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1803 - FIGUEIREDO

Natural de Sátão, distrito de Viseu, seria no futebol gaulês que Pedro Martins de Figueiredo teria a primeira oportunidade no universo competitivo dos seniores. Integrado no conjunto principal do Lille, o defesa-central, nessa temporada de 1986/87, começaria por ser orientado pelo belga Georges Heylens. No entanto, apesar de ver reconhecidas as suas qualidades futebolísticas, o jogador, num plantel fortemente enriquecido por vários internacionais, casos de Lacombe, Desmet, Bernard Lama, Vandenbergh, Angloma ou Abedi Pelé, poucas oportunidades conseguiria alcançar. Nesse sentido, após 3 campanhas na Ligue 1, anos em que a escassez de presenças em campo seria a regra, o atleta decidir-se-ia pela mudança de rumo e o regresso a Portugal acabaria por ser a solução encontrada para a sua carreira.
Contratado pelo Vitória Futebol Clube como reforço para a temporada de 1989/90, Figueiredo, inicialmente sob a batuta de Manuel Fernandes, depressa viria a constituir-se como uma das principais figuras do plantel dos “Sadinos”. Daí em diante, mesmo com a concorrência de grandes praticantes do futebol luso, como são exemplo Dito, Sobrinho, Jorge Ferreira ou Quim, a sua preponderância no desenho táctico dos diferentes treinadores em pouco mudaria. Por outro lado, no que respeita aos desempenhos colectivos, a sua segunda temporada a jogar em casa no Estádio do Bonfim haveria de culminar com uma descida de divisão. A aludida despromoção faria com que o jogador, pela primeira vez na caminhada competitiva, tivesse de enfrentar as condicionantes do escalão secundário. Ainda assim, ao manter-se como um dos homens mais utilizados no seio da equipa sediada em Setúbal, o defesa-central, juntamente com os colegas de balneário e corridas um par de épocas sobre o desaire desportivo, voltaria a apresentar-se aos palcos principais.
Mesmo ao fazer a quase totalidade do trajecto profissional a exibir-se nas pelejas primodivisionárias, a verdade é que Figueiredo teria de voltar a experimentar, em concreto no decorrer das provas programadas para a campanha de 1995/96, a divisão de Honra. No entanto, essa situação, como a anteriormente veiculada, seriam as excepções a confirmar a regra. Norma igualmente a relatar-nos as vicissitudes de uma caminhada preenchida por uma década consecutiva ao serviço do Vitória Futebol Clube e na qual arrecadaria para o currículo 7 épocas a disputar o patamar máximo.
Concluído o laço ao histórico emblema setubalense, Figueiredo, com o treinador Manuel Fernandes a tornar-se, mais uma vez, numa importante parcela no formular da equação, ainda rubricaria uma ligação aos açorianos do Santa Clara. Todavia, essa temporada de 1999/00 tornar-se-ia num terrível amargo de boca para o defesa-central. Uma pavorosa lesão acabaria por pôr em causa a continuidade da sua senda desportiva e o atleta, em Novembro de 1999 e sem disputar qualquer partida pela colectividade insular, acabaria por rescindir o contrato laboral a ligá-lo à agremiação fundada em Ponta Delgada. De seguida, tendo em conta a gravidade das mazelas sofridas e a impossibilidade de dar seguimento ao seu trajecto competitivo, viria a decisão de, com 32 anos de idade, “pendurar as chuteiras”.

