406 - JOSÉ EDUARDO

Ao começar a prática desportiva no atletismo do Sporting, José Eduardo, como futebolista, só regressaria ao emblema leonino anos mais tarde. Nesse sentido, seria nos escalões de formação do Domingos Sávio, popular agremiação do bairro de Campo de Ourique, que o defesa viria a revelar-se. Fá-lo-ia de tal maneira convincente que o Atlético apostaria na sua contratação ainda para integrar as “escolas” do clube. Já após a subida aos seniores na temporada de 1973/74, seria também no emblema de Alcântara que, em 1974/75, o jogador daria a conhecer as suas qualidades ao escalão maior do futebol luso.
Dois anos após a estreia na 1ª divisão, o raçudo lateral-direito decidiria mudar de rumo e, ao acompanhar Seidi, trocaria a colectividade lisboeta pelo Sul do país. Num Portimonense, em 1976/77, a cumprir a estreia no patamar máximo, José Eduardo seria treinado inicialmente por Mário Nunes para, depois da saída deste, passar a trabalhar sob a alçada do "magriço" José Augusto. Apesar de participar num momento histórico para a colectividade do Barlavento, a ligação do defesa ao clube duraria apenas 2 épocas, ao fim das quais, e com a despromoção dos algarvios, o jogador mudaria mais uma vez de rumo.
No Norte de Portugal, a decisão de José Eduardo em trocar de camisola confirmar-se-ia como a mais acertada. Nessa temporada de 1978/79, a envergar as cores do Famalicão, a época correria de feição para o atleta, consagrando-se, à custa das suas exibições, como um dos homens mais interessantes a jogar na sua posição. Tal avaliação levá-lo-ia a assinar pelo Sporting. No entanto, conta-se que a sua contratação não terá sido a mais consensual, não por via das prestações desportivas, mas pelo incidente ocorrido num lance antigo, disputado de forma mais dura com Jordão e que resultaria numa grave lesão para o avançado leonino.
Em Alvalade a partir da temporada de 1979/80, mesmo sem conseguir afirmar-se como um dos indiscutíveis no "onze" do Sporting, o defesa, por razão dos títulos alcançados e pela presença nas competições sob a alçada organizativa da UEFA, acabaria a viver os melhores anos da carreira. Tendo, logo na campanha de chegada, ajudado à vitória no Campeonato Nacional, nos 4 anos de “Leão” ao peito, o jogador ainda acrescentaria ao currículo pessoal a “dobradinha” de 1981/82 e, na derradeira época a envergar o “verde e branco”, a conquista da edição de 1982/83 da Supertaça.
Seguir-se-ia à saída do emblema “alfacinha”, a entrada no plantel de 1983/84 do Penafiel. Surpreendentemente, o final da temporada referida no início deste parágrafo representaria para o defesa, com apenas 29 anos de idade, o termo da sua caminhada enquanto futebolista. No entanto, o que poderia ter sido o fim da sua ligação à modalidade, tornar-se-ia apenas numa transição para novas funções e outros episódios relevantes. Um desses momentos emergiria do badalado “Caso Saltillo”, no qual, como Presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, estaria na “linha da frente” da defesa dos antigos colegas. Outro capítulo interessante vivê-lo-ia como um dos impulsionadores do futsal português. Na função de seleccionador nacional, chegaria a vencer o Europeu (não oficial) da modalidade e, de volta ao Sporting, venceria a Taça Nacional de 1990/91, prova percursora do Campeonato Nacional.
Fora do desporto, José Eduardo tem investido na restauração e, em paralelo com as actividades no ramo hoteleiro, tem tido as suas aparições como comentador televisivo, de que são exemplo as suas recentes presenças em programas da CMTV e d’ A Bola TV.

