1700 - EDMUNDO

Após concluir a formação ao serviço do Vitória Futebol Clube, Edmundo Joaquim Pascoal da Silva subiria à equipa principal dos “Sadinos” pela mão de Manuel de Oliveira. No entanto, com a preferência dada pelo referido treinador a recair em nomes como Baltemar Brito, Nunes ou Cerdeira, o jovem defesa-central pouco jogaria nessa campanha de 1982/83. Já a temporada seguinte mostraria um atleta mais participativo nos objectivos do colectivo setubalense. Ainda assim, a titularidade só viria em 1984/85 e o jogador, a partir dessa época, passaria a ser aferido como um dos mais valiosos praticantes sediados no Estádio do Bonfim.
Outro factor que igualmente contribuiria para o acréscimo do seu valor, seriam as chamadas às equipas a trabalhar sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. No âmbito dos “esperanças”, Edmundo entraria pela primeira vez em campo numa partida frente à antiga Checoslováquia. Após esse desafio disputado, a 13 de Outubro de 1984, no Estádio da Tapadinha, onde, no sector mais recuado, também marcariam presença Ferrinho, Morato e Samuel, seguir-se-iam, alguns meses passados sobre essa experiência inicial, outro par de pelejas. Mais uma vez titular, dessa feita ao enfrentar, em ambas as contendas, a Republica Federal da Alemanha, o defesa-central findaria o seu percurso com a “camisola das quinas” com um total de 3 internacionalizações sub-21.
A crescente evolução do jogador faria com que outros emblemas começassem a equacionar a sua contratação. Quem haveria de convencer o atleta a mudar-se seria o Benfica. Com a transferência acertada, Edmundo apresentar-se-ia como reforço das “Águias” no começo da temporada de 1986/87. Todavia, treinado inicialmente por John Mortimore, depois por Ebbe Skovdahl e, com saída do técnico dinamarquês, por Toni, o defesa-central, ao enfrentar essencialmente a concorrência de Oliveira, de Dito e de Mozer, nunca passaria da condição de suplente. Ainda assim, os dois anos passados na Luz trariam momentos de qualidade inolvidável para a sua carreira e, para além da participação na campanha que levaria os “Encarnados” à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1987/88, também acrescentariam ao seu currículo a “dobradinha” de 1986/87.
Sem espaço no Benfica, Edmundo, a partir de 1988/89, encetaria um périplo a levá-lo a envergar a camisola de diferentes colectividades. Inicialmente por empréstimo, o defesa-central regressaria ao Vitória Futebol Clube, para, na época seguinte, vestir as divisas do Belenenses. Já em termos definitivos, o jogador ainda passaria outras duas épocas ao serviço dos “Azuis”. Com a derradeira temporada no Restelo a ser vivida nas contendas do escalão secundário, o atleta, finda a campanha de 1991/92, voltaria a mudar de clube. Ainda no mesmo patamar competitivo, passaria a representar o Estrela da Amadora. Na Reboleira, onde também permaneceria por 3 anos, ajudaria os “Tricolores” a subir à 1ª divisão e, nesse regresso ao convívio com os “grandes”, viveria as últimas experiências primodivisionárias.
Com a carreira como futebolista a aproximar-se do fim, Edmundo, definitivamente afastado dos principais cenários competitivos do futebol português, voltaria novamente ao Vitória Futebol Clube. Após essa época de 1995/96, seguir-se-ia o Desportivo de Beja e finalmente o União de Montemor. Após “pendurar as chuteiras” no termo das actividades dadas a 1997/98, o antigo defesa voltaria a ligar-se à modalidade e como treinador passaria pelo Imortal, Sesimbra, Oriental Dragon, pela equipa “b” dos “Sadinos”, pelo Grandolense e, mais recentemente, pelas “escolas” do GD “Os Amarelos”.

1699 - FERNANDO

Com a formação concluída no Sporting de Braga, Fernando Jorge da Conceição Martins teria na colectividade da “Cidade dos Arcebispos” a oportunidade de, pela mão de Costa Pereira, escalar até às pelejas dedicadas ao universo sénior. Com colegas mais experientes a ocupar os lugares dados ao sector mais recuado, o jovem atleta, nessa primodivisionária época de 1969/70, poucas vezes apareceria em campo. Pior viria ainda com o termo da referida campanha, com os “Guerreiros” a claudicarem na batalha pela manutenção e, como resultado do desaire colectivo, a caírem no escalão secundário.
Com a descida de degrau, a sua passagem pela 2ª divisão, mantendo-se sempre fiel ao clube, duraria até ao encetar das actividades agendadas para 1975/76. Com o traquejo ganho pelo longo trajecto cumprido longe dos “grandes”, o defesa, nesse regresso aos principais palcos do futebol luso, surgiria como uma das principais opções do técnico José Carlos. Logo na época seguinte, o jogador também seria um dos pilares de dois outros momentos de grande importância na história do Sporting de Braga. Num plantel composto por grandes nomes do cenário desportivo português, casos de Fidalgo, Agostinho Oliveira, Marinho, Manaca, Paulo Rocha, Chico Faria ou Chico Gordo, Fernando seria um dos homens chamados por Mário Lino à final da Taça de Portugal. Da partida do Estádio das Antas, a agremiação minhota sairia derrotada pelo FC Porto. No entanto, algumas semanas depois, a decisão da Taça da Federação Portuguesa de Futebol seria totalmente diferente e, já com Hilário aos comandos da equipa, e com Fernando a saltar do banco de suplentes, o troféu partiria do conimbricense Canhabé para os escaparates do Sporting de Braga.
As épocas seguintes, ao conseguir reafirmar-se como um dos titulares indiscutíveis do Sporting de Braga, fá-lo-iam usar a braçadeira de capitão e, para além dessa honra, o jogador começaria a granjear da cobiça de outras agremiações. Com a cotação em alta, potenciado o seu valor também pela participação na edição de 1978/79 da Taça UEFA, Fernando seria apresentado como reforço do FC Porto de 1980/81. Porém, mesmo tendo em conta a experiência acumulada, o defesa, sob a alçada de Hermann Stessl, pouco jogaria nessa época de estreia nas Antas. Já a campanha seguinte ocorreria de forma um pouco distinta, com o atleta a conseguir, ainda no domínio do treinador austríaco, comparecer às disputas dos “Azuis e Brancos” com uma maior consistência. Curiosamente, nem o substancial acréscimo de produtividade assegurariam ao jogador um lugar no grupo de trabalho do ano seguinte e, com o fim da ligação aos “Dragões”, o Boavista apresentar-se-ia como o próximo emblema na sua caminhada competitiva.
A época de 1982/83, na qual chegaria ao Bessa como aposta do aludido Hermann Stessl, caracterizar-se-ia por alguma discrição. Talvez já a acusar alguma veterania, a passagem pelos “Axadrezados” tornar-se-ia na derradeira experiência do defesa no contexto da 1ª divisão. Seguir-se-iam, sempre nos patamares secundários, o Académico de Viseu, o Lixa, o Atlético de Valdevez, o Amares e, com a decisão de “pendurar as chuteiras” no termo da temporada de 1987/88, as cores do Adaúfe.

