
Depois de passar pelas camadas de formação do Belenenses e da Académica de Coimbra, Mário Valdez Wilson, filho de “Velho Capitão” Mário Wilson, teria a oportunidade de estrear-se na 1ª divisão ao serviço do Leixões. No emblema de Matosinhos, o médio, lançado por António Teixeira, daria os primeiros passos entre os “grandes” do futebol luso. No entanto, a falta de experiência levá-lo-ia a conquistar poucas oportunidades e o jogador, finda a temporada de 1973/74, regressaria à “Cidade dos Estudantes”.
De novo ao serviço da “Briosa”, agora inserido na equipa principal, Mário Wilson mais uma vez demonstraria algumas dificuldades em expor toda a sua habilidade. Seguir-se-ia a entrada no plantel de 1975/76 do Atlético, que levaria o atleta, logo à chegada à Tapadinha, a encetar uma fase bem mais proveitosa da carreira. A manter-se na 1ª divisão, num grupo de trabalho orientado pelo técnico Carlos Silva, o jogador, contrariamente ao ocorrido nos anos anteriores, conseguiria impor-se no “onze”. Daí em diante, enquanto membro da colectividade sediada no bairro de Alcântara, o centrocampista destacar-se-ia como um intérprete de enorme capacidade técnica e com uma habilidade de passe superior à dos demais colegas de equipa.
As exibições de bom nível, conseguidas pelo Atlético, levá-lo-iam a ser cobiçado por outra agremiação lisboeta. No entanto, a envergar a camisola do Benfica a partir de 1977/78, o médio daria de caras com um sector intermediário recheado de estrelas. Ultrapassado nas escolhas de John Mortimore por Toni, Shéu e Vítor Martins, ainda assim, a campanha de entrada na Luz seria, em termos individuais, a mais proveitosa. Reconhecidas todas as competências referidas no parágrafo anterior, a verdade é que Mário Wilson seria amiúde apontado como um elemento sem a garra necessária para vingar de “Águia” ao peito. Tal facto faria com que, durante as 3 temporadas ao serviço dos “Encarnados”, pouco jogasse e com o clube alfacinha a atravessar uma fase mais discreta, o centrocampista deixaria o “Glorioso” sem conquistar qualquer título colectivo.
A Académica de Coimbra, dando continuidade à sua caminhada no escalão maior, recebê-lo-ia como reforço para a campanha de 1980/81. No entanto, de volta à Beira Litoral, o médio, no final da época referida, acabaria por enfrentar a despromoção da equipa. A descida empurrá-lo-ia, pela primeira vez na carreira sénior, para o contexto competitivo da 2ª divisão. Já o regresso ao degrau maior do futebol luso surgiria bem longe dos “Estudantes”. Ao serviço do Farense a partir de 1983/84, Mário Wilson, sem abandonar o estatuto de titular recuperado nos 3 anos com as cores da colectividade conimbricense, destacar-se-ia como um dos bons nomes a actuar no sector intermediário dos algarvios. Porém, a época seguinte à da sua chegada traria ao seu percurso um novo desaire colectivo, com os “Leões de Faro” a falhar o objectivo da manutenção. Daí em diante, o atleta não mais regressaria ao patamar máximo e depois de vestir as cores do Estoril Praia, onde seria treinado pelo seu pai, o jogador retornaria ao Barlavento.
A aproximar-se do termo da carreira enquanto futebolista, Mário Wilson, na temporada de 1986/87 assinaria pelo Louletano. Novamente no Algarve, o médio, em 1988/89, ainda viria a unir-se ao Almancilense, época onde passaria a desempenhar as funções de treinador/jogador. Como curiosidade, falta mencionar a informação fornecida pelo “site” da Federação Portuguesa de Futebol que dá o jogador, após dois longos hiatos, como elemento dos planteis do Oeiras de 1994/95 e de 2001/02.

Natural de Madrid, Francisco Luis Lara Aguayo daria os primeiros passos no escalão sénior, bem longe da capital espanhola. Na equipa principal do Xerez a partir da temporada de 1939/40, o avançado, ainda sem uma experiência competitiva relevante, terminaria a época sem grandes oportunidades no conjunto às ordens do treinador Manuel Travieso. Mantendo-se o atleta ao serviço da mesma colectividade e continuando na disputa do escalão secundário, a campanha seguinte, durante a qual passaria a figurar no “onze” tipo do emblema andaluz, seria bem mais proveitosa para o extremo. No entanto, contra aquilo que supostamente seriam as tendências, o termo das provas agendadas para 1940/41 levariam à separação do atacante com o clube e à mudança de rumo na sua carreira.
