1342 - RIBEIRO DOS REIS

Começaria na prática do futebol ainda como aluno da Casa Pia. No entanto, a sua paixão pelo desporto e em particular pelo “jogo da bola” encaminhá-lo-ia na direcção do Benfica. Agradados com as suas habilidades, os responsáveis pelo emblema lisboeta integrá-lo-iam nas camadas inferiores do clube. Na época seguinte, a de 1914/15, seria promovido à categoria principal, onde daria continuidade à ligação à modalidade.
Como futebolista, em paralelo com as participações vitoriosas no atletismo benfiquista, António Ribeiro dos Reis destacar-se-ia como um avançado-centro rápido e, acima de tudo, bastante lutador. A faceta abnegada mantê-lo-ia ligado ao clube para o resto da vida. Nas actividades de jogador, nas quais participou até à campanha de 1924/25, ajudaria as “Águias” a conquistarem 4 Campeonatos de Lisboa e 2 edições da “alfacinha” Taça de Honra. Ainda como praticante, representaria Portugal, a 18 de Dezembro de 1921, na primeira peleja internacional. Multifacetado no desporto, tal como na vida, no contexto da partida disputada, frente à Espanha, no madrileno Estádio Manzaranes, acabaria a cumprir diversos papéis. Depois de entrar em campo e desempenhar as funções de atacante, seria também dele a cobertura jornalística para o “Sport de Lisboa”. Para terminar, no banquete de encerramento do evento e com a laringite do dirigente luso responsável pelas exéquias finais, seria dele a responsabilidade de ler o discurso oficial da União Portuguesa de Futebol.
Para além das actividades como atleta, Ribeiro dos Reis desempenharia outras funções no futebol. Como dirigente, também ao serviço do Benfica, cumpriria vários exercícios. Na arbitragem, como profundo conhecer das normas, destacar-se-ia como o primeiro português a integrar a Comissão de Regras da FIFA e, em tom de curiosidade, a fazer parte da promoção da lei a proibir o uso das meias para baixo. Porém, a sua faceta de maior destaque na modalidade, levá-lo-ia às experiências enquanto treinador. Nesse campo representaria o Benfica, tal como a equipa nacional portuguesa. Pelos “Encarnados”, seria responsável por um diverso número de glórias, nas quais mereceriam relevo as vitórias no Campeonato de Lisboa de 1932/33 e na Taça de Portugal de 1952/53. Já à frente das cores lusas, estrearia diversas “tradições”. Nesse sentido, seria o primeiro a trabalhar, sozinho, como seleccionador; seria o primeiro, numa partida frente à Itália, a encaminhar Portugal para uma vitória internacional; seria o primeiro, na condição de técnico, a participar num jogo de qualificação para o Mundial.
Também como jornalista, o nome de Ribeiro dos Reis acabaria por merecer os maiores louvores. Para além dos trabalhos feitos para o periódico referido no segundo parágrafo deste texto, a sua ligação à imprensa desportiva viria a fazer-se também através da colaboração com o jornal “Os Sports”. Claro está, é impossível de esquecer a importância naquela que é uma das publicações de maior tradição em Portugal e, ao lado de Cândido de Oliveira e de Vicente de Melo, a 29 de Janeiro de 1945, fundaria “A Bola”.
Em paralelo à existência no desporto, anos tão pródigos quanto os dedicados ao futebol, António Ribeiro dos Reis enveredaria pela carreira militar que, por altura da sua reforma, o tinha como Tenente-Coronel. Para além do aludido, é impossível esquecer as condecorações recebidas durante a vida, como são exemplo a Ordem Militar de São Bento de Assis, a entrega da comenda em nome da mesma Ordem ou, já a título póstumo, o agraciamento com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.

