1713 - CAVUNGI

 
Manuel Francisco Salvador, popularizado no mundo do futebol por Cavungi, teria no Benfica os últimos anos de formação. Aliás, seria no derradeiro ano como júnior das “Águias” que o atacante, fruto das habilidades reveladas dentro de campo, acabaria chamado aos jovens conjuntos sob a batuta da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos trabalhos dos actualmente designados por sub-18, o extremo estrear-se-ia com a “camisola das quinas” a 10 de Dezembro de 1974. Essa partida frente à Finlândia, onde o 4-1 final contaria com dois golos seus e dois de Chalana, daria início a uma caminhada a levá-lo a outros desafios. No referido percurso, o jogador teria a oportunidade participar em certames como o Torneio de Cannes e acumularia, sem sair do escalão acima mencionado, um total de 8 internacionalizações com as cores lusas.
No que respeita ao percurso clubístico, seria pela mão de Mário Wilson que o atacante, no decorrer da temporada de 1975/76, viria a aparecer, pela primeira vez, na equipa principal. No entanto, com o sector ofensivo dos “Encarnados” povoado por elementos como Nené, Moinhos, o já mencionado Chalana, Jordão, Vítor Batista, Nelinho, entre outros, a verdade é que as oportunidades não seriam muitas. Também nas campanhas seguintes, Cavungi veria a escolha dos treinadores recair sobre outros intérpretes. A excepção a esse ocaso emergiria na época de 1977/78, durante a qual, chamado por John Mortimore, apareceria amiúde nas pelejas calendarizadas para as “Águias”.
Mesmo nunca tendo conseguido afirmar-se como um elemento indiscutível nos alinhamentos do “Glorioso”, o extremo, ainda assim, viria a participar em momentos inolvidáveis para o Benfica. Para além da conquista de vários títulos, para o caso 2 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal, o atacante participaria noutro capítulo que acabaria inscrito nos anais do futebol português. A história, ocorrida no Benfica – Sporting de 1977/78, ficaria conhecida pelo desaparecimento do brinco de Vítor Batista. O que poucos sabem é da intervenção directa de Cavungi no episódio. Primeiro, seria do atacante o centro que daria o passe para o golo. Depois, já no rescaldo da ronda a contar para a 1ª divisão portuguesa, viria a revelação do dono da jóia, a revelar que a peça de joalharia teria saltado da sua orelha na sequência do abraço recebido pelo homem que, instantes antes, havia efectuado a assistência para o seu remate certeiro!
Para além desta curiosidade, como revelado nos parágrafos precedentes, Cavungi nunca haveria de conquistar um lugar no “onze” do Benfica. Tal facto levaria a que o avançado fosse, na temporada de 1980/81, emprestado ao Sporting de Braga. Os desempenhos conseguidos ao serviço da agremiação minhota justificariam o seu regresso à Luz. Todavia, de novo a envergar o “manto sagrado”, o atacante voltaria a claudicar. Seguir-se-ia, naquela que viria a tornar-se na única época do conjunto sediado na Região do Oeste entre os “grandes”, a campanha de 1982/83 cumprida no Ginásio de Alcobaça. O pior é que, com a descida da equipa por si representada, o atleta jamais retornaria ao patamar máximo do futebol luso. De seguida emergiria, na caminhada do extremo, o Leixões de 1984/85 e num trecho competitivo caracterizado pela errância, o Cova da Piedade, o CD Luso, o Almancilense, o Estrela de Vendas Novas e o “pendurar das chuteiras” com o termo das provas agendadas para 1989/90.