1698 - CALISTO

Cumprida a formação no Marítimo, Luís Calisto Nunes da Silva teria igualmente nos “Verde-rubros” a oportunidade de, na temporada de 1969/70, fazer a estreia no âmbito das competições seniores. No entanto, com o emblema sediado na cidade do Funchal impedido de participar nos diferentes patamares do Campeonato Nacional, as prestações do jovem médio acabariam, durante boa parte da carreira e tirando determinadas prerrogativas, restringidas às provas agendadas para o calendário futebolístico madeirense. Algumas dessas excepções emergiriam com as presenças dos “Leões do Almirante Reis” nas eliminatórias da Taça de Portugal. Na apelidada “Prova Rainha”, o jogador ajudaria o conjunto por si representado a ultrapassar diferentes adversários, chegando a agremiação insular, por um par de vezes, a atingir os oitavos-de-final da referida competição.
Já com o currículo embelezado por vários triunfos nas provas madeirenses, a época de 1973/74, durante a qual viria a ser orientado por Alberto Sachse, marcaria um ponto de viragem na carreira do centrocampista. Com o Marítimo, como o representante do arquipélago, autorizado a participar naquela que é a prova de maior relevo no cenário competitivo luso, Calisto começaria a também a marcar presença nas contendas da 2ª divisão. Ao lado de nomes míticos do emblema funchalense, casos de Ângelo Gomes, Tininho, Noémio, Eduardinho, Rui Gomes, Eduardo Luís, Olavo, Humberto ou Nélson, os anos seguintes à mencionada estreia serviriam para que o atleta conseguisse cimentar-se como um dos principais rostos da luta pelos lugares cimeiros da Zona Sul. Essa ambição, já com Pedro Gomes no comando da equipa, conheceria os seus frutos no final de 1976/77 e o patamar máximo, depois da conquista na 2ª divisão, tornar-se-ia no novo palco para o médio.
Consumada a subida de escalão, a temporada de 1977/78 daria a Calisto a ocasião de apresentar as suas qualidades entre os “grandes” do futebol português. Contudo, numa época em que, depois da saída do treinador responsável pela promoção, ainda seria orientado por Fernando Vaz, o jogador não conseguiria alcançar o protagonismo de anos anteriores. Tal facto, talvez tenha contribuído para a mudança de rumo na sua caminhada competitiva. Nesse sentido, o jogador, para a campanha de 1978/79, apresentar-se-ia como um dos reforços do União da Madeira. No novo clube, o médio passaria a disputar o 3º escalão. Porém, a grande alteração no seu trajecto desportivo surgiria com a entrada nos derradeiros capítulos da carreira e depois de 2 anos a envergar as cores do “União da Bola”, seria ao serviço do Portosantense que, no termo de 1980/81, viria a “pendurar as chuteiras”.
Paralelamente à paixão pelo futebol surgiria o seu gosto pelo jornalismo. No espaço da informação, tal como tinha conseguido no futebol, Calisto destacar-se-ia, ao longo dos anos, como uma das figuras mais respeitadas dos meios de comunicação madeirenses. Nesse campo de acção trabalharia em diferentes casas, nomeadamente na RTP Madeira, Diário de Notícias da Madeira, RDP Madeira e Tribuna da Madeira, onde, em todos os órgãos listados, chegaria ao cargo de director. Ao mesmo tempo, dedicaria o seu tempo aos livros, tendo sido o autor de diversos títulos sobre a Madeira e até sobre o Marítimo. Ainda no futebol, como um dos membros fundadores do emblema sediado na sua terra natal, seria de fulcral importância para a criação do Clube Sport Juventude de Gaula.