1341 - SOARES

Tendo despontado no Pedras Rubras, o Serviço Militar Obrigatório levá-lo-ia até Angola, onde, na antiga colónia portuguesa, acabaria a representar o Sporting Clube do Lubango. De regresso à metrópole, seria ao serviço do Beira-Mar que, nas provas lusas da temporada de 1969/70, o defesa-central retomaria a actividade desportiva. Com o emblema do Estádio Mário Duarte, na já aludida campanha, a disputar o 2º escalão, o jogador tornar-se-ia de fulcral importância para o regresso do clube ao convívio dos “grandes”.
Avaliado como um elemento aguerrido, com bom porte físico, eficiente no jogo aéreo e fortíssimo nos duelos individuais, a titularidade conquistada e mantida durante os dois primeiros anos a jogar pela agremiação aveirense, fariam dele um pilar dos estratagemas colectivos. Nesse sentido, ao marcar presença no jogo decisivo para a atribuição do título, partida disputada, em Leiria, frente ao Atlético, o jogador, na época de 1970/71, ajudaria a colectividade sediada na Beira Litoral a vencer o Campeonato Nacional da 2ª divisão e a voltar ao escalão máximo.
A estreia de Soares na 1ª divisão, em termos de avaliação pessoal, correria de feição para o jogador. Mesmo sem qualquer experiência no patamar maior do futebol luso, o defesa não deixaria intimidar-se pelos adversários, hipoteticamente, mais fortes. Como elemento habitual nos “onzes” idealizados por Dante Bianchi e, com a saída do treinador argentino, ao manter-se indispensável na táctica pensada por Armindo Teto, o atleta haveria de cimentar-se como um elemento de cariz primodivisionário. Aliás, durante as 8 temporadas com as cores do Beira-Mar, 5 delas no escalão mais elevado, poucas seriam as ocasiões em que perderia o estatuto de titular e os 296 jogos feitos pelos “Auri-negros”, serviriam de prova para sua elevada preponderância colectiva.
Já como um atleta experimentado e depois de, no Beira-Mar, ter envergado a braçadeira de capitão, Soares daria um novo rumo à carreira. Com Mário Wilson à procura de reforços para o sector mais recuado do Vitória Sport Clube, o defesa deixaria Aveiro para rumar a Guimarães. No Minho a partir da temporada de 1977/78, o jogador conservaria os níveis exibicionais das épocas anteriores e conseguiria manter um nível elevado de presenças nas fichas de jogo. Mesmo com a barreira dos 30 anos de idade ultrapassada à chegada à “Cidade Berço”, a verdade é que as suas “performances” em nada sairiam beliscadas. Ainda assim, finda a campanha de 1978/79, o central acabaria, novamente, a mudar de clube e já com as cores do Rio Ave daria continuidade à caminhada na 1ª divisão.
A temporada de 1979/80, a de estreia em Vila do Conde, traria à sua história na modalidade uma nova faceta. Com o despedimento, à 12ª jornada do Campeonato Nacional, de Ruben Garcia, os dirigentes do Rio Ave convidariam Soares, num conjunto técnico igualmente formado por Mário Reis e Duarte, a comandar, interinamente, a equipa do listado vertical verde e branco. O Rio Ave acabaria por não conseguir evitar a despromoção. No entanto, esse não seria o último ano do defesa na 1ª divisão. A transferência para o Salgueiros em 1981/82, traria à sua carreira novo ensejo para disputar o patamar máximo. Com a mudança para a colectividade do portuense bairro de Paranhos inicialmente a mantê-lo no 2º escalão, as duas campanhas seguintes trariam ao seu currículo a 9ª e a 10ª época do atleta a pelejar no degrau maior do futebol português.
No resto da sua caminhada desportiva, trajecto terminado com a incrível idade de 42 anos, tempo ainda para representar o Senhora da Hora, o Castêlo da Maia e o Ribeirão.