Por certo à procura de conseguir mais tempo em campo, Lara aceitaria descer alguns patamares competitivos e haveria de rubricar um novo contrato com o Atlético Tetuán. Os dois anos, cumpridos na cidade agora pertencente a Marrocos, serviriam para que o avançado voltasse às pelejas do escalão secundário e logo com as cores de um histórico. Todavia, como já tinha acontecido anteriormente, o jogador revelaria sérias dificuldades adaptativas e a passagem pelo plantel de 1945/46 do Salamanca seria curta e, de certo modo, infrutífera.
Seguir-se-iam, alternando as experiências entre o segundo e o terceiro patamar de Espanha, as suas incursões no Cartagena, Girona e Orensana. Mesmo sendo um atleta com traquejo suficiente para almejar a outros voos, a verdade é que para Lara a presença no escalão máximo do futebol de “nuestros hermanos” não haveria de passar de uma miragem. Então, já no decorrer da temporada de 1951/52, o avançado receberia o convite que finalmente haveria de levá-lo ao patamar maior. Sem grandes chances no seu país natal, o atleta, à beira de completar 30 anos de idade, veria o Vitória Sport Clube a endereçar-lhe um convite. Em Guimarães, o extremo por fim conseguiria estrear-se numa divisão principal. Lançado pelo técnico húngaro Sándor Peics, o atacante conseguiria agarrar um lugar no sector mais ofensivo do emblema minhoto e com a partida inicial a acontecer por ocasião da 7ª ronda do Campeonato Nacional, o jogador tornar-se-ia no primeiro estrangeiro de sempre a envergar a camisola dos “Conquistadores”.
Mesmo rodeado de craques de enorme tradição no futebol português, casos de António Teixeira, Franklim, Cesário, Eduardo Cerqueira, José Brioso, Francisco Costa, Silveira, Caraça, entre tantos outros, Lara manteria bastante destaque nas manobras tácticas do Vitória Sport Clube. A exemplo dessa preponderância, o atacante seria uma das caras da campanha de 1952/53 e que levaria o conjunto da “Cidade Berço” até às meias-finais da Taça de Portugal. No entanto, tendo entrado na “casa dos trintões”, o espanhol começaria a aproximar-se do fim da caminhada enquanto praticante. Nesse sentido, o final da sua carreira de futebolista surgira, ainda ao serviço da agremiação minhota, com o termo das provas planeadas para 1954/55. Ainda assim, o antigo avançado não deixaria de vez a modalidade e abraçaria, de regresso a Espanha, as funções de treinador. Nas demandas de um técnico, o seu trajecto também seria erguido essencialmente de divisas a militar nos escalões secundários e temos, como modelo desse percurso, as suas passagens por Puerto Real, Jerez Industrial, o regresso ao Xerez, Chiclana ou o Balón de Cádiz.

Revelado pelo Vianense, onde viria a terminar o percurso formativo, Chico Silva subiria à categoria principal da histórica agremiação minhota na temporada de 1985/86. Mesmo a jogar entre os segundo e terceiro escalões, o defesa-lateral conseguiria erguer exibições suficientemente positivas para chamar a atenção de emblemas com outras ambições. Transferido para o Sporting de Braga, o jogador estrear-se-ia na 1ª divisão pela mão do treinador Vítor Manuel e logo nessa campanha de 1988/89, mesmo sem qualquer traquejo no escalão máximo, o esquerdino conseguiria impor-se como um dos atletas mais utilizados do plantel.
Daí em diante, sempre a actuar pelo conjunto da “Cidade dos Arcebispos”, Chico Silva continuaria a cimentar-se como um dos esteios da equipa. Titular nas primeiras 3 temporadas, a campanha de 1991/92 viria a tornar-se, não digo num ponto de viragem na sua carreira, mas a mudar um pouco a preponderância que até aí vinha a auferir no delinear dos esquemas tácticos idealizados pelos técnicos à frente do grupo de trabalho bracarense. Ainda assim, o jogador não deixaria de ser importante no cumprir das metas colectivas. Nesse campo, com o Sporting de Braga longe das épocas mais faustosas do seu historial, o defesa-esquerdo manter-se-ia como um elemento relevante e ajudaria a cumprir as épocas, mais ou menos, tranquilas que os “Guerreiros” fariam ao longo da longa passagem do atleta pelas cores dos “Arsenalistas”.