405 - CHAÍNHO

Com os pontapés iniciais dados nas “escolas” do Carcavelos, seria o fim da formação feita no Casa Pia, onde partilharia o balneário com Calado e Rui Borges, que permitiria a Chaínho, inserido no plantel de 1992/93 do emblema de Pina Manique, subir ao escalão sénior. No entanto, o primeiro grande salto da sua carreira ocorreria 2 anos após essa promoção, aquando da sua contratação pelo Estrela da Amadora. A transição da 3ª divisão directamente para o patamar máximo do futebol nacional, revelar-se-ia tranquila e com o médio a conseguir confirmar as qualidades que o destacavam nos "Gansos".
Médio trabalhador, de físico portentoso, Chaínho, ao nunca virar as costas à luta, facilmente conquistaria um lugar na equipa titular “tricolor” e, acima de tudo, ganharia a confiança dos treinadores sob a batuta dos quais ia trabalhando. A meia da quarta época a jogar pelo Estrela da Amadora, já cotado como um dos melhores intérpretes das provas lusas, o médio assinaria um contrato pelo FC Porto, à altura ainda orientado por António Oliveira. Curiosamente, a sua saída do estádio José Gomes em direcção às Antas, coincidiria com a mudança de Fernando Santos do Estrela da Amadora para os “Azuis e Brancos”. Com a chegada à “Cidade Invicta” a acontecer ao lado daquele que o médio viria a considerar o melhor treinador na sua carreira, Chaínho, na temporada de 1998/99, integrar-se-ia no grupo que viria a selar, pelos "Dragões", o ciclo de cinco vitórias consecutivas no Campeonato Nacional, o inolvidável “Penta”. As restantes épocas passadas nos “Azuis e Brancos”, três no total, serviriam, para além dos troféus conquistados – 1 Campeonato; 2 Taças de Portugal; 1 Supertaça –, para vincar o atleta como um dos nomes mais valiosos a jogar no nosso país. O reflexo dessa avaliação emergiria com a aposta do Zaragoza na sua contratação. Contudo a passagem por Espanha, consequência da descida do clube aragonês ao segundo escalão, seria curta, com o centrocampista, no fim dessa temporada de 2001/02 a procurar outras paragens.
No encalço de Fernando Santos, o destino levá-lo-ia a Atenas, para envergar a camisola do Panathinaikos de 2002/03. Com a saída do técnico português da intendência do emblema helénico, o médio ainda conseguiria recuperar a titularidade, mas a morte súbita da mãe fá-lo-ia, passados alguns tempos sobre o trágico acontecimento familiar, decidir-se pelo regresso a Portugal. No Funchal a partir da campanha de 2003/04, primeiro em duas épocas ao serviço do Marítimo e depois, igualmente num par de anos, a defender as cores do Nacional da Madeira, o médio voltaria a recuperar o estatuto de peça fulcral das suas equipas. Seria por essa altura, com o aproximar do Mundial de 2006, que surgiria o convite para representar a selecção de Angola, país onde tinha nascido. Contudo, tendo já sido internacional sub-21 por Portugal, Chaínho, por razão de não cumprir os pressupostos exigidos pela FIFA, veria o organismo a negar-lhe o intuito de vestir a camisola dos "Palancas Negros" nesse grande certame desportivo, realizado na Alemanha.
Daí em diante, poucos mais seriam os anos durante os quais Chaínho praticaria futebol. Após as passagens pelos cipriotas do Alki Lanarca e pelos iranianos do Shahin Bushehr, o médio, com o termo da campanha de 2008/09, decidiria pôr fim à carreira como desportista profissional. Desde então, a sua rotina diária, sempre perto do futebol, tem sido feita de várias valências. Assim, para além de estar à frente de uma Dragon Force, reconhecida “escolinha” do FC Porto, o antigo jogador, ao assumir-se como comentador, tem dado uma perninha nos canais desportivos nacionais, para o caso, Sportv e A Bola TV. Contudo, a saudade dos balneários empurrá-lo-ia de volta às chuteiras e para que quem quis ver o futebolista conhecido pela frase “Posso não ser o melhor jogador português, mas sou o jogador com os lábios mais giros”*, foi só assistir às disputas dos Biqueiras d´Aço.

*retirado do artigo de Vítor Hugo Alvarenga, publicado a 12/05/2009, em https://maisfutebol.iol.pt