1340 - MÁRIO LINO


Ao encetar a caminhada no futebol ao serviço do Fayal Sport, Mário Lino, ainda em idade adolescente, rapidamente despertaria a cobiça de outros emblemas. Como resultado de uma partida feita na Ilha Terceira, a habilidade demonstrada pelo jovem atleta no jogo frente ao Lusitânia dos Açores, levaria a colectividade sediada em Angra do Heroísmo, caso inédito no arquipélago, a pagar pela transferência do à altura médio. A envergar a nova camisola a partir da temporada de 1958/59, o atleta manter-se-ia como um elemento de altos índices exibicionais. Com a chegada do húngaro János Biri ao comando técnico da delegação insular do Sporting, seria por sugestão do referido treinador que o jogador acabaria a viajar para Lisboa.
Agradados com as qualidades do atleta, Mário Lino viria a rubricar um contrato com os “Leões”. Integrado no plantel “verde e branco” na temporada de 1958/59, a campanha de estreia na 1ª divisão, em termos individuais, revelar-se-ia positiva. Daí em diante, o jogador conseguiria impor-se na luta por um lugar no “onze” sportinguista e adaptado a defesa-direito, passaria a ser um dos elementos mais preponderantes no cumprir das metas colectivas. A partir do sector mais recuado, como um intérprete de grande pujança física, boa capacidade de desarme e dono de uma técnica a dar dava azo ao apoio ofensivo, o atleta contribuiria para uma das épocas áureas do conjunto leonino. Para além da participação na conquista de 2 Campeonatos Nacionais e de 1 Taça de Portugal, há que destacar a campanha de 1963/64 na Taça dos Vencedores das Taças. Na prova organizada sob a alçada da UEFA, o futebolista, mesmo sem marcar presença na final ou na finalíssima, entraria em campo em 5 partidas e, desse modo, entraria para o rol de nomes com lugar no triunfo da aludida prova continental.
Talvez de forma não tão vincada, mas Mário Lino também acabaria por traçar o seu trajecto com as cores à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com a camisola lusa, o defesa, depois de meses antes ter participado numa partida da equipa “B”, estrear-se-ia pelo principal conjunto da selecção de Portugal, numa disputa a contar para a fase de Apuramento do Campeonato do Mundo de 1962. Chamado por Armando Ferreira à peleja frente ao Luxemburgo, a vitória por 6-0 conseguida a 19 de Março de 1961, daria início a uma caminhada que traria ao seu currículo um total de 6 internacionalizações “A”.
Com o fim da sua carreira enquanto futebolista a acontecer no termo da temporada de 1966/67, Mário Lino, ao manter a ligação à modalidade, rapidamente assumiria o papel de técnico. Ao começar nas camadas jovens leoninas, o antigo defesa passaria também pelas tarefas de adjunto da equipa sénior. Com várias ocasiões em que, interinamente, seria chamado às funções de treinador-principal, o destaque maior dessas experiências surgiria com a presença em duas finais da Taça de Portugal, perdendo a de 1971/72 para o Benfica, mas vencendo a edição do ano seguinte frente ao Vitória Futebol Clube. Já na campanha de 1973/74, os responsáveis pelo Sporting tomariam a decisão de, em definitivo, entregar as rédeas do plantel ao seu cuidado. Numa época de excelência para o Sporting, seria ele o mentor da conquista da “dobradinha”. Curiosamente, como resultado de um desentendimento com a direcção, acabaria por não marcar presença no banco dos “Leões” na final da Taça de Portugal e daí em diante não mais voltaria a Alvalade.
Com um longo trajecto como treinador, Mário Lino ainda orientaria um largo rol de equipas. Com realce para os vários anos na disputa da 1ª divisão, Farense, Sporting de Braga, Vitória Futebol Clube, Portimonense, Marítimo e Boavista seriam alguns dos emblemas que preencheriam o resto da sua carreira. Nesse longo caminho, o destaque terá de ir para uma das passagens pelo Bessa, durante a qual, frente ao FC Porto, ganharia a Supertaça de 1979/80.

1339 - NOÉMIO

Com a totalidade do percurso futebolístico dedicado ao Marítimo, Noémio, ao jogar em três décadas diferentes pelo emblema madeirense, tornar-se-ia parte integrante de vários momentos de cabal importância para a vida da colectividade insular. Curiosamente, não só o aspecto cronológico da sua carreira seria traduzido num largo espectro de existências. Também dentro de campo, haveria de mostrar uma extensão enorme de qualidades, o que permitiria ao jogador actuar em funções ofensivas, intermediárias e igualmente no sector defensivo.
Com a estreia na equipa principal maritimista a reportar-se ao começo da segunda metade da década de 1960, Noémio, com os emblemas madeirenses e açorianos sem consentimento para participar no Campeonato Nacional, veria testadas as suas capacidades apenas na disputa das provas regionais. Ainda assim, afastado que estava dos maiores holofotes do desporto português, a qualidade apresentada nessa etapa inicial da carreira, levá-lo-ia a ser cobiçado por um dos maiores emblemas nacionais. No Sporting, depois de prestar provas com resultados bastante promissores, algumas questões de cariz familiar haveriam de fazê-lo recuar na altura de optar pela mudança para o continente e os “Verde-rubro” rapidamente voltariam ao quotidiano competitivo do jogador.
O forçado regresso, ironicamente, empurraria Noémio, versado nas habilidades técnicas, tal como grande exemplo de robustez e altruísmo, para dois dos maiores momentos da cronologia do clube sediado na cidade do Funchal. O primeiro, com os emblemas insulares a conseguir licença para entrar na mais importante prova do calendário luso, seria a participação do jogador na zona sul da 2ª divisão de 1973/74. Sob a alçada do treinador Alberto Sachse, o atleta ver-se-ia escolhido para a jornada inicial da referida temporada e acabaria por concretizar um golo na peleja forasteira, frente ao União de Leiria.
Não muitos anos depois, o futebolista participaria no segundo momento de vital importância para o Marítimo. Ainda na disputa do escalão secundário, seria, pelo técnico Pedro Gomes, chamado à folha de jogo, correspondente à última jornada da campanha de 1976/77. Na recepção ao Olhanense, num grupo que contava com nomes que mereceriam grande destaque no desporto nacional, casos do guardião Amaral, dos defesas Olavo e Eduardo Luís, ou do “capitão” Eduardinho, Noémio acabaria escolhido para o banco de suplentes. Já com o marcador a indicar 3-0 a favor do emblema da casa, o jogador seria chamado a entrar em campo e dos seus pés sairia o passe para o golo de Arnaldo Silva, elemento do plantel maritimista que viria também a merecer um lugar de destaque na história das competições portuguesas, selando-se, nessa jogada, a subida de divisão da agremiação madeirense.
A época seguinte à da aludida promoção, transformar-se-ia no ano de estreia do atleta e do clube na 1ª divisão. Naquele que é o degrau mais alto do futebol nacional, Noémio, sempre com números bem positivos, participaria em 3 temporadas consecutivas. Com a descida do Marítimo no termo da época de 1979/80, também o jogador desapareceria dos palcos principais e já com o final da carreira no horizonte, a decisão de “pendurar as chuteiras” surgiria depois de cumprida a campanha de 1981/82.