1783 - DJUKIC

Concluída a formação no FK Partizan e depois de ter cumprido o Serviço Militar Obrigatório, Milonja Djukic teria, no decorrer da temporada de 1984/85, o arranque das actividades com a equipa principal do emblema sediado em Belgrado. Ao ser também um dos nomes habituais nas convocatórias das jovens selecções do seu país, os golos que concretizaria logo nas primeiras aparições como sénior serviriam, ainda mais, para sublinhá-lo como uma das grandes promessas da colectividade fundada na capital da antiga Jugoslávia. Todavia, a verdade é que as boas exibições, e até a titularidade conquistada, não teriam grande correspondência no resto da aludida campanha e o fulgor inicial perder-se-ia um pouco.
A campanha seguinte teria a curiosidade de levar o FK Partizan a apadrinhar a estreia do Portimonense nas competições de índole continental. Djukic seria um dos nomes que entraria em jogo frente aos algarvios. No entanto, mesmo ao jogar com alguma regularidade ao longo dessa época de 1985/86, as exibições do avançado-centro denotariam ainda alguma falta de traquejo. Essa verdura faria com que os responsáveis pelo emblema de Belgrado tomassem a decisão de emprestar o jogador. A cedência ocorreria na temporada de 1986/87, mas a experiência ao serviço de FK Vojvodina, mesmo com aspectos deveras positivos, traria um enorme amargo de boca – “ (…) em 1986/87 tive uma grave lesão. Parti a perna, perónio e tíbia. Praticamente estive em risco de não voltar a jogar”*.
Ao ter feito parte do elenco responsável pela subida do FK Vojvodina ao escalão máximo, Djukic, já recuperado, manter-se-ia cedido ao clube da cidade de Novi Sad. Ainda assim, a meio da campanha de 1987/88, o avançado tomaria a decisão de mudar de emblema, passando a representar o FK Sutjeska. Os números apresentados durante os referidos empréstimos acabariam por justificar o seu regresso à colectividade detentora do seu passe. Nesse sentido, 1988/89 marcaria o regresso do atleta ao FK Partizan. Porém, ao imitar o ocorrido em épocas transactas, o ponta-de-lança tardaria em convencer os responsáveis técnicos pela colectividade e acabaria, mais uma vez, por deixar o listado alvinegro. 
Com o palmarés pessoal recheado pelas conquistas de 1 Campeonato e 1 Taça da Jugoslávia, Djukic passaria a temporada de 1989/90 e a de 1990/91 a representar, respectivamente, o Olimpija Ljubljana e os turcos do Trabzonspor. De seguida surgiria a oportunidade de viajar mais para ocidente e para competir nas provas portuguesas. No Farense a partir de 1991/92, o avançado, caracterizado pela forma aguerrida com que disputava cada lance, depressa conseguiria tornar-se num dos pilares das estratégias idealizadas por Paco Fortes. Quase sempre arrolado à titularidade pelo técnico catalão, o jogador, que, ainda hoje, é um dos atletas com mais partidas disputadas, na 1ª divisão, pelo emblema algarvio, acabaria por fazer parte daqueles que são os anos de ouro da colectividade sediada no Sotavento. Nesse rol de momentos inolvidáveis, os quais decorreriam ao longo de uma ligação de 7 campanhas consecutivas, o grande destaque viria com o 5º lugar alcançado no final do Campeonato Nacional de 1994/95 e com a correspondente e inédita classificação para as provas continentais. Com o clube luso inserido na Taça UEFA, a sorte ditaria o Olympique Lyon como o primeiro adversário e o atleta seria um dos escolhidos para, no Estádio São Luís, participar na estreia do conjunto português nas andanças europeias.

*retirado da entrevista de Berta Rodrigues, publicada a 24/05/2023, em https://maisfutebol.iol.pt/

1747 - M'JID

De Abdelmajid Bouyboud ou M’Jid, como ficou conhecido em Portugal, encontrei a maioria dos registos a falar-nos do início da sua carreira sénior como tendo acontecido na temporada de 1990/91. Porém, ao ter como fidedigno Outubro de 1966 como o momento do seu nascimento, então será pouco provável que a época acima apresentada seja a primeira do internacional marroquino. Em abono da verdade, também existe uma fonte a asseverar esse arranque na campanha de 1986/87. Mesmo assim, é bem plausível que, antes dos números apresentados pela última informação referida, possa haver algo mais que, previamente, tenha acontecido.
Tirando o que foi dito no parágrafo introdutório, consensual é ter o WAC como o emblema a representar o começo da sua carreira. Sem sombra de dúvidas, seria também na popular colectividade sediada em Casablanca, que M’Jid, praticante com capacidade para posicionar-se em qualquer dos lugares consignados ao lado direito do campo, viveria a maior parte do trajecto profissional. Esses anos, durante os quais chegaria a partilhar o balneário com Hassan, Fouhami, Fertout, Saber, Daoudi ou Naybet, serviriam igualmente para colorir o seu palmarés com 2 Taças do Trono, 3 Campeonatos, 1 Taça Afro-Asiática, 1 Arab Club Champions Cup e 1 Champions League de África. Por outro lado, seria na cidade a dar o nome ao filme interpretado por Humphrey Bogart, Ingrid Bergman e Paul Henreid que o jogador ainda chamaria a atenção dos responsáveis pela federação marroquina. No contexto internacional, convocado pelo polaco Werner Olk, o atleta teria a estreia, no principal conjunto do seu país, a 2 de Setembro de 1990 e com o cômputo dessa senda a entregar-lhe ao currículo 34 jogos feitos pelos “Leões do Atlas”, os pontos merecedores de maior destaque acabariam por ser as chamadas à CAN de 1992 e ao Mundial de 1994.
Seria pouco tempo após a sua participação no Campeonato do Mundo realizado nos Estados Unidos da América que o jogador, com a campanha de 1994/95 a meio, chegaria a Portugal. É verdade que na equipa orientada por João Alves, M’Jid ainda demoraria algum tempo para conseguir impor-se como uma das principais figuras. No entanto, ultrapassado o normal período de adaptação, a época seguinte à da sua entrada no Belenenses, mostraria o marroquino como um dos nomes mais vezes chamado ao “onze”. Daí em diante, nas provas agendadas para os “Azuis”, o atleta, que voltaria a partilhar a camisola com Fertout, passaria a figurar como uma das caras regularmente arroladas à ficha de jogo. Durante 3 anos e meio, o polivalente intérprete transformar-se-ia numa referência para os treinadores e ajudaria ao cumprimento dos objectivos, mais ou menos faustosos, traçados para o colectivo a jogar em casa no Estádio do Restelo. O pior surgiria com o termo da temporada de 1997/98 e o jogador, com a agremiação “alfacinha” a claudicar nas pelejas pela manutenção, decidiria ser a hora certa para mudar de rumo.
Nos derradeiros capítulos da carreira como futebolista, M’Jid, ao deixar Portugal, viria a escolher a China como o próximo destino. No Wuhan Hongtao, onde entraria como reforço para a temporada de 1998/99, o atleta manter-se até ao encerrar da caminhada competitiva. Já o “pendurar das chuteiras”, segundo o que veiculam diferentes fontes, poderá ter ocorrido logo no final dessa campanha de chegada ao país asiático ou então, cumprido mais algum tempo, em 2001.

