1328 - SCHWARZ

Filho de pai alemão e mãe sueca, seria nos germânicos do Bayer Leverkusen que Stefan Schwarz terminaria o percurso formativo. No entanto, na altura de iniciar a caminhada no patamar sénior, a sua opção levá-lo-ia a retornar à cidade natal e a partir da temporada de 1987, o jovem atleta passaria a envergar as cores do Malmö FF. A sua contratação pelo emblema situado sul da Suécia, onde chegaria a partilhar o balneário com Mats Magnunsson e Jonas Thern, concordaria com uma fase prolífera do clube. Para além das boas prestações nas competições europeias, como provam as 3 vitórias na Taça Intertoto, entre a época de ingresso do jogador e a que coincidiria com a da sua saída, entrariam também para os escaparates da colectividade os troféus correspondentes às vitórias em 3 Campeonatos e em 1 Taça.
Pelas razões acima arroladas, o defesa-esquerdo, que podia igualmente posicionar-se no sector intermediário do terreno de jogo, começaria a despertar o interesse de outros emblemas europeus. Como é óbvio, há outro factor que em muito terá contribuído para a sua valorização. Falo das chamadas à selecção nacional. Pela Suécia, depois da estreia num particular frente aos Emirados Árabes Unidos, jogo disputado a 14 de Fevereiro de 1990, Schwarz seria convocado ao grupo que, ainda nesse ano, viajaria em direcção a Itália para disputar a Fase Final do Mundial. Também no que ao percurso internacional diz respeito, há que fazer alusão às participações em outros 2 torneios de monta, o Euro 92 e o Campeonato do Mundo de 1994. Nesse sentido, falta referir as 69 partidas pelo país escandinavo e que acabariam por colorir o seu currículo como futebolista profissional.
Voltando ao percurso clubístico de Schwarz e com Sven-Göran Eriksson no comando técnico do Benfica, o passo seguinte da sua carreira seria dado com as cores da colectividade lusa. A sua chegada à Luz dar-se-ia no começo da temporada de 1990/91 e apesar da titularidade conquistada, uma grave lesão afastá-lo-ia durante grande parte da época. Com a mazela debelada, o jogador rapidamente voltaria a assumir o seu posto no “onze” das “Águias”. Ao tornar-se num elemento de fulcral valor no “xadrez” da equipa, as suas presenças em campo transformar-se-iam num pilar dos futuros sucessos colectivos. Depois da vitória no Campeonato Nacional correspondente ao ano da sua chegada a Lisboa, já com Toni à frente dos “Encarnados”, o atleta adicionaria ao palmarés as conquistas da Taça de Portugal de 1992/93 e do Campeonato Nacional de 1993/94.
Os êxitos conseguidos catapultariam Schwarz para as ligas de topo. Depois do ingresso no plantel de 1994/95 do Arsenal, campanha em que disputaria a final da Taça dos Vencedores das Taças, seguir-se-iam a passagem de 3 épocas pelo “Calcio” e pela Fiorentina, a contratação pelo Valencia de 1998/99, onde venceria a Taça Intertoto e a Copa del Rey, e um ano volvido sobre a chegada a Espanha, o regresso a Inglaterra para representar o Sunderland. Durante o aludido período há ainda que destacar dois marcos importantes na carreira do jogador: a conquista da Guldbollen de 1999, prémio anualmente atribuído ao melhor futebolista sueco, e fim da caminhada competitiva, com o termo da temporada de 2002/03.