1338 - QUEIRÓ

Descoberto no Avintes pelo Boavista, António Augusto Alves de Oliveira, popularizado no futebol como Queiró, chegaria ao Bessa na temporada de 1978/79. Apesar de já ter algum traquejo como sénior, a verdade é que o salto do 3º escalão para a divisão maior do futebol português, levaria o atleta a revelar algumas dificuldades na altura de conquistar algum espaço no novo clube. Ainda assim, certos do seu valor, os responsáveis pelas “Panteras Negras” não abdicariam da sua presença no plantel e apesar de pouco utilizado durante as duas primeiras épocas, o jogador conseguiria garantir a continuidade no emblema portuense.
Curiosamente, seria durante as duas temporadas iniciais ao serviço do Boavista que chegariam ao currículo do atleta as principais distinções alcançadas no decorrer da sua carreira. Sob a alçada do inglês Jimmy Hagan, na condição de suplente utilizado, Queiró entraria em campo frente ao Sporting, tanto na final, como na finalíssima da edição de 1978/79 da Taça de Portugal. Depois da vitória na “Prova Rainha”, a campanha seguinte, na disputa da Supertaça, entregaria ao palmarés do jogador mais um troféu. Já orientado o clube “axadrezado” pelo técnico Mário Lino, o jogador, mais uma vez a saltar do banco, daria a sua contribuição na vitória frente ao FC Porto e, dessa maneira, ajudaria a levar o “caneco” para os escaparates do Bessa.
Daí em diante e na grande maioria das campanhas a envergar a camisola do Boavista, Queiró passaria a ser um dos elementos mais utilizados do plantel. Habituado às lides do sector intermediário do terreno de jogo, a mudança para a lateral-direita da defesa daria um novo estímulo à caminhada profissional do jogador. Aferido pelos diferentes treinadores como um intérprete de cariz altruísta e aguerrido, a sua constância exibicional transformá-lo-ia, não só num nome de referência das provas futebolísticas organizadas durante os anos de 1980, mas também numa das figuras míticas da história dos “Axadrezados”.
Durante um longo percurso feito com o Boavista, outro dos grandes prémios de Queiró viria com a braçadeira de capitão. Claro está que, de bastante importância, surgiriam igualmente as lutas do clube pelos lugares cimeiros das provas disputadas. Com o defesa integrado num grupo de trabalho com altas ambições, as prestações colectivas naquele que é o mais importante conjunto de pelejas do calendário luso, levaria o jogador a apresentar-se nas competições continentais. Nesse contexto além-fronteiras, a estreia do atleta surgiria durante a temporada de 1980/81. Com o 4º lugar alcançado no final do Campeonato Nacional do ano anterior, a qualificação para a Taça UEFA levá-lo-ia, nas eliminatórias frente ao Vasas e ao Sochaux, a entrar em campo nas 4 partidas disputadas pelas “Panteras Negras”.
Com o final da carreira a aproximar-se com o término da década de 1980, Queiró, durante a temporada de 1989/90, na disputa da Zona Norte da 2ª divisão, vestiria a camisola do Leixões. Na campanha seguinte à passada no Estádio do Mar, segundo o “site” da Federação Portuguesa de Futebol, o jogador voltaria a ser inscrito pelo Boavista. Aliás, a sua ligação ao clube dar-se-ia também no desempenho de outras funções. Como treinador, o antigo defesa notabilizar-se-ia pelo trabalho feito nas “escolas”. Tendo completado a formação superior na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, o seu lavor à frente das jovens equipas “axadrezadas” resultaria em diversos títulos nacionais.