404 - DIOGO LUÍS

A boa temporada pela equipa “B”, a juntar à falta de soluções credíveis dentro do plantel "encarnado" – a saber, Rojas e Escalona – levaria José Mourinho a convocá-lo para junto da equipa principal. Tal como o referido treinador, hoje um dos mais conceituados técnicos mundiais, Diogo Luís, à altura, procurava também demonstrar o seu valor futebolístico. A oportunidade e o voto de confiança dado pelo técnico do Benfica permitiriam que o lateral-esquerdo, nessa época de 2000/01, conseguisse tomar conta da posição canhota da defesa. Nessa campanha, o jogador de 20 anos, entre o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal, acabaria a participar em 25 partidas e veria o seu nome a ser exaltado pelo Presidente João Vale e Azevedo como um dos activos futuros mais valiosos do clube.
Infelizmente para o atleta, ao mesmo tempo que muitos aguardavam pela sua evolução, o defesa, logo na campanha a seguir à sua estreia na equipa principal das “Águias”, começaria a eclipsar-se. Apesar da estranheza dessa perda de fulgor, alguns factores viriam a contribuir para o seu afastamento do “onze”. Por um lado, a lesão sofrida por essa altura em nada contribuiria para a afirmação do lateral-esquerdo. Por outro, a sua juventude faria com que, mais facilmente, a ele fossem apontados os erros a imputar ao colectivo. Já no que diz respeito aos colegas a disputar o mesmo lugar, Cabral e Pesaresi, os seus nomes pouco serviriam como justificação para o desaire competitivo a afectar, na primeira metade da época de 2001/02, as aferições feitas aos desempenhos de Diogo Luís.
Sem espaço no Benfica, a meio da sua segunda temporada na categoria principal da "Luz", o atleta acabaria emprestado ao Alverca. A ida para o emblema ribatejano, teria como principal propósito tentar convencer o treinador Jesualdo Ferreira, entretanto à frente das “Águias”, que o lugar de Diogo Luís era de volta ao emblema onde tinha terminado a formação. Tal nunca viria a acontecer e aquele que havia sido visto como uma das maiores promessas do Benfica acabaria, em 2002/03, por assinar contrato com o Beira-Mar.
A partir desse momento a carreira de Diogo Luís tomaria um rumo discreto que, após a modesta passagem por Aveiro, levaria o defesa a vogar pelas divisões secundárias dos nossos campeonatos - " Tive uma carreira boa, bons momentos, mas claro que podia ter ido mais longe. Se calhar, foi por demérito meu"*. Depois das passagens pela Naval 1º de Maio, Estoril Praia e do regresso ao Beira-Mar, o jogador ainda voltaria à 1ª divisão. O convite surgiria vindo do Leixões, mas a falta de adaptação ao novo projecto faria com que, na reabertura do mercado de 2008/09, o atleta rumasse àquela que viria a tornar-se na única aventura no estrangeiro.
Com o termo da passagem de alguns meses pelos cipriotas do Apollon Limassol, Diogo Luís, surpreendentemente, decidir-se-ia pelo fim da caminhada enquanto desportista de alta competição - "Terminei cedo, ainda com 28 anos. Tinha convites da II Liga mas achei que era a altura certa para investir na nova carreira"*. Esse novo objectivo de vida, resultado do curso de Economia tirado na Universidade Nova de Lisboa, levá-lo-ia a abraçar as funções de "Personal Financial Advisor". Ainda assim, apesar de afastado alguns anos, Diogo Luís nunca deixaria de estar atento à modalidade. De regresso ao futebol – talvez seja um pouco exagerado considerar este retorno como tal –, o antigo defesa é, hoje em dia, comentador d’ A Bola TV.

*retirado do artigo de Vítor Hugo Alvarenga, publicado a 29/06/2013, em https://maisfutebol.iol.pt

COMENTADORES

Com o final da carreira de futebolista, há alguns que decidem abandonar, de vez, o "mundo" da bola. Outros, por seu lado, não conseguem afastar-se e quedar-se como meros espectadores daquela que foi sempre a sua grande paixão. E como aquele rácio de onze jogadores para um treinador, nem sempre dá espaço nos bancos a todas as antigas estrelas da bola, a pergunta que se levanta é: "Como hei-de manter-me debaixo das luzes da ribalta?". A resposta não podia ser mais óbvia - "Debaixo dos focos de um qualquer estúdio de televisão!".
Por essa razão, durante o mês de Outubro, toda a nossa atenção será despendida para escutarmos os nossos "Comentadores".