1327 - ARAÚJO


Seria ainda como elemento das camadas de formação da CUF que José Araújo começaria a demonstrar dotes futebolísticos de alto gabarito. Tal facto levaria os responsáveis técnicos pelas jovens equipas da Federação Portuguesa de Futebol a convocá-lo aos, hoje em dia, denominados sub-16. Depois da estreia no referido escalão, partida disputada no âmbito do Torneio Internacional de St. Malo, a 30 de Março de 1975, o médio-ofensivo, que nesse jogo também marcaria um golo, continuaria a ser chamado a envergar as cores lusas. Nesse sentido e nos anos vindouros, o atleta, entre o patamar já aludido, os sub-18 e os sub-21, somaria um total de 15 internacionalizações.
Já a estreia no patamar sénior, ainda com as cores da CUF, ocorreria na temporada de 1975/76. Como elemento da equipa do Lavradio, Araújo, sob a alçada de Mário João e, após o despedimento deste, orientado por Francisco Abalroado, logo conquistaria um lugar de destaque no plantel. Infelizmente para o atleta, o clube não conseguiria evitar a despromoção ao segundo escalão. Aliás, o regresso do médio ao convívio com os “grandes” dar-se-ia somente passados alguns anos e com o jogador a envergar a camisola do rival Barreirense. Curiosamente, essa campanha de 1978/79, em termos colectivos, terminaria também com a descida do seu emblema, o que o forçaria a nova travessia pelos cenários secundários.
Ainda que na disputa da 2ª divisão, os desempenhos de Araújo acabariam por merecer a atenção de emblemas de outra monta. No entanto, a transferência para o Benfica na temporada de 1981/82, asseverando-o como uma das grandes promessas do desporto luso, resultaria numa enorme desilusão. Com o jogador assolado por uma grave lesão, o melhor que haveria de conseguir nos 3 anos de ligação às “Águias” seria a passagem pelas “reservas” do emblema da Luz.
Já recuperado, regressaria ao Barreiro e, mais uma vez, para envergar as cores da CUF, à altura já denominada Quimigal. No que diz respeito ao resto do seu caminho competitivo, a verdade é que o médio-ofensivo não mais voltaria às exibições de outrora e que tinham feito dele um dos bons intérpretes do futebol português. Pescadores da Costa da Caparica, Sesimbra e Estrela de Vendas Novas transformar-se-iam nas colectividades que acabariam por preencher os derradeiros passos de uma caminhada competitiva que conheceria o fim na transição da década de 1980 para a de 1990.

1326 - JOSÉ CARLOS

Ao contrário do pai Marinho, antiga estrela da selecção nacional e leonina, e de Mário Tito, de quem é irmão gémeo, José Carlos faria a sua formação não no Atlético, mas no Sporting Clube de Portugal. Tal facto, muito provavelmente, terá contribuído para que o jogador fosse chamado aos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse âmbito, depois da estreia pelos sub-18 lusos a 24 de Setembro de 1985, pela mão do “Magriço” José Augusto e num particular frente à antiga Checoslováquia, o atleta ainda conseguiria adicionar ao currículo outras 3 partidas com a “camisola das quinas”, somando 4 internacionalizações no referido escalão.
Apesar de projectado como um elemento com um futuro promissor, a verdade é que José Carlos, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, acabaria por sair de Alvalade para, a partir da temporada de 1987/88, passar a envergar as cores do Estoril Praia. No emblema da Linha de Cascais, depois das 4 primeiras campanhas a disputar o escalão secundário, a época de 1991/92 levá-lo-ia à estreia no degrau máximo do futebol luso. Já como um dos elementos regulares no lado direito do sector mais recuado, o jogador, daí em diante, manteria o estatuto de titular no esquema táctico idealizado por Fernando Santos. Por essa razão, depressa conseguiria afirmar-se como um dos nomes históricos dos “Canarinhos” e os 8 anos passados com a camisola do clube, muitos deles a partilhar o balneário com o irmão Mário Tito, ainda mais contribuiriam para alimentar essa posição.
Com Fernando Santos a orientar o Estrela da Amadora e com o Estoril Praia na disputa da divisão de Honra, José Carlos seria convidado a vestir as cores do emblema sediado no bairro da Reboleira. Apresentado no Estádio José Gomes como reforço para a temporada de 1995/96, tal como tinha acontecido na maior parte do seu percurso profissional, o defesa, que também podia subir um pouco mais até ao meio-campo, manteria o estatuto de titular. Nos anos sob a alçada do aludido treinador e também com os técnicos seguintes, a situação do atleta, no que ao “onze” inicial concerne, conservar-se-ia. Essa situação, mais uma vez, encaminhá-lo-ia para os anais da colectividade. Muito mais do que contribuir para o 7º lugar na edição de 1997/98 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, a melhor classificação da agremiação a par da conseguida em 1993/94, o jogador tornar-se-ia num dos nomes com mais partidas disputadas pelo emblema da Linha de Sintra no escalão máximo, mais concretamente, 167 jogos.
Com a saída dos “Tricolores” a acontecer com o termo da época de 2001/02, o atleta, já na fase descendente da carreira, teria ainda tempo para disputar mais algumas temporadas. Com o Torreense e o Atlético da Malveira a preencherem as últimas etapas da sua caminhada competitiva, José Carlos, ao “pendurar as chuteiras”, haveria de manter a ligação à modalidade. Praticamente de seguida, o antigo futebolista aceitaria o desafio lançado pelo Estrela da Amadora e regressaria à Reboleira para abraçar as tarefas de técnico nas camadas jovens do clube. Ainda nos patamares formativos, destaque para a sua passagem pelo Futebol Benfica.

