Parte de um sector ofensivo que, na sua época de estreia pelos seniores, contava com nomes como Manuel António, Artur Jorge, Crispim, Serafim ou Rocha, Néne não deixaria intimidar-se pela forte concorrência e assumiria, a partir da 12ª jornada do Campeonato Nacional, um papel de enorme relevância no decorrer da temporada de 1968/69. Muito para além da presença naquela que é a competição de maior relevo no calendário futebolístico luso, o atacante assumir-se-ia de fulcral importância no desenrolar da Taça de Portugal. Nesse sentido, depois de marcar um dos golos que, na disputa das meias-finais, ajudaria a eliminar o Sporting, o jogador seria chamado, por Fernando Andrade, para a disputa da derradeira peleja da prova. No Estádio Nacional, numa partida que ficaria para sempre marcada pelo protesto estudantil contra o vigente regime ditatorial, o atleta entraria no alinhamento inicial, mas o seu génio seria insuficiente para derrotar o Benfica.
Antes ainda da partida disputada no Jamor e aludida no parágrafo anterior, já Néne tinha tido a oportunidade para envergar a “camisola das quinas”. Chamado aos trabalhos da equipa de “esperanças” à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, o avançado, ao lado de outros colegas da Académica, casos de Toni e de Mário Campos, integraria a comitiva a viajar para “Terras de Sua Majestade”. Na cidade de Coventry, a 16 de Abril de 1969, o avançado faria parte do “onze” que entraria no Highfield Road Ground. Frente a Inglaterra, o jogador estrear-se-ia por Portugal e consequentemente adicionaria 1 internacionalização ao currículo pessoal.
A segunda temporada cumprida pela Académica iria trazer-lhe a estreia nas competições sob a tutela da UEFA. Com os “Estudantes” incluídos nos sorteios associados à Taça dos Vencedores das Taças, a progressão na prova levaria Nené e os companheiros a enfrentar, já nos quartos-de-final, o Manchester City. Convocado por Juca, disputaria ambas as mãos da referida ronda e mesmo com o afastamento da agremiação conimbricense, o jogador sairia da eliminatória como um dos elementos merecedor dos mais rasgados elogios.
Seria já com o início da época de 1970/71 à vista que a desgraça atingiria o jovem praticante. Aferido como uma das maiores promessas do desporto luso, Néne começaria a ser perseguido por Benfica, Sporting e, segundo veiculado, pelo Real Madrid. Com o assédio a crescer de tom e com a confusão instalada entre as direcções leoninas e da “Briosa”, o jogador, à altura a cumprir o Serviço Militar Obrigatório nas Caladas da Rainha, aproveitaria uma das licenças para desanuviar do clima tenso que o suposto “namoro” com outros emblemas havia causado no meio futebolístico estudantil. Nessa viagem, na estrada entre Coimbra e a Figueira da Foz, o avançado, a conduzir o seu Mini, embateria de frente com uma camioneta e na sequência do terrível acidente de viação, perderia a vida a 10 dias de cumprir 21 anos de idade.









