1606 - MÁRIO TORRES

Podendo também posicionar-se a lateral ou como “trinco”, seria como defesa-central que Mário Torres mais conseguiria destacar-se. Ao chegar a Portugal, muito novo, vindo da cidade angolana de Nova Lisboa, actual Huambo, o jovem jogador, cuja meta principal da viagem eram os estudos, passaria a integrar a equipa de juniores da Académica de Coimbra. Logo nessa temporada de 1949/50 ajudaria os “Estudantes” a vencer o Campeonato Nacional da categoria e, ao subir à categoria principal na campanha seguinte, depressa conseguiria afirmar-se como uma das principais figuras da colectividade sediada na Beira Litoral.
Orientado na estreia como sénior pelo argentino Oscar Tellechea, Mário Torres, sem demonstrar qualquer temor pelas pelejas primodivisionárias, logo viria a consolidar-se como um dos homens mais utilizados no plantel. Tal estatuto levá-lo-ia, com grande naturalidade, à presença na final da edição de 1950/51 da Taça de Portugal. Ao lado de Capela, Bentes, Melo, Azeredo, entre outros, o jogador entraria no Estádio Nacional para defrontar o Benfica orientado por Ted Smith. Mesmo tendo a “Briosa” começado o desafio praticamente a vencer, o golo de Macedo seria insuficiente para derrotar as “Águias” e um “poker” de Rogério de Carvalho serviria para cimentar a vitória por 5-1, com que os “Encarnados” sairiam do Jamor.
Seguir-se-iam diversos anos como figura maior dos combates futebolísticos no escalão máximo português. Aliás, seria a dupla que, durante largos anos, haveria de fazer com Mário Wilson, a oferecer um dos grandes esteios de uma Académica de Coimbra consolidada entre os “grandes”. Nessa caminhada, numa altura em que “Velho Capitão” já tinha deixado as lides de futebolista para passar a comandar os “Estudantes”, a 4ª posição conquistada na tabela classificativa da edição de 1964/65 do Campeonato Nacional surgiria como um recorde para a colectividade conimbricense.
Para além desses registos colectivos, emergiriam as distinções pessoais. Um dos melhores prémios que receberia pelas excelsas exibições conseguidas ao serviço da “Briosa” surgiria a 22 de Dezembro de 1957. Nesse dia, na cidade de Milão, Mário Torres, pela primeira vez na carreira, seria laureado com a honra de envergar a principal “camisola das quinas”. Chamado à peleja frente a Itália pelo seleccionador José Maria Antunes, o atleta encetaria em San Siro uma caminhada que o levaria a outras chamadas à equipa nacional. No trajecto por Portugal entraria em campo em outras 4 ocasiões e somaria, desse modo, um total de 5 internacionalizações “A”.
No que diz respeito à Académica de Coimbra, a juntar às prestações dentro de campo, há igualmente que destacar Mário Torres como a verdadeira personificação da mítica figura do jogador/estudante. Nesse contexto, paralelamente ao futebol, o defesa-central jamais descuraria os estudos e chegaria a licenciar-se em Medicina ainda na condição de atleta. Depois viria a especialização em Genecologia e um trajecto que o levaria, anos após “pendurar as chuteiras”, a Director da Maternidade dos Hospitais da Universidade de Coimbra. No que diz respeito aos registos conseguidos com as cores dos “Estudantes”, há a sublinhar as 16 épocas, sempre na 1ª divisão, ao serviço do clube e os 373 jogos oficiais cumpridos pela agremiação beirã, 320 dos quais nas lutas primodivisionárias.

