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1790 - SEBASTIÃO

Apesar da ligação ao FC Porto e de também ter sido um dos nomes históricos das primeiras sendas do Tirsense no escalão maior, a verdade é que, por mais fontes que considerasse, não consegui reconstruir, de forma inabalável, a carreira desportiva de Sebastião Lopes Oliveira. Ainda assim, os poucos registos por mim encontrados permitiram-me edificar uma ideia desse mesmo percurso competitivo e tendo como únicas alusões as experiências nas duas colectividades já mencionadas, então poderei afirmar que tudo terá começado de azul e branco.
Com a formação, feita com as cores do FC Porto, encetada na temporada de 1954/55 e concluída na campanha 1958/59, esse trecho de 5 fatias iguais acabaria dividido em 4 partes oferecidas aos conjuntos de juvenis e 1 fracção associada aos deveres dos juniores. Daí em diante, sem que o defesa-direito aparentemente deixasse os “Dragões”, aparecer-me-ia a referência à sua subida a sénior, isto na época de 1959/60. Contudo, por mais que vasculhasse nos assentamentos, por mim encontrados, a falarem-me das disputadas da equipa principal dos “Azuis e Brancos”, jamais consegui ver sublinhada, em qualquer que fosse a competição ou certame, alguma participação sua nesse contexto. Tal omissão ter-me-á levado a concluir, de forma abusiva ou então numa dedução com alguns alicerces lógicos, que Sebastião, no intervalo entre 1959/60 e 1961/62 apenas terá representado as “reservas”, ou outra categoria inferior, da equipa com sede na “Cidade Invicta”.
O que também parece ser certo, será a sua entrada no Tirsense, como reforço para a temporada de 1964/65. Tendo como correcto este esclarecimento, há então que levantar outra questão: o que terá feito ou por onde terá andado Sebastião durante o hiato de duas épocas em que não encontrei qualquer cadastro seu? A resposta, sem que tenha descoberto qualquer informação nesse sentido, poderá estar relacionada com o Serviço Militar Obrigatório. É que os atletas, por essas alturas e por razão dos deveres da sua chamada à tropa, eram, muitas vezes, forçados a paragens prolongadas. Se a esse facto juntarmos o começo da Guerra Colonial em 1961, há também uma forte probabilidade do defesa-direito ter passado o aludido período de tempo numa comissão cumprida em África.
Especulações à parte… A entrada de Sebastião no plantel do Tirsense de 1964/65 levá-lo-ia a entrar em competição nos cenários do 3º patamar. Surpreendentemente, as campanhas seguintes levariam os “Jesuítas” a 2 subidas consecutivas e o enorme feito transformaria 1967/68 na época de estreia do clube entre os “grandes”. Num plantel sob a intendência do treinador/jogador Ferreirinha e com Carlos Manuel, Cristóvão, Amândio ou Naftal a preencher o balneário, o defesa-direito haveria de consagrar-se como um dos elementos com maior utilização durante o desenovelar das competições lusas. Ainda assim, a chegada ao final da última temporada referida traria a despromoção da colectividade nortenha. O hiato, fora daquela que é a competição de maior monta em Portugal, duraria um par de anos e seria só com o hipotético final da carreira à vista que o jogador voltaria à 1ª divisão.
Esse regresso, após a consagração do Tirsense como vencedor da 2ª divisão, aconteceria na temporada de 1970/71. Orientado inicialmente por Orlando Ramín e, com a saída deste, por Mário Wilson, mais uma vez Sebastião haveria de destacar-se como um dos membros a registar maior assiduidade no “onze”. A época seguinte, ainda nos “plateaus” primodivisionários, também correria em bons termos para o jogador. O pior, tal como em anos anteriores, viria com o fecho das contas referentes ao Campeonato Nacional e com o 16º lugar na tabela classificativa a indicar a descida de escalão. O resultado deste desaire, no que diz respeito ao defesa-direito, não sei bem dizer qual terá sido! O que posso garantir é que da campanha de 1971/72 para a frente nada mais consegui encontrar sobre a sua ligação ao futebol.