1325 - MÁRIO TITO

Filho de Marinho, antigo internacional português e estrela do Sporting, e irmão gémeo do igualmente futebolista José Carlos, Mário Tito, tal como o pai, também faria a transição dos escalões de formação para o universo sénior com as cores do Atlético Clube de Portugal. No entanto, contrariamente ao progenitor, o jovem praticante, no momento da chegada à equipa principal do emblema sediado no popular bairro lisboeta de Alcântara, não apanharia a colectividade a disputar o patamar máximo do futebol luso. Ainda assim, a espera por tal momento não duraria muito tempo e a sua presença na 1ª divisão aconteceria passado um par de temporadas.
Com a mencionada estreia no patamar sénior a acontecer na campanha de 1986/87, Mário Tito, na temporada correspondente à transferência para o Nacional da Madeira, conseguiria dar os primeiros passos no convívio com os “grandes”. Infelizmente para o defesa, essa época de 1988/89, orientada pelo treinador brasileiro Paulo Autuori, não teria continuidade no ano seguinte. Pouco utilizado pelo referido técnico, o jogador acabaria por retornar ao território continental, mas dessa feita para envergar as cores do Estoril Praia e para passar a partilhar o balneário com o irmão José Carlos. A aposta, apesar de empurrar o atleta para o escalão secundário, não correria mal de tudo e depois da chegada ao emblema da Amoreira em 1989/90, o regresso à 1ª divisão estaria para breve.
Como um dos elementos principais na caminhada que levaria os “Canarinhos” de volta ao degrau maior do futebol português, Mário Tito, ainda que uns furos abaixo da campanha que terminaria com a promoção do Estoril Praia, conseguiria ser um dos atletas que, sob a batuta do Engenheiro Fernando Santos, acabaria por ser utilizado com regularidade na temporada de 1991/92. Já época seguinte, apesar da permanência na 1ª divisão, não seria, em termos individuais, tão proveitosa quanto as anteriores e pouco chamado a jogo pelo já aludido técnico, a carreira do defesa viria mesmo a mudar de rumo.
Depois da saída do emblema da Linha de Cascais a acontecer com o termo da temporada de 1992/93, Mário Tito, que não voltaria a disputar o patamar máximo, regressaria a uma casa bem conhecida. Ao retornar ao Atlético, o defesa acabaria igualmente por dar início à última fase da carreira. No decorrer desse último capítulo competitivo, para além da agremiação “alfacinha”, destaque também para as suas passagens pelo Amora e pelo Futebol Benfica.