1712 - CATANHA

Nascido como Henrique Guedes da Silva, seria pela alcunha Catanha que o avançado ficaria conhecido no universo do futebol.
Até aqui, tudo bem! O pior surgiu no momento em que tentei reconstruir a sua caminhada competitiva! Nesse sentido, com diferentes fontes a veicularem trajectos bem diferentes, foi deveras difícil – no meu caso, impossível – conseguir recriar essa sua passagem pelo “jogo da bola”, com uma certeza inabalável. Ainda assim, e para encetar esta tentativa de biografia, a informação a aparecer com maior frequência é aquela a dizer-nos o início da carreira sénior de Catanha no plantel de 1991 do São Caetano.
Os passos seguintes da caminhada do atleta, numa ordem que depende da origem da informação, surgiriam da sua ligação a CSA, União São João, Paysandu e fazendo fé em fontes a aparecerem de forma mais esparsa, igualmente ao Rio Branco. Finalmente, tendo em conta que, daí em diante e durante vários anos, o seu percurso reveste-se de uma certeza bem alicerçada, emergiria a ligação de Catanha ao Belenenses de 1995/96. Já no Restelo, onde chegaria com a referida temporada a meio, o avançado-centro passaria a ser orientado por João Alves. Porém, com a ida do “Luvas Pretas” para o Salamanca, o jogador, numa “senda lusa” que englobaria nomes como Ivkovic, Paulo Torres, Miguel Serôdio, Nuno Afonso, Taira, Agostinho, Giovanella, Pauleta e César Brito, também acabaria a mudar-se para as provas espanholas agendadas para 1996/97.
Curiosamente, a sua passagem pelos “Charros” ficaria bem aquém do já revelado anteriormente. A fraca prestação obtida nessa época cumprida no emblema sediado na região de Castela e Leão levá-lo-ia, na campanha seguinte, a ser emprestado ao Leganés. Ainda no escalão secundário, os números conseguidos pelo novo clube, fariam com que o Málaga decidisse apostar na sua contratação. Na colectividade sediada no Sul do país, o avançado finalmente veria a sua “veia goleadora” a despontar e após a consagração como o Melhor Marcador da Segunda División de 1998/99, a subida de patamar, ainda ligado aos “Boquerones”, catapultá-lo-ia para os melhores anos da carreira.
Com a época de 1999/00 a mostrá-lo como o goleador máximo do Málaga e o 3º na tabela do Pichichi, Catanha veria a sua cotação a subir em flecha. Esse acréscimo de valor, fá-lo-ia ser cobiçado por emblemas com ambições maiores e a transferência para o Celta de Vigo, à altura por um montante recorde para o clube galego, transformar-se-ia num dos grandes acontecimentos do defeso estival de 2000. Nos Balaídos, onde começaria por ser treinado por Víctor Fernandéz, técnico que viria a ter uma ligação com o FC Porto, o avançado-centro conservar-se-ia como um dos bons intérpretes da La Liga. Paralelamente à confirmação das suas habilidades surgiria, então, a oportunidade do atacante vir a naturalizar-se e, com o termo do processo inerente à obtenção da nacionalidade espanhola, abrir-se-lhe-iam as portas da “La Roja”.
A estreia pela principal selecção de Espanha aconteceria, pela mão de José António Camacho, a 7 de Outubro de 2000. Depois dessa partida frente a Israel, agendada para o Estádio Santiago Bernabéu, Catanha teria a ocasião de disputar outras partidas do foro internacional. Igualmente no âmbito da Fase de Qualificação para o Mundial de 2002, participaria também no embate com a Áustria. Por fim, num trajecto que daria ao seu currículo um total de 3 partidas efectuadas com a camisola da “La Roja”, o avançado seria ainda convocado para, em Novembro do mesmo ano, entrar em campo num “amigável” frente aos Países Baixos.
Após 3 anos e meio passados na Galiza, Catanha decidiria ser a hora de mudar de rumo. Daí em diante, a sua carreira assumiria os contornos de uma caminhada extremamente errante. Depois dos russos do Krylya Sovetov, o avançado, a meio da temporada de 2004/05 regressaria ao Belenenses. De seguida, num trajecto dividido entre o Brasil e a Espanha surgiriam uma larga série de emblema que, como já destapei anteriormente, não tive como assegurar a sua veracidade no currículo do jogador. Ainda assim, pelo meio de diversas informações a dar-nos a sua união a clubes como o Marília, Sport Atalaia, CSA, Corinthians Alagoano, Sete de Setembro, Santa Rita, ou, já na fase espanhola, a Linares, Unión Estepona, Zenit de Torremolinos e Atlético Estación, há a destacar a sua passagem pelo Atlético Mineiro de 2005 e pelo Dos Hermanas San Andrés, onde, aos 44 anos, partilharia o balneário com o filho.
Já como treinador e também nas funções de dirigente, o antigo avançado parece ter tido algumas experiências. Sem que tenha conseguido confirmar tais informações, deixo-vos uma lista do que tem sido veiculado para Catanha nas aludias tarefas, nomeadamente os gibraltarinos do Leo FC, o Almuñécar City, o Nerja, o Unión Estepona ou as camadas de formação do Málaga.

1711 - RICARDO FERNANDES

Com a formação feita com a camisola do Desportivo das Aves, Ricardo Ribeiro Fernandes teria no plantel de 1996/97 do Moreirense a estreia enquanto sénior. Com os “Cónegos” a militar, na referida época, no escalão secundário do futebol português, o médio-ofensivo poucas oportunidades conseguiria alcançar no grupo de trabalho às ordens de Carlos Garcia. Seguir-se-ia, logo à temporada de chegada à colectividade da sua terra natal, a transferência para o Freamunde. No novo emblema, ainda a disputar os patamares inferiores, as suas habilidades técnicas iriam merecer tal destaque que serviriam de intensivo para que um dos “grandes” decidisse apostar na sua contratação. Ligado ao Sporting a partir da campanha de 1999/00, ainda assim, o jogador demoraria algum tempo a fixar-se em Alvalade e só depois de 3 anos cedido a outras colectividades é que teria a chance de ostentar, em jogos oficiais, as divisas dos “Leões”.
Sempre por empréstimo, Freamunde, Santa Clara e Gil Vicente preencheriam os passos do médio-ofensivo subsequentes à assinatura do contrato com os “Verde e Brancos”. Em Barcelos, numa equipa comandada inicialmente por Luís Campos e depois por Vítor Oliveira, Ricardo Fernandes inscreveria no capítulo inicial da passagem pela 1ª divisão, trecho correspondente à jornada inaugural do Campeonato Nacional de 2001/02, um golo no triunfo frente ao Vitória Sport Clube. Já o resto da mencionada época também correria de feição para o atleta. A aferição feita aos seus desempenhos ao serviço dos “Galos” assegurar-lhe-ia um lugar no plantel de 2002/03 do Sporting. No entanto, apesar de um arranque fulgurante, com 2 golos concretizados na conquista da Supertaça, a verdade é que Laszlo Bölöni não daria muitas oportunidades ao jogador e finda a campanha passada na agremiação “alfacinha”, o negócio a envolver a chegada de Clayton a Alvalade levá-lo-ia a viajar até à “Cidade Invicta”.
A “troca” de atletas faria com que Ricardo Fernandes fosse apresentado como reforço do FC Porto de 2003/04. No Estádio do Dragão, mesmo sem conseguir conquistar a titularidade no plantel sob a intendência de José Mourinho, o médio-ofensivo ergueria a época mais prolífera da carreira. Para tal, em muito contribuiriam os sucessos colectivos dos “Azuis e Brancos”. No referido campo, para além da conquista da Supertaça e do Campeonato Nacional, o melhor ficaria reservado para a Liga dos Campeões. Naquele que é a prova de maior monta no calendário futebolístico da UEFA, o jogador, apesar de não ter marcado presença na final de Gelsenkirchen, entraria em jogo em 5 partidas e, desse modo, inscreveria o seu nome no rol de notáveis que ajudariam a trazer, para os escaparates portistas, o tão almejado troféu.
Mesmo tendo jogado com uma regularidade bastante aceitável, a entrada de Luigi del Neri para o comando dos “Dragões” faria com que acabasse transferido para a Académica de Coimbra. Sem deixar o escalão máximo, o médio-ofensivo teria nos “Estudantes” uma época, não digo decepcionante, mas abaixo do que as suas qualidades desportivas permitiriam. Esse facto levaria a que decidisse, em 2005/06, arriscar-se noutros contextos competitivos. Num registo que viria a acompanhá-lo em grande parte da carreira, o Chipre seria o capítulo inicial de uma enorme senda pelo estrangeiro. Com as cores do APOEL a partir da temporada de 2005/06, o jogador, nos anos seguintes, ajudaria o clube a vencer 1 Campeonato e 1 Taça. Depois, numa caminhada cada vez mais errante, emergiriam os ucranianos do Metalurg Donetsk, o regresso às provas cipriotas, onde envergaria as camisolas do Anorthosis e do AEL Limassol, a curta passagem pelos israelitas do Hapoel Be’er Sheva, outros dois anos no Metalurg Donetsk, os gregos do Panetolikos, mais uma ronda de 4 anos pelo Chipre, dessa feita cumprida no Doxa e no Omonia e, finalmente, o regresso a Portugal.
A cumprir os derradeiros anos da carreira enquanto futebolista, Ricardo Fernandes ainda competiria ao serviço do Trofense e do Felgueiras. Após uma temporada em cada um dos emblemas referidos, o antigo jogador decidiria, aos 39 anos de idade, “pendurar as chuteiras”. De seguida surgiria a aposta na hotelaria e os projectos como dirigente que o empurrariam, mais uma vez, até ao Felgueiras e até à UD Oliveirense.

