1426 - DAVID

Formado entre as “escolas” do Feirense e as do FC Cortegaça, seria no Sporting de Espinho que David Manuel Reis da Silva faria a sua estreia como sénior. Logo nessa temporada de 1982/83, treinado por Álvaro Carolino, o jovem médio-esquerdo, mesmo a actuar no escalão máximo do futebol português, daria boas indicações quanto à sua habilidade. A campanha seguinte, ainda sem conseguir ser um dos mais utilizados do plantel dos “Tigres da Costa Verde”, serviria para que sublinhasse os números registados na época anterior. Porém, a despromoção do clube acabaria por atrasar a sua evolução e o jogador, nos anos vindouros, passaria a disputar a 2ª divisão.
Com 2 temporadas cumpridas no escalão secundário, a transferência para o Desportivo de Chaves, muito mais do que marcar o regresso do médio ao convívio com os “grandes”, confirmaria o jogador como um elemento de calibre primodivisionário. Ao ser apresentado como reforço do emblema transmontano para a campanha de 1986/87, David encetaria aí uma caminhada que, para além de transformar o listado azul-grená no mais representativo da sua caminhada competitiva, iria inscrevê-lo, logo no ano da sua chegada, nos anais do clube.
Orientado por Raul Águas, David, na já referida temporada de 1986/87, seria um dos intérpretes a contribuir para o 5º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Aquela que, à altura, viria a transformar-se na melhor prestação de sempre da agremiação sediada em Trás-os-Montes, serviria também para a qualificação e estreia do emblema flaviense nas provas continentais. A disputar a edição de 1987/88 da Taça UEFA, o médio, numa altura em que já tinha assumido um lugar como titular, ajudaria ao afastamento dos romenos da Universitatea Craiova e, já na ronda seguinte, jogaria as duas mãos correspondentes à eliminatória disputada frente aos húngaros do Hónved.
A época de 1987/88, a juntar à participação nas competições europeias, traria a David outro momento inolvidável. Chamado aos trabalhos dos conjuntos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, o jogador acabaria integrado nas oportunidades idealizadas para a equipa olímpica. A laborar sob a direcção técnica do seleccionador Juca, a estreia do médio com a “camisola das quinas” dar-se-ia a 24 de Maio de 1988 e, nessa partida agendada frente à Islândia, o atleta acabaria a embelezar o seu currículo com 1 internacionalização com as cores de Portugal.
Voltando ao percurso feito pelo médio ao serviço do Desportivo de Chaves, os largos anos passados pelo jogador em Trás-os-Montes contribuiriam para que o seu nome ficasse inscrito como uma das figuras históricas do clube. Para além dos acontecimentos aludidos em parágrafos anteriores, David também somaria 9 temporadas consecutivas a envergar a camisola dos “Flavienses”. Esse somatório de épocas, das quais 8 cumpridas nas contendas do mais importante patamar luso, levá-lo-iam a adicionar ao trajecto pessoal um total de 230 partidas disputadas entre os “grandes”, facto que transformaria o atleta no elemento da colectividade com mais jogos feitos na 1ª divisão.
Com o fim da ligação ao Desportivo de Chaves a acontecer com o termo da temporada de 1994/95, David ainda teria disponibilidade para prolongar a sua caminhada competitiva por mais algum tempo. Naquelas que viriam a vincar-se como as derradeiras etapas da sua carreira, o médio ainda regressaria, por um ano, ao Sporting de Espinho e terminaria a caminhada como futebolista, ao serviço do Esmoriz, na campanha de 1998/99.