403 - JORGE SILVA

Seria como produto das camadas jovens do FC Porto que Jorge Silva emergiria na equipa principal dos "Azuis e Brancos". No entanto, nessa temporada de 1990/91, a presença de Vítor Baía e de Padrão remeteriam o inexperiente guarda-redes para a condição de terceira escolha. Em abono da verdade, as oportunidades que o guardião teria no clube, mesmo nas campanhas vindouras, seriam praticamente nulas. Como resultado da pouca utilização, o empréstimo ao Rio Ave surgiria como a solução certa para fazer o atleta ganhar algum traquejo. Nesse sentido, as épocas seguintes cumpri-las-ia numa alternância entre o emblema de Vila do Conde e o Estádio das Antas. Ainda assim, conseguiria surgir de “dragão” ao peito, o que aconteceria na 33ª e penúltima jornada de 1995/96. A referida temporada, ao registar-se a onda de lesões e castigos a fustigarem os homens das balizas portistas, daria ao jogador a oportunidade de entrar em campo e os poucos minutos frente ao Estrela da Amadora conferir-lhe-iam o direito de receber a faixa de campeão nacional.
Apesar do título conquistado, os anos subsequentes da sua carreira acabariam por acontecer também na "Cidade Invicta", mas longe das Antas. No Salgueiros passaria os 5 anos seguintes, conquistaria a titularidade e a notoriedade suficientes para, a propósito de uma partida de preparação incluída na campanha de apuramento para o Mundial de 2002, ser chamado, por António Oliveira, aos trabalhos da selecção nacional. Nesse jogo de cariz particular, disputado a 15 de Novembro de 2000 frente à congénere de Israel, Jorge Silva, ao substituir Quim já nos momentos finais do encontro, alcançaria, depois de também ter representado os sub-18 e os sub-21 lusos, a sua primeira e única internacionalização pela equipa principal portuguesa.
Depois dos anos passados no bairro de Paranhos, a aposta do guardião, passaria por uma mudança de ares. Essa decisão levá-lo-ia até ao Arquipélago dos Açores, onde, a partir de 2001/02, vestiria a camisola do Santa Clara. No entanto, com a presença dos micaelenses na edição de 2003/04 da divisão de Honra, a carreira de Jorge Silva afastar-se-ia, de vez, do trajecto primodivisionário. Seguir-se-ia, num regresso ao Norte do país, um percurso mais errante e que levaria o guarda-redes a vogar entre vários emblemas, nomeadamente os Dragões Sandinenses, Paredes, Trofense e Vila Meã, para, depois de representar a UD Oliveirense, decidir, com o termo da campanha de 2009/10, pôr um termo à sua vida como futebolista.
Com o fim da sua etapa como praticante, uma nova senda começaria para Jorge Silva no futebol. Na UD Oliveirense, onde tinha "pendurado as luvas", entregar-se-ia às funções de treinador-adjunto, responsável pela preparação dos guarda-redes. Seriam essas tarefas que o fariam, ao assinar pelo Gil Vicente e ao acompanhar João de Deus na viagem, voltar, nesta temporada de 2013/14, aos palcos principais do desporto português.

402 - PIETRA

Começaria no Belenenses a carreira de um dos mais brilhantes laterais do futebol português. Rápido, com capacidade para correr com a bola controlada, mas sempre de olhos postos no companheiro a quem passar o esférico, Minervino Pietra depressa ganharia o merecido destaque no Restelo. Com tamanhas qualidades, poucos ficariam admirados que, com apenas 19 anos de idade e a jogar pelos da “Cruz de Cristo”, o defesa fosse chamado à estreia na selecção A. O encontro, marcado para o Estádio de Alvalade, numa jornada a contar para a Fase de Qualificação do Mundial de 1974, haveria de opor as congéneres de Portugal e da Irlanda do Norte. Todavia, com o dia 14 de Novembro de 1973 a marcar a sua estreia com a principal “camisola das quinas”, outras datas surgiriam em que teria a oportunidade de continuar a representar o seu país. Curiosamente, seria à custa do equipamento luso que também viveria um dos maiores dissabores enquanto futebolista. Após participar no apuramento para o Euro 84 e quando a maioria já contava com o seu nome no grupo arrolado para a disputa do torneio organizado em França, o comité técnico, composto por Toni, José Augusto, Fernando Cabrita e António Morais, decidir-se-ia por outros dois atletas e, como resultado de tal opção, Pietra ver-se-ia ultrapassado por João Pinto e por Veloso.
Obviamente, a carreira do defesa não ficaria resumida ao episódio mencionado no final do parágrafo anterior. Voltando ao seu trajecto clubístico, seria no Verão de 1976, com a chegada ao Benfica de John Mortimore, que Pietra, contratado ao Belenenses, acabaria apresentado como um dos reforços das “Águias”. Sendo ambidestro, formaria, com o já aludido António Veloso, uma das melhores duplas de laterais a actuar nas provas portuguesas. A sua segurança defensiva, como a acutilância dada às ofensivas da equipa, somariam qualidade a um plantel recheado de praticantes com inquestionáveis predicados. A valia desse grupo de trabalho resultaria numa invejável lista de troféus conquistados entre 1976/77 e 1985/86, ou seja, no período em que o jogador vestiria de encarnado. No entanto, para além da conquista de 4 Campeonatos Nacionais, 5 Taças de Portugal e 2 Supertaças, ao currículo do atleta faltaria a Taça UEFA de 1982/83, perdida na final frente ao Anderlecht.
Depois de terminada a carreira nos relvados, Pietra escolheria a vida de técnico. Com passagens por diversas agremiações e escalões, onde, com escassas excepções, desempenharia essencialmente a tarefa de treinador-adjunto, o antigo internacional português é hoje em dia um dos braços-direitos de Jorge Jesus no Benfica e, acima de tudo, um dos homens mais respeitados tanto no seio do clube, como pelos adeptos da colectividade lisboeta.

