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1564 - RUI CAMPOS

Filho e sobrinho respectivamente de Vítor Campos e de Mário Campos, a herança desportiva de Rui Campos só poderia deixá-lo na senda de uma modalidade e de um único emblema. Com o percurso formativo feito com as cores da Académica de Coimbra, o médio de pendor ofensivo subiria a sénior na temporada de 1991/92. Puxado ao grupo principal por José Rachão, numa altura em que a “Briosa” teimava em disputar o escalão secundário, a verdade é que o jovem jogador não iria auferir de grandes oportunidades. O mesmo viria a acontecer nas campanhas seguintes e como resultado dessa falta de presenças em campo, na campanha de 1993/94, segundo a informação retirada do “site” da Federação Portuguesa de Futebol, surgiria o empréstimo do atleta aos figueirenses da Naval 1º de Maio.
No regresso ao Calhabé, o jogador passaria a trabalhar sob a alçada do treinador Vieira Nunes. A partir dessa época de 1993/94, o médio, de forma progressiva, começaria a ganhar o seu espaço num sector intermediário que contava também com outros nomes de grande tradição no emblema beirão, casos de Mickey, Mito ou Miguel Rocha. Aos poucos, a sua preponderância aumentaria até que, por altura da campanha de 1996/97, já a sua presença no “onze” da Académica de Coimbra era tida como fulcral ao desenrolar dos desempenhos colectivos da equipa. A referida temporada, ainda nas pelejas da divisão de Honra, depressa viria a transformar os horizontes dos “Estudantes”. Com a luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa a apontar à luta pela subida de escalão, Rui Campos, caracterizado pela graciosidade e pela técnica apurada dos seus desempenhos, mutar-se-ia num dos pilares do esquema táctico montado por Vítor Oliveira e viria, como peça fulcral desse ambicioso rumo, a fixar-se como figura central da tão almejada promoção.
Resultado da subida de degrau, a campanha de 1997/98 significaria para o jogador o encetar de actividades no convívio com os “grandes”. No entanto, apesar da inegável felicidade que tal estreia traria ao trajecto competitivo do médio, a verdade é que Rui Campos, como viria a recordar Mickey, seu grande amigo e colega de balneário, ver-se-ia envolvido numa acesa polémica a envolver o treinador e alguns dirigentes – “A certa altura, defendi o meu colega Rui Campos num desentendimento que ele teve com o José Romão, por uma questão de justiça. Penso que fiquei marcado desde aí, sobretudo pelo senhor António Augusto, chefe do departamento de futebol”*.
À custa de tal controvérsia, Rui Campos, que vinha a ser utilizado com alguma regularidade, deixaria de entrar nas contas da “Briosa”. O médio, na época seguinte, ainda voltaria a envergar as cores da Naval 1º de Maio. Porém, o regresso à divisão de Honra transformar-se-ia no capítulo final de uma carreira que terminaria, abruptamente, aos 26 anos de idade. Seguir-se-iam as actividades empresariais, onde chegaria a ter em Mickey um sócio de negócios e ainda o regresso à Académica de Coimbra, onde, entre 2017 e 2020, desempenharia as funções de Director Geral da Formação.

*retirado do artigo de Vítor Hugo Alvarenga, publicado a 21/01/2021, em https://maisfutebol.iol.pt

1412 - ZÉ DA ROCHA

Sem não conseguir apurar o percurso de Zé da Rocha correspondentes aos anos iniciais da sua carreira desportiva, foi fácil de escrutinar a porta de entrada do médio-ofensivo no futebol português.
Com a inclusão no plantel do Académico de Viseu, Zé da Rocha, natural de Cabo Verde, cumpriria a temporada de 1990/91 na Beira Alta. Na disputa da 2ª divisão, titularíssimo na equipa comandada por José Rachão, as suas exibições, ajudadas pelo 4º posto da tabela classificativa alcançado no final da mencionada época, fariam com que outros emblemas começassem a olhar para si e a aferi-lo como um bom reforço. Nesse sentido, por razão dos desempenhos portentos de técnica e a desvendar um grande entendimento do jogo, seria o primodivisionário Gil Vicente a rubricar um contrato com o atleta. Já em Barcelos, a trabalhar sob a alçada de António Oliveira, o médio-ofensivo continuaria a ser utilizado com regularidade. No entanto, com o termo da campanha de 1991/92, o jogador, de forma algo surpreendente, deixaria o emblema a jogar em casa no Estádio Adelino Ribeiro Novo e trocaria, mais uma vez, de colectividade.
Dessa feita, o destino de Zé da Rocha encaminhá-lo-ia até à “Cidade dos Estudantes”. Ao serviço da “Briosa”, retornaria às pelejas secundárias e para jogar, mais uma vez, sob a voz de comando de José Rachão. Porém, tal como ficariam caracterizados esses seus anos competitivos, a ligação à Académica de Coimbra apenas duraria uma campanha. De seguida, outros emblemas entrariam na sua senda competitiva e, num período caracterizado pela errância, suceder-se-iam no currículo do médio o Rio Ave (divisão de honra), onde voltaria a trabalhar com José Rachão, o regresso ao Gil Vicente (1ª divisão) e o Leça FC (1º divisão).
Seria a entrada, na temporada de 1995/96, na agremiação sediada no concelho de Matosinhos que acabaria por transformar grandemente o desenrolar da caminhada desportiva de Zé da Rocha. Ao fixar-se no emblema de Leça da Palmeira, o médio-ofensivo encetaria um largo intervalo de tempo em que não mudaria de colectividade. Aliás, as 7 campanhas a envergar o listado verde e branco da camisola nortenha, fariam do clube o mais representativo de todo o seu trajecto enquanto futebolista. Esses anos, com 3 épocas primodivisionárias, levariam o jogador a somar partidas suficientes para, num total a juntar às anteriores aparições entre os “grandes”, ficar registado como um dos atletas cabo-verdianos com mais jornadas disputadas no escalão máximo português.
Com o “Caso Guímaro” a castigar o Leça FC, Zé da Rocha acompanharia o clube na despromoção ao escalão secundário. Curiosamente, seria durante esse período que o centrocampista, depois de ter sido chamado anteriormente aos trabalhos da sua selecção, haveria de obter algumas internacionalizações por Cabo Verde. Posteriormente, a  entrar nos derradeiros anos como praticante profissional, o atleta ainda teria tempo para, em 2002/03, vestir a camisola do Feirense e para representar, segundo algumas fontes, o Lusitânia de Lourosa. Penso que já depois de ter “pendurado as chuteiras” e desconhecendo a altura certa, ter-se-á dado o seu regresso ao país natal. Porém, ignoro qual a sua relação que, desde essa altura, mantem com o futebol.