1731 - VINCZE

Formado no Tatabánya Bányász, István Vincze subiria aos trabalhos dos seniores na temporada de 1984/85. Depressa o impacto que viria a ter na equipa levaria a que o jovem avançado começasse a ter outro género de projecção. Logo no final da aludida campanha, o ponta-de-lança seria chamado para participar no Campeonato do Mundo de sub-20. O torneio realizado na União Soviética como que serviria de rampa para o seu aparecimento na principal equipa magiar. Pela selecção maior da Hungria, o jogador estrear-se-ia a 30 de Janeiro de 1986, pela mão de György Mezey. Essa partida de preparação frente a um agregado de futebolistas da Ásia, serviria de arranque a uma caminhada que, mesmo sem contar com a participação em qualquer certame de grande monta, terminaria com um somatório de 44 internacionalizações “A”.
Mesmo tendo emergido de um emblema que, à partida, até soa a alguma modéstia, a verdade é que o Tatabánya Bányász, na segunda metade da década de 1980, seria um dos emblemas a lutar pelos lugares cimeiros das provas realizadas na Hungria. Essa ambição, onde Vincze seria um dos esteios, daria ao clube, a exemplo, o direito a figurar, respectivamente nas temporadas de 1986/87 e de 1987/88, na 3ª e na 2ª posição da tabela classificativa do Campeonato ou ainda na final da edição de 1984/85 da Magyar Kupa. Tamanha ousadia, em diversas alturas, entregaria à colectividade situada na região de Komárom-Esztergom um dos lugares oferecidos às pelejas disputadas no contexto continental. Nesse sentido, depois de participar na Taça dos Vencedores das Taças de 1985/86, o avançado também faria parte do elenco que, em 1987/88, seria um dos vencedores da Taça Intertoto e que, já no âmbito da Taça UEFA, acabaria eliminado frente ao Vitória Sport Clube.
Com o crescimento revelado durante os primeiros anos da carreira, Vincze começaria a ser cobiçado noutros lados da Europa. Com a abertura do Bloco de Leste, o avançado, na temporada de 1988/89, teria a oportunidade de disputar a Serie A do “calcio”. Como elemento do plantel do Lecce, a passagem do atacante por Itália, com números até bem interessantes, duraria apenas até à época seguinte da sua chegada a paisagens transalpinas. Todavia, ao contrário do que a sua evolução vinha demonstrar, o jogador decidiria abandonar as ligas mais ocidentais para aceitar o convite de um dos “grandes” do seu país. Com a entrada no Honvéd a acontecer na campanha de 1990/91, a primeira ilação retirada da referida mudança seria o acréscimo de títulos que o ponta-de-lança somaria ao palmarés pessoal e nesse cenário, nos 4 anos cumpridos pelo emblema de Budapeste, o avançado ajudaria a vencer 2 Campeonatos.
Já após fazer um par de temporadas ao serviço do BVSC-Zugló, Vincze viria a encetar a sua segunda aventura por colectividades estrangeiras. Na Bélgica, com as cores do Germinal Ekeren, passaria a campanha de 1996/97. De seguida surgiriam no seu trajecto as provas lusas e o Campomaiorense. Treinado, em 1997/98, por Bernardino Pedroto e, após a saída deste, por João Alves, o avançado, mesmo com a concorrência de Isaías ou de Demétrios, ainda assim conseguiria um registo bastante auspicioso. O pior viria no ano subsequente, no qual ainda participaria na campanha que levaria os “Galgos” até à final da Taça de Portugal, mas onde poucas vezes apareceria em campo pelo emblema alentejano. A falta de jogos levá-lo-ia, a meio da época, a aceitar o convite do Santa Clara orientado por Manuel Fernandes e a mudar-se para os Açores e para a disputa da 2ª divisão.
Apesar de ter ajudado a colectividade de Ponta Delgada a subir de escalão, Vincze optaria por regressar ao seu país. Ao entrar na fase final do trajecto enquanto jogador, o futebolista também voltaria a envergar uma camisola por si bem conhecida e depois do Tatabánya seriam o Pécsi Mecsek e o Vasas a preencher os derradeiros capítulos da sua caminhada enquanto praticante.
Depois das “chuteiras penduradas”, o antigo ponta-de-lança ainda voltaria a ligar-se à modalidade. Nas funções de treinador tem tido algumas experiências e já leva no currículo as passagens pelo comando técnico da Puskás Akadémia, pelo Csákvári TK ou ainda, dessa feita como treinador-adjunto, no eslovacos do KFC Komárno.