1719 - CHICO FARIA

Saído da famosa fornada dos “Bebés do Mar”, onde também estariam incluídos nomes como o seu irmão Horácio, Fonseca, Praia, Neca, ou Montóia, Francisco Delfim Dias Faria, popularizado pelo diminutivo Chico ou, se preferirem, Chico Faria, teria na temporada de 1967/68 a estreia na equipa principal do Leixões. Logo nessa campanha, orientado por António Teixeira, o extremo-direito conseguiria, não só conquistar a confiança do referido treinador, como chamaria, com a titularidade alcançada no sector mais ofensivo da agremiação matosinhense, a atenção dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Incluído nos trabalhos agendados para os, actualmente designados, sub-18, o atacante teria na edição de 1968 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA o arranque da caminhada pelos diferentes escalões lusos. Chamado ao certame organizado na França, o avançado conseguiria no desafio frente à Escócia, disputado a 7 de Abril de 1968, dar o primeiro passo com a “camisola das quinas”. Com um golo marcado nessa partida, e mais 3 nas seguintes rondas, o jogador haveria de ajudar o seu conjunto a chegar à disputa pelo 3º lugar e deixaria o torneio na posse da medalha de bronze e com o título de Melhor Marcador.
No que diz respeito ao trajecto clubístico, a Chico Faria bastaria um ano a exibir-se na 1ª divisão para que, de outros lados, surgissem algumas solicitações para uma eventual mudança de emblema – “Tive convites dos outros dois "grandes" e da Académica, mas já tinha a inclinação para o Sporting e não me arrependo nada. Eu era leão...”*.
Com a chegada a Alvalade em 1968/69, o extremo-direito depressa viria a consagrar-se como um dos favoritos dos diferentes treinadores que, nessa campanha, haveriam de passar pelo comando técnico dos “Verde e Brancos”. A época seguinte, no que diz respeito à assiduidade com que apareceria em campo, seria mais intermitente. Porém, daí em diante, muito por razão de uma atitude incansável e de qualidades físicas e técnicas bem acima da média, o jogador passaria a colher, de forma quase unanime, a preferência no arrolar do alinhamento inicial. A importância que viria a revelar teria um enorme peso nas conquistas colectivas e o seu currículo, nas temporadas vindouras, ficaria colorido pelos triunfos em 2 Campeonatos Nacionais e 3 Taças de Portugal.
Também no plano internacional, a passagem de Chico Faria por Lisboa traria ao atleta grandes proveitos. Para além de diferentes chamadas aos escalões de formação, o atacante teria a oportunidade de, a 10 de Maio de 1972, fazer a estreia pelos “AA” de Portugal. Chamado à partida frente ao Chipre por José Augusto, o avançado também marcaria um golo nessa partida a contar para a Fase de Apuramento para o Mundial de 1974. Daí em diante, no escalão já referido neste parágrafo, o extremo-direito ainda acumularia outras 3 partidas e naquele que viria a ser o seu somatório de aparições nos diferentes patamares consagrados à “camisola das quinas”, o jogador conseguiria acumular um total de 19 jogos por Portugal.
Ao fim de 8 anos a representar os “Leões”, Chico Faria decidiria deixar Alvalade – "Não fui mandado embora do Sporting. Saí porque quis, num período conturbado, a seguir à revolução de 74. O ambiente em Lisboa não era o melhor. A minha mulher (de quem me vim a divorciar) era de Braga e fui aliciado pela família dela para aceitar um convite do Sp. Braga. Mas acho que vim prematuramente, porque o Sporting tudo fez para eu continuar lá."*. Nesse sentido, à chegada ao Minho, o avançado seria apresentado como reforço para a temporada de 1976/77. Nos “Guerreiros” manteria uma qualidade de jogo inabalável, voltando a ser incluído nos planos da selecção nacional. Essa meia dúzia de anos passados na “Cidade dos Arcebispos” continuariam a revelá-lo como um dos melhores intérpretes primodivisionários e o avançado, logo na campanha de chegada, contribuiria para dois momentos de grandiosa importância na história do clube. Num contexto inolvidável, depois de marcar presença no decisivo jogo da Taça de Portugal, perdida para o FC Porto, o atleta ainda participaria na vitória frente ao Estoril Praia e ajudaria, nessa final disputada em Coimbra, ao triunfo dos “Arsenalistas” na única edição da Taça da FPF.
Já com o final da carreira à vista, após participar, pelo Sporting de Braga, na final da Taça de Portugal de 1981/82, o extremo-direito encetaria um périplo que, em quatro anos, levá-lo-ia a representar 4 emblemas diferentes. Sempre nos escalões secundários, Penafiel, Marítimo, Lusitânia de Lourosa e Ponte da Barca preencheriam, pela ordem apresentada, uma caminhada que conheceria o fim com o termo das provas agendadas para a temporada de 1985/86. “Penduradas as chuteiras”, o antigo jogador passaria a dar mais atenção aos negócios pessoais. Ainda assim, não deixaria de vez o futebol e entre os cargos assumidos no Joane, no Limianos ou como adjunto de Manuel José no Sporting de Braga, Chico Faria alimentaria o “bichinho” pelo “jogo da bola”.