1337 - AÍLTON

Ao ser promovido das “escolas” para o patamar sénior pelo mítico treinador Telê Santana, seria no Atlético de Minas Gerais que Aílton Delfino, entre os finais da década de 1980 e os primeiros anos de 1990, cumpriria a parte inicial da sua carreira no futebol. Após conseguir impor-se como um dos nomes importantes nos estratagemas da equipa principal do “Galo”, as suas presenças em campo, logo a partir da campanha de 1988, seriam bastante valiosas para a conquista de 3 Campeonatos Mineiros. Para além das provas internas, é impossível esquecer a sua participação nas lutas continentais e ao tornar-se no melhor marcador da Copa CONMEBOl e com presença nas duas mãos da final, seria decisivo para a vitória da sua equipa na edição de 1992 da referida competição.
Como um atleta com “faro” para o golo e habilidoso com a bola nos pés, os créditos ganhos durante os primeiros anos da caminhada profissional, levariam outros emblemas a olhá-lo como um possível reforço. A proposta mais tentadora emergiria de Portugal, com Aílton a ser apresentado como um dos elementos do plantel de 1993/94 do Benfica. Sob a alçada de Toni, o avançado-centro teria uma estreia auspiciosa. Aliás, após esse “amigável” frente ao FC Barcelona, onde marcou um dos tentos que ditaria a vitória por 2-1, o atacante, sem nunca chegar a ser um dos nomes indiscutíveis para o referido técnico, tornar-se-ia numa das peças muito utilizadas pelas “Águias” e, nesse sentido, de fulcral importância para a conquista do Campeonato Nacional. Surpreendentemente, mesmo com os números a justificarem a sua continuidade no clube, o final da aludida época levaria o jogador a deixar Lisboa e a regressar ao Brasil – “Eu tinha contrato, mas apareceu o interesse do Atlético Madrid e do São Paulo. O técnico do São Paulo era o Telê Santana, talvez o técnico mais importante da minha carreira. Sentei-me com a direção do Benfica, disse-lhes que queria voltar ao Brasil por questões familiares (…). A minha esposa da época nunca quis viver em Portugal e isso afastou-nos bastante a todos os níveis. Jogar no Benfica custou-me um divórcio doloroso”*.
Depois do “empréstimo” ao São Paulo, o regresso ao Benfica na temporada de 1995/96 terminaria ao fim de 6 meses, com o avançado a ser pouco utilizado pelo técnico Mário Wilson. Já a título definitivo, voltaria ao Brasil e de novo ao serviço do emblema do Morumbi, o jogador ajudaria a vencer a edição de 1996 da Copa Master da CONMEBOL. Daí em diante Aílton ainda vestiria as camisolas de um bom rol de clubes. Os maiores destaques acabariam por ir para as experiências no Cruzeiro, Portuguesa e Santo André. No emblema de Belo Horizonte, faria parte dos planteis que venceriam 2 “estaduais” e a Copa Libertadores de 1997. Já a passagem pela última das três equipas arroladas traria à sua carreira outros momentos importantes. Ao participar numa das mais brilhantes páginas do clube, o avançado-centro, nas campanhas de 2000 e 2001, contribuiria para os dois segundos lugares conseguidos no “Brasileirão”. A somar às aludidas prestações, há ainda que referir a chegada à final da Copa Libertadores de 2002, perdida para os paraguaios do Olímpia.
Após “pendurar as chuteiras”, em paralelo com a gestão da sua quinta comprada com o dinheiro amealhado em Portugal, Aílton continuaria a alimentar a paixão pelo futebol. Nesse sentido tem tido algumas aparições como técnico de agremiações mais modestas, caso do Vila Nova, ou trabalhos como “olheiro”, colaborando com emblemas como o Atlético Mineiro, o Cruzeiro e o América.

*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha, publicada a 19/12/2019, em https://maisfutebol.iol.pt