671 - SLAGALO

Já depois de ter dados os primeiros passos no clube do bairro onde morava, é que o grande emblema da cidade surge na sua vida. Essa mudança para o FK Sarajevo, um inquestionável salto na sua carreira, iria permitir a Slagalo passar pelos principais palcos do campeonato da antiga Jugoslávia.
Seria em vésperas de um desses grandes encontros, que a vida do antigo jogador mudaria por completo. Já depois de estar há alguns anos a defender as cores do clube bósnio, Slagalo, juntamente com os seus colegas de balneário, embarcaria em direcção a Belgrado. No calendário estava um dos grandes desafios da temporada, o embate frente ao Estrela Vermelha. Todavia, o que nenhum deles estaria à espera foi o que veio depois do apito final.
Num país que, em 1992, estava em grande ebulição política, e já depois do referendo realizado ao povo bósnio ter ditado a independência, rebenta o conflito armado. O cerco a Sarajevo tinha tido início apenas há alguns dias e a equipa, impedida de voltar a casa, ficaria retida no hotel que os recebera. Depois de alguns dias, jogadores e “staff” lá conseguem regressar. A recebê-los tinham uma guerra, tinham os seus cotidianos perdidos e um embargo que fazia com que pouco, ou nada, restasse nas suas vidas – «No final da segunda semana de cerco a realidade impôs-se. “Já não valia a pena pensar que era passageiro. Pensar que se iria chegar a um acordo e que as tropas se iam retirar. Já não valia a pena enterrar a cabeça na areia. A situação não se ia resolver tão cedo e era preciso agir”, conta. Juntamente com os vizinhos, Slagalo construiu portas de ferro que blindavam a entrada do prédio e, à noite, quando mulheres e crianças iam dormir, os homens juntavam-se para proteger o edifício. “Muçulmanos, sérvios, croatas, fazíamos isso juntos. Não percebíamos quem era o inimigo nem o que se estava a passar. Sabíamos que corríamos perigo, só isso” (…).Os relatos de sérvios que atacaram muçulmanos ou de muçulmanos que atearam fogo a casas de famílias sérvias começaram a multiplicar-se. “Foi nessa altura que percebi que a guerra tinha vindo para ficar. Já não era possível trabalhar em conjunto. O inimigo estava definido e tu tinhas que estar com os teus. Mesmo que não tivesses afinidades com eles sabias que, pelo menos, não te iam  matar”. O medo tomou conta da cidade e com ele veio o ódio e a vingança. “Quem nunca passou por uma guerra não consegue entender. Há uma mistura tão grande de sentimentos que não consegues alinhar. E depois há o medo, que toma conta de tudo, mas que também é o que te permite sobreviver”»*.
Na sequência destes acontecimentos, Slagalo, que mantinha alguns contactos no nosso país, viaja para Portugal. Como ainda tinha contrato assinado com o FK Sarajevo, a sua inscrição nos campeonatos nacionais não seria logo possível. Só a meio da temporada de 1992/93, é que o central faz os primeiros jogos com a camisola do Atlético. Depois, da divisão de Honra, surge o convite de uma das equipas que, por norma, lutava pela promoção. No Sporting de Espinho começa a ganhar alguma notoriedade, mas acaba por nunca conseguir alcançar o escalão máximo.
À 1ª divisão chega na época de 1997/98. Com o Varzim, para o qual se tinha mudado dois anos antes, o defesa tem a única passagem entre os “grandes”. Titular, consegue prestações de muito bom nível que, infelizmente para os da Póvoa, não seriam suficientes para manter a equipa acima da “linha de água”. Para o atleta, e apesar de cotar-se como uma das boas surpresas dessa temporada, a “descida” também acaba por acontecer. Já acima da barreira dos 30 anos de idade, factor que poderá ter dificultado a ida para um clube de outras andanças, Slagalo entra na fase descendente da sua carreira desportiva. Passa por Leça e Famalicão e, já em 2001/02, retira-se da alta competição ao serviço do Esposende.
Apesar de afastado dos campos, Slagalo mantem-se ligado ao futebol. Como treinador, com experiência tanto nos escalões de formação ou a orientar os seniores, o antigo futebolista conta com uma passagem de alguns anos pelo Leça.

