Mostrar mensagens com a etiqueta Futebol 2001-2002. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Futebol 2001-2002. Mostrar todas as mensagens

1740 - HANUCH

Mauricio Fabio Hanuch, alcunhado como “El Turquito”, apareceria na equipa principal do Platense na temporada de 1994. Médio de características ofensivas, que podia posicionar ao centro ou à direita, o jovem jogador ainda demoraria algum tempo até conseguir afirmar-se como um dos principais nomes do emblema sediado na cidade de Vicente López. A crescer, o seu empréstimo ao Deportivo Móron, serviria para que o jovem jogador ganhasse a estaleca necessária à sua afirmação. No decorrer da referida cedência, as exibições conseguidas durante essa temporada de 1996 permitir-lhe-iam assegurar o regresso ao clube detentor do seu passe e o atleta, progressivamente, iria ganhar o seu espaço nos “Calamares”.
Já como um dos membros do “onze” do Platense, Hanuch veria o Independiente a apostar na sua contratação. A mudança para Avellaneda sublinhá-lo-ia como um dos intérpretes mais interessantes no cenário futebolístico argentino. Com números bem interessantes conseguidos durante a campanha de 1999, o seu nome começaria também a ser cogitado por colectividades europeias. Com os meios de comunicação social desportivos a dar o médio-ala como um dos alvos do Benfica, a verdade é que o jogador aterraria mesmo em Lisboa, porém para representar o Sporting.
Com a entrada em Alvalade a acontecer na temporada de 1999/00, Hanusch, inicialmente treinado por Guiseppe Materazzi para, com a saída do italiano, passar a ser orientado por Augusto Inácio, teria na concorrência de outros colegas o grande obstáculo à sua afirmação. Preterido nas escolhas para “onze”, o jogador veria Ayew e, mais tarde, por Mbo Mpenza, a ultrapassá-lo nas selecções feitas pelos já mencionados técnicos. Ainda assim, o argentino daria o seu contributo para a brilhante caminhada dos “Leões” e ao ajudar a pôr termo a jejum de 18 anos sem vitórias no Campeonato Nacional, o médio-ala também inscreveria o seu nome no rol de atletas a conquistar a prova de maior relevo no calendário português de futebol.
Ao não conseguir convencer os responsáveis pelos “Verde e Brancos” do seu valor, Hanuch encetaria, na temporada a seguir à sua chegada a Lisboa, um périplo por diferentes empréstimos. No regresso à Argentina, os Estudiantes antecederiam a sua passagem pelo Santa Clara. No entanto, de volta às competições lusas em 2001/02, a sua entrada na agremiação açoriana também não produziria os resultados esperados e o atleta, tendo poucas vezes aparecido em campo pela equipa da ilha de São Miguel, teria no plantel de 2002/03 do Badajoz a próxima camisola a colorir-lhe o percurso competitvo.
Já desvinculado do Sporting, Hanuch, mais uma vez, teria no país natal a oportunidade para relançar a carreira. Olimpo, Defensores Belgrano e Talleres de Córdoba, seriam os emblemas que, entre o primeiro e o segundo escalão argentino, acolheriam o jogador. De seguida, numa caminhada a manter-se deveras errático, o médio-ala ainda passaria pelos brasileiros do Rio Branco. Depois ainda emergiriam ao seu caminho o Nueva Chicago, os albaneses do Dinamo de Tirana e finalmente, num regresso ao emblema onde tinha iniciado o trajecto desportivo, o Platense.
Já retirado das actividades de futebolista, Hanuch manter-se-ia ligado à modalidade e como agente de outros atletas, negociaria, a exemplo, as transferências para o FC Porto do guarda-redes Marchesín e do defesa Saravia.

1724 - DÚ

Com a formação concluída com as cores do Sporting, Hidraldo José Carvalho Nogueira, conhecido no universo do futebol pela alcunha Dú, encontraria na concorrência de Vítor Damas, Vital e Rui Correia a principal razão para a falta de espaço no principal plantel dos “Leões”. Dispensado pela agremiação lisboeta, o jovem guardião teria no plantel de 1987/88 do Santa Clara a oportunidade para encetar, pelas mãos do “magriço” Jaime Graça, o percurso enquanto sénior. No entanto, a mudança para o arquipélago dos Açores levá-lo-ia a trilhar uma longa caminhada pelos escalões inferiores. Ao começar essa senda na zona sul da 2ª divisão, os anos seguintes, com constantes mudanças de emblema, fariam ainda com que envergasse as camisolas do Olhanense, Seixal e Caldas. Por fim, apresentado como reforço para a época de 1991/92, chegaria à sua carreira o Estoril Praia e a oportunidade de experimentar outro contexto competitivo.
Com os “Canarinhos”, na última época mencionada no parágrafo anterior, a militarem nas pelejas primodivisionárias, Dú conseguiria convencer Fernando Santos a entregar-lhe os deveres da titularidade. Aliás, o guarda-redes tornar-se-ia numa das principais figuras do Estoril Praia na luta pela manutenção. Porém, não obstante a preponderância conquistada na luta por um lugar à baliza, a verdade é que a temporada seguinte e principalmente a campanha de 1993/94 trariam um contexto competitivo bem diferente daquele vivido por si na época de chegada ao Estádio António Coimbra da Mota. Nesse sentido, a fraca presença no “onze” e também a descida de divisão levá-lo-iam, ao fim de 3 anos consecutivos nas contendas do escalão maior, a procurar um novo rumo para a carreira e seria na raia do Alto Alentejo que viria a encontrar um novo poiso.
Com as cores do Campomaiorense, Dú, muito mais do que regressar aos patamares secundários, voltaria ao ritmo errante verificado nos anos iniciais da sua carreira. Após representar os “Galgos”, onde em 1994/95 ajudaria à subida de divisão, o jogador escolheria prosseguir o seu trajecto com as cores do Feirense e a seguir ao serviço do Torres Novas. Subsequentemente surgiria o convite vindo da Índia e a passagem pelo Kanataka. Já de novo em Portugal, a temporada de 1998/99 empurrá-lo-ia, mais uma vez, na direcção de São Miguel. Aliás, a nova entrada no Santa Clara, onde, tal como no Alentejo, trabalharia sob o comando de Manuel Fernandes, viria a transformar a agremiação micaelense na mais representativa da sua carreira. Nos “Insulares”, o guarda-redes, logo no ano de entrada, ajudaria à promoção do clube ao escalão maior do futebol luso. Outra subida, à qual juntaria o título correspondente à conquista da 2ª Liga, ocorreria em 2000/01. No entanto, apesar da utilidade da sua presença no grupo de trabalho açoriano, a verdade é que o atleta nunca viria a emergir com um dos titulares e ao fim de 5 anos, em plena veterania, o guardião tomaria a decisão de trocar de divisas.
A chegada a Pina Manique em 2003/04 devolveria Dú a um dos emblemas responsáveis pela sua formação. No Casa Pia, com o final da carreira enquanto futebolista a aproximar-se, o guarda-redes ainda cumpriria um par de temporadas. Curiosamente, após uma longa sabática, a época de 2009/10 levá-lo-ia a calçar de novo as luvas e a referida época seria passada com as cores do Operário de Lagoa.

1660 - KALI

Carlos Manuel Gonçalves Alonso, popularizado como Kali, nasceria em Angola. No entanto, seria na Margem Sul do Rio Tejo que daria os primeiros passos no mundo do futebol. Formado nas “escolas” do Montijo, o jovem defesa-central, sem deixar o emblema aldegalense, acabaria, pelas mãos do treinador Conhé, chamado à equipa principal. Apesar de disputar apenas a 3ª divisão, as suas exibições, no decorrer da temporada de 1997/98, seriam suficientes para chamar a atenção de outro emblema. Como elemento do FC Barreirense a partir da campanha de 1998/99, onde passaria a trabalhar sob a intendência de José Rachão, o atleta, nas pelejas da 2ª divisão “b”, não decepcionaria quem nele tinha apostado e depressa asseguraria para si um lugar como titular.
A primeira oportunidade no escalão máximo português surgiria, pelo consentimento de Carlos Manuel, outro elemento com forte ligação ao clube sediado na cidade do Barreiro, na temporada de 2001/02. Já no plantel do Santa Clara, o grande destaque dessa época surgiria, não no plano interno, mas através dos responsáveis técnicos da Federação Angolana de Futebol. Convocado por Mário Calado, Kali teria a oportunidade de fazer a estreia na principal equipa do seu país. Todavia, o encontro agendado para o Estádio de Alvalade, um “particular” frente a Portugal, ficaria na memória dos adeptos pelas piores razões. Num jogo disputado com extrema brutalidade, as 4 expulsões de elementos africanos, seguida de uma hipotética lesão, levaria, estando as substituições esgotadas, a um fim prematuro da partida. Ainda assim, os créditos do defesa-central não sairiam muito beliscados e dando seguimento ao bom trabalho feito a nível clubístico, o jogador, cerca de um par de anos mais tarde, voltaria a ser chamado às contendas dos “Palancas Negros”. Nesse sentido, o atleta passaria a figurar no rol de nomes chamados aos principais certames futebolísticos. Marcaria presença nas edições de 2006, 2008, 2010 e 2012 da CAN e, como um dos grandes destaques da sua carreira, veria Luís de Oliveira Gonçalves a incluí-lo no grupo de trabalho com destino à Alemanha, viagem com vista à participação no Mundial de 2006.
Voltando ao percurso clubístico, Kali, ainda como atleta do Santa Clara, teria na temporada de 2002/03 a oportunidade de disputar as provas de índole continental. Com a colectividade açoriana integrada na Taça Intertoto, Manuel Fernandes daria ao defesa-central lugar nas 4 partidas disputadas, na referida prova, pelo clube insular. Por outro lado, a campanha da agremiação de Ponta Delgada no Campeonato Nacional ditaria a indesejada despromoção. Como consequência de tamanho desaire, o jogador, nas 2 épocas subsequentes, ver-se-ia inserido nas contendas da divisão de Honra. Mesmo como um dos principais elementos do plantel micaelense, o atleta, para a campanha de 2005/06, sem sair do mesmo escalão, preferiria retornar ao FC Barreirense. A verdade é que o regresso à Margem Sul seria curto e 2006/07 daria início a um périplo por emblemas de outros países.
Os helvéticos do FC Sion e os franceses do AC Arles-Avignon antecederiam a sua entrada, em 2010, nos angolanos do 1º de Agosto. A chegada ao “Girabola” significaria para Kali o encetar daquele que viria a tornar-se no derradeiro capítulo da sua caminhada competitiva. Com as divisas dos “Militares”, onde começaria por trabalhar sob as instruções de Ljubinko Drulovic, o defesa-central jogaria 5 temporadas, durante as quais, para além de disputar a CAF Confederation Cup e a Liga dos Campeões Africana, ainda contribuiria para a vitória na Supertaça de 2010.