1667 - RODOLFO

Com o percurso formativo cumprido ao serviço do Estrela da Amadora, seria como praticante do emblema sediado na Linha de Sintra que Rodolfo Luís Costa Miguéns Correia acabaria chamado aos trabalhos das jovens selecções portuguesas. Com a primeira aparição a suceder pela mão de Nelo Vingada, essa partida dos sub-15, disputada a 14 de Abril de 1992, no âmbito do Torneio Internacional de Montaigu, serviria de arranque a uma caminhada a levá-lo aos mais diversos escalões e a somar 31 partidas com as cores lusas.
Já no que respeita ao percurso clubístico, haveria de ser também no Estádio José Gomes que o médio-defensivo faria a transição para o patamar sénior. Essa temporada de 1994/95, lançado em campo por Fernando Santos, transformar-se-ia no encetar de uma caminhada de vários anos a participar nas principais pelejas do futebol português. Impondo-se, progressivamente, como um dos elementos basilares dos desenhos tácticos dos “Tricolores”, a sua importância no seio do grupo amadorense, como recordaria o médio Lázaro, começaria a subir – “Era um jogador low profile, não se preocupava em termos individuais, era muito coletivo. Acabou por atingir alguma notoriedade, ao representar o FC Porto, mas sempre foi um jogador de grupo”*.
Com a cotação em alta e com 5 campanhas primodivisionárias a enriquecer-lhe o currículo, o jogador veria colectividades de outra craveira a interessarem-se pelos seus préstimos. Tal como destapado no parágrafo anterior, e como consequência da presença do já mencionado Fernando Santos no comando técnico dos “Dragões”, o “trinco” mudar-se-ia da Reboleira para as Antas. No entanto, a transferência para o FC Porto não correria como esperado e Rodolfo poucas oportunidades conseguiria conquistar na agremiação da “Cidade Invicta”. Ainda assim, o médio-defensivo teria o privilégio de fazer parte, no desenrolar da época de 1999/00, de algumas conquistas e ajudaria às vitórias na Taça de Portugal e na Supertaça.
Sem lugar nos “Azuis e Brancos”, Rodolfo daria início a uma fase da carreira um pouco mais errante. Com os dois primeiros passos a serem dados na sequência de um par de empréstimos, tal périplo levá-lo-ia ao Beira-Mar e ao Varzim. Com ambas as campanhas passadas no contexto competitivo da 1ª divisão, a manutenção dos “Lobos-do-Mar” empurrá-lo-ia para a assinatura, em 2002/03 e em termos definitivos, de um novo contrato com o emblema poveiro. De seguida, sem abandonar os palcos principais do futebol luso, emergiriam as duas temporadas ao serviço da Académica de Coimbra. Após a experiência nos “Estudantes”, onde seria muito afectado pelas lesões num joelho, o médio-defensivo, com o aproximar do termo da carreira, teria ainda tempo para dar um salto até França, onde seria apresentado como reforço do plantel de 2005/06 do Clermont.
No regresso a Portugal, o atleta, por desafio de Raul Oliveira e Vítor Vieira, seus antigos colegas no Estrela da Amadora, ainda viria a treinar-se e a participar em alguns “amigáveis”, pelo Lusitânia dos Açores. Porém, zangado com o futebol e antes do início da temporada oficial, o médio decidiria deixar a modalidade e voltar aos estudos. Já como estudante da Licenciatura de Educação Física e Desporto, surgiriam o Igreja Nova e o Linda-a-Velha, respectivamente no 3º escalão e na disputa dos “distritais” da Associação de Futebol de Lisboa.
Com os estudos terminados e com alguma experiência na orientação de várias equipas de jovens, Rodolfo teria no Panathinaikos, a cumprir o papel de treinador-adjunto, o regresso ao futebol de mais alto nível. Seguir-se-ia o Paraná, onde faria parte da equipa técnica de Milton Mendes. De seguida, após a experiencia no Brasil, já como adjunto de Jorge Paixão, passaria pelos polacos do Zawsza Bydgoszcz e pelo Olhanense. Porém, num trajecto à imagem de um verdadeiro “globetrotter”, o antigo futebolista ainda teria a oportunidade de passar, não só por outros países, como por outro continente. Nesse sentido, excluindo um ou outro capítulo, há ainda a destacar o trabalho efectuado no Tractor Club de Toni, na selecção do Irão a cargo de Carlos Queiroz, nos “olímpicos” do Bahrein, no Sporting de Marcel Kaizer, nos americanos do Harrisburg City Islanders, no Al-Hilal “B”, por conselho de Jorge Jesus, como técnico-principal dos sauditas do Al-Ula FC e, já nesta época de 2025/26, como responsável pelos sub-21 do Neon SC.