Depois de 8 temporadas consecutivas ao serviço do Sporting de Braga, a campanha de 1996/97 voltaria a marcar uma nova mudança no rumo da sua caminhada profissional. Ao mudar-se para o Beira-Mar, Chico Silva, ao passar a discutir o Campeonato Nacional da 2ª divisão, afastar-se-ia de vez do convívio com os “grandes”. A sua vivência no Estádio Mário Duarte seria curta e o atleta, passado apenas um ano sobre a chegada a Aveiro, ingressaria no Gil Vicente. De regresso ao Minho, mas mantendo-se nas disputas secundárias, o defesa-lateral encontrar-se-ia com Lila, antigo colega no Vianense. Tirando essa curiosidade, a sua passagem por Barcelos não traria muito mais à sua caminhada. Seguir-se-ia, naquela que terá sido a fase mais errante da sua carreira, a mudança para o Sporting de Espinho e, cumpridos um par de anos com o listado preto e branco dos “Tigres da Costa Verde”, o jogador transferir-se-ia para o Vizela.
Já nos últimos capítulos da caminhada enquanto praticante, Chico Silva decidiria, na campanha de 2002/03, regressar à sua cidade natal e ao clube onde tinha feito a formação futebolística. No Vianense, numa espécie de fecho de ciclo, o defesa tomaria a decisão de deixar as funções de atleta e com o termo das provas agendadas para 2003/04 viria a “pendurar as chuteiras”.

Natural de Olhão, Joaquim Arcanjo daria os primeiros passos no futebol com as cores do Sport Faro e Benfica. Ainda no Algarve, ao destacar-se como avançado, o jovem jogador despertaria a atenção da “casa mãe” e na temporada de 1961/62 viajaria para Lisboa. Na Luz daria continuidade às boas prestações e numa altura em que já era habitual vê-lo nas “reservas” das “Águias”, seria chamado a envergar a “camisola das quinas”. Integrado nos juniores lusos, o atacante, a 17 de Fevereiro de 1963, entraria em campo ao lado de outros jovens que também acabariam por brilhar no desporto luso, casos de Godinho, Melo ou Guerreiro. Depois desse encontro frente a França, o atleta, sempre no escalão agora denominado como sub-18, ainda teria mais oportunidades para representar a selecção e acabaria a preencher o currículo com 4 internacionalizações por Portugal.
Ao subir à equipa principal do Benfica no decorrer da campanha de 1964/65, Arcanjo, pela mão do romeno Elek Schwartz, estrear-se-ia na 1ª divisão. Essa partida, uma estrondosa goleada por 11-3 frente ao Seixal, em que o avançado inauguraria o placard, dar-lhe-ia a oportunidade de integrar a lista de vencedores do Campeonato Nacional. Porém, apesar do título a colorir-lhe o palmarés, a sua situação de elemento pouco ou nada utilizado manter-se-ia. Tal ocaso faria com que os responsáveis directivos do clube “alfacinha” envolvessem o atleta, ao lado de Pedras e do já referido Guerreiro, no negócio da vinda de Jaime Graça para os “Encarnados” e desse modo, no começo da época de 1966/67, o jovem praticante seria apresentado como reforço do Vitória Futebol Clube.
A mudança para o emblema sediado na cidade de Setúbal não traria resultados imediatos. Só na época de 1968/69 é que o avançado, numa campanha em que seria o melhor marcador da equipa no Campeonato Nacional, começaria a ser tido como um elemento a ter em conta para o “onze” inicial. Nessa mesma época participaria também na brilhante campanha do Vitória Futebol Clube na Taça das Cidades com Feira. Nessa edição da prova, na qual os “Sadinos” chegariam aos quartos-de-final, Arcanjo marcaria golos em todas as rondas e ajudaria a eliminar o Olympique Lyon e a Fiorentina. Aliás, seria nas competições de índole continental que o atacante viveria grandes momentos competitivos. Sempre na competição já aludida neste parágrafo, o jogador, em 1969/70, ajudaria a afastar o Liverpool, para na época seguinte participar em nova caminhada até aos quartos-de-final. Já a competir na Taça UEFA, o atleta continuaria a ter um papel preponderante no galgar das eliminatórias e em 1972/73 e em 1973/74, ao participar nos triunfos frente a Fiorentina, Inter Milan ou Leeds United, por mais duas vezes atingiria os quartos-de-final.
Naquela que foi a época áurea dos “Sadinos”, Arcanjo, sob a intendência de José Maria Pedroto, ainda teria a oportunidade de disputar a final da Taça de Portugal de 1972/73. No entanto, depois de uma época menos conseguida, o atacante, sem sair da 1ª divisão, passaria a campanha de 1974/75 ao serviço do Atlético. Mesmo tendo voltado ao Estádio do Bonfim após o ano cumprido na Tapadinha, a verdade é que só a temporada de regresso é que mostraria o avançado a exibir-se de forma condizente com períodos anteriores. Talvez por essa razão, a sua ligação ao Vitória Futebol Clube concluir-se-ia com o termo das provas agendadas para 1976/77. Ainda assim, retornaria à actividade e inscrito como treinador/jogador apareceria à frente do Coruchense e do Campinense, respectivamente em 1978/79 e 1980/81.

