1506 - AZEVEDO

Seria a campanha 1950/51 a dar a estreia sénior a Manuel Azevedo. Ao serviço do Beira-Mar, o jogador, a cumprir os primeiros anos nos escalões secundários, ainda assim conseguiria o destaque necessário para merecer a atenção de emblemas de outra monta. Observado por José Valdivieso e José Ricardo Domingues, as qualidades do avançado impressionariam os responsáveis do Benfica e a temporada de 1954/55, depois de 4 anos a envergar a principal camisola da colectividade sediada na cidade de Aveiro, tornar-se-ia na época da sua apresentação como reforço do Benfica.
Com o salto para as “Águias”, o atleta, que, preferencialmente jogava a interior ou a extremo, veria a forte concorrência a atrapalhar a sua afirmação. Num plantel com nomes como Caiado, Arsénio, Salvador, Coluna, Palmeiro ou Fialho, Azevedo veria o brasileiro Otto Glória a preferir os colegas em detrimento dos seus préstimos. Nesse sentido, mesmo chamado à equipa principal, onde faria a estreia no Campeonato Nacional, a 16 de Janeiro de 1955, num partida caseira frente ao Vitória Sport Clube, o avançado passaria as 4 temporadas de ligação contratual ao Benfica quase sempre nas pelejas da equipa “b”. Ainda assim, os anos cumpridos pela colectividade lisboeta serviriam para preencher o palmarés pessoal do atacante e ao deixar o Estádio da Luz, o jogador levaria na bagagem os triunfos em 1 Campeonato Nacional e 1 Taça de Portugal.
Curiosamente seria na época de 1957/58, a última com os “Encarnados”, que Azevedo mais vezes conseguiria entrar em campo pelo conjunto principal do Benfica. No entanto, à procura de um maior número oportunidades, o avançado decidiria aceitar o convite do primodivisionário Torreense. Na região Oeste, o atleta destacar-se-ia como um dos melhores do grupo de trabalho sob a alçada de Joseph Szabo. O pior viria com os desempenhos colectivos a ditar a 14ª posição na tabela classificativa da 1ª divisão e com a consequente descida de patamar. Ora, ao querer dar continuidade às contendas entre os “grandes”, o avançado daria seguimento à sua caminhada competitiva ao serviço do Vitória Sport Clube. Em Guimarães, como um elemento forte fisicamente e com uma técnica acima da média, o jogador, orientado pelo uruguaio Humberto Buchelli, mesmo sem conseguir ser titular indiscutível durante os desafios agendados para 1959/60, voltaria a recuperar algum do elã perdido em anos anteriores. Já o lugar no “onze” conquistá-lo-ia, em definitivo, na campanha seguinte e, sob a alçada de Artur Quaresma, seria peça fulcral na 4ª posição alcançada no Campeonato Nacional, à altura um recorde para a formação minhota.
De forma surpreendente, Azevedo, que até tinha sido totalista no Campeonato, deixaria a “Cidade Berço” para regressar ao Beira-Mar. De volta a Aveiro, dessa feita num contexto primodivisionário, o avançado manter-se-ia como um elemento preponderante no desenho táctico da equipa. Seguir-se-ia, logo na campanha seguinte, a mudança para o Leixões de 1962/63, onde voltaria a encontrar-se com a antiga estrela vimaranense Edmur e onde contribuiria para outro record classificativo, ou seja, o 5º lugar do conjunto de Matosinhos no degrau maior do futebol luso.
Daí em diante, o seu trajecto competitivo manter-se-ia errante, mormente nos escalões secundários e com o avançado a passar pelo Famalicão e de seguida a voltar ao Beira-Mar. Mais uma vez no emblema de Aveiro, com agremiação a tornar-se na mais representativa da sua carreira, o avançado contribuiria para o regresso da colectividade à 1ª divisão, fazendo com que a temporada de 1965/66, mais uma vez a trabalhar sob o comando de Artur Quaresma, fosse a última disputada por si no escalão máximo. Para terminar, surgiria ao seu caminho o Alba e o fim da caminhada enquanto futebolista, com o termo da campanha de 1967/68.