*retirado do artigo publicado a 6/11/2018, em https://bancada.pt

1622 - MOZER

Rui Miguel Batista Araújo ganharia a alcunha a popularizá-lo no mundo do futebol pelas supostas parecenças físicas com o defesa internacional brasileiro Carlos Mozer. No que diz respeito ao seu percurso desportivo, com a formação dividida entre o Pedras Rubras, o Boavista e o Rio Ave, a transição para o patamar sénior empurrá-lo-ia para os “distritais” da Associação de Futebol do Porto. Integrado no Grupo Desportivo de Vilar a partir da temporada de 1990/91, o médio-defensivo, já ao serviço do Pedras Rubras, continuaria a disputar o mesmo contexto competitivo por mais um par de anos. Ainda assim, a presença em tão modestos palcos não evitaria que colectividades de outra monta viessem a reparar nas suas prestações e para a campanha de 1993/94 o “trinco” seria apresentado como reforço do Leixões.
Com o emblema de Matosinhos inserido nas contendas da divisão de Honra, a época de entrada no Estádio do Mar terminaria com uma infeliz descida de escalão. Depois desse revés, seria já no 3º degrau do futebol luso que o jogador, mais uma vez, voltaria a alimentar a cobiça de outras colectividades. Aferido como um atleta possante e aguerrido, Mozer veria o Sporting de Braga a interessar-se pela sua contratação. A mudança, ocorrida na temporada de 1996/97, apresentá-lo-ia ao convívio como os “grandes”. Porém, o salto competitivo não amedrontaria o médio-defensivo que, sob a alçada do treinador Manuel Cajuda, rapidamente asseguraria um lugar de destaque no “onze” dos “Arsenalistas”. Como titular, logo na campanha de chegada ao Minho, contribuiria para o 4º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional e de seguida começariam a emergir alguns dos momentos mais marcantes da sua carreira.
O primeiro desses capítulos viria com o apuramento para as provas de índole continental. Com os “Guerreiros” inseridos na Taça UEFA, Mozer, arrolado para todos os “onzes” idealizados pelo espanhol Fernando Castro Santos, participaria nas 6 partidas correspondentes às eliminatórias disputadas frente ao Vitesse, ao Dínamo Tbilisi e ao Schalke 04. Depois, a assinalar o termo dessa temporada de 1997/98 e numa altura em que já era orientado por Alberto Pazos, surgiria a final da Taça de Portugal. No Jamor, com o FC Porto como adversário, o “trinco” voltaria a ser chamado ao conjunto inicial. No entanto, na importante contenda do Estádio Nacional, a sua ajuda seria insuficiente para levar de vencido o desafio e, como resultado da derrota por 3-1, acabaria por assistir aos “Dragões” a levar o desejado troféu.
A 3ª temporada ao serviço do Sporting de Braga ainda traria ao currículo do jogador a presença na Supertaça e a participação nos 4 encontros disputados pela colectividade minhota no âmbito da Taça dos Vencedores das Taças. No entanto, essa campanha de 1998/99 acabaria por ser a última em que Mozer conseguiria assumir-se como um dos nomes indiscutíveis na ficha de jogo dos “Guerreiros”. Daí em diante, com ênfase para a época de 2000/01, em que uma lesão nos ligamentos atirá-lo-ia para um prolongado período de convalescença, o médio-defensivo perderia a preponderância na edificação dos esquemas tácticos idealizados pelos diferentes técnicos à frente do clube. Tal carência levá-lo-ia a ser dispensado após ter ainda participado na preparação de 2001/02 e o Farense surgiria no horizonte do atleta como a solução encontrada para dar continuidade à sua carreira.
No Algarve, onde seria recebido por um balneário liderado por Alberto Pazos, Mozer viveria uma temporada que em termos colectivos, como individualmente, ficaria bem aquém das expectativas. Sem nunca conquistar a titularidade de forma inequívoca, o jogador veria igualmente a sua equipa a claudicar na luta pela manutenção. A descida dos “Leões de Faro” também castigaria o “trinco” que, apesar da aposta num novo clube, não conseguiria livrar-se da despromoção. De regresso ao escalão secundário, seriam as cores do Rio Ave a acolher o médio-defensivo nas campanhas seguintes. A escolha acabaria por revelar-se boa, pois, logo na época de 2002/03, a vitória no Campeonato levaria os homens do listado vertical verde e branco de volta à 1ª divisão. Seguir-se-iam mais 3 anos nas disputas da principal prova do calendário futebolístico português e a entrada naquelas que podem ser consideradas como as derradeiras etapas da sua caminhada desportiva.
Com 9 campanhas primodivisionárias a embelezarem o percurso do “trinco”, o começo da temporada de 2006/07, ao serviço do Trofense, marcaria, em definitivo, o seu afastamento do escalão maior. Seguir-se-iam uma curta passagem pelos espanhóis do Vecindario e, de volta a Portugal, a experiência no Santa Clara de 2007/08. Para finalizar surgiriam ainda o Sporting da Covilhã, o Rebordosa e, numa carreira a findar em 2010/11, o regresso ao Pedras Rubras.