 
*retirado do artigo de Ana Caridade, Jornal “Sol”, 28/10/2015 – com depoimentos de Slagalo.

659 - PAULO NUNES

Produto das escolas do Flamengo, Paulo Nunes, no mesmo ano em que participaria no Mundial S-20 realizado em Portugal (1991), seria chamado à equipa sénior. Naquilo que se seguiria à sua estreia, e apesar de jogar com alguma regularidade, a verdade é que o avançado, muito por culpa de nomes como os de Djalminha, Sávio ou Marcelinho Carioca, acabaria por nunca conseguir mostrar o seu real valor.
Ainda assim, 4 temporadas na “Gávea”, seriam suficientes para amealhar alguns troféus. Ora, é já com um “Brasileirão” (1992) e uma Copa do Brasil (1990) no currículo, que Paulo Nunes chega ao Grêmio. A transferência acabaria por ser bastante curiosa. É que o treinador, o nosso conhecido Luiz Felipe Scolari, não gostava do jogador. Dizia o técnico que, o físico do atacante o iria impedir de ser bem-sucedido. Todavia, estando Paulo Nunes incluído no negócio de outro atleta, “Filipão” pouco mais logrou do que integrar o avançado nos seus planos de trabalho.
Em boa-hora o faria, porque uma lesão de um dos titulares, haveria de fazer saltar Paulo Nunes para a linha da frente. Numa equipa recheada de nomes conhecidos do futebol português, casos de Danrlei (Beira-Mar), Carlos Miguel (Sporting) ou Cristiano (Benfica), o atacante acabaria por fazer parelha com Mário Jardel.
O êxito da dupla de ataque seria tal que as conquistas não tardariam a surgir. Logo nessa temporada, a da sua chegada a Porto Alegre, o trajecto imaculado da equipa gaúcha, resultaria na conquista da Taça dos Libertadores de 1995. Nos anos vindouros, já com Jardel a reforçar o FC Porto, as vitórias não parariam. É então que o sucesso de Paulo Nunes se revela na obtenção do prémio de Melhor Marcador do Campeonato de 1996. A compor o ramalhete, a conquista, por parte do Grêmio, desse mesmo “Brasileirão” e, no ano seguinte, da Copa do Brasil.
É já com a cotação bem alta, ideia roborada pela sua vitória, e do Brasil, na Copa América 96, que Paulo Nunes chega ao Benfica. A transferência, por valores bem elevados, acabaria por resultar num rotundo falhanço. Com as “Águias” no auge da “Era João Vale e Azevedo”, o internacional “canarinho” nunca conseguiria adaptar-se ao futebol luso. Algumas lesões, a incapacidade de Manuel José conseguir conjugar a sua existência com a de João Pinto, e, segundo o próprio, a má relação com o referido colega de equipa, são algumas das razões que poderão explicar o seu fracasso.
É com a temporada de 1997/98 ainda a meio, que Paulo Nunes regressa ao seu país. Quem o receberia de braços abertos, seria aquele, uns bons anos depois, haveria de tornar-se no seleccionador português. Ora, com Luiz Felipe Scolari à frente dos destinos do Palmeiras, seria na “turma” do Palestra Itália que o avançado daria continuidade à sua carreira. Na equipa da cidade de São Paulo, o atleta voltaria à senda das boas exibições e de novas conquistas. Copa do Brasil e Copa Mercosul (1998) mas, principalmente, a vitória na Taça dos Libertadores de 1999, elevariam Paulo Nunes ao estatuto de estrela.
Com as suas extravagantes celebrações a apimentarem a devoção que a “torcida” tinha por si, Paulo Nunes, e como é bem frequente no futebol, também acabaria por passar de “bestial a besta”. Após falhar a conquista da Taça Intercontinental, os mesmos adeptos que antes o veneravam, apontar-lhe-iam o dedo da culpa. Este volte-face, levaria a que o atacante deixasse o Palmeiras, para assinar pelo Grêmio. No entanto, o regresso ao Rio Grande do Sul, ao contrário da sua primeira passagem, nada de bom traria a Paulo Nunes. Aliás, seria aí que daria início àquilo que terá sido a fase descendente do seu trajecto como profissional.
Corinthians, Gama e Al-Nassr (Arábia Saudita), sempre em constantes mudanças, acabariam por ser os derradeiros capítulos de uma carreira que, em 2001, veria o seu fim no Mogi Mirim.