401 - NUNO CAMPOS

Formado no Belenenses, a sua carreira como sénior começaria na temporada de 1993/94, com passagens por Fanhões e Olivais e Moscavide. Já como jogador do Atlético, para onde entraria em 1996/97, veria uma das figuras emblemáticas do desporto português a reparar no seu trabalho. João Alves, depois de, com a campanha de 1997/98 em andamento, substituir Bernardino Pedroto no comando técnico do Campomaiorense, chamaria o atleta para dar o salto desde a 2ª divisão B até ao escalão máximo do futebol luso. No Alentejo, Nuno Campos haveria de mostrar, aos que tinham apontado a sua baixa estatura como um entrave ao cimentar de uma carreira de gabarito, que a chave do sucesso estava na maneira esforçada como encarava os jogos. Um dos reflexos dessa entrega acabaria por ser a sua adaptabilidade às mais diferentes posições de campo, fazendo com que apenas não tivesse experimentado os lugares de ponta-de-lança e de guarda-redes.
A trabalhar com os “Galgos”, o defesa ajudaria a redigir aquela que ficaria registada como a página mais épica da história da agremiação, ou seja, a chegada à final da Taça de Portugal de 1998/99. No Jamor, arrolado pela mão do treinador José Pereira, Nuno Campos entraria no “onze” inicial. Porém, seria o Beira-Mar, com o “placard” fechado em 1-0, a conseguir a almejada vitória e, nesse sentido, o troféu fugiria aos alentejanos e partiria em direcção à cidade de Aveiro.
Com o final do contrato a ligá-lo ao Campomaiorense, muito começaria a especular-se sobre o seu futuro, com o destino do atleta a ser ligado ao primodivisionário espanhol Alavés. No entanto, o passo dado levá-lo-ia para perto de alguém conhecido, com o defesa a começar a época de 1999/00 sob a intendência de João Alves. Como membro do Farense, Nuno Campos jogaria 3 temporadas. Pelo meio, a curta passagem de 1 campanha ao serviço do Vitória Futebol Clube, onde viria a ser pouco utilizado. Já o regresso ao Algarve para a temporada de 2002/03, apanharia o clube mergulhado na crise financeira que haveria de empurrar a agremiação para os distritais. Surpreendentemente, também a carreira do defesa caminhava abruptamente para o fim e após as passagens pelo União da Madeira e pelo Amora, o jogador, com o termo da campanha de 2004/05 e com apenas 30 anos de idade, decidiria “pendurar as chuteiras”.
Já a sua carreira de treinador, feita como adjunto de uma das boas surpresas do futebol luso, começaria imediatamente a seguir. Apesar de curta, a verdade é que essa caminhada tem tido algumas histórias interessantes para contar. Por exemplo, diz-se que, aquando da ligação de Paulo Fonseca ao Desportivo das Aves, o clube não tinha dinheiro para contratar outros elementos para a equipa técnica. Foi então que o jovem “timoneiro”, sem dispensar a ajuda do amigo, decidiria dividir o seu salário, custeando assim a contratação de Nuno Campos. Hoje em dia, depois de conseguirem a brilhante qualificação do Paços Ferreira para a "Champions", estão ambos ao "leme" dessa grande nau que é o FC Porto.