1697 - PARENTE

Nascido a 8 de Abril de 1961, o destaque merecido às suas qualidades fariam com que Carlos Alberto Bastos Parente, ainda numa idade deveras precoce, fosse chamado aos trabalhos da equipa sénior do Sintrense. No entanto, essa temporada de 1977/78 não acabaria marcada apenas por esse fantástico feito. Mesmo a competir na 2ª divisão, também da Federação Portuguesa de Futebol haveriam de reparar no seu talento e o jovem médio, a 4 de Fevereiro de 1978 e no âmbito dos actuais sub-16, participaria, convocado por Peres Bandeira, numa partida de Portugal frente à Bélgica.
Ao evidenciar-se pelos passos relatados no parágrafo anterior, Parente teria na equipa de juniores do Benfica o passo seguinte da carreira. Porém, depois de um ano nas “escolas” dos “Encarnados”, na época de 1979/80 o médio-centro apareceria, treinado por José Torres, ao serviço do conjunto principal do Estoril Praia. Seguir-se-ia, mantendo-se o atleta nas pelejas da 1ª divisão, a Académica de Coimbra. Para infelicidade do jogador, a temporada de estreia na “Cidade dos Estudantes”, tal como tinha acontecido na agremiação da Linha de Cascais, terminaria com a descida do conjunto por si defendido. Na sequência do aludido desaire, as 3 campanhas subsequentes seriam passadas no 2º escalão e tal cenário só viria a modificar-se com nova mudança de clube.
Na chegada ao Boavista, Parente voltaria a trabalhar sob a alçada de Mário Wilson, o seu primeiro treinador na Académica de Coimbra. A justificar a contratação dos “Axadrezados”, essa temporada de 1984/85, muito mais do que devolver o centrocampista às contendas primodivisionárias, levá-lo-ia a ser tido como um dos grandes destaques do conjunto portuense. Contudo, contrariamente à evolução revelada até aí, a época seguinte, por razões que não consegui aferir, transformar-se-ia num autêntico ocaso para o jogador. Aliás, a titularidade, de forma inquestionável, recuperá-la-ia apenas em 1987/88, mas ainda a tempo de proporcionar para a sua carreira outro feito de contornos inolvidáveis.
Ao dar seguimento a uma série de chamadas às mais diversas selecções portuguesas, incluindo, nessas convocatórias, a participação no Mundial sub-20 de 1979, o jogador, a 11 de Novembro de 1987, teria a oportunidade de fazer a estreia com a principal “camisola das quinas”. Nessa partida frente à Suíça, a contar para a Fase de Apuramento do Euro 88, o médio-centro entraria em campo pela mão de Juca. Seguir-se-ia, ainda no âmbito da mesma qualificação, a contenda frente à Itália e, como resultado da última partida mencionada, num total de 25 internacionalizações, Parente ficaria também a contar com 2 jogos efectuados pelos “AA” de Portugal.
No que diz respeito ao percurso clubístico, Parente teria no Boavista o emblema mais representativo da sua caminhada profissional. Com os “Axadrezados” a lutar pelos lugares cimeiros das diferentes competições internas, os grandes destaques desse trajecto de 7 temporadas ao serviço das “Panteras Negras”, viriam com as várias participações nas competições sob a intendência da UEFA e com o 3º lugar, conquistado no termo da campanha de 1988/89, no Campeonato Nacional. Depois, sempre nas pelejas da 1ª divisão, surgiriam os 3 anos com as cores do Salgueiros. Por fim, como o derradeiro capítulo de um trajecto com laivos de enorme brilhantismo, emergiria a época de 1994/95 cumprida ao serviço do Marco.

1696 - LIMA

Ao concluir o percurso formativo com as cores do Operário do Mato Grosso do Sul, Adesvaldo José de Lima, desde muito novo, começaria a destacar-se entre os demais praticantes das camadas jovens do seu clube. Com forte aptidão para o golo, a temporada de 1978, ainda em idade júnior, dar-lhe-ia a oportunidade para fazer a estreia pela equipa principal da agremiação sediada na cidade de Campo Grande. Tamanhas qualidades, logo na época seguinte, fariam do avançado-centro a grande revelação do Estadual, para, em 1980, chegar ao topo da tabela dos Melhores Marcadores do Campeonato sul-mato-grossense.
Após uma curta passagem, por empréstimo, pelo plantel de 1981 do Serrano de Petópolis, Lima regressaria ao Operário para, nas temporadas de 1982 e de 1983, voltar a consagrar-se como o grande goleador do Estadual. Com os números a impulsionarem a sua cotação, outros clubes começariam a ir no seu encalço. Depois de recusadas as propostas do Cruzeiro de Belo Horizonte e do Guarani, chegaria, então, a vez do Corinthians. A mudança para o emblema de São Paulo, já a meio da campanha de 1984, até daria indicações auspiciosas. Porém, tapado por colegas como Casagrande, Lima não asseguraria um lugar como titular indiscutível. À procura de jogar com maior regularidade, a época de 1985 dividi-la-ia entre o Santos (no âmbito do negócio de Serginho Chulapa) e o Náutico, onde viria a sagrar-se campeão de Pernambuco.
Lima ainda retornaria ao “Timão”, mas os números conseguidos na primeira metade de 1986 justificariam nova mudança. Ao deixar a colectividade onde chegaria a ser equacionado para a selecção brasileira, o jogador acabaria apresentado como reforço do Grêmio. Curiosamente, durante o período cumprido em Porto Alegre, no qual partilharia o balneário com Valdo, China, Baidek ou Caio Júnior, o atacante voltaria a ser cogitado para representar a “Canarinha”. Tal nunca viria a acontecer. Ainda assim, os dois anos passados no Rio Grande do Sul, para além de juntar ao palmarés pessoal as vitórias no “Gaúcho” de 1987 e de 1988 (também seria o goleador máximo dessa última edição), serviriam para aumentar, e de que maneira, a sua cotação competitiva. O referido acréscimo de valor, mais uma vez, levá-lo-ia a ser cobiçado por outros clubes e a época de 1988/89, muito mais do que dar à sua carreira outra camisola, encarregar-se-ia de apresentar o atleta a um cenário competitivo bem diferente.
Com a entrada no Benfica, onde voltaria a encontrar-se com Valdo, Lima começaria a ser treinado por Toni. No entanto, contrariamente ao esperado até pelo jogador, a presença de outros avançados, casos de Magnusson e de Vata, remeteria o brasileiro para a condição de suplente. Mesmo sem ter conseguido, de forma incontestada, um lugar no “onze” das “Águias”, o ponta-de-lança daria uma preciosa ajuda para o cumprimento de grandiosos objectivos. Nesse contexto, para além dos triunfos em 2 Campeonatos Nacionais e na Supertaça de 1989/90, onde concretizaria um dos golos frente ao Belenenses, há igualmente a sublinhar a chegada ao derradeiro jogo da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1989/90. Na referida edição da competição organizada pela UEFA, apesar de não ter sido chamado, por Sven-Göran Eriksson, à final frente ao AC Milan, o atleta seria de fulcral importância na conquista por um lugar na partida disputada em Viena. O remate certeiro, conseguido por si, no Vélodrome, frente ao Marseille, permitiria aos “Encarnados”, na 2ª mão das meias-finais, dar a volta à eliminatória e marcar presença no encontro agendado para o Praterstadion.
Após deixar o Benfica, Lima reforçaria o plantel de 1991 do Internacional de Porto Alegre. Logo nessa época de entrada no “Colorado”, o avançado-centro ajudaria a conquistar o Campeonato Gaúcho. Nos anos seguintes, num período que ficaria caracterizado por uma errância bem vincada, o atacante envergaria diversas camisolas. O regresso ao Grêmio, as passagens por América do Rio de Janeiro, Vitória Bahia, pelos paraguaios do Cerro Porteño, Farroupilha, Brasil de Pelotas e, segundo algumas fontes, o Montes Claros completariam a sua carreira. Depois de “pendurar as chuteiras”, paralelamente ao trabalho como agente de novos jogadores, o antigo futebolista dedicar-se-ia também à política e para além de candidato em 2012, pelo PTB, ao cargo de vereador de Campo Grande, foi, em 2017, nomeado pelo Prefeito Delano de Oliveira Huber, filiado no PSDB, para desempenhar as funções de Diretor de Cultura, Esporte e Lazer de Camapuã.