Seria ainda como membro das “escolas” do Leixões que António Cacheira seria chamado às jovens equipas a trabalhar sob a guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado aos juniores, o defesa-direito, a 5 de Dezembro de 1969, entraria em campo ao lado de nomes como Laranjeira, Gregório Freixo, João Cardoso ou Edmundo Duarte. Essa partida, disputada no Estádio das Antas frente à Suíça, seria o primeiro passo de um trajecto que daria, alguns anos mais tarde, nova internacionalização ao jogador. Dessa feita, ao serviço do conjunto de “esperanças”, o atleta apresentar-se-ia no Estádio do Restelo e a 29 de Março de 1973 representaria Portugal frente a Itália.
No que concerne ao percurso clubístico, Cacheira subiria à equipa principal do Leixões no decorrer da campanha de 1970/71. Com a colectividade de Matosinhos na disputa da 1ª divisão, o defesa-direito, pela mão de António Medeiros, estrear-se-ia no patamar máximo à 10ª jornada do Campeonato Nacional. Daí em diante, mesmo sem ser um titular indiscutível, o “Bebé do Mar” progressivamente cimentaria o seu lugar no plantel. No entanto, após 5 temporadas a ajudar à manutenção do clube entre os “grandes”, o jogador, no seguimento daquela que terá sido a sua melhor época feita com o listado alvirrubro, decidiria mudar de rumo e em fim de contrato haveria rubricar uma ligação com o Varzim.
Apesar de descer um patamar competitivo, a mudança de insígnia estaria directamente relacionada com a contratação de António Teixeira, seu antigo treinador no Leixões, para o comando técnico dos “Lobos-do-mar”. Na Póvoa, onde chegaria ao lado de Horácio e de Montóia, atletas igualmente saídos do Estádio do Mar, o defesa, inserido na edição de 1975/76 da 2ª divisão, ajudaria o clube a sagrar-se campeão no referido patamar. O mencionado título empurraria o Varzim e o jogador para o regresso ao degrau maior do futebol luso. Nessa senda, como um dos elementos mais vezes arrolado para o “onze”, as épocas seguintes à da sua entrada na nova colectividade dar-lhe-iam a oportunidade de gravar o nome num dos grandes feitos da história da agremiação. Num grupo de trabalho recheado de figuras de monta no contexto do “desporto rei” português, casos de Francisco Mário, Jesus, Festas, Washington, Guedes, Albino, José Domingos ou os nomes indicados nas linhas inicias deste parágrafo, o defesa seria de fulcral importância para a melhor classificação de sempre do emblema poveiro, isto é, o 5º posto alcançado na tabela do Campeonato Nacional.
As boas prestações conseguidas ao serviço do Varzim, onde chegaria a ostentar com a braçadeira de capitão, levá-lo-iam a dar novo salto no trajecto desportivo. Mais uma vez atrás do treinador António Teixeira, Cacheira entraria no Estádio do Bessa como reforço para a temporada de 1980/81. Porém, mesmo a atingir bons números na primeira campanha a exibir-se pelo Boavista, a ligação aos “Axadrezados” apenas duraria mais uma época. Apesar desse facto, o defesa não deixaria a colectividade portuense sem participar noutro momento inesquecível e a vitória caseira por 4-1, a contar para a Taça UEFA de 1981/82, tornaria o embate frente aos espanhóis do Atlético Madrid num dos episódios de cariz inolvidável, vivido pelo jogador com as “Panteras Negras”.
A temporada de 1982/83, a 12ª cumprida pelo atleta na 1ª divisão, seria passada, mais uma vez a desafio de António Teixeira, no Funchal. Todavia, a época com as cores do Marítimo ficaria aquém dos desempenhos alcançados em anos anteriores. Após a experiência na Madeira, existe um par de campanhas em que não consegui encontrar qualquer registo da sua passagem pelo futebol. Se se tratou de um período sabático ou se a omissão é apenas falta de informação, não sei dizer-vos. Para ajudar a decifrar tal enigma, posso assegurar-vos que, no “site” da FPF, o tal período também aparece em branco. Por outro lado, o que parece ser certo é a sua integração no plantel de 1985/86 do Lavrense e a decisão de “pendurar as chuteiras” no fim da época cumprida nos “distritais” do Porto. De seguida emergiria a sua carreira de treinador, o regresso ao Varzim, as funções desempenhadas como adjunto na equipa principal e principalmente o excelente trabalho realizado durante os imensos anos nas camadas de formação do emblema poveiro.