1710 - DÁRIO

Após ter dado, em 1972, início à carreira sénior ao serviço do Linense e de ter, na época seguinte, passado a representar a Portuguêsa Santista, Dário Bernardino de Faria Filho deixaria os emblemas do Estado de São Paulo para, na campanha de 1973/74, ser apresentado como reforço do Olhanense. No Algarve, onde partilharia o balneário com nomes importantes do futebol luso, casos de Ademir ou de Barroca, o extremo canhoto estrear-se-ia sob as ordens de Mário Fuzaro. Com o técnico brasileiro a assumir o comando da equipa apenas durante uma jornada do Campeonato Nacional da 1ª divisão, o resto dessa sua temporada de chegada a Portugal seria cumprida na intendência de Manuel de Oliveira. Com números conseguidos, durantes as provas de índole interno, a darem o atleta como um dos mais utilizados do conjunto sediado no Sotavento, a surpresa emergiria no termo da época e o avançado, apesar de ajudar à manutenção da sua equipa, acabaria a mudar de emblema.
A transferência para o plantel de 1974/75 do Feirense empurraria o atacante para as pelejas do escalão secundário. Com esse período de 3 anos a culminar com a promoção dos “Fogaceiros”, mais uma vez a surpresa emergiria do caminho de Dário, com o jogador a não acompanhar os colegas de equipa na subida de patamar. Seguir-se-ia, na senda do atacante pelas diferentes regiões de Portugal, o Alentejo. Dessa feita, o Estrela de Portalegre e o Juventude de Évora, com uma época passada em cada um dos colectivos, serviriam, finalmente, de rampa de lançamento para o regresso do extremo-esquerdo ao convívio com os “grandes”. Já a porta dos grandes palcos do ludopédio luso abrir-se-ia através do Vitória Futebol Clube e a mudança para a cidade de Setúbal empurrá-lo-ia para escaparates mais condizentes com sua habilidade desportiva.
A tríade de temporadas a vestir o listado verde e branco dos “Sadinos” sublinhá-lo-iam como um intérprete de perfil indubitavelmente primodivisionário. Como um dos nomes mais chamados aos desafios agendados para o Vitória Futebol Clube, através dos quais contribuiria para épocas tranquilas da agremiação setubalense, Dário começaria a tornar-se numa das caras mais respeitadas do plantel. No entanto, apesar de ser consensual nas chamadas dos diferentes treinadores à frente dos homens a jogar em casa no Estádio do Bonfim, a verdade é que a época de 1982/83 apresentar-lhe-ia um novo emblema na carreira. No Portimonense a partir da mencionada temporada, os números registados no grupo de trabalho a cargo de Artur Jorge não deixariam adivinhar o que viria de seguida e findo esse ano, dessa feita vivido no Barlavento algarvio, uma nova mudança surgiria a deflectir o rumo do atacante.
Com a sua caminhada desportiva a tomar contornos de um percurso estranhamente errático, o pior da chegada à Sanjoanense viria com o afastamento definitivo do extremo-esquerdo daquele que é o patamar máximo do futebol português. Nesse sentido, numa carreira a escrever os últimos capítulos, à “Capital do Calçado” suceder-se-ia Barcelos e o Gil Vicente. Pelo Minho, um pouco mais a norte, manter-se-ia até ao final da caminhada enquanto praticante e seriam as 3 campanhas a vestir a camisola do Vianense que, concluídas as provas agendadas para 1988/89, albergariam o termo da carreira de Dário.