*retirado da entrevista publicada a 29/12/2000, em www.record.pt

1656 - BARNABÉ

Formado no futebol do Sporting, depois de também ter praticado natação e ginástica no clube, João Pedro Barnabé dos Santos, chegaria a sénior na temporada de 1965/66. Porém, apesar da qualidade exibida projectar para si um lugar no plantel principal, a verdade é que uma lesão levá-lo-ia a adiar tal estreia. Inserido nos “reservas”, o defesa-direito, na campanha de 1967/68, finalmente conseguiria ser chamado ao mais importante “onze” leonino. Arrolado por Fernando Caiado à titularidade, o jogador, na 5ª jornada do Campeonato Nacional, teria o arranque de uma caminhada que, em Alvalade, pouco mais tempo duraria. Sem lugar no plantel dos “Verdes e Brancos”, o atleta mudaria de emblema e encontraria no União de Tomar a sua nova divisa.
No emblema do distrito de Santarém a partir da temporada de 1968/69, Barnabé, como um dos atletas a fazer parte do primeiro grupo a disputar, na história dos “Nabantinos”, o escalão máximo, automaticamente entraria para os anais do clube. Obviamente, não seria apenas este facto a pô-lo em destaque na simpatia dos adeptos. Num conjunto orientado por Oscar Tellechea, o defesa desde logo assumiria um papel deveras importante nos esquemas tácticos pensados pelo treinador argentino. É também verdade que, apesar da segurança dada ao último sector dos homens sediados na “Cidade dos Templários”, onde chegaria a ocupar ambas as laterais, nem sempre conseguiria manter-se como um dos titulares. Nesse sentido, a época seguinte à da sua chegada constituiria uma dessas excepções e, curiosamente, o termo da campanha referida ditaria a despromoção do União de Tomar.
Nas 6 temporadas do União de Tomar na 1ª divisão, Barnabé passaria 4 anos entre os “grandes” do futebol luso. Nesse contexto competitivo, o atleta, em 1971/72 e orientado por Fernando Cabrita, teria a época mais produtiva em termos individuais. Infelizmente, a campanha seguinte voltaria a trazer ao seu percurso a malapata das lesões. Com graves mazelas a atrapalhar a sua continuidade como praticante de alta-competição, o defesa pouco jogaria nas temporadas de 1972/73 e 1973/74. Tamanho revés levá-lo-ia a encarar a sua ligação com o desporto de uma forma diferente da relação tida até esse momento. Ao decidir ser a altura certa para, com 27 anos, “pendurar as chuteiras”, o antigo praticante veria no trilho escolar a melhor maneira de regressar à modalidade da sua paixão e o curso de Educação Física passaria a ocupar a maior parte do seu tempo.
 Ao completar o mencionado grau académico, durante o qual ainda jogaria no Campeonato estudantil e também com as cores do CIF, o antigo futebolista profissional ganharia mais valências para operar no universo do futebol. Ele que, em 1972, já tinha feito parte do grupo fundador do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, a partir de 1982/83, passaria a desempenhar, nas “escolas” leoninas, as funções de treinador. Igualmente como técnico, a sua ligação à Federação Portuguesa de Futebol começaria, no conjunto “A”, como adjunto de Juca. Ainda com a “camisola das quinas”, em dois períodos distintos, assumiria o papel de seleccionador nacional de futebol de praia. Também no futebol de rua haveria de ser o principal timoneiro do conjunto luso. Já no que diz respeito ao trajecto no cenário clubístico, cumprido como técnico-principal, como coordenador-técnico ou coordenador da formação, João Barnabé teria passagens pelo União de Coimbra, Torreense, União de Tomar, Sintrense e Atlético. Para juntar a tudo isto, falta ainda fazer referência às várias “escolas” onde haveria de trabalhar ou o labor na Associação de Futebol de Lisboa.

1611 - GUERREIRO

Seria como membro das “escolas” do Benfica que Félix Marques Guerreiro acabaria chamado aos trabalhos das jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Incluído num grupo onde também marcariam presença notáveis atletas, casos de Melo, Godinho, Rui Rodrigues, Gervásio ou Alfredo Quaresma, o extremo viria a ser convocado para a disputa da edição de 1962 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. No certame organizado na Roménia, seria frente à “equipa da casa” que o extremo conseguiria a primeira internacionalização. No resto da carreira, o atacante ainda amealharia outras partidas feitas com a “camisola das quinas”. Num total de 13 pelejas cumpridas por Portugal, onde também estariam incluídas as contendas pelos “BB” e pelos “esperanças”, o principal destaque iria, como é lógico, para a chegada à equipa principal. O seu trajecto com a insígnia dos “AA” encetar-se-ia, numa altura em que já era um distinto membro do Vitória Futebol Clube, pela mão de José Maria Antunes. Nessa jornada da Fase de Apuramento para o Mundial de 1970, entraria em campo, como titular, ao lado dos “magriços” Eusébio, Simões, Peres e Hilário e o bom desempenho no embate frente à Suíça daria azo a outras duas participações com as mais importantes cores lusas.
Regressando ao seu percurso clubístico, Guerreiro, com a entrada na equipa principal da “Águias” a acontecer na temporada de 1964/65, ver-se-ia relegado para a condição de suplente. Tapado por José Augusto e com Iaúca igualmente à espreita de um lugar no “onze”, o extremo-direito poucas oportunidades conseguiria na equipa orientada pelo romeno Elek Schwartz. Também na campanha seguinte, já sob a alçada do regressado Béla Guttmann, o seu estatuto não sairia reforçado. Sem espaço no Benfica, o jogador, ao lado de Pedras e de Arcanjo, seria envolvido no negócio a fazer chegar Jaime Graça à Luz e acabaria, com o palmarés recheado pela conquista do Campeonato Nacional da época mencionada no início deste parágrafo, por partir em direcção à cidade de Setúbal.
Com a entrada na nova colectividade a acontecer na temporada de 1966/67, Guerreiro encetaria uma caminhada a levá-lo ao estrito rol dos jogadores mais respeitados no cenário luso. Comandado por Fernando Vaz e com um extenso rol de excelentes praticantes como companheiros de balneário, o extremo transformar-se-ia numa das figuras da campanha realizada pelo Vitória Futebol Clube na Taça de Portugal. Na edição da “Prova Rainha” referente à sua chegada ao Bonfim, com a agremiação setubalense no derradeiro desafio da competição, o atacante seria chamado à peleja disputada, frente à Académica de Coimbra, no Estádio Nacional. Numa partida deveras renhida, seria o seu golo, concretizado durante o primeiro prolongamento, a manter a esperança dos “Sadinos” bem acesa e o remate certeiro de Jacinto João aos 144 minutos, ao selar o 3-2 final, permitiria a saída do almejado troféu na posse dos homens a envergar o listado verde e branco.
Guerreiro também marcaria presença na final da Taça de Portugal de 1967/68, dessa feita perdida frente ao FC Porto. No entanto, para além da referida competição, outras marcas de inolvidável importância surgiriam na carreira do extremo. No que diz respeito às provas de índole continental, numa altura em que o Vitória Futebol Clube cruzava um capítulo áureo da sua história, o atacante seria uma das grandes figuras das pelejas fora de fronteiras. Nesse campo, com a colectividade setubalense a repetir anualmente a sua participação, os maiores destaques iriam para a eliminação de agremiações como a Fiorentina, o Liverpool ou o Inter Milan; para as edições de 1968/69 e de 1970/71 da Taça das Cidades com Feira e a Taça UEFA de 1972/73, com os “Sadinos” a chegarem aos quartos-de-final; ou ainda as 3 dezenas de presenças do atacante nessas partidas.
O trecho seguinte do trajecto competitivo do avançado surgiria, a partir de 1973/74, com as cores do Atlético. A entrada na Tapadinha apresentaria o jogador à 2ª divisão. Porém, apesar do cenário inédito na sua carreira, e numa equipa com inúmeros craques, casos de Franque, Caló, José Eduardo, Coelho, Nogueira, Vasques, Candeias ou Esmoriz, o regresso ao patamar maior assegurar-se-ia logo no ano seguinte. De novo a trabalhar com Fernando Vaz, o extremo encetaria aí um par de campanhas primodivisionárias, as quais precederiam uma derradeira época ao serviço do Viseu e Benfica e a decisão de “pendurar das chuteiras”, com o termo das provas agendadas para 1976/77.