Após terminar o percurso formativo nas “escolas” do KVC Jong Lede, seria com as cores do do referiemblema do norte da Bélgica que Yves van der Straeten, na temporada de 1987/88, iniciaria o percurso como sénior. Guarda-redes de bons predicados, não tardaria muito até começar a chamar a atenção de outros conjuntos. A evolução promissora, revelada logo durante os primeiros anos da carreira, faria com que o RC Malines decidisse endereçar-lhe um convite. Ao aceitar o repto, a mudança dar-se-ia na campanha de 1990/91. Porém, apesar da egrégia existência do seu novo clube, a verdade é que o guardião haveria de apanhar a colectividade numa fase menos boa da sua história. Ainda assim, a passagem pela 2ª divisão do seu país natal daria frutos e o atleta, sensivelmente 3 anos após chegar à agremiação da Flandres, subiria de patamar competitivo.
A chegada ao Royal Antwerp como reforço para a temporada de 1993/94, não só abriria as portas do escalão maior ao jogador, como, num altura em que já era visto como um dos elementos mais preponderantes do plantel, daria ao guardião visibilidade suficiente para que da Royal Belgium Football Association começassem a olhar para si como um elemento a ter em conta. Nesse sentido, após ter jogado 1 vez pela equipa “B”, van der Straeten seria convocado ao conjunto principal. Arrolado por Wilfried Van Moer, o jogador, a 24 de Abril de 1996, teria a oportunidade de, pela primeira vez, ser chamado a sentar-se no banco de reservas. Curiosamente, depois desse amigável frente à Rússia, o atleta, especificamente em Maio de 1996, Outubro de 2000 e Março de 2003, voltaria a aparecer na lista de eleitos a representar a selecção. Todavia, a sorte não estaria do lado do guarda-redes e em nenhuma dessas situações conseguiria passar da condição de suplente não utilizado.
No que concerne ao percurso clubístico, van der Straeten, com a titularidade perdida na Bélgica, acabaria por trocar, sensivelmente a meio da campanha de 1996/97, o Royal Antwerp pelo Marítimo. No Funchal depressa asseguraria um lugar no “onze” do conjunto madeirense e ao estrear-se, pela mão de Manuel José, à 15ª jornada do Campeonato Nacional, depressa conquistaria um lugar de destaque. Daí em diante, nas 3 épocas e meia em que o jogador representaria o emblema insular, seriam raras as vezes em que a baliza dos “Leões do Almirante Reis” a ele não haveria de ser entregue. Como “dono” da posição mais recuada no rectângulo de jogo, o guardião transformar-se-ia num dos principais responsáveis por alguns dos marcos atingidos pelos “Verde-rubro”. Um dos melhores exemplos seria o 5º lugar na tabela classificativa de 1997/98 e o apuramento para a Taça UEFA do ano seguinte, prova na qual, frente aos ingleses do Leeds United, o conjunto luso seria eliminado apenas no desempate por grandes penalidades.
Ao deixar o Marítimo com o termo das provas agendadas para a campanha de 1999/00, Yves van der Straeten regressaria à Bélgica e ao patamar máximo daquele país. Seguir-se-ia, então, o Lierse, emblema que, ao defender por meia dúzia de épocas, haveria de tornar-se na insígnia mais representativa da sua caminhada enquanto praticante. Mais tarde ainda vestiria as cores do SK Berlare, colectividade onde faria a transição para o papel de treinador. Nessas funções, o antigo guarda-redes tem trabalhado nas provas organizadas no seu país, onde também já orientou agremiações como o Eendracht Zele, o KSV Temse ou o KRC Gent.

Tal como o seu irmão mais velho, José Ferreira Pinto, uns anos antes, Fernando sairia do Sporting de Benguela para viajar até à metrópole, onde viria a juntar-se ao Sporting Clube de Portugal. Nos “Leões” lisboetas a partir do final da temporada de 1960/61, campanha na qual apenas representaria as “reservas”, a estreia na equipa principal ficaria guardada para a época seguinte. Pela mão de Juca, a 31 de Dezembro de 1961, o jogador entraria em campo numa peleja a contar para a Taça de Portugal, a opor os “Verde e Brancos” ao Cova da Piedade. Porém, essa partida não teria, de forma regular, grande continuidade. Mesmo revelando uma enorme polivalência, característica a permitir-lhe jogar em qualquer sector, o atleta seria poucas vezes chamado à primeira categoria e nos anos vindouros por tornar-se-ia num dos nomes habituais, mas do conjunto secundário.