1324 - MARINHO

Formado no Atlético, seria no emblema sediado no bairro de Alcântara que Marinho Mateus, na campanha de 1962/63, chegaria às competições seniores. Com a colectividade lisboeta, na referida temporada, a disputar o degrau máximo do futebol português, o jovem extremo começaria por confirmar as suas qualidades enquanto jogador de eleição. Ao ter na velocidade o seu maior predicado, o atacante também ficaria conhecido pela aptidão para, com bastante sucesso, aparecer em zonas de finalização. Infelizmente, o ano da sua estreia na 1ª divisão, levaria o seu clube a descer de divisão e, com isso, ver-se-ia arrastado para as pelejas do patamar secundário. O regresso ao convívio com os “grandes” aconteceria na época de 1966/67 e, para infortúnio do atleta, com mais um azar a impedir a sua total afirmação.
Como “há males que vêm por bem”, a perna partida levaria Marinho a recuperar em Alvalade. Esse facto, segundo ficou registado, encetaria o “namoro” entre o atleta e os “Leões”, com a transferência de Marinho, da Tapadinha para o plantel do Sporting, a concretizar-se para a temporada de 1967/68. Recuperado da grave mazela, o extremo rapidamente conseguiria impor-se no “onze” leonino. Orientado por Fernando Caiado, o atacante passaria a ser tido como um dos titulares, estatuto que manteria nos anos seguintes. Nesse sentido, tornar-se-ia num dos pilares que, na campanha de 1969/70 e já sob a batuta de Fernando Vaz, contribuiria para a conquista do Campeonato Nacional.
Ainda de “Leão” ao peito, Marinho haveria de registar, a nível pessoal e colectivo, um longo rol de êxitos. Em termos de títulos, para além do aludido no parágrafo anterior, há ainda que listar as vitórias em 3 Taças de Portugal e na edição de 1973/74 do Campeonato Nacional. Claro está que não poderia esquecer as chamadas à selecção portuguesa. Nesse campo, a estreia pelo conjunto principal luso, depois de uma participação pelas “esperanças”, aconteceria, pela mão de José Maria Antunes, a 2 de Novembro de 1969. Curiosamente, as restantes internacionalizações da sua carreira, num total absoluto de 5 pelo conjunto “A”, só chegariam ao currículo do atacante alguns anos depois do tal “particular” frente à Suíça, mais concretamente nas campanhas de 1974/75 e 1975/76.
Com a carreira evidentemente marcada pela passagem de uma década pelo Sporting, o avançado, já no ocaso da caminhada competitiva, ainda teria tempo para envergar as camisolas de outros clubes. Os canadianos do First Portuguese, Marítimo, Estoril Praia e a passagem pela North American Soccer League, ao serviço do plantel de 1979 dos Toronto Blizzards, preencheriam esses capítulos. De seguida, a suceder aos derradeiros passos enquanto atleta, viria a mudança do antigo extremo para as funções de técnico. De regresso a Alvalade, Marinho começaria pelas tarefas de treinador-adjunto. Ainda no mesmo papel, estaria também ao serviço da Federação Portuguesa de Futebol. Já com as responsabilidades de principal “timoneiro”, teria curtas experiências com as cores leoninas, e também no Atlético e no Odivelas.

1323 - JAMBANE

Com proveniência no Desportivo 1º de Maio de Lourenço Marques, seria do emblema da capital moçambicana que Abel Jambane partiria para Portugal e para representar o Sport Clube da Régua. No emblema sediado no Douro Vinhateiro, apesar da modéstia da colectividade, as exibições do médio, intérprete com características de armador de jogo, acabariam por merecer os devidos louvores. Nesse sentido, seria o Boavista a apostar na sua contratação e a temporada de 1960/61 representaria a mudança do atleta para o Bessa.
Com os “Axadrezados” fora das pelejas primodivisionárias, a chegada do jogador ao patamar máximo do futebol português dar-se-ia com a sua saída do emblema portuense e em direcção ao Feirense. Com a transferência a ocorrer para a campanha de 1962/63, a primeira época com os “Fogaceiros” revelaria Jambane como um dos elementos em destaque no plantel. Ainda assim, apesar dos bons índices individuais, as prestações colectivas devolveriam a equipa ao escalão secundário e a mais uma época do centrocampista longe da 1ª divisão lusa.
A contratação do jogador por parte da Sanjoanense na temporada de 1964/65, levaria Jambane a uma das melhores fases da sua carreira. Apesar das primeiras campanhas passadas com as cores da agremiação sediada em São João da Madeira terem decorrido longe dos principais palcos do desporto luso, essa caminhada de 2 temporadas, ainda assim, teria momentos altos. Para além da chegada aos quartos-de-final da Taça de Portugal, isto na campanha de chegada ao emblema do distrito de Aveiro, o regresso do médio à 1ª divisão tornar-se-ia noutro capítulo de monta para a caminhada competitiva do futebolista.
Após mais 3 temporadas cumpridas no Estádio Conde Dias Garcia e junto da elite futebolística portuguesa, campanhas que transformariam Jambane num dos elementos com mais partidas feitas pela Sanjoanense na 1ª divisão, o jogador regressaria à terra natal. De volta a Moçambique e à capital daquele país, seria no Ferroviário de Lourenço Marques que, nos anos seguintes, prosseguiria a carreira. Com os registos encontrados a ligar o atleta ao referido emblema entre a época de 1970 e a de 1973, também os troféus ganhos durante o aludido período, nomeadamente os títulos de campeão provincial de 1970 e a vitória no Campeonato Distrital de 1973, seriam merecedores de grande destaque.
Depois de retirado das lides de futebolista, Jambane manteria a sua ligação à modalidade. Com as “chuteiras penduradas”, o antigo atleta daria início à sua caminhada nas tarefas de treinador.