1602 - BANDEIRA

Com a formação terminada com as cores do FC Barreirense, seria na colectividade alvirrubra que António Alfredo Costa Bandeira conheceria também os primeiros desafios como sénior. Com a mencionada estreia a acontecer na temporada de 1961/62, o jogador, orientado pelo espanhol Manolo Ibáñez, começaria por disputar o 2º escalão. Porém, com a vitória conseguida no Campeonato Nacional da 2ª divisão, a campanha seguinte iria apresentá-lo aos maiores palcos lusos. Acompanhado por nomes míticos da histórica agremiação sediada na margem esquerda do Rio Tejo, como Faneca, Albino Lança, Ludovico, Silvino Preto, Mira, Francisco Candeias, entre outros, o jovem praticante encetaria o seu trajecto ainda como um dos elementos à procura de conquistar um lugar no “onze”. Aliás, o estatuto de titular só conseguiria cimentá-lo alguns anos depois, após outra passagem pelo degrau secundário e com um novo regresso ao convívio com os “grandes”.
A verdade é que a primodivisionária temporada de 1965/66, numa altura de alguma instabilidade desportiva para o FC Barreirense, desembocaria em mais uma incursão do conjunto, e do jogador, pela 2ª divisão. Aliás, essa inconstância provocaria um perseverante sobe e desce de escalão do emblema a jogar em casa no Estádio Dom Manuel de Mello. Contudo, pelo meio emergiria um momento importante e a conquista da edição de 1967/68 da Taça Ribeiro dos Reis, com Bandeira já a envergar a braçadeira de capitão e com Manuel de Oliveira como treinador, entregaria aos escaparates da agremiação o primeiro troféu de expressão nacional. Já a alternância referida nas linhas iniciais deste parágrafo terminaria em 1969/70 e logo com um recorde batido. Na mencionada campanha, a colectividade terminaria o Campeonato na 4ª posição da tabela classificativa e, por razão daquela que seria a melhor posição de sempre da divisa da Margem Sul, abrir-se-iam as portas das competições de índole continental.
Como já destapado, a temporada de 1970/71 daria ao FC Barreirense a estreia na Taça das Cidades com Feira. Num grupo de trabalho abrilhantado por atletas como Nelinho, Henrique Câmpora, Manuel Bento, Serafim ou Valter, calharia em sorte ao colectivo português enfrentar os jugoslavos do Dinamo Zagreb. Com Bandeira a participar em ambas as partidas da eliminatória, a vitória caseira por 2-0 abriria outras perspectivas ao emblema luso. No entanto, o listado vermelho e branco claudicaria na 2ª mão e uma copiosa derrota por 6-1 ditaria o afastamento dos homens sob a intendência do brasileiro Edsel Fernandes.
Com os últimos 5 anos de Bandeira no FC Barreirense a ditarem o mais longo período do atleta a competir no patamar máximo, o final da temporada de 1973/74, com mais uma despromoção, coincidiria com o fim da ligação entre o defesa e a colectividade. Mesmo já a acusar alguma veterania, ainda assim, as qualidades apresentadas ao longo de uma carreira construída com enorme seriedade, atributos dos quais mereceriam maior destaque a boa leitura do jogo e uma capacidade de desarme acutilante, o atleta ainda teria espaço para dar seguimento à caminhada competitiva. Surgiria então o Amora, onde, na época de 1974/75, entraria como treinador-jogador. Seguir-se-iam 5 campanhas na Medideira e o “pendurar das chuteiras” com o termo das provas planeadas para 1978/79.