1336 - VITAL

Antes ainda de Dinis Vital, guardião com a carreira ligada ao Lusitano de Évora, ao Vitória Futebol Clube e também à selecção nacional, já o seu irmão mais velho brilhava no desporto português. Eduardo Vital, cuja ligação à modalidade viria, anos mais tarde, a ser reforçada pelo seu filho Francisco Vital, começaria a caminhada competitiva na popular colectividade, o Sport Clube Grandolense. Ainda ao serviço da modesta agremiação, surgiria o convite do Sporting, recusado por questões alicerçadas para além dos rectângulos de jogo. Em seguida, “empurrado” pelo Serviço Militar Obrigatório, seria o Onze Unidos do Montijo, já na disputa dos “nacionais”, a revelá-lo como um avançado-centro prolífero e a catapultá-lo para os principais palcos à disposição do “jogo da bola”.
Depois da agremiação alentejana e após um par de anos passados com a camisola do também mencionado clube aldegalense, Vital treinaria e agradaria aos responsáveis do Benfica. No entanto, a época de 1947/48 apresentá-lo-ia à 1ª divisão com cores diferentes das envergadas pelas “Águias”. Ao dar preferência a outro convite, a estreia no patamar máximo do futebol luso não intimidaria o atacante. Aliás, o atleta, que até tinha começado a carreira habituado a posicionar-se como extremo-direito, terminaria a campanha ao serviço do Atlético Clube de Portugal, como o marcador máximo da equipa sediada no popular bairro lisboeta de Alcântara e, com os mesmos 23 golos do benfiquista Julinho, como um dos melhores marcadores do Campeonato Nacional.
Tamanho desempenho, a salientar uma boa agilidade e uma técnica ímpar com a bola nos pés, levaria emblemas de outra monta a irem no seu encalço e a solicitação mais tentadora surgiria no Norte de país. Apesar da mudança para o FC Porto, a falta de entendimento entre o emblema “azul e branco” e a colectividade da Tapadinha, com um castigo aplicado ao jogador pela entidade reguladora das provas portuguesas, faria com que o atacante passasse boa parte da época de 1948/49 afastado das fichas de jogo. Sanado o conflito, Vital passaria a exibir-se pelos “Dragões”. Embora com menos brilho que nas campanhas anteriores, ainda assim, o avançado conseguiria sublinhar-se como um elemento de muita importância para as campanhas portistas. Paralelamente ficaria também ligado a algumas efemérides, como ter sido dele o primeiro remate certeiro no Estádio das Antas ou ainda ter concretizado, no Campeonato, o golo 1000 do emblema nortenho.
Após uma época mais modesta, Vital mudar-se-ia para o Minho. Com o Sporting de Braga a pelejar-se no principal escalão português de 1952/53, o avançado conservar-se-ia como um elemento preponderante para as metas traçadas ao grupo de trabalho. Todavia, numa fase descendente da carreira e cumpridas duas temporadas pelo emblema da “Cidade dos Arcebispos”, seria o Tirsense e o escalão secundário a dar continuidade ao trajecto competitivo do atleta. Finalmente, naquele que viria a tornar-se no derradeiro capítulo da sua carreira, surgiria ao caminho o regresso à 1ª divisão e o plantel de 1957/58 do Caldas.

1335 - VÍTOR MADEIRA

Nascido no seio de uma família em que quatro dos seus irmãos também construíram carreira no futebol, Vítor Madeira entraria para as “escolas” do Desportivo de Beja. Depois de completar o percurso formativo na agremiação da sua terra natal, seria também no emblema do Baixo Alentejo que o avançado daria os primeiros passos nas competições seniores. Aliás, na etapa inicial da carreira, o jogador não sairia da província acima referida e o Vasco da Gama, de começo na mesma 3ª divisão e mais tarde no 2º escalão, completaria essa jornada inaugural.
Com a colectividade sediada em Sines a disputar a Zona Sul do escalão secundário de 1976/77, as exibições de Vítor Madeira, atacante que podia posicionar-se a ponta-de-lança, a extremo ou mesmo no apoio ao elemento mais avançado em campo, seriam suficientes para nele repararem equipas de outra monta. Com o Vitória Futebol Clube a perfilar-se como a melhor opção para a caminhada profissional do atleta, a sua mudança para a cidade de Setúbal dar-se-ia na temporada de 1977/78. Mesmo com a subida de patamar, a verdade é que o jogador não deixaria atemorizar-se pelo acréscimo de exigência das provas e na margem norte do Rio Sado, destacar-se-ia no plantel como um dos mais inscritos na ficha de jogo e igualmente como um dos elementos mais prolíferos no capítulo da finalização.
Tanto com Fernando Vaz, o seu primeiro treinador no Vitória, como sob a alçada dos técnicos seguintes, Vítor Madeira, tirando excepcionais ocasiões, conseguiria conservar o estatuto de mais utilizado. Durante 5 temporadas, com um curto intervalo nas férias, onde “fez uma perninha” na América do Norte ao serviço dos canadianos do First Portuguese, o avançado seria muito importante no cumprir dos objectivos colectivos dos “Sadinos”. Porém, apesar do destaque na equipa de Setúbal, o atacante, na campanha de 1982/83, decidiria mudar de camisola. No Estoril Praia a desafio de Mário Nunes, também ele com um passado competitivo ligado ao Desportivo de Beja, o aludido treinador teria também um papel significativo noutra etapa do trajecto do jogador e a sua mudança para a Ilha Madeira surgiria por convite do técnico.
Com o Marítimo a pelejar-se na 2ª divisão, o objectivo da subida cumprir-se-ia já com Vítor Madeira como parte do grupo de trabalho. Após essa época de estreia nos “Verde-rubros”, o regresso ao patamar máximo, sem deixar o Funchal, dar-se-ia na temporada de 1985/86. Ainda assim, o apelo daquele que viria a tornar-se no emblema mais representativo da sua carreira, faria com que o avançado voltasse a uma casa bem conhecida. De novo no Estádio do Bonfim, como reforço para a campanha de 1986/87, ajudaria o grupo liderado pelo inglês Malcolm Allison à promoção ao degrau maior do futebol português.
Depois de outras 4 temporadas em Setúbal e numa etapa de transição no futebol, Vítor Madeira assumir-se-ia como treinador-jogador do Vasco da Gama. Ainda em Sines daria continuidade à carreira de técnico, caminhada que já levou o antigo praticante a orientar diferentes conjuntos como o Alcochetense ou o Ferreirense.

