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1697 - PARENTE

Nascido a 8 de Abril de 1961, o destaque merecido às suas qualidades fariam com que Carlos Alberto Bastos Parente, ainda numa idade deveras precoce, fosse chamado aos trabalhos da equipa sénior do Sintrense. No entanto, essa temporada de 1977/78 não acabaria marcada apenas por esse fantástico feito. Mesmo a competir na 2ª divisão, também da Federação Portuguesa de Futebol haveriam de reparar no seu talento e o jovem médio, a 4 de Fevereiro de 1978 e no âmbito dos actuais sub-16, participaria, convocado por Peres Bandeira, numa partida de Portugal frente à Bélgica.
Ao evidenciar-se pelos passos relatados no parágrafo anterior, Parente teria na equipa de juniores do Benfica o passo seguinte da carreira. Porém, depois de um ano nas “escolas” dos “Encarnados”, na época de 1979/80 o médio-centro apareceria, treinado por José Torres, ao serviço do conjunto principal do Estoril Praia. Seguir-se-ia, mantendo-se o atleta nas pelejas da 1ª divisão, a Académica de Coimbra. Para infelicidade do jogador, a temporada de estreia na “Cidade dos Estudantes”, tal como tinha acontecido na agremiação da Linha de Cascais, terminaria com a descida do conjunto por si defendido. Na sequência do aludido desaire, as 3 campanhas subsequentes seriam passadas no 2º escalão e tal cenário só viria a modificar-se com nova mudança de clube.
Na chegada ao Boavista, Parente voltaria a trabalhar sob a alçada de Mário Wilson, o seu primeiro treinador na Académica de Coimbra. A justificar a contratação dos “Axadrezados”, essa temporada de 1984/85, muito mais do que devolver o centrocampista às contendas primodivisionárias, levá-lo-ia a ser tido como um dos grandes destaques do conjunto portuense. Contudo, contrariamente à evolução revelada até aí, a época seguinte, por razões que não consegui aferir, transformar-se-ia num autêntico ocaso para o jogador. Aliás, a titularidade, de forma inquestionável, recuperá-la-ia apenas em 1987/88, mas ainda a tempo de proporcionar para a sua carreira outro feito de contornos inolvidáveis.
Ao dar seguimento a uma série de chamadas às mais diversas selecções portuguesas, incluindo, nessas convocatórias, a participação no Mundial sub-20 de 1979, o jogador, a 11 de Novembro de 1987, teria a oportunidade de fazer a estreia com a principal “camisola das quinas”. Nessa partida frente à Suíça, a contar para a Fase de Apuramento do Euro 88, o médio-centro entraria em campo pela mão de Juca. Seguir-se-ia, ainda no âmbito da mesma qualificação, a contenda frente à Itália e, como resultado da última partida mencionada, num total de 25 internacionalizações, Parente ficaria também a contar com 2 jogos efectuados pelos “AA” de Portugal.
No que diz respeito ao percurso clubístico, Parente teria no Boavista o emblema mais representativo da sua caminhada profissional. Com os “Axadrezados” a lutar pelos lugares cimeiros das diferentes competições internas, os grandes destaques desse trajecto de 7 temporadas ao serviço das “Panteras Negras”, viriam com as várias participações nas competições sob a intendência da UEFA e com o 3º lugar, conquistado no termo da campanha de 1988/89, no Campeonato Nacional. Depois, sempre nas pelejas da 1ª divisão, surgiriam os 3 anos com as cores do Salgueiros. Por fim, como o derradeiro capítulo de um trajecto com laivos de enorme brilhantismo, emergiria a época de 1994/95 cumprida ao serviço do Marco.

1523 - TOZÉ

Ainda como júnior do Penafiel, agremiação onde completaria o percurso formativo, António José Alves Ribeiro, popularizado no mundo do futebol como Tozé, faria a sua estreia como sénior. Apesar de nessa temporada de 1983/84, pela mão do treinador Fernando Tomé, ter apenas entrado em campo numa partida a contar para a Taça de Portugal, a verdade é que a temporada seguinte revelaria um atacante bem mais afirmativo e preparado, mesmo em contexto primodivisionário, a ser utilizado com bastante frequência.
Daí em diante, o extremo passaria a ser tido como um dos elementos mais promissores do clube duriense e tal facto levá-lo-ia, por parte dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol, a ser tido como um elemento capaz de acrescentar valor às jovens equipas lusas. Inserido nos trabalhos dos sub-21, o atleta estrear-se-ia a 15 de Outubro de 1985. Essa partida frente à antiga Checoslováquia serviria de arranque a uma caminhada que levaria o avançado primeiramente à disputa da edição de 1986 do afamado Torneio de Toulon e anos mais tarde à primeira internacionalização “A”. Com a principal “camisola das quinas”, o jogador seria convocado por Artur Jorge e num particular frente a Espanha, agendado a 16 de Janeiro de 1991, conseguiria disputar um desafio pela equipa de maior monta em Portugal.
Após 4 épocas em que conseguiria destacar-se como um dos intérpretes mais proeminentes do Penafiel, Tozé, numa altura em que a sua equipa estava na disputa da 2ª divisão, teria a oportunidade de regressar ao convívio com os “grandes”. Contratado como reforço do Vitória Sport Clube para a época de 1987/88, o extremo, apesar de números aceitáveis, ficaria um pouco aquém das expectativas criadas em seu redor. Talvez tenha sido essa avaliação a levá-lo a trocar de emblema e sensivelmente um ano sobre a sua chegada a Guimarães, o atacante mudar-se-ia para a Madeira, onde, nas duas campanhas seguintes, passaria a representar o Marítimo. Todavia, onde voltaria a reaver o elã de anos anteriores seria já ao serviço do Beira-Mar. No plantel sediado na cidade de Aveiro, sob o comando de Vítor Urbano, o jogador voltaria a recuperar o estatuto de titular. Dessa maneira, seria um dos pilares da brilhante campanha dos “Auri-negros” e, para além de ajudar no 6º posto conseguido com o termo do Campeonato Nacional de 1990/91, ainda contribuiria, mesmo sem entrar em campo no Jamor, para a chegada à final da Taça de Portugal.
Seria já como internacional “A” que Tozé, depois de uma época em Aveiro, chegaria ao FC Porto. Nas Antas a partir de 1991/92, o extremo passaria a trabalhar sob a intendência de Carlos Alberto Silva. Mesmo com um plantel cheio de craques, a primeira temporada nas “Antas” daria, distribuídas entre as competições nacionais e as de índole continental, um número muito satisfatório de partidas disputadas. O pior viria na campanha seguinte, com o jogador a perder, nas estratégias do aludido treinador brasileiro, o espaço conquistado inicialmente. Já depois do arranque das provas agendadas para 1993/94, com Tomislav Ivic à frente dos destinos técnicos dos “Azuis e Brancos”, o atacante acabaria dispensado e a transferência para o Gil Vicente surgiria como a solução encontrada para a sua caminhada profissional.
À chegada a Barcelos, ganhos ao serviço do FC Porto, já o jogador contava no seu palmarés com a vitória em 2 Campeonatos Nacionais e 1 Supertaça. Com o estatuto potenciado por tão importantes troféus, o atleta configurar-se-ia como um dos nomes de relevo no plantel dos “Galos”. Ainda assim, o final da temporada traria a sua mudança para o Algarve. Com as cores do Farense, Tozé, mesmo com alguns períodos em que não conseguiria alcançar a titularidade, passaria 3 temporadas de bom nível, sendo, em 1994/95, um dos intérpretes do 5º lugar alcançado no Campeonato Nacional. Já na campanha seguinte, acabaria a participar na Taça UEFA e o extremo, na eliminatória frente aos gauleses do Olympique Lyon, entraria em campo em ambas as mãos.
Como último capítulo da sua carreira, depois de 13 temporadas no escalão máximo, viria o regresso a um Gil Vicente a disputar a edição de 1997/98 da divisão de Honra e, com o termo da campanha referida, o avançado decidiria “pendurar as chuteiras”.