1466 - RUI REIS

Com o seu percurso como desportista a registrar os primeiros capítulos no emblema da sua terra natal, seria o Seixal FC a lançá-lo para uma carreira que, entre os principais escalões do futebol português, conheceria diversas colectividades. Nessa caminhada de boas exibições, depois do destaque enquanto elemento da agremiação sediada na Margem Sul do Rio Tejo, o avançado deixaria o Campo do Bravo e rubricaria, com o Atlético, um novo laço contratual. Já na Tapadinha, num plantel a contar com nomes que ficariam bem conhecidos na modalidade, casos de Esmoriz, Baltazar, Nogueira, ou até do capitão Candeias, a temporada de 1970/71 seria de subida e o regresso do conjunto lisboeta ao convívio com os “grandes” daria ao jogador a estreia no patamar máximo.
Na edição de 1971/72 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, Rui Reis, a trabalhar até à 14ª ronda sob a alçada de Peres Bandeira e, depois da saída deste, com o inglês Ted Smith, teria na forte disputa por um lugar na frente de ataque, nomeadamente na concorrência de Raimundo e de Leitão, a maior dificuldade para a sua afirmação como um elemento indiscutível no “onze” alcantarense. Ainda assim, as suas aparições em campo, mormente após a entrada do referido técnico britânico, dariam um bom contributo para o 10º posto do emblema “alfacinha” na tabela classificativa daquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico de Portugal.
A temporada de 1972/73, a nível pessoal e igualmente em termos colectivos, ficaria bem aquém do espectável. Mantendo-se Ted Smith no comando do Atlético, Rui Reis veria as suas inscrições nas fichas de jogo a diminuírem de quantidade relativamente a épocas anteriores. Já a equipa também não corresponderia às projecções feitas no início da época e nem um plantel de grande valor evitaria, com o termo da campanha aludida no começo deste parágrafo, a 15ª posição no Campeonato Nacional e a consequente descida de divisão.
Com a saída do avançado do emblema a jogar em casa no bairro de Alcântara, Rui Reis, acompanhado na viagem por Pedras, seu colega no Atlético, escolheria o Sintrense para dar seguimento ao percurso competitivo. Com o emblema saloio a disputar a Zona Sul da 2ª divisão, o atacante iniciaria aí um percurso que afastaria do seu caminho os cenários primodivisionários. Seguir-se-iam, após deixar o Campo Manuel Soares Barreto, as curtas passagens pelo FC Barreirense de 1975/76 e pelo União de Montemor. Depois da experiência na colectividade alentejana, a entrada nos derradeiros capítulos do trajecto competitivo, fá-lo-ia regressar à casa onde, vários anos antes, tinha dado os primeiros passos no futebol, ou seja, voltaria a envergar a camisola do Seixal FC.

1411 - EDUARDO RIBEIRO

Com a formação feita com as cores do Belenenses, Eduardo Ribeiro, ainda em idade júnior, começaria por cumprir várias partidas junto das “reservas” e, pela mão do treinador Fernando Vaz, disputaria a edição de 1963/64 da Taça Ribeiro dos Reis. Contudo, apesar de ser uma forte aposta do técnico acima aludido, a entrada do espanhol Ángel Zubieta para o comando técnico dos “Azuis” viria a alterar este cenário e o jovem atleta acabaria por deixar o Restelo e prosseguiria a sua carreira com outro emblema.
Na temporada de 1964/65, com a saída do Belenenses, o atacante ingressaria no Peniche. Mesmo a disputar a 2ª divisão, as boas exibições do jogador e os golos concretizados durante essa época, levariam outros emblemas a olhar para si como um elemento bom para reforçar os seus planteis. Quem ganharia a corrida pelo avançado acabaria por ser a primodivisionária CUF, orientada por Manuel de Oliveira. Com o ingresso na agremiação sediada no Lavradio a acontecer na campanha de 1965/66, Eduardo Ribeiro passaria a partilhar o balneário com nomes como Mário João, Durand, Uria ou Abalroado. Porém, o Serviço Militar Obrigatório viria a atrapalhar a sua evolução e a sua caminhada competitiva, mais uma vez, mudaria de rumo.
Após a campanha de 1966/67 cumprida, por empréstimo, com as cores do Cova da Piedade, Eduardo Ribeiro veria o seu nome inscrito no contingente militar com destino às Províncias Ultramarinas de África. Em Angola, durante as épocas de 1968 e de 1969, vestiria as cores do Sporting de Negage e paralelamente envergaria a camisola da selecção do Uíge. Já o regresso à metrópole aconteceria para a temporada de 1969/70 e de novo para ocupar um lugar no grupo de trabalho da CUF. Na Margem Sul do Rio Tejo, o jogador encontrar-se-ia com um velho conhecido dos tempos passados no Belenenses, o treinador Carlos Silva. Mesmo não tendo conseguido agarrar a titularidade de imediato, a evolução demonstrada assegurar-lhe-ia a permanência no plantel e, nesse sentido, os anos seguintes vivê-los-ia no Estádio Alfredo da Silva.
Com a CUF, onde jogaria ao lado de nomes como Manuel Fernandes, Capitão-Mor, Conhé, Vítor Pereira, Arnaldo, Castro e tantos outros ilustres do futebol luso, o atleta transformar-se-ia numa das principais peças da colectividade, no cumprimento de diversas metas. Como exemplo desses feitos, posso começar por referir o 4º lugar conseguido no final do Campeonato Nacional de 1971/72. Já a época seguinte traria ao seu currículo a Taça UEFA. Chamado a jogo por Fernando Caiado, muito mais do que participar nas eliminatórias frente ao Racing White e com os germânicos do Kaiserslautern, o avançado seria fulcral, com dois golos caseiros marcados na 2ª mão da 1ª ronda, no afastamento da mencionada equipa belga.
No que diz respeito às competições continentais, não posso deixar de mencionar as participações na Taça Intertoto, em especial na edição de 1974/75, de onde, ao lado dos seus colegas, sairia como um dos vencedores. Contudo, os números que, em definitivo, haveriam de gravar Eduardo Ribeiro como um dos grandes jogadores na história da CUF, viriam a ser as diversas temporadas realizadas pela equipa barreirense. Com um total de 12 campanhas cumpridas, divididas entre os dois períodos já referidos no texto, o atacante também acompanharia o colectivo do Lavradio, na descida ao patamar secundário. Depois de 1975/76, campanha que viria a tornar-se na derradeira temporada do Grupo Desportivo da CUF entre os “grandes” do futebol português, o avançado ainda continuaria por mais 4 anos a vestir a camisola verde e branca. Sairia em 1979/80 e para fazer mais uma época no Alferrarede.