1640 - BARROSO

Com o percurso feito nas “escolas” do Sporting de Braga, passagens pelo “satélite” Arsenal de Braga e a época de 1989/90 cumprida ao serviço do Maximinense, José Alberto da Mota Barroso estrear-se-ia na equipa principal dos “Guerreiros” na temporada de 1990/91. Chamado por Carlos Garcia a um encontro caseiro frente ao Benfica, essa 12ª ronda do Campeonato Nacional da 1ª divisão, marcaria o arranque de uma caminhada a transformá-lo num dos nomes maiores da história da agremiação sediada na “Cidade dos Arcebispos”. No entanto, tal estatuto ainda demoraria algum tempo a fazer parte do seu trajecto e mesmo a condição de titular só ficaria bem vincada após uma nova passagem por outro emblema.
O empréstimo ao Rio Ave, com a mudança no âmbito da contratação de Toni pelo Sporting de Braga, faria com que Barroso, na campanha de 1992/93, passasse a disputar a divisão de Honra. Contudo, mesmo afastado dos principais holofotes do futebol luso, o “trinco” não deixaria de demonstrar a sua qualidade. Assegurado o regresso ao Estádio 1º de Maio, a temporada de 1993/94, numa campanha em que o clube seria orientado inicialmente por António Oliveira para terminar sob as ordens do Professor Neca, revelaria o médio-defensivo como um dos esteios do “onze”. Essa posição, sublinhada nos anos seguintes, levá-lo-ia a ser cobiçado por outras divisas, mas antes da mudança para uns dos “grandes”, o atleta veria a Federação Portuguesa de Futebol a interessar-se pelas suas habilidades.
Tendo Barroso sido chamado, durante o percurso formativo, aos trabalhos das jovens equipas de Portugal, a verdade é que essa convocatória, feita por Carlos Queiroz, não daria ao seu percurso qualquer jogo com a “camisola das quinas”. Já a tão almejada internacionalização surgiria a 26 de Janeiro, ao serviço da equipa “A”, numa partida frente ao Canadá. O desafio, orientado por António Oliveira e a contar para a participação lusa no Torneio Skydome, daria azo a outras chamadas. Todavia, o médio-defensivo não mais entraria em campo pelo seu país e o percurso na selecção terminaria, em Janeiro de 1997, após uma “amigável” frente a França e envolto em alguma polémica – “(…) era o meu regresso ao 1º de Maio. Nessa semana, na televisão, só via gente a que ia ao estádio para ver o Barroso e eu tinha a certeza que ia a entrar. Pois chega o jogo, aquilo corre muito mal, o Artur Jorge começa a receber lenços brancos e quem é que ele não põe a jogar? O Barroso, que era de Braga, e o Rui Correia, que era guarda-redes do Sp. Braga (…). Depois falei com um jornalista e contei-lhe que estava triste por não ter jogado em Braga. No dia seguinte o título era «Barroso revoltado com Artur Jorge», que não tinha nada a ver com o que tinha dito. Nunca mais fui à Seleção”*.
Por altura da partida frente à congénere gaulesa, já Barroso envergava a camisola do FC Porto. Antes da mudança, a cobiça de outros emblemas, como o Benfica treinado por um Artur Jorge adjuvado pelo Professor Neca ou o Sporting orientado por Carlos Queiroz, em nada resultaria. Seria a proposta dos “Dragões” a convencer o atleta a mudar-se. Com a entrada nas Antas a acontecer na temporada de 1996/97, o “trinco” voltaria a ser orientado por António Oliveira e, acima de tudo, participaria numa das melhores fases da história dos “Azuis e Brancos”. Com a colectividade portuense a acumular as vitórias que culminariam no inolvidável “Penta”, o jogador arrecadaria para o seu palmarés pessoal as vitórias em 2 Campeonatos Nacionais, em 1 Taça de Portugal e em 1 Supertaça. Para além dos aludidos triunfos, também a participação na “Champions” viria a tornar-se num marco importante da sua carreira. Ainda assim, a passagem do centrocampista pela “Cidade Invicta” não terminaria sem outra controvérsia e a metade final da segunda época, sem que alguma vez fosse compreendida a razão, seria cumprida com o jogador a treinar à parte do restante plantel.
Após ter representado, por empréstimo, a Académica de Coimbra de 1998/99, o regresso ao Sporting de Braga, depois de recusada a transferência para o Oviedo, concretizar-se-ia. Com Manuel Cajuda ao comando dos “Arsenalistas”, treinador que, anos antes, tinha feito do jogador o capitão de equipa, Barroso voltaria a tornar-se num dos pilares, não só táctica idealizada pelo mencionado técnico, mas igualmente num dos símbolos da mística “braguista”. A prova dessa entrega surgiria no final da temporada de 1999/00, quando, com o conjunto “B” dos “Guerreiros” aflito na luta pela manutenção, o médio-defensivo, acompanhado por José Nuno Azevedo, disputaria, no grupo às ordens de Toni Conceição, as últimas jornadas da 2ª divisão “B”.
Por fim, numa caminhada competitiva a prolongar-se por mais algumas campanhas, Barroso ainda teria a oportunidade de disputar várias rondas no Estádio da “Pedreira” e seria já na nova casa do Sporting de Braga que, com o termo da temporada de 2004/05, o médio-defensivo decidiria “pendurar as chuteiras”. Final com uma pequena mágoa a manchar-lhe o trajecto, ou seja, o facto de nunca ter representado os “Guerreiros” nas provas de índole continental.

*retirado do entrevista conduzida por Lídia Peralta Gomes, publicada a 3/12/2016, em https://tribuna.expresso.pt