1593 - RONALDO

Com o percurso formativo dividido entre o Ponte Preta e o Guarani, seria no último emblema referido que Ronaldo Guiaro faria a transição para o patamar sénior. Com a estreia na equipa principal do “Bugre” a acontecer no decorrer da temporada de 1994, o defesa-central pouco tempo demoraria a revelar boas aptidões futebolísticas. Concluída a época de arranque como profissional, durante a qual viria a ser treinado por Carlos Alberto Silva e onde partilharia o balneário com o também ex-benfiquista Clóvis, surgiria a mudança, primeiro por empréstimo, para o plantel de 1995 do Atlético Mineiro. Muito apreciado pela massa adepta da agremiação de Belo Horizonte, cevada essa paixão pela presença do colectivo na final da Copa Conmebol e pela conquista do “Estadual” Mineiro, a “compra” em definitivo do jogador concretizar-se-ia após o lançamento da bem-sucedida campanha “Fica Ronaldo”, a qual envolveria a venda de camisolas a fim de angariar o montante necessário para a realização da transferência.
A crescer de forma exponencial, Ronaldo, titular no “Galo”, passaria também a fazer parte dos planos da Confederação Brasileira de Futebol. No entanto, a sua caminhada internacional quase ficaria comprometida por um momento infeliz, a envolver uma aliança presa no gancho da baliza – “A gente estava fazendo um treinamento de recreação na Vila Olímpica antes de uma partida. Percebi que a rede estava caindo, daí eu saltei e fiquei pendurado. O Hugo, goleiro na época, me segurou. Na hora que eu saí, vi que o dedo tinha rasgado a pele toda”*. Ainda assim, apesar de retirado da convocatória frente à Croácia, a rápida recuperação daria ao jogador a oportunidade de, a 29 de Junho de 1995, ser chamado ao “particular” agendado com a Polónia. Melhor ainda surgiria com revelação da lista de atletas a participar nos Jogos Olímpicos de 1996 e ao lado de grandes nomes da “Canarinha”, casos de Aldair, Ronaldo “Fenômeno”, Dida, Roberto Carlos, Bebeto ou Rivaldo, o defesa-central, no certame de Atlanta, ajudaria à conquista da medalha de bronze.
A sua participação nas olimpíadas organizadas nos Estados Unidos da América dar-lhe-ia a visibilidade para ser cobiçado pelo Benfica orientado por Manuel José. Apresentado como reforço para a campanha de 1996/97, a época de estreia do defesa-central em Portugal seria discreta. Com poucas partidas disputadas, incluída nesse rol a final da Taça de Portugal perdida frente ao Boavista, a época subsequente, já sob a batuta de Graeme Souness, afirmá-lo-ia como um dos titulares dos “Encarnados”. Contudo, o momento conturbado vivido pelo clube à altura liderado pelo Presidente João Vale e Azevedo, não permitiria que Ronaldo conseguisse sublinhar, categoricamente, as suas habilidades. Como dono de um lugar no “onze”, o jogador, apesar das constantes mudanças de técnico, manteria a preponderância no grupo de trabalho. Todavia, as expectativas criadas com a passagem pelas “Águias” ficariam aquém das projectadas pelo atleta – “Não guardo mágoas. Procurei sempre ser o mesmo Ronaldo. Nunca criei problemas com ninguém. Sou uma pessoa muito honesta e muitas vezes até prefiro ficar calado para não arranjar confusão (…). Nunca cheguei a ser um grande jogador no Benfica (…).Naquela altura era quase impossível”**.
Com a saída do Benfica, Ronaldo transitaria para o futebol turco. Ao serviço do Besiktas a partir da temporada de 2001/02, o jogador, numa época em que a colectividade de Istambul também atingiria aos quartos-de-final da “Champions”, transformar-se-ia numa das figuras da conquista do Campeonato de 2002/03. Quatro anos volvidos após a chegada à antiga Constantinopla emergiria um curto regresso ao Brasil, onde, com as cores do Santos, Ronaldo faria parte do elenco vencedor do “Paulistão” de 2006. Seguir-se-ia a Grécia, outros dois pares de campanhas cumpridas pelo Aris de Salónica e, concluídas as provas agendadas para 2010/11, o fim da sua carreira enquanto futebolista.
Alguns anos após “pendurar as chuteiras”, Ronaldo voltaria a ligar-se ao futebol. Como treinador, mormente a cumprir as funções de adjunto, o antigo defesa-central já conta com passagens por XV de Piracicaba, Velo Clube, Uberlândia, Marília e Nacional de Manaus.

*retirado do artigo de Filipe Ferreira e Felipe Santos, publicado a 27/07/2023, em https://ge.globo.com
**retirado artigo de João Tiago Figueiredo, publicado a 17/12/2014, em https://maisfutebol.iol.pt