1425 - BRUNO CAIRES

Filho de Eurico Caires, antigo atleta com passagem pelas “Águias”, Bruno Caires começaria por ser um dos grandes destaques das “escolas” do Benfica. O relevo dado às suas exibições, depressa iria pôr o atleta nos trilhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com o primeiro jogo com a “camisola das quinas” a acontecer a 18 de Julho de 1991, essa partida de sub-15 frente à Bélgica, orientada por Rui Caçador, daria início a uma caminhada que, por entre vários patamares, viria a colorir o seu currículo com 52 internacionalizações. Pelo meio, as chamadas aos mais importantes torneios organizados para jovens, onde os maiores destaques iriam para a conquista do Campeonato da Europa sub-18 de 1994, para a Medalha de Bronze trazida do Mundial sub-20 de 1995 ou ainda para o 4º posto alcançado no Jogos Olímpicos de 1996.
A promoção aos seniores do Benfica ocorreria na temporada de 1994/95. Porém, numa equipa comandada por Artur Jorge e com correntes directos para a posição de “trinco” como Paulo Bento e Tavares, Bruno Caires não conseguiria qualquer oportunidade e seria, em Dezembro, emprestado ao Belenenses. As boas exibições feitas no Restelo e a presença no Mundial sub-20 referido no parágrafo anterior seriam suficientes para, na campanha de 1995/96, justificar o regresso à Luz. Já como um dos atletas em maior destaque no plantel dos “Encarnados”, o médio-defensivo veria a sua cotação a subir em flecha e não tardaria muito para que, de outras paragens, começassem a olhar para o jogador como um bom reforço.
Seria como titular do Benfica e mais de um ano depois de, pelas “Águias”, ter cevado o palmarés pessoal com a presença e a vitória na final da Taça de Portugal de 1995/96, que chegaria o convite do Celta de Vigo. Ao aceitar o desafio lançado pelo emblema espanhol, a mudança, já com a época de 1997/98 em andamento, levaria o médio-defensivo a disputar o principal patamar da “La Liga”. No entanto, contrariando as auspiciosas projecções feitas com a transferência, a ruptura dos ligamentos cruzados do joelho direito levaria a deitar por terra a aposta. Na sequência da grave lesão, por não conseguir recuperar completamente das mazelas, Bruno Caires, pouco utilizado na colectividade galega, haveria ser cedido ao Tenerife. Todavia, os sinais dados pelo jogador não seriam convincentes e a ligação aos de azul-celeste terminaria com o fim da campanha de 1999/00.
A contratação pelo Sporting ainda devolveria alguma esperança ao jogador. Ainda assim, o regresso a Portugal na temporada de 2000/01, pouco mais traria ao atleta do que escassas ilusões de retornar aos índices exibicionais de antigamente. Depois de, na primeira época em Alvalade, ter apenas participado em duas partidas oficiais, os anos seguintes passá-los-ia entre a equipa “b” leonina e os empréstimos ao Maia e ao Sporting da Covilhã. Por fim, já desvinculado dos “Leões”, viria o Louletano e antes ainda de completar 30 anos de idade, com o termo da única campanha passada no Algarve, chegaria o fim da sua carreira enquanto futebolista.
Após “pendurar as chuteiras”, o antigo jogador, juntamente com outros elementos, fundaria a empresa “Friends & Company” que, através de parcerias, tem coordenado as “escolas” de formação de colectividades como o Amora ou o Leão Altivo.

1424 - JOSÉ CARLOS

Ao completar a formação no Sporting Clube de Portugal, José Carlos Gonçalves da Silva acabaria por fazer a estreia como sénior bem longe de Alvalade. Integrado no plantel do Gil Vicente na temporada de 1960/61, o jovem atleta iniciaria no Minho um périplo que até à estreia no escalão máximo português ainda viria a prolongar-se por alguns anos. Após uma campanha em Barcelos, seguir-se-iam o Amora e o Silves. Depois, surgiria na sua caminhada competitiva o Seixal de 1963/64 e o encetar, num conjunto de trabalho comandado pelo treinador-jogador Angel Oñoro, da sua experiência primodivisionária.
Apesar dos bons números apresentados, a fazerem do médio-ofensivo um dos elementos presente no “onze tipo” do conjunto sediado na Margem Sul do Rio Tejo, José Carlos, cumprida apenas uma temporada, acabaria por deixar o Campo do Bravo para, não muito longe dali, começar a envergar a camisola do Almada. No Pragal a partir de 1964/65, o médio, de características marcadamente atacantes, voltaria a demonstrar qualidades suficientes para ambicionar a voos de maior monta. Dois anos passados nas contendas da 2ª divisão seriam suficientes para que outros emblemas começassem a aferir o atleta como uma figura capaz de reforçar os respectivos planteis. Nesse sentido, ao jogador abrir-se-iam as portas do Estádio do Bonfim e no Vitória Futebol Clube passaria a trabalhar sob a intendência de Fernando Vaz.
A verdade é que a época de 1966/67, passada com as cores da agremiação setubalense, correria muito aquém do esperado e José Carlos praticamente não entraria em campo com o equipamento listado dos “Sadinos”. Ainda assim, a sua reputação não sofreria danos de maior e o FC Barreirense, com o jogador a manter-se no convívio com os “grandes”, tornar-se-ia na sua nova “casa”. Ao retornar a um dos emblemas da Margem Sul, o médio-ofensivo recuperaria a cotação e voltaria, ainda que com ligeiríssimas intermitências, a ser tido como um titular. Nas 4 temporadas a jogar em casa no Estádio Dom Manuel de Mello, 3 delas no degrau maior do futebol português, o atleta sublinhar-se como um elemento de grande valor. Mais uma vez com grande surpresa, seria já depois de, frente ao Dinamo Zagreb, ter participado na estreia do clube nas competições continentais que José Carlos deixaria o clube.
No plantel do Cova da Piedade de 1971/72, o grande momento surgiria na disputa da Taça de Portugal e nos quartos-de-final alcançados pelo emblema a militar na 2ª divisão. A campanha no Parque Silva Nunes valer-lhe-ia, na companhia de Móia, a transferência para o Oriental. Com a chegada à Azinhaga dos Alfinetes na temporada de 1972/73, José Carlos participaria numa das páginas históricas da colectividade “alfacinha”, ou seja, no regresso do clube às pelejas primodivisionárias. O resto das épocas passadas no Estádio Engenheiro Carlos Salema, serviriam para o jogador somar mais duas épocas no convívio com os “grandes” e para, com o termo das provas agendadas no calendário de 1975/76, pôr um ponto final no seu trajecto como futebolista.
Posteriormente e depois de, como treinador-jogador, já ter conduzido o Oriental de 1974/75, José Carlos manteria a sua ligação à modalidade como técnico-principal. Nessa caminhada de mais de duas décadas, numa carreira feita pelos escalões secundários, o antigo atleta orientaria colectividades como Vilafranquense, Samora Correia, Pescadores da Costa da Caparica, Sacavenense, Amora, Fanhões, Odivelas, Seixal, Atlético da Malveira, Benavente, Coruchense e Loures.