1548 - TONI VIDIGAL

Tal como Lito, Luís Vidigal, Jorge Vidigal e Beto, Toni Vidigal, num dos grupos de irmãos mais conhecidos no futebol profissional português, teria n’ “O Elvas”, depois de aí ter feito todo o trajecto formativo, a oportunidade de subir ao escalão sénior. Com a entrada no plantel principal da colectividade alentejana a ocorrer na temporada de 1991/92, o atacante começaria por experimentar as pelejas agendadas para a 2ª divisão B. Desde cedo tido como um dos bons elementos do emblema raiano, a curiosidade de outras colectividades surgiria naturalmente. Seria no âmbito desse interesse que Carlos Manuel, à altura a orientar o Estoril Praia, decidiria observar o jovem atleta. Agradado com as qualidades do extremo, o antigo internacional português endereçar-lhe-ia um convite para que viesse a fazer parte do plantel “canarinho” e a ligação do avançado com a colectividade sediada na Amoreira, depois de um período de adaptação sucedido ainda no decurso da época anterior, aconteceria, oficialmente, na temporada de 1994/95.
Curiosamente, a primeira passagem de Toni Vidigal pelo Estoril Praia dar-se-ia por empréstimo d’ “O Elvas”. Ainda ligado à agremiação alentejana, a campanha de 1995/96, em nova cedência, levaria o extremo até ao Vitória Futebol Clube. A época ao serviço do emblema setubalense, na qual ajudaria os “Sadinos” a subir à 1ª divisão, faria com que a cotação do jogador subisse em flecha. Quem haveria de apostar na sua contratação, acabaria por ser o Sporting. No entanto, ao invés de integrar o plantel leonino, o atacante, após ter feito a pré-temporada de 1996/97 vestido de “verde e branco”, ver-se-ia envolvido numa nova senda de empréstimos, os quais começariam, mais uma vez, pelo Estádio António Coimbra da Mota.
Perto do final da época de regresso aos “Canarinhos”, a inclusão do avançado no plantel leonino chegaria a ser equacionada. Todavia, uma perna partida na derradeira jornada de 1996/97 deitaria por terra o projectado plano. Seguir-se-iam outras 2 campanhas ao serviço do Estoril Praia, outra com as cores do Penafiel e a desvinculação ao Sporting. Liberto do acordo feito com os “Verde e Brancos”, Toni Vidigal pôde rubricar um novo contrato. O acordo que daria seguimento à sua caminhada desportiva emergiria com o desígnio de entrar no plantel do Varzim e sua chegada ao emblema poveiro encetaria, em 2000/01, aquela que provavelmente haveria de tornar-se na melhor fase da sua carreira.
Logo na campanha de chegada à Póvoa de Varzim, Toni Vidigal, mesmo ao não atingir a titularidade na equipa comandada por Rogério Gonçalves, transformar-se-ia numa das figuras da subida ao principal patamar do futebol luso. Tal promoção, depois de 10 temporadas a vogar pelos escalões secundários, dar-lhe-ia a ocasião para fazer a estreia entre os “grandes”. A disputar a edição de 2001/02 da 1ª divisão, numa época que, para além de ser orientado pelo técnico referido no início deste parágrafo, também acabaria treinado por José Alberto Costa, o extremo viria a assegurar um lugar no “onze”, ajudando à sofrida manutenção. Pior viria a acontecer na campanha seguinte, com os “Lobos-do-mar” a não assegurarem os objectivos colectivos e com o extremo, ao lado da sua equipa, a voltar à divisão de Honra.
A experiência com as cores do Varzim, muito para além da passagem de 2 épocas pelo 1º escalão, dar-lhe-ia também a oportunidade de representar a selecção de Angola. Contudo, contactado por Carlos Alhinho, à altura o timoneiro dos “Palancas Negros”, o extremo, com a esperança de uma chamada aos trabalhos de Portugal, recusaria o convite. Já no que diz respeito ao trilho clubístico, o passo seguinte levá-lo-ia ao Portosantense, onde seria treinado pelo irmão Lito. Após a aventura madeirense, Toni Vidigal, a preencher os últimos capítulos da carreira, ainda regressaria ao “O Elvas” para, em 2009/10, já na condição de treinador/jogador, representar o Sintra Football. Aliás, seria na função de técnico que manteria a ligação à modalidade e, para além do mencionado, o antigo atacante também já conduziu os juniores do 1º de Dezembro e as camadas de formação d’ “Os Elvenses”.

1467 - GEORGE

Produto das “escolas” do Flamengo, seria depois da saída do emblema “carioca” e já como elemento do plantel sénior do América Natal que o atacante veria a sua vida como profissional de futebol mudar de rumo. Com Manuel Fernandes, à altura técnico do Santa Clara, à procura de reforços para a sua equipa, a digressão feita pelo treinador no Brasil, levá-lo-ia a assistir a diversos jogos. Curiosamente, numa dessas partidas, em que o objectivo seria o de observar jogadores do conjunto adversário, o antigo internacional português acabaria por ficar surpreendido com os desempenhos de dois outros praticantes. Agradado com o que tinha acabado de ver, sugeriria a contratação de dois avançados e, com o acordo firmado entre as diferentes partes, George dos Santos Paladini, acompanhado de Clayton, viria a ser apresentado como uma nova engrenagem para a agremiação açoriana.
Com a chegada ao Santa Clara a acontecer na temporada de 1999/00, o atacante brasileiro entraria imediatamente para a história do clube, ao fazer parte do grupo de trabalho que, pela primeira vez, disputaria o Campeonato Nacional da 1ª divisão. Porém, apesar de um arranque prometedor, onde um empate caseiro frente ao Sporting auspiciaria a outros horizontes, a verdade é que o conjunto insular, com George com um dos elementos habituais no “onze”, não conseguiria a almejada manutenção. Ao acompanhar a sua equipa no regresso ao escalão secundário, o avançado manter-se-ia como um jogador preponderante. Como um intérprete rápido, com uma técnica apurada e com boa disciplina posicional, o atleta seria essencial na nova subida e num dos maiores feitos conseguidos na existência da colectividade micaelense.
Após ajudar o Santa Clara a sagrar-se campeão da divisão de honra e de, na campanha de 2001/02, ter auxiliado à consolidação do clube no cenário primodivisionário, George participaria na estreia do emblema sediado em Ponta Delgada nas competições de índole continental. No desenrolar da edição de 2002/03 da Taça Intertoto, o avançado, que tanto podia posicionar-se nas alas do ataque, como numa posição mais central do sector ofensivo, entraria em campo em ambas as rondas disputadas pelos açorianos e, nesse sentido, defrontaria o Shirak e, após a eliminação dos arménios, ainda seria chamado a defrontar os checos do FK Teplice.
Ao fim de 5 temporadas a envergar as cores do Santa Clara e de somar 19 golos e um total de 117 partidas oficiais pelo clube, George, com o termo da campanha de 2003/04, iniciaria uma nova fase da carreira enquanto futebolista e ao transferir-se para o Sport Recife, o avançado regressaria ao país natal. Com a chegada ao emblema do Estado da Bahia, o atacante daria início a um trajecto com etapas em vários emblemas e em diferentes países. Nessa senda, o atleta, em duas passagens distintas, representaria os venezuelanos do Carabobo, jogaria a divisão maior da Liga australiana ao serviço dos neozelandeses do Wellington Phoenix e ainda teria tempo para uma passagem pela Argentina, onde envergaria as cores do Deportivo Armenio.

1355 - ENKE

Ao terminar a formação com as cores do Carl Zeiss Jena, seria ainda ao serviço do emblema da antiga Alemanha de Leste que Robert Enke, na temporada de 1995/96, faria a estreia no patamar sénior. Já por essa altura cotado como uma das promessas do futebol germânico, com as passagens pelas jovens selecções a servirem de prova a essa aferição, o guarda-redes rapidamente seria resgatado à 2ª divisão alemã, para passar para um plantel a disputar o escalão máximo da Bundesliga.
Apenas cumprida 1 temporada sobre a sua promoção à equipa principal do Carl Zeiss Jena, seria o Borussia Mönchengladbach a apostar na sua contratação. No entanto, o salto de patamar, com a crescente exigência do mesmo, levá-lo-ia, por um par de anos, a ficar afastado das pelejas do conjunto maior. Já no começo da temporada de 1998/99, na sequência de uma grave lesão do titular Uwe Kamps, Robert Enke seria chamado à titularidade. Os resultados seriam bem positivos e o guardião cumpriria essa campanha como um dos esteios da equipa.
Apesar de individualmente bem cotado, a verdade é que as prestações colectivas, no final da campanha de 1998/99, não evitariam a despromoção do Borussia Mönchengladbach. Porém, com Robert Enke, no trilho internacional, já no patamar sub-21 e após a chamada para a edição de 1999 da Taça das Confederações, as portas a uma nova transferência abrir-se-iam para o jovem praticante. Seria por essa altura que, à procura de cimentar a sucessão do belga Michel Preud’Homme, surgiria o Benfica interessado na sua contratação. Com a mudança para Lisboa a concretizar-se para a época de 1999/00, o guarda-redes entraria no Estádio da Luz com a generalidade do público e outros seguidores da modalidade a cotá-lo, atrás de Carlos Bossio e Nuno Santos, como o terceiro na linha por um lugar à baliza.
O que veio a passar-se, quase de seguida, viria a provar que os prognósticos feitos durante a pré-época estariam todos errados. Ajudado, é certo, por alguns infortúnios dos seus colegas de posição, o técnico Jupp Heynckes daria a titularidade ao guardião seu conterrâneo. A partir desse momento, Enke, muito mais do que segurar o lugar no “onze”, tornar-se-ia num dos grandes ídolos e referência para os seguidores do emblema lisboeta. Numa altura atribulada para os lados da Luz, com uma série de problemas de ordem administrativa a afectarem os desempenhos colectivos, o atleta germânico, com uma postura de trabalho imaculada e exibições correspondentes, depressa conseguiria afirmar-se como o salvador de desgraças maiores. Pelo meio de enormes prestações, é impossível esquecer uma em especial e a eliminatória da Taça UEFA de 1999/00 disputada frente ao PAOK, com o jogador, no desempate através de grandes penalidades, a defender 3 remates, ficaria na memória de todos os adeptos “encarnados”.
Ao fim de 3 temporadas com o Benfica e a cotar-se como uma das grandes figuras das provas portuguesas, Robert Enke deixaria Lisboa para, na época de 2002/03, ingressar no FC Barcelona. Todavia, contra todas as expectativas, o guarda-redes revelaria muitas dificuldades em impor-se em Camp Nou. Sem conseguir conquistar um lugar na equipa “blaugrana” sob a orientação de Louis van Gaal e, após o despedimento do técnico neerlandês, treinada por Radomir Antic, as duas épocas seguintes à da chegada à Catalunha, seriam passadas em empréstimos, primeiro ao Fenerbahçe, onde ajudaria à vitória no Campeonato, e, posteriormente, já ao serviço do Tenerife.
Entretanto, o seu regresso à Alemanha serviria para recuperar o guardião nas sendas dos sucessos. De volta à Bundesliga na temporada de 2004/05, Enke, alimentado por um novo tónico, veria a sua caminhada competitiva a elevar-se aos índices de anos transactos. Titular absoluto no Hannover, o guardião passaria a ser cogitado como um dos nomes a arrolar aos desafios da selecção do seu país. Nesse sentido, depois de algumas tentativas falhadas, o dia 28 de Março de 2007, num particular frente à Dinamarca, marcaria a sua estreia internacional pelo conjunto “A” da “Mannschaft”. Já no caminho relativo à Fase de Qualificação para o Mundial de 2010, o atleta viria a assumir-se como o “número 1” da selecção germânica e como o nome mais provável para representar a nação no certame realizado na África do Sul. Infelizmente, uma enorme desgraça acabaria com esse desígnio. Na sequência de uma tremenda tragédia familiar e da depressão daí resultante, o jogador, a 10 de Novembro de 2009, haveria de pôr termo à própria vida.