400 - CARLOS JORGE

Tendo representado o Barreirense do Funchal, Carlos Jorge, bem perto do final do trajecto formativo, vê o Marítimo a decidir-se pela sua contratação. Após dois anos nas camadas jovens dos "Verde-rubro", o defesa de 18 anos de idade, na preparação da época de 1985/86, é então chamado aos trabalhos da equipa principal. No entanto, as primeiras campanhas como sénior, numa realidade bem diferente da vivida nas “escolas” futebolísticas, revelaram ao jovem atleta as dificuldades inerentes ao passo dado. Com o jogador a ser pouco utilizado, a solução passou por um empréstimo e o União da Madeira, a disputar a 2ª divisão de 1987/88, transformou-se no seu destino.
No regresso, integrado no plantel do Marítimo de 1988/89, Carlos Jorge emergiu como um atleta completamente diferente. Como perspectivado pelos responsáveis técnicos, o defesa começou a afirmar-se no eixo do sector mais recuado, tornando-se num verdadeiro esteio do conjunto insular. Com o notório crescimento, o jogador passou a destacar-se pela maneira como conseguia impor-se perante os avançados contrários. Ao utilizar as suas melhores qualidades, ou seja, o físico poderoso e um jogo de cabeça bem acima da média, depressa veio a ser aferido como um dos melhores, nas provas nacionais, a actuar na sua posição e, por essa razão, o alvo da cobiça de emblemas de outra monta.
Baseado numa boa avaliação, o Sporting, à procura de colmatar as saídas dos habituais titulares, Venâncio e Luisinho, decide apostar, para a época de 1992/93, na sua contratação. Com Sir Bobby Robson à frente do conjunto a jogar em casa no Estádio de Alvalade, a construção e preparação da equipa leonina depressa apontou para o ataque ao título e o madeirense, como um peão desse objectivo, começa o Campeonato Nacional como um dos titulares do Sporting. Contudo, apesar do arranque auspicioso, o atleta, depois de algumas rondas, viu-se ultrapassado pelos colegas de posição e veio a ser relegado à condição de suplente. Sem nunca conseguir afirmar-se com um dos indiscutíveis, o jogador, após disputar e perder a finalíssima da Taça de Portugal de 1993/94, decide-se pelo regresso à Madeira. De volta ao Marítimo, com a sina de estar sempre do lado errado da contenda, repete a derrota do ano anterior e vê o almejado troféu da “Prova Rainha” a sair do Jamor na posse da sua antiga equipa.
Apesar do desaire vivido no Estádio Nacional, a sua afirmação no Marítimo tornou-se em algo muito sólido. O defesa, tido como uma das figuras históricas dentro do plantel, viu a dedicação reconhecida e não demorou muito para que a braçadeira de capitão encontrasse no seu braço o poiso ideal. Com a grandeza associada à sua carreira de 15 anos como sénior, Carlos Jorge, depois de retirado das lides de jogador no final da campanha de 2000/01, manteve-se como um apaixonado pelos “Leões do Almirante Reis” e foi essa fidelidade a levá-lo, entre a equipa principal e o conjunto “b”, a abraçar as funções de treinador-adjunto.