1573 - ARMANDO

Armando Ferreira Gomes terminaria o percurso formativo ao serviço do Paços de Ferreira. Defesa-lateral ambidestro, o jogador, na temporada de 1989/90, também faria a estreia nas competições seniores ao serviço do emblema sediado na “Capital do Móvel”. Com o experiente José Mota como concorrente directo por um lugar no “onze”, as oportunidades conquistadas sob a alçada do treinador Vítor Oliveira seriam raras. A escassa utilização levá-lo-ia, inicialmente e na campanha de 1990/91, a passar por uma cedência ao Castêlo da Maia. Apesar do traquejo ganho durante o empréstimo de um ano, o regresso ao Estádio da Mata resultaria, mais uma vez, em poucas presenças em campo. No entanto, mesmo depois da estreia no contexto primodivisionário, o objectivo de jogar com mais frequência, fá-lo-ia aceitar um novo desafio para a, ainda curta, carreira e a mudança de colectividade surgiria no horizonte como uma inevitabilidade.
Com a entrada no plantel do Leça a ocorrer na temporada de 1992/93, Armando retrocederia no contexto competitivo. Ainda que na 2ª divisão “b”, o defesa, com a aludida transferência, encetaria um dos mais importantes troços da sua caminhada profissional. Com as cores do emblema do Concelho de Matosinhos, o jogador ajudaria a cumprir diversas metas colectivas e logo nesse ano de entrada no clube seria peça importante no conquistar do campeonato do escalão referido no começo deste parágrafo. Já em 1994/95, o lateral, ao manter a preponderância dentro do grupo de trabalho, transformar-se-ia numa das figuras da vitória na divisão de Honra e do regresso do listado verde e branco ao convívio com os “grandes”. Seguir-se-iam 3 épocas no patamar cimeiro do futebol português, com a titularidade mantida durante esses anos a servirem para sublinhá-lo como um dos históricos da colectividade nortenha. Aliás, as 77 presenças em jornadas do escalão maior transformá-lo-iam num dos nomes com mais aparições pelos leceiros naquela que é a prova de maior expressão no calendário luso. Acima desse registo haveria de surgir o cargo de capitão e a braçadeira, tantas vezes posta à sua responsabilidade, serviria como forma de vincá-lo, ainda mais, como uma das figuras de calibre inesquecível na existência da agremiação.
Depois da despromoção de cariz administrativo que o Leça sofreria, a temporada de 1998/99 e a seguinte seriam passadas no escalão secundário. Pondo termo a uma ligação de 8 anos, apareceria então o convite do Leixões e a entrada do defesa-lateral no Estádio do Mar. Um ano após o ingresso no novo clube, Armando ainda faria parte do grupo que, comandado por Carlos Carvalhal, surpreendentemente atingiria, na Taça de Portugal, a final da edição de 2001/02. Seguir-se-ia o fim do seu trajecto como futebolista de “onze”. Porém, o antigo defesa manter-se-ia ligado à prática do desporto, dando seguimento à mesma com a entrada no futsal. Pelos pavilhões, de regresso à cidade de Paços de Ferreira, continuaria a alimentar o gosto pelos “jogos da bola” e representaria durante alguns anos o CD Boavista e o GDCR Escolas de Arreigada.

1528 - PEDRO SIMÕES

Criado na Amadora, seria na colectividade mais emblemática da localidade dos arredores de Lisboa que Pedro Simões terminaria a formação. Porém, sem espaço num Estrela acabado de ser promovido ao escalão máximo, o jogador, que amiúde treinava com o plantel principal dos “Tricolores”, começaria um périplo a levá-lo, já como sénior e por grande influência de Agatão, antigo atleta com forte ligação a ambos os emblemas, a passar a temporada de 1993/94 ao serviço d’ “O Elvas”.
Depois da aventura pelo Alentejo, os dois anos seguintes na carreira de Pedro Simões, ainda com o intuito de ganhar traquejo e envolvido na mudança de Chaínho para a Reboleira, seriam cumpridos com as cores do Casa Pia. Já o retorno ao Estádio José Gomes dar-se-ia na temporada de 1996/97. No entanto, com o Estrela da Amadora na 1ª divisão, a afirmação do “trinco”, que durante algumas fases da carreira também jogou no centro da defesa, não seria fácil. Ainda assim, ao jovem praticante ser-lhe-ia dada a oportunidade de fazer a estreia no escalão máximo e na ronda de abertura do Campeonato Nacional referente à época do seu regresso, entraria em campo pela mão de Fernando Santos.
Apesar das qualidades reconhecidas, Pedro Simões só começaria a ser utilizado com maior frequência a partir da campanha de 1998/99 e numa altura em que já era orientado por Jorge Jesus. Curiosamente, essa regularidade surgiria após ser sondado pelos espanhóis do Ourense. Porém, ainda que gorada a transferência, o jogador continuaria a crescer de forma notória e veria a sua preponderância dentro do plantel do Estrela da Amadora a aumentar. Nessa evolução, os anos seguintes serviriam essencialmente para sublinhar a sua importância para o grupo de trabalho. Por outro lado, mesmo com algumas despromoções à mistura, o jogador manter-se-ia fiel ao clube e essa lealdade contribuiria, ainda mais, para cimentar a sua imagem de nome histórico dos “Tricolores”.
Abordando alguns números da sua carreira, o atleta, entre os dois principais escalões do futebol luso e só tendo em conta o trajecto como sénior, vestira a camisola da colectividade da Linha de Sintra durante 11 anos consecutivos. Tanto tempo dar-lhe-ia, no “ranking” dos futebolistas com mais partidas disputadas pelo emblema da Reboleira na 1ª divisão, o 7º posto. No entanto, apesar de longa, a ligação entre o clube e o jogador conheceria, não um fim, mas um interregno de contornos algo polémicos – “As pessoas do Estrela não foram sinceras e tiveram falta de carácter. Estive 23 anos no clube e não merecia ter sido corrido de uma forma tão inglória. Não sei os motivos, mas a verdade é que outros jogadores sentiram na pele o mesmo tratamento, depois de terem dedicado vários anos ao Estrela”*.
Depois do termo das provas agendadas para temporada de 2006/07, Pedro Simões, como praticante, não mais voltaria a envergar a camisola do emblema amadorense. Começaria, a partir do Outono de 2007, a treinar-se com as cores do Atlético e com a abertura do “mercado de Inverno” de 2008 passaria então a representar a agremiação do bairro de Alcântara. No emblema lisboeta, com apenas alguns meses passados sobre a sua entrada na Tapadinha, o jogador viria mesmo a “pendurar as chuteiras”. No entanto, tal decisão não significaria o afastamento da modalidade. Já reconciliado com o Estrela da Amadora, em 2008/09, o antigo capitão dos “Tricolores” aceitaria orientar os juniores do clube, para, com pouco tempo decorrido nas referidas funções, passar a fazer parte da equipa técnica do conjunto principal, liderada por Lázaro. Desde então tem seguido o antigo colega de balneário e como seu treinador-adjunto, passaria também pelo Penafiel, Portimonense e a pela selecção de Macau.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 04/01/2008