1695 - MELO

Natural de Bustelo, seria no Sport Clube de Penafiel, emblema sediado na sede de concelho da já referida freguesia, que António de Campos Melo Nogueira daria os primeiros passos no futebol. Depois dessa temporada de 1944/45, com o propósito de dar continuidade aos estudos, o jovem jogador, que chegaria a posicionar-se como avançado, partiria para a Universidade de Coimbra. Paralelamente ao curso de Medicina e ao querer manter-se ligado à modalidade, rubricaria um contrato com a Académica e a partir da campanha de 1945/46 passaria a envergar a camisola negra dos “Estudantes”.
Como atleta da “Briosa”, onde, num sistema de três defesas, haveria de jogar como o elemento colocado do lado canhoto, Melo ainda demoraria algumas temporadas até conseguir afirmar-se como um dos titulares da equipa. Recebido, nessa época de chegada à Beira Litoral, pelo técnico Eduardo Augusto, mas tapado por jogadores mais traquejados, o defesa, ainda assim, teria a oportunidade para fazer a estreia no Campeonato Nacional da 1ª Divisão. Nas épocas seguintes, mesmo tendo, em algumas desses anos, conseguido jogar mais amiúde, a verdade é que só em 1950/51 viria a cimentar-se como um dos indiscutíveis no “onze” inicial da Académica de Coimbra.
Com o argentino Óscar Tellechea no comando da equipa, depois de ajudar ao desenovelar de um Campeonato Nacional tranquilo, Melo seria um dos homens chamados pelo mencionado treinador para a disputa da final da Taça de Portugal de 1950/51. Na partida agendada para o Estádio Nacional, o defesa faria parte do alinhamento inicial escolhido, pelo técnico sul-americano, para defrontar o Benfica. Infelizmente para o lado dos “Estudantes”, as “Águias” haveriam de ser superiores na resolução do decisivo embate. Com o 5-1 a pender para o lado dos “Encarnados”, os elementos da Académica de Coimbra não teriam outro remédio senão assistirem à subida dos seus oponentes até à tribuna presidencial do Jamor e veriam os rivais lisboetas a erguerem o troféu correspondente à vitória na “Prova Rainha”.
Daí em diante, ao ter como companheiros no sector mais recuado, grandes nomes como Mário Torres, Mário Wilson ou Curado, Melo continuaria a manter-se como um dos esteios da Académica de Coimbra. Nesse contexto competitivo, o defesa seria de grande importância na manutenção dos “Estudantes” naquele que é o principal cenário do futebol português. Conservando-se a “Briosa” no patamar máximo até àquela que viria a emergir como a sua derradeira temporada como praticante, as 11 campanhas cumpridas entre os “grandes” – a época de 1948/49 passá-la-ia na 2ª divisão – traduzir-se-iam em 197 partidas disputadas e tal número posicioná-lo-ia, na história das “Capas Negras”, como um dos jogadores com mais presenças naquela que é a prova de maior relevo no panorama luso.
“Penduradas as chuteiras” com o termo das competições agendadas para a temporada de 1956/57, o defesa, só pelos números e momentos já apresentados neste pequeno texto, haveria de garantir um lugar entre os notáveis do clube conimbricense. No entanto, como destapado no parágrafo inicial, o jogador também abraçaria aquele que é um dos grandes símbolos da agremiação sediada nas margens do Rio Mondego e ainda enquanto praticante, agarrando-se com afinco às obrigações dadas aos elementos que auferem do estatuto de estudante-atleta, Melo concluiria a Licenciatura em Medicina.