1709 - LUÍS HORTA

Sem ter conseguido confirmar a informação que irei replicar, algumas fontes dão os primeiros anos da carreira de Luís Manuel Alfar Horta ao serviço de emblemas como o Casalense, o Leiria e Marrazes e o Belas. O que parece ser mais consensual, nestes capítulos iniciais da sua caminhada futebolística, é a sua inclusão no plantel de 1973/74 do Sintrense.
Terá sido também a envergar o emblema saloio, onde partilharia o balneário com Nelo Vingada e com Rui Reis, que o atleta haveria de despertar a cobiça do Atlético. Na Tapadinha a partir da temporada de 1974/75, o defesa-central teria na agremiação do popular bairro de Alcântara a estreia no patamar maior do futebol português e, logo no ano de chegada à colectividade “alfacinha”, conquistaria um lugar de destaque no seio do grupo de trabalho.
Lançado nas pelejas primodivisionárias por Fernando Vaz, o atleta, ainda no decorrer da última temporada referida, e na seguinte, também ficaria às ordens de Carlos Silva. Aliás, a sua mudança para o Belenenses, após cumpridas duas campanhas na 1ª divisão, em muito ficaria a dever-se à contratação, pelos “Azuis”, do mencionado treinador. Já no Restelo, onde chegaria ao lado de Manuel Amaral, seu companheiro no Atlético, o defesa-central, que podia ocupar lugares mais avançados no terreno de jogo, continuaria a sublinhar-se como um dos bons intérpretes a exibir-se nas provas lusas. Curiosamente, um dos grandes destaques dessa sua época de chegada ao novo emblema, emergiria das provas de índole continental. Com os homens da “Cruz de Cristo” inseridos na Taça UEFA, calhar-lhes-ia em sorte, logo na ronda inicial da prova, defrontar o FC Barcelona. Nessa eliminatória frente aos catalães, a colectividade portuguesa recusar-se-ia a ser o “bombo da festa” e com Luís Horta a marcar um golo no empate caseiro por 2-2, em Camp Nou, só bem perto do termo da 2ª mão, é que o resultado, com 5-4 no somatório das 2 partidas, cairia para o lado dos “Culés”.
Nos anos seguintes, Luís Horta, como um dos membros a aparecer com maior frequência nas fichas de jogo, passaria a caracterizar-se como um elemento deveras zeloso na postura apresentada. Ainda assim, na sua passagem pelo Belenenses, no desenovelar da época de 1978/79, uma polémica haveria de surgir na antecâmara de um jogo frente ao FC Porto – “A seguir à prelecção no hotel, antes do jogo, o António Medeiros avisou-nos que tínhamos de fazer uma vénia à bandeira que estava num mastro dentro do estádio (…). Respondi-lhe que só fazia vénia a uma bandeira, à de Portugal, e a mais nenhuma. Que estava ali para jogar futebol e não para fazer vénias. Além disso, a tradição era transportar a bandeira ao entrar em campo. Ele não gostou e disse-me logo que, ou fazia a vénia, ou não jogava. E não joguei mesmo”*.
Obviamente, num jogador reconhecido pela sua ética, o episódio relatado no parágrafo anterior constituir-se-ia como uma excepção. A regra seria ver Luís Horta como um dos habituais nomes a integrar o “onze” do Belenenses. A mencionada titularidade, ao surgir de forma bastante regular, viria a abrir-lhe outras portas, nomeadamente a dos grupos sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse âmbito, a primeira aparição em campo, a propósito dos trabalhos agendados para a equipa “B” lusa, aconteceria a 8 de Março de 1978. Na partida frente a França, no qual entraria ao lado de outros colegas nos “Azuis”, casos de Alexandre Alhinho e de Sambinha, o defesa-central, com um golo da sua autoria, ajudaria ao empate a uma bola. Já em Novembro do mesmo ano, dessa feia numa partida com o conjunto secundário da Áustria, o jogador voltaria a ser chamado às contendas internacionais e juntaria ao currículo pessoal outra partida com a “camisola das quinas”.
Em 1980/81 Luís Horta teria uma incursão de 1 temporada ao serviço do Sporting de Braga. Finda a curta passagem pelo Minho, o jogador voltaria ao Belenenses. No entanto, o regresso ao emblema lisboeta culminaria, não só num dos piores momentos colectivos da história dos “Azuis”, como noutra situação caricata para o jogador. O episódio começaria no jogo forasteiro frente à União de Leiria, referente à 26ª ronda do Campeonato Nacional. A partida disputada na “Cidade do Lis” terminaria com a vitória, por 1-0, do conjunto da casa. Tal resultado ajudaria a vincar aquela que viria a tornar-se na primeira descida à 2ª divisão da longa existência dos homens da “Cruz de Cristo”. Para piorar a situação, entre outras expulsões, ao defesa-central seria mostrado o cartão vermelho directo. O castigo aplicado acabaria por afastar o jogador, até ao final da prova, dos restantes desafios. No rescaldo do incidente, o atleta pediria para deixar o clube. Os dirigentes da colectividade sediada no Restelo anuiriam ao solicitado, mas, em troca, exigir-lhe-iam uma indeminização!
Finda a época de 1981/82, Luís Horta deixaria mesmo o Belenenses para, também no escalão secundário do futebol luso, passar a representar a Académica de Coimbra. A passagem pela “Briosa”, numa caminhada já a contar com 8 anos consecutivos entre os “grandes”, afastá-lo-ia em definitivo das contendas primodivisionárias. De seguida viriam o par de temporadas no FC Barreirense, o Pêro Pinheiro de 1985/86 e, numa carreira de futebolista já aproximar-se do final, tempo ainda para envergar, com umas sabáticas pelo meio, as cores do Mortágua de 1987/88 e do Figueiró dos Vinhos de 1989/90.