Apesar de pouco utilizado nos primeiros anos de “Leão” ao peito, Fernando Ferreira Pinto acabaria por marcar presença naquela que haveria de ser a caminhada mais importante da história sportinguista. Chamado pelo brasileiro Gentil Cardoso à recepção aos cipriotas do APOEL Nicósia, o atleta, a posicionar-se como atacante, contribuiria com 2 remates certeiros para a estrondosa goleada por 16-1. No entanto, muito para além da participação naquele que é, ainda hoje, o resultado mais desnivelado numa competição sob a égide da UEFA, o atleta, na sequência da partida mencionada, também contribuiria para a inolvidável vitória na edição de 1963/64 da Taça dos Vencedores das Taças.
No que diz respeito a conquistas, o palmarés de Ferreira Pinto não ficaria cingido ao troféu referido no parágrafo anterior. Numa altura em que, no meio-campo da equipa principal, era presença habitual nas fichas de jogo, o atleta transformar-se-ia numa das figuras de maior monta na vitória do Campeonato Nacional de 1965/66. Contudo, o protagonismo conquistado praticamente terminaria com o triunfo naquela que é a prova mais importante no calendário luso. Na época subsequente, o jogador regressaria à condição de suplente e tal retrocesso fá-lo-ia procurar um novo rumo para a caminhada desportiva.
Seguir-se-ia, sem deixar a 1ª divisão, o ingresso na Sanjoanense. Com a entrada nos “Alvinegros” a acontecer na temporada de 1967/68, Ferreira Pinto cimentar-se-ia como um dos titulares da equipa. A jogar essencialmente como médio-ofensivo, o atleta tornar-se-ia de fulcral importância para os desenhos tácticos de Monteiro da Costa e, na campanha seguinte, de Manuel de Oliveira. Ainda assim, as suas exibições seriam insuficientes para evitar, com o termo das provas planeadas para 1968/69, a despromoção da equipa. Pior ainda, seria com a aludida descida de escalão que começariam as minhas dúvidas sobre um pequeno trecho da sua carreira. Nesse sentido, tenho algumas fontes a garantirem a sua continuidade na agremiação de São João da Madeira em 1969/70, enquanto outras dão-no como elemento do plantel do Tramagal. Terá dividido a época pelas duas equipas? Não sei. Curiosamente, li também referências à sua passagem pela localidade ribatejana, mas como tendo acontecido em 1970/71!
Certo seria a sua entrada no plantel de 1970/71 do Farense. No emblema algarvio, Ferreira Pinto, para além de voltar a trabalhar sob a orientação de Manuel de Oliveira, também retornaria ao patamar primodivisionário. Aliás, o seu regresso ao convívio com os “grandes” seria suficiente para pôr o jogador no quadro de notáveis do emblema sulista, pois essa época de chegada ao Estádio de São Luís coincidiria com estreia dos “Leões de Faro” no escalão maior. Seguir-se-ia, após duas épocas como titular no colectivo do Sotavento, nova mudança de rumo, com o Sacavenense de 1972/73, onde passaria a ser treinado pelo irmão mais velho, José Ferreira Pinto, e onde viria a partilhar o balneário com Cuca, o irmão mais novo, a emergir como um novo passo na caminhada competitiva do atleta. Depois apareceria a viagem transatlântica e a milionária North American Soccer League, competição na qual integraria os grupos de trabalho de 1973 e de 1974 dos Toronto Metros.

Seria já como praticante das “escolas” leoninas que José Lima acabaria chamado pela primeira vez aos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Notabilizado como um extremo veloz e com boa capacidade para municiar os seus companheiros de área, depois da estreia, a 10 de Abril de 1982, pelos actualmente denominados sub-14, o jogador, de forma regular, continuaria a ser convocado aos desafios de Portugal. Essa aposta com as cores lusas, faria com que Manuel José, no decorrer da temporada de 1984/85 desse ao atacante algumas oportunidades na equipa principal do Sporting. Porém, mesmo tendo em conta o potencial apresentado, a verdade é que o atleta não conseguiria cimentar-se como um dos indiscutíveis do plantel “verde e branco” e tal facto valer-lhe-ia o epíteto de “eterna promessa”.