1605 - DELIBASIC

Com o percurso formativo concluído ao serviço do Partizan, seria igualmente na colectividade de Belgrado que Andrija Delibasic, na temporada de 1999/00, transitaria para o patamar sénior. Logo nessa época de arranque na equipa principal, o ponta-de-lança, num conjunto onde já brilhava Mateja Kezman, daria um sinal positivo para o futuro. Nesse sentido, a campanha de 2000/01 apresentá-lo-ia como um dos mais utilizados na equipa a vestir o listado branco e preto. Competitivamente a crescer, a sua evolução ficaria positivamente marcada pelas vitórias no Campeonato de 2001/02 e no de 2002/03. Essas conquistas empurrá-lo-iam até à Liga dos Campeões. A edição de 2003/04 daquela que é a mais importante competição de clubes a nível mundial, num grupo de trabalho onde também marcavam presença Drulovic e Ivica Kralj, serviria de montra para o avançado e tamanha visibilidade abrir-lhe-ia as portas de outros cenários competitivos.
O emblema a apostar na sua contratação surgiria de um dos melhores cenários europeus e, em Espanha, seria o Mallorca a apresentá-lo como reforço no “Mercado de Inverno” de 2003/04. No jogo de estreia pela equipa das Baleares, uma vitória forasteira frente ao Zaragoza, Delibasic até conseguiria marcar um golo. No entanto, o arranque auspicioso não teria continuidade nos tempos seguintes e essa primeira passagem pela La Liga ficaria aquém da expectativa criada em seu redor. Sem grande espaço nos “Barralets”, a solução passaria por um empréstimo ao Benfica. Na Luz a partir de Janeiro de 2005, o ponta-de-lança, com a concorrência de Nuno Gomes, Sokota e até de Mantorras, também não conseguiria ganhar um lugar no conjunto às ordens de Trapattoni. Salvar-se-ia o troféu ganho no termo dessa época e o atacante sairia de Lisboa com a vitória no Campeonato Nacional.
Com idêntico resultado ao obtido nos meses cumpridos pelas “Águias”, as épocas seguintes, em sucessivos empréstimos ao Sporting de Braga, ao Aris de Salónica e ao Beira-Mar, não serviriam para catapultar o avançado. A excepção surgiria na campanha de 2007/08, naquela que viria a ser a última cedência por parte do Mallorca. Com as cores da Real Sociedad, o jogador ganharia um novo fôlego e em San Sebastian retornaria a números bastante aceitáveis. Curiosamente, um novo contrato levá-lo-ia, não ao escalão máximo espanhol, mas ao patamar secundário. Ainda assim, a experiência no Hercules seria suficiente para levar o atleta a ser chamado à selecção do seu país. O jogador que, nas camadas de formação, tinha, ainda com as cores da Sérvia e Montenegro, marcado presença no Europeu sub-21 e, ainda no mesmo ano, nos Jogos Olímpicos realizados em Atenas, faria a estreia pela equipa nacional de Montenegro a 10 de Outubro de 2009. Chamado por Zoran Filipovic, a partida frente à Geórgia serviria para encetar uma caminhada a levá-lo a diversas Fases de Qualificação e a um total de 21 internacionalizações “A”.
Em termos clubísticos, a passagem pelo emblema de Alicante precederia a contratação por parte do Rayo Vallecano. No emblema da capital, o avançado ainda faria uma campanha no 2º escalão. Todavia, essa época de 2010/11, com a promoção alcançada no termo da aludida temporada, serviria para o seu regresso ao patamar maior. Já o par de anos disputados entre os “grandes” antecederia as etapas finais da sua caminhada enquanto praticante. Nesse sentido, os tailandeses do Ratchaburi e o FK Sutjeska, emblema que Delibasic também tinha representado nos trilhos formativos, viriam a tornar-se nos seus últimos capítulos como futebolista. Praticamente logo de seguida, o antigo ponta-de-lança virar-se-ia para as funções de técnico. Como adjunto, passaria pelo Partizan e pelo FK Buducnost e como treinador-principal abraçaria o plantel de 2022/23 do FK Mornar Bar.

1604 - LEONEL

Com passagens pelo Benfica e pelo Sporting no decorrer do percurso formativo, Leonel Augusto Graniço Morais, segundo a informação retirada do “site” da Federação Portuguesa de Futebol, seria inscrito como sénior dos “Leões” na temporada de 1987/88. Contudo, o jovem defesa-esquerdo, nem sob a batuta do inglês Keith Burkinshaw, nem já na alçada de António Morais, teria qualquer oportunidade no conjunto principal dos “Verdes e Brancos”. Tapado por Fernando Mendes e por Vítor Santos, a falta de presenças em campo levaria o lateral a procurar outro rumo para a carreira. Nesse sentido, o plantel de 1988/89 do Salgueiros abrir-lhe-ia as portas e as próximas 3 temporadas seriam cumpridas ao serviço do emblema portuense.
Curiosamente, a estadia no bairro de Paranhos poderia ter dado a Leonel a estreia na 1ª divisão. Contudo, o ocaso verificado na temporada de 1990/91 adiaria o início desse capítulo competitivo. Seguir-se-ia a transferência para a União de Leiria treinada pelo seu conterrâneo Amândio Barreiras. Na colectividade da “Cidade do Lis”, o lateral canhoto, mesmo de volta ao 2º escalão, começaria a jogar com bastante regularidade. Tal frequência torná-lo-ia num dos pilares dos esquemas tácticos dos diferentes treinadores escolhidos para orientar a equipa. Nesse sentido, Leonel tornar-se-ia numa das figuras de proa da agremiação sediada na Beira Litoral, contribuiria de forma vincada para o regresso do emblema ao convívio com os “grandes” e conseguiria, finalmente, a tão almejada partida no patamar maior do futebol luso.
A época de 1994/95, tal como destapado nas últimas linhas do parágrafo anterior, apresentaria a 1ª divisão a Leonel. A trabalhar sob as ordens de Vítor Manuel, o defesa-esquerdo manter-se-ia como um dos nomes mais badalados da União de Leiria. Ao contribuir para o 6º lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional, seria com alguma estranheza que os adeptos viriam o jogador, na campanha seguinte, ser apresentado como reforço do Desportivo de Chaves. Em Trás-os-Montes, região de onde é natural, encetaria uma nova fase da carreira que, ao mantê-lo no escalão máximo, fá-lo-ia entrar numa senda mais errante. Todavia, nada disso afectaria a sua cotação e mesmo com a descida dos “Flavienses”, o lateral veria rapidamente surgirem outros interessados na sua contratação.
No Sporting de Braga de 1996/97, Leonel manteria os bons números de anos transactos. Ainda assim, depois de ajudar à qualificação dos “Arsenalistas” para as provas de índole continental, o jogador voltaria a mudar de rumo. Dessa feita, a transferência encaminhá-lo-ia para o Alto Alentejo. No distrito de Portalegre, mais concretamente a envergar a camisola do Campomaiorense, o defesa, naquela que viria a tornar-se na 4ª campanha consecutiva em contexto primodivisionário, perderia algum do protagonismo vivido até então. A consequência imediata seria a despedida dos palcos principais. No entanto, a caminhada desportiva do lateral, longe do fim, ainda daria diversas cores ao seu currículo. Em definitivo a actuar nos cenários secundários, o Varzim surgiria como a colectividade seguinte e mais adiante, nomeadamente a partir de temporada de 2000/01, a Madeira tornar-se-ia na nova casa do jogador.
O União da Madeira, o Pontassolense e o Câmara de Lobos, por essa ordem e num total de 7 campanhas passadas na aludida região insular, inscrever-se-iam no percurso profissional de Leonel como os derradeiros capítulos dessa caminhada. Já época de 2005/06 transformar-se-ia na última etapa da sua senda enquanto futebolista.