1694 - CASSIANO GOUVEIA

Praticante federado de andebol, período durante o qual representaria o Boavista FC e o Oeiras, Cassiano Pedro Alonso Gouveia, anos mais tarde, teria noutra modalidade a oportunidade de brilhar grandemente no universo do desporto.
Formado academicamente pelo Instituto Nacional de Educação Física, seria no Sport Clube Leiria e Marrazes que começaria a ganhar fama de bom treinador de futebol. Tendo passado pelas “escolas” do clube, onde, em juvenis e juniores, conseguiria encaminhar os grupos sob a sua alçada técnica até às vitórias nos respectivos campeonatos distritais, a temporada de 1976/77, ainda ao serviço da mesma colectividade, marcaria uma das suas chegadas às pelejas seniores. Nas rondas agendadas para a 3ª divisão, num plantel que contava, a exemplo, com Fernando Paixão, atleta que viria a ter experiência primodivisionária, o trabalho efectuado por Cassiano Gouveia seria de excelência e daria à agremiação da Beira Litoral o direito à subida de patamar.
Já com o currículo recheado pela promoção do Leiria e Marrazes ao Campeonato Nacional da 2ª divisão, Cassiano Gouveia, para a temporada de 1977/78 acabaria apresentado como o responsável pela equipa de juniores do Sporting Clube de Portugal. Durante as duas campanhas passadas em Alvalade, ajudaria a formar atletas como Alberto, Artur Fonte, Tomás, Rui Águas, Baltasar, Rosado, Rosário, Justino, Crispim, Carlos Xavier, Craveiro ou Mário Jorge. Mesmo sem títulos a colorirem-lhe o palmarés, a verdade é que a sua cotação não desceria e a época de 1979/80 apresentar-lhe-ia um novo desafio.
Com o encetar da última temporada aludida no parágrafo anterior, Cassiano Gouveia, incluído na equipa técnica de Mário Imbelloni, aceitaria o cargo de preparador físico do Vitória Sport Clube. Em Guimarães, apesar de ter começado como um dos adjuntos do referido treinador argentino, o despedimento deste após a 24ª jornada do Campeonato Nacional, levá-lo-ia a anuir ao repto lançado pela direcção dos “Conquistadores” e acabaria por ficar à frente dos destinos do colectivo minhoto.
Na época seguinte, numa dupla com Fernando Peres, ainda voltaria a liderar a agremiação fundada na “Cidade Berço”. Contudo, pouco tempo estaria nessas tarefas e o resto da campanha de 1980/81 cumpri-la-ia com outras cores. A experiência como responsável técnico da equipa principal do Desportivo de Chaves serviria de interlúdio para o seu regresso aos palcos da 1ª divisão, nessa oportunidade ao serviço do Penafiel. No entanto, a época de 1981/82, iniciada no emblema duriense, concluir-se-ia, mais uma vez, nas contendas do escalão secundário e já ao serviço do Recreio de Águeda. Anos mais tarde, ainda regressaria aos desafios futebolísticos e aceitaria comandar a União de Leira de 1986/87 e o Paredes de 1988/89.

PS: sei da passagem de Cassiano Gouveia pelo Grupo Desportivo da Batalha, mas, infelizmente, não consegui aferir o período durante o qual terá ocorrido essa experiência.

1693 - JOSÉ MANUEL

De quando em vez, deparo-me com um caso em que parte da carreira, ou a grande fatia da mesma, não é mais do que um enorme mistério. O caso de José Manuel Ferreira Fernandes é pragmático desse género de falhas. Todavia, se tivermos em conta que o antigo defesa até é um nome histórico do Clube Oriental de Lisboa, o contexto dessa lacuna, aos meus olhos de singelo avaliador, parece ainda desenhar-se num contorno deveras pior.
Pois bem, na minha pesquisa, limitada pela busca que a internet acaba a conceder-nos, nem em “sites” como o da Federação Portuguesa de Futebol, nem em páginas afectas ao mencionado conjunto “alfacinha”, consegui destapar qualquer dado sobre os primeiros anos da carreira de José Manuel. Por esse motivo, tendo em conta que a data de nascimento deste lateral é de 15 de Fevereiro de 1958 e que o primeiro registo encontrado, por mim, da sua passagem pelo futebol vem da temporada de 1972/73, então, arrisco-me a afirmar que faltarão, pelo menos, os 4 primeiros anos da sua carreira entre as competições organizadas para os seniores!
Assim sendo, restar-me-á sublinhar que José Manuel terá participado, com as cores do Oriental, na derradeira campanha de subida da agremiação lisboeta à 1ª divisão. Já no convívio com os “grandes”, num grupo de trabalho comandado por Pedro Gomes e com colegas de balneário como Quim, Móia, Amílcar, Zeca, José Carlos ou Armando, José Manuel, como o dono de um dos lugares no “onze” da equipa sediada no popular bairro de Marvila, ocuparia uma posição de destaque nos diferentes estratagemas tácticos idealizados pela antiga estrela leonina. Nesse sentido, as 29 partidas competidas pelo defesa na disputa do Campeonato Nacional, serviriam, e de que maneira, como um óptimo esteio na consolidação do 12º posto conseguido, com o termo da referida competição, na tabela classificativa.
Já a época seguinte, a última da história do Oriental no convívio com os “grandes”, não seria tão faustosa para José Manuel quanto a anterior tinha sido. Ainda assim, e mesmo tendo em conta as constantes mudanças de treinador, as quais levariam ao leme do clube Carlos Silva, Ludgero Ramalho, José Carlos e José Cordeiro, o defesa-lateral conseguiria amealhar, no plano individual, um número satisfatório de exibições. Contudo, as 17 jornadas em que marcaria presença nas contendas primodivisionárias, seriam insuficientes para ajudar a sua equipa a escapar aos lugares correspondentes à liguilha e, com o falhanço do colectivo nessa última bóia de salvação, para evitar a despromoção do agregado com morada na Azinhaga dos Alfinetes.
Com a infelicidade da descida de escalão, daí em diante, a carreira de José Manuel, ao manter-se fiel aos desígnios desportivos do Clube Oriental de Lisboa, manter-se-ia nas contendas oferecidas aos patamares inferiores. Nessa corrida descendente, pior ficaria a situação do balneário marvilense quando, na temporada de 1977/78, acabaria a enfrentar as pelejas da 3ª divisão. Aliás, com a excepção da campanha de 1980/81, esse seria o novo cenário competitivo do defesa-lateral. Longe dos maiores holofotes do ludopédio português, o jogador prolongar-se-ia nas lutas futebolísticas até ao termo da época de 1982/83, ao fim da qual tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1692 - ÂNGELO GOMES