1334 - SCOPELLI

Alejandro Scopelli integraria a principal equipa do Estudiantes de La Plata no final da década de 1920 para, quase de imediato, passar a destacar-se numa linha ofensiva que, tal a qualidade apresentada em campo, seria baptizada como “Los Profesores”. “El Conejo”, alcunha pela qual ficaria conhecido durante a sua carreira de futebolista, apresentar-se-ia como um interior de elevada capacidade técnica e de uma excepcional leitura de jogo. Esses predicados levá-lo-iam a ser chamado à selecção argentina e a fazer parte do grupo de trabalho que, em 1930 e frente ao Uruguai, perderia a final da edição inaugural do Campeonato do Mundo, mas, por outro lado, venceria a edição de 1937 da Copa América.
O crescimento ostentado durante os primeiros anos da carreira, faria com que do outro lado do Oceano Atlântico começassem a pensar nele como um bom reforço. De Itália surgiria o convite mais apetecível e na temporada de 1933/34, o avançado seria apresentado como reforço da AS Roma. No “Calcio”, Scopelli continuaria a mostrar-se como um intérprete de elevadas performances e, por razão da ascendência italiana, acabaria por ser convocado à equipa nacional transalpina. Sob a orientação de Vittorio Pozzo, o atacante, a 17 de Fevereiro de 1937, seria chamado ao “amigável” frente à França, naquela que acabaria por ser a sua única internacionalização pela “Squadra Azzurra”.
Depois da experiência em Itália, Scopelli ainda regressaria ao país natal, para representar o Racing Club Avellaneda. Porém, os objectivos traçados para a carreira levá-lo-iam a regressar à Europa. Pouco tempo após retornar à Argentina, o avançado daria início a um novo périplo pelo “Velho Continente”. Em França, a partir da campanha de 1937/38, o atleta começaria por envergar as cores do Red Star, para, no ano a seguir ao da sua chegada, passar a vestir a camisola do Racing Paris. Porém, com o rebentar da 2ª Guerra Mundial, a preocupação com o evoluir do conflito empurraria o jogador para um país neutral e ao lado dos conterrâneos Óscar Tarrio e Horácio Tellechea, o atacante, na temporada de 1939/40, passaria a apresentar-se como elemento do Belenenses.
No conjunto das Salésias, de início apenas como atleta e alguns meses após a chegada a Lisboa, a juntar as tarefas de jogador com as de treinador, Scopelli transformar-se-ia num dos nomes históricos dos “Azuis”. Logo nessa primeira época, já a acumular as referidas funções, encaminharia a sua equipa para a final da 2ª edição da Taça de Portugal, perdida para o Benfica. Manter-se-ia nessa mistura de trabalhos durante o ano seguinte e ainda nas passagens pelos argentinos do Unión de Santa Fé pela Universidad de Chile. Exclusivamente a desempenhar o papel de técnico, o antigo avançado ainda voltaria a Portugal por diversas vezes e, para além do Belenenses, para orientar o FC Porto e, com mais uma presença no derradeiro “match” da “Prova Rainha”, à frente do Sporting. Com os “Leões” viveria ainda outro episódio caricato e, ao empatar com o Belenenses na derradeira jornada do Campeonato Nacional de 1954/55, roubaria o título aos “Azuis” e entregaria o troféu ao Benfica.
No resto da longa carreira enquanto treinador, Alejandro Scopelli, conhecido pela sua mestria táctica, teria também a oportunidade de treinar em países como o México ou a Espanha. Com os maiores destaques merecidos às passagens pelo Valência, onde venceria a Taça das Cidades com Feira de 1961/62 e a de 1962/63, o seu palmarés ficaria igualmente preenchido com as vitórias na Liga Chilena pela Universidad de Chile e na Taça do México com as cores do América.
Para terminar, não posso deixar de recordar a história do anel oferecido pelo Belenenses, ainda no seu tempo de jogador. Adorno que dizia nunca tirar e que, pelas suas palavras, representava a ligação à colectividade lisboeta, jurada como a mais apaixonante da sua vida no futebol.