1603 - TEIXEIRINHA

Saído das “escolas” do FC Porto, Manuel Fernando da Silva Teixeira, popularizado no mundo do desporto como Teixeirinha, chegaria à equipa principal dos “Azuis e Brancos” na temporada de 1975/76 e já com o estatuto de internacional a colorir-lhe o trajecto. Por Portugal, o defesa-central haveria de ser chamado à estreia no contexto competitivo dos actuais sub-18. Essa partida frente aos Países Baixos, disputada a 23 de Março de 1975, serviria de arranque para uma senda a levá-lo a um total de 17 jogos cumpridos com as cores lusas. Nessa vivência com a “camisola das quinas” viriam igualmente a ser incluídas as pelejas pelos “esperanças” e pela equipa “B” e o maior destaque surgiria com as chamadas para o Torneio de Toulon de 1976 e de 1977.
De regresso ao FC Porto, inicialmente ultrapassado por elementos mais experientes, casos de Simões ou de Carlos Alhinho, a estreia sénior para o defesa-central chegaria, no decorrer da campanha aludida no parágrafo anterior, pelas mãos de Monteiro da Costa. Porém, após a estreia numa partida a contar para a 1ª divisão, o jovem jogador, nas temporadas seguintes, poucas oportunidades conseguiria alcançar. Sem espaço nos “Dragões”, o atleta arrancaria num périplo a levá-lo a diferentes colectividades. Já com o palmarés recheado pelas conquistas de 1 Taça de Portugal e de 1 Campeonato Nacional, ambos os troféus vencidos sob a intendência de José Maria Pedroto, a entrada no plantel de 1978/79 do Académico de Viseu, muito mais do que conferir experiência, começaria por ajudá-lo a cimentar-se como um praticante de qualidade bem acima da média. Sem sair do escalão máximo, depois da época cumprida no Fontelo, o defesa ainda envergaria as camisolas do Beira-Mar e do Vitória Futebol Clube. Tanto no emblema de Aveiro, como a representar os “Sadinos”, Teixeirinha, com a titularidade assegurada em ambas as agremiações, categorizar-se-ia como um intérprete de indubitável cariz primodivisionário. Tal preponderância, onde o treinador Rodrigues Dias desempenharia um papel fulcral, empurrá-lo-ia de novo para as cogitações dos “Azuis e Brancos” e o regresso às Antas aconteceria na temporada de 1981/82.
Outras 3 campanhas no plantel dos “Dragões”, não trariam ao defesa-central muito mais do que algumas partidas disputadas nas provas agendadas para as respectivas temporadas. Com o triunfo numa Supertaça a preencher o seu currículo e a participação na caminhada da Taça dos Vencedores das Taças a levar o FC Porto, em 1983/84, à primeira final nas competições organizadas pela UEFA, Teixeirinha acabaria por abandonar o conjunto da “Cidade Invicta”. Outra vez sem grandes oportunidades sob a alçada de José Maria Pedroto, seguir-se-ia, dessa feita, o Vitória Sport Clube orientado por Raymond Goethals. No entanto, apesar de aceitáveis os números alcançados na passagem de 2 anos pelo emblema minhoto, a modéstia da temporada de 1985/86, na qual trabalharia com um velho conhecido do tempo nas Antas, o técnico António Morais, levá-lo-ia a mudar de colectividade e a escolher o Marítimo para prosseguir a carreira.
Na Madeira acabaria por conhecer o emblema mais representativo da caminhada enquanto futebolista. Nos “ Leões do Almirante Reis”, as 4 temporadas aí cumpridas, entregar-lhe-iam, quase sempre, o lugar de titular. Muita da tranquilidade das campanhas feitas pelo Marítimo na 1ª divisão, dever-se-ia à segurança oferecida pelo jogador ao sector mais recuado dos funchalenses. Mesmo tendo em conta a veterania ou a concorrência de diversos craques, como Oliveira, Carlos Jorge, Colin Hill, entre outros, o defesa saberia conservar o estatuto dentro da equipa. Para consolidar uma caminhada notável, faltaria juntar à carreira a passagem pelo Penafiel de 1990/91, a qual daria ao atleta um cômputo de 16 campanhas feitas no patamar maior do futebol luso. Para terminar, resta-me apenas fazer alusão à campanha de 1991/92, ao serviço da Ovarense, onde Teixeirinha viria a “pendurar as chuteiras”.