619 - ALEXANDRE

"O meu clube sempre foi o Varzim... as pessoas acham estranho eu não ter nenhum clube dos chamados grandes, mas é verdade. Para mim o futebol é o Varzim (...) é mais do que um clube... o Varzim é a minha vida (...) não seria feliz se jogasse noutro clube"*. – Poderia não escrever mais nada acerca deste jogador e, por certo, estava feita uma rigorosa biografia daquele que foi um dos últimos grandes símbolos do Varzim Sport Clube.
A dedicação que pôs dentro de campo, não se traduz (apenas) pelo número de anos em que envergou as cores varzinistas. Muito para além do que são as inquestionáveis (mais de) duas décadas e meias a jogar pelos poveiros há toda a uma postura. Encarnando todas os apanágios daqueles que diariamente enfrentam as batalhas do mar, Alexandre foi sempre um lutador. De entre todas as batalhas que travaria pelo seu Varzim, houve uma que ficou famosa! Lembram-se de: “Deixem jogar o Mantorras!”??? Pois é, essa frase proferida por Luís Filipe Vieira, no rescaldo de um Varzim x Benfica de 2001/02, haveria de pôr nas bocas do mundo o central varzinista. Talvez, tenha havido um pouco de exagero na maneira como o Presidente das “Águias” criticou a maneira de actuar do defesa. No entanto, Alexandre era isso mesmo… um batalhador; alguém que, muito para além de construir, estava em campo para impedir os assaltos adversários à sua baliza. Sem dúvida, Alexandre era contundente na hora de o fazer.
A época acima referida e a que daí se seguiria, marcariam a última presença do Varzim no escalão primodivisionário. Como é lógico, a despromoção sofrida pelo clube no final da época de 2002/03, levaria a que Alexandre nunca mais voltasse a pisar um relvado, naquela que é a mais importante competição futebolística nacional. Podê-lo-ia ter voltado a fazer? Claro que sim! Contudo, aquilo que para todos faria sentido, na mente de Alexandre equacionar-se-ia como uma ideia surrealista. Deixar o seu Varzim, para representar outro emblema de maior monta, muito mais do que ambição, na sua ideia, desenhar-se-ia com um disparate.
Eventualmente, e numa altura em que, já há muito, envergava a responsabilidade de uma braçadeira de capitão, acabaria por fazê-lo. A saída, como que adiar o incontornável fim de uma carreira, seria para o Esposende. Nesse mesmo emblema, faria a transição para outras tarefas. Como treinador, na temporada de 2011/12 daria os seus primeiros passos. Contudo, a paixão pelo Varzim fá-lo-ia regressar àquela que sempre foi a sua casa. Perto daqueles que tanto o admiram, Alexandre, excepção feita a uma curta passagem pelo banco de suplentes, tem abraçado as funções de Coordenador Técnico.


*Retirado da entrevista à Reporttv, a 16 de Abril de 2009

410 - PEDRO BARBOSA

Não é muito habitual o FC Porto deixar fugir bons jogadores, principalmente aqueles feitos nas suas “escolas”. Porém, a verdade é que Pedro Barbosa, que nas Antas cumpriria os últimos capítulos do percurso formativo, acabaria, na altura de subir a sénior, por ver as portas da equipa principal “azul e branca” fechadas. Como alternativa, no caminho do médio-ofensivo surgiria o plantel de 1989/90 do Freamunde. Mesmo na 2ª divisão “B”, a maneira ímpar como jogava não demoraria muito até chamar a atenção de outros emblemas. Por essa razão, dois anos após a entrada no emblema sediado no município de Paços de Ferreira, o jogador veria o Vitória Sport Clube, orientado por João Alves, a interessar-se na sua contratação e mudança para Guimarães, muito à custa do seu virtuosismo e da tremenda visão de jogo, concretizar-se-ia na época de 1991/92.
Alicerçado em qualidades desportivas excepcionais, Pedro Barbosa facilmente começaria a vingar na "Cidade Berço". Com a estreia no escalão máximo, a maneira evidente como conseguia sobressair entre os demais colegas, adivinhar-lhe-ia um destino traçado pela cobiça dos denominados “grandes”. Antes ainda, surgiria a selecção de Portugal. Com a principal “camisola das quinas”, depois de passar por alguns escalões à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Barbosa, pela mão de Carlos Queiroz, estrear-se-ia a 11 de Novembro de 1992, num particular frente à Bulgária. Depois dessa partida, outras chamadas emergiriam e tendo como ponto alto as presenças no Euro 96 e no Mundial de 2002, o jogador haveria de somar 22 internacionalizações “A”.
Após 4 temporadas no Minho, o dia da mudança acabaria por chegar. Com a viagem a levá-lo em direcção a Lisboa, Pedro Barbosa seria apresentado como reforço do plantel de 1995/96 do Sporting. Em Alvalade, apesar de reconhecida a sua elegância, a capacidade de passe e a excelente habilidade para interpretar todos os lances, o médio ainda suscitaria alguma controvérsia. Ao parecer um elemento um pouco lento, o atleta seria acusado de, por vezes, andar alheado do jogo. Todavia, todas as críticas seriam cabalmente silenciadas pelos magistrais lances saídos dos seus pés ou pelos golos mágicos. A sua grandeza ficaria evidente pela forma como adeptos leoninos passariam a vê-lo como um grande ídolo. E também não é para menos! O jogador faria parte dos melhores momentos da história recente do "Leão". Não foram só as 10 épocas em que vestiu de "verde e branco" que haveriam de marcar a sua passagem pelo clube. Há ainda que juntar a braçadeira de capitão por ele envergada e as vitórias em 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças. Infelizmente faltou-lhe no palmarés uma competição de índole continental e a final da Taça UEFA de 2004/05, disputada no Estádio de Alvalade, frente ao CSKA de Moscovo, tornar-se-ia num dos momentos mais tristes da sua carreira.
Apesar de ter saído em aparente conflito com o treinador José Peseiro e com Presidente Dias da Cunha, Pedro Barbosa, após a demissão do referido dirigente, voltaria ao Sporting. De regresso ao clube em 2009, a sua experiência como director-desportivo haveria de ser curta. Desde então, o antigo internacional português tem mantido alguma distância das actividades clubísticas. Contudo, tem mantido a ligação à modalidade e, de uma forma diferente, mas sempre inteligente nos comentários sobre as actualidades futebolísticas, Pedro Barbosa tem sido uma das caras da TVI.