*retirado de um artigo publicado a 18/01/2003, em www.record.pt

1708 - DJALMA

Djalma Nascimento Freitas chegaria, em 1957 e numa altura em que ainda era júnior, à equipa principal do Caxangá EC. Pouco tempo bastaria para que, na época de 1958, assinasse o primeiro contrato como futebolista profissional. No entanto, a sua passagem pelo América de Pernambuco seria de curta duração. As suas excelsas qualidades técnicas e o enorme faro para o golo logo haveriam de pô-lo no caminho de emblemas com ambições maiores e a campanha de 1959 marcaria o início da sua ligação com o Sport Recife.
Naquela que é um das mais importantes colectividades do Estado de Pernambuco, Djalma continuaria a revelar enorme habilidade para as funções de avançado-centro. De tal forma boas seriam as aferições feitas às suas exibições, que o seu nome depressa passaria a estar na boca de todos os que, já a nível nacional, tinham por hábito acompanhar as pelejas oferecidas pela modalidade. Nesse sentido, corria a temporada de 1961, o São Paulo, orientado por Flávio Costa, treinador com duas passagens pelo FC Porto, pediria autorização ao Sport Recife para incluir o jogador numa digressão a fazer pela América do Sul. Com os jogos planeados para a viagem a correrem de feição ao jogador, à chegada ao Brasil, os responsáveis pelo “Tricolor” encetariam negociações com o clube detentor do seu passe, no sentido de uma possível transferência. Porém, as exigências tornar-se-iam altas demais e a hipotética mudança de emblema haveria de cair por terra.
Seria também por essa altura que a vinda de Djalma para Portugal haveria de estar em cima da mesa. Segundo o que haveria de ser veiculado, com o presidente do Sport Recife natural da Covilhã, as negociações com vista à sua entrada nos “ Leões da Serra” até chegariam a bom porto. Contudo, mesmo à beira de consumar a travessia atlântica, o negócio claudicaria e o avançado permaneceria ao serviço da agremiação pernambucana.
Ao manter-se com a camisola do Sport Recife, ao serviço do qual, em 1961 e 1962, viria a sagrar-se bicampeão estadual, Djalma também conquistaria, no primeiro dos anos referidos, o título de Melhor Marcador da prova. Ainda assim, mesmo com os sucessos alcançados, o atleta continuaria a alimentar o sonho de jogar fora de fronteiras. Essa oportunidade surgiria na temporada de 1965/66. Já como atleta do Vitória Sport Clube, onde, à chegada ao Minho, a manigância do presidente da colectividade vimaranense haveria de retirar 5 anos à idade oficial do jogador, o avançado-centro, desde logo, conseguiria um lugar de destaque no plantel. No entanto, muito para além das capacidades desportivas, o seu carácter irascível, associado a uma vida fora dos campos sublinhada em excessos com o álcool, variadíssimas ostentações materiais e diversos acidentes rodoviários, em pouco contribuiriam para que o atacante viesse a tornar-se numa figura consensual entre as restantes personalidades do futebol luso.
Mesmo assim, os seus desempenhos, nesse ano de estreia no Campeonato Nacional da 1ª divisão, levá-lo-iam a disputar os lugares cimeiros da tabela dos Melhores Marcadores da prova. Porém, dizem que já bastante aborrecidos com as atitudes excessivas do jogador, os dirigentes aproveitariam o interesse do FC Porto para forçarem a sua saída da cidade de Guimarães. No entanto, a chegada aos “Azuis e Brancos”, à altura comandados por José Maria Pedroto, em nada mudaria o seu estilo. Djalma, nessa temporada de 1966/67, continuaria com a pontaria bastante afinada e fora dos contextos desportivos, como até aí, manter-se-ia a alimentar a imagem de alguém com um temperamento e costumes bastante problemáticos.
Com as polémicas a sobreporem-se às capacidades futebolísticas, a verdade é que a preponderância mostrada dentro do rectângulo de jogo não deixariam o avançado afastar-se do alinhamento inicial dos “Dragões”. Tamanha importância levá-lo-ia, por exemplo, ao “onze” escolhido para a final da edição de 1967/68 da Taça de Portugal. No Jamor, mesmo sem concretizar qualquer golo, seria uma das grandes figuras do FC Porto, no triunfo frente ao Vitória Futebol Clube. Todavia, esse seria o único título ganho ao serviço da colectividade sediada na “Cidade Invicta” e o termo da temporada de 1968/69 marcaria o fim da sua ligação ao clube nortenho.
Seguir-se-ia o plantel de 1969/70 do Belenenses. Contudo, a sua passagem por Lisboa ficaria marcada, muito mais do que pelos episódios desportivos, por um novo e gravíssimo acidente de automóvel. O jogador, que viria a confessar-se embriagado e ofuscado pelos faróis de um camião, acabaria por não evitar o atropelamento mortal de três pessoas. O incidente empurrá-lo-ia para uma pena de prisão, cumprida entre as cadeias do Montijo e de Sintra. Com o termo do encarceramento, o avançado-centro ainda regressaria às contendas competitivas dos “Azuis”. Todavia, a tolerância dos responsáveis directivos pelos homens do Restelo acabaria e, cedido por empréstimo, o jogador, viveria as temporadas de 1971/72 e 1972/73, respectivamente com as cores do Oriental e do Marinhense. Por fim, quando já contava 40 anos de idade e após representar o Sporting de Espinho de 1973/74, surgiria o final da sua carreira como futebolista.