1602 - BANDEIRA

Com a formação terminada com as cores do FC Barreirense, seria na colectividade alvirrubra que António Alfredo Costa Bandeira conheceria também os primeiros desafios como sénior. Com a mencionada estreia a acontecer na temporada de 1961/62, o jogador, orientado pelo espanhol Manolo Ibáñez, começaria por disputar o 2º escalão. Porém, com a vitória conseguida no Campeonato Nacional da 2ª divisão, a campanha seguinte iria apresentá-lo aos maiores palcos lusos. Acompanhado por nomes míticos da histórica agremiação sediada na margem esquerda do Rio Tejo, como Faneca, Albino Lança, Ludovico, Silvino Preto, Mira, Francisco Candeias, entre outros, o jovem praticante encetaria o seu trajecto ainda como um dos elementos à procura de conquistar um lugar no “onze”. Aliás, o estatuto de titular só conseguiria cimentá-lo alguns anos depois, após outra passagem pelo degrau secundário e com um novo regresso ao convívio com os “grandes”.
A verdade é que a primodivisionária temporada de 1965/66, numa altura de alguma instabilidade desportiva para o FC Barreirense, desembocaria em mais uma incursão do conjunto, e do jogador, pela 2ª divisão. Aliás, essa inconstância provocaria um perseverante sobe e desce de escalão do emblema a jogar em casa no Estádio Dom Manuel de Mello. Contudo, pelo meio emergiria um momento importante e a conquista da edição de 1967/68 da Taça Ribeiro dos Reis, com Bandeira já a envergar a braçadeira de capitão e com Manuel de Oliveira como treinador, entregaria aos escaparates da agremiação o primeiro troféu de expressão nacional. Já a alternância referida nas linhas iniciais deste parágrafo terminaria em 1969/70 e logo com um recorde batido. Na mencionada campanha, a colectividade terminaria o Campeonato na 4ª posição da tabela classificativa e, por razão daquela que seria a melhor posição de sempre da divisa da Margem Sul, abrir-se-iam as portas das competições de índole continental.
Como já destapado, a temporada de 1970/71 daria ao FC Barreirense a estreia na Taça das Cidades com Feira. Num grupo de trabalho abrilhantado por atletas como Nelinho, Henrique Câmpora, Manuel Bento, Serafim ou Valter, calharia em sorte ao colectivo português enfrentar os jugoslavos do Dinamo Zagreb. Com Bandeira a participar em ambas as partidas da eliminatória, a vitória caseira por 2-0 abriria outras perspectivas ao emblema luso. No entanto, o listado vermelho e branco claudicaria na 2ª mão e uma copiosa derrota por 6-1 ditaria o afastamento dos homens sob a intendência do brasileiro Edsel Fernandes.
Com os últimos 5 anos de Bandeira no FC Barreirense a ditarem o mais longo período do atleta a competir no patamar máximo, o final da temporada de 1973/74, com mais uma despromoção, coincidiria com o fim da ligação entre o defesa e a colectividade. Mesmo já a acusar alguma veterania, ainda assim, as qualidades apresentadas ao longo de uma carreira construída com enorme seriedade, atributos dos quais mereceriam maior destaque a boa leitura do jogo e uma capacidade de desarme acutilante, o atleta ainda teria espaço para dar seguimento à caminhada competitiva. Surgiria então o Amora, onde, na época de 1974/75, entraria como treinador-jogador. Seguir-se-iam 5 campanhas na Medideira e o “pendurar das chuteiras” com o termo das provas planeadas para 1978/79.