1432 - SOUSA

Com o trilho formativo a levá-lo a emblemas como o Vitória de Lisboa e o Oriental, seria no Sporting que Fernando Sousa terminaria esse primeiro capítulo como praticante. Contudo, muito distante do que os vários anos passados sob a égide de Alvalade poderiam sugerir, o médio, na altura de subir ao escalão sénior, acabaria por ir parar às “distritais”. Depois da experiência no Alverca de 1986/87 e de um ano sabático que arriscaria um termo à sua imberbe carreira, o jogador passaria a envergar a camisola do Vialonga. Já na disputa da 3ª divisão, o jovem atleta chamaria a atenção de outro emblema e a mudança para o Alto Alentejo, ainda longe de alguém adivinhar o seu destino, viria a mudar radicalmente a ligação do angolano ao futebol.
Com a entrada no plantel de 1989/90 do Campomaiorense, Sousa daria o primeiro passo para inscrever o seu nome na história da colectividade alentejana. Com o emblema raiano ainda a militar na 3ª divisão, a ambição dos seus responsáveis directivos depressa iria fazer com que o clube começasse a subir vários degraus competitivos. Com o centrocampista a assumir um papel deveras importante nos esquemas tácticos dos diversos treinadores, a temporada de 1992/93, após a consagração dos “Galgos” como campeões da 2ª divisão “b”, apresentaria o jogador à divisão de Honra. Nos patamares profissionais, o atleta manteria a sua preponderância e conservar-se-ia como um dos pilares do listado verde e branco. Depois viria a tão almejada promoção à 1ª divisão e, na campanha de 1995/96, a estreia da colectividade e do médio no convívio com os “grandes”.
A chegada ao escalão maior do futebol português não afastaria Sousa do “onze” inicial. Numa equipa inicialmente comandada por Manuel Fernandes e, depois da saída deste, orientada por Diamantino, o jogador continuaria a manter-se como uma das figuras do sector intermediário do Campomaiorense. Porém, apesar de um plantel riquíssimo em jogadores de enorme qualidade, dos quais gostaria de destacar Jimmy Hasselbaink, Paulo Torres ou Beto, as prestações colectivas não seriam suficientes para evitar a descida de patamar. Já o regresso à 1ª divisão dar-se-ia um ano depois e com o atleta a arrecadar para o palmarés pessoal o Campeonato da divisão de Honra.
Sem nunca perder o estatuto de titular, Sousa, nessa segunda incursão pelo degrau maior, acabaria por participar noutro episódio digno de registo. Muito mais do que a permanência continuada do Campomaiorense na 1ª divisão, o grande destaque emergiria com a campanha feita pela agremiação alentejana na edição de 1998/99 da Taça de Portugal. Nessa caminhada, onde os “Galgos” chegariam à derradeira partida da competição, o médio entraria em campo em diversas partidas programadas para as rondas preliminares. Já na final calendarizada para o Estádio Nacional do Jamor, o atleta, apesar de convocado pelo treinador José Pereira, acabaria por nunca sair de banco e, como suplente, veria o almejado troféu, após a derrota por 1-0, a ser erguido pelo Beira-Mar.
Antes ainda da final mencionada no parágrafo anterior, Sousa registaria outros momentos de inolvidável importância. Chamado aos trabalhos da principal equipa nacional de Angola pelo Professor Neca, após a estreia, numa partida frente ao Zimbabwe, a 23 de Fevereiro de 1997, Sousa manter-se-ia nos planos do referido treinador e acompanharia os seus camaradas até a uma das principais competições organizada para selecções. Na CAN de 1998, ao lado de conhecidos do futebol luso, como Lito, Quinzinho, Akwá, Lázaro ou Paulão, o médio participaria no torneio agendado para o Burkina Faso e apesar de ter participado nas 3 pelejas da fase de grupos, as suas prestações não seriam suficientes para empurrar os “Palancas Negros” para a fase seguinte da competição.
Voltando ao seu percurso clubístico, Sousa, a partir da presença do Campomaiorense na partida de decisão da “Prova Rainha”, perderia algum do fulgor competitivo. Sem voltar aos índices anteriormente apresentados, a temporada de 2000/01, com a abertura do “Mercado de Inverno”, traria o fim da sua ligação ao emblema alentejano. Ao partir dos “Galgos” como o atleta com mais partidas disputadas pelo clube, o médio prosseguiria a carreira não muito longe do Estádio Capitão César Correia. No “O Elvas”, o jogador entraria na derradeira fase da carreira e, para além do emblema “Azul & Ouro”, numa caminhada que terminaria em 2004, ainda envergaria as cores do Benavilense.