1505 - PANDURU

Estrear-se-ia como sénior, na segunda metade da década de 1980, ao serviço do CSM Resita. Embora a militar no segundo escalão romeno, Nica Panduru, muito por conta das habilidades técnicas, depressa começaria a destacar-se dos demais colegas. Essas qualidades, bem patentes nas suas exibições, levá-lo-ia a ser cobiçado por um dos emblemas de maior tradição na Europa e a transferência para o Steaua Bucaresti confirmar-se-ia na temporada de 1990/91.
Na colectividade da capital da Roménia, Panduru continuaria a sublinhar-se como um intérprete de qualidade superior. Nesse sentido, muito mais do que a afirmação em contexto interno, a preponderância revelada a nível do clube, faria com que os responsáveis federativos arrolassem o seu nome para os trabalhos da principal selecção do país do leste europeu. Com as cores da sua nação, o médio-ofensivo faria a estreia a 12 de Fevereiro de 1992. Chamado por Mircea Radulescu, o jogador, nesse amigável frente à Grécia, daria início a uma caminhada que, para além das 22 internacionalizações “A”, dar-lhe-ia ao currículo a presença no Campeonato do Mundo de 1994. No torneio disputado nos Estados Unidos da América, ao lado de craques como Popescu, Petrescu, Dumitrescu, Raducioiu ou Gheorghe Hagi, o atleta entraria em campo por duas ocasiões e, desse modo, ajudaria a sua equipa a atingir os quartos-de-final da prova.
Voltando ao percurso clubístico, Nica Panduru, como um dos esteios do Steaua Bucaresti, tornar-se-ia numa figura das conquistas do emblema por si envergado. Ao ajudar à vitória em 3 Campeonatos, 1 Taça da Roménia e 2 Supertaças, o jogador veria a sua cotação a subir. No entanto, apesar dos importantes títulos, seriam as competições de índole continental a mudar-lhe o rumo à carreira e numa partida da Liga dos Campeões de 1994/95, o médio acabaria observado por um treinador português – “O Artur Jorge fez questão de me contratar, depois de um Steaua-Benfica. Fiz um golo ao grande Michel Preud'Homme. O Benfica era um histórico, um grande clube e para mim a oportunidade pareceu-me irrecusável”*.
No Benfica a partir da campanha de 1995/96, Panduru experimentaria a instabilidade causada pelos anos da presidência de José Vale e Azevedo. Logo a meio da época de entrada na Luz, o jogador seria emprestado aos suíços do Neuchâtel Xamax. Mesmo regressado a Lisboa, a verdade é que o jogador romeno, muitas vezes acusado de ser pouco batalhador, nunca conseguiria, de forma concreta, conquistar um lugar no “onze” das “Águias”. Ainda assim, os anos passados com os “Encarnados” serviriam para conquistar 1 Taça de Portugal. No entanto, nem o referido título convenceria o atleta a continuar ao serviço da colectividade “alfacinha” e o convite vindo da “Cidade Invicta” fá-lo-ia trocar de camisola.
Na mudança para o FC Porto de 1998/99, Panduru passaria a trabalhar sob a alçada de Fernando Santos. Apesar de pouco utilizado, o médio-ofensivo teria o seu nome inscrito no último dos Campeonatos Nacionais conquistados na inolvidável senda do “Penta”. Porém, a pouca utilização faria com que, na campanha seguinte, fosse emprestado ao Salgueiros. Já o regresso às Antas, em 2000/01, não traria para a sua caminha grandes novidades. Integrado no rol de dispensados, o jogador passaria a trabalhar apenas com a equipa “b”. No decorrer da temporada de 2001/02, ainda seria veiculado por alguns órgãos de comunicação a possível transferência do atleta para os gregos do Panionios. A verdade é que tal nunca viria a concretizar-se e com o termo da época, o internacional romeno decidiria terminar a carreira enquanto futebolista.
Apesar de “pendurar as chuteiras” precocemente, Panduru voltaria a ligar-se ao futebol. Como treinador, o antigo médio tem trilhado o seu percurso essencialmente em emblemas da Roménia. Também passaria pelo papel de Director Desportivo do Steaua Bucaresti e, igualmente no seu país natal, tem emprestado ao papel de comentador televisivo a sua experiência na modalidade.

*retirado da entrevista de Pedro Jorge da Cunha, publicada a 17/09/2015, em https://maisfutebol.iol.pt