399 - FERNANDO COUTO


Se muitos da chamada "Geração de Ouro" comemoraram o primeiro grande título num dos Mundiais de sub-20 ganhos por Portugal, Fernando Couto, por altura do torneio disputado em 1989 na Arábia Saudita, já contava no currículo com a vitória no Campeonato Nacional de 1987/88. Com o referido troféu interno a assinalar o começo de uma grande carreira, o defesa, à altura, era ainda um praticante com pouca experiência no escalão sénior. Como é norma nesses casos, a solução passou pelo empréstimo a outras equipas, cedências a levá-lo, respectivamente em 1988/89 e 1989/90, às camisolas do Famalicão e da Académica de Coimbra.
Apesar das passagens pelos escalões inferiores do futebol luso, cedo ficou perceptível que o lugar de Fernando Couto era junto aos “grandes” da modalidade. A garra com que entrava em campo, a paixão mostrada em cada disputa de bola, mas, sobretudo, as qualidades posicionais e de entendimento das suas funções dentro do jogo, faziam dele um verdadeiro predestinado. Nesse sentido, os excelentes desempenhos conseguidos durante os empréstimos levaram-no, meritoriamente, de volta ao antigo Estádio das Antas. Com o regresso a acontecer na temporada de 1990/91, o jogador rapidamente conquistou um lugar junto dos titulares e, com a frequência das chamadas ao “onze”, para além das conquistas de títulos, o defesa-central continuou a ganhar experiência competitiva. Porém, apesar do acréscimo de jogos disputados, por norma, significar o contrário, o defesa teimava em manter uma fogosidade bastante particular e, digamos, um pouco excessiva. Essa impetuosidade acabou a pô-lo numa situação bastante constrangedora. Numa jornada a opor o Benfica ao FC Porto, Carlos Mozer, um enorme “rato” da modalidade, ao reconhecer no portista alguma imaturidade, provocou-o até à exaustão. Foi então que o atleta "azul e branco", mais do que saturado, respondeu com uma cotovelada. Para o jovem atleta, o acto irreflectido teve resultados bem piores do que os esperados e muito para além da expulsão e de ter passado, por ordem de Bobby Robson, a treinar à parte do restante plantel dos “Dragões”, Fernando Couto teve ainda de lidar com a sua consciência – "O dia mais difícil foi a segunda-feira a seguir ao jogo. Foi muito mau. Dormi mal, não saí de casa, desliguei os telefones, não vi televisão, não comprei jornais, acho que foi dos piores dias da minha vida. (...) tenho a perfeita consciência do que se passou; sei o que fiz, mas não quero que me associem ao comportamento que tive naquele momento. Foi um incidente, um caso pontual, algo que aconteceu no momento e pronto"*.
No final dessa época de 1993/94, tal como perspectivado, Fernando Couto começou a ser cobiçado por outros emblemas. Com 3 Campeonatos Nacionais e 2 Taças de Portugal a abrilhantar-lhe o currículo, o jogador rumou a Itália. Em dois anos de Parma, também pela conquista da Taça UEFA de 1994/95, o atleta conseguiu efectivar-se como um central do mais alto gabarito europeu. Foi esse mérito, dois anos volvidos sobre a chegada ao “Calcio”, a levá-lo a embarcar numa nova aventura. Com Bobby Robson ao leme do FC Barcelona, da Catalunha chegou o convite para o internacional português. Não se sabe o quanto ponderou na decisão tomada, mas o contrato que veio a assinar na temporada de 1996/97 catapultou-o para mais uma série de vitórias, das quais 1 La Liga, 2 Copas del Rey, a Taça dos Vencedores das Taças de 1996/97 e a Supertaça da UEFA da campanha seguinte.
Por mais incrível que pareça, a chegada de Louis van Gaal ao comando técnico dos "Blaugrana", acabou a empurrar Fernando Couto para a condição de segunda escolha. A decisão do holandês fez com que o jogador decidisse voltar ao "Calcio". Com isso, embarcou naquele que veio a ser o maior período de tempo a envergar a mesma camisola. Mas muito para além desse curioso facto, a escolha da Lazio confirmou-se como muito acertada, com os "Romanos" a regressarem ao topo do futebol italiano e também do "Velho Continente". A prova chegou com a conquista do "Scudetto" de 1999/00 e com a vitória na Taça dos Vencedores das Taças de 1998/99.
A acompanhar todo o sucesso a nível clubístico, esteve também o seu percurso com a selecção nacional e as presenças nas fases finais das principais competições, nomeadamente a chamada a 3 Europeus e a 1 Mundial. Outra marca de Fernando Couto com a "camisola das quinas" foi o número de internacionalizações “A” conseguidas, fazendo do defesa um dos “centenários” do conjunto luso, com um acumular de 110 jogos cumpridos por Portugal.
Todavia, “não há bela sem senão” e a carreira de Fernando Couto ainda conheceu outra polémica quando, em 2001, veio a ser apanhado num caso de doping. Após cumprir um castigo de 9 meses, o jogador continuou a representar a Lazio até ao termo da campanha de 2004/05. Seguiram-se 3 épocas no Parma e o fim da caminhada competitiva, já bem perto de completar 40 anos de idade.
Hoje, depois da experiência como director-desportivo do Sporting de Braga e de uma curta passagem, como treinador, pela Índia, Fernando Couto é um dos adjuntos de Jesualdo Ferreira, na equipa técnica dos "Guerreiros do Minho".