1307 - PORTELA

Com o percurso formativo terminado ao serviço do Vitória Futebol Clube, Nuno Portela subiria à equipa principal dos “Sadinos” na temporada de 1994/95, numa altura em que a agremiação setubalense militava no escalão máximo português. Pouco utilizado nas campanhas seguintes à promoção ao escalão sénior, o jogador viria a ser emprestado ao Portimonense. No entanto, muito para além do traquejo ganho nessa cedência, a passagem pelo emblema algarvio na época de 1996/97 serviria também para adaptá-lo a novas funções no terreno de jogo. Habituado a posicionar-se como extremo, seria na colectividade do Barlavento que passaria a defesa-direito.
No regresso ao Vitória, por altura de uma digressão aos Açores cumprida durante a preparação da temporada de 1997/98, as exibições de Portela agradariam ao treinador do Santa Clara, o antigo internacional Manuel Fernandes. Com as suas qualidades aferidas como capazes de adicionar valor ao plantel micaelense, o defesa, nessa mesma campanha, encetaria a longa ligação com o colectivo insular. Primeiro por empréstimo e, mais tarde, já a título definitivo, a mudança do jogador levá-lo-ia a participar numa fase histórica da agremiação sediada em Ponta Delgada. Ao ser integrado no grupo de trabalho ainda na 2ª divisão “b”, o lateral-direito ajudaria às duas subidas consecutivas e que, na época de 1999/00, levariam os açorianos à estreia na 1ª divisão.
Entre promoções e descidas de escalão, seriam 3 as campanhas do defesa na elite do futebol português. Porém, por razão das 11 temporadas a envergar as cores do Santa Clara, Portela assumiria um papel de relevo na história do clube. A somar às 58 partidas disputadas na 1ª divisão, que fazem do atleta um dos nomes mais representativos dos açorianos no patamar máximo, o lateral, resultado de um comportamento exemplar demonstrado dentro e fora de campo, também chegaria a capitanear os colegas de balneário. Claro que o reconhecimento emergiria conjuntamente com o facto de o jogador, após a despromoção sofrida em 2003 e que levaria o clube a um longo caminho longe dos palcos principais do futebol luso, ter continuado a alimentar a paixão e a fidelidade ao emblema de Ponta Delgada. Ainda assim, a longa união conheceria o fim e, depois de concluída a época de 2007/08, o futebolista seguiria uma direcção diferente.

Após 2 épocas a representar o Capelense, emblema também sediado na Ilha da São Miguel, Portela decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”. Retirado da prática desportiva profissional, o antigo defesa abandonaria o futebol para passar a dedicar-se a outras actividades. Nesse sentido, já de volta à cidade de Setúbal, arcaria funções numa empresa de tratamento de resíduos industriais, onde viria a desempenhar o cargo de Coordenador de Operações.

1174 - IDALÉCIO

Começaria por praticar diversas modalidades, como o basquetebol, a natação ou o ténis. Todavia, o futebol era a sua grande paixão e, entre o Montijo da sua meninice e a mudança para o Algarve, acabaria por frequentar as “escolas” de diferentes colectividades. Nessa caminhada, o Louletano surgiria como a derradeira etapa formativa do defesa e o passo para a subida a sénior. A tal promoção, por empréstimo, acabaria por acontecer ao serviço do Almancilense. Regressaria depois ao emblema de Loulé e, com uma internacionalização pela selecção sub-18 de Portugal a embelezar-lhe o currículo, o seu nome começaria a ser cogitado por emblemas de ambições maiores.
O grande salto aconteceria na temporada de 1995/96. Com o Farense qualificado para as provas europeias e à procura de “sangue novo” para as suas fileiras, Idalécio surgiria como uma boa solução para reforçar o sector mais recuado. Sob o comando do catalão Paco Fortes, o defesa-central, que também podia jogar à esquerda, acabaria por estrear-se na 1ª divisão e logo com números auspiciosos. Essa boa campanha desportiva, mas um pouco atribulada no que à gestão do clube diz respeito, levaria o atleta a procurar novo rumo para a sua caminhada profissional. No Sporting de Braga, orientado pelo algarvio Manuel Cajuda, encontraria a promessa de estabilidade e a mudança para o Minho dar-se-ia no Verão de 1996.
A meia-dúzia de temporadas passadas com os “Arsenalistas”, fariam de Idalécio um dos futebolistas mais respeitados no panorama nacional. Quase sempre pensado como um dos elementos importantes do xadrez táctico do plantel, o defesa também acabaria por tornar-se num dos símbolos das conquistas colectivas. Logo no ano de chegada, ajudaria o Sporting de Braga a qualificar-se para a Taça UEFA. No ano seguinte, viria a final da Taça de Portugal, mas com a mágoa da derrota frente ao FC Porto e a frustração de não ter sido chamado ao derradeiro embate da competição.
Com o final da época de 2001/02 e a impossibilidade de chegar a um acordo para continuar a representar os “Guerreiros”, Idalécio, que já tinha visto gorar-se uma hipótese para jogar na Escócia, arrepiaria caminho em direcção à ilha da Madeira. No Nacional, onde chegaria a envergar a braçadeira de capitão, só estaria uma temporada. Seguir-se-ia o regresso ao continente e a entrada no Rio Ave. Em Vila do Conde, sempre com níveis exibicionais de boa ordem, completaria mais 3 temporadas e, cumprida a ligação ao emblema da caravela, chegaria às 11 campanhas disputadas no patamar máximo do futebol português.
Daí em diante a sua carreira tomaria o rumo dos patamares secundários. Trofense, Gondomar, Louletano, Farense e Quarteirense acabariam como as insígnias dessa última etapa da sua passagem como futebolista profissional. Ainda na Quarteira, aceitaria o desafio de coordenar as camadas de formação do clube. Já numa fase posterior, surgiria a oportunidade para mudar-se para Londres, mas longe do futebol. Aceitaria o desafio. Começaria a trabalhar em diversas funções, mormente na área da hotelaria. Em paralelo ainda “daria uma perninha” em clubes amadores de origem lusa e contribuiria com o seu cunho para o crescimento de jovens atletas.