1333 - BÖLÖNI

Seria na equipa principal do Târgu Mures que László Bölöni, na temporada de 1970/71, haveria de conseguir estrear-se como sénior. Depois dessa campanha inicial, ainda a vogar pelo segundo escalão, o médio, ao lado dos companheiros, passaria a disputar a 1ª divisão romena. Durante várias épocas, destacar-se-ia como um futebolista de grande técnica e com uma capacidade estupenda para entender e organizar o jogo. Essas qualidades haveriam de pô-lo no caminho das selecções do seu país. Com a estreia pelos “AA”, a 24 de Setembro de 1975, a acontecer numa partida frente à Grécia, a carreira do atleta colorir-se-ia com 102 partidas feitas pela Roménia. Nesse percurso, destaque para a sua presença no Euro 84, onde jogaria frente a Portugal, e para o facto de, por altura de “pendurar as chuteiras”, ainda deter o recorde de internacionalizações feitas com as cores da sua nação.
Voltando ao percurso clubístico, os 14 anos ao serviço do Târgu Mures e os 2 troféus de Melhor Jogador do Ano levariam o atleta a ser visto como um dos grandes intérpretes do futebol romeno. Tal estatuto faria com que um dos maiores clubes do país começasse a olhar para o médio como um bom elemento. Com o jogador a ser apresentado pelo Steaua Bucaresti como reforço para a temporada de 1984/85, a sua integração num dos bons planteis europeus da altura, encaminhá-lo-ia para a conquista de várias e importantes competições. Claro está, para além das vitórias em 4 edições do Campeonato e em 3 Taças da Roménia, seriam as provas organizadas sob a égide da UEFA a sublinhá-lo como um dos nomes em destaque na modalidade. Nesse sentido, é impossível esquecer as fabulosas campanhas cumpridas com os “homens do exército” e que encaminharia o atleta para um par de títulos. Com presença a titular em ambas as partidas, primeiro chegaria a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1985/86, ganha frente ao FC Barcelona. Já na época seguinte surgiria a peleja na Supertaça, dessa feita com triunfo perante o Dynamo de Kyiv.
O resto da sua carreira, com o Bloco de Leste já mais aberto ao Ocidente, seria cumprido em emblemas da Bélgica e da França. Com o Racing Jet de Bruxelas a encabeçar a lista, seriam os franceses de Créteil e do Orléans a preencher os derradeiros capítulos da sua caminhada enquanto futebolista. Contudo, mesmo retirado das lides de praticante, László Bölöni não haveria de ficar afastado por muito tempo dos balneários. Ao aceitar o convite do Nancy, o antigo médio encetaria aí a senda como técnico. Após vários anos aos comandos do referido emblema gaulês, onde orientaria Afonso Martins e Mustapha Hadji, surgiria a oportunidade de ocupar o lugar de seleccionador da Roménia. De seguida, como muitos o recordam, viriam as duas temporadas com o Sporting. Em Alvalade a partir de 2001/02, o destaque emergiria com a “dobradinha” logo na campanha de chegada e com a vitória Supertaça Cândido Oliveira do ano seguinte. Igualmente impossível de esquecer, será o facto de ter sido sob a sua alçada que Cristiano Ronaldo viria a estrear-se na equipa principal dos “Leões”.
Ainda como treinador, numa carreira que já vai bem longa, László Bölöni teria a oportunidade de treinar em vários países. Nesse sentido, há que salientar o Campeonato e as 2 Supertaças ganhas pelo Standard Liège. Da mesma maneira não podemos olvidar os regressos a França, onde ficaria à frente de Rennes, AS Monaco e Lens ou ainda as experiências no Médio Oriente com o Al Wahda dos Emirados Árabes Unidos ou com o Al-Khor do Catar. Do seu percurso fazem também parte emblemas como o PAOK, o Panathinaikos, o Antwerp e o Gent. Actualmente (2022/23) o romeno apresenta-se como “timoneiro” do Metz.