387 - LEWIS

Tendo o seu pai sido jogador de futebol, Leonson Lewis, desde tenra idade, começou a ter contacto com a modalidade. As idas regulares ao estádio para a assistir às partidas ou a ajuda dada para arrumar o saco com o equipamento do progenitor, foram acalentando ao jovem o sonho de um dia seguir as pegadas daquele que foi o seu primeiro ídolo.
Curiosamente, Lewis iniciou a carreira como guarda-redes, mas a insistência do pai para que passasse a jogador de campo, levou-o a optar pelo sector mais ofensivo. Já como avançado, caracterizado por ser um atleta possante e veloz, depressa começou a dar nas vistas, naquele que era o universo futebolístico trinitário-tobagense de meados dos anos de 1980. Esse destaque, resultado de uma rápida evolução, levou-o, nos primeiros anos da caminhada competitiva, à selecção nacional e o momento serviria para materializar um dos seus desejos de menino – "Enquanto jovem jogador, lembro-me que havia noites em que rezava na minha cama: «Senhor, se eu pudesse jogar pela equipa nacional, eu porto-me bem. Deixa-me jogar pela equipa nacional»"*.
O segundo grande passo na sua carreira aconteceu quando Russell Latapy, nome bem conhecido do futebol luso, aconselhou os responsáveis do Portmore United, a contratá-lo. Depois do emblema jamaicano, os dois colegas voltaram a trabalhar juntos, mas, dessa feita, já bem longe das Caraíbas, mais precisamente na Académica de Coimbra. O engraçado é que o objectivo inicial era apenas o de contratar um dos atletas. Porém, com propósito de confirmar as qualidades do jogador aludido no começo deste parágrafo, os homens à frente da “Briosa” pediriam para ver alguns vídeos do médio. É nessa altura que reparam noutro elemento, logo avaliado como de imenso potencial. Novo pedido é então feito e a proposta saída da “Cidade dos Estudantes” passaria a contemplar a transferência de ambos os futebolistas.
Com a chegada a Coimbra a acontecer na temporada de 1990/91, Lewis iniciaria uma senda a mantê-lo em Portugal durante 13 temporadas consecutivas. Nesse longo período, o atleta teve a oportunidade de envergar as camisolas de diversos emblemas como a da já mencionada Académica, a do Felgueiras, a do Boavista, a do Desportivo de Chaves, a do Estrela da Amadora e finalmente a do União de Lamas. No entanto, pelo meio de tantas colectividades, o destaque maior vivê-lo-ia ao serviço das “Panteras” e com um dos mais importantes troféus ganhos na sua carreira, isto é, a Taça de Portugal de 1996/97.
Após o termo da campanha de 2001/02, com o subsequente regresso ao país natal e de, com as cores do W-Connection Football Club, ter decidido por um ponto final na carreira de desportista, Lewis veio a abraçar novas funções no futebol, começando a treinar as camadas jovens do clube onde tinha “pendurado as chuteiras”.