1407 - CANDEIAS

Meses após o nascimento, Manuel Candeias, na companhia dos pais, deixaria a aldeia natal, na zona do Fundão, para passar a residir no bairro lisboeta de Alcântara. Alguns anos depois, já como um apaixonado pelo futebol, entraria para as “escolas” do Atlético Clube de Portugal. Tendo dado os primeiros passos na modalidade ainda na infância, o jovem praticante continuaria a subir os diversos degraus formativos até atingir, na temporada de 1963/64, a equipa principal. Com o emblema da Tapadinha, por essa altura, a disputar o escalão secundário, o defesa-central ainda demoraria alguns anos até chegar ao convívio dos “grandes”. Essa barreira, orientado por Angel Oñoro, ultrapassá-la-ia com o encetar da campanha de 1966/67 e como parte de um grupo de trabalho onde estavam incluídos Marinho, Rodolfo Seminário, Botelho e o “astro” Matateu.
Com o emblema alcantarense a teimar num trajecto desportivamente instável, Candeias, progressivamente a cimentar-se como uma das figuras da equipa, acompanharia o Atlético na senda de descidas e subidas que caracterizaria a caminhada do clube nas décadas de 1960 e 1970. Uma das provas da sua importância, no seio do grupo de trabalho, surgiria com a braçadeira de capitão entregue à sua responsabilidade. Como um elemento de cariz intrépido e incansável, o defesa-central depressa conseguiria transformar-se num grande exemplo para os colegas de balneário. Ao nunca virar a cara à colectividade “alfacinha”, o jogador alimentaria a aura mítica que muitos ainda recordam e as 13 temporadas como sénior, ao serviço da agremiação sediada em Alcântara, ficariam como forte testemunho de uma entrega impar.
Apesar de ter dedicado ao clube 23 anos da sua vida como futebolista, número que faz de si o elemento que durante mais tempo representou o clube, Manuel Candeias ainda haveria de ser assediado por um dos maiores rivais do Atlético. No entanto, o “namoro” com Belenenses, com os “Azuis” a quererem concretizar a transferência apenas à custa da cedência de vários futebolistas, esbarraria na intransigência dos dirigentes da Tapadinha em aceitar um negócio em tais moldes. Ironicamente, mais tarde, o defesa viria a ser dispensado. Já consagrado como o jogador que mais vezes tinha envergado a camisola da agremiação alcantarense, o central ter-se-á negado à exigência do treinador uruguaio José Caraballo que, segundo o especulado na altura, haveria de informar o atleta que, para continuar no clube, teria de primeiro “treinar à experiência”.
Com a saída da Tapadinha, seria o Montijo, ainda na 1ª divisão, a receber o atleta. Na Margem Sul do Rio Tejo, Manuel Candeias chegaria na campanha de 1976/77, para ainda completar mais uma temporada pelo conjunto aldegalense. Com um ano sabático pelo meio, de seguida, segundo a informação retirada do sítio oficial da Federação Portuguesa de Futebol, o defesa-central terá sido inscrito no plantel de 1979/80 do Sporting Clube de Linda-a-Velha. Já com as “chuteiras penduradas”, o antigo defesa, nas funções treinador, voltaria a ligar-se ao Atlético e, dessa feita, para orientar as camadas jovens da agremiação lisboeta.