1322 - FRANCISCO GOMES

Com a estreia na equipa principal do Olhanense a acontecer na temporada de 1931/32, contava o jogador somente 15 anos de idade, Francisco Gomes começaria, desde muito cedo, a demonstrar um enorme valor futebolístico. Inserido num plantel onde teria como colegas nomes como o do internacional José Delfim, os anos seguintes seriam de enorme aprendizagem. Com o Campeonato de Portugal como a principal prova nacional e o Campeonato da Primeira Liga a trazer o emblema do Sotavento fora do escalão maior, o primeiro título do médio-centro surgiria com a vitória dos “Rubro-negros” na edição de 1932/33 do “regional” algarvio.
Ainda que afastado dos grandes palcos, a verdade é que o atleta começaria a despertar a atenção de clubes de outra monta e com o Benfica, o Sporting, o FC Porto e o Boavista no seu encalço, a palavra dada a Augusto Silva fá-lo-ia ingressar no Belenenses. Em Lisboa a partir da campanha de 1938/39, apesar do salto dado na carreira, Francisco Gomes não acusaria a responsabilidade e depressa passaria a assegurar um lugar como titular. Num conjunto habituado a lutar por troféus, o primeiro grande título a entrar no palmarés do médio surgiria com a vitória na Taça de Portugal de 1941/42. Na derradeira partida da prova, disputada no Lumiar, seria chamado pelo treinador Rodolfo Faroleiro para alinhar no “onze” inicial. A peleja frente ao Vitória Sport Clube, com a sorte, como já desvendado, a sorrir ao agremiado do Restelo, terminaria com o “placard” a assinalar 2-0 e com o centrocampista a ser louvado pela ímpar exibição.
Também as conquistas de 3 Campeonatos de Lisboa fariam parte do currículo do jogador. Porém, a maior honra alcançada na caminhada competitiva do médio emergiria na última fase da sua carreira como desportista. Titular na grande maioria das jornadas referentes ao Campeonato Nacional de 1945/46, Francisco Gomes, num grupo de trabalho comandado pelo já aludido Augusto Silva e recheado de internacionais, assumir-se-ia, no miolo do terreno, como um dos esteios da equipa. Com a vitória do Belenenses na referida edição da mais importante prova do calendário luso de futebol, o atleta inscreveria o seu nome na história da colectividade do Restelo. Para além desse feito, há ainda que referir as 13 temporadas com a “cruz de cristo” ao peito e, acima de tudo, a valentia e esforço demonstradas em todas as chamadas a campo.
Com todos os louvores possíveis, faltou algo à carreira do centrocampista. Apesar do inquestionável valor desportivo, Francisco Gomes não conseguiu jogar pela selecção nacional. Mesmo tendo sido chamado por diversas vezes aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol, o jogador, de forma injusta, acabaria por nunca entrar no terreno de jogo com a “camisola das quinas” e, por consequência dessa injustiça, não veria acrescentada ao seu currículo a tão almejada internacionalização por Portugal.
Depois de “penduradas as chuteiras”, o antigo médio ficaria ligado à modalidade. No papel de treinador orientaria algumas equipas mais modestas, tais como o Piedense, Ginásio do Sul ou “Os Bairronovenses”.