1504 - CELSO PITA


Ao terminar o percurso formativo ao serviço do Boavista, seria também no Bessa que Celso Pita, na temporada de 1972/73, faria a estreia no Campeonato Nacional da 1ª divisão. Porém, mesmo tido como uma das boa promessas saída das “escolas” do emblema sediado na “Cidade Invicta”, o jovem jogador, nas escolhas do treinador brasileiro Aimoré Moreira, ver-se-ia ultrapassado por outros colegas, casos de Moura e de Salvador. No ano seguinte, a mesma sorte acabaria por não trazer ao seu percurso grandes oportunidades e, sem conseguir conquistar um lugar no sector mais ofensivo das “Panteras”, o ponta-de-lança ver-se-ia empurrado para a cedência a outras colectividades.
O primeiro dos empréstimos na carreira do avançado levá-lo-ia até ao plantel de 1974/75 do Varzim. Ao trabalhar com Joaquim Meirim, treinador que havia passado pelo comando da equipa principal do Boavista nos tempos de júnior de Celso Pita, o jogador utilizaria o segundo patamar do futebol português para ganhar maior traquejo. Nessa senda, a época seguinte, ainda a título de cedência e mantendo-se o atleta na 2ª divisão, seria disputada com as cores do Salgueiros. A campanha passada em Paranhos, onde voltaria a ser orientado pelo técnico aludido no começo deste parágrafo, serviria, de vez, para justificar o retorno do atacante aos “Axadrezados” e, por conseguinte, cimentar a sua afirmação como um intérprete de qualidade superior.
De volta ao Boavista e aos palcos primodivisionários, a época de 1976/77 seria de enorme valorização para Celso Pita. Ajudado pelos resultados colectivos das “Panteras”, o ponta-de-lança, como o melhor marcador do grupo de trabalho sob a alçada de Mário Wilson, destacar-se-ia do restante plantel. Tanto nas provas de índole continental, onde entraria em campo em todas as partidas disputadas pelo seu clube na Taça dos Vencedores das Taças, ou nas competições internas, nas quais os golos por si concretizados ajudariam o emblema portuense a finalizar a temporada na 4ª posição da tabela classificativa do Campeonato Nacional, o atleta seria alvo dos mais rasgados elogios.
Tão boas aferições, onde o potente remate e a boa condução da bola eram as suas melhores valências, fariam com que emblemas de outra monta começassem a olhar para si como um potencial reforço. Quem decidiria apostar na sua contratação acabaria por ser o Benfica. A mudança para a Luz na campanha de 1977/78, levaria o avançado a enfrentar uma forte concorrência, nomeadamente de Nené e também de Vítor Baptista. Ainda assim, Celso Pita, que muito mais do que a exclusividade numa posição central, também revelaria habilidade para jogar a extremo, seria muitas vezes chamado a entrar em campo pelo inglês John Mortimore. Mormente como suplente utilizado, os números alcançados pelo atleta agoirariam um futuro próspero. No entanto, o infortúnio de um grave acidente, a 20 de Julho de 1978, mudar-lhe-ia radicalmente o rumo da vida. Ao conduzir o seu veículo em direcção a Lisboa, um furo num dos pneus obrigá-lo-ia a parar na berma da auto-estrada. Depois de sair do carro com o intuito de reparar o dano, outro automobilista, ao volante de uma camioneta, colheria o jogador, deixando-o à beira da morte. Celso Pita sobreviveria. Contudo, as enfermidades deixadas pelo terrível desastre, nomeadamente as mazelas do foro neurológico, obrigá-lo-iam a abandonar a carreira de futebolista.

1503 - BELO

José António Pinto Belo estrear-se-ia na equipa principal da Académica de Coimbra no decorrer da temporada de 1966/67. Lançado por Mário Wilson numa partida a contar para a Taça de Portugal, o defesa, na época de arranque enquanto sénior, acabaria ultrapassado por outros elementos mais tarimbados, casos de Rui Rodrigues, Curado e Vieira Nunes. Porém, de forma progressiva, o jovem praticante começaria a ganhar algum espaço nas manobras tácticas da “Briosa”. Com a evolução a mostrá-lo como um dos bons elementos daquela que viria a ser a época de ouro do conjunto conimbricense, o atleta também participaria em momentos históricos para o emblema beirão. O primeiro desses episódios emergiria com a primeira participação dos “Estudantes” nas competições de índole continental. Inseridos na edição de 1968/69 da Taça das Cidades com Feira, o jogador seria chamado à peleja da 1ª eliminatória e, com a sorte a ditar um embate frente aos gauleses do Olympique Lyon, a sua entrada em campo aconteceria na 2ª mão, na vitória caseira por 1-0.
Nas provas sob a alçada organizativa da UEFA é impossível esquecermo-nos da brilhante campanha da Académica de Coimbra na Taça dos Vencedores das Taças de 1969/70. Na referida competição, Belo participaria em metade das partidas que levariam os “Estudantes” até aos quartos-de-final. Todavia, essa inolvidável participação seria resultado de outro momento de extrema importância, não só desportiva, mas igualmente de cariz político. Com a luta estudantil no auge, o defesa-central seria um dos elementos da “Briosa” que, escalonado por Francisco Andrade, entraria em campo no derradeiro desafio da Taça de Portugal de 1968/69 – “Na final, soubemos dizer a todos os portugueses de que lado estávamos nesse tão sensível momento político. Soubemos afrontar o velho regime, de 'peito feito', perante dezenas e dezenas de milhares de portugueses”*.
Apesar da derrota frente ao Benfica, a aludida partida da apelidada “Prova Rainha”, disputada no Estádio do Jamor, serviria, ainda mais, para sublinhar Belo como um dos grandes símbolos da Académica de Coimbra. Claro que muitos mais aspectos serviriam para gravar o nome do defesa-central nos anais da colectividade coimbrã. Uma dessas facetas, incontornável na essência do clube, seria o seu estatuto de estudante-atleta. Como aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, o brilhantismo conseguido como estudante, mesmo tendo em conta a honrosa carreira desportiva, seria bem superior aos êxitos alcançados como futebolista. Nesse trajecto competitivo, que incluiria 1 internacional pelos juniores de Portugal, Belo vestiria a camisola negra por 13 temporadas e só deixaria a “Briosa” com o termo da campanha de 1978/79.
Antes de “pendurar as chuteiras”, Belo viajaria até à Região do Oeste e no Ginásio de Alcobaça, depois de cumprida a temporada de 1979/80, decidiria ser a hora certa para pôr termo à carreira de atleta. De seguida abraçaria uma série de diferentes cargos, nos quais estão os papéis como Vereador da Câmara Municipal de Coimbra, Presidente-Administrador das Comissões de Conciliação e Julgamento, Assessor do Secretário-Adjunto para os Assuntos Sociais do Governo de Macau, Assessor Principal do Instituto de Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho, Secretário-Geral da Provedoria de Justiça ou Inspector Superior Principal do quadro de pessoal técnico de inspecção do trabalho. Ligado ao futebol, há também a referir o seu trabalho como Assessor Jurídico do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, como Presidente do Núcleo de Veteranos da Académica de Coimbra ou ainda como Vice-Presidente da Casa Académica de Lisboa.