1314 - LEMOS

Descoberto no Ferroviário de Luanda pelo FC Porto, Lemos terminaria a formação já como atleta dos “Dragões”. Porém, apesar de ver reconhecidas as suas características como auspiciosas, o jovem atleta, na altura de arribar caminho no patamar sénior, seria emprestado ao Boavista. A entrada no plantel de 1968/69 da colectividade “axadrezada”, ainda que a disputar a 2ª divisão, resultaria numa parceria muito positiva para o jogador. A dar razão a uma louvada capacidade finalizadora, os golos de Lemos seriam de extrema importância no cumprimento dos objectivos atribuídos ao colectivo. Nesse sentido, o avançado acabaria como uma das principais figuras do regresso das “Panteras” ao degrau maior do futebol luso e, já na sequência da subida, a temporada de 1969/70, sem deixar o Bessa, tornar-se-ia na sua época de estreia no escalão máximo.
O regresso ao FC Porto aconteceria na campanha de 1970/71. Com a tarimba ganha no par de anos passados ao serviço do Boavista, o avançado rapidamente ganharia um lugar de relevo no grupo de trabalho às ordens de António Teixeira. Aliás, essa temporada, para além dos destaques vividos de “azul e branco”, Lemos mereceria a atenção dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Chamado às pelejas dos “esperanças”, a estreia com a “camisola das quinas” ocorreria a 17 de Fevereiro de 1971, num embate “particular” frente à Espanha e onde, como curiosidade, também marcaria um golo. Ainda no decorrer dessa temporada, o atacante voltaria a ser convocado aos trabalhos da referida categoria nacional e com cores portuguesas acabaria a colorir o currículo com um total de 3 internacionalizações.
Outra das histórias míticas da carreira do atleta, por certo a mais memorável, ocorreria também no desenrolar da temporada de 1970/71. Numa partida frente ao Benfica de Eusébio, Jaime Graça, Humberto Coelho, Toni, Nené ou Artur Jorge, os holofotes do jogo acabariam por incidir sobre a brilhante exibição do avançado. Naquela 18ª jornada do Campeonato Nacional, a disputa marcada para a “Cidade Invicta”, de maneira alguma terminaria segundo a maioria dos prognósticos. Numa altura em que as “Águias” tinham a hegemonia do futebol português, muito mais do que a vitória do FC Porto, o “placard” final a assinalar 4-0, com todos os golos sofridos por José Henrique a serem concretizados por Lemos, haveria de surpreender até o mais optimista adepto ”azul e branco”. O prémio para tal proeza, previamente prometido aos altifalantes do Estádio das Antas para o marcador de um “hat-trick”, seria uma enormidade de latas de tinta, electrodomésticos, um gira-discos e um televisor que, por vontade do avançado, seriam distribuídos por diferentes elementos do plantel.
Ao serviço do FC Porto, com o Serviço Militar Obrigatório a meter-se pelo meio e a levá-lo à Guiné e aos jogos com a camisola da União Desportiva Internacional de Bissau, Lemos ainda disputaria outras 3 temporadas. Com o fim da ligação aos “Dragões” a acontecer no término da campanha de 1974/75, ao saldo de 92 partidas oficiais e 47 golos concretizados pelos “Azuis e Brancos” seguir-se-iam na trajectória do avançado, Sporting de Espinho, Paredes, Sanjoanense e, num regresso à 1ª divisão, a época de 1978/79 numa passagem pelo Académico de Viseu. Para terminar a carreira, naquela que, segundo dizem, era para ser uma breve participação, surgiriam ainda os 5 anos a defender as cores do Infesta.

757 - MELO

Com grande parte da sua formação feita no Benfica, o jovem guardião chegaria à equipa principal numa altura em que já andava a ser procurado um substituto para o mítico Costa Pereira. Nessa sucessão, para fazer frente aos concorrentes Pedro Benje e Nascimento, João Melo tinha a seu favor as habituais presenças nas selecções jovens de Portugal. Pela equipa nacional já tinha sido chamado ao Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Nessa edição de 1961, disputada no nosso país, não conseguiria mais do que ser o suplente de Rui. No entanto, já no ano seguinte, Melo seria o titular da baliza lusa. É certo que o conjunto português não conseguiria repetir a vitória na competição. Já o atleta acabaria eleito como o melhor guarda-redes do certame.
Voltando à temporada de 1964/65, a da sua promoção à categoria principal, poucas seriam as oportunidades para Melo poder jogar. Elek Schwartz chamá-lo-ia pela primeira vez para um jogo da Taça de Portugal, frente ao Atlético. Já no Campeonato, a sua estreia ficaria adiada até à última jornada. Tendo entrado ao intervalo, essa partida frente ao Vitória de Guimarães dar-lhe-ia o direito a figurar na lista de atletas campeões nacionais.
Esse mesmo título voltaria a aparecer no seu currículo em 1966/67. Todavia, aquela que, para si, seria a temporada mais frutífera, acabaria por acontecer entre as duas conquistas já referidas. Em 1965/66 Melo perfilava-se como o natural protector das redes “encarnadas”. À 4ª ronda, depois de uma derrota (2-0) no Estádio das Antas, Bela Guttmann aponta-o para substituir Costa Pereira. Melo manter-se-ia no lugar durante as 6 jornadas seguintes. Só que, a meio dessa caminhada, o Benfica sofre novo desaire. Em mais um clássico, desta feita frente ao Sporting, o conjunto da Luz volta a perder (2-4). Os 4 golos sofridos, todos concretizados por Lourenço, levantariam um coro de protestos contra a escolha de Melo para o alinhamento inicial. No rescaldo do desafio, o técnico húngaro, durante mais alguns jogos, ainda consegue segurá-lo no “onze”. Ainda assim, o destino do jovem futebolista parecia traçado e poucas mais chances teria.
Já depois de, no Verão de 1967, ter chegado ao fim a sua ligação com as “Águias”, Melo segue para Norte e ingressa no Salgueiros. Na 2ª divisão dá novo impulso à carreira e desperta a atenção daquele que, durante o seu trajecto profissional, viria a ser o emblema mais representativo. Na Académica, dividas em duas fases, o guardião passaria 7 temporadas. Como um dos principais esteios da equipa, Melo ajudaria a “Briosa” a boas classificações. Já depois de no Benfica ter feito a estreia nas provas europeias, também pelo conjunto de Coimbra ajudaria à qualificação para as competições internacionais.
Após cumprir a primeira passagem pelos “Estudantes”, Melo começa um périplo que o leva a envergar a camisola de diversos clubes. Excepção feita à temporada passada no Famalicão (1978/79), o dito período seria feito nos escalões secundários. Também o final da sua carreira seria caracterizado pela errância. Tendo “pendurado as luvas” somente em meados da década de 80, a sua longa carreira terminaria ao serviço do Viseu e Benfica.