Mesmo nunca tendo conseguido atingir a titularidade indiscutível, Lima, ainda assim, haveria de garantir um lugar no plantel do Sporting. Pouco utilizado nas épocas seguintes, o extremo teria a campanha mais consistente no desenovelar das provas agendadas para 1988/89. No rescaldo das prestações individuais alcançadas durante a referida temporada, Juca, à altura o seleccionador nacional, passaria a olhar para si como um bom reforço para o principal conjunto de Portugal. Convocado no âmbito da Fase de Apuramento para o Mundial de 1990, o avançado entraria em campo num par de ocasiões. A primeira verificar-se-ia a 6 de Outubro de 1989, num duelo frente à antiga Checoslováquia. Alguns dias depois, o atacante voltaria a ser escalonado frente ao Luxemburgo e, com tais pelejas, o atleta passaria a apresentar no currículo um total de 18 internacionalizações espalhadas pelos diferentes escalões lusos.
Voltando ao seu percurso clubístico, Lima pouco mais conseguiria do que ser um dos suplentes, mais ou menos, utilizados no Sporting. Tal facto, provavelmente, levá-lo-ia a tentar a sorte noutras paragens e o Minho surgiria como o novo destino da sua carreira. No entanto, também ao serviço do Vitória Sport Clube, o atleta não conseguiria demonstrar o seu real valor e cumprida a temporada de 1992/93 na cidade de Guimarães, o jogador regressaria a Lisboa. Como elemento do plantel do Atlético a partir de 1993/94, muito para além de afastado do escalão máximo, o extremo passaria a abordar a vida de uma forma um pouco diferente. Sem deixar o futebol, o atacante decidiria regressar aos estudos, acabando por completar, nos tempos seguintes, a Licenciatura em Educação Física e Desporto. Mesmo tendo em conta as aludidas opções, ainda como praticante, o atleta voltaria a viver alguns momentos de destaque. Ao entrar no Alverca em 1997/98, o extremo contribuiria para a subida da sua equipa e participaria, no ano seguinte, na inédita presença do conjunto ribatejano na 1ª divisão.
Ao deixar para trás as lides de futebolista, Lima passaria a desempenhar o papel de treinador. Como adjunto de José Romão, na época seguinte a ter “pendurado as chuteiras”, o antigo praticante transitaria para a equipa técnica do Alverca. Sem deixar o conjunto ribatejano, nos anos seguintes passaria também pelos juniores, onde, em 2001/02, orientaria o clube até ao título nacional da categoria. Aliás, tem sido nas camadas jovens que tem trilhado grande parte do seu caminho. Nesse cenário, ficaria, a partir de 2006/07, ligado às escolas do Sporting, conseguindo, por 3 vezes consecutivas, ganhar o Campeonato de Juniores. Já em 2018, após a experiência nos angolanos do 1º de Agosto e de um curto regresso aos “Leões”, assumiria um cargo técnico na Federação Portuguesa de Futebol e desde então tem estado à frente de vários patamares competitivos.

Ao terminar a formação nas “escolas” do Estoril Praia, Vítor Manuel Carvalho Calçoa seria promovido à equipa principal dos “Canarinhos” por Fernando Santos. Porém, nessa temporada de 1989/90, como na seguinte, a falta de experiência do jovem atleta faria com que fosse ultrapassado, nas escolhas do referido treinador, por outros colegas. Já a solução para a falta de presenças em campo emergiria do Alentejo. Os dois anos ao serviço d’ “O Elvas”, ainda que na disputa da 2ª divisão “B”, serviriam para que o defesa-central ganhasse o necessário traquejo para justificar o seu regresso ao Estádio António Coimbra da Mota e as boas prestações conseguidas pela agremiação raiana levá-lo-iam de volta à Linha de Cascais.
De novo com as cores do Estoril Praia, Calçoa apanharia o clube integrado no patamar maior do Campeonato Nacional. Tal facto levaria o jogador a estrear-se na 1ª divisão, numa partida frente ao Beira-Mar, logo na ronda inicial de 1993/94. Aliás, esse jogo encetaria uma campanha que, em termos individuais, seria bastante positiva. No entanto, apesar da titularidade do defesa, conseguida num plantel que, para a sua posição, também contava com Morato, Litos e Martins, as prestações colectivas ditariam o último lugar dos “Canarinhos” na tabela classificativa daquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico luso.
Mesmo com a descida do emblema sediado na Amoreira, o defesa-central manteria a sua ligação ao clube. Sem que alguém soubesse, Calçoa, com a despromoção do Estoril Praia à divisão de Honra, afastar-se-ia de vez do convívio com os “grandes”. Ainda assim, os níveis exibicionais do jogador mantê-lo-iam como uma das figuras de proa do grupo de trabalho. Nessa temporada de 1994/95, e na seguinte, o seu nome seria habitualmente inscrito nas fichas de jogo. Contudo, essa visibilidade começaria a perder-se e já com a época de 1997/98 em andamento, a perda de preponderância empurraria o jogador para outras paragens.
