torneio Internacional da Pontinha, foi fazer uma reportagem sobre o novo craque das "Águias". Contudo, era aquilo que mais impressionava quem o via jogar que, ao mesmo tempo, fazia com que muitos dos responsáveis na "Luz" torcessem o nariz ao futuro do rapaz. Para eles, a técnica que o miúdo apresentava ou a maneira desinibida com que avançava para os adversários, não eram suficientes para fazer dele um bom profissional. Para eles, o rapaz era franzino demais; o rapaz, nem mesmo depois das vitaminas oferecidas pela empresa do Presidente João Santos, parecia querer crescer.
Chegada a hora de transitar para a equipa principal, Dominguez acabaria por ser emprestado ao Sintrense e, mais tarde, ao Fafe. Ora, já ele andava pelo Minho e desvinculado do seu emblema de origem, quando, sem muito bem se entender o porquê, surge o Birmingham no seu concurso! Clubes e jogador rapidamente chegam a um acordo e o extremo parte para Inglaterra. Na "Second Division" as suas fintas estonteantes começam a fazer sucesso. Ainda que longe dos palcos principais do futebol britânico, os ecos das suas corridas pelas alas do ataque, fazem com que outros clubes procurem saber mais sobre o jogador. Quem também se mostra interessada é Federação Portuguesa de Futebol, que, pela mão dos seus técnicos, começa a incluí-lo nas listas de convocados para as "Esperanças" portuguesas.
No meio dos assumidos pretendentes, quem leva avante a sua contratação acaba por ser o Sporting. Mas ao contrário daquilo que dele se esperaria, o avançado nunca consegue assumir, dentro do plantel leonino, uma grande preponderância. Oiçamos o seu antigo treinador, Octávio Machado - "Fiquei triste por não ter conseguido dar a volta ao Dominguez porque ele tinha um talento e condições excepcionais para seguir um caminho bem diferente daquele que tomou. Tentei mas não consegui fazer dele um jogador importante para a equipa, enquadrá-lo no colectivo e em proveito de este retirar as suas qualidades inatas. Tentei abrir-lhe novos horizontes, incutir-lhe uma cultura profissional, mas quando um jogador não quer não há nada a fazer".
Apesar de tudo aquilo que lhe era apontado e do falhanço que tinha sido o seu regresso a Portugal, em Inglaterra havia quem ainda se lembrasse dos seus "dribles", das suas corridas ou da maneira como desnorteava os defesas adversários. Esse alguém dava pelo nome de Gerry Francis e era o "Manager" do Tottenham. Em Londres, Dominguez até começou bem. Contudo, o despedimento do técnico que o tinha contratado para a "Premier", acabaria por levar o internacional português (ainda ao serviço do Sporting, seria chamado à selecção principal) para o banco e, mais tarde, para a equipa de Reservas.
Ao fim de três anos e meio, com Dominguez vetado ao esquecimento dentro do plantel dos "Spurs", surge a oportunidade da "Bundesliga". Andreas Brehme, antigo internacional germânico e, àquele tempo, na frente do Kaiserslautern, continuava a acreditar que Dominguez voltaria a mostrar, sob o seu comando, o poder da sua finta, os seus cruzamentos letais e, até, como o seu remate era perigoso. No entanto, e apesar de saber que esta, provavelmente, seria a sua derradeira chance de se relançar ao mais alto nível, Dominguez nunca passaria de um jogador intermitente e sem capacidade para, com regularidade, assumir o lugar de titular.
Depois de uma passagem pelo Al Ahli (Qatar) e pelo Vasco da Gama (Brasil), o atacante, com pouco mais de 30 anos, decide, em 2005, terminar a sua actividade como futebolista. Em 2010 surge novamente ligado ao futebol, quando o União de Leira o contrata para treinador das suas camadas jovens. Desde então, a sua actividade como técnico pô-lo também na rota do Sporting e, ultimamente e na sequência do acordo de cooperação firmado entre os "Verde e Branco" e o Real Cartagena, à frente dos destinos da equipa principal da Liga Colombiana.