Filho de João Gomes, antigo atleta do Marítimo, Ângelo Gomes também seguiria as pegadas do pai e entraria para os juniores dos “Leões do Almirante Reis”. Em 1962/63 chegaria a sénior e depois de também passar pelos “reservas” do clube insular, acabaria por conseguir fixar-se no conjunto principal.
Como um intérprete dotado de uma belíssima técnica e com um enorme entendimento das diferentes dinâmicas inerentes à prática da modalidade, o jogador, preferencialmente a posicionar-se em diversas funções no sector intermediário, também chegaria a jogar como defesa. Com a enorme disponibilidade revelada dentro de campo e uma atitude pessoal igualmente irrepreensível, Ângelo depressa viria a consolidar-se como um dos símbolos dos “Insulares”. Cimentado como um dos principais esteios da equipa, o atleta viria a participar em variadíssimos momentos de grande importância histórica para o colectivo madeirense e depois de dar o seu enorme contributo em muitas das conquistas regionais, o regresso do Marítimo ao Campeonato Nacional sublinharia o médio como uma das maiores figuras da agremiação funchalense.
É certo que chegaria a ser “namorado” por emblemas do continente, nomeadamente pelo Vitória Futebol Clube comandado por Fernando Vaz. No entanto, porque as propostas não chegariam a interessar ao jogador ou porque a “Lei da Opção”, como seria o caso na aproximação aos “Sadinos”, viria a impedir a sua mudança, a verdade é que Ângelo, no decorrer da sua caminhada competitiva, nunca deixaria o Marítimo. Nesse sentido, numa altura em que já partilhava o balneário com o irmão Rui Gomes e com outros nomes como, Tininho, Noémio, Calisto ou Eduardinho, o médio faria parte do plantel que, sob a alçada do treinador Alberto Sachse, participaria, pela primeira vez na história, nas pelejas agendadas para a 2ª divisão.
Depois dessa campanha de 1973/74, onde logo os “Insulares” mostrariam intenções de lutar pelos lugares cimeiros da Zona Sul, o final da temporada de 1976/77, numa altura em que o Marítimo era comandado por Pedro Gomes, traria a conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão e, por merecida consequência, a inédita promoção ao escalão maior do futebol luso.
Ângelo, como um dos mais experientes dos “Verde-rubros”, mesmo no convívio com os “grandes”, saberia, força da sua mestria com a bola nos pés, conservar em si a figura de um dos homens mais importantes nas pelejas primodivisionárias de 1977/78. Consumada essa época de arranque nos cenários da 1ª divisão, no decorrer da qual concorreria por um lugar no sector intermediário também com Valter e com Nélson, a verdade é que o atleta, fruto da sua veterania, perderia algum do fôlego de temporadas anteriores. Ainda assim, manter-se-ia preponderante para o cevar da força anímica, vontade tão necessária aos desempenhos colectivos. Tamanho peso, mantê-lo-ia, sempre no degrau maior, integrado no grupo de trabalho do Marítimo. Já o final da campanha de 1979/80, cumpridas, segundo os dados oficiais fornecidos pelo emblema madeirense, 627 partidas e 357 golos concretizados, traria, àquele que sempre será um dos grandes símbolos dos “Leões do Almirante Reis”, o “pendurar das chuteiras”.