Daí em diante, o jogador entraria num rumo bem mais errante do que aquele que até aí tinha trilhado. Imortal de Albufeira, União de Montemor, Atlético, Fanhões, União de Santiago Alcains e Beira-Mar de Monte Gordo, com mudanças de clube em praticamente todas as época, tornar-se-iam nas insígnias a colorir o resto da sua carreira de futebolista. Nessa senda, a levá-lo a diferentes partes do país, o termo das actividades como praticante surgiria, depois de representar o último colectivo mencionado, com o fim das provas agendadas para 2003/04. Todavia, apesar da decisão de “pendurar as chuteiras”, Calçoa voltaria a ligar-se à modalidade. Já como treinador, o antigo defesa tem mormente trabalhado nas camadas de formação, com especial destaque para a sua passagem pelas “escolas” do Estoril Praia e do Dramático de Cascais.

Como atleta das “escolas” do Benfica, Álvaro Carolino seria chamado aos trabalhos sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. A estreia, feita no âmbito das disputas agendadas para os juniores, aconteceria, numa partida frente a França, a 11 de Novembro de 1968. O mencionado desafio daria início a uma caminhada que terminaria, anos mais tarde, com o atleta a vestir a principal “camisola das quinas”. Nesse contexto, a primeira aparição do jogador surgiria durante a Fase de Apuramento para o Euro 76. Chamado por José Maria Pedroto, o defesa, a 19 de Novembro de 1975, participaria na jornada a opor Portugal a Inglaterra. Daí em diante, sempre pela equipa “A”, o atleta teria ainda nova oportunidade para entrar em campo e, na soma das aparições feitas pelos dois escalões referidos neste parágrafo, juntaria ao currículo 5 internacionalizações com as cores lusas.
Apesar de revelar um enorme potencial, a verdade é que, na altura de subir a sénior, Carolino, tapado no Benfica por nomes como Humberto Coelho, Jacinto ou Zeca, ver-se-ia obrigado a rumar noutra direcção. O destino acabaria por levá-lo ao Peniche e à 2ª divisão. Porém, o jovem atleta aproveitaria esses anos longe dos principais escaparates desportivos para ganhar o traquejo necessário a um crescimento sustentado. Já mais experiente, veria o Montijo a apostar na sua contratação e a apresentá-lo como reforço para o plantel de 1972/73. De regresso ao escalão principal, o defesa-central assumir-se-ia como um dos titulares da agremiação sediada na Margem Sul do Rio Tejo. Tamanho destaque faria com que o Boavista olhasse para si como uma boa aposta e o jogador, com Francisco Mário e João Alves como companheiros de viagem, deixaria a área metropolitana de Lisboa para partir em direcção ao Porto.
Ao entrar no Bessa na temporada de 1974/75, o defesa ajudaria a erguer uma das melhores fases da história dos “Axadrezados”. Com José Maria Pedroto como treinador, para além das boas prestações no Campeonato Nacional, como prova a 2ª posição em 1975/76, a Taça de Portugal transformar-se-ia num dos grandes palcos do colectivo sediado na “Cidade Invicta”. No contexto da “Prova Rainha”, Carolino, muito para além de participar nas finais de 1974/75 e de 1975/76, inscreveria o seu nome como um dos vencedores de ambas as edições. No entanto, mesmo tendo em conta todo o sucesso vivido, os últimos anos da sua ligação às “Panteras” seriam ingratos para o atleta, com o defesa-central afastado dos campos de jogo. Na sequência desse longo ocaso, a meio da temporada de 1980/81 o futebolista transferir-se-ia para a Académica de Coimbra e seria como atleta dos “Estudantes” que haveria de pôr um ponto final na carreira como praticante.
Apesar de “penduradas as chuteiras”, Álvaro Carolino manter-se-ia ligado à modalidade. Como treinador, mesmo com um trajecto maioritariamente relacionado a emblemas dos escalões secundários, o antigo defesa também teria experiencias na 1ª divisão. Aliás, dos primeiros anos como técnico tiramos as experiências à frente dos primodivisionários Boavista e Sporting de Espinho. Também nesse cenário competitivo, há ainda a destacar as suas passagens pelo Académico de Viseu e pelo Feirense. Merecedor de realce, temos igualmente de relembrar os anos cumpridos à frente do Desportivo de Chaves. Em Trás-os-Montes, seria o grande responsável pela primeira subida da história dos “Flavienses” ao patamar maior do futebol luso e só não celebrou junto aos seus discípulos porque, por razão de um desentendimento com os dirigentes do clube, sairia antes da Liguilha que selaria a inédita promoção.