351 - AYEW

A mudança para França aos 17 anos, talvez um pouco à custa da fama do irmão Abedi Pelé, faria prever um futuro promissor. A verdade é que a escolha pelas “escolas” do Metz revelar-se-ia pouco acertada e a imaturidade do jovem atleta haveria de fazer com que não conseguisse alcançar grande sucesso no emblema eleito. Ainda assim, apesar desse pequeno desaire, a aposta no avançado manter-se-ia uma realidade por parte dos responsáveis pelas selecções ganesas e no Verão de 1992, Kwame Ayew veria o seu nome incluído na convocatória para os Jogos Olímpicos de Barcelona, de onde sairia com a medalha de bronze.
A segunda aventura do avançado na Europa surgiria na temporada de 1993/94 e após a estreia como sénior no Al Ahli, do Qatar. Em Itália representaria o Lecce, mas o clube, em franca queda, acabaria por não ser, mais uma vez, a escolha acertada para mostrar as suas qualidades no mundo do futebol. Veria então os responsáveis do União de Leiria a acenarem-lhe com uma nova oportunidade. Em Portugal, a sua rapidez, destreza com a bola nos pés e alguma apetência para o golo, fá-lo-iam erguer uma carreira bem sustentada. Depois da campanha de 1995/96 passada na "Cidade do Lis", seguir-se-iam uma época cumprida ao serviço do Vitória Futebol Clube, um Boavista em franca ascensão e, finalmente, o Sporting.
Em Alvalade, na preparação da temporada de 1999/00, procurava-se construir uma equipa que pudesse devolver aos "Verde e Brancos" as faixas de campeão, conquistadas pela última vez há quase 18 anos! Peter Schmeichel tornar-se-ia no nome mais sonante dessa aposta leonina e Ayew acabaria por construir com o "gigante" dinamarquês uma grande amizade, aliás, como viria a recordar o guardião: "Ayew estava muito perto de ser o meu melhor amigo (...). Vim para Portugal sem falar português. Ele falava português, mas o nosso treinador era italiano e ele falava italiano, assim ele era o meu tradutor"*.
Depois do Sporting conquistar o Campeonato Nacional de 1999/00, Ayew, apesar de  com bastante frequência, mas sem conseguir conquistar a titularidade, procuraria dar novo rumo à carreira. Ao deixar Alvalade, seria na Turquia que, muito para lá do futebol, a sua vida iria sofrer um enorme "volte-face" - "Estava no quarto a dormir e alguém chegou e disse-me «Levanta-te, que quero mostrar-te uma coisa» (…). Eu perguntei «Quem és tu?» e essa pessoa disse-me que isso não interessava. Era um anjo (…). No meu sonho, saímos os dois pela janela e fomos a uma casa, onde havia muitas pessoas, de todas as raças e cores. Chegámos lá e esse anjo disse-me «Quero que faças coisas boas na Terra. Chamei-te para falares às pessoas da palavra de Deus»"**.
Depois desse episódio, de alguns anos passados em emblemas da China e de, no plantel de 2006/07 do Vitória Futebol Clube, ter posto um fim à actividade profissional como futebolista, Ayew decidiria entregar-se aos caminhos da religião. Nesse sentido, regressaria ao Gana, fundaria a igreja "Pastores de Jesus Cristo, o Senhor" e passaria o seu tempo entre as tarefas de padre, as funções de missionário e a ajuda aos mais necessitados.

*retirado da entrevista de Ameenu Shardow, publicada a 23/08/2012, em https://ghanasoccernet.com
**retirado do artigo de Susana Valente, publicada a 3/2/2012, em http://relvado.aeiou.pt

314 - VLADAN

Do alto do seu 1,94m, Vladan nunca passou despercebido. No entanto, para o guardião não só a altura contava. Entre os postes, o sérvio que a Ovarense foi contratar ao Macva Sabac para a temporada de 1992/93, sempre conseguiu juntar à estatura, um bom posicionamento e uns reflexos invejáveis.
Já como atleta do Leça e a disputar a 1ª divisão, o guarda-redes, ao valer-se dos seus atributos, afirmou-se como um dos melhores na sua posição, a disputar a prova maior do futebol português. Por essa razão, não houve qualquer surpresa quando, na imprensa nacional desportiva, começaram a surgir rumores do suposto interesse dos ditos "grandes" nos seus préstimos, nomeadamente do Benfica. A especulada transferência nunca veio a concretizar-se. Contudo, o valor de Vladan e o papel preponderante que desempenhou durante as 6 épocas, incluindo 3 primodivisionárias, em que defendeu o emblema de Leça da Palmeira, fizeram dele um histórico do clube.
Depois de retirado dos relvados, Vladan dedicou-se a gerir a carreira do irmão mais novo, o também guardião, internacional pela Sérvia e antigo atleta do Sporting, Vladimir Stojkovic. Mas a sua ligação ao mundo do futebol não fica por aqui. É que o seu filho, baptizado com o mesmo nome do tio, decidiu abraçar a defesa das redes e, neste momento, pertence às equipas jovens do Sporting Clube de Portugal.

306 - TONIÑO

Um dos primeiros atletas que, na leva publicada este mês, escolheu Portugal como destino, foi Toniño. Formado nas escolas do Athletic Bilbao, o médio poucas oportunidades teve no clube da sua cidade natal. Aliás, nunca chegou a envergar a camisola da equipa principal, tendo apenas passado pelo conjunto “b”.
Para dar continuidade à paixão pelo “jogo da bola” e aliciado pela perspectiva de alinhar na 1ª divisão portuguesa, Toniño, no começo da temporada de 1994/95, fez as malas e viajou até Trás-os-Montes. Adaptou-se facilmente ao Desportivo de Chaves e um pouco à imagem das gentes da região, o jogador basco, com uma enorme vontade, esforço, resistência, rapidamente cumpriu na obrigação de carregar às costas o emblema flaviense. Por mérito próprio tornou-se num verdadeiro “patrão” do meio-campo e a sua força, a juntar a um potente remate que permitia a exímia marcação de livres-directos, transformaram-no num dos preferidos da massa associativa.
Considerado pela imprensa especializada como um dos futebolistas de topo a actuar nas provas lusas, o “trinco” começou a ser cobiçado por emblemas de outra nomeada. Passados dois excelentes anos em Chaves, Toniño preferiu o Vitória Sport Clube e a possibilidade de, pelo emblema da “Cidade Berço, participar nas competições sob a custódia da UEFA. Porém, em Guimarães, a temporada de 1996/97 não correu da melhor maneira. Apesar de alguma regularidade na maneira como foi utilizado, as suas exibições pautaram-se pela mediania, nunca tendo conseguido afirmar-se como um dos titulares. Finda a dita época, o centrocampista regressou novamente aos flavienses e jogou mais 3 temporadas ao serviço da colectividade transmontana.
O último passo da sua carreira, depois da curta passagem pela 2ª Divisão B ao serviço da AD Fafe, fez-se no regresso ao seu país natal. Ao manter-se perto da zona fronteiriça, no Pontevedra acabou por ter um papel decisivo na história recente da agremiação galega, ao ajudá-los numa memorável promoção ao escalão secundário de Espanha. O carinho por ele cresceu de tal maneira que, depois de "penduradas as botas" em 2004, continuou ligado ao clube, mas nas funções de dirigente.

272 - CALADO

Até chegar a um dos “grandes” foram dois pulinhos! Ao princípio, veio a estreia como sénior no histórico lisboeta Casa Pia, para depois, já pela mão do Estrela da Amadora, chegar à 1ª Divisão. No clube sediado na Linha de Sintra, as boas exibições no centro do terreno rapidamente classificaram o médio como uma das boas promessas do futebol português. Os dividendos de tais prestações surgiram naturalmente, primeiro com a chamada à equipa lusa de sub-21 e, de seguida, com o interesse dos responsáveis pelo Benfica.
Tal foi a vontade das “Águias” em concretizar, que a contratação do jogador ficou concluída cerca de um ano antes da sua entrada no plantel dos “Encarnados”. Na Luz começou por ocupar um lugar que, durante muitos anos, pareceu estar amaldiçoado. Adaptado a defesa-lateral direito, Calado, longe do brilhantismo esperado, nunca deixou, muito à custa de uma faceta trabalhadora bem vincada, de cumprir o que era pedido. O reconhecimento desse esforço veio com a convocatória para representar Portugal nos Jogos Olímpicos de 1996, disputados na cidade norte-americana de Atlanta.
Mesmo com exibições positivas na defesa, a sua posição natural era o “miolo” do terreno e só depois de regressar ao lugar conseguiu explanar todas as capacidades futebolísticas. No centro do relvado, a sua visão e a capacidade para distribuir jogo à custa de passes longos e milimétricos conseguiam desequilibrar. Essas características catapultaram-no para um nível internacional. A aferir a sua importância vieram as chamadas à selecção principal portuguesa e, principalmente, a escolha do seu nome para capitanear as “Águias”.
O pior emergiu na última das 7 temporadas em que vestiu de vermelho. Vítima de uma cobarde calúnia por parte de uma imprensa duvidosa, Calado passou a surgir nas manchetes dos jornais associado a um suposto caso homossexual com um afamado cantor. Como se não bastasse, já sob o comando técnico de José Mourinho, num jogo em casa contra o Sporting de Braga, onde o Benfica estava a perder por 1-0, os adeptos, com alusões ao hipotético relacionamento, decidiram descarregar toda a frustração em cima de um daqueles que menos merecia. O médio, incapaz de fazer frente a tal injustiça, recusou-se a voltar ao campo depois do intervalo e o resultado foi um processo disciplinar movido pela direcção benfiquista.
No final dessa época, a de 2000/01, Calado, que, com alguma razão, tinha acusado o clube de não defender os jogadores, acabou por viajar para Espanha. No Betis de Sevilha procurou nova oportunidade para relançar a carreira. Contudo, a disputar a “La Liga” não conseguiu alcançar o propósito. Após dois anos em que pouco foi utilizado, acabou transferido para o modesto Poli Ejido, emblema a militar na segunda divisão de “nuestros hermanos”. Cumpridas mais 4 temporadas na Andaluzia, mudou a vida para o Chipre, onde, depois de ter representado o APOP e o AEP, decidiu, em 2010, pôr um ponto final à sua caminhada como futebolista.

235 - ARTUR JORGE

Artur Jorge é mais um daqueles típicos casos de dedicação exclusiva a um clube. É verdade, o defesa, salvo umas pequenas excepções de que falaremos mais adiante no texto, percorreu o seu caminho como profissional no mundo do futebol, praticamente ao serviço de um único emblema, ou seja, o Sporting de Braga. Foi na colectividade minhota que terminou a formação. Já a estreia como sénior aconteceu no Arsenal de Braga que, para quem não conhece, era, à imagem do que é hoje o Castilla para o Real Madrid, a equipa “B” ou, com um pouco mais de rigor, o conjunto "satélite" dos "Guerreiros do Minho".
No plantel principal bracarense entre a 1992/93 e 2003/04, Artur Jorge partilhou 12 anos de experiências que só não perfazem a totalidade da sua carreira, porque a derradeira temporada do defesa foi passada ao serviço do Penafiel. Como é de esperar num percurso tão longo, muitas foram as alturas difíceis, como as passadas no início dos anos 90, em que o Sporting de Braga teimou em vogar na metade inferior da tabela classificativa e, muitas vezes, apenas evitou a descida nas últimas rondas do Campeonato Nacional. Claro está que nem só momentos atribulados alimentaram a sua carreira e muitas e boas memórias o jogador acumulou ao longo do percurso profissional. No entanto, há instantes que marcam mais do que outros e os “derbies” com o Vitória Sport Clube, foram disso o melhor exemplo. Nesses embates há um que antigo futebolista, com compreensível orgulho, gosta de recordar. Refiro-me ao encontro da 34ª jornada de 1996/97, um nulo conseguido em Guimarães e que, com Manuel Cajuda no papel de técnico, permitiu aos “Guerreiros”, 19 anos depois, regressar às competições sob a alçada da UEFA.
 Hoje em dia, o ex-atleta, depois de uma pequena experiência à frente do Famalicão, dirige, com a raça e ambição que sempre foram reconhecidas nos seus dias como jogador, a equipa técnica que comanda os juniores do Sporting de Braga. Curiosamente, no seio desse grupo, outro Artur Jorge também merece destaque, pois é igualmente defesa-central e, como já adivinharam, é filho do antigo capitão bracarense.

105 - GIL BAIANO

Não conseguiu atingir a mesma quantidade de emblemas que o "cromo" anterior, mas 9 clubes na carreira não é nada mau! Bem, seria realmente um número a destacar, não fosse esse tipo de registo sinónimo de alguma mediocridade e o reflexo de muitas dispensas.
Voltando a Gil Baiano, é impossível dizer que sua carreira foi espectacular. Admirável, acabou também por ser o atrevimento das suas declarações, aquando da sua chegada a Lisboa. Em 1996, o lateral-direito apresentou-se como um “pé quente” e relembrou os troféus ganhos pelos emblemas anteriores. Não sendo de todo mentira, o que aconteceu no Sporting acabou bem longe de qualquer triunfo pessoal ou colectivo.
Claro que a sua carreira teve êxitos! Um deles, foi a convocatória à selecção brasileira. Porém, a primeira chamada conseguidas pelo defesa, nasceu de um episódio, um tanto ou quanto, caricato. Em 1991, Falcão, o seleccionador da altura, lembrou-se de não listar jogadores que representassem emblemas estrangeiros. Dessa decisão surgiu a oportunidade para o lateral que, desse modo, atingiu a meia dúzia de internacionalizações.
 Gil Baiano também ganhou um “Brasileirão” ao serviço do Palmeiras e vários “estaduais”. No entanto, a imagem que deixou em Portugal, principalmente na memória dos adeptos leoninos, foi a de um jogador sem "chama", a de um jogador lento que demorava a atacar e mais atrasado chegava na hora de defender!