*retirado do artigo publicado a 16/04/2019, em www.dn.pt

1502 - EUSÉBIO

Apesar de ter passado pelas “escolas” de vários emblemas da Madeira, seria com a camisola do Marítimo que Eusébio Malho Sousa terminaria o percurso formativo. Ao subir à equipa principal no decorrer da temporada de 1992/93, o defesa-esquerdo participaria logo numa campanha histórica para o emblema insular. Com o 5º posto no Campeonato Nacional, alcançado com o termo da campanha de estreia do lateral como sénior, os “Verde-rubro” conquistariam, pela primeira vez na existência da colectividade, o direito de participar nas competições de índole continental. Na edição de 1993/94 da Taça UEFA, aos “Leões do Almirante Reis” calharia em sorte o Royal Antwerp. O jovem jogador, chamado ao embate pelo técnico Paulo Autuori, entraria em campo no decorrer da partida referente à 1ª mão da 1ª eliminatória. Porém, para infelicidade do conjunto luso, seriam os belgas a passar a referida ronda.
Depois deste arranque inolvidável, demorariam ainda alguns anos até Eusébio conseguir afirmar-se, de forma indiscutível, como merecedor de um lugar no “onze” da agremiação funchalense. Com o sentido de ganhar alguma experiência, o primeiro empréstimo ocorreria com a campanha de 1994/95 em andamento e levá-lo-ia até ao Sporting de Espinho. A passagem pela divisão de Honra e pelos “Tigres da Costa Verde” não seria de todo negativa. No entanto, o traquejo ganho não seria suficiente para alcançar a meta da titularidade. Para tal, seria necessária outra cedência e após cumprir uma época com as cores do Camacha, o jogador regressaria ao Estádio dos Barreiros.
Já com outra preparação e de volta ao Marítimo para integrar o plantel de 1997/98, o atleta encontraria Augusto Inácio no comando técnico da equipa insular. Sob a alçada do referido treinador, o lateral canhoto assumir-se-ia como um dos grandes esteios da agremiação funchalense. Nessa época e nas duas seguintes, Eusébio ganharia e manteria a titularidade. O pior emergiria com a temporada de 2000/01, na qual uma grave lesão num dos joelhos empurraria o jogador para o calvário de uma longa recuperação. Para agravar o problema, o defesa acabaria também por falhar a final da Taça de Portugal. A verdade é que daí em diante o jogador começaria, gradualmente, a perder algum do habitual fulgor e mesmo com registos aferidos como suficientes para justificar a sua continuidade no grupo de trabalho, o lateral começaria a perder alguma importância nos desenhos tácticos do conjunto madeirense.
Curiosamente, seria numa época de bons números que Eusébio veria a sua ligação ao Marítimo terminar. Dispensado com o fim da temporada de 2004/05, o defesa despedir-se-ia do clube mais representativo da sua carreira, como um dos nomes históricos dos “Leões do Almirante Reis” – “Apaixonei-me pela bola com a camisola verde-rubra vestida. Foram 388 jogos e não foram mais porque os problemas físicos não me deixaram”*. Já a solução para o seu caminho profissional surgiria vinda do continente. No Estrela da Amadora de 2005/06, o atleta continuaria a esgrimir-se no contexto primodivisionário. No entanto, a campanha feita a trabalhar sob o comando de Toni Conceição, ficaria bem abaixo das expectativas e um ano após a chegada à Reboleira, o lateral-esquerdo decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”.