1601 - MANUEL AMARAL

Numa altura em que já exibia o estatuto de internacional, Manuel António Amaral Fonseca sairia dos escalões de formação do Atlético para fazer a estreia na equipa principal do conjunto sediado no lisboeta bairro de Alcântara. Antes da referida transição, a oportunidade sob a chancela da Federação Portuguesa de Futebol, com a orientação de José Maria Pedroto, surgiria no âmbito das partidas agendadas para os juniores. Depois desse jogo frente à Suíça, disputado em Alvalade a 27 de Março de 1974, desafio que também marcaria o arranque da caminhada de Fernando Gomes com as cores lusas, o atacante continuaria a ser arrolado às pelejas de Portugal. Com a “camisola das quinas” participaria num total de 18 contendas, divididas as mesmas, em partes iguais, pelo já aludido escalão e pelos “esperanças”. Já o grande destaque viria no final desse trajecto, com as suas presenças nas edições de 1976 e de 1977 do Torneio de Toulon.
Clubisticamente, com o atleta ainda em idade de júnior, as primeiras jornadas disputadas como sénior surgiriam na temporada de 1974/75. Com a estreia a acontecer pela mão de Fernando Vaz, mas com Guerreiro, Arcanjo e Prieto a revelarem-se como as prioridades nos diferentes alinhamentos do Atlético, Manuel Amaral ainda demoraria algum tempo até conseguir asseverar-se como um dos atletas de maior calibre na colectividade “alfacinha”. Em abono da verdade, tal afirmação nunca viria a acontecer nos anos cumpridos pelo jogador no Estádio da Tapadinha e seria preciso uma mudança de emblema para que o atacante começasse a ver a frequência da sua utilização a crescer.
Como membro do plantel do Belenenses a partir de 1976/77, a mudança de Manuel Amaral para o Restelo estaria intimamente ligada à contratação do seu último treinador no Atlético. Com Carlos Silva como “timoneiro”, o jogador, mesmo sem atingir a titularidade indiscutível, começaria a jogar com maior regularidade. Por outro lado, a grande novidade na primeira época ao serviço dos “Azuis” emergiria com a participação do clube nas provas de cariz continental. Nesse contexto competitivo, ao conjunto português, no sorteio da Taça UEFA, calharia em sorte defrontar o FC Barcelona. Com o atacante a ser chamado às duas mãos da 1ª eliminatória e apesar do afastamento do conjunto luso, o 2-2 no embate caseiro frente aos “Culés” de Neeskens ou de Cruyff, não deixaria de ser um momento inolvidável na carreira do avançado.
Após 4 temporadas a representar o Belenenses e um cúmulo de aproximadamente um cento de partidas disputadas pela agremiação a jogar em casa no Estádio do Restelo, Manuel Amaral voltaria a cambiar de emblema. No Sul do país a partir da campanha de 1980/81, o avançado passaria a envergar a camisola do Portimonense. No entanto, orientado por Manuel de Oliveira, os números do jogador, ainda que a manter-se no escalão máximo do futebol português, cairiam drasticamente. Pior surgiria, na temporada seguinte, com a transferência para o Amora treinado por José Moniz e com a ausência de registos da sua presença em qualquer das rondas do Campeonato Nacional da 1ª divisão.
A partir do termo dessa época passada na Medideira, não encontrei mais pistas sobre a sua carreira. Com Manuel Amaral a contar, por essa altura, apenas 25 anos de idade, não sei dizer-vos se terá posto um ponto final na carreira ou se terá dado continuidade à mesma. Noutro sentido, em jeito de curiosidade, encontrei na rede LinkedIn um perfil com o mesmo nome do antigo futebolista e com uma fotografia, mesmo tendo em conta os anos de diferença, a quase “jurar-me” o ex-avançado como consultor imobiliário.