1321 - HERNÂNI

Começaria por bilhar nos escalões de formação do Recreio de Águeda, de onde iria prestar provas ao Benfica e à Académica de Coimbra. Em ambos os emblemas, inclusive na colectividade lisboeta de quem se diz ter sido adepto, seria recusado. Algum tempo depois, muito por custa da habilidade com a bola, velocidade, passos certeiros e fintas estonteantes, acabaria por ingressar nos seniores do FC Porto. A estreia na equipa principal, na temporada de 1950/51, aconteceria à 19ª jornada do Campeonato Nacional e já depois da substituição do romeno Anton Vogel pelo treinador húngaro Gencsi Deseo. Daí em diante, Hernâni dedicar-se-ia de corpo e alma à formação da “Cidade Invicta” e por raras vezes vestiria as cores de outras agremiações.
Uma dessas excepções ocorreria por razão do Serviço Militar Obrigatório, o que levaria o atleta até Lisboa e ao cumprimento da época de 1952/53 com as cores do Estoril Praia. As outras ocasiões surgiriam nas habituais, à altura, cedências a outros emblemas por altura das digressões ao estrangeiro ou em particulares disputados com emblemas forasteiros. Nesse sentido, Hernâni acabaria por vestir as camisolas do Sporting e a do Nacional da Madeira, respectivamente numa tournée ao Brasil em Junho de 1953 e num “amigável” frente ao Deportivo Las Palmas.
Obviamente, Hernâni também brilhou com as cores de Portugal. Para além da presença na equipa “B” ou a ilustre passagem pela Selecção Militar, na qual seria de fulcral importância para a vitória lusa no Torneio Internacional Militar de 1958, o atacante viria a representar o conjunto principal. A estreia do atleta com a mais importante “camisola das quinas” aconteceria, pela mão de Salvador do Carmo, a 22 de Novembro de 1953. Esse “particular” frente à África do Sul, durante o qual um golo seu ajudaria à vitória por 3-1, encetaria uma longa caminhada e que coloriria a sua carreira com um somatório de 28 internacionalizações “A”.
Claro está que os maiores louvores, conseguidos durante o percurso competitivo, recebê-los-ia ao serviço dos “Dragões”. Muito para além das 332 partidas oficiais e dos 187 golos concretizados, por si bem demonstrativos do seu valor, houve outros momentos a sublinhar a sua importância. Tendo começado a jogar como interior-direito ou extremo para, numa fase mais adiantada da carreira, passar a actuar no miolo do terreno de jogo, Hernâni seria um dos pilares na conquista da “dobradinha” de 1955/56, na vitória na Taça de Portugal de 1957/58 e no triunfo da edição de 1958/59 do Campeonato Nacional. Por tudo isso, assumir-se-ia, ao lado de José Maria Pedroto, como um dos melhores elementos do plantel “azul e branco”, durante as décadas de 1950 e no início dos anos de 1960. A melhor prova dessa monta chegaria com o respeito dos colegas, com a inquestionável admiração dos adeptos e pela entrega da braçadeira de capitão ao seu cuidado.
Depois de retirado das actividades de futebolista, Hernâni Ferreira da Silva passaria a dedicar-se a dinamismos noutras áreas de ocupação. Apesar de ainda ter regressado ao FC Porto na condição de dirigente, seria à frente dos seus negócios como industrial e no comércio que o antigo desportista abraçaria o sucesso.

1320 - JOSÉ ANTONIO REYES

José Antonio Reyes destacar-se-ia como um dos melhores elementos a evoluir nas “escolas” do Sevilla e o seu notável crescimento levá-lo-ia, no conjunto “b” do emblema andaluz, a estrear-se como sénior, com apenas 16 anos de idade. Ainda nessa temporada de 1999/00, os desempenhos conseguidos pelo jovem extremo fariam com que fosse chamado à equipa principal, onde chegaria a partilhar o balneário com o português Bakero. No que diz respeito à sua completa afirmação, o passo, com a titularidade assegurada, seria dado na campanha de 2001/02 e já com o internacional luso José Taira como companheiro de equipa.
Também nas jovens selecções espanholas a sua aprovação sublinharia a visibilidade merecida ao serviço do clube. Nesse percurso formativo, onde passaria por vários escalões, o maior destaque surgiria na discussão da edição de 2002 do Europeu de sub-19. Para o torneio organizado na Noruega, seria chamado pelo treinador Iñaki Sáez à disputa de todas as partidas do certame e na final, titular tal como em todas as rondas anteriores, ajudaria a derrotar a congénere alemã e a entregar o troféu aos escaparates da Real Federación Española de Fútbol.
Os louvores merecidos durante a primeira fase da carreira empurrá-lo-iam para as cogitações de outros emblemas. Na linha da frente dessas colectividades apareceria o Arsenal. Com a chegada aos londrinos a acontecer a meio da campanha de 2003/04 e depois de, meses antes, ter conquistado a primeira internacionalização “A” num “particular” frente a Portugal, Reyes assumir-se-ia como um dos principais elementos do conjunto britânico. Na disputa das provas inglesas, rapidamente conquistaria um lugar no “onze” dos “Gunners”. Nesse sentido, seria de fulcral importância nos títulos conseguidos pelo clube e em destaque surgiriam as vitórias na Premier League de 2003/04 e, na época de 2004/05, as conquistas da FA Cup e do Community Shield.
O regresso do atacante a Espanha dar-se-ia na temporada de 2006/07 e através de um empréstimo ao Real Madrid. Depois da conquista da La Liga nesse ano de regresso ao seu país natal, Reyes mudar-se-ia para o Atlético de Madrid. A transferência, já a título definitivo, não afastaria o avançado dos sucessos colectivos. Mesmo com uma cedência ao Benfica de 2008/09, onde seria orientado por Quique Flores e durante a qual venceria a Taça da Liga, os 3 anos e meio ao serviço dos “Colchoneros” seriam bastante proveitosos para o currículo individual do jogador e as vitórias na Liga Europa de 2009/10 e de 2011/12 e na Supertaça da UEFA de 2010/11 viriam a frisar isso mesmo.
Também o retorno ao Sevilla, consumado a meio da temporada de 2011/12, manteria o atleta na senda dos grandes troféus. Com o emblema andaluz, durante a nova ligação do avançado ao clube onde tinha cumprido toda a formação, a brilhar nas provas europeias, José Antonio Reyes teria a sorte de acrescentar ao palmarés as conquistas consecutivas de 3 outras edições da Liga Europa, nesse caso as disputadas durante as campanhas de 2013/14, 2014/15 e 2015/16.
Já numa fase descendente da carreira, o atacante acabaria a envergar as cores do Espanyol, do Córdoba, dos chineses do Xinjiang Tianshan Leopard e do Extremadura. Seria durante a sua estadia em Almendralejo que jogador sofreria um terrível acidente de viação que, para além de pôr termo à sua carreira como futebolista, tragicamente viria também a ceifar-lhe a vida.