1112 - TIAGO

Num processo formativo que, bem antes do seu ingresso no Sporting de Braga, incluiria a prática de Andebol, Tiago acabaria por dar preferência àquela que tinha sido a sua primeira paixão desportiva. No futebol, a sua progressão acabaria por promover a ida do médio para os “Guerreiros”. Já com a transferência consumada, a facilidade com que conseguiria destacar-se, levá-lo-ia, ainda em idade júnior, a ser chamado aos trabalhos da equipa principal. Orientado por Manuel Cajuda, a temporada de 1999/00 não só representaria o salto para o universo competitivo sénior, como a sua chegada aos sub-18 de Portugal.
Alavancado pelas chamadas às jovens selecções portuguesas, com continuidade nos sub-21, e com a titularidade assumida no Sporting de Braga, Tiago começaria a ser cobiçado por emblemas de outra monta. Num negócio que também incluiria a transferência de Ricardo Rocha e Armando Sá, o médio veria concretizar-se a sua mudança para o Benfica, em Janeiro de 2001. Em Lisboa, tendo pegado de estaca, o novo contexto competitivo passaria a exigir dele, muito para além das tarefas defensivas a que estava habituado, um papel na construção ofensiva. Sem nunca vacilar, o atleta facilmente assumiria as novas tarefas. Resultado das suas habilidades técnicas e tácticas, o centrocampista passaria a ser um dos pilares da equipa “encarnada”. As suas exibições seriam fulcrais para as vitórias colectivas das “Águias”. Nesse sentido, a conquista da Taça de Portugal de 2003/04 marcaria um ponto de viragem num clube que, há muito, atravessava uma fase bem negra.
Depois da estreia pelos “AA” de Portugal a acontecer em Novembro de 2002, a chamada ao Euro 2004, mesmo sem ter contabilizado qualquer minuto em campo, serviria de prémio para o seu crescimento. Seria também durante o tornei o organizado em Portugal que Tiago veria o Chelsea endereçar-lhe um convite. Depois de, um ano antes, a abordagem do Barcelona ter sido recusada pelo Benfica, dessa feita, argumento algum impediria a transferência do atleta. Sob alçada de José Mourinho, o médio ajudaria o conjunto londrino, na temporada de 2004/05, a vencer a Liga e a Taça de Inglaterra.
Mesmo ao ser tido como um elemento importante para o plantel, a verdade é que o médio, à procura de um lugar como titular indiscutível, decidiria deixar Inglaterra e abraçar um novo projecto. Já depois do arranque da campanha de 2005/06 e da vitória, ainda com os “Blues”, no Community Shield, Tiago arrancaria para França. A entrada no Olympique Lyonnais manteria o jogador no trilho dos títulos e, nas duas temporadas passadas entre os gauleses, venceria por duas vezes a Ligue 1. Seguir-se-ia a Juventus e, pelo meio, o 4º lugar no Mundial de 2006. Porém, a experiência no “Calcio” não correria de feição e, ao não conseguir assumir-se como um elemento preponderante, o pedido para sair emergiria na ideia do atleta logo após os primeiros meses de estadia em Itália.
Curiosamente, e mesmo com diversos convites a surgiram, a passagem de Tiago pelo emblema de Turim prolongar-se-ia ainda por dois anos e meio. No entanto, a meio da campanha de 2009/10 dar-se-ia a separação e a sua ida para o Atlético Madrid. A ligação aos “Colchoneros” manter-se-ia durante vários anos, permitindo, inclusive, os primeiros passos do internacional luso nas funções de técnico. Nas 7 temporadas e meia na capital espanhola enquanto jogador, destaque, mais uma vez, para os troféus conquistados. Para além de ter marcado presença em 2 finais da Champions League e, pelas cores de Portugal, ter sido chamado ao Mundial de 2010, o seu palmarés ficaria mais rico com as vitórias na Liga Europa de 2011/12, na Copa del Rey de 2012/13, na La Liga de 2013/14 e na Supercopa de 2014/15.
Depois de largar a competição em 2017 e como adjunto de Diego Simeone, Tiago Mendes daria os primeiros passos como treinador. No papel de técnico, passaria ainda pelas camadas jovens da selecção portuguesa. Já no início desta temporada de 2020/21 aceitaria o desafio lançado pelo Vitória de Guimarães, encetaria o seu trajecto na 1ª divisão para, em desacordo com a direcção vimaranense e apenas ao fim de 3 jornadas, deixar o comando do emblema minhoto.

955 - PEDRO

Tendo entrado para os infantis do Paços de Ferreira em meados da década de 80, seria no clube da sua terra natal que Pedro completaria toda a carreira de futebolista. Já em 1993/94, pela mão do técnico Vítor Urbano, Pedro é integrado no plantel principal. No entanto, essa época de estreia nos seniores, ainda que feita na 1ª divisão, acabaria por fadar o jovem guarda-redes à condição de escolha secundária. Tapado por atletas mais experientes, demoraria ainda um par de anos para que o guardião conseguisse conquistar um lugar no “onze” inicial.
O seu momento de estreia aconteceria já António Jesus, antigo guardião internacional português, havia tomado as rédeas do clube. Com o emblema na Divisão de Honra, Pedro acabaria por merecer as oportunidades que, até então, ainda não tinha conseguido conquistar. Essa passagem pelo, à altura, 2º escalão nacional, mesmo permitindo ao jovem atleta ganhar a estaleca que necessitava para a sua evolução, acabaria por prolongar-se por diversos anos. O regresso ao patamar máximo dar-se-ia em 2000/01. Já com José Mota, nome mítico na história dos “Castores”, a assumir o papel de treinador, o guardião manteria o lugar de titular. Esse estatuto preservá-lo-ia nos anos seguintes. Nesse sentido, acabaria por tornar-se num dos pilares da campanha de 2002/03, na qual os pacenses atingiriam as meias-finais da Taça de Portugal e terminariam o Campeonato no 6º posto da tabela classificativa.
Outros marcos na sua carreira aconteceriam já nos últimos anos desse percurso. Sem a preponderância de outrora, Pedro ainda ajudaria o grupo a atingir metas nunca antes alcançadas pelo clube. Em 2006/07 faria parte do plantel que, mais uma vez, alcançaria o 6º lugar na classificação da Liga. Na temporada seguinte veria o Paços de Ferreira defrontar os holandeses do AZ Alkmaar, na estreia do emblema duriense nas competições europeias. Por fim, naquela que seria a sua derradeira convocatória, assistira do banco de suplentes, à final da Taça de Portugal de 2008/09.
Após terminar o seu trajecto como futebolista, Pedro enveredaria pela carreira de técnico. Como treinador de guarda-redes começaria a sua caminhada pelo Paços de Ferreira. Ainda nessas funções, e como adjunto de Jorge Costa, o antigo atleta passaria pela selecção do Gabão e pelos tunisinos do CS Sfaxien.

871 - PROKOPENKO

Tendo iniciado o percurso sénior no Tom Tomsk, a sua presença nos escalões secundários da antiga União Soviética seria suficiente para que um dos emblemas históricos do país equacionasse a sua contratação. Já no Torpedo de Moscovo, ainda que na sombra de atletas com mais experiência, o avançado começaria a ganhar o seu espaço. Numa equipa conhecida também por lançar jovens, mas talentosos, atletas, Prokopenko passaria a disputar os lugares cimeiros da 1ª divisão.
Na campanha de 1993, para além da presença da equipa moscovita nas competições europeias, o avançado viveria um dos melhores momentos da sua carreira. A Taça da Rússia, numa final ganha ao CSKA de Moscovo, passaria a fazer parte do seu currículo. Apesar de no derradeiro jogo da competição não ter conseguido concretizar qualquer golo, a verdade é que o ponta-de-lança, eleito pelo técnico Yuri Mironov, faria parte do “onze” inicial. Como demonstra essa escolha, Prokopenko era tido como um jogador relevante para o plantel. Tal como nessa temporada, também nas épocas seguintes, a importância do jogador manter-se-ia. Por isso mesmo, terá sido com algum espanto que, alguns anos após a referida vitória, os adeptos receberiam a notícia da sua mudança para o Chernomorets Novorossiysk.
É depois de um ano passado no novo emblema que a sua carreira toma novo rumo. Indicado pelo treinador espanhol Fernando Castro Santos, o atacante é contratado pelo Sporting de Braga. Contudo, e tido com um dos principais reforços dos minhotos para 1997/98, a adaptação de Prokopenko ao Campeonato português não seria a mais fácil. Com exibições intermitentes, o jogador só por raras ocasiões é que consegue chegar à equipa inicial. Na época seguinte, e para colmatar a falta de presenças em campo, a solução encontrada passaria pelo empréstimo do atleta a outro clube. Já no Santa Clara, ainda que a disputar a divisão de Honra, o russo volta às exibições de outrora. Por essa razão, e com a promoção assegurada, novo acordo é conseguido e a ligação do atacante com os açorianos estender-se-ia por mais uma temporada.
A 2ª época passada em Ponta Delgada, haveria de pôr o atacante numa situação bastante complicada. Devido a um desacordo entre o Santa Clara e o Sporting de Braga, sobre quem deveria pagar os salários ao jogador, Prokopenko ficaria sem receber durante toda a temporada de 1999/00. Sem que as duas partes chegassem a um acordo, é o empresário do futebolista que decide avançar com uma acção judicial contra a colectividade sediada no Arquipélago dos Açores. Depois do litígio, o avançado deixaria os insulares para, dessa feita, ingressar no Varzim. Tal como anteriormente, o atleta apanharia o emblema na 2ª divisão e, mais uma vez, seria peça importante no regresso do clube ao escalão máximo do futebol português.
Depois de 2001/02 ter acompanhado os poveiros em mais uma aventura primodivisionária, a carreira de Prokopenko entraria numa fase mais discreta. Ainda em Portugal, numa curta passagem pelo Estrela da Amadora, e no regresso à Russia, o atleta passaria a disputar as divisões secundárias. Luch Vladivostok, Fakel Voronezh e FC Sportacademclub, numa caminhada que terminaria em 2008, seriam os emblemas que completariam o seu currículo como futebolista.

765 - JOSÉ NUNO AZEVEDO

Apesar da passagem pelas escolas do FC Porto, a oportunidade para jogar na equipa principal “Azul e Branca” nunca surgiria. Ainda assim, o sonho de dar continuidade à sua carreira de futebolista era grande e, nesse sentido, União de Lamas, Famalicão e Gil Vicente seriam os emblemas que dariam sustento a essa vontade.
Já depois de ter acompanhado o técnico Rodolfo Reis na viagem de Vila Nova de Famalicão até Barcelos, José Nuno Azevedo finalmente chega à 1ª divisão (1990/91). Aliás, a estreia no nosso maior escalão não seria apenas para o atleta. Também a equipa, comandada pelo já referido treinador, conseguiria nessa temporada de 1990/91 sua primeira participação no patamar máximo do futebol português.
Nesta senda de sucessos, e ao afirmar-se como uma das maiores promessas a jogar na sua posição, o lateral-direito é convocado à Selecção Nacional s-21. Contudo, não só na Federação Portuguesa de Futebol começariam a reparar no seu potencial. Também de outros clubes chegam sinais de interesse. Nisto, o Sporting de Braga adianta-se na disputa e vence o concurso pelo defesa.
José Nuno Azevedo chegaria ao Estádio 1º de Maio no Verão de 1992. Todavia, e numa altura em que os bracarenses teimavam em manter-se pelos lugares do meio da tabela, os sucessos ainda escasseavam. Ainda assim, e ao lado de atletas como Artur Jorge, Barroso, Quim, Toni, Karoglan, Sérgio e tantos outros, o defesa oferece o seu contributo para que o clube comece a mudar de paradigma. Mostrando sempre uma regularidade exibicional de excepção, a força que o atleta dava ao conjunto era a imagem daquilo que os minhotos perseguiam. Ora, a prova que o Sporting de Braga almejava muito mais, apareceria já em meados de 90. Na segunda metade dessa década, “Os Guerreiros” voltam às posições cimeiras do Campeonato Nacional e às competições europeias. Nessa caminhada, a temporada de 1997/98 acabaria por transformar-se numa roda-viva. O clube conseguiria alcançar a 3ª ronda da Taça UEFA e, num encontro perdido frente ao FC Porto, disputaria a final da Taça de Portugal.
Os 11 anos a envergar as cores do Sporting de Braga, e a braçadeira de capitão, fariam dele um dos atletas mais estimados pelos adeptos do emblema da “Cidade dos Arcebispos”. Claro que, muito mais do que este número, foram as 13 temporadas consecutivas e as quase 350 partidas disputadas na 1ª divisão, que fizeram dele um dos históricos do futebol português.
Nas tarefas de técnico, provavelmente com menos destaque do que nos tempos de futebolista, o antigo defesa tem também conquistado o seu espaço. Tendo passagens pelos juniores e, como adjunto, pela equipa principal do Sporting de Braga, o seu currículo tem sido feito, maioritariamente, nos escalões secundários. GD Prado, Leixões (também como adjunto), Vilaverdense e Oriental, foram as equipas orientadas pelo ex-jogador. Hoje em dia (2016/17), conciliando a função de comentador na Rádio Renascença, José Nuno Azevedo é o treinador da equipa “b” do Gondomar.

702 - ELPÍDIO SILVA

Com o arranque da carreira profissional feito no Atlético Mineiro, Silva, passados alguns anos, acabaria por tentar a sua sorte no Japão. No Kashiwa Reysol haveria de chamar a atenção de Vítor Oliveira, que aconselharia a sua contratação aos dirigentes do Sporting de Braga.
Seria desta maneira que o avançado natural de Campina Grande, a mesma cidade onde nasceu o internacional brasileiro Hulk (ex-FC Porto), chegaria a Portugal. Dono de um físico poderoso, a maneira como, no corpo a corpo, conseguia impor-se aos defesas adversários era uma ajuda preciosa no momento de chutar à baliza. Nesse sentido, seriam os seus remates, tantas vezes certeiros, que o levariam a afirmar-se como um dos melhores atacantes a jogar no campeonato português.
 Tendo chegado à cidade de Braga em 1998, os anos que passaria ao serviço dos “Arsenalistas”, torná-lo-iam num dos melhores marcadores da história do clube. Os registos conseguidos durante essas 2 temporadas, fariam com que de outros clubes começasse a surgir o interesse no seu concurso. Quem acabaria por ganhar essa corrida, haveria de ser o Boavista.
Ora, já no Bessa, a sua época de estreia coincidiria com o maior feito do clube. Vindo a ameaçar a hegemonia dos grandes fazia alguns anos, o Boavista de 2000/01 acabaria por surpreender quase todos, menos o recém-chegado ponta-de-lança – “Eu cheguei aqui em 2000, e foi muito engraçado porque quando assinei o contrato disse logo que era para ser campeão pelo Boavista. Toda a gente se riu de mim, mas eu acreditava mesmo que isso ia acontecer”*.
Num grupo que, ao longo da referida época, mostraria grande coesão, Elpídio Silva acabaria por ser a referência no ataque. Contudo, e muito mais do que um dos esteios na conquista do Campeonato Nacional, o atleta, nas épocas vindouras, ajudaria também os “Axadrezados” manter o nível competitivo. A sua presença na Liga dos Campeões, onde havia de marcar em Anfield Road, e a incrível campanha na Taça UEFA de 2002/03, serviriam para o confirmar como um jogador de topo. Tendo isso em conta, o Sporting acabaria por apostar na sua contratação. Em Alvalade, pouco, ou nada, correria de feição para Silva. Não conseguindo adaptar-se à realidade do novo emblema, os números que, até ali, o haviam caracterizado, acabariam por sofrer uma quebra considerável.
Sem conseguir, nem mesmo após um empréstimo ao Vitória de Guimarães, melhorar o seu nível exibicional, a ligação ao clube de Alvalade acabaria por terminar a meio da temporada de 2005/06. Livre de qualquer vínculo, o atleta acabaria por tentar a sua sorte no segundo escalão inglês. Já depois do Derby County, onde, tendo em conta a sua fraca forma física, ter-lhe-ão oferecido apenas contratos mensais, Silva entraria numa fase da carreira um pouco errante.
Coreia do Sul, já depois de um pequeno regresso ao Brasil, e Chipre, seriam os países que marcariam os derradeiros anos da sua carreira. Já depois de se retirar dos relvados, Silva haveria de dedicar-se aos seus projectos pessoais. De volta à sua cidade natal, o antigo avançado acabaria por abrir uma escola de futebol, onde acolhe os meninos mais desfavorecidos. Por outro lado, à beira do terreno onde construiria o necessário “campo da bola”, Silva e a sua esposa, nascida e criada no Minho, inaugurariam um restaurante de comida lusa, a “Adega da Portuguesa”.

 
*retirado da entrevista dada ao http://www.boavistafc.pt, a 14/07/2016

674 - PENA

Nascido no seio de uma família numerosa, Pena, alcunha que o acompanharia desde tenra idade, teria que adiar os seus sonhos para procurar trabalho. Ainda assim, a paixão que tinha pelo jogo da bola não passava despercebida a ninguém e, com o apoio daqueles a quem ajudara ao sustento, acabaria por dar seguimento à carreira de futebolista.
Com os primeiros passos a serem dados em clubes dos escalões secundários, os degraus que ia subindo no futebol baiano seriam suficientes para que de outros “universos“ desportivos, começassem a surgir alguns interessados. Neste sentido, é do Estado de São Paulo que aparece o primeiro convite. Para jogar o escalão maior do “Paulistão”, o Rio Branco remete uma proposta ao atacante. A mudança, por razão de constantes desentendimentos entre o atleta e o Presidente, não correria de feição.
Incapaz de adaptar-se a uma nova realidade, os “empréstimos” passariam a fazer parte da rotina de Pena. Numa dessas cedências, o avançado viaja até à Europa. Na Suíça tem a sua primeira experiência no estrangeiro. Contudo, e na senda do que tinha acontecido até ali, a passagem pelo Grasshoppers (1997/98) não passaria de um rotundo falhanço.
Já o regresso ao Rio Branco marcaria uma mudança de rumo para Pena. Com o clube a apostar forte no Campeonato Estadual de 1999, o goleador consegue destacar-se na competição. Os seus desempenhos chamariam a atenção de um velho conhecido do futebol português e, sob a alçada de Luiz Felipe Scolari, o avançado transfere-se para o “gigante” Palmeiras.
Pouco mais de um ano no Palestra Itália, seria suficiente para Pena protagonizar, numa série de episódios antagónicos, algumas histórias bem caricatas. A titularidade conquistada nos primeiros tempos ou os golos marcados nas mais variadas competições, contrastariam com as polémicas em que o atleta, regularmente, estava envolvido. O penteado “cogumelo”, para não ser confundido com Asprilla, a exigência de melhores salários ou algumas altercações com os próprios adeptos, acabariam por fazer parte de uma panóplia de “cenas dramáticas”. Nisto, as constantes ameaças de abandono, que acabariam, à revelia do próprio clube, com o atleta a negociar nova viagem até à Europa.
Seria já depois de FC Porto e Palmeiras acertarem a transferência do avançado, que este chega ao Estádio das Antas. Incógnito para a grande maioria do público português, o ponta-de-lança tinha a delicada função de substituir o idolatrado Mário Jardel. Se sentiu a pressão de tamanha demanda, não o saberemos. A verdade é que Pena, rapidamente, passou de um mero desconhecido, para ser um dos mais acarinhados pela massa associativa!
Ora, a razão para tal mudança prender-se-ia com uma coisa apenas: os golos! Nesse plano, Pena mostrar-se-ia excepcional. Jornada após jornada, e ao conseguir concretizar uma série de ofensivas, o avançado, bem depressa, passaria para a liderança da tabela dos melhores marcadores. Sempre na senda das balizas adversárias, essa temporada de 2000/01, contradizendo um pouco o alcançado pela equipa, tornar-se-ia de excelência para o atleta.
Foi como Melhor Marcador do Campeonato Nacional que Pena arrancaria para a nova temporada. No entanto, tal como à sua chegada, o avançado volta a surpreender aqueles que o acompanhavam. Desta feita, bem longe do que havia mostrado no primeiro ano, as investidas do brasileiro eram tudo menos certeiras. Mostrando-se bem mais desastrado do que o habitual e pressionado pelos apupos que começaram a surgir das bancadas, o atacante perde espaço no “onze” do FC Porto. Já a chegada de José Mourinho aos “Azuis e Brancos”, acaba por sublinhar um desfecho há muito esperado. Pena é excluído dos planos de trabalho e os empréstimos, com passagens por Strasbourg (França), Sp.Braga e Marítimo, voltam à agenda do atleta.
Sem nunca conseguir sagrar-se campeão, mas com 1 Taça de Portugal (2000/01) e 1 Supertaça (2001/02) a abrilhantarem o seu currículo, Pena deixa Portugal. Tendo, por essa altura, ultrapassado a barreira dos 30 anos, o regresso ao Brasil marca o começo da fase descendente da sua carreira. A aposta no Botafogo, onde pouco seria utilizado, ainda valeria ao atleta o título “carioca”. A partir daí, a troca de clubes haveria de marcar os seus últimos anos. Nessas constantes mudanças, destaque para a sua chegada ao Serrano Sport Club. No emblema onde havia dado os primeiros passos como futebolista, Pena, ao mesmo tempo que ajudava dentro de campo, ocupava um lugar nos escritórios, onde desempenharia as funções de dirigente.

657 - ESNAIDER

Era, sem medo de o estar a engrandecer, a grande estrela da Argentina no Mundial S-20 de 1991. Muita dessa sua reputação, resultaria da rápida evolução que vinha apresentando. Ora, feito sénior há bem pouco tempo, o Real Madrid veria nele qualidades suficientes para o contratar. A transferência do Ferro Carril para o clube espanhol, acabaria por ficar acertada uns meses antes do início do referido certame. Esnáider chegaria a Portugal integrado numa comitiva que contava com nomes como os de Pochettino, Pellegrino ou Bassedas… mas o único com o estatuto de “Merengue”.
A Argentina haveria de ter uma passagem paupérrima pelo nosso país. Já o avançado, de regresso à capital espanhola, acabaria por, nos anos vindouros, ver a validade da sua contratação posta em causa. Duas temporadas e meia, dariam apenas para que Esnáider não passasse de um segunda ou terceira escolha. Ainda assim, dos seus tempos no Santiago Barnabéu, o argentino arrecadaria a Copa del Rey de 1992/93.
Transferido para o Zaragoza em 1993/94, a vida do futebolista voltaria a paradigmas antigos. Com a equipa a viver momentos de grande sucesso, Esnáider recuperaria o “status” de atleta de gabarito. Após nova vitória na Copa del Rey (1993/94), o atacante e, logicamente, os da “La Romareda” ganham o direito de, na temporada seguinte, disputar a Taça dos Vencedores das Taças. Com nomes que fariam história no futebol europeu, casos de Gustavo Poyet, Nayim ou Cafú, a equipa chega à final da dita competição da UEFA. No Parc des Princes, o emblema de Aragão haveria de enfrentar um Arsenal que, sem qualquer suspeita, era o favorito à vitória. Todavia, dois golos, um dos quais de Esnáider, seriam suficientes para o clube espanhol conseguir sobrepor-se ao tento conseguido pelos londrinos.
O título europeu dar-lhe-ia a oportunidade de regressar ao Real Madrid. Mas, numa carreira que haveria de ficar marcada por constantes altos e baixos, Esnáider voltaria a claudicar. Um ano passado e a permanência do argentino em Madrid acabaria por ser assegurada, não pelas exibições convincentes, mas pela aposta de Atlético de Madrid na sua contratação. Nos “Colchoneros” faz uma temporada brilhante e só não prolonga o tempo de estadia, pois o seu temperamento inflamável acabaria por intrometer-se!
Num jogo a contar para a Liga dos Campeões, e na disputa por um lugar nas meias-finais, o avançado tem um dia bem negro. Primeiro, falha uma grande penalidade; depois, tem uma entrada mortífera sobre Richard Witschge, que lhe valeria a substituição. Não agradado com a decisão, Esnáider envolve-se numa acesa discussão com o treinador Radomir Antic. Esta altercação valer-lhe-ia um castigo e, consequentemente, o afastamento do grupo de trabalho.
Seria já no Espanyol que Esnáider daria continuidade às boas exibições. Tão positivo haveria de ser o seu trabalho que de Itália, a meio da temporada de 1998/99, surge um convite irrecusável. No entanto, a Juventus acabaria por ser apenas um dos seus momentos negativos.
Depois de pouco ter jogado, dá-se o seu regresso à “La Liga”. De volta ao Zaragoza, Esnáider teria ainda tempo para acrescentar ao seu currículo uma 3ª Copa del Rey. No entanto, seria por esta altura que as lesões começariam a assombrar a carreira do avançado. Daí em diante, as passagens que teria por FC Porto, River Plate, Ajaccio, Real Murcia ou Newell's Old Boys, pouco mais importariam do que para as estatísticas.
Já depois de deixar os relvados e de ter algumas aparições como comentador televisivo, o antigo internacional pela “Equipa das Pampas” haveria de encetar a sua caminhada como treinador. Neste novo papel, tem trilhado caminho, acumulando experiências no Córdoba, Zaragoza “B”, ou ainda, e como adjunto, no Getafe.

596 - RUI ÓSCAR

Dono da lateral direita nos vários patamares de formação “Azul e Branca”, o pequeno defesa (só em estatura!) era tido como uma das grandes promessas da “casa”. As consecutivas convocatórias para representar Portugal, eram, por essa altura, a prova cabal de que ali estava um jovem de qualidade inquestionável.
 Mais gritante se tornaria esta realidade quando em 1994, o jogador participa no Europeu de sub-18. Portugal sagra-se campeão e o currículo de Rui Óscar sai reforçado do dito torneio.
É também em 1994 que para o atleta, começa o capítulo dos empréstimos. Tapado pelos veteranos João Pinto e Bandeirinha, o defesa direito segue para o União de Lamas para, na temporada seguinte, ser cedido ao Leça.
É neste último emblema que, já depois do 3º lugar no Mundial sub-20, Rui Óscar faz a sua estreia na 1ª divisão. Rápido a atacar, assertivo na hora de defender, tudo levava a crer que as portas do Estádio das Antas brevemente se abririam para si. A oportunidade que todos esperavam, aconteceria na época seguinte. Num FC Porto comandado por António Oliveira, o Verão de 1996/97 marcava o começo daquela que seria a 3ª etapa do “Penta”. Contudo, aquilo que poderia ser tido como um sonho, acabaria por resultar num pequeno desaire.
Sem conseguir conquistar o seu espaço nos “Dragões”, mas com o título de Campeonato Nacional na bagagem, Rui Óscar segue para a Madeira. A representar o Marítimo, a carreira de Rui Óscar, muito mais do que mudar de paradigma, retoma o caminho merecido. 3 temporadas nos “Verde-Rubro” seriam suficientes para tornar o defesa, num dos mais qualificados a nível nacional.
Essa valorização valer-lhe-ia a transferência para o Boavista. Numa altura que os do Bessa teimavam em afrontar o poderio dos ditos “Grandes”, o regresso à cidade do Porto viria em excelente altura. Ora, logo nessa época de estreia pelos “Axadrezados”, Rui Óscar consegue vencer o seu 2º Campeonato Nacional – “Foi, sem dúvida, uma grande época. Uma época inesquecível, tanto a nível pessoal, como para o Boavista. Tínhamos um excelente plantel de jogadores com elevada qualidade, uma estrutura profissional excelente, tanto a nível técnico como de direcção, que nos deu todas as condições para conseguirmos esse grande feito”*.
Nos anos que se seguiriam, Rui Óscar continuaria a quebrar barreiras na sua carreira. A presença na Liga dos Campeões, a chegada às meias-finais da Taça UEFA de 2002/03 ou, porque não, a chamada à selecção “B”, acabariam por ser alguns dos marcos conquistados, enquanto ao serviço do Boavista.
Já o final da sua carreira acabaria por ser assombrado por um caso controverso. A vestir as cores do Beira-Mar, o atleta vê-se envolvido num caso de “doping”. Com os resultados da análise a apontarem para a utilização de um medicamento que, sem ser proibido, o seu uso deveria ser mencionado, o defesa acaba suspenso – “A substância foi ministrada ao atleta em 4 de Dezembro quando, em Rio Tinto, onde treinava para manter a forma, apresentou uma lesão diagnosticada como uma tendinite. O tratamento levou à aplicação dessa substância que, por razões óbvias, não foi reportada a nenhum organismo de controlo, dado o atleta não estar em competição”**.


* Retirado de http://www.faosegundo.com (04/04/2014), entrevista de Mário Jorge Santos
** Retirado de "O Público"(02/05/2005), segundo o comunicado do SC Beira-Mar

557 - ADALBERTO

Já com algumas temporadas na equipa principal, Adalberto sagra-se, pelo Paços de Ferreira, Campeão Nacional da Divisão de Honra. O título conseguido, naquela que seria a primeira edição da prova, acabaria por resultar na estreia, tanto do atleta como do clube, no mais alto escalão do futebol nacional.
Na 1ª Divisão, findada a temporada de 1991/92, o emblema pacense terminaria a sua primeira época entre os "grandes", num confortável 12º lugar. A justificar essa posição na tabela classificativa, acabaria por estar uma defesa consistente, onde o nome de Adalberto é um dos mais notados.
Bem à imagem da equipa montada pelo treinador Vítor Oliveira, o central era um portento de trabalho. Contudo, e apesar do seu papel dentro de campo, as suas qualidades não se perdiam em acções defensivas. Durante a sua carreira, sempre dedicada ao Paços Ferreira, acabaria por marcar alguns golos. Não foram muitos, é certo! No entanto, há um, por sinal o único que marcaria na 1ª Divisão (1991/92), que jamais esqueceria - "Ganhei a bola ainda no meio-campo, avancei até à área do Benfica, beneficiando da preocupação dos adversários com a marcação aos meus colegas, que iam abrindo espaços, consegui tirar os dois centrais do caminho e rematei, já dentro de área, para o lado direito do Neno"*.
Com as boas prestações, no final dessa primeira temporada, o nome de Adalberto começa a ser falado, como alvo de cobiça por parte de outros emblemas. Fala-se que Vítor Oliveira o quis levar consigo, para o Gil Vicente; fala-se que o Belenenses teria, por si, apresentado uma proposta. Especulações? Verdade? O certo é que Adalberto se manteria com as cores do Paços de Ferreira.
Essa cor, o amarelo, acabaria por ser o tom da sua camisola, durante mais de década e meia como profissional. Arrependimentos, por tal? Só os monetários, aqueles inerentes a uma carreira vivida num clube de menor monta - "talvez tivesse apostado numa saída do clube, apenas por questões financeiras"**.
Apesar destas declarações, não há adepto algum que não o reconheça como um lutador, como alguém que, dentro das quatro linhas, tudo deu pelo clube. Nesse sentido, Adalberto viveria, como poucos, todos os sucessos e desaires da sua equipa. Celebrou as vitórias, mas, acima de tudo, foi incapaz de abandonar o clube, quando este claudicou nos maus momentos. Por tudo isso, rapidamente o seu nome se tornaria num exemplo a seguir; num exemplo a dar aos mais novos como modelo de entrega. Tal dedicação valer-lhe-ia a, mais que justa, braçadeira de capitão: símbolo que usaria por diversos anos.
O fim da carreira viria em 2004/05. A experiência e o peso que sempre teve (e tem) na história dos "Castores", fez com que os dirigentes o quisessem manter por perto. Ficou pela Mata Real como um dos elementos do gabinete prospecção. Cumpriu essa função durante alguns anos, até que o sonho de ser treinador o  levaria, em 2012/13, até Amarante.


* retirado de "Expresso", a 27 de Setembro de 2012
** retirado da entrevista de Carlos Alexandre Teixeira, em "verdadeiroolhar.pt"

426 - FERNANDO PORTO

Já falei, neste “blog”, de um tempo em que a contratação, por parte dos emblemas portugueses, de atletas vindos das ligas espanholas foi, por assim dizer, comum. Fernando Porto foi um dos nomes que, por essa altura, chegou a Portugal. Veio para jogar no Farense, mas, como é óbvio, para trás já tinha uma carreira firmada no país vizinho. Sobre essa primeira parte da sua vida profissional, tenho de fazer referência à mesma como peculiar. Porém, não quero que entendam tal afirmação como pejorativa. Dito isto, ao analisarmos esses anos, há uma coisa que salta logo à vista. Ora vejamos! Formou-se no Celta de Vigo para, depois, ser promovido à equipa "B". Mesmo ao ser chamado à equipa principal, o defesa cumpriu maior parte do tempo com o segundo plantel da colectividade galega. No entanto, no final dessa temporada de 1993/94, até porque em abono da verdade, o jovem jogador tinha talento, o FC Barcelona decidiu apostar nele. Mais uma vez, o seu destino não foi o esperado e Fernando Porto acabou na equipa "B". Apesar de titular, a oportunidade de vestir a camisola na categoria principal nunca apareceu. Conclusão? Nova transferência, dessa feita para o Numancia. A mencionada mudança serviu para vincar aquilo que aqui foi dito: Fernando Porto era mesmo um jogador com qualidades superiores. Esse facto, mais uma vez, levou com que outro clube de monta acreditasse no seu potencial. No entanto, no Maiorca a sua sorte não mudou e, como já deu para adivinhar, o fado do central foi o mesmo de sempre: EQUIPA "B"!
Depois de representar o Legañes, Fernando Porto chegou ao Algarve. Nesse Verão de 2000, o Farense apresentou como reforço um defesa forte fisicamente, disciplinado ao nível táctico e que tinha no jogo aéreo a maior arma. Talvez a falta de experiência nos “patamares máximos”, ele que, a esse nível competitivo, tinha em Portugal a estreia, tenha contribuído para o falhanço da sua afirmação. Já a segunda temporada nas provas lusas, revelou um atleta mais confiante e muito útil para o grupo de trabalho. O pior é que, no plano desportivo, o Farense começava a mostrar as debilidades resultantes de uma grave crise financeira. Nesse contexto, no final da campanha de 2001/02 e com os "Leões de Faro" e serem despromovidos, Fernando Porto optou pela mudança para o União da Madeira. A partir dessa altura a sua carreira perdeu o fulgor que tinha prometido no início da mesma e o jogador passou a vogar pelos escalões secundários dos dois países ibéricos.

404 - DIOGO LUÍS

A boa temporada pela equipa “B”, a juntar à falta de soluções credíveis dentro do plantel "encarnado" – a saber, Rojas e Escalona – levaria José Mourinho a convocá-lo para junto da equipa principal. Tal como o referido treinador, hoje um dos mais conceituados técnicos mundiais, Diogo Luís, à altura, procurava também demonstrar o seu valor futebolístico. A oportunidade e o voto de confiança dado pelo técnico do Benfica permitiriam que o lateral-esquerdo, nessa época de 2000/01, conseguisse tomar conta da posição canhota da defesa. Nessa campanha, o jogador de 20 anos, entre o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal, acabaria a participar em 25 partidas e veria o seu nome a ser exaltado pelo Presidente João Vale e Azevedo como um dos activos futuros mais valiosos do clube.
Infelizmente para o atleta, ao mesmo tempo que muitos aguardavam pela sua evolução, o defesa, logo na campanha a seguir à sua estreia na equipa principal das “Águias”, começaria a eclipsar-se. Apesar da estranheza dessa perda de fulgor, alguns factores viriam a contribuir para o seu afastamento do “onze”. Por um lado, a lesão sofrida por essa altura em nada contribuiria para a afirmação do lateral-esquerdo. Por outro, a sua juventude faria com que, mais facilmente, a ele fossem apontados os erros a imputar ao colectivo. Já no que diz respeito aos colegas a disputar o mesmo lugar, Cabral e Pesaresi, os seus nomes pouco serviriam como justificação para o desaire competitivo a afectar, na primeira metade da época de 2001/02, as aferições feitas aos desempenhos de Diogo Luís.
Sem espaço no Benfica, a meio da sua segunda temporada na categoria principal da "Luz", o atleta acabaria emprestado ao Alverca. A ida para o emblema ribatejano, teria como principal propósito tentar convencer o treinador Jesualdo Ferreira, entretanto à frente das “Águias”, que o lugar de Diogo Luís era de volta ao emblema onde tinha terminado a formação. Tal nunca viria a acontecer e aquele que havia sido visto como uma das maiores promessas do Benfica acabaria, em 2002/03, por assinar contrato com o Beira-Mar.
A partir desse momento a carreira de Diogo Luís tomaria um rumo discreto que, após a modesta passagem por Aveiro, levaria o defesa a vogar pelas divisões secundárias dos nossos campeonatos - " Tive uma carreira boa, bons momentos, mas claro que podia ter ido mais longe. Se calhar, foi por demérito meu"*. Depois das passagens pela Naval 1º de Maio, Estoril Praia e do regresso ao Beira-Mar, o jogador ainda voltaria à 1ª divisão. O convite surgiria vindo do Leixões, mas a falta de adaptação ao novo projecto faria com que, na reabertura do mercado de 2008/09, o atleta rumasse àquela que viria a tornar-se na única aventura no estrangeiro.
Com o termo da passagem de alguns meses pelos cipriotas do Apollon Limassol, Diogo Luís, surpreendentemente, decidir-se-ia pelo fim da caminhada enquanto desportista de alta competição - "Terminei cedo, ainda com 28 anos. Tinha convites da II Liga mas achei que era a altura certa para investir na nova carreira"*. Esse novo objectivo de vida, resultado do curso de Economia tirado na Universidade Nova de Lisboa, levá-lo-ia a abraçar as funções de "Personal Financial Advisor". Ainda assim, apesar de afastado alguns anos, Diogo Luís nunca deixaria de estar atento à modalidade. De regresso ao futebol – talvez seja um pouco exagerado considerar este retorno como tal –, o antigo defesa é, hoje em dia, comentador d’ A Bola TV.

*retirado do artigo de Vítor Hugo Alvarenga, publicado a 29/06/2013, em https://maisfutebol.iol.pt