1691 - RAUL MOREIRA

Com a formação terminada ao serviço do Carcavelos, seria também no emblema da Linha de Cascais que Raul Francisco dos Santos Moreira, na campanha de 1952/53, chegaria a sénior. Mesmo ao representar uma equipa modesta, a verdade é que os seus desempenhos seriam suficientes para justificar a mudança para um dos maiores emblemas lusos da altura. No Belenenses a partir da temporada de 1953/54, o jovem jogador ainda teria de esperar mais uma época para chegar à equipa principal e esse objectivo, no decorrer do Campeonato Nacional a dar a 2ª posição aos “Azuis” na 1ª divisão de 1954/55, cumprir-se-ia com a chamada do técnico Fernando Riera.
Tendo também actuado a médio, seria como defesa que Raul Moreira mereceria os mais rasgados elogios. Aferido como um intérprete rápido e com uma boa leitura de jogo, a temporada de 1955/56 serviria para consagrá-lo como uma das grandes figuras a actuar nas provas lusas. A justificação para tal acréscimo de valor viria, essencialmente, com as chamadas às selecções. Começaria, na referida época, pela equipa “militar”. Nesse contexto competitivo, o ponto alto, através da chamada de Ribeiro dos Reis e com Otto Glória como treinador de campo, vivê-lo-ia, com presença na final do certame, na vitória portuguesa na edição de 1958 do Torneio Internacional Militar. Representaria igualmente o conjunto “B”, com a estreia, frente a um agregado do Sarre (região pertencente à Republica Federal da Alemanha), a acontecer a 3 de Junho de 1956. Posteriormente, a 16 de Junho de 1957, emergiria finalmente a oportunidade de vestir a principal “camisola das quinas” e, pela mão de Tavares Silva, num particular forasteiro frente ao Brasil, alcançaria 1 internacionalização “A”.
Voltando ao cenário clubístico, a temporada de 1955/56 serviria também para cimentar Raul Moreira como um dos titulares do Belenenses. Tal estatuto cimentá-lo-ia como um dos principais esteios da equipa lisboeta na luta pelos lugares cimeiros das competições de índole interno. Curiosamente, seria numa altura em que já tinha deixado de ser hegemónico nas escolhas dos técnicos que o defesa seria chamado, por Otto Glória, a disputar a final da Taça de Portugal. No duelo frente ao Sporting, esgrimida a contenda no Estádio Nacional, o jogador faria parte do “onze” inicial, daria um enorme contributo para a vitória dos “Azuis” por 2-1 e sairia do Jamor com o troféu correspondente à conquista da edição de 1959/60 da “Prova Rainha”.
Com a ligação de 8 anos ao Belenenses a terminar no final das provas agendadas para 1960/61, Raul Moreira acabaria por prosseguir a caminhada competitiva com outras cores. Depois do Restelo, sem sair da 1ª divisão, seguir-se-ia o Estádio Mário Duarte, a descida de escalão nessa época de estreia pelo Beira-mar e, na disputa do 2º escalão, outra campanha passada em Aveiro. Por fim, em definitivo afastado dos palcos principais do futebol português, apareceriam o regresso a Lisboa, para representar o Atlético, e o fim da carreira de futebolista, após envergar as insígnias do União de Lamas de 1965/66.

1690 - RANDOLPH GALLOWAY

Com grandes aptidões para o desporto, Randolph Septimus Galloway teria no rugby e no atletismo as duas primeiras paixões competitivas. No entanto, seria no futebol que veria as suas aptidões físicas mais valorizadas. Terminadas as comissões militares no âmbito da I Grande Guerra, o jovem praticante, ao regressar à terra natal, teria no Sunderland Tramways a grande oportunidade para encetar a carreira. Começaria como defesa-central e durante diversas temporadas manter-se-ia como uma das estrelas do emblema sediado no nordeste inglês.
A qualidade revelada durante esses primeiros anos da carreira levá-lo-ia a ser cobiçado por emblemas de maior monta. Ao treinar à experiência durante cerca de um mês, os bons desempenhos alcançados durante esse período, fariam com que os responsáveis pelo Derby County, no reforço do plantel de 1921/22, oferecessem um contrato profissional ao jogador. Progressivamente a conquistar um lugar na equipa, onde também começaria a revelar aptidões para o desempenho das funções associadas aos pontas-de-lança, Randolph Galloway veria a sua cotação a subir. Como uma das figuras do emblema das East Midlands, o atleta ajudaria o clube a chegar às meias-finais da edição de 1922/23 da FA Cup. No ano seguinte, os 21 golos concretizados na Liga conferir-lhe-iam uma maior atractividade e mesmo nunca tendo passado do 2º escalão inglês, outras agremiações viriam no seu encalço.
Com o Liverpool a adiantar-se na corrida pela sua contratação, seria o Nottingham Forest, com uma proposta superior, a conseguir convencer o atleta. A mudança para o City Ground faria com o jogador, nessa campanha de 1924/25, efectuasse a sua estreia na First Division. Contudo, a referida temporada, em termos individuais e colectivos, não correria de feição. Com poucas partidas disputadas e ainda menos golos concretizados, o pior surgiria, no termo da época, com a descida de patamar. Galloway, de volta às pelejas do degrau secundário, ainda continuaria a representar os “Garibaldis” por mais dois anos, mas mantendo-se a discrição exibicional, a mudança para o Luton Town de 1927/28 emergiria como a melhor solução para a sua caminhada competitiva.
A verdade é que a chegada a Kenilworth Road não traria grandes mudanças a uma etapa menos boa do avançado. Apesar de ser aferido como um atacante possante, rápido e dono de um bom remate com ambos os pés, Randolph Galloway vestiria a camisola dos “Hatters” somente por alguns meses. Em Janeiro de 1928, dando seguimento a uma fase mais errante do seu trajecto, o ponta-de-lança seria apresentado como reforço do Coventry City. Já no início da temporada seguinte seria a vez do Tottenham Hotspurs apresentar o jogador como membro integrante do seu plantel. Em White Hart Lane, com um arranque fulgurante, o avançado-centro ainda alimentaria a ideia de uma espécie de renascimento. Porém, uma terrível lesão deitaria por terra tais esperanças e o resto da época, passada entre a equipa principal e os “reservas”, empurrá-lo-ia para a decisão de deixar a competição profissional.
De regresso à zona de onde era originário, Randolph Galloway, por um par de ocasiões, ainda abraçaria os desafios lançados aos amadores do Grantham Town. Definitivamente afastado das tarefas de futebolista, ainda assim, o antigo avançado não deixaria a modalidade. Logo na campanha seguinte a “pendurar as chuteiras”, o convite do Sporting Gijón levá-lo-ia até Espanha. No país de “Nuestros Hermanos” ainda passaria por Valência e pelo Racing Santander. Depois, com o termo da 2ª Guerra Mundial, viriam as passagens pela selecção do Costa Rica, pelos uruguaios do Peñarol e pelos suíços do Young Fellows Zürich.
Finalmente, a temporada de 1950/51 trá-lo-ia até Portugal. Como treinador do Sporting, Randolph Galloway marcou um período de 3 temporadas caracterizadas pelas saídas e entradas de muitos jogadores. Ainda assim, apesar dessa pequena revolução, o saldo da sua passagem por Lisboa seria deveras positivo, com os “Leões” a conquistar o segundo Tricampeonato da história da agremiação “alfacinha”.
Por fim, há que fazer referência à experiência vivida com o plantel de 1954/55 do Vitória Sport Clube, onde os resultados iriam contra o planeado, com o emblema minhoto, finda a referida temporada, a ter de enfrentar a descida de divisão.