1517 - HILÁRIO


Com a formação terminada no 1º Maio Futebol Clube Sarilhense, Hilário Fernandes Gomes, já com algumas épocas cumpridas nas disputas do calendário sénior, começaria a despertar a atenção de outros emblemas da Margem Sul do Rio Tejo. Nesse sentido, em 1978/79, o médio-defensivo seria apresentado como reforço do plantel do Grupo Desportivo da Quimigal, nova denominação para a antiga CUF.
Ainda a militar nos escalões secundários, após 4 campanhas no emblema sediado no Lavradio, onde partilharia o balneário com nomes conceituados do futebol português, casos de Oliveira, Vítor Pereira, Fernando Vicente, Crisanto ou Barradas, Hilário transitaria para o FC Barreirense. Com o listado branco e vermelho a partir da temporada de 1982/83, mesmo longe dos principais holofotes futebolísticos, o jogador conseguiria valorizar-se como um praticante de entrega inabalável. Esse acréscimo na sua cotização fá-lo-ia ser cobiçado por colectividades a lutar por objectivos de maior monta e a 1ª divisão, numa evolução deveras positiva, finalmente chegaria à caminhada competitiva do atleta.
As portas do escalão máximo ser-lhe-iam abertas pelo Vitória Sport Clube. No Minho, onde entraria acompanhado por Neno, seu colega no Estádio Dom Manuel de Mello, a época da sua chegada, a trabalhar às ordens do belga Raymond Goethals, correria de forma francamente positiva. Mesmo tendo em conta as prestações colectivas algo discretas, a verdade é que a época de 1984/85, em termos meramente pessoais, terá sido, por ventura, a mais bem conseguida na caminhada do jogador. Infelizmente, numa altura em que parecia estar a afirmar-se no convívio com os “grandes”, o médio não conseguiria dar continuidade às boas prestações ostentadas na época de arranque na “Cidade Berço”. Ainda assim, a cotação do atleta não sofreria um impacto irreparável e o Belenenses suceder-se-ia no seu trajecto.
Mesmo ao manter-se no patamar maior, a verdade é que Hilário não iria impor-se como um dos indiscutíveis dos “Azuis”. Nesse sentido, as duas épocas passadas no Estádio do Restelo, a de 1986/87 e a seguinte, ficariam aquém do espectável. O médio-defensivo, tanto a trabalhar sob o comando do belga Henri Depireux, como na temporada subsequente, onde seria orientado por Marinho Peres, pouco haveria de entrar em campo. Salvar-se-iam, em contribuições dignas de registo, a cooperação oferecida na qualificação para as provas de índole continental e, inserido o Belenenses na edição de 1987/88 da Taça UEFA, a sua presença em Camp Nou, na eliminatória frente ao FC Barcelona de Schuster, Lineker, Carrasco, Zubizarreta, entre outros craques mundiais.
De volta aos escalões secundários, a temporada de 1988/89 marcaria igualmente o seu regresso ao Estádio Dom Manuel de Mello. Daí em diante, ao envergar a camisola do emblema da Margem Sul por 5 campanhas consecutivas, o FC Barreirense tornar-se-ia na agremiação mais representativa da sua carreira. Porém, essa nova passagem pela colectividade aproximá-lo-ia dos derradeiros capítulos da caminhada desportiva. Já o fim dessa senda viria a emergir com o termo das competições agendadas para 1993/94 e depois de um ano a representar o Palmelense.

1465 - MATIAS


Ao completar a formação no Salgueiros, seria no decorrer do último ano como júnior, a temporada de 1982/83, que Manuel Matias, sob a intendência de Henrique Calisto, viria a ser chamado à equipa principal. Com uma maturidade acima da média, mesmo a actuar na 1ª divisão, não tardaria muito para que o jovem defesa-central alcançasse uma posição de destaque no plantel. Logo na temporada a seguir à estreia como sénior, o jogador assumir-se-ia como um dos esteios do sector mais recuado da colectividade de Paranhos. Ao revelar-se como um elemento seguro, valente e incansável, daí em diante, mesmo com a mudança de treinadores, o seu nome passaria a ser uma constante no alinhamento inicial do conjunto portuense.
A preponderância ganha no clube levá-lo-ia a ser chamado aos trabalhos das equipas na alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos “esperanças”, Matias estrear-se-ia com a “camisola das quinas” a 23 de Fevereiro de 1985. A partida frente à Republica Federal Alemã, uma vitória por 2-1, serviria de arranque a uma ligação que daria ao jogador, no escalão referido, 2 internacionalizações. Mais tarde, ainda seria convocado para os desafios dos “olímpicos”, contudo não chegaria a entrar em campo.
Das 7 campanhas feitas por Matias no conjunto principal do Salgueiros, com as 6 primeiras cumpridas no escalão máximo, as duas últimas seriam as de menor aproveitamento pessoal. Talvez por querer dar um novo empurrão à carreira, o defesa-central, para a temporada de 1988/89, decidiria rumar ao Rio Ave. Porém, a mudança mantê-lo-ia na disputa da 2ª divisão e com o emblema de Vila do Conde a quedar-se abaixo do meio da tabela classificativa, o jogador voltaria a cambiar de direcção. Já a experiência no União da Madeira de 1990/91, devolvê-lo-ia, não só ao degrau maior do futebol luso, como sublinharia o atleta como um praticante de predicados merecedores de outros voos. Essa constatação encaminhá-lo-ia para o Vitória Sport Clube e para o período mais produtivo da sua caminhada competitiva.
A representar o emblema sediado em Guimarães a partir da campanha de 1991/92, Matias, sempre como um dos elementos mais importantes nas manobras tácticas do clube, ajudaria os vimaranenses a lutar pelas posições cimeiras da tabela classificativa. Nessa senda, o defesa-central acabaria por fazer a sua estreia em competições de índole continental. Na Taça UEFA de 1992/93, o atleta participaria em 3 das 4 partidas disputadas pelos minhotos na aludida competição. Tendo entrado em campo numa das mãos com os neerlandeses do Ajax, o maior destaque iria para a eliminatória frente à Real Sociedad, na qual, para além de titular em ambas as partidas, o atleta ajudaria a afastar a formação basca.
A entrar na veterania, Matias trocaria a agremiação da “Cidade Berço” pelo Leça. Já no decorrer dessa temporada de 1995/96, durante a qual manteria bons níveis exibicionais, uma nova proposta surgiria no seu caminho. Com o FC Porto à procura de remodelar o grupo de trabalho, o defesa-central seria escolhido por Bobby Robson como um dos reforços para a segunda metade da época. No entanto, a chegada a um dos “grandes” não seria fácil para o jogador e a presença de craques como Aloísio, José Carlos ou Jorge Costa dar-lhe-ia poucas oportunidades. Ainda assim, o tempo passado nas Antas seria proveitoso e ao seu currículo adicionaria a conquista do Campeonato Nacional.
A época seguinte à saída dos “Dragões” dividi-la-ia, ainda na 1ª divisão, entre o Vitória Futebol Clube e o Gil Vicente. Depois viriam as campanhas ao serviço do Trofense e o “pendurar das chuteiras” com o termo da época de 1998/99. Porém, mesmo ao pôr um fim na caminhada enquanto futebolista, Matias voltaria a ligar-se à modalidade, dessa feita na condição de treinador. Nas funções de técnico, o antigo defesa tem orientado equipas de norte a sul de Portugal Continental e também nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Para além dos conjuntos lusos, há ainda a realçar as experiências em vários países do Médio Oriente ou as suas incursões por África.

1415 - JESUS


Com a formação dividida entre o Sporting de Espinho e as “escolas” do FC Porto, António Jesus, na transição para sénior, seria apresentado como reforço do Desportivo de Chaves. Depois dessa temporada de 1973/74, ainda a título de empréstimo e mantendo-se na disputa da 2ª divisão, seguir-se-ia o Lusitânia de Lourosa. O guarda-redes ainda regressaria ao plantel de 1975/76 dos “Dragões”. Porém, ver-se-ia sempre tapado por outros colegas, casos de Rui ou Tibi, e preterido nas escolhas do treinador Aimoré Moreira.
A mudança de paradigma, ou seja, a afirmação de Jesus como um intérprete de cariz superior ou com habilidades primodivisionárias, ocorreria com a sua entrada no Beira-Mar. Nessa temporada de 1976/77, durante a qual faria a estreia na 1ª divisão, o guardião daria os passos que o levariam, com grande convicção, a cimentar a sua carreira. Antes ainda dessa definição, o atleta teria um pequeno revés, com o conjunto de Aveiro a passar pelo escalão secundário. Contudo, esse tropeção traduzir-se-ia num episódio insignificante e, mesmo afastado dos principais escaparates, as suas exibições seriam suficientes para promovê-lo no regresso ao convívio com os “grandes”.
O emblema que voltaria a abrir-lhe as portas da 1ª divisão, seria o Varzim. Daí em diante, praticamente até aos derradeiros anos do seu percurso como futebolista, Jesus manter-se-ia nos degraus cimeiros das provas lusas. Após cumprir 3 anos como o dono da baliza dos “Lobos do Mar”, onde, sob a intendência de António Teixeira, contribuiria para o histórico 5º lugar alcançado com o fim do Campeonato Nacional de 1978/79, o guardião chegaria ao emblema que mais marcaria a sua caminhada profissional. No Vitória Sport Clube a partir de 1981/82, só nessa passagem inicial, cumpriria 7 campanhas consecutivas. É verdade que acumularia algumas épocas de parca utilização. Ainda assim, o tempo passado em Guimarães serviria para somar ao currículo momentos de grande importância. Nesse sentido, há a relembrar as participações nas provas sob a alçada da UEFA e, como é óbvio, as chamadas às equipas a trabalhar sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol.
A envergar a “camisola das quinas”, com a estreia pelos “olímpicos” a 30 de Outubro de 1983, António Jesus também chegaria ao conjunto principal. Com a primeira presença em campo a acontecer, pela mão de Rui Seabra, a 4 de Fevereiro de 1987, o jogador, no período caracterizado pelo rescaldo do “Caso Saltillo”, seria um dos atletas mais vezes chamado a defender as cores lusas. Na sequência dessa primeira internacionalização, um particular, disputado no Estádio 1º de Maio, frente à Bélgica, o guarda-redes voltaria a ser arrolado já para as partidas a contar para a Fase de Qualificação do Euro 88 e acabaria a acumular um total de 7 internacionalizações “A”.
Caracterizado como um guarda-redes de baixa estatura, mas com uma forma física invejável, com reflexos felinos e bem arrojado, Jesus, mesmo com a saída do Vitória Sport Clube, continuaria no radar dos emblemas primodivisionários. Na caminhada profissional, ainda teria a oportunidade, em ambos os emblemas com passagens de um ano, para representar o Leixões e o Desportivo de Chaves. De seguida, o desafio lançado pela agremiação comandada tecnicamente pelo brasileiro Paulo Autuori, levá-lo-ia, na campanha de 1990/91, a regressar à “Cidade Berço” e a cumprir outras 3 campanhas de belíssimo resultado. Por fim, de volta a Trás-os-Montes, surgiriam a época de 1993/94 passada na disputa da Divisão de Honra, o convite para, com a saída de Carlos Garcia, passar a assumir as rédeas da colectividade flaviense e, sob a sua alçada, a subida ao escalão máximo do Desportivo de Chaves.
Já decidido a continuar nas tarefas de treinador, António Jesus ergueria uma carreira feita, na grande essência, de emblemas a esgrimirem-se pelos patamares secundários. Ainda assim, há que destacar a sua experiência à frente do Marítimo, os 4 anos a trabalhar com o Sporting da Covilhã, o convite de Manuel Machado para integrar a equipa técnica do Vitória Sport Clube e, pela sua carga emocional, as passagens pelo emblema da sua terra natal, o Sporting de Espinho.

1260 - ARMANDO


Ao transitar, na temporada de 1983/84, da equipa de juniores para o conjunto principal do Sport Comércio e Salgueiros, Armando dos Santos, sem que ainda alguém soubesse, estava a dar os primeiros passos para ser tido como um dos bons avançados que, na passagem da década de 1980 para os anos de 1990, haveriam de colorir os diferentes palcos do panorama competitivo português.
Na referida campanha de estreia, com a primeira partida sénior do avançado a acontecer pela mão do treinador Octávio Machado, poucas seriam as vezes em que marcaria presença em campo. No entanto, a época seguinte destaparia um cenário completamente diferente, com o ponta-de-lança a conseguir revelar-se, não só como um dos elementos do plantel usado com maior frequência, mas como um dos atletas que passaria a compor o “onze” tipo idealizado pelo técnico Henrique Calisto.
Armando, daí em diante, posicionar-se-ia como uma das peças fulcrais no xadrez táctico do conjunto sediado no portuense bairro de Paranhos. Apesar da aparência esguia, a verdade é que o atacante, em todas as rondas, assumiria sempre uma postura bastante batalhadora. Ajudado pela avantajada altura, o avançado ficaria célebre pela atitude intrépida. Sem qualquer receio de pelejar com os defesas contrários, as jogadas por si conduzidas tornar-se-iam em acções fulcrais para o sucesso dos objectivos traçados para o grupo e os golos por si concretizados num tónico para voos de cariz pessoal.
Independentemente da mudança ou continuidade dos treinadores, a titularidade do jogador manter-se-ia como de crucial monta para a manutenção, numa boa sucessão de anos, do Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro como um dos escaparates futebolísticos do escalão máximo português. O estatuto ganho por Armando durante essas 4 temporadas na 1ª divisão, levaria outros emblemas a olhar para os seus serviços como capazes de reforçar os intentos colectivos dos respectivos grupos de trabalho. Nesse sentido, a proposta vinda dos responsáveis directivos do Boavista acabaria por levar o avançado a cambiar de cor de camisola e a abraçar o Bessa como a nova casa.
Nos “Axadrezados” a partir de 1987/88, o jogador, na primeira época no novo emblema conseguiria alimentar os números da sua carreira de forma bem cevada. Daí em diante, ainda que com registos mais discretos, Armando manter-se-ia sempre como um elemento muito participativo. Em 4 campanhas primodivisionárias, com o clube a lutar por metas mais cimeiras, o grande destaque da sua passagem pelas “Panteras” viria com o 3º posto conquistado no final da edição de 1988/89 do Campeonato Nacional. Com tal classificação, emergiria também a participação nas provas continentais agendadas para a temporada seguinte. Contudo, para a infelicidade do atleta, o treinador Raul Águas não levaria o avançado a entrar em campo na eliminatória frente aos alemães do Karl-Marx-Stadt.
Nas épocas subsequentes começaria por envergar a camisola do Gil Vicente para, um ano de depois da chegada a Barcelos, passar a trajar as cores do Farense. Com mais três campanhas na 1ª divisão a enriquecer-lhe o currículo, a passagem pelo Algarve, após 11 campanhas consecutivas no patamar máximo, marcaria o fim de Armando no convívio com os “grandes”. Seguidamente, a dividir a época em duas, chegariam ao percurso do avançado o Amora e o FC Marco. Daí em diante, uma verdadeira incógnita! Ao saber que o atleta completou a campanha de 1994/95 com 29 anos de idade, a verdade é que não encontrei qualquer outro registo capaz de elucidar-me sobre o prolongamento, ou não, da sua carreira! Terá “pendurado as chuteiras”? Terá continuado a caminhada competitiva noutro país? A dúvida persiste! Ainda assim, há uma pista. Sem saber grandes pormenores, cheguei a ler que o atleta, numa determinada altura, terá aberto uma loja de artigos de desporto no Luxemburgo.

1139 - RONNIE GLAVIN


Ao aproveitar a descida do Partick Thistle ao segundo escalão escocês, Ronnie Glavin, até aí um elemento não muito utilizado do plantel, conseguiria assumir-se como um dos jogadores mais importantes no regresso do seu emblema à “Premier Division”. De volta ao patamar máximo na temporada de 1971/72, seria ainda na metade inicial dessa campanha que venceria o primeiro grande troféu da carreira. Chamado ao “onze” inicial, ajudaria a derrotar o Celtic e, depois de uma vitória por 4-1, a inscrever a conquista da Taça da Liga no palmarés pessoal.
Curiosamente, seria o Celtic o próximo emblema na sua caminhada profissional. Depois de destacar-se como um futebolista talentoso, dono de uma técnica superior, de uma enorme visão de jogo e de um remate tão valioso como as outras habilidades já referidas, ainda no Partick Thistle começariam a surgir os primeiros rumores de emblemas interessados na contratação do médio-ofensivo. Veiculados Manchester United e Glasgow Rangers como futuros destinos, seria o apelo do emblema de que era adepto que levaria o atleta a mudar de cores.
Após 6 épocas ao serviço do Partick Thistle, a mudança na temporada 1974/75 para o Celtic, transformaria o médio no jogador mais caro da história do emblema “católico”. Talvez pressionado pelos números da transferência, a verdade é que a primeira campanha de Ronnie Glavin de “verde e branco” seria um pouco discreta. Todavia, daí em diante conseguiria afirmar-se como um dos elementos de referência no seio do plantel. Nesse sentido, a parceria com Kenny Dalglish tornar-se-ia num bom tónico para alavancar as exibições do atleta. Já como um dos elementos mais utilizados da equipa, e depois da vitória na Taça da Escócia de 1974/75, seguir-se-iam outros títulos, com destaque para as vitórias nas edições de 1976/77 e 1978/79 da Liga escocesa e ainda para a conquista de outra Scottish Cup, em 1976/77.
A importância revelada em cada jogo levá-lo-ia a ser convocado à selecção nacional. Incrivelmente, e ao destacar-se como um dos bons nomes do futebol escocês dos anos 70, Ronnie Glavin apenas conseguiria 1 internacionalização na sua carreira sénior. Nessa partida, disputada no mítico Hampden Park a 27 de Abril de 1977, acabaria por defrontar a congénere sueca. Chamado a jogo pelo treinador Willie Ormond, o médio entraria no “onze” inicial e contribuiria, no “particular” frente á nação escandinava, para a vitória por 3-1.
Outro pormenor interessante sobre a sua carreira, aconteceria no final da campanha 1978/79, com o fim da ligação ao Celtic. Apesar de ser um dos nomes habituais na ficha de jogo, a especulada necessidade de dar um novo ânimo à sua caminhada competitiva, levaria o médio a procurar um novo rumo. Até aqui tudo normal, mas a grande curiosidade desse episódio tornar-se-ia na escolha da nova colectividade a representar, ou seja, na troca do histórico emblema da cidade de Glasgow pela 3ª divisão inglesa e pelo modesto Barnsley. No entanto, a transferência traria, pelo menos a nível pessoal, algo extra ao currículo do jogador. Ao fim de 5 temporadas de excelsas exibições, Ronnie Glavin tornar-se-ia na grande estrela da equipa, ao ponto de, ainda hoje, ser recordado como um dos melhores atletas de sempre do conjunto sediado em Yorkshire.
Seria então do Barnsley que, já numa etapa avançada da sua carreira, reforçaria o Belenenses. Sob a alçada do britânico Jimmy Melia, mesmo já com 34 anos de idade, o médio-ofensivo assumiria um papel importante no esquema táctico dos “Azuis”. No Restelo marcaria presença na maior parte das pelejas calendarizadas para a temporada de 1984/85, mas a ligação com os da “Cruz de Cristo” terminaria após um ano de boas exibições. Seguir-se-ia o regresso a Inglaterra e os primeiros passos em novas funções. De volta ao Barnsley, ainda que no papel de adjunto-jogador, começaria a ganhar alguma experiência como técnico. Passaria, também nessas funções, pelo Stockport County, onde voltaria a encontrar-se com o “manager” inglês com quem tinha trabalhado em Lisboa.
Já após representar os escoceses do Cowdenbeath e os norte-americanos do St. Louis Steamers, Ronnie Glavin passaria a dedicar-se, em exclusivo, às tarefas de treinador. Numa carreira bem longa, o antigo internacional pela Escócia trilharia o seu caminho em emblemas de escalões mais baixos e patamares amadores de Inglaterra.

672 - FOLHA


Feito numa das escolas que, durante a década de 70, se tornou famosa pelas fornadas de craques, Folha começou por ser uma das jovens estrelas do Leixões. A sua estreia na equipa principal em 1975/76, mas, acima de tudo, a sua afirmação logo na temporada seguinte, deixariam antever grandes sucessos na sua carreira. Todavia, e se no plano pessoal tudo parecia correr bem, já em termos colectivos a equipa de Matosinhos afastar-se-ia dos objectivos traçados. A descida de escalão acabaria mesmo por se tornar uma realidade e o avançado passaria a disputar o segundo patamar do futebol português.
Ainda que longe da divisão cimeira, as exibições de Folha chamariam a atenção de alguns dos emblemas com mais tradição no desporto nacional. Veloz, com uma técnica acima da média e a capacidade para marcar golos, ao atleta foram apenas necessárias duas épocas para que o seu nome voltasse a ser bastante falado. Após a referida despromoção, e ainda com o Leixões a disputar a 2ª divisão, Boavista e Sp.Braga entrariam na disputa pelos seus serviços.
Quem ganharia a corrida, até pela proximidade geográfica, seriam os da cidade do Porto. No Estádio do Bessa, numa equipa orientada por Mário Lino, Folha, indubitavelmente, viveria os melhores momentos da sua carreira. Tudo começaria no ano da sua chegada, com a estreia nas competições europeias e, numa vitória frente aos rivais do FC Porto (2-1), com a conquista da Supertaça de 1979/80.
A época seguinte, traria a confirmação de que Folha era um atacante de topo. Com muitos golos concretizados, o que o levaria a atingir a 3ª posição na tabela dos melhores marcadores, o atacante teria o prémio por muitos desejado. Para um jogo de preparação, Juca, à altura o seleccionador nacional, incluí o seu nome no lote de convocados. Esse particular frente à Bulgária, acabaria por ser a sua única chamada à principal equipa de Portugal. Ainda assim, um justo reconhecimento pelo seu trabalho e excelsas qualidades.
Já com o estatuto de internacional a colorir o seu currículo, Folha chega ao Benfica. Contudo, aquilo que era o concretizar de um sonho, pois fazia a estreia no clube do seu coração, acabaria por não correr tão bem. Tapado por Filipovic, Nené, Reinaldo, entre outros, o atacante nunca passaria de uma escolha de recurso. A falta de jogos ensombraria a sua curta passagem pelo Estádio da Luz e, logo na época seguinte, o atleta acabaria por voltar ao Norte do país.
É no Varzim que dá seguimento à sua carreira. Mais uma vez com o estatuto de titular, os golos voltam ao seu quotidiano com uma naturalidade espantosa. Com eles, regressa a sua peculiar maneira de os celebrar. Os mortais, mais uma vez, passam a fazer parte da rotina do jogador e Folha, entre 1982 e 1985, volta a cotar-se como um dos melhores na sua posição.
Após um discreto regresso ao Boavista, que, por sinal, marcaria a sua derradeira temporada na 1ª divisão, Folha entra na última fase da carreira. Uma lesão no joelho, e consequente operação e recobro, aceleram esse mesmo processo. Já depois de vogar pelos escalões secundários, com destaque para a passagem no Beira-Mar, Folha decide pôr um ponto final na sua vida de desportista profissional.

617 - LÚCIO


Decididos a formar um pequeno clube de rua, um grupo de adolescentes amantes do futebol, organiza-se para jogar um torneio da modalidade. Acabando, no seio de equipas constituídas por adultos, por vencer a dita competição, houve logo quem vaticinasse bom futuro para aqueles amigos. Lúcio, que apenas tinha ido para a baliza por não haver mais ninguém, acaba por merecer um tal destaque que, quase em seguida, é convidado para ir fazer testes a emblemas como o FC Porto e Leixões.
Como da sua Leça da Palmeira até ao Estádio do Mar, era uma distância mais curta, o jovem lá anuiu em mostrar as suas habilidades, num treino. A aptidão que mostraria na altura, levaria a que os responsáveis leixonenses quisessem acompanhá-lo a casa. A razão? Apenas uma! O de convencer a sua mãe a deixá-lo assinar pelo cube de Matosinhos!
Ainda com idade de juvenil, o guarda-redes entra directamente para a equipa de juniores. Essa ideia, a de que mostrava ser sempre melhor que os demais no seu escalão, leva a que, pouco mais de um ano depois de ter entrado para o clube, comece a treinar com a equipa principal. A definitiva transição acabaria, também, por não tardar. Contudo, e ao contrário do que, até então, tinha acontecido, Lúcio acaba por encontrar algumas dificuldades em impor-se. Esses obstáculos, normais a qualquer jovem futebolista, levá-lo-iam a Bragança.
No Desportivo transmontano, conquista a titularidade. Esse estatuto, faz com consiga o traquejo para que, na volta ao clube de origem, comece a jogar regularmente. No entanto, logo no ano seguinte ao seu regresso (1976/77), com o Leixões a encetar um plano para a conquista dos lugares “europeus”, Lúcio acaba por tornar-se na terceira escolha dentro do plantel. A tal ideia das competições europeias acaba por sair defraudada. O que realmente acontece, muito diferente do inicialmente desejado, é a descida do clube. Ainda assim, a dita despromoção acabaria por ter os seus aspectos positivos e Lúcio recupera a constância nas convocatórias.
Este episódio acaba por preceder um período em que o atleta, sempre com as cores do Leixões, passaria a disputar a 2ª divisão portuguesa. Ainda que afastado dos principais palcos nacionais, o nome do guardião continua a despertar o interesse de outros clubes. É nesta senda que, para a temporada de 1982/83, Lúcio volta à 1ª divisão. Quem o acolhe neste regresso, acaba por ser o Varzim. Na Póvoa, volta a mostrar todo o seu valor. A prova disso mesmo, ele que por várias vezes haveria de ser chamado à equipa olímpica, é a convocatória para a selecção principal portuguesa. Essa partida disputada em Milão, a contar para a fase de apuramento do Euro 88, haveria de ser o apogeu daqueles que foram, como o próprio haveria de descrever, “os melhores momentos da minha carreira"*.
Essas circunstâncias, a que o Varzim e as boas classificações que o clube conseguiria durante os anos 80, não são alheias, elevariam Lúcio à condição de um dos melhores de Portugal, a actuar na sua posição. O referido estatuto, mantê-lo-ia mesmo nas últimas épocas da sua carreira. Tanto no Tirsense, pelo qual disputaria a 1ª divisão, ou na derradeira passagem pelo Varzim, Lúcio manteria as suas qualidades intactas.
Mesmo depois de “pendurar as luvas”, o antigo internacional português seria incapaz de manter-se afastado da modalidade. Já há longos, nas funções de adjunto, que acompanha Carlos Brito. Essa experiência tem-no levado a diferentes clubes, como são exemplos o Rio Ave, o Estrela da Amadora, o Boavista, o Nacional, o Leixões e o Penafiel. Curioso é que, apesar de, nas tarefas de treinador, nunca ter defendido o Varzim, Lúcio continua a ser imensamente recordado. Esse carinho haveria de ser mostrado a Fevereiro de 2014, quando os “Lobos do Mar” o agraciariam com o prémio de “Atleta Honorário”. 


*retirado do jornal “Record”, a 17 de Fevereiro de 2014

582 - PEREIRINHA

Com a polivalência como principal arma, Pereirinha foi trilhando o seu caminho entre as selecções jovens portuguesas e os escalões de formação do Benfica. Tanto no meio-campo, como nas laterais da defesa, o jovem jogador lá ia mostrando que as suas habilidades eram feitas de verdadeiro talento. Essa mesma mestria seria reconhecida por John Mortimore, que, para o começo da temporada de 1977/78, o chamaria para os trabalhos do plantel principal.
Depois da estreia oficial frente aos dinamarqueses do B1903 Kobenhavn, partida a contar para a Taça dos Campeões Europeus, e apesar de, a espaços, ir dando o seu cunho aos jogos dos "Encarnados", Pereirinha, tapado por uma série de enormes talentos, acabaria por nunca conseguir afirmar-se como um dos principais trunfos benfiquistas.
Nesta senda, e já após inscrever o seu nome como um dos que, para época de 1979/80, ajudariam a conquistar a Taça de Portugal, Pereirinha deixa o Estádio da Luz. Com o objectivo de, regularmente, poder jogar, o atleta atravessa o Rio Tejo, em direcção à Margem Sul e ao Amora Futebol Clube. Tendo por companhia, e estrela maior do grupo, Vítor Baptista, o defesa/médio consegue ganhar um lugar no "onze inicial".
O bom trabalho realizado na Medideira, acabaria por devolvê-lo a um dos "grandes" do futebol nacional, neste caso o Belenenses. Contudo, os do Restelo, por essa altura (1982/83), atravessavam uma fase conturbada da sua vida. O clube, pela primeira vez na sua história, estava relegado à 2ª divisão. Ainda assim, as prestações de Pereirinha acabariam por ser bastante positivas, e obreiras do regresso do Belenenses ao escalão maior do nosso futebol.
Após uma temporada de bom nível ao serviço do Belenenses, e sem se entender bem o porquê, Pereirinha larga a Primeira Divisão para, com as cores do Farense, voltar aos escalões secundários. Mas aquilo que, nesse Verão de 1985, poderia parecer um retrocesso, acabaria por se tornar na maior etapa da sua carreira profissional.
Ora, 7 anos a representar os "Leões de Faro", fariam do jogador  um dos históricos dos algarvios. Já depois desse longo périplo, e de mais um derradeiro ano ao serviço do União de Montemor, Pereirinha deixa os relvados. Continuou ligado ao futebol, transmitindo as suas experiências aos aprendizes do Belenenses. No entanto, e apesar desse bonito legado, há uma outro que o deve deixar ainda mais orgulhoso. Esse dá pelo nome de Bruno Pereirinha, é o seu filho e passou a época de 2014/15, como jogador da Lazio de Roma.