*retirado da entrevista conduzida por Nigel “Tallman” Myers, publicada a 08/01/2007, em www.socawarriors.net

321 - AKWÁ

Quantos mais chegarão à Luz, ao estilo de um D.Sebastião regressado, que, vindos de África, mormente das antigas colónias portuguesas, serão baptizados com o epíteto de "O Novo Eusébio"?!
Fabrice Akwá foi um desses nomes que, por razão de um arranque de carreira promissor, logo ficou carimbado com a imagem do “Pantera Negra”. Fosse pelo que fazia no Nacional de Benguela ou pelos 17 anos com que conseguiu estrear-se na selecção de Angola, o futuro do jovem avançado passou a ser projectado com enorme brilhantismo. Porém, a verdade é que no Benfica, talvez pela pressão gerada em seu torno, talvez por falta de um acompanhamento devido a um atleta de tão tenra idade e, com maior certeza, talvez pela grande instabilidade vivida no emblema lisboeta por altura da sua chegada, o atleta não conseguiria corresponder às expectativas criadas.
O trajecto de Akwá em Portugal acabaria por ser um tanto ou quanto cinzento. No Benfica de 1994/95 e no de 1995/96 raras haveriam de ser as vezes em que teria uma oportunidade para mostrar o seu valor. Sobrou-lhe o Alverca, à altura o clube satélite dos "Encarnados", para onde seria enviado com o intuito de ganhar traquejo. Seguir-se-ia, na derradeira temporada do ponta-de-lança em provas lusas, a campanha de 1997/98 com as cores da Académica de Coimbra.
Após quatro anos em Portugal, o avançado tomaria a decisão que viria a mudar o rumo da sua carreira e que ajudaria a consagrá-lo como um dos melhores futebolistas na história do seu país. Muito acima das almejadas contrapartidas financeiras, Akwá encontraria no Médio Oriente, em termos desportivos, uma verdadeira rampa de lançamento para a sua carreira. No Qatar, onde viria a jogar por 7 anos e onde representaria o Al-Wakrah, a Al Ittihad e o Qatar SC, o atacante viveria as melhores épocas do seu trajecto competitivo. Paralelamente aos títulos ganhos, onde estão incluídos os de Melhor Marcador do Campeonato, emergiriam uma série de participações em competições internacionais pela equipa nacional angolana. Nesse sentido, sem querer menosprezar as 3 participações na CAN (1996, 1998 e 2006), o momento áureo ao serviço dos "Palancas Negras" e, porque não dizê-lo, em toda a sua carreira, haveria de estar relacionado com a única presença de Angola num Mundial de futebol.
Tendo como último encontro na Fase de Qualificação para o Campeonato do Mundo de 2006 uma partida no Ruanda e com Angola obrigada a vencer o dito jogo para, à frente da poderosa Nigéria, garantir o primeiro lugar no grupo, tudo nesse cenário revelar-se-ia de capital importância. O encontro desenrolar-se-ia de forma bem mais difícil do que o embate contra o último classificado faria prever. Jogava-se um pouco aos repelões e o futebol, resultado do muito nervosismo, era praticado de forma atabalhoada, demasiado musculado e, por vezes, sem grande sentido. Já com o fim da peleja a avizinhar-se, Akwá, em plena grande área adversária, num pontapé fortíssimo, acabaria a introduzir a bola nas redes da equipa ruandesa, assegurando, com o remate certeiro, a vaga no certame realizado na Alemanha.
Já depois de regressar ao país natal, onde, no Petro de Luanda, viria a terminar a carreira de futebolista, Akwá, sempre com a mente no desenvolvimento do desporto angolano, decidiria dar um rumo diferente à vida. Integraria as listas do MPLA às eleições ao Parlamento e acabaria por ser eleito como deputado pelo seu partido.

313 - LEÇA

Quando na temporada de 1941/42 o Leça, estreante nessas andanças, chegou à 1ª divisão, já a história da colectividade amealhava acontecimentos desde o dia 21 de Março de 1912.
Nos primeiros anos de existência, pela razão de um grupo de amigos que, ocasionalmente, desafiava outros conjuntos rivais, as aparições do emblema eram esporádicas e sem grande sentido de ordem. Já depois de 1922, no apelidado "Ano da Reorganização", a prática do desporto começou a ser encarada com maior seriedade. Para contrariar o adormecimento do clube, resultado da partida para a Grande Guerra de muitos dos seus praticantes, os responsáveis pelo Leça deram os passos necessários para recuperar a dinâmica colectiva. A inscrição na Associação de Futebol do Porto e a participação no Campeonato de Portugal foram disso prova. Porém, a origem modesta da agremiação, composta essencialmente por gentes da terra, não era dada a grandes voos. Por isso mesmo, o alcançar do patamar máximo do futebol português assumiu um valor de uma galhardia incalculável.
Idêntico feito só veio a ser repetido muitos anos depois, concretamente na temporada de 1995/96. Porém, tendo em conta que, no contexto desportivo, a segunda incursão do emblema pelo escalão máximo até foi positiva, já no plano directivo tudo correu de maneira diferente. Com os jogadores, nos 3 anos a seguir à subida, a garantirem a permanência, dos bastidores veio a emergir o escândalo apelidado como “Guímarogate”. Como ficou provado em tribunal, Manuel Rodrigues, Presidente da colectividade com sede no Concelho de Matosinhos, por altura de uma partida referente à época de 1992/93 entre o Académico de Viseu e o Leça, jornada decisiva na corrida pela subida à divisão de Honra, corrompeu o árbitro José Guímaro, com 500 contos. O resultado da manobra ilícita, para além da condenação de ambos os intervenientes, foi a despromoção administrativa do Leça, após o final da campanha de 1997/98.
A partir desse momento, o emblema, sem margem financeira para grandes devaneios, afundou-se ainda mais. As dívidas aumentaram. Desportivamente o clube também foi de mal a pior e chegou a ser equacionado o fim da colectividade. Felizmente, o Leça resistiu a tudo e, hoje em dia, num contexto diferente da realidade primodivisionária, os "Verde e Brancos" de Leça da Palmeira vogam pela 3ª divisão.