1600 - ZAHOVIC

Nascido na antiga Jugoslávia, Zlatko Zahovic, ainda como praticante do Kovinar, seria descoberto por Milko Gjurovski, atleta do Partizan a cumprir o Serviço Militar Obrigatório em Maribor. Por razão do enorme potencial apresentado, o jovem jogador acabaria recomendado ao colosso de Belgrado. Pouco tempo depois, na temporada de 1989/90, o médio-ofensivo viria a ser integrado no plantel dos “Alvinegros”, onde, ao longo dos anos, viria a partilhar o balneário com os ex-sportinguistas Budimir Vujacic e Ivica Kralj e ainda com Milan Djurdjevic e com Goran Stevanovic, também eles conhecidos do desporto luso. No entanto, a forte concorrência, originada por um grupo de trabalho recheado de internacionais, levá-lo-ia, na época seguinte à da sua chegada, a um empréstimo ao Proleter Zrenjanin. Já o regresso ao clube detentor do seu passe, entregá-lo-ia a uma utilização mais regular e o facto de ser visto como um intérprete cerebral e de enorme capacidade técnica abrir-lhe-ia as portas da selecção sub-21 jugoslava.
Com o desmantelamento da Jugoslávia a dar ao currículo do jogador a primeira internacionalização “A” pela Eslovénia e com o palmarés recheado pela “dobradinha” conquistada, em 1992/93, nas provas da Sérvia, a Zahovic seria dada a oportunidade de escolher o estrangeiro para prosseguir a carreira. Com a chegada a Portugal a ocorrer em 1993/94, o médio-ofensivo seria apresentado como reforço do Vitória Sport Clube. Em Guimarães, inicialmente orientado por Bernardino Pedroto, o atleta não ficaria assustado pela qualidade do plantel minhoto. Ao lado de Dimas, Paulo Bento, N’Dinga, Pedro Barbosa, Ziad, entre outros, a facilidade com que conseguiria impor-se no “onze” espantaria até os mais optimistas. Como pilar das manobras tácticas idealizadas para os “Conquistadores”, os seus passes e a excelente visão de jogo depressa iriam pô-lo no topo dos melhores intérpretes a actuar nas provas lusas e, em paralelo, como grande referência da selecção do seu país.
Pela Eslovénia, os números conseguidos ao longo dos anos haveriam de inscrever o seu nome no rol de notáveis do desporto daquela nação. Muito mais do que as 80 internacionalizações conseguidas durante o percurso profissional, registo a mantê-lo, até 2004, como o jogador com mais jogos feitos pelo país, ou para além dos 35 golos concretizados, recorde ainda hoje na sua posse, Zahovic, convocado por Srecko Katanec, faria parte das comitivas que encetariam o caminho da selecção eslovena em grandes certames. Nesse sentido, o médio-ofensivo, com Miran Pavlin como companheiro de viagem, marcaria presença no Euro 2000. Também seria chamado às pelejas do Mundial de 2002. Todavia, na prova organizada entre a Coreia do Sul e o Japão, o médio, como em outras ocasiões, envolver-se-ia numa enorme polémica com o já referido treinador e acabaria por abandonar o torneio, após disputar uma única partida.
Regressando ao seu percurso clubístico, as boas exibições conseguidas com as cores do Vitória Sport Clube abrir-lhe-iam as portas de outros emblemas. No FC Porto a partir de 1996/97, o jogador daria um enorme contributo para os 3 últimos anos da inolvidável senda do “Penta”. Titular com António Oliveira, tal como sob a alçada de Fernando Santos, o médio-ofensivo seria uma das figuras da conquista de 3 Campeonatos, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças. A preponderância alcançada nos 3 anos a representar os “Dragões”, com a “Champions” a servir de principal escaparate, serviria para alimentar a cobiça de outros emblemas e com as transferências a envolver montantes significativos, o Olympiakos e o Valência seriam as colectividades seguintes na sua carreira.
As passagens de Zahovic pela Grécia e por Espanha, tal como destapado anteriormente, muito para além das prestações desportivas, ficariam marcadas por algumas polémicas vividas com os treinadores. No emblema helénico, as contendas com Dusan Bajevic e, depois da saída deste, com Alberto Bigon, seriam devidamente badaladas. Já em Valência, o choque acabaria por ser com Héctor Cúper. Ainda assim, apesar de tanta celeuma, há que relembrar a sua importância nos marcos alcançados por ambos os clubes e, nesses dois anos, após ajudar à vitória na Liga grega, o jogador participaria pelos “Che” na final da edição de 2000/01 da Liga dos Campeões onde, frente ao Bayern München e no desempate por grandes penalidades, falharia o remate que viria a dar a vitória ao emblema bávaro.
Depois de fracassadas as experiências relatadas no parágrafo anterior, o atleta, em 2001/02, chegaria ao Benfica. Com a colectividade lisboeta já a trabalhar sob a égide do Presidente Luís Filipe Vieira, a 3ª campanha do médio-ofensivo na “Luz” corresponderia ao regresso das “Águias” aos títulos. O troféu surgiria na disputa da Taça de Portugal de 2003/04. No Jamor, Zahovic começaria o desafio no banco de suplentes, mas no decorrer do segundo tempo seria chamado a jogo pelo treinador José António Camacho e contribuiria para o triunfo frente ao FC Porto. Nisso de conquistas, a campanha seguinte à última mencionada devolveria igualmente os “Encarnados” às vitórias no Campeonato Nacional. Contudo, mesmo ao ficar registado como um dos elementos vencedores da prova, o internacional esloveno, pouco utilizado por Giovanni Trapattoni, decidiria deixar Portugal a meio da época e, pouco tempo depois, viria a anunciar o final da carreira.
Em abono da verdade o termo da sua caminhada enquanto futebolista não aconteceria em Janeiro de 2005. Em paralelo com as funções de director para o futebol do Maribor, Zahovic voltaria a calçar as chuteiras. Na temporada de 2008/09, e na seguinte, passaria a envergar as cores do modesto NK Limbus Pekre, emblema onde o filho Luka Zahovic, actual internacional pela Eslovénia, jogava, à altura, no escalão de juniores.

1599 - JOHN TOSHACK

Nascido na capital do País de Gales, seria no Cardiff City que John Benjamin Toshack encetaria a caminhada no futebol profissional. Logo nessa época de 1965/66, com 16 anos apenas, revindicaria para si o título do jogador mais novo de sempre a actuar pela equipa principal do clube, recorde entretanto batido, em 2007, por Aaron Ramsey. Praticante fisicamente poderoso, forte nas disputas aéreas e com boa propensão para o golo, rapidamente o avançado-centro começaria a impor-se no alinhamento inicial dos “Bluebirds”. Mesmo com o clube a militar nos escalões inferiores de Inglaterra, as diversas conquistas da Welsh Cup, competição a dar acesso às provas sob a alçada da UEFA, dariam ao jogador o destaque necessário para ser notado por outras colectividades. Nesse sentido, uma das edições da Taça dos Vencedores das Taças, a de 1967/68, levaria o clube avante até às meias-finais, caindo apenas aos pés dos alemães do Hamburger SV. Claro que outras portas também viriam a abrir-se para o atleta e a selecção nacional também serviria para projectar a sua carreira.
Com as cores do País de Gales, John Toshack estrear-se-ia a 26 de Março de 1969. Essa partida frente à Republica Federal da Alemanha, chamado por David Bowen, serviria de arranque para um trajecto que daria ao atacante, soma conseguida na passagem pelas três agremiações a comporem a sua carreira enquanto praticante, um total de 40 internacionalizações. Porém, a camisola que maior prestígio traria à sua senda enquanto desportista seria a do “todo-poderoso” Liverpool. Aos “Reds” chegaria com a temporada de 1970/71 já em andamento. Ainda assim, pouco tempo demoraria até ultrapassar a concorrência de outros colegas bem mais traquejados, como são exemplo Ian St. John, Ian Callaghan ou Peter Thompson. A partilhar o balneário com outro conhecido do cenário português, caso do antigo adjunto do Benfica Phil Boersma, seria com um dos nomes mais famosos do futebol mundial que formaria uma das duplas mais temíveis a actuar pelo emblema de Merseyside. No entanto, não seria apenas Kevin Keegan o único a dividir consigo o estrelato e, numa equipa orientada pelo mítico Bill Shankly e mais tarde por Bob Paisley, Ray Clemence, Emlyn Hughes, Kenny Dalglish, Graeme Souness, entre tantos outros, serviriam de esteio para uma série inolvidável de conquistas.
Já com o currículo recheado por 8 temporadas ao serviço do Liverpool e o palmarés colorido pelas vitórias em 3 Division One, 1 FA Cup, 1 Charity Shield e principalmente em 1 Taça dos Clubes Campeões Europeus, 2 Taças UEFA e 1 Supertaça da UEFA, o avançado decidiria regressar ao País de Gales. Já numa fase de mudança na sua ligação ao futebol, John Toshack assumiria, em 1978/79, o cargo de treinador-jogador do Swansea City. Mais uma vez de volta aos patamares inferiores das ligas inglesas, os anos passados à frente dos “Swans” serviriam para engrossar o seu rol de conquistas com mais algumas vitórias na Welsh Cup e, muiito à custa da chegada ao escalão máximo, para cevar os créditos enquanto técnico. Curiosamente, com o desenrolar da caminhada enquanto treinador, a aposta na contratação do antigo avançado viria do estrangeiro. Apresentado no Sporting como o “timoneiro” para a campanha de 1984/85, a escolha do Presidente João Rocha não traria grandes sucessos para os lados de Alvalade. Ainda assim, durante a passagem de alguns meses por Portugal, ficariam nos registos a tentativa de implementar um sistema com 3 defesas-centrais e, acima de tudo, as estreias de Oceano, Litos e Fernando Mendes com a camisola dos “Leões”.
Apesar do desaire na experiência lusa, a fama de John Toshack não sairia muito beliscada, com o convite da Real Sociedad a surgir logo de seguida. Aliás, grande parte dos êxitos da sua senda enquanto treinador emergiria das inúmeras épocas vividas em Espanha. Tendo estado também à frente do Real Madrid, do Deportivo La Coruña e do Murcia o técnico galês atingiria a glória com as conquistas, à frente dos “Merengues”, da La Liga de 1989/90, com o triunfo, ao liderar a referida agremiação basca, na Copa del Rey de 1986/87 ou com a vitória, com as cores do aludido emblema galego, na Supercopa de 1995/96. Para além do já referido, há também que registar os anos em que passou aos comandos do Besiktas, do Saint-Étienne, do Catania, dos azeris do Khazar, dos marroquinos do WAC, dos iranianos do Tractor ou ainda as experiências na selecção do País de Gales e na equipa nacional da Macedónia do Norte.

1598 - JOSÉ MANUEL

Começaria no “jogo da bola” à beira de casa. No modesto Maikes Fraião, essa temporada de 1992/93, a disputar os “regionais” da Associação de Futebol de Braga, serviria de arranque a uma carreira que, em abono da verdade, ninguém acreditaria que de tão forte viria a tornar-se. No entanto, bastariam 4 campanhas para que outro emblema reparasse nele. No Caçadores das Taipas continuaria a revelar-se como um praticante veloz, com boa técnica e dono de um remate certeiro e portentoso. Tais características, ainda que nas pelejas do 3º escalão, não tardariam muito a chamar a atenção de colectividades com outras ambições e o convite para o passo seguinte na sua caminhada competitiva surgiria com naturalidade – “O Mota foi ver dois jogos e deu aval para me contratar. Optei pelo Paços e fiz bem, longe de saber que, passado um ano, estava na Primeira Liga”*.
Na colectividade da “Cidade do Móvel” a partir de 1999/00, José Manuel da Silva Fernandes seria um dos nomes, nesse ano da sua chegada, a preencher o rol de atletas campeões da divisão de Honra. Tal feito levá-lo-ia, ainda como membro do Paços de Ferreira, a estrear-se no patamar máximo do futebol luso. Titular indiscutível, o extremo começaria a ser cogitado para outros cenários competitivos. Como resultado dessa aferição, as portas dos grupos de trabalho à guarda da Federação Portuguesa de Futebol abrir-se-iam para si. A estreia com a “camisola das quinas” aconteceria no âmbito das contendas marcada para a selecção “B”. Nesse sentido, o primeiro jogo por Portugal, a 22 de Janeiro de 2002, viria a ser um embate frente à Noruega. Ainda com as cores do país natal, também no contexto da mesma edição do Torneio Internacional do Vale do Tejo, o jogador ver-se-ia no alinhamento escolhido para enfrentar a Grécia e, desse modo, juntaria ao currículo uma 2ª internacionalização.
Após cumprir 5 temporadas pelos “Castores”, com 148 partidas e 31 golos a somar ao trajecto desportivo, José Manuel mudaria de clube. No plantel do Boavista de 2004/05, o atacante sublinhar-se-ia como um elemento de indubitável cariz primodivisionário. Orientado inicialmente por Jaime Pacheco, o atleta manter-se-ia, ao longo dos 3 anos a competir pelas “Panteras”, como um dos elementos mais importantes nas manobras tácticas idealizadas para a colectividade portuense. Ainda assim, a primeira ligação do extremo aos “Axadrezados” conheceria o fim. A agremiação seguinte seria o Sporting de Braga e ano de regresso ao Minho precederia um novo desafio arremessado por um velho conhecido – “Fui para o Leixões porque o José Mota convidou-me para ajudá-lo. E eu «tudo bem, vamos lá»”*.
Ao serviço do emblema de Matosinhos completaria um ciclo de uma década a competir na 1ª divisão. Para além disso, logo no ano de entrada no Estádio do Mar, contribuiria para o 6º lugar da tabela classificativa, obtido com o termo do Campeonato Nacional de 2008/09. Já definitivamente afastado do escalão máximo, seguir-se-iam duas temporadas ao serviço do Trofense, o Boavista já nas garras de uma grave crise, o regresso ao Caçadores das Taipas e o fim da carreira como futebolista depois de uma época a envergar as cores do Académico Martim. Retirado da competição, José Manuel passaria a dedicar-se a outras actividades e, para além da dedicação dada à sua propriedade agrícola, o antigo avançado, na distribuição de bens, entregar-se-ia às tarefas de condutor de veículos pesados.

*retirado do artigo de Ricardo Jorge Castro, publicado a 25/04/2019, em https://maisfutebol.iol.pt

1597 - JORGINHO

Formado, em grande parte, no Vitória Futebol Clube, seria a transição para o patamar sénior a fazer com que Jorge Miguel Ferreira dos Santos deixasse a cidade de Setúbal para abraçar a oportunidade de envergar as cores do Desportivo de Beja. No novo emblema a partir da temporada de 1994/95, o extremo passaria a disputar a 3ª divisão. Mesmo afastado dos principais palcos do desporto luso, o jogador saberia manter as suas exibições em níveis bem acima da média e haveria, desse modo, por despertar a atenção de outros emblemas. Em abono da verdade, a transferência para o Campomaiorense estaria directamente ligada à contratação de Diamantino Miranda, técnico que tinha orientado o jogador na colectividade do Baixo Alentejo. O referido treinador, adepto das suas qualidades como praticante, aconselharia a sua contratação e com chegada ao “Galgos” a ocorrer na campanha de 1996/97, rapidamente o atacante viria a assumir-se como um dos esteios da agremiação.
Logo no ano da chegada a Campo Maior, onde marcavam presença atletas de grande gabarito, como são exemplo Reinaldo, Gonçalves, Álvaro, Paulo Sérgio, Sousa, Joel, Portela, Vítor Manuel, Nuno Luís, Abel Silva, Jorge Ferreira, entre outros, Jorginho também inscreveria o nome no regresso do emblema sediado no distrito de Portalegre ao convívio com os “grandes”. Ao estrear-se na 1ª divisão, o extremo, ao confirmar as habilidades para a prática do “jogo da bola”, abriria novas portas para a carreira. Uma delas seria a da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse contexto, a primeira aparição do atacante com a “camisola das quinas” surgiria no âmbito das pelejas agendadas para os sub-21. Chamado ao mencionado escalão pela dupla Jesualdo Ferreira/Rui Caçador, o jogador, a 6 de Junho de 1997, entraria em campo numa partida frente à Albânia. Ainda no que diz respeito ao seu percurso internacional, o avançado ainda envergaria mais uma vez as cores lusas e a 25 de Janeiro de 2001 somaria, pela selecção “B”, mais um encontro ao currículo.
Apesar de ter sido um dos clubes mais importantes na carreira de Jorginho, nem só coisas boas o atacante viveria no tempo passado com o Campomaiorense. Algumas mazelas físicas haveriam de atrapalhar a sua evolução. No entanto, o grande amargo de boca viria com as negociações falhadas entre o Presidente João Manuel Nabeiro e os representantes do Salamanca, as quais acabariam por inviabilizar a transferência do avançado para o emblema espanhol. Ainda assim, outros momentos transformar-se-iam em capítulos de inolvidável preponderância na sua caminhada desportiva. Um desses episódios seria a presença dos “Galgos” na final da Taça de Portugal de 1998/99. Todavia, mais uma vez o azar bateria à porta do extremo e para além da lesão a afastá-lo do encontro disputado no Estádio Nacional, o atacante ainda veria os colegas a sair do Jamor sem o almejado troféu.
Depois de 6 temporadas a competir pelo Campomaiorense e dos 90 jogos disputados na 1ª divisão, partidas essas a fazer do extremo o 3º atleta com mais jornadas cumpridas pelo clube no escalão maior, Jorginho, com a extinção do futebol profissional no emblema alentejano, passaria a representar a Académica de Coimbra. Pelos “Estudantes”, onde chegaria como reforço para a campanha de 2002/03, cumpriria as 2 últimas temporadas entre os “grandes”. De seguida, já nos patamares secundários, emergiriam no seu caminho o Académico de Viseu, o Imortal e o Maia. Por fim, outras 5 épocas com as cores dos “Galgos” precederiam 1 ano a representar “O Elvas” e, à beira de atingir os 40 anos de idade, surgiria o fim da sua carreira com o encerrar das provas agendadas para 2013/14.