534 - VÍTOR OLIVEIRA


Nascido em Matosinhos, seria no clube da terra que, depois de terminada a sua formação, Vítor Oliveira fez a estreia nos seniores. A presença do Leixões pela Primeira Divisão, fez com os três primeiros anos da carreira do médio fossem passados entre os grandes palcos do futebol nacional. Durante esse tempo, apesar de contar com um número satisfatório de presenças, o seu lugar no "onze" dos do Estádio do Mar não era algo garantido. Talvez à procura de outra sorte, para a temporada de 1974/75 decide arriscar numa mudança de emblema. A dita transferência acaba por o levar ao segundo escalão do nosso futebol, e a envergar a camisola do Paredes. "Sol de pouca dura", visto que, passado um ano, já Vítor Oliveira defendia as cores do Famalicão.
No novo clube, este com objectivos desportivos ligeiramente diferentes, Vítor Oliveira acabaria por assumir um papel preponderante. A sua importância no seio do plantel seria tal que, nessa mesma temporada de regresso (1978/79), tanto para o atleta como para o clube, àquele que é o patamar máximo do nosso futebol, o centrocampista seria escolhido para, dentro das quatro linhas, capitanear os seus colegas.
Aliás, essa sua veia de líder foi algo que sempre o caracterizou. Ser uma voz de comando durante um jogo, muito mais do que uma necessidade inerente à posição que ocupava, era, acima de tudo, algo de visceral em si. Foi assim na sua passagem pelo Sp.Espinho, foi assim aquando da sua presença em Braga (clube pelo qual disputaria a final da Taça de Portugal de 1981/82) e acabaria por assim ser já no Portimonense.
Seria também no Algarve que Vítor Oliveira viveria, a par da já referida contenta no Estádio do Jamor, um dos momentos mais importantes da sua carreira. Ora, a temporada de 1984/85, acabaria por marcar a primeira qualificação do Portimonense para as competições europeias. Curioso é que, tendo sido Vítor Oliveira um dos atletas utilizados por Manuel José durante essa campanha, é ele próprio que, na época seguinte, toma as rédeas da equipa do Barlavento algarvio e a leva a disputar os jogos da Taça UEFA, frente ao Partizan de Belgrado.
Como já entenderam, é por esta altura que Vítor Oliveira faz a transição entre os relvados e o banco de suplentes. A carreira que aí encetou, levá-lo-ia aos mais diversos clubes nacionais. E se isto nem é para grande destaque, já outro facto acabaria por o caracterizar nestas suas andanças! Ainda não adivinharam? Pois bem!!! Então, e se vos disser que Vítor Oliveira já subiu seis equipas à Primeira Divisão!!! Pois é, durante estes longos anos que já leva como técnico, o antigo jogador parece ter-se especializado na promoção de clubes. A última na lista, que inclui nomes como os do Paços de Ferreira, Académica, Leixões, União de Leiria e Belenenses, foi, na época de 2012/13, com a equipa do Arouca.
Independentemente deste episódios, a verdade é que o trabalho de Vítor Oliveira é caracterizado, pela maioria dos que com ele privaram, como sendo de um profissionalismo inexcedível e, em todos os aspectos, procurando sempre respeitar todos os que o rodeiam. Assim sendo, apraz-me levantar nova questão! Então, porque nunca se terá conseguido afirmar como um treinador de Primeira Divisão???!!!
Dúvidas à parte, Vítor Oliveira assumiu este ano (2014/15) o comando do União da Madeira. Mais uma vez, decorridas que estão 15 rondas do Campeonato da 2ª Liga, a sua equipa posiciona-se nos lugares cimeiros da tabela. A classificação, um 5º posto, e tendo em conta que estão duas equipas "bb" à sua frente, seria mais do que suficiente para promover os madeirenses. Será que se mantêm assim até ao fim??? Será que esta será a sétima para Vítor Oliveira???