*retirado do artigo de João Manuel Fernandes, publicado a 14/09/2018, em www.record.pt

1501 - PERES BANDEIRA

José Augusto Peres Bandeira, num longo trajecto, transformar-se-ia num dos nomes fortemente associado ao futebol português. Com a carreira ligada a vários emblemas, seria a sua relação com três deles que maior destaque mereceria. Bem, talvez esteja a ser um pouco impreciso nesta minha pequena nota introdutória. Em abono da verdade, seria o Atlético Clube Portugal a colectividade onde haveria de merecer os primeiros louvores dignos de registo. Nesse sentido, a temporada de 1968/69 marcaria a estreia do técnico à frente da equipa principal do emblema sediado no bairro de Alcântara. Depois dessa aparição inicial no escalão máximo, assombrada pela descida de divisão, a campanha de 1971/72 dar-lhe-ia nova oportunidade no convívio entre os “grandes”. Porém, tal como na ocasião anterior, o treinador, outra vez aos comandos da referida agremiação lisboeta, não teria muito sucesso e, depois da 14ª ronda do Campeonato Nacional, acabaria substituído por Ted Smith.
Apesar dos aludidos desaires, a sua reputação não sofreria grande impacto. Pouco tempo depois da saída do Atlético, ele que, em paralelo, também mantinha um laço contratual com a Federação Portuguesa de Futebol, encetaria a sua relação com o Belenenses. A partir da 24ª ronda do Campeonato Nacional, convidado por Alejandro Scopelli, Peres Bandeira passaria a desempenhar o papel de treinador de campo dos “Azuis”. Durante várias temporadas, com destaque para o 2º lugar alcançado com o termo da época de 1972/73, o técnico, ao lado do “manager” argentino, formaria uma dupla de sucesso. Igualmente elogiado pelo trabalho realizado com os juniores, os êxitos conseguidos levá-lo-iam, em 1974/75, a assumir as rédeas da equipa sénior. Como treinador-principal do conjunto a jogar em casa no Estádio do Restelo, os grandes destaques iriam para a campanha de 1975/76, onde, para além da vitória na Taça Intertoto, asseguraria o 3º posto na 1ª divisão.
Como mencionado no parágrafo anterior, o labor de Peres Bandeira também ficaria relacionado às pelejas agendadas pela Federação Portuguesa de Futebol. Com prestações meritórias à frente das jovens equipas lusas, o treinador trabalharia em diversos escalões, nomeadamente nos actualmente conhecidos como sub-16, sub-18 e sub-20. Pelo meio de tantas participações, um par de certames mereceria honras de maior importância. Uma das duas competições seria o Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1971, onde os rapazes a envergar a “camisola das quinas”, casos de Jordão, Shéu, Vítor Pereira, Eurico Caires, Ibraim Silva, Franque, Gregório Freixo ou Rodolfo, alcançariam um dignificante 2º lugar. Alguns anos depois, em 1979, emergiria a primeira participação de Portugal num Campeonato do Mundo sub-20. No Japão, mais uma vez à frente de um enorme agregado de futuros craques, como Zé Beto, Alberto Bastos Lopes, Artur Fonte, Eliseu Pinto, Tomás, Adão, Justino, Diamantino, Nascimento, Parente ou João Gouveia, o treinador conduziria o grupo entregue às suas responsabilidades até aos quartos-de-final.
Falta fazer menção, sem esquecer as duas passagens primodivisionárias pelo Vitória Futebol Clube, àquela que viria a tornar-se na sua maior ligação enquanto homem do desporto. Com cerca de 3 décadas despendidas ao serviço do Benfica, onde também chegaria a desempenhar as funções de treinador-adjunto, Peres Bandeira destacar-se-ia como membro do Departamento de Prospecção, no qual seria responsável pela descoberta de estrelas como Vítor Paneira ou Luisão.
 
PS: Apesar de não ter grandes dados sobre a carreira de futebolista de Peres Bandeira,  encontrei algumas informações a dar-me conta da sua transferência, na temporada de 1948/49, do Benfica, onde nunca terá jogado na equipa principal, para o Torreense.

1500 - MIRANDA

Com o percurso formativo terminado ao serviço do Varzim, António Miranda subiria à equipa principal dos poveiros na temporada de 1983/84. Orientado pelo “magriço” José Torres na época da sua estreia pelos seniores, a participação do clube na 1ª divisão e a presença no plantel de atletas mais experientes impediriam o médio-ofensivo, que podia posicionar-se à direita ou ao centro, de alcançar mais oportunidades. Porém, o virtuosismo apresentado pelo jovem atleta, logo na campanha seguinte, começaria a destapar outros voos. Progressivamente, a confirmação do jogador como um elemento merecedor de um lugar no “onze” levá-lo-ia, ao aproveitar a curta passagem da colectividade nortenha pelo escalão secundário, a assumir-se como uma das principais figuras dos “Lobos-do-mar”. Já o regresso ao convívio com os “grandes” na campanha de 1986/87, serviria apenas para confirmá-lo como um das maiores promessas a actuar nas provas lusas e as chamadas aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol viria a provar todo o seu valor desportivo.
Ao alinhar no “onze” orientado por António Oliveira, a partida forasteira disputada, a 22 de Setembro de 1987, frente à Suécia, serviria de arranque a uma caminhada que, no escalão sub-21, daria ao médio-ofensivo um total de 3 internacionalizações. A acompanhar essas partidas com a camisola de Portugal, o melhor emergiria com o desenrolar da campanha de 1987/88, com o jogador, muito mais do que titular no conjunto sob a alçada de Henrique Calisto, a pautar-se como um dos melhores intérpretes do Varzim. As boas exibições conseguidas serviriam de base para o capítulo seguinte na sua carreira. Com a transferência para o Benfica, Miranda passaria a envergar um emblema com ambições condizentes com as suas habilidades. No entanto, a entrada no Estádio da Luz não traria ao atleta os resultados esperados e as poucas oportunidades alcançadas durante a temporada de 1988/89 não iriam garantir a continuidade do jogador no grupo de trabalho das “Águias”.
Ao deixar os “Encarnados”, Miranda, com a vitória no Campeonato Nacional a colorir-lhe o currículo, encetaria um périplo caracterizado pelas mudanças anuais de colectividade. Desportivo de Chaves, Estrela da Amadora, Beira-Mar, Paços de Ferreira e Sporting de Espinho fariam parte desse trecho da sua carreira. Com todas as passagens, à excepção da ligação com os “Tigres da Costa Verde”, a caracterizarem-se por experiências primodivisionárias, há, mesmo assim, a destacar a época de 1990/91, vivida na Reboleira. Com os “Tricolores”, em estreias para o clube e para o atleta, surgiria primeiro a disputa da Supertaça e, em seguida, emergiriam as competições de cariz continental. No troféu a opor a sua equipa ao FC Porto, apesar da derrota, há a registar o golo marcado pelo médio-ofensivo. Já na disputa da Taça dos Vencedores das Taças, o jogador entraria em campo nas eliminatórias frente aos suíços do Neuchâtel Xamax e aos belgas do RFC Liège, sublinhando-se como um dos participantes nesse episódio de enorme importância histórica para a agremiação da Linha de Sintra.
Seguir-se-ia o regresso ao Varzim. De volta, na campanha de 1994/95, ao emblema onde tinha concluído o percurso formativo, Miranda apanharia os “Lobos-do-mar” nas contendas da 2ª divisão “B”. Pautando-se como um pêndulo nas exibições do conjunto poveiro, o médio-ofensivo tornar-se-ia num dos pilares do regresso da equipa ao convívio com os “grandes”. Essa temporada de 1997/98 marcaria a sua despedida do colectivo mais representativo do seu percurso enquanto futebolista. Paralelamente, a referida época transformar-se-ia, numa caminhada competitiva preenchida por 10 anos primodivisionários, na última do jogador no patamar máximo do futebol luso.
Apesar de estar a avançar, a passos largos, para o final da carreira, Miranda teria ainda tempo, dividida essa campanha de 1998/99 entre o Leixões e o Santa Clara, para disputar mais uma temporada. Depois viria a carreira de treinador, a qual levaria o antigo atleta a diversas experiências no Médio Oriente, nomeadamente no Kuwait e Bahrain.

1499 - BRUNO CARDOSO


Com a chegada à equipa principal do Amarante a acontecer na temporada de 1974/75, Bruno Cardoso disputaria as primeiras campanhas como sénior no contexto competitivo dos “distritais” da Associação de Futebol do Porto. Os bons desempenhos conseguidos durante o arranque de carreira levariam o jogador a despertar a atenção de emblemas com outras ambições. A evoluir positivamente, a transferência para o plantel da Sanjoanense serviria, entre as pelejas do 2º e do 3º escalão português, para confirmá-lo como um praticante de bons predicados. Já a época de 1980/81, durante a qual partilharia o balneário com nomes de tradição no futebol luso, casos de Vítor Pereira, Sota, Flávio das Neves ou Vermelhinho, seria de extrema importância no seu percurso competitivo, com as boas prestações colectivas, a par das suas próprias exibições e da braçadeira de capitão entregue à sua responsabilidade, a servirem de catapulta.
Seria o Boavista, na temporada de 1981/82, a apostar no médio e a permitir ao jogador, sob o comando de Álvaro Carolino, a estreia no escalão máximo português. Porém, apesar da evidente tarimba, Bruno teria bastantes dificuldades para conseguir impor-se no plantel dos “Axadrezados”. Nas duas épocas imediatas passaria primeiro pelo Leixões para depois voltar ao Estádio do Bessa. Nessa campanha de 1983/84, com Henrique Calisto no comando técnico das “Panteras”, os números apresentados pelo atleta seriam bem mais agradáveis. Ainda assim, a melhoria apresentada não seria suficiente para garantir um lugar no plantel. Seguir-se-ia, talvez naquele que viria a tornar-se no melhor período da sua carreira, a transferência para o Penafiel. Nos “Durienses” finalmente assumir-se-ia como um elemento capaz de segurar a titularidade em contexto primodivisionário e tanto na campanha de 1984/85, como na seguinte, o jogador tornar-se-ia num dos pilares das manobras tácticas dos “Rubro-negros”.
A penúltima posição na tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão e a consequente descida de escalão, levaria o jogador a procurar um novo rumo para a sua carreira. Todavia, ao contrário do que seria espectável, a mudança de emblema encaminhá-lo-ia de novo ao patamar secundário. Aliás, a sua inclusão no plantel de 1986/87 da AD Fafe afastá-lo-ia definitivamente do convívio com os “grandes”. Já após o ano passado na agremiação minhota, surgiria então o Louletano. No emblema algarvio, de fulcral importância na sua ligação com o futebol, Bruno cumpria as 3 últimas temporadas enquanto futebolista e, com o termo da temporada de 1989/90, faria a transição para as funções de treinador.
Como técnico, num percurso feito exclusivamente nas divisões inferiores, o antigo jogador representaria uma série de colectividades de tradição no futebol nacional. Com os primeiros anos nas referidas tarefas a acontecerem em equipas sediadas na região do Algarve, o grande destaque na sua caminhada, na qual também passaria por União da Madeira, Sporting de Espinho, Marco, Esmoriz ou Penafiel, viria com a longa ligação à Ovarense, vínculo esse que daria a Bruno Cardoso o título de treinador com mais jogos feitos pelo emblema vareiro.

1498 - ZEZINHO

Observado pelo treinador Ronnie Allen numa digressão feita pelo Sporting em Angola, Francisco José Teles de Andrade, popularizado como Zezinho, acabaria contratado ao Sporting do Lubango. Como um defesa-central de fino trato com a bola e de boa estampa física, o jovem jogador seria imediatamente aferido como um praticante promissor. Tais características fá-lo-iam viajar para Lisboa, mas, apesar de feita a estreia como sénior no emblema africano, o atleta passaria a integrar os juniores leoninos.
A passagem para a equipa principal dos “Leões” aconteceria, na época seguinte à da sua chegada à capital portuguesa. No entanto, a presença no plantel de 1973/74 de nomes bem mais tarimbados, casos de Carlos Alhinho, Bastos, José Carlos ou Laranjeira, levariam a que o treinador Mário Lino não concedesse a Zezinho muitas oportunidades na equipa. Aliás, as épocas seguintes seriam de idêntico proveito para o jogador. Não obstante a falta de utilização, o seu potencial levaria a que os responsáveis técnicos pela Federação Portuguesa de Futebol olhassem para si como um elemento capaz de acrescentar valor às equipas lusas. Nesse sentido, seria a 12 de Novembro de 1975 que, numa partida frente à Checoslováquia, o defesa-central encetaria o seu caminho com a “camisola das quinas”. Por Portugal, num trajecto que, sem qualquer presença em campo, ainda o levaria aos trabalhos do conjunto “B”, o atleta somaria 6 internacionalizações pelos “esperanças” e, nesse contexto competitivo, acrescentaria ao currículo a participação na edição de 1976 do Torneio de Toulon.
Regressando ao percurso clubístico, para Zezinho, ao somar poucas presenças em campo naquelas que viriam a ser as 4 primeiras temporadas na equipa principal dos “Verde e Branco”, começaria a equacionar-se a hipótese de um empréstimo. Essa cedência viria a ocorrer na temporada de 1977/78, aquando da sua passagem pelo Famalicão. Com boas prestações ao serviço do conjunto minhoto, o qual ajudaria a vencer a 2ª divisão, o defesa-central ganharia o direito de regressar a Alvalade. Todavia, tal como anteriormente, o atleta voltaria a revelar números modestos. Ainda assim, a sua qualidade iria mantê-lo no grupo de trabalho leonino, com as grandes excepções na sua carreira, no que à utilização diz respeito, a surgirem nas épocas de 1982/83 e de 1983/84, em que assumiria a titularidade.
Já com o palmarés recheado pelas vitórias em 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça, Zezinho, com o termo da campanha de 1984/85 e após 11 temporadas de “leão” ao peito, deixaria o Sporting para ingressar no Vitória Futebol Clube. No emblema sediado na cidade de Setúbal, a trabalhar inicialmente sob a intendência de Manuel de Oliveira, o defesa-central teria uma época de arranque forte. Porém, com o avançar para a veterania, também no seio dos “Sadinos” começaria a perder alguma preponderância. Com 4 campanhas cumpridas no conjunto a jogar em casa no Estádio do Bonfim, o atleta decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”. No entanto, apesar de retirado das lides de futebolista, o jogador voltaria a ligar-se à modalidade e, num regresso a Alvalade, abraçarias as funções de técnico, nas camadas jovens do Sporting.

1497 - CARLOS PEREIRA

Lateral-direito formado no Benfica, Carlos Eduardo de Deus Pereira, começaria a destacar-se como praticante das “escolas” do emblema lisboeta. Com as suas exibições a chamar a atenção dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol, o defesa seria chamado aos trabalhos das jovens equipas lusas, com a primeira internacionalização a acontecer, no âmbito das contendas dos agora denominados sub-16, a 14 de Abril de 1979. A partida frente à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, onde, sob a alçada de Peres Bandeira, entraria em campo ao lado de nomes como Fernando Cruz, Jaime Magalhães, Coelho, Bandeirinha ou Sobrinho, serviria de arranque a um trajecto que, entre o escalão já referido, os sub-18 e os sub-21, daria, ao atleta, um total de 18 partidas disputadas com a “camisola das quinas” e, treinado por Jesualdo Ferreira, a presença na edição de 1980 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA.
Apesar do estatuto de internacional, a verdade é que Carlos Pereira, após subir a sénior na temporada de 1981/82, não conseguiria ganhar um lugar no “onze” benfiquista. Com a época de estreia, cumprida na intendência do húngaro Lajos Baróti, a traduzir-se por uma única presença em campo, as campanhas seguintes também não trariam ao currículo do atleta números mais auspiciosos. Nesse sentido, tapado por Veloso e por Pietra, ao lateral pouco mais restaria do que a cedência a outro emblema. Com o objectivo de jogar com maior frequência, o defesa-direito, na temporada de 1986/87, partiria em direcção ao Algarve e, ao serviço do Farense, o jogador faria uma época digna de registo, a qual, findo o empréstimo, daria azo ao seu regresso à Luz.
A temporada de 1987/88 terá sido, provavelmente, a melhor campanha da sua carreira. A jogar amiúde, Carlos Pereira, ao entrar em campo frente ao Partizan de Tirana, partida a contar para a 1ª mão da 1ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus, contribuiria para a chegada do Benfica ao derradeiro jogo da mais importante competição de clubes organizada pela UEFA. Apesar da final perdida frente ao PSV Eindhoven e de, na campanha referida no início do parágrafo, não ter acrescentado qualquer título a um palmarés que já contava com a “dobradinha” de 1982/83, os números apresentados dar-lhe-iam justificadas expectativas de puder continuar de “águia” ao peito. No entanto, tal não viria a verificar-se e a época de 1988/89 marcaria novo ingresso no Farense.
De volta ao Sotavento, o defesa manter-se-ia na disputa do patamar máximo do futebol luso. Porém, no final da campanha o emblema algarvio acabaria empurrado para a descida de escalão. Ainda assim, mesmo na disputa da 2ª divisão, Carlos Pereira teria a oportunidade de inscrever o seu nome num dos momentos mais importantes da história dos “Leões de Faro”. Ao ajudar a galgar as diferentes eliminatórias da Taça de Portugal, o defesa, num plantel às ordens do catalão Paco Fortes, seria chamado ao Jamor. Na final, como na finalíssima da apelidada “Prova Rainha”, o atleta marcaria presença no “onze” do emblema sulista. No entanto, mais uma vez, a sorte não sorriria para os seus e o almejado troféu sairia do Estádio Nacional em direcção aos escaparates do Estrela da Amadora.
Na sequência das mazelas de uma lesão antiga, Carlos Pereira decidiria retirar-se, depois de uma campanha com as cores do Olhanense, com o termo da temporada de 1990/91. De seguida, passaria a abraçar “mil e uma” tarefas, das quais merecem ser destacadas as funções relacionadas com as actividades de advogado, docente universitário, político filiado no PSD ou os encargos de dirigente desportivo com exercícios ligados ao Farense, à Liga Portuguesa de Futebol Profissional, à Associação de Boxe do Algarve, à Federação Portuguesa de Petanca, ao Ginásio Clube Naval de Faro e à Associação Regional de Vela do Sul.