1423 - AZUMIR

Ao ser Azumir Luís Casimiro Veríssimo uma figura de importância no cenário futebolístico português, pensei ser mais fácil descortinar a sua vida na modalidade. Em abono da verdade, o percurso do avançado feito do lado de cá do Atlântico, tirando uma pequena excepção, até é fácil de deslindar. Já no que diz respeito à sua carreira no Brasil, a ideia é bem diferente!
Comecemos por aquilo que é mais comum ler-se em relação à primeira parte do seu percurso profissional, ou sejam, as etapas trilhadas no seu país natal. Como é possível ler-se num grande número de fontes, Azumir terá feito o seguinte trajecto: Madureira (1955); Bangu (1956); Flamengo (1957); Botafogo (1958; 1959); Fluminense (1960) e Vasco da Gama (1961) (1). O pior aconteceu quando comparei essa informação com um artigo difundido na publicação electrónica “História do Futebol” e que, por ter como base alguns recortes de um periódico, parece ser bem mais fidedigno. Nessa entrevista que, segundo o autor do blog, remonta ao ano de 1959, para além de uma digressão à Europa, feita pela selecção do Departamento Autônomo, dá para descortinar alguns dos clubes iniciais da carreira do ponta-de-lança, para o caso: o Atlético Clube Nacional de Ricardo Albuquerque e o Irmãos Goulart Futebol Clube. Porém, como já devem ter reparado, aquilo que mais chama a atenção é o suposto ano da publicação e o clube por quem, à altura, o atleta jogava – “Azumir Luís Veríssimo é nilopolitano modesto. Trabalhava na Klabin (fábrica de papelão) quando lhe surgiu a oportunidade no Madureira. Conta: «Fui disputar um torneio pelo time da fábrica em Conselheiro Galvão. Estive bem e Isaac, amigo meu que conhece bem o Ápio, arranjou uma apresentação e, logo, após o primeiro treino, me convidaram a assinar contrato como não amador. Agora, felizmente, já tenho compromisso de profissional e ganho dez mil mensais»”(2).
Ao manter-me no mesmo artigo, há outro trecho que põe em causa a ordem pela qual os clubes são apresentados na biografia referida no segundo parágrafo – “Certa vez, Azumir treinou no Bangu, juntamente com Joel (hoje titular alvirrubro), mas não teve paciência de esperar a oportunidade. Revela, a propósito: «Talvez eu me tenha afobado, mas não há o que lamentar. O Madureira tem sido uma óptima escola para mim»(2). Para concluir, falta referir alguns “sites” que, ao reportar um Azumir no plantel do Madureira de 1959 (3)(4), 1960(5) e 1961(6), ajudam a corroborar o ano da referida entrevista.
Com tudo o que já aqui disse, o que parece ser certo é a chegada de Azumir ao FC Porto, para reforçar o grupo de trabalho inicialmente sob a alçada do húngaro Gyorgy Horth. Logo nessa temporada de 1961/62, o ponta-de-lança, caracterizado pela boa técnica com ambos os pés e por um bom jogo de cabeça, atingiria aquele que seria o momento mais alto da sua passagem por Portugal e com 23 golos consagrar-se-ia como o vencedor do prémio de Melhor Marcador do Campeonato Nacional. No entanto, apesar de um arranque auspicioso, as épocas seguintes revelariam o avançado a perder fulgor. Ainda assim, a época de 1962/63 sublinharia o atleta como o goleador máximo dos “Azuis e Brancos”. Pior, viria a ser o último ano nas Antas, com o jogador parcamente utilizado e, com o fim da temporada, a ser incluído na lista de nomes a dispensar.
Sem deixar as provas lusas, mas ao descer um degrau competitivo, Azumir escolheria o plantel de 1964/65 do Sporting da Covilhã para prosseguir a carreira. Seguir-se-ia, um ano depois do ingresso nos “Leões da Serra”, a transferência para o Barreirense e aquela que viria a ser a derradeira temporada do avançado nas disputas da 1ª divisão. Referência ainda para a temporada de 1967/68 e para a sua passagem pelo Desportivo de Beja. Por fim, há a acrescentar, segundo várias informações, a ligação ao Tirsense. Contudo, em nenhuma dessas fontes consegui apurar qual a duração ou o início desse hipotético contrato.

(1)https://www.zerozero.pt/jogador/azumir/79764 (25/01/2024)
(2)https://historiadofutebol.com/blog/?p=9995 (recortes da Revista Manchete)
(3) https://www.fluminense.com.br/noticia/fluminense-e-os-70-jogos-memoraveis-no-maracana
(4)https://www.rsssfbrasil.com/tablesr/rj1959.htm
(5)https://brfut.blogspot.com/2010/01/campeonato-carioca-1960-primeiro-turno.html
(6)http://mundobotafogo.blogspot.com/2011/03/botafogo-campeao-de-futebol-estadual.html

1422 - MARQUES

Ao começar o percurso sénior ao serviço do Ginásio de Alcobaça, António Pereira Marques representaria o emblema sediado na Região Oeste entre as temporadas de 1957/58 e a de 1960/61. Depois surgiria o Serviço Militar Obrigatório a atrapalhar o evoluir da sua carreira. Após um interregno e com o destacamento para Angola, a campanha de 1962/63, à imagem de tantos atletas empurrados para a Guerra Colonial, seria passada num emblema local, para o caso do defesa-esquerdo, o Sport Benguela e Benfica. Já o regresso à Metrópole apresentaria à sua caminhada desportiva a Académica de Coimbra. A partir dessa campanha de 1963/64, o jogador passaria a destacar-se como um dos elementos mais cotados do emblema estudantil. Ao estatuto aferido pelo atleta, será impossível de dissociar os sucessos colectivos que viriam a moldar aquela que terá sido a época áurea do emblema conimbricense. Num conjunto de trabalho orientado pelo mítico Mário Wilson e onde marcariam presença um rol enorme de ilustres pessoas do futebol luso, Marques transformar-se-ia num dos pilar de diversos momentos de inolvidável importância.
De entre os gloriosos episódios vividos pela “Briosa” na década de 1960, quase sempre com Marques como um dos nomes habituais no alinhamento inicial da Académica, há a destacar as boas classificações no Campeonato Nacional, onde o 2º lugar alcançado no final da temporada de 1966/67 tornar-se-ia no melhor exemplo dessas notáveis jornadas. Claro que também temos as presenças nas competições continentais. Nesse registo, o defesa-esquerdo entraria em campo na edição de 1968/69 da Taça das Cidades com Feira. No entanto, mais importante do que essa participação, famosa pela “moeda ao ar” que viria a decidir a eliminatória a favor do Olympique de Lyon, seria a Taça dos Vencedores das Taças de 1969/70. Nessa caminhada, que conduziria a o conjunto português até aos quartos-de-final da prova, o jogador participaria em ambas as mãos dessa última ronda e que, frente ao Manchester City, ditaria o afastamento dos “Estudantes”.
Numa ligação com a agremiação beirã que, como futebolista, duraria até à temporada de 1971/72, há também a Taça de Portugal. Com presença na derradeira peleja da edição de 1966/67, perdida para o Vitória Futebol Clube, a sua participação na final de 1968/69, por questões maiores que o desporto, sublinharia a partida frente ao Benfica como um dos momentos mais marcantes da sua caminhada competitiva. Numa altura em que a luta estudantil contra o regime ditatorial vigente em Portugal assumiria o seu ápice, Marques, ao lado de Gervásio, Viegas, Vieira Nunes, Belo, Rui Rodrigues, Nené, Vítor Campos, Mário Campos, Manuel António, Ernesto, Rocha e Serafim, entraria no Estádio do Jamor em protesto – “Nesse dia a Académica representou a expressão de um sentimento de repulsa pelo ambiente académico e social que havia em Portugal. Havia um movimento de conspiração geral no Portugal inteiro, mas que na Associação Académica de Coimbra teve aí um momento alto que culminou com essa celebérrima final da Taça de Portugal de 69. Perdemos, mas perdemos ganhando, porque aí ganhámos Portugal, embora perdendo o jogo, mas o jogo foi um acontecimento desportivo como outro qualquer e competimos com galhardia, com dignidade, sabendo que sobre os nossos ombros estava muita responsabilidade, muito orgulho e satisfação por representarmos um Portugal muito atrasado em termos culturais, em termos sociais e também de falta de liberdade de expressão. Não ganhámos, mas ganhámos um país”*.

*retirado da entrevista publicada a 01/07/2022, em www.50anos25abril.pt

1421 - FERNANDO CRUZ

 

Antes do fim do percurso formativo, feito com as cores do Vitória Futebol Clube, Fernando Cruz começaria a dar indicações de ser um jogador com qualidades acima da média. De estatura elevada, o jovem avançado, ainda como elemento dos juniores da agremiação setubalense, seria chamado aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Ao serviço dos agora conhecidos como sub-16, o atleta, a 24 de Fevereiro de 1979, faria a estreia com as cores lusas. Essa partida frente a Israel, orientada por Peres Bandeira e ao lado de nomes como Dito, Jaime Magalhães, João Pinto, Bandeirinha ou Mário Jorge, tornar-se-ia no tiro de partida para uma caminhada durante a qual, ao passar por vários escalões, somaria um total de 29 internacionalizações. Nesse rol de partidas feitas com a “camisola das quinas”, há ainda a destacar as chamadas ao Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1980 ou às edições de 1981 e de 1982 do Torneio de Toulon.
Aferido como uma grande promessa, a 18ª jornada do Campeonato Nacional de 1979/80, com Fernando Cruz ainda em idade júnior, tornar-se-ia na ronda da sua promoção às pelejas da equipa principal dos “Sadinos”. Depois dessa partida sob a alçada do inglês Jimmy Hagan, o avançado rapidamente conseguiria conquistar um lugar no “onze” do Vitória Futebol Clube. Já como um dos elementos mais utilizados do plantel, o jogador começaria a alimentar a cobiça de emblemas de maior monta. Quem acabaria por apostar na sua contratação haveria de ser o Sporting. Porém, com a entrada em Alvalade a ocorrer na campanha de 1983/84, as suas prestações ao serviço dos “Leões” ficariam aquém do projectado e, nas duas temporadas de “verde e branco”, o atacante poucas presenças em campo somaria ao currículo.
O insucesso da sua passagem pelo Sporting não impediria que o avançado continuasse a esgrimir-se em contexto primodivisionário. De volta à cidade de Setúbal na época de 1985/86, Fernando Cruz exibir-se-ia a um bom nível. Contudo, a campanha de retorno ao Vitória Futebol Clube terminaria, na que à sua carreira diria respeito, com uma inédita despromoção. Ainda assim, o atleta manter-se-ia pelo Bonfim e ajudaria, com apenas um ano cumprido no patamar secundário, a nova promoção. Curiosamente, o jogador, ao invés de continuar o percurso profissional na colectividade setubalense, preferiria aceitar o desafio lançado pelos responsáveis do Farense. No Algarve faria 3 temporadas. Todavia, apesar de as 2 primeiras terem sido realizadas no convívio com os “grandes”, seria a derradeira campanha passada no sul do país que traria outro momento histórico à sua caminhada competitiva. Numa contenda agendada frente ao Estrela da Amadora, Paco Fortes convocá-lo-ia para a última ronda da Taça de Portugal. Com um golo marcado na final e a consequente presença na finalíssima, a edição de 1989/90 da “Prova Rainha”, mesmo com a vitória a sorrir ao adversário, emergiria como um acontecimento inolvidável.
Com a saída do Farense, o trajecto do avançado tornar-se-ia bem mais errante. Seguir-se-iam, no máximo com uma época passada em cada clube, o Sporting de Espinho, a última presença na 1º divisão com as cores do União da Madeira, Louletano, Atlético, Lusitano de Évora, Ovarense e o final da carreira no plantel de 1995/96 do Torres Novas.
Depois de “pendurar as chuteiras”, Fernando Cruz ainda voltaria a ligar-se à modalidade como treinador, com o principal destaque para a experiências no “O Elvas”.

1420 - SABÚ

Ao chegar de Angola para envergar as cores do Vitória Futebol Clube, seriam as camadas de formação a acolher João dos Santos Pacheco Júnior, popularizado no mundo do desporto como Sabú. Cumprido o período nas “escolas” do listado verde e branco, a estreia a jogar na equipa principal dos “Sadinos” ocorreria no início da década de 1970. Avaliado por José Maria Pedroto como um intérprete promissor, a verdade é que o defesa-central teria muitas dificuldades em impor-se numa equipa que, como correntes directos para a sua posição, apresentava nomes como Carlos Cardoso, José Mendes ou Conceição. Nesse sentido, depois de algumas épocas sem grande utilização no conjunto sénior setubalense, o jogador, na disputa das edições de 1973/74 e 1974/75 da 2ª divisão, passaria por diferentes empréstimos, respectivamente ao Torreense orientando por Francisco Polido e ao Montijo.
De regresso ao Estádio do Bonfim, Sabú finalmente conseguiria jogar com alguma regularidade. Porém, os números apresentados durantes a época de 1975/76 e na seguinte, não teriam a continuidade esperada. Sem qualquer partida disputada no Campeonato Nacional de 1977/78, o defesa-central decidiria deixar o Vitória Futebol Clube para tentar novas oportunidades noutras paragens. Sem deixar a 1ª divisão e num Beira-Mar treinado por Fernando Cabrita, o atleta, com a temporada de 1978/79, encetaria no Mário Duarte o período mais prolífero da sua carreira como futebolista profissional. No entanto, mesmo ao ser um dos elementos mais utilizados no plantel auri-negro, findos os dois anos passados em Aveiro, o jogador voltaria a mudar de rumo e, de forma algo surpreendente, regressaria aos palcos secundários.
Com a entrada no Juventude de Évora, Sabú, embora a cumprir épocas de grande valor, jamais regressaria aos principais cenários do futebol luso. Depois da campanha no Alentejo que, sob a orientação de Dinis Vital, quase daria a promoção à agremiação eborense, o defesa-central seguiria o ainda agora referido treinador e mudar-se-ia para a região do Oeste. Ao serviço do Ginásio de Alcobaça, o jogador participaria na histórica temporada de 1981/82, a qual daria a subida de patamar e a estreia do clube na 1ª divisão. Mais uma vez, sem que qualquer inevitabilidade fizesse prever tal transferência, o atleta regressaria à foz do Rio Sado e na cidade de Setúbal, durante um ano, passaria a envergar as cores do Comércio e Indústria.
Daí em diante, Sabú entraria numa fase mais errante da carreira. Nesse sentido, surgiriam as duas temporadas no Algarve, ao serviço do Torralta. De seguida, a contabilizar campanhas isoladas em cada agremiação, viriam o Amarante, o Cova da Piedade, os Leões de Tavira e, para finalizar, o plantel de 1988/89 do Paio Pires.

1419 - BRAVO

Para muitos atletas de alturas mais remotas do desporto luso, como alguns que por este blog já passaram, a edificação de uma biografia capaz de contar, com o rigor de fontes fidedignas, as suas carreiras e também partes da vida pessoal, é de uma arduidade tremenda. No que diz respeito a José Maria Gomes, popularizado no futebol pela alcunha Bravo, os obstáculos que encontrei para a construção deste texto, como ficou entendido na primeira frase, fazem dele outro bom exemplo dessas dificuldades.
Comecemos pela data do seu nascimento. Segundo o sítio da Federação Portuguesa de Futebol, contrastando com outras fontes que dão o atleta como nascido no mesmo dia, mas em 1917, tal efeméride terá ocorrido a 30 de Agosto de 1919. Escolhendo a segunda calendarização como a de maior probabilidade, passemos aos registos da sua carreira. Com a inscrição inicial, no que conta ao que consegui apurar, a dar-nos a temporada de 1943/44 como a de arranque da sua caminhada competitiva, esse dado faz-me crer que Bravo, anteriormente a essa campanha passada com o Estoril Praia, já haveria de ter tido outras experiências desportivas.
No emblema da Linha de Cascais, numa altura em que os “Canarinhos” teimavam em cirandar entre os dois principais patamares do futebol luso, Bravo, ao destacar-se como interior-direito, passaria a ser tido como um dos mais brilhantes elementos a representar a colectividade. Essa temporada de 1943/44, a tal do primeiro registo por mim encontrado, coincidiria com um dos momentos altos da história da agremiação. Com a chegada à final da Taça de Portugal, o atleta seria um dos escolhidos por Augusto Silva para, ao lado de nomes como Alberto de Jesus, Eloi, Raul Sbarra ou Franjo Petrak, disputar a partida frente ao Benfica. Infelizmente para o Estoril Praia, a peleja correria desastrosamente mal e os de amarelo sairiam do Estádio das Salésias após averbarem uma pesada derrota por 8-0.
Ao manter-se como um dos elementos a merecer enorme destaque no plantel “canarinho”, as temporadas de 1944/45 e de 1946/47, passadas nas disputas primodivisionárias, serviriam para Bravo sublinhar o estatuto de craque. Nesse sentido, na última das campanhas referidas, chegaria o reconhecimento por parte dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Ao lado de outros grandes nomes do contexto futebolístico luso, casos de Patalino, Fernando Caiado, Albano, Carlos Canário, Barrigana, Julinho, Manuel Marques, Octávio Barrosa, Lourenço, Jacinto e Pacheco, o interior-direito seria chamado aos trabalhos da selecção “B”. Em Bordeaux, no Stade du Parc Lescure, o jogador entraria em campo frente à França e, com a disputa realizada a 3 de Maio de 1947, embelezaria o currículo com 1 internacionalização.
Outro dos grandes feitos da sua carreira surgiria já com a época de 1947/48 em andamento. Com a Real Sociedad na luta pela manutenção e à procura de reforçar o plantel, Bravo surgiria como uma das hipóteses mais viáveis e muito boa a equilibrar o rácio preço/qualidade. Já em Espanha, a sua estreia no patamar máximo da La Liga, dar-se-ia, numa ronda frente ao Celta de Vigo, a 22 de Fevereiro de 1948. Nessa partida, o jogador tornar-se-ia no primeiro português a jogar e, ao fazer o “gosto ao pé”, a marcar um golo no patamar maior do futebol de “Nuestros Hermanos”. Porém, apesar do salto qualitativo, a época de arranque pela agremiação de San Sebastian não correria de feição e os bascos acabariam relegados ao segundo escalão. Ainda assim, não demoraria muito para que a descida fosse emendada e com o atacante como um dos titulares, o regresso dos “Erreala” à 1ª divisão ocorreria em 1949/50.
A sua presença naquele que é o degrau maior do futebol espanhol não iria prolongar-se por muito mais tempo. De volta a Portugal, ainda na temporada de 1949/50, Bravo passaria a integrar o plantel do Belenenses. Já o resto da sua carreira, mais uma vez salvaguardando algo que não tenha conseguido aferir, resumir-se-ia à época de 1950/51, também na 1ª divisão e com as cores do Estoril Praia e, por fim, a campanha passada ao serviço do União de Montemor.

1418 - SVEN-GÖRAN ERIKSSON

Com uma carreira de futebolista que, no seu expoente máximo, levá-lo-ia à disputa da 2ª divisão da Suécia, Sven-Göran Eriksson representaria, por esta ordem, Torsby IF, SK Sifhälla e o Karlskoga. No entanto, apesar de nunca ter merecido grande destaque como defesa-direito, a paixão pela modalidade faria com que fosse atrás de outras funções. Depois de “pendurar as chuteiras” com apenas 27 anos de idade, a oportunidade dada pelo Degerfors fá-lo-ia, inicialmente como adjunto, encetar a caminhada como técnico. Um ano depois chegaria o convite para, como responsável máximo, assumir a equipa e seria nas tarefas de treinador-principal que, em termos mundiais, viria a tornar-se num dos nomes mais badalados do “jogo da bola”.
A seguir ao já aludido Degerfors, de forma bastante surpreendente para quem apenas tinha experiência nas divisões secundárias, seguir-se-ia o desafio lançado, em 1979, pelo IFK Göteborg. Mesmo sem grande traquejo, a verdade é que Sven-Göran Eriksson superaria as projecções mais optimísticas. Naquela que é uma das colectividades de maior monta na Suécia, o jovem treinador, numa equipa recheada de internacionais, como Glenn Hysén, Ralf Edstrom, Torbjörn Nilsson, Olle Nordin ou o bem conhecido Glenn Strömberg, não deixaria intimidar-se pela enorme responsabilidade e responderia aos mais cépticos com vários títulos.
Seria já com o currículo recheado pelas conquistas de 2 Taças da Suécia, mas principalmente pela vitória frente ao Hamburger SV, na final da edição de 1981/82 da Taça UEFA, que Sven-Göran Eriksson chegaria a Portugal. Ao pegar na equipa do Benfica na temporada de 1982/83, o sucesso do treinador sueco seria imediato. Logo nessa campanha de chegada conseguiria, para os escaparates da Luz, os troféus correspondentes à “dobradinha”. Já nas competições continentais, por pouco não repetiria a “gracinha” do ano anterior. Porém, nem um plantel composto por craques como Bento, Humberto Coelho, Pietra, Veloso, Carlos Manuel, Shéu, António Bastos Lopes, Diamantino, João Alves, José Luís, Nené ou Chalana seria suficiente para, na derradeira ronda da Taça UEFA, levar de vencido o Anderlecht.
Após uma segunda temporada à frente das “Águias”, durante a qual voltaria a vencer o Campeonato Nacional, o bom trabalho efectuado no Estádio da Luz, faria com que a sua cotação subisse em flecha. Esse facto levaria vários emblemas, das mais importantes ligas europeias, a olharem para si como um bom líder de balneário. Nesse sentido, a escolha do técnico para prosseguir a carreira recairia sobre o Calcio. Na AS Roma a partir da campanha de 1984/85, Sven-Göran Eriksson encetaria uma caminhada que, a somar à mudança para a Fiorentina em 1987/88, levaria o sueco a 5 anos consecutivos a disputar a Serie A. Todavia, o Verão de 1989, com 1 Coppa de Itália vencida pelos “Giallorossi” a enriquecer-lhe o palmarés, transformar-se-ia na altura certa para regressar ao emblema que, até essa altura, mais títulos tinha dado ao treinador.
De volta a Portugal por convite do Presidente João Santos, Sven-Göran Eriksson contribuiria para mais situações de relevo na vida do Benfica. Na segunda experiência à frente do emblema “alfacinha”, o treinador venceria a Supertaça de 1989/90 e o Campeonato Nacional do ano seguinte. Claro está que, durante esse período de 3 anos cumpridos em Lisboa, outro dos momentos de enorme importância seria a presença dos “Encarnados” na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1989/90. No entanto, tal como tinha acontecido durante a sua primeira passagem à frente das “Águias”, o técnico, dessa feita por culpa do AC Milan, não conseguiria conquistar a mencionada prova continental.
O passo seguinte também viria a configurar-se como um retorno. Em Itália na época de 1992/93, com a Sampdoria a apadrinhar esse regresso, os primeiros anos revelar-se-iam, em termos de títulos, algo modestos. Com a edição de 1993/94 da Coppa de Itália ganha pelo emblema genovês, seria na agremiação seguinte que Sven-Göran Eriksson viveria, sem qualquer dúvida, os melhores anos da caminhada como técnico. Já na Lazio, onde orientaria os internacionais portugueses Fernando Couto e Sérgio Conceição, para além das conquistas de 2 Coppas de Itália, 2 Supercoppas e do Scudetto de 1999/00, o treinador juntaria esses sucessos à presença na final da Taça UEFA de 1997/98, à vitória na Taça dos Vencedores da Taças de 1998/99 e ao triunfo na Supertaça da UEFA de 1999/00.
O ano de 2001 traria à sua carreira um desafio inédito. Contratado para assumir o cargo de seleccionador de Inglaterra, Sven-Göran Eriksson comandaria os “3 Lions” aos mais importantes torneios organizados pela UEFA e pela FIFA. Com presença nos Mundiais de 2002 e de 2006 e no Euro 2004, o sueco nunca conseguiria nortear o conjunto britânico até aos tão almejados títulos internacionais. Nesse contexto de equipas nacionais e depois de, na Premier League, ter orientado o Manchester City, o treinador ainda assumiria o comando técnico do México e da Costa do Marfim, tendo conduzido o país africano durante o Campeonato do Mundo de 2010.
O resto da sua caminhada tornar-se-ia um pouco mais errante e, de certa maneira, não tão pomposa quanto o tinha sido até aí. Iniciando um périplo pela Ásia, que levaria o técnico a emblemas da Tailândia, dos Emirados Árabes Unidos, da China e à selecção das Filipinas, o destaque iria para a sua presença, ao serviço do último país listado, na Taça Asiática de 2019.
Finalmente falta fazer referência, num regresso à Suécia, à sua experiência como director-desportivo do IF Karlstad.

1417 - QUIM

Joaquim Marques da Rosa, popularizado no mundo do futebol pelo diminutivo Quim, nasceria na Póvoa de Varzim e, como tantos na sua terra natal, teria no mar a fuga para pobreza – “Aos 14 anos fui para a pesca da sardinha numa catraia a remos e à vela que era do meu cunhado. Ia sempre a chorar mas tinha que ser porque a minha mãe mandava e era preciso ajudar a família”*. Desde muito novo, a faina passaria a moldar-se ao seu quotidiano. No entanto, outra actividade manter-se-ia nos tempos livres como a predilecta e os “jogos da bola”, disputados aos Domingos com os amigos, mudariam a sua vida.
Como resultado dessas pelejas desportivas, Quim haveria de ser convidado para representar o Varzim. Integrado na equipa de juniores, logo passaria de destacar-se como um defesa-central batalhador, corajoso e seguro. Ainda assim, o seu ganha-pão continuaria a estar nas linhas e redes de pesca e o jogador, muito para além do tempo passado com a camisola alvinegra, manteria as actividades marítimas, como a prioridade do seu dia-a-dia. Tudo mudaria aquando do convite dos dirigentes do clube poveiro para que assinasse um contrato profissional. Já na equipa principal, conquistaria um lugar de relevo e inscreveria o seu nome como um dos históricos futebolistas dos “Lobos do Mar”.
Inicialmente nas disputas dos patamares secundários, não demoraria muito tempo para que Quim experimentasse o sabor das contendas maiores do futebol português. Tendo entrado para os seniores varzinistas na temporada de 1960/61, o defesa transformar-se-ia numa peça fulcral para a ascensão da colectividade nortenha ao convívio com os “grandes”. A tão almejada subida aconteceria com a classificação conseguida no final da campanha de 1962/63, com a consequente promoção a levar o clube à estreia na 1ª divisão. Logicamente, esse Campeonato Nacional de 1963/64 também ficaria registado como o passo inicial do atleta no maior degrau luso. Orientado por Artur Quaresma e ao lado de outros nomes bem populares no futebol do Varzim, tais como Fernando Ferreira, Sidónio, Justino ou Salvador, a sua presença no esquema táctico do referido treinador, e dos seguintes, manter-se-ia deveras relevante e a importância revelada levá-lo-ia a apontar a outros voos – “Tive convites para jogar no Guimarães e no FC do Porto, mas o Varzim não vendeu a minha carta. Representei a selecção militar e fui chamado à selecção A e B, para defrontar a Espanha, em Córdoba. Perdemos 3-0, mas não cheguei a jogar”*.
Com as possíveis transferências chumbadas pelos directores do Varzim, Quim manteve-se no clube por vários anos, dos quais viriam a destacar-se as 8 temporadas consecutivas vividas na 1ª divisão. Em suma, o defesa passaria 16 anos com a equipa principal dos “Lobos do Mar”, número apenas ultrapassado pelo também defesa-central Alexandre. Contudo, muito mais do que alicerçada em algarismos, a sua carreira desportiva, dedicada em exclusivo aos “Alvi-Negros”, seria sublinhada pela paixão à modalidade e pelo respeito com todos os que com ele viriam a cruzar-se.

*retirado do artigo de José Peixoto, publicado a 22/04/2016, em www.correiodoporto.pt