341 - TONI


Se "Tonis" há muitos, já aquele que hoje aqui trago partilha com o Toni anterior, muito mais do que o diminutivo. Ora reparem! Para além do esperado e normal António, ambos respondem pelos apelidos Conceição e Oliveira!
Deixemo-nos de curiosidades e passemos à história. Essa, para o lateral-direito, começou nas escolas do Sporting de Braga. Assim sendo, foi com os "Arsenalistas" que Toni fez toda a formação enquanto jogador de futebol. Terminada esta etapa, o jovem atleta, com o começo da temporada de 1980/81, viu-se integrado no plantel sénior dos bracarenses. Tapado por Artur, que também chegaria a internacional português, o jogador acabou por ter, situação normal para os jovens recém-chegados a qualquer equipa, bastantes dificuldades em conseguir impor-se. Como é óbvio, nessas situações e adivinhando os responsáveis pelo clube um futuro promissor para o jovem atleta, o defesa, nas épocas seguintes e através de sucessivos empréstimos, acabou a envergar outras camisolas.
No Riopele e nos primeiros anos de Vizela, a sua rodagem fez-se pelos escalões secundários. Já a temporada de 1984/85, com a subida dos de "azul celeste" ao patamar maior do futebol português, revelou Toni com outras capacidades e, como provam a presença em 27 jornadas, apto a ser titular na 1ª divisão. Com a titularidade, tornou-se peremptória a ideia do regresso ao clube de origem. Desse modo, o treinador Henrique Calisto logo tratou de incluí-lo no grupo de trabalho e o lateral-direito, daí em diante, tudo fez para conquistar um lugar no “onze” do Sporting de Braga.
A posição acabou mesmo por ser entregue à sua intendência. Todavia, o mérito a mantê-lo como um dos habituais no alinhamento da equipa bracarense, transformou-se na virtude que começou a pô-lo nas cogitações de equipas mais poderosas. Desse "namoro" nasceu a recusa de Toni em prolongar o contrato com os “Guerreiros do Minho”. Como retaliação, o jogador acabou por ser posto de parte num grande número das jornadas correspondentes à temporada de 1988/89. Ironicamente, seria no decorrer da dita campanha, mais precisamente a 12 de Novembro de 1988, que o passo há muito previsto acabou por acontecer. Com Juca como o "homem do leme", o “particular” agendado com a congénere sueca, disputado em Gotemburgo, serviu para a estreia de Toni com a "camisola das quinas", naquela que foi a sua única internacionalização pela principal selecção portuguesa.
Terminada a ligação contratual com o Sporting de Braga, Toni decidiu dar um salto na carreira e mudar-se para o FC Porto. É verdade que a decisão poderia ter sido a maneira de conseguir catapultar-se na profissão. No entanto, o sonho de entrar nas Antas na temporada 1989/90, não passou disso mesmo. Uma grave lesão pôs fim ao plano de singrar num dos “grandes” e, passadas duas épocas após a integração no plantel “azul e branco”, o defesa-direito terminou a ligação à colectividade sediada na “Cidade Invicta”, com o orgulho de, apesar de todo o azar, ter conseguido sagrar-se Campeão Nacional na temporada da sua chegada.
Já como técnico, depois de muitos anos como adjunto no Sporting de Braga e como treinador-principal em diversos emblemas do meio da tabela, a sua vida veio a sofrer uma grande mudança. Com a opção de emigrar, na Roménia, ao serviço do Cluj conquistou, logo na estreia, a edição de 2008/09 da Taça da Roménia. O feito, ao comando daquela que era a equipa mais portuguesa do país, repetiu-se no ano seguinte. A esses troféus, Toni juntou ainda o Campeonato de 2009/10. Contudo, a verdade é que quem terminou a referida temporada ao comando da equipa foi o italiano Andrea Mandorlini. Ainda assim, nada impedirá o português de exibir no seu currículo o título ganho.

247 - QUIM


Se para o meio-campo "azul e branco", André chegou do Varzim, nesse mesmo ano de 1984, ao Rio Ave foi contratado outro atleta nascido em Vila do Conde, o também médio Quim.
A par entraram no Estádio da Antas e foi lado-a-lado que continuaram a contribuir para o amealhar de triunfos portistas. Bem, em abono da verdade, não foi bem assim! Quim, ao contrário do conterrâneo, nem em todas as temporadas de “Dragão” ao peito conseguiu convencer os treinadores a dar-lhe, com regularidade, a titularidade. Ainda assim, na campanha que veio a culminar com a conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1986/87, o centrocampista apresentou-se como um dos preferidos do treinador Artur Jorge para o sector intermediário.
O mais curioso em Quim é que nem só de força, algo em si sobejamente reconhecido, viveu o seu futebol. Tinha também uma capacidade técnica notável. Tal qualidade permitia-lhe sair com o esférico a jogar. Já próximo da baliza adversária nunca se mostrou rogado em aplicar o forte remate de pé esquerdo. Por tudo isso, o médio sempre foi visto como um executante completo, isto é, bom a defender, a recuperar bolas e, por outro lado, dono de uma objectividade construtiva muito presente nas suas acções.
Nos anos passados nas Antas, ajudou a erguer uma das épocas douradas do FC Porto. Essa contribuição fez com que o seu nome, para sempre, ficasse ligado à história dos “Dragões”. E se é justo dizer que faz parte da lista dos maiores atletas da colectividade sediada na "Cidade Invicta", não é menos verdade afirmar que foi ao serviço do Rio Ave que atingiu o pico da notoriedade. Para demonstrar tal fama, há o resultado da votação lançada entre 2010 e 2011, por alguns associados da agremiação vilacondense e administradores do “blog” "Reis do Ave". Nesse escrutínio, à frente de outros atletas que vestiram a camisola verde e branca, como Dibo ou Fábio Coentrão, respectivamente o 2º e o 3º na dita eleição, Quim "Vitorino", como é carinhosamente conhecido pelos adeptos, foi escolhido como o "Melhor de Sempre" a envergar o emblema da caravela.
Já a direcção do Rio Ave, ao perceber a importância da iniciativa organizada pelo referido blog, decidiu homenagear Quim e, em Janeiro de 2011, em pleno relvado do Estádio dos Arcos, o antigo atleta recebeu os merecidos aplausos de todos aqueles que nele votaram.

35 - MANUEL FERNANDES

Diz-se de Manuel Fernandes não saber ganhar ao Sporting! Não sei se alguma vez o fez, mas de uma coisa tenho a certeza: para alguém que diz que "mais do que qualquer golo ou qualquer jogo, o maior momento de glória da minha vida foi aquele em que vesti, pela primeira vez, a camisola do Sporting"*, deve ser de grande angústia ter que lutar contra o clube do seu coração.
Sempre foram 12 anos de "Leão" ao peito. E se acrescentarmos a esse tempo, o passado no Sarilhense, na CUF e no Vitória de Setúbal, temos uma vida de futebolista que rondou as 2 décadas. Ora, numa tão longa carreira, Manuel Fernandes terá muitas histórias para contar. Um dos episódios que recordo com maior estranheza, passou-se no final da época de 1985/86. O avançado, à beira dos 35 anos, tinha acabado de sagrar-se como o Melhor Marcador do Campeonato Nacional. Tudo apontava para a sua convocatória para o Campeonato do Mundo. Porém, contra todas as expectativas, José Torres deixou o ponta-de-lança de fora do México 86.
A sua luta agora é outra. Regressou o ano passado ao comando técnico do Vitória de Setúbal, e, tal como na época transacta, brigará pela permanência do clube sadino na divisão maior do nosso futebol.

*retirado do artigo publicado em http://tesouroverde.blogspot.com, a 08/07/2009