238 - CARLOS COSTA

Quando, para a época de 1995/96, Paco Fortes foi busca-lo ao Beira-Mar, Carlos Costa posicionava-se ainda como avançado. Fazia o lugar desde os escalões inferiores, quando representava o Adémia, o Lousanense ou, já na divisão de honra, o Feirense. Aliás, ao serviço dos “Fogaceiros” marcou 18 golos na temporada de 1992/93, o que demonstra bem a sua aptidão atacante. No entanto, o treinador do Farense viu nele algo diferente e foi por culpa da perspicácia do técnico catalão que o jogador acabou por recuar no rectângulo de jogo.
 Carlos Costa, com a mudança para o Algarve, passou a jogar no miolo do terreno e sempre com uma dupla-função. Com a equipa a atacar, o médio começou a funcionar como um verdadeiro metrónomo, pautando a ofensiva e servindo também de protecção para qualquer contragolpe adversário. Já nas perdas de bola, mutava-se num pronto-socorro defensivo, sendo ele a maior ajuda para os companheiros do sector mais recuado. Em suma, para aproveitar a sua combatividade, Paco Fortes transformou o jogador, como agora são apelidados os futebolistas com as tais características, num “box-to-box”.
 Foi a garra demonstrada em campo que rapidamente fez de Carlos Costa num dos favoritos da massa associativa do Farense. Foi esse querer que fez o atleta, mesmo diminuído fisicamente, alinhar em quase todas os desafios do emblema algarvio. Um bom exemplo da sua dedicação, episódio que muitos ainda recordam, ocorreu na temporada de 1999/00 frente ao Santa Clara, quando, para estancar um rasgão feito entre o nariz e a testa, teve de ser cosido com 8 pontos. Porém, tal corte não o impediu de regressar ao campo depois do intervalo e muito menos o estorvou, ainda sem tirar a sutura, na partida seguinte frente ao Vitória Futebol Clube.
Por tudo o que já foi dito e por muito mais que faltou referir, a Carlos Costa foi entregue a braçadeira de capitão. A bem dizer, sempre teve perfil de líder. Nunca negligenciou esse papel, nem quando, por razões que extravasavam a vontade desportiva, o Farense começou a afundar-se em dívidas. Acompanhou os "Leões de Faro" nas sucessivas despromoções e já com 38 anos, após 10 temporadas consecutivas no conjunto do Sotavento, acabou por deixar os relvados. Não muito tempo depois, num dos momentos mais negros da história do emblema algarvio, não teve receio em assumir a liderança técnica do clube, dando, na campanha de 2006/07, início à carreira de treinador.

226 - WOZNIAK

Quando, no Verão de 1996, Sir Bobby Robson deixou a "Invicta" a caminho da capital da Catalunha e com ele, naquilo que foi uma transferência milionária, levou Vítor Baía para o FC Barcelona, a prioridade para o FC Porto passou a ser encontrar um guardião que, rapidamente e de forma convincente, ocupasse o lugar deixado vago pelo português. A escolha, não sei se aconselhada por Józef Mlynarczyk, à altura o treinador de guarda-redes dos "Dragões", ou mesmo se inspirada neste, recaiu sobre o polaco Andrzej Wozniak.
Curiosamente, os dois internacionais acima referidos até tinham muitas coisas em comum. Para além da nacionalidade, da posição ocupada no rectângulo de jogo e de ambos terem defendido as cores da selecção polaca, também Wozniak tinha atingido a notoriedade ao representar o Widzew Lódz. Por esse rol de razões, foi normal que os adeptos vissem na contratação desse reforço, a chegada de outro grande nome para as redes “azuis e brancas”. Infelizmente, se estavam a espera de alguém com uns "nervos de aço", seguro nas suas intervenções e que, com grandes estiradas, fosse buscar as bolas mais impossíveis, enganaram-se completamente! A imagem transmitida pelo guarda-redes, sem ser a de alguém completamente alienada das suas funções, acabou por passar algo distante das saudosas exibições do seu conterrâneo. Nas Antas nunca conseguiu ser um dos indiscutíveis no "onze" portista e a titularidade, na maioria das partidas dessa campanha de 1996/97, acabou atribuída à jovem promessa e actual atleta do Chelsea, Hilário.
Na temporada seguinte, a de 1997/98, com as chegadas de Costinha (ex-Sporting) e de Rui Correia (ex-Sporting de Braga), Wozniak viu reduzido o seu espaço no plantel. Acabou, em consequência da transferência do antigo guarda-redes bracarense, por ser emprestado ao emblema da "Cidade dos Arcebispos". A mudança para o Minho até poderia ter sido a oportunidade para provar que, afinal, a sua contratação não tinha sido um erro. Mas, não! Wozniak, pouco mais fez do que repetir a prestação da época anterior e, naturalmente, acabou por voltar à Polónia, onde, alguns anos após o regresso, pôs um ponto final na vida de futebolista.
Depois de terminada a carreira nos relvados o antigo guarda-redes abraçou a vida de técnico. Já nessas funções, e pelas razões erradas, foi notícia outra vez. Apanhado numa rede corrupção, implicada na combinação de resultados e suborno a jogadores e árbitros, Wozniak, no Outono de 2009, acabou condenado a três anos e meio de prisão que, para sua sorte, pôde cumprir com pena suspensa.