749 - SERAFIM

A maneira como, aos diferentes patamares, chegava mais cedo do que a maioria dos praticantes da modalidade, torná-lo-ia numa das grandes apostas do FC Porto. Nesse seu evoluir, também as convocatórias para as jovens selecções portuguesas seriam importantes. Com a “camisola das quinas”, Serafim seria chamado a disputar o Torneio Internacional de Juniores de 1960. A boa prestação de Portugal no certame organizado pela Áustria, levaria à conquista do último lugar do pódio. Essa 3ª posição reflectia bem o crescimento do futebol “luso” e seria o prenúncio para o que estava prestes a acontecer.
No ano seguinte, a UEFA entrega a organização do Torneio Internacional de Juniores a Portugal. Serafim, que já jogava pela equipa principal do FC Porto, veria o seu nome surgir na lista dos atletas convocados. Já com a disputa do troféu a decorrer, o jovem futebolista confirma tudo o que dele se dizia. Nos 3 primeiros jogos, consegue 5 tentos. Todavia, é na final que merece o maior destaque. Frente à Polónia, o avançado marca todos os golos da partida. Com o “placard” a assinalar 4-0, Serafim torna-se num dos grandes obreiros da primeira vitória de Portugal no contexto internacional.
Também pelo FC Porto, Serafim fazia por merecer os maiores louvores. Tendo, a 11 de Dezembro de 1960, conseguido estrear-se na equipa principal, esse jogo no Estádio da Luz faria dele o mais jovem de sempre a envergar a camisola dos “Dragões”. A partir desse momento, o avançado torna-se num dos elementos mais importantes da manobra “Azul e Branca”. Mantem a titularidade e na disputa da Taça de Portugal torna-se preponderante. Com dois golos marcados nas meias-finais da prova, ajuda a eliminar o Sporting e empurra o seu clube para a final de 1960/61.
Mesmo com o FC Porto afastado dos títulos, as exibições de Serafim não passavam despercebidas. Veloz, possante e dono de um grande remate, cada desafio que disputava tornava-se mais evidente a sua aptidão atacante. A primeira recompensa viria com a chamada à Selecção “A”. A 6 de Maio de 1962, num particular frente ao Brasil, o jogador faria a sua estreia com as cores de Portugal. Depois, viriam mais 3 internacionalizações e, no final da temporada de 1962/63, o interesse do Benfica.
Numa altura em que as “Águias” eram uma das maiores sensações europeias, a mudança para o Estádio da “Luz” era algo de irrecusável. Tal era o poderio do emblema lisboeta, e tal era a qualidade de Serafim, que a transferência do jogador tornar-se-ia na mais cara de sempre do futebol português. Contudo, no plantel do Benfica moravam jogadores de gabarito mundial. Nomes como o de Eusébio, Santana, José Torres ou Iaúca tornariam a sua passagem pelo clube num caminho muito sinuoso. Ainda assim, seria no novo emblema que ganharia os seus primeiros troféus. Logo no ano da sua chegada, o Benfica faz a “dobradinha”. No cômputo das provas disputadas, incluindo as competições europeias, o jogador conseguira um saldo de 24 partidas e 13 golos. Na final da Taça de Portugal marcaria aos 71 minutos, ajudando o Benfica a derrotar o FC Porto por 6-2.
Mesmo tendo conseguido conquistar mais um Campeonato Nacional (1964/65), a falta de oportunidades levariam Serafim a mudar de emblema. Ao fim de 3 temporadas em Lisboa, o atleta decide mudar-se para Coimbra. Na “Cidade dos Estudantes” Serafim recuperaria o protagonismo de anos anteriores. A Académica tornar-se-ia no clube mais representativo da sua carreira e, durante essas 7 campanhas, o avançado faria parte daqueles que foram os melhores anos da história do clube. Logo na época da sua chegada (1966/67), a “Briosa” ficaria no 2º lugar do Campeonato e atingiria o derradeiro jogo daquela que é a nossa “Prova Rainha”. Para o jogador, o prémio viria com a sua 5ª e derradeira partida pela Selecção Nacional. Já no decorrer dos anos seguintes, Serafim disputaria mais uma final da Taça de Portugal (1968/69), famosa pelo protesto estudantil. No que diz respeito às competições europeias, durante a época de 1969/70, ajudaria o clube atingiria os quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças.