
Com a aparição inicial na primeira equipa do Vitória Futebol Clube a reportar-se à temporada de 1966/67, Francisco Rebelo, depois das oportunidades dadas por Fernando Vaz, só voltaria aos palcos maiores na campanha de 1969/70. Mesmo com o regresso a erguer-se de forma modesta, o defesa-direito já não demoraria muito mais a impor-se no “onze” da agremiação setubalense e, na época imediatamente a seguir à última referida, o jogador passaria a figurar na lista dos titulares “Sadinos”.
A partir da temporada de 1970/71, o atleta, muito para além de ser aferido como um dos melhores intérpretes ao serviço do Vitória Futebol Clube, passaria a entrar nas contas do principal conjunto a trabalhar sob o pelouro da Federação Portuguesa de Futebol. Com o currículo já enriquecido pela presença no Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1966 e também com 1 chamada aos “esperanças”, o defesa, a 17 de Fevereiro de 1971, passaria a figurar no rol de jogadores com internacionalizações “A”. Por Portugal, depois dessa partida orientada por José Gomes da Silva e a contar para o Apuramento do Euro 72, Rebelo ainda teria a oportunidade de voltar entrar em campo com as cores lusas. Ao dividir essas presenças entre ”amigáveis” e as Fases de Qualificação seguintes, o jogador acumularia um total de 8 partidas cumpridas com a mais importante “camisola das quinas”.
De regresso àquilo que foi o seu percurso com o listado vertical verde e branco, os números a adjectivar essa ligação seriam dignos de grandes louvores. Com 14 temporadas passadas a trabalhar com a primeira equipa setubalense, Rebelo tornar-se-ia num dos nomes com mais presenças, pelo Vitória Futebol Clube, naquele que é o escalão máximo português. Para além desses 233 jogos no Campeonato Nacional da 1ª divisão, cujo expoente máximo seria o 2º lugar conquistado em 1971/72, há ainda para contabilizar as partidas feitas noutras provas de índole interna e de cariz continental. Nas competições estruturadas pelo organismo máximo do futebol europeu, onde o defesa disputaria 3 dezenas de partidas e participaria no afastamento de conjuntos como o Anderlecht, Fiorentina, Inter Milan ou Leeds United, os destaques viriam com as diferentes ocasiões em que os “Sadinos” alcançariam os quartos-de-final da Taça das Cidades com Feira e da Taça UEFA. Já no que diz respeito à Taça de Portugal, há a realçar a sua presença na derradeira peleja da edição de 1972/73, perdida pela agremiação setubalense, frente ao Sporting.
Já nos últimos capítulos da sua vida enquanto futebolista, ao deixar o Vitória Futebol Clube no final da campanha de 1979/80, a veterania de Rebelo ainda permitiria ao atleta esticar a sua caminhada competitiva durante mais alguns anos. Ao transitar para o Amora na temporada seguinte à sua saída do Estádio do Bonfim, o defesa, muito mais do que prolongar a sua carreira no escalão máximo português, acabaria por entrar na história do emblema sediado no Concelho do Seixal, ao fazer parte do grupo de trabalho que, pela primeira vez, entraria nas contas da 1ª divisão. Por fim, viria o regresso à cidade de Setúbal e a época de 1982/83 passada ao serviço do Comércio e Indústria.
Com a formação dividida entre o Sporting de Espinho e as “escolas” do FC Porto, António Jesus, na transição para sénior, seria apresentado como reforço do Desportivo de Chaves. Depois dessa temporada de 1973/74, ainda a título de empréstimo e mantendo-se na disputa da 2ª divisão, seguir-se-ia o Lusitânia de Lourosa. O guarda-redes ainda regressaria ao plantel de 1975/76 dos “Dragões”. Porém, ver-se-ia sempre tapado por outros colegas, casos de Rui ou Tibi, e preterido nas escolhas do treinador Aimoré Moreira.
A mudança de paradigma, ou seja, a afirmação de Jesus como um intérprete de cariz superior ou com habilidades primodivisionárias, ocorreria com a sua entrada no Beira-Mar. Nessa temporada de 1976/77, durante a qual faria a estreia na 1ª divisão, o guardião daria os passos que o levariam, com grande convicção, a cimentar a sua carreira. Antes ainda dessa definição, o atleta teria um pequeno revés, com o conjunto de Aveiro a passar pelo escalão secundário. Contudo, esse tropeção traduzir-se-ia num episódio insignificante e, mesmo afastado dos principais escaparates, as suas exibições seriam suficientes para promovê-lo no regresso ao convívio com os “grandes”.
O emblema que voltaria a abrir-lhe as portas da 1ª divisão, seria o Varzim. Daí em diante, praticamente até aos derradeiros anos do seu percurso como futebolista, Jesus manter-se-ia nos degraus cimeiros das provas lusas. Após cumprir 3 anos como o dono da baliza dos “Lobos do Mar”, onde, sob a intendência de António Teixeira, contribuiria para o histórico 5º lugar alcançado com o fim do Campeonato Nacional de 1978/79, o guardião chegaria ao emblema que mais marcaria a sua caminhada profissional. No Vitória Sport Clube a partir de 1981/82, só nessa passagem inicial, cumpriria 7 campanhas consecutivas. É verdade que acumularia algumas épocas de parca utilização. Ainda assim, o tempo passado em Guimarães serviria para somar ao currículo momentos de grande importância. Nesse sentido, há a relembrar as participações nas provas sob a alçada da UEFA e, como é óbvio, as chamadas às equipas a trabalhar sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol.
A envergar a “camisola das quinas”, com a estreia pelos “olímpicos” a 30 de Outubro de 1983, António Jesus também chegaria ao conjunto principal. Com a primeira presença em campo a acontecer, pela mão de Rui Seabra, a 4 de Fevereiro de 1987, o jogador, no período caracterizado pelo rescaldo do “Caso Saltillo”, seria um dos atletas mais vezes chamado a defender as cores lusas. Na sequência dessa primeira internacionalização, um particular, disputado no Estádio 1º de Maio, frente à Bélgica, o guarda-redes voltaria a ser arrolado já para as partidas a contar para a Fase de Qualificação do Euro 88 e acabaria a acumular um total de 7 internacionalizações “A”.
Caracterizado como um guarda-redes de baixa estatura, mas com uma forma física invejável, com reflexos felinos e bem arrojado, Jesus, mesmo com a saída do Vitória Sport Clube, continuaria no radar dos emblemas primodivisionários. Na caminhada profissional, ainda teria a oportunidade, em ambos os emblemas com passagens de um ano, para representar o Leixões e o Desportivo de Chaves. De seguida, o desafio lançado pela agremiação comandada tecnicamente pelo brasileiro Paulo Autuori, levá-lo-ia, na campanha de 1990/91, a regressar à “Cidade Berço” e a cumprir outras 3 campanhas de belíssimo resultado. Por fim, de volta a Trás-os-Montes, surgiriam a época de 1993/94 passada na disputa da Divisão de Honra, o convite para, com a saída de Carlos Garcia, passar a assumir as rédeas da colectividade flaviense e, sob a sua alçada, a subida ao escalão máximo do Desportivo de Chaves.
Já decidido a continuar nas tarefas de treinador, António Jesus ergueria uma carreira feita, na grande essência, de emblemas a esgrimirem-se pelos patamares secundários. Ainda assim, há que destacar a sua experiência à frente do Marítimo, os 4 anos a trabalhar com o Sporting da Covilhã, o convite de Manuel Machado para integrar a equipa técnica do Vitória Sport Clube e, pela sua carga emocional, as passagens pelo emblema da sua terra natal, o Sporting de Espinho.

Com a formação terminada no “escolas” do Sporting, seria ainda como atleta das camadas jovens que Rui Palhares começaria a ser chamado aos trabalhos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Naquele que hoje é denominado por escalão sub-18, o extremo-esquerdo faria a sua estreia, pela mão de José Augusto, a 13 de Novembro de 1972. Após os primeiros passos, ao lado de nomes que ficariam bem conhecidos do público português, tais como Tozé Fonseca, Abreu, Barrinha ou José Domingos, o canhoto prosseguiria a sua caminhada com a “camisola das quinas”. No trajecto com as cores lusas, que incluiria chamadas aos “esperanças” e aos “olímpicos”, o destaque iria para a entrada nos planos da equipa principal. Nesse contexto, a primeira aparição em campo surgiria alguns anos depois. A 15 de Abril de 1981, com Juca no papel de seleccionador, dar-se-ia o arranque de uma caminhada que terminaria em 1985 e com um somatório de 6 internacionalizações “A”.
No que diz respeito ao seu trajecto clubístico, seria no Sporting Clube de Portugal que Palhares daria os primeiros passos como sénior. Ao ser aferido como um atleta de enorme potencial, com as chamadas às jovens selecções nacionais a sublinhar essa avaliação, a sua primeira aparição na equipa principal dar-se-ia, sob as ordens de Mário Lino, numa partida a contar para a edição de 1973/74 da Taça de Honra. Porém, nesses anos iniciais com o conjunto leonino, o extremo, ou médio-ala, poucas vezes seria chamado às pelejas futebolísticas. A mudança começaria a notar-se apenas na temporada de 1976/77, já com Jimmy Hagan aos comandos do “Leão”. Ainda assim, com o termo da referida campanha e com o fim da ligação contratual, o jogador preferiria deixar Alvalade e daria continuidade à sua carreira noutro emblema.
Ao serviço do Vitória Futebol Clube a partir da época de 1977/78, Palhares começaria a vincar as qualidades que nele haviam desenhado um tremendo potencial. No emblema da cidade de Setúbal, inicialmente orientado por um homem também com forte ligação ao Sporting, o treinador Fernando Vaz, o atleta daria passos decisivos para a sua afirmação como um intérprete de cariz primodivisionário. Seguir-se-ia, sem abandonar o escalão máximo, o Varzim de António Teixeira. Cumprida a temporada de 1979/80 com o listado dos “Lobos do Mar”, durante a qual contribuiria para o 9º lugar no Campeonato Nacional, o jogador arrepiaria caminho para o Bessa e com os “Axadrezados” viveria aqueles que, poderei afirmar com segurança, viriam a tornar-se nos melhores anos da sua carreira profissional.
Com a entrada no plantel do Boavista a acontecer na campanha de 1980/81, Palhares encetaria um capítulo da sua caminhada competitiva que, muito para além de fazer da colectividade portuense a mais representativa da sua carreira, dar-lhe-ia, como mencionado no parágrafo inicial desta biografia, a maioria das tão almejadas internacionalizações “A”. Tendo, na transição da Póvoa de Varzim para o Estádio do Bessa, acompanhado o técnico António Teixeira, o ala-canhoto, também sob a orientação dos treinadores seguintes, manteria a preponderância para os excelsos resultados colectivos, com o maior relevo, resultado das posições cimeiras no Campeonato Nacional, a irem para as provas continentais. Na Taça UEFA, o jogador destacar-se-ia principalmente na edição de 1981/82, na ronda frente ao Atlético de Madrid, onde um golo seu ajudaria a eliminar os “Colchoneros”.
A entrada na derradeira fase da sua senda profissional levá-lo-ia a vestir mais duas cores. Depois da temporada de 1985/86 a envergar a camisola do Sporting de Braga, período durante o qual ainda seria chamado à selecção nacional, Palhares, pela primeira vez, conheceria os meandros dos patamares secundários. Ao serviço do Estrela da Amadora, o atleta faria parte de um momento histórico para a agremiação da Reboleira e, consumada a subida no final da campanha de 1987/88, o médio-ala acompanharia os “Tricolores” na estreia na 1ª divisão.
Depois de “pendurar as chuteiras” com o fim da época de 1988/89, Palhares manter-se-ia ligado à modalidade e viria a evidenciar-se como treinador das camadas jovens do Sporting, tendo conquistado diversos títulos nacionais.

Com o percurso formativo feito, em exclusivo, no Gil Vicente, a sua transição para o patamar sénior aconteceria, através de um empréstimo, no GD Prado. Depois dessa primeira campanha, cumprida na disputa da edição de 1988/89 da 3ª divisão, os desempenhos do médio-defensivo levá-lo-iam, no regresso a Barcelos, a fixar-se na equipa a jogar em casa no Estádio Adelino Ribeiro Novo. Não tendo conquistado um lugar como titular no conjunto orientado por Rodolfo Reis, ainda assim, João Carlos Novo de Araújo Gonçalves, popularizado no universo do desporto como Tuck, contribuiria para a subida de escalão e, na sequência da promoção, para a estreia da colectividade minhota no patamar máximo do futebol luso.
Ao assumir-se com regularidade no alinhamento inicial a partir da temporada de 1991/92, o jogador, sem ser um virtuoso, sublinhar-se-ia como um intérprete fiável, incansável e capaz de compensar algumas debilidades técnicas com a sua enorme inteligência. Mesmo ao partilhar o sector intermediário com atletas como Tueba, Cacioli, Jaime Cerqueira, Rosado ou Lito, Tuck transformar-se-ia num elemento de grande preponderância para os esquemas tácticos idealizados pelos diferentes técnicos à frente do conjunto barcelense. Essa importância, testemunhada pela regularidade das suas aparições em campo, empurrá-lo-ia para os anais do clube e as 217 partidas disputadas de “galo” ao peito, fariam do “trinco”, para além do 3º atleta mais utilizado na vida da agremiação, um dos históricos do Gil Vicente.
Após 9 épocas a jogar na equipa principal do Gil Vicente, a temporada de 1998/99 traria ao percurso profissional de Tuck um emblema diferente. A viagem do Minho até Lisboa, manteria o atleta a disputar a divisão de honra. Porém, a passagem pelo escalão secundário, que durava desde a sua última campanha ao serviço do emblema sediado em Barcelos, terminaria rapidamente e o médio-defensivo seria fulcral para a subida do Belenenses.
No regresso ao convívio com os “grandes”, o jogador manter-se-ia sob o comando de Vítor Oliveira, treinador com quem já tinha trabalhado em Barcelos. Nessa campanha de 1999/00, em jeito de curiosidade, o “trinco” voltaria também a partilhar o balneário com o antigo defesa gilista, o internacional angolano Wilson. No entanto, apesar dessas coincidências, nem só as casualidades engraçadas alimentariam o tempo passado pelo centrocampista no Restelo. Apesar dos “Azuis” há muito andarem longe das pelejas pelos lugares cimeiros das provas de maior monta, ainda assim as 7 temporadas de Tuck no Belenenses, muito para além das 183 partidas disputadas, trariam ao percurso do médio momentos importantes. Nesse sentido, o destaque iria para o 5º lugar conseguido no Campeonato Nacional de 2001/02 e a participação na Taça Intertoto do ano seguinte.
Com o final da sua carreira a acontecer com o termo da campanha de 2004/05, época em que envergaria a braçadeira de capitão dos "Azuis", Tuck, apesar de “pendurar as chuteiras”, não abandonaria a modalidade. Já com um bom percurso nas funções de treinador, feito nos escalões secundários, o antigo praticante também desempenharia outras tarefas. Como coordenador-técnico, depois da estreia no Belenenses, há que sublinhar a sua passagem, igualmente na equipa de Jorge Jesus, pelos sauditas do Al Hilal.

Sem não conseguir apurar o percurso de Zé da Rocha correspondentes aos anos iniciais da sua carreira desportiva, foi fácil de escrutinar a porta de entrada do médio-ofensivo no futebol português.
Com a inclusão no plantel do Académico de Viseu, Zé da Rocha, natural de Cabo Verde, cumpriria a temporada de 1990/91 na Beira Alta. Na disputa da 2ª divisão, titularíssimo na equipa comandada por José Rachão, as suas exibições, ajudadas pelo 4º posto da tabela classificativa alcançado no final da mencionada época, fariam com que outros emblemas começassem a olhar para si e a aferi-lo como um bom reforço. Nesse sentido, por razão dos desempenhos portentos de técnica e a desvendar um grande entendimento do jogo, seria o primodivisionário Gil Vicente a rubricar um contrato com o atleta. Já em Barcelos, a trabalhar sob a alçada de António Oliveira, o médio-ofensivo continuaria a ser utilizado com regularidade. No entanto, com o termo da campanha de 1991/92, o jogador, de forma algo surpreendente, deixaria o emblema a jogar em casa no Estádio Adelino Ribeiro Novo e trocaria, mais uma vez, de colectividade.
Dessa feita, o destino de Zé da Rocha encaminhá-lo-ia até à “Cidade dos Estudantes”. Ao serviço da “Briosa”, retornaria às pelejas secundárias e para jogar, mais uma vez, sob a voz de comando de José Rachão. Porém, tal como ficariam caracterizados esses seus anos competitivos, a ligação à Académica de Coimbra apenas duraria uma campanha. De seguida, outros emblemas entrariam na sua senda competitiva e, num período caracterizado pela errância, suceder-se-iam no currículo do médio o Rio Ave (divisão de honra), onde voltaria a trabalhar com José Rachão, o regresso ao Gil Vicente (1ª divisão) e o Leça FC (1º divisão).
Seria a entrada, na temporada de 1995/96, na agremiação sediada no concelho de Matosinhos que acabaria por transformar grandemente o desenrolar da caminhada desportiva de Zé da Rocha. Ao fixar-se no emblema de Leça da Palmeira, o médio-ofensivo encetaria um largo intervalo de tempo em que não mudaria de colectividade. Aliás, as 7 campanhas a envergar o listado verde e branco da camisola nortenha, fariam do clube o mais representativo de todo o seu trajecto enquanto futebolista. Esses anos, com 3 épocas primodivisionárias, levariam o jogador a somar partidas suficientes para, num total a juntar às anteriores aparições entre os “grandes”, ficar registado como um dos atletas cabo-verdianos com mais jornadas disputadas no escalão máximo português.
Com o “Caso Guímaro” a castigar o Leça FC, Zé da Rocha acompanharia o clube na despromoção ao escalão secundário. Curiosamente, seria durante esse período que o centrocampista, depois de ter sido chamado anteriormente aos trabalhos da sua selecção, haveria de obter algumas internacionalizações por Cabo Verde. Posteriormente, a entrar nos derradeiros anos como praticante profissional, o atleta ainda teria tempo para, em 2002/03, vestir a camisola do Feirense e para representar, segundo algumas fontes, o Lusitânia de Lourosa. Penso que já depois de ter “pendurado as chuteiras” e desconhecendo a altura certa, ter-se-á dado o seu regresso ao país natal. Porém, ignoro qual a sua relação que, desde essa altura, mantem com o futebol.

Com a formação feita com as cores do Belenenses, Eduardo Ribeiro, ainda em idade júnior, começaria por cumprir várias partidas junto das “reservas” e, pela mão do treinador Fernando Vaz, disputaria a edição de 1963/64 da Taça Ribeiro dos Reis. Contudo, apesar de ser uma forte aposta do técnico acima aludido, a entrada do espanhol Ángel Zubieta para o comando técnico dos “Azuis” viria a alterar este cenário e o jovem atleta acabaria por deixar o Restelo e prosseguiria a sua carreira com outro emblema.
Na temporada de 1964/65, com a saída do Belenenses, o atacante ingressaria no Peniche. Mesmo a disputar a 2ª divisão, as boas exibições do jogador e os golos concretizados durante essa época, levariam outros emblemas a olhar para si como um elemento bom para reforçar os seus planteis. Quem ganharia a corrida pelo avançado acabaria por ser a primodivisionária CUF, orientada por Manuel de Oliveira. Com o ingresso na agremiação sediada no Lavradio a acontecer na campanha de 1965/66, Eduardo Ribeiro passaria a partilhar o balneário com nomes como Mário João, Durand, Uria ou Abalroado. Porém, o Serviço Militar Obrigatório viria a atrapalhar a sua evolução e a sua caminhada competitiva, mais uma vez, mudaria de rumo.
Após a campanha de 1966/67 cumprida, por empréstimo, com as cores do Cova da Piedade, Eduardo Ribeiro veria o seu nome inscrito no contingente militar com destino às Províncias Ultramarinas de África. Em Angola, durante as épocas de 1968 e de 1969, vestiria as cores do Sporting de Negage e paralelamente envergaria a camisola da selecção do Uíge. Já o regresso à metrópole aconteceria para a temporada de 1969/70 e de novo para ocupar um lugar no grupo de trabalho da CUF. Na Margem Sul do Rio Tejo, o jogador encontrar-se-ia com um velho conhecido dos tempos passados no Belenenses, o treinador Carlos Silva. Mesmo não tendo conseguido agarrar a titularidade de imediato, a evolução demonstrada assegurar-lhe-ia a permanência no plantel e, nesse sentido, os anos seguintes vivê-los-ia no Estádio Alfredo da Silva.
Com a CUF, onde jogaria ao lado de nomes como Manuel Fernandes, Capitão-Mor, Conhé, Vítor Pereira, Arnaldo, Castro e tantos outros ilustres do futebol luso, o atleta transformar-se-ia numa das principais peças da colectividade, no cumprimento de diversas metas. Como exemplo desses feitos, posso começar por referir o 4º lugar conseguido no final do Campeonato Nacional de 1971/72. Já a época seguinte traria ao seu currículo a Taça UEFA. Chamado a jogo por Fernando Caiado, muito mais do que participar nas eliminatórias frente ao Racing White e com os germânicos do Kaiserslautern, o avançado seria fulcral, com dois golos caseiros marcados na 2ª mão da 1ª ronda, no afastamento da mencionada equipa belga.
No que diz respeito às competições continentais, não posso deixar de mencionar as participações na Taça Intertoto, em especial na edição de 1974/75, de onde, ao lado dos seus colegas, sairia como um dos vencedores. Contudo, os números que, em definitivo, haveriam de gravar Eduardo Ribeiro como um dos grandes jogadores na história da CUF, viriam a ser as diversas temporadas realizadas pela equipa barreirense. Com um total de 12 campanhas cumpridas, divididas entre os dois períodos já referidos no texto, o atacante também acompanharia o colectivo do Lavradio, na descida ao patamar secundário. Depois de 1975/76, campanha que viria a tornar-se na derradeira temporada do Grupo Desportivo da CUF entre os “grandes” do futebol português, o avançado ainda continuaria por mais 4 anos a vestir a camisola verde e branca. Sairia em 1979/80 e para fazer mais uma época no Alferrarede.

Já com um bom percurso em Cabo Verde, com passagens pelo Amarante, Grupo Sportivo Mindelense, Santa Maria e Morabeza, António Dinis Duarte, popularizado no universo do futebol como Toni, viajaria para Portugal para, na temporada de 1989/90, representar o Vianense. Aferido como um intérprete possante, com um bom entendimento das dinâmicas de jogo e vigoroso nos lances aéreos, o ponta-de-lança, após a primeira campanha cumprida no Minho, depressa começaria a subir degraus no cenário competitivo luso. Ainda nos escalões secundários, seguir-se-ia o interesse e a mudança para o Rio Ave. Em Vila do Conde, depois da entrada no emblema da caravela em 1990/91, o avançado faria uma segunda campanha de alto nível e as suas exibições valer-lhe-iam a transferência para o Sporting de Braga e a estreia na 1ª divisão.
Apesar de ter jogado com bastante frequência na campanha de estreia pelos “Guerreiros”, a verdade é que Toni nunca conseguiria impor-se como um dos indiscutíveis do grupo de trabalho às ordens de Vítor Manuel e, com a saída deste, sob o comando de António Oliveira. Ao não ultrapassar o estatuto de suplente utilizado, o ponta-de-lança regressaria ao Rio Ave no período de 1993/94, para, na temporada seguinte, já com outros argumentos, voltar ao Estádio 1º de Maio. A partir desse momento, o atacante passaria a ser tido como um elemento importante à execução dos objectivos colectivos e ainda que com algumas intermitências durante o primeiro par de anos, as épocas subsequentes, tanto nos desafios nacionais, como nas provas organizadas pela UEFA, sublinhá-lo-iam como um dos nomes mais vezes chamado à titularidade.
Também na equipa nacional do seu país, Toni viria a assumir um papel importante. Na caminhada feita pelos “Tubarões Azuis”, um dos melhores momentos vividos pelo avançado-centro aconteceria aquando da edição de 2000 da Taça Amílcar Cabral. Orientado pelo antigo internacional português Óscar, o jogador, ao marcar 3 golos durante o desenrolar do certame, transformar-se-ia num herói para a pátria natal. De entre os remates certeiros do atleta, um mereceria especial destaque e, na final frente ao Senegal, seria dele o tento que encerraria o placard com 1-0 e selaria a vitória da nação crioula.
A entrar na veterania, Toni, com a perda de preponderância nos esquemas tácticos pensados para o Sporting de Braga, acabaria por deixar o Minho para dar seguimento à sua carreira noutro destino. Já com a temporada de 2000/01 em curso, o avançado partiria para os Açores. No arquipélago, ajudaria o Santa Clara a subir à 1ª divisão e, já no convívio dos “grandes”, a campanha de 2001/02 tornar-se-ia na última do atleta nos principais palcos do futebol luso. Em seguida, ao sair da agremiação micaelense ainda no decorrer da última época referida, o jogador entraria numa fase mais errante e, nos anos vindouros, representaria Portimonense, Feirense, Lousada, Merelinense e Caçadores das Taipas.
Com as “chuteiras penduradas” desde 2006, Toni, ao manter a ligação à modalidade, passaria a desempenhar as funções de treinador. Nessas tarefas, destaque para as suas experiências no Merelinense e no Tomarense e, depois de regressar a Cabo Verde, o trabalho realizado à frente do Juventude e do Santa Maria.

Ao emergir dos juniores do Vitória Futebol Clube, Arnaldo Silva chegaria à equipa principal dos “Sadinos” na época de 1969/70. Com a sua estreia na 1ª divisão a ser promovida por José Maria Pedroto, o jovem praticante esbarraria na forte presença de Arcanjo. Com o referido colega a ser o preferido no delinear do esquema táctico, o jogador de origem guineense, na disputa por um lugar no sector mais ofensivo, ainda teria de enfrentar, também no encetar da caminhada sénior, a concorrência de Vítor Batista e do “magriço” Figueiredo. Parcamente utilizado, a verdade é que o ponta-de-lança continuaria a ser encarado como uma grande promessa saída das “escolas” do emblema sediado na cidade de Setúbal. Por essa razão, o avançado-centro manter-se-ia pelo Bonfim durante mais uma temporada. Porém, o Serviço Militar Obrigatório viria, de alguma forma, a atrapalhar a evolução do atleta. Integrado no contingente com destino a Angola, a solução encontrada para o seguimento da sua carreira surgiria no Benfica de Luanda. Já a viagem de volta à metrópole levá-lo-ia de novo a vestir o listado verde e branco. No entanto, com poucas presenças em campo em 1974/75, o atacante acabaria por ver a sua ligação aos “Sadinos” a terminar com o final da campanha de regresso a Portugal.
Com o intuito de jogar mais, seguir-se-ia a sua integração no plantel de 1975/76 do Esperança de Lagos. Com o emblema algarvio, pela primeira vez na história, a disputar a 2ª divisão, Arnaldo Silva tornar-se-ia num dos grandes destaques do grupo de trabalho sob a alçada do treinador Valentim Alexandre. Ao terminar a referida época como o melhor marcador da equipa do Barlavento, o atacante começaria a ser cobiçado por outros emblemas. Nesse sentido, com o Marítimo a ganhar a corrida pelo seu concurso, o jogador cumpriria a campanha de 1976/77 na Madeira. No “Leão do Almirante Reis”, o avançado começaria por conquistar as preferências de Pedro Gomes. Todavia, o grande momento dessa primeira época no Funchal surgiria nas últimas jornadas do Campeonato. Com os “Verde-rubro” a receber o Olhanense, o ponta-de-lança marcaria o último golo da vitória por 4-0 e, com a goleada frente aos algarvios, ajudaria a selar a subida de patamar e a carimbar a consequente estreia da colectividade insular nas lides da 1ª divisão.
Curiosamente, apesar da sua importância na promoção da agremiação funchalense, Arnaldo Silva deixaria os Barreiros. A época de 1977/78, continuando a alimentar aquela que terá sido a melhor fase da sua carreira, passá-la-ia ao serviço do Portimonense. Após o ano realizado no Algarve e que representaria o regresso do avançado à 1ª divisão, o jogador voltaria à ilha da Madeira. Pela segunda vez a envergar as cores do Marítimo, o atacante continuaria a sublinhar-se como um intérprete muito poderoso fisicamente e com habilidade suficiente para justificar a presença nos “plateaus” primodivisionários. Essa ideia, ainda com o atleta a vogar pelos principais palcos do futebol luso, desvanecer-se-ia nos anos vindouros, com a perda de algum fulgor. No escalão máximo, mas com números modestos, o ponta-de-lança ainda representaria o Académico de Viseu e o Belenenses. Já numa fase marcadamente descendente e errante, tempo ainda para várias participações nos degraus secundários e em emblemas como o Beira-Mar, Torreense, Cova da Piedade, Vasco da Gama de Sines, Seixal e Amora.

Chegaria a Lisboa numa altura em que, no país natal, já tinha vestido as camisolas da Académica de Chamanculo e do Sporting de Lourenço Marques. Contudo, apesar de consagrado como um dos grandes intérpretes a actuar nas provas moçambicanas, a sua entrada no plantel de 1964/65 do Sporting Clube de Portugal não teria o efeito esperado. Depois da estreia, pela mão do treinador Armando Ferreira, numa partida a contar para a Taça de Portugal, Armando Manhiça continuaria a revelar algumas dificuldades em adaptar-se à nova realidade competitiva e, tirando a mencionada excepção, o atleta passaria as duas primeiras épocas em Alvalade a jogar praticamente no conjunto de “reservas”.
A grande mudança aconteceria já no decorrer da temporada de 1966/67 e por força da sua passagem do miolo do terreno até ao centro do sector mais recuado. Como defesa, Armando Manhiça, dono de um físico impressionante e a revelar uma coragem ímpar, voltaria a destacar-se como um futebolista de elevados índices exibicionais. Alcunhado como o “115 do Sporting”, tal a sua valia para os desempenhos colectivos dos “Leões”, daí em diante, o jogador passaria a ser tido como um dos elementos fulcrais para os sucessos do clube.
Com a sua importância a emergir no cumprir de cada partida, a época de 1967/68 sublinhá-lo-ia, ainda mais, como um dos indiscutíveis no alinhamento inicial do Sporting. Essa preponderância levaria os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol a incluí-lo nas convocatórias para os desafios da selecção. Por Portugal, chamado a jogo por José Maria Antunes, Armando Manhiça estrear-se-ia, a 30 de Junho de 1968, num amigável forasteiro frente ao Brasil. Seguir-se-ia, em Dezembro do mesmo ano, a sua inclusão numa das jornadas a contar para a Fase de Qualificação do Mundial de 1970 e essa peleja contra a Grécia, sempre acompanhado no centro da defesa nacional pelo seu colega de clube José Carlos, dar-lhe-ia a segunda e derradeira internacionalização “A”.
Após, na campanha de 1968/69, ter ajudado o Sporting a ser um dos vencedores da Taça Intertoto, a última época de Armando Manhiça ao serviço do Sporting, empurrá-lo-ia para o ocaso vivido no decorrer dos primeiros anos com as cores leoninas. Esse facto, levaria o jogador a mudar de rumo e a prosseguir a carreira mais a norte. Com a entrada nas Antas a suceder-se em 1970/71, o defesa recuperaria a importância perdida em Alvalade. Durante as temporadas vindouras, com algumas excepções, o atleta assumir-se-ia como um dos mais importantes membros da equipa “azul e branca” e à custa da aura de futebolista fiável, voluntarioso e intrépido acumularia, ao envergar a camisola do FC Porto nas diferentes provas nacionais e estrangeiras, algumas dezenas de partidas disputadas.
Para seu enorme infortúnio, um grande acidente de viação, afectá-lo-ia de tal maneira que, após a temporada de 1973/74 sem efectuar qualquer partida, Armando Manhiça decidira, em definitivo, pôr um ponto final na caminhada enquanto jogador profissional de futebol. Regressado a Moçambique, o antigo defesa-central voltaria a abraçar a modalidade, mas, dessa feita, já no desempenho das tarefas de treinador. Como técnico, numa carreira que não consegui descortinar grande parte do trajecto, um dos maiores destaques viria com a sua nomeação para seleccionador nacional da Guiné-Bissau.

Meses após o nascimento, Manuel Candeias, na companhia dos pais, deixaria a aldeia natal, na zona do Fundão, para passar a residir no bairro lisboeta de Alcântara. Alguns anos depois, já como um apaixonado pelo futebol, entraria para as “escolas” do Atlético Clube de Portugal. Tendo dado os primeiros passos na modalidade ainda na infância, o jovem praticante continuaria a subir os diversos degraus formativos até atingir, na temporada de 1963/64, a equipa principal. Com o emblema da Tapadinha, por essa altura, a disputar o escalão secundário, o defesa-central ainda demoraria alguns anos até chegar ao convívio dos “grandes”. Essa barreira, orientado por Angel Oñoro, ultrapassá-la-ia com o encetar da campanha de 1966/67 e como parte de um grupo de trabalho onde estavam incluídos Marinho, Rodolfo Seminário, Botelho e o “astro” Matateu.
Com o emblema alcantarense a teimar num trajecto desportivamente instável, Candeias, progressivamente a cimentar-se como uma das figuras da equipa, acompanharia o Atlético na senda de descidas e subidas que caracterizaria a caminhada do clube nas décadas de 1960 e 1970. Uma das provas da sua importância, no seio do grupo de trabalho, surgiria com a braçadeira de capitão entregue à sua responsabilidade. Como um elemento de cariz intrépido e incansável, o defesa-central depressa conseguiria transformar-se num grande exemplo para os colegas de balneário. Ao nunca virar a cara à colectividade “alfacinha”, o jogador alimentaria a aura mítica que muitos ainda recordam e as 13 temporadas como sénior, ao serviço da agremiação sediada em Alcântara, ficariam como forte testemunho de uma entrega impar.
Apesar de ter dedicado ao clube 23 anos da sua vida como futebolista, número que faz de si o elemento que durante mais tempo representou o clube, Manuel Candeias ainda haveria de ser assediado por um dos maiores rivais do Atlético. No entanto, o “namoro” com Belenenses, com os “Azuis” a quererem concretizar a transferência apenas à custa da cedência de vários futebolistas, esbarraria na intransigência dos dirigentes da Tapadinha em aceitar um negócio em tais moldes. Ironicamente, mais tarde, o defesa viria a ser dispensado. Já consagrado como o jogador que mais vezes tinha envergado a camisola da agremiação alcantarense, o central ter-se-á negado à exigência do treinador uruguaio José Caraballo que, segundo o especulado na altura, haveria de informar o atleta que, para continuar no clube, teria de primeiro “treinar à experiência”.
Com a saída da Tapadinha, seria o Montijo, ainda na 1ª divisão, a receber o atleta. Na Margem Sul do Rio Tejo, Manuel Candeias chegaria na campanha de 1976/77, para ainda completar mais uma temporada pelo conjunto aldegalense. Com um ano sabático pelo meio, de seguida, segundo a informação retirada do sítio oficial da Federação Portuguesa de Futebol, o defesa-central terá sido inscrito no plantel de 1979/80 do Sporting Clube de Linda-a-Velha. Já com as “chuteiras penduradas”, o antigo defesa, nas funções treinador, voltaria a ligar-se ao Atlético e, dessa feita, para orientar as camadas jovens da agremiação lisboeta.