1319 - SÉRGIO CHINA

Formado no Santa Cruz, seria também no emblema sediado na cidade brasileira do Recife que o criativo médio, na temporada de 1986, faria a transição para o patamar sénior. Na equipa principal do conjunto nordestino, Sérgio China não demoraria muito até conseguir destacar-se como um dos elementos mais importantes nas manobras tácticas dos diferentes treinadores. Nesse sentido, o atleta tornar-se-ia numa das figuras das várias conquistas da agremiação e como principal destaque podem ser citadas as vitórias no Campeonato Pernambucano de 1986, 1987 e 1993.
Apesar do Santa Cruz ter sido o emblema mais representativo da metade inicial da carreira de Sérgio China, o médio, ainda a disputar as provas brasileiras, vestiria também outras camisolas. A primeira colectividade a romper a longa ligação à colectividade “tricolor”, seria o Internacional. Contudo, a passagem por Porto Alegre, para além de curta, acabaria igualmente discreta. Já a experiência no ABC seria bastante mais prolífera e a vitória na edição de 1993 do Campeonato Potiguar serviria de rampa ao centrocampista.
Na proximidade da conquista referida no parágrafo anterior, viria a primeira experiência de Sérgio China na Europa. Contratado pela União de Leira para a temporada de 1993/94, a chegada do médio a Portugal coincidiria com o emblema da “Cidade do Lis” a disputar a divisão de Honra. Apesar de não ser um dos titulares indiscutíveis da equipa, o jogador, como um dos elementos mais utilizados do plantel, acabaria por ser de vital importância para a colectividade beirã na subida de divisão. Curiosamente, o passo seguinte da sua carreira levá-lo-ia de volta ao Brasil, inicialmente para um regresso ao Santa Cruz e posteriormente para envergar as cores do Bahia.
O Rio Ave entraria na caminhada do atleta, mais uma vez na disputa do segundo escalão português, na temporada de 1995/96. Tal como da passagem anterior pelas provas lusas, Sérgio China ajudaria o seu clube à subida de divisão. Todavia, ao contrário da época em Leiria, o médio, desde cedo, conseguiria afirmar-se como um dos pilares do “onze” vilacondense. A mesma importância manter-se-ia durante a sua campanha de estreia na 1ª divisão e também nas subsequentes. Tal preponderância levá-lo-ia a acumular muitas presenças no escalão máximo e as 125 partidas disputadas empurrá-lo-iam para a história da agremiação nortenha.
Após cumprir 5 épocas com a camisola do Rio Ave e depois de um interregno no trajecto competitivo, o médio, já ao serviço dos brasileiros do Confiança decidiria, de uma vez por todas, ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. No entanto, apesar de retirado dos relvados, o antigo futebolista não abandonaria a modalidade. Como treinador, após várias ´temporadas ligado às “escolas” do Náutico, Sérgio China encetaria a caminhada como técnico-principal. Nessas funções, com a anuência dada a vários convites, a sua carreira tem sido caracterizada por alguma errância.