*retirado da entrevista de Rui Dias e Sérgio Alves, publicada em "A Bola Magazine nº82", em Março de 1994

398 - BASÍLIO

Nascido e criado na "Cidade Berço", seria ao serviço do Vitória Sport Clube que Basílio Marques começaria na prática do futebol. Nos primeiros passos desse trajecto, depois de terminar a formação com as cores dos “Conquistadores”, o defesa acabaria emprestado à AD Fafe e ao Lixa, respectivamente nas temporadas de 1984/85 e 1985/86. De seguida, fruto do bom trabalho apresentado nos dois anos anteriores, viria a sua integração no plantel principal da aludida colectividade vimaranense, orientada inicialmente pelo treinador brasileiro René Simões.
Numa temporada atribulada para o emblema sediado em Guimarães, onde, nessa campanha de 1986/87, outros dois nomes ainda passariam pelo comando técnico da equipa, a vida do jogador desenrolar-se-ia com a dificuldade habitual para um jovem. Sem grande espaço para ganhar o lugar no lado esquerdo da defesa, onde Carvalho surgiria uma grande forma, Basílio lograria de poucas oportunidades. Por coincidência, faria a sua estreia no Campeonato Nacional, ainda por cima a titular, na jornada inaugural da prova. Nessa ronda, frente aos eternos rivais do Sporting de Braga, num “derby” sempre escaldante, os de branco sairiam vencedores. No entanto, o triunfo pouco contribuiria para a afirmação do atleta e o resto da sua temporada traduzir-se-ia por números muito discretos.
Com uma vontade inata para vencer, aliada a uma boa capacidade de abnegação, Basílio manteria os seus níveis anímicos elevados. Outra ajuda preciosa viria da presença de uma cara bem conhecida da sua vida e a partilhar consigo o balneário. Três anos mais velho, o irmão Miguel era já um frequentador assíduo do "onze” vimaranense. Igualmente defesa, mas com a habilidade a empurrá-lo para o eixo do sector mais recuado, a sua impetuosidade ainda traria alguns dissabores ao lateral-esquerdo – "Lembro-me que uma vez, estávamos a jogar um torneio na Póvoa, e num lançamento lateral ele deu-me uma cabeçada e eu fiquei aí um mês e meio sem jogar"*.
Curiosidades à parte, a carreira de Basílio haveria de tomar o rumo normal de um jogador bem alicerçado e, com o avançar dos anos, igualmente bem cotado no futebol português. Nesse sentido, a titularidade, com uma ou outra intermitência, surgiria de forma bastante natural e regular. Tal constatação proporcionar-lhe-ia ser um dos escolhidos que, em 1988, ajudaria a levantar o primeiro troféu oficial do Vitória Sport Clube, a Supertaça Cândido de Oliveira. A referida conquista, aliada às 11 temporadas a vestir a camisola branca do clube minhoto conferir-lhe-ia um estatuto especial entre a exigente massa adepta. Por essa razão, poucos haveriam de estranhar que, passados alguns anos sobre a sua estreia sénior, a Basílio fosse entregue a responsabilidade de envergar a braçadeira de capitão.
A sua ligação com o Vitória Sport Clube terminaria, após ter perdido o estatuto de indiscutível, no defeso estival de 1997. De partida para o Alentejo, onde representaria o Campomaiorense, Basílio começaria a avançar para o fim da carreira. Como futebolista profissional ainda vestiria, em 1999/00, a camisola do Famalicão e então decidir-se-ia a "pendurar das chuteiras". Contudo, sem nunca perder a paixão pela modalidade, Basílio voltaria a ligar-se ao clube do coração. Como treinador, habitualmente no papel de adjunto, o antigo defesa é um dos ajudantes de Manuel Machado e depois dos anos passados no Estádio D. Afonso Henriques, trabalha agora no corpo técnico da equipa principal do Nacional da Madeira.


* retirado do artigo de Luís Pedro Ferreira, publicado a 11/06/2013, em https://maisfutebol,iol.pt.