1707 - ALI HASSAN

Ao destacar-se no Grupo Desportivo de Maputo, Ali Mahomed Hassan, eleito o melhor jogador moçambicano do ano de 1988, teria em Portugal a sua próxima paragem no futebol. No entanto, ao ter sido convidado pelo Benfica a treinar à experiência e depois do contrato apresentado pelas “Águias”, o jogador acabaria por deixar a Luz e rumar ao outro lado da 2ª circular – “Fui recebido pelo presidente João Santos e pelo diretor Gaspar Ramos. Estive 15 dias na Luz e o primeiro treino foi no relvado principal (…). Foi um primeiro dia diabólico. Fui-me adaptando, com a ajuda do Mozer, Valdo, Vata e Abel Campos, dois angolanos, e a partir daí melhorei (…).O Toni e o Gaspar Ramos gostaram do que viram e ofereceram-me um contrato de quatro anos, mas nessa noite uns diretores do Sporting foram-me buscar ao Hotel Altis, onde eu estava, e acabei por assinar um contrato com o Sporting(…).Eu era sportinguista desde pequeno e juntei o útil ao agradável. Só peço desculpas ao Benfica pelo sucedido e sei que foi a minha ingenuidade a levar-me a tomar essa decisão”*.
Com a entrada, em Janeiro de 1989, no Sporting, o jogador, já com 24 anos, acabaria por revelar algumas dificuldades de adaptação ao diferente contexto competitivo. Mesmo ao jogar pouco, o médio-centro teria, sob a alçada de Manuel José, o período de melhor rendimento na passagem por Alvalade. Durante esse tempo, destacar-se-ia a sua presença nas partidas refentes à edição de 1989/90 da Taça UEFA. Frente ao Napoli de Diego Armando Maradona, o centrocampista moçambicano haveria de participar em ambas as mãos e acabaria a ronda, mesmo com os “Leões” afastados da prova de índole continental, com uma fotografia tirada ao lado do mencionado astro argentino.
Apesar desse episódio, momento de cariz inolvidável na caminhada competitiva de Ali Hassan, a verdade é que o médio poucas vezes contribuiria para os resultados do colectivo “verde e branco”. Nesse sentido, reconhecidas as suas capacidades, o médio, findo um período de 2 anos e meio passado em Alvalade, teria no Vitória Futebol Clube a oportunidade de prosseguir a carreira. Em Setúbal a partir da temporada de 1991/92, com os “Sadinos” na disputa do segundo escalão português, o impacto produzido pela sua experiência no Bonfim ficaria abaixo das expectativas criadas ao seu redor. Seguir-se-ia uma curta, e mais uma vez infrutífera, passagem pelo primodivisionário Estoril Praia. Ainda nessa época de 1992/93, de volta à divisão de Honra, o jogador passaria a envergar as cores do Amora. Daí em diante, num trajecto que ficaria sempre aquém do projectado para si, o atleta afastar-se-ia, em definitivo, dos principais palcos lusos e o Académico de Viseu e o Torres Novas completariam o resto da sua vida como futebolista.
Curiosamente, seria pela altura em que representava a última agremiação referida no parágrafo anterior que, na caminhada de Ali Hassan, emergiria outro momento de enorme importância. Chamado por Rui Caçador, o médio, que já tinha feito a estreia pela principal selecção do seu país, viria a ser, ao lado de outro nomes conhecidos do futebol luso, casos de Chiquinho Conde, Tico-Tico ou Jojó, arrolado para o grupo a disputar a CAN de 1996. No torneio organizado na África do Sul, o centrocampista entraria em campo, sempre na condição de suplente utilizado, frente à Tunísia e na partida agendada com a Costa do Marfim. No entanto, com Moçambique, na Fase de Grupos, a conseguir apenas um empate, o jogador veria a sua participação a dar-lhe apenas um par de internacionalizações.
Já de regresso ao país natal, o antigo médio passaria a dedicar-se às actividades de treinador. Nas funções de técnico trabalharia durante diversos anos no Liga Desportiva de Maputo e, mais recentemente, ao serviço do Grupo Desportivo Mahafil.

*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha, publicada a 27/03/2021, em https://maisfutebol.iol.pt

1706 - LEOPOLDO

Descoberto pelo FC Porto no Sport Progresso, Leopoldo José Nogueira Amorim teria nos “Azuis e Brancos” o termo do percurso formativo. Curiosamente, o jovem defesa, já com um acordo rubricado com o Amarante, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, estaria à beira de deixar o emblema portuense. Porém, José Maria Pedroto, ao entender no jogador alguém com enorme potencial, convencê-lo-ia a rubricar um contrato profissional e a deixar, com isso, de pensar na conciliação da prática desportiva com o emprego numa fábrica de tintas.
Outra curiosidade, relacionada com o início da sua caminhada com a principal camisola do FC Porto, sairia logo da primeira partida efectuada, pelo jogador, ao serviço dos seniores dos “Dragões”. Numa ronda forasteira com a CUF, uns dias antes do jogo a contar para 22ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª divisão de 1968/69, os elementos normalmente escolhidos para a tarefa de capitão de equipa ver-se-iam envolvidos numa polémica abrangida pelo foro disciplinar. Castigados os tais atletas, a escolha do treinador para liderar os colegas dentro de campo recairia no estreante Leopoldo e a braçadeira, na peleja agendada para o Estádio Alfredo da Silva, acabaria por ficar entregue à responsabilidade do defesa.
Apesar do arranque auspicioso, o homem que, entre as hostes portistas, ficaria conhecido como “Bacalhau”, alcunha posta pelo brasileiro Djalma como resultado do seu aspecto franzino, raramente conseguiria fixar-se como um dos nomes consensuais no alinhamento do FC Porto. Essa excepção, numa época em que pelo comando técnico dos “Azuis e Brancos” passariam três diferentes treinadores, emergiria no decorrer da temporada de 1971/72. Ainda assim, daí em diante, talvez por razão de uma lesão no menisco que vi veiculada em algumas fontes, a verdade é que o defesa poucas oportunidades haveria de conquistar no “onze” da colectividade sediada na “Cidade Invicta” e a época de 1974/75 marcaria o fim da ligação entre o atleta e os “Dragões”.
Com a sua apresentação como reforço do Varzim de 1975/76, Leopoldo voltaria a trabalhar sob o comando de António Teixeira, seu antigo treinador no FC Porto. A transição levaria o defesa a inscrever o seu nome em algumas páginas importantes na história do emblema poveiro. Logo na época de entrada nos “Lobos-do-mar”, o atleta constituir-se-ia como uma das figuras da chegada da agremiação aos quartos-de-final da Taça de Portugal. Na época seguinte viria o regresso à 1ª divisão. Depois, surgiriam as meias-finais da edição de 1977/78 da “Prova Rainha” e, por fim, o 5º lugar, até hoje um recorde do clube, conquistado na tabela classificativa do Campeonato Nacional de 1978/79.
O pior é, para o jogador, que as metas colectivas alcançadas ao longo do tempo surgiriam paralelamente a um progressivo decréscimo das suas presenças em campo. Mais uma vez, numa altura em que já tinha capitaneado a equipa do Varzim, outra mudança de rumo surgiria no trajecto do defesa. Dessa feita, a transferência ocorrida na campanha de 1980/81 levaria o jogador a assinar um contrato com o Vitória Sport Clube. Em Guimarães, onde cumpriria mais uma temporada entre os “grandes”, Leopoldo também viria a ter a derradeira aparição naquele que é o patamar máximo do futebol português. De seguida surgiriam os últimos capítulos da carreira ao serviço do Macedo de Cavaleiros. Por fim, já “penduradas as chuteiras”, o antigo praticante ainda teria algumas experiências como treinador, as quais levá-lo-iam a passar pelas “escolas” do FC Porto e, por exemplo, pelo Vianense ou pelo Trofense.

1705 - VOYNOV

Com o termo da caminhada formativa a acontecer no Botev Vratsa, seria também no emblema da terra natal que Ilia Tsevetanov Voynov, com o desenovelar da temporada de 1981/82, teria a oportunidade de cumprir a estreia pelos seniores. Depois dessa partida frente à Akademik Sofia, o atacante, muito à custa da qualidade de “dribble” e de passe, rapidamente viria a afirmar-se como uma das grandes figuras do emblema situado no noroeste da Bulgária. Com a evolução apresentada a apontá-lo a outros voos, o avançado, que podia posicionar-se no centro ou em qualquer uma das alas do sector mais ofensivo, teria no Serviço Militar Obrigatório a necessidade de mudar de colectividade e a partir da campanha de 1983/84 passaria a representar o emblema do exército, o CSKA de Sofia.
A entrada no colosso do futebol búlgaro, onde passaria a partilhar o balneário com caras bem conhecidas do cenário desportivo luso, casos de Nedialko Mladenov, Tanev, Radi, Stoycho Mladenov ou Slavkov, não assustaria o jovem avançado. No entanto, a verdade é que os números apresentados pelo jogador baixariam um pouco relativamente a temporadas anteriores. Ainda assim, o atleta viveria, pelos “Vermelhos”, momentos de grande importância. Um deles surgiria com a vitória na edição de 1984/85 da Taça do Exército Soviético. Para além do aludido troféu, o triunfo, nesse mesmo ano, da Taça da Bulgária traria à sua caminhada, principalmente pelo golo concretizado no jogo decisivo, outro colorido. Porém, numa partida conhecida como a “Final Sangrenta”, aquilo que ficaria na memória colectiva seria a polémica saída do embate frente aos rivais da capital – “Muito foi dito e escrito sobre esse jogo – que tinha havido uma luta, que quase arrancamos olhos, que a taça e as medalhas ficaram partidas… e a verdade é completamente diferente. Sim, houve algumas altercações verbais e os jogadores do Levski estavam um pouco nervosos. Naquele tempo – estamos a falar do regime comunista, em que a polícia não permitia quaisquer excessos – era impossível que tais eventos tivessem ocorrido, tal como mais tarde foram descritos, como sendo a verdade. Houve palavrões, mas é normal uma pessoa estar zangada quando perde uma final. Nós levantamos a taça com os adeptos do “Exército do Povo” e celebramos a vitória ali. Deixaram-nos com as medalhas”*.
Já com a temporada de 1985/86 em andamento, o “Príncipe de Vratsa”, alcunha com que ficaria conhecido no futebol da Bulgária, regressaria ao Botev. Tal período, no qual voltaria a trabalhar ao lado de Tzvetan Danov, atleta com passagens pelo Farense e pelo Olhanense, traria a Voynov um dos acontecimentos mais importantes da carreira. O referido momento emergiria com a chamada à selecção principal. Nesse sentido, o avançado, que contava com diversas presenças nos escalões de formação, teria, no dia 10 de Setembro de 1986, a primeira presença pelos “AA”. Chamado ao jogo frente à Escócia por Hristo Mladenov, outro nome com ligação ao futebol luso, o atacante encetaria no Hampden Park uma caminhada a levá-lo a outras internacionalizações e, num trajecto mormente trilhado em partidas da Fase de Qualificação do Euro 88, o atleta somaria 8 partidas pela primeira equipa do seu país.
Com a ligação ao Botev Vratsa a prolongar-se até à campanha de 1988/89, a temporada seguinte apresentaria Voynov ao cenário português. À chegada ao Portimonense, recebido pelo treinador José Torres, o jogador voltaria a cruzar-se com inúmeros conterrâneos, casos de Plamen Getov, Kachmerov, Bezinski, Preslav Getov e Demirev. Contudo, mesmo tendo em conta a experiência competitiva acumulada, a alteração de contexto traria algumas dificuldades ao atleta – “Nós os búlgaros estávamos afastados dos jogadores locais. A barreira linguística também era um problema. Foi bom o Plamen ter-nos dado a mão. A adaptação foi muito difícil para mim”*. Após dois anos no Algarve, com o último vivido nas disputas da divisão de Honra, o atacante, aconselhado por Mladenov, transferir-se-ia para o plantel de 1991/92 do Estoril Praia. Nesse regresso ao convívio com os “grandes”, o avançado, orientado por Fernando Santos, rapidamente conseguiria transformar-se num dos principais elementos a actuar pelos “Canarinhos”. No emblema da Linha de Cascais, sempre em posição de destaque, o atacante manter-se-ia por 4 épocas consecutivas. Mais uma vez, após cumprir nova passagem pelo escalão secundário, o jogador trocaria de colectividade e a presença de Fernando Santos no comando técnico do Estrela da Amadora não estaria, de todo, desassociada à sua mudança para a Reboleira.
O regresso ao país natal ocorreria na temporada de 1996/97 e para um emblema por si bem conhecido. Ao envergar de novo a camisola do CSKA Sofia, Voynov viveria a temporada, em termos de títulos, mais prolífera da carreira. Para tal, em muito contribuiriam as conquistas do Campeonato e da Taça da Bulgária. De seguida, com o início da ligação a partir da temporada de 1997/98, surgiria Spartak Pleven onde, no termo da campanha de 2000/01, decidiria “pendurar as chuteiras”.
Por fim, há que fazer referência à sua transição para as funções técnicas, onde tem desempenhado diferentes papeis e em colectividades como o Botev Vratsa, o Spartak Pleven, o Partizan Cherven Bryag ou o Juventus Malchika.

*traduzido do artigo de Georgi Alexandrov, publicado em www.konkurent.bg, entre 10/10/2021 e 12/12/2021

1704 - ALFREDO MOREIRA

Natural da cidade de Setúbal, Alfredo Teixeira Moreira seria chamado aos trabalhos seniores do Vitória Futebol Clube no decorrer da temporada de 1957/58. Apesar de treinar com as estrelas dos “Sadinos”, a verdade é que o treinador uruguaio Humberto Buchelli, mesmo tendo em conta o potencial aferido ao defesa-central, só na campanha seguinte daria ao jovem praticante a oportunidade de fazer a estreia pelos homens a envergar o listado verde e branco. A partir desse momento, tirando raras excepções e tendo como parceiros no sector mais recuado jogadores como Polido, Manuel Joaquim, Galaz, Torpes ou Herculano, o atleta conseguiria manter-se como um dos elementos mais preponderantes da agremiação a actuar em casa no Campo dos Arcos.
A importância auferida, no colectivo por si representado, faria com que, na campanha de 1961/62, numa altura em que os “Sadinos” militavam na 2ª divisão, fosse um dos elementos escolhidos, por Filpo Nuñez, para disputar a derradeira partida da Taça de Portugal. No Estádio Nacional, a peleja frente ao Benfica não correria de feição para o seu lado. Todavia, apesar do desaire vivido no Jamor, a referida temporada, ao fim de dois anos afastado dos palcos principais do futebol português, representaria também a subida de escalão. Já de regresso ao convívio com os “grandes”, Alfredo Moreira passaria a destacar-se como um dos melhores atletas, da sua posição, a actuar no contexto competitivo luso e, tamanho destaque, levá-lo-ia a ser cobiçado por emblemas de outra monta.
Com a cotação em alta, o defesa-central, na campanha de 1963/64, seria apresentado como reforço do Sporting Clube de Portugal. Mesmo não tendo, à chegada a Alvalade, alcançado a titularidade de forma incontestável, as suas exibições dar-lhe-iam, para além da participação nas rondas planeadas para o Campeonato Nacional, o direito de disputar as eliminatórias da Taça dos Vencedores das Taças. Nos desafios de índole continental, ainda sob a alçada técnica de Gentil Martins, o atleta alinharia, em 3 partidas da mencionada prova, frente ao APOEL de Chipre e com o Manchester United. Como resultado de tais contendas, numa caminhada em que não participaria na final ou na finalíssima de Antuérpia, Alfredo Moreira, face ao triunfo dos “Leões” com o MTK Budapeste, veria o seu nome incluído no rol de personalidades triunfantes na competição organizada pela UEFA e entraria, de forma meritória, para o rol de notáveis a colorir a história dos “Verde e Brancos”.
Já a temporada de 1964/65, em termos individuais, terá sido uma das melhores da carreira do defesa-central. Para a apreciação por fim feita, em muito contribuiria a titularidade alcançada no Sporting. Ainda assim, não querendo menosprezar tal facto, haveria de surgir outro episódio que, durante a referida época, catapultaria o jogador para um patamar bem superior. Ao nunca ter tido a oportunidade de, em qualquer escalão, envergar a “camisola das quinas”, o dia 24 de Junho de 1965, alteraria essa conjuntura. Chamado por Manuel da Luz Afonso e orientado em campo por Otto Glória, a aludida data serviria de ocasião para a sua estreia na principal equipa de Portugal e a partida disputada na cidade do Porto, frente ao Brasil, entregar-lhe-ia, ao currículo profissional, 1 internacionalização “A” com as cores lusas.
Quando tudo apontava para Alfredo Moreira como um dos esteios do Sporting, uma grave lesão, contraída praticamente no encetar da época de 1965/66, deitaria abaixo muita dessa certeza. Já recuperado, mas definitivamente ultrapassado pela dupla composta por José Carlos e por Alexandre Baptista, o defesa-central jamais recuperaria a titularidade. Aliás, do incidente físico em diante, pouco mais jogaria na equipa principal leonina e após cumprir longos períodos nas “reservas” dos “Verde e Brancos”, o atleta, no termo da temporada de 1967/68, deixaria Alvalade para partir em direcção a Setúbal.
De regresso ao Vitória Futebol Clube na campanha de 1968/69, Alfredo Moreira, ao cumprir as 2 derradeiras épocas da carreira, instalar-se-ia, nas disputas primodivisionárias, como um dos principais actores da equipa. A trabalhar na intendência de Fernando Vaz, o defesa-central transformar-se-ia num dos esteios da agremiação setubalense e no escrever daquele que terá sido o capítulo mais faustoso da história do colectivo sediado no Bonfim, o jogador também daria um enorme contributo para as brilhantes participações internas e além-fronteiras. Nesse contexto resplandecente, surgiria o 3º lugar no Campeonato Nacional de 1969/70. Porém, o grande destaque emergiria da participação na Taça das Cidades com Feira, com o atleta, ao entrar em campo em ambas as edições da prova, a inscrever o seu nome na chegada do emblema português aos quartos-de-final de 1968/69 e, no ano seguinte, aos oitavos-de-final da competição.