138 - JOÃO PINTO

O aspecto franzino terá feito com que muitos olhassem para si com algum desdém. Puro engano. Um esférico posto nos seus pés sempre foi razão suficiente para logo dissipar qualquer ideia de fragilidade. Dono de uma velocidade e controlo de bola muito acima da média, João Pinto nunca hesitou na altura de carregar contra os seus adversários. No ataque, o frágil menino sempre soube agigantar-se contra os calmeirões e, com uma intrépida agilidade, trilhar caminho por entre as defesas contrárias.
Ainda bem cedo, aos 17 anos de idade, as suas qualidades já garantiam ao jovem praticante um lugar no balneário sénior do Boavista. Porém, seria passado um ano, em 1989, que o título Mundial de sub-20, em Riade, catapultaria o avançado para as “bocas do mundo”. As boas exibições ao serviço da jovem selecção portuguesa, fariam com que o Atlético Madrid, cuja estrela era o extremo Paulo Futre, decidisse apostar no emergente talento luso. "El português", albergando o atleta em sua casa, apadrinharia a ida de João Pinto para a capital espanhola. No entanto, a experiência sairia gorada e sua passagem por Espanha, resumida a jogos na equipa “B” dos "Colchoneros", terminaria no final dessa temporada.
O regresso ao Bessa, já após nova conquista do Campeonato do Mundo de sub-20, dessa feita em Lisboa, traria novo folego à sua carreira. Uma época exemplar, onde seria titular indiscutível, levá-lo-ia a assinar pelo Benfica. No tempo que passaria na "Luz", iria experimentar de tudo: títulos, doenças, jogos memoráveis, encontros violentos e até o despedimento, iriam fazer parte dos seus oito anos de “Águia” ao peito. Com um começo pouco desejado, onde um pneumotórax, contraído após um encontro da selecção, chegou a pôr a sua carreira em risco, os anos seguintes fariam dele um dos mais acarinhados pelos adeptos.
Em 1993/94, Benfica e Sporting lutavam "taco-a-taco" pela liderança do Campeonato. À 30ª jornada, o "derby" em Alvalade oponha os dois rivais lisboetas. As “Águias” começariam a perder, mas uma estupenda exibição de João Pinto e o seu "hat-trick", iriam pôr termo ao intento leonino de vencer o título. O 3-6 ficará, por certo, como a marca de um jogo inesquecível. Tão inolvidável quanto a exibição de João Pinto, merecedora, pela primeira vez na história do jornal “A Bola” da nota 10. Já para não falar dos seus golos! Principalmente o remate bem fora da área, na jogada em que fintou meia equipa, mas também o golo de cabeça.
Outras batalhas travaria. Tornaram-se míticos os embates com Paulinho Santos. Muitas foram as partidas em que trocou "mimos" com o jogador do FC Porto. Resultado das querelas? As óbvias expulsões, o maxilar rachado e a “partida” pregada por António Oliveira que, na condição de seleccionador, obrigou os atletas, nos estágios da selecção, a dormir no mesmo quarto, para que fizessem as pazes.
A importância do avançado, para os lados da “Luz”, depressa começou a ser incontornável. Por abraçar a mística benfiquista, em 1995, após a despedida de Veloso, passou a envergar a braçadeira de “capitão”. Dois anos volvidos e mais um prémio para a sua entrega. Aos 26 anos assinava com o Presidente Manuel Damásio um novo elo com o clube – ligação de 7 anos, considerado, pela longa duração, como "vitalício"! No entanto, a chegada de João Vale e Azevedo iria inverter a sua situação. Várias foram as tentativas para vendê-lo. Depois de várias recusas por parte do jogador, em que sempre negou a saída, o novo líder “encarnado” decidiu, por fim, “despachá-lo” e rescindir o seu contrato. A notícia seria anunciada nas vésperas da partida para o Europeu de 2000. Logo choveram convites de emblemas estrangeiros e de Portugal. A escolha de João Pinto recairia no Sporting, onde, ao formar uma dupla mortífera com Mário Jardel, ganharia o Campeonato Nacional de 2001/02.
O ano 2002 traria também um dos maiores incidentes ocorridos na sua carreira. No Mundial organizado entre o Japão e a Coreia do Sul, torneio de má memória colectiva, após expulsão no jogo que ditaria a eliminação dos portugueses, João Pinto agride o árbitro Ángel Sánchez. Grande foi o seu castigo e o afastamento da selecção seria o primeiro sintoma do “terminus” do seu percurso nos relvados. Depois dos “Leões”, ainda voltou ao Boavista e, por fim, vestiu a camisola do Sporting de Braga.