1689 - MIROSLAV

Com a entrada na equipa principal do NK Osijek a acontecer na temporada de 1986/87, não demoraria muito tempo até que Miroslav Zitnjak começasse a assumir um papel de alguma relevância no cenário futebolístico da antiga Jugoslávia. A prova da sua crescente importância chegaria com as recorrentes chamadas às jovens selecções do seu país natal. Paralelamente a essas aparições internacionais, a forma recorrente com viria a aparecer no “onze” escolhido para as pelejas do clube serviriam, igualmente, para alimentar a sua cotação e o final da temporada de 1991/92 trariam à caminhada do guarda-redes outros pontos de enorme valorização.
Chamado por Stanko Poklepovic à selecção principal da Croácia, o guardião entraria em campo ao lado de Robert Spehar, avançado que teria uma fugaz passagem pelo Sporting. Essa partida de carácter particular, disputada, a 12 de Julho de 1992 frente à Austrália, antecederia a sua transferência para o NK Zagreb. A mudança para uma colectividade a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa da recém-criada Liga croata, e com números aceitáveis a justificar a sua continuidade no clube, cimentá-lo-ia como um nome de monta naquele cenário competitivo. Ainda assim, a verdade é que a passagem de Miroslav pela nova agremiação duraria apenas um par de campanhas. Seguir-se-ia, na época de 1994/95, o regresso ao NK Osijek e, com a temporada seguinte já em andamento, surgiria a mudança para o futebol de outro país.
A chegada a Portugal dar-se-ia pelas portas da União de Leiria. Treinado, nessa temporada de 1995/96, por Vítor Manuel, o guarda-redes depressa viria a assumir-se como uma das boas contratações do clube sediado na Beira Litoral. Titular do emblema da “Cidade do Lis”, Miroslav contribuiria para alguns dos bons resultados colectivos registados durante a sua passagem pelo clube. No entanto, para além de ajudar a colectividade a atingir as meias-finais da Taça de Portugal no ano da sua entrada no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa ou de ter participado activamente no 6º lugar obtido na edição de 1998/99 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, o guardião também veria o seu currículo manchado pela descida de escalão verificada no termo das provas agendadas para a época de 1996/97.
Mesmo com altos e baixos na sua experiência leiriense, o guarda-redes transformar-se-ia numa das grandes figuras do clube na década de 1990. Numa fase em que já tinha perdido alguma da preponderância de anos anteriores, o jogador, no decorrer da temporada de 2000/01, poria termo à sua ligação à União de Leiria. Depois voltaria ao NK Osijek e, apenas alguns meses após o referido regresso, emergiria o final da carreira.
Já com as “chuteiras penduradas”, o antigo atleta passaria a dedicar-se às questões técnicas. Mantendo-se no emblema croata referido no parágrafo anterior, Miroslav começaria por desempenhar as tarefas de treinador para, posteriormente, experimentar o cargo de director-desportivo.

1688 - NECA

Formado no Leixões, seria igualmente na colectividade fundada em Matosinhos que Manuel Joaquim Amador Magalhães, popularizado como Neca, faria a transição para as competições seniores. Com o arranque na equipa principal a acontecer na temporada de 1967/68, o jovem médio, chamado às contendas da 1ª divisão por António Teixeira, desde logo teria um enorme impacto nos resultados colectivos dos “Bebés do Mar” e contribuiria, como um dos homens mais vezes chamado ao “onze” inicial, para o 8º lugar no Campeonato Nacional.
Nas épocas seguintes, Neca conseguiria manter a preponderância inicialmente conquistada. Nesse contexto competitivo, seria chamado para a participação do Leixões na Taça das Cidades com Feira. Na edição de 1968/69 da mencionada competição de índole continental, convocado por José Águas, o médio participaria em ambas as mãos da ronda a opor o conjunto português ao Arges Pitesti. Infelizmente para o listado alvirrubro, os dois empates verificados nos dois jogos agendados para a aludida ronda, com a regra dos golos forasteiros a ditar o desempate, fariam pender a decisão da contenda para o lado do agregado romeno.
Na época de 1969/70, Neca continuaria a conservar para si um papel de fulcral importância para os desenvolvimentos tácticos da sua equipa, nomeadamente para as dinâmicas do sector intermediário. No entanto, contrariando o crescimento constatado até aí, o médio começaria a perder o fulgor a projectá-lo, inclusive, para voos de montas maiores. A partir de 1970/71, o jogador viria, progressivamente, a desaparecer dos intentos tácticos dos diferentes treinadores contratados para o comando técnico do Leixões. Mesmo ao manter números individuais bastante aceitáveis, a verdade é que deixaria de chegar à titularidade com a frequência com que havia habituado os associados da colectividade a jogar em casa no Estádio do Mar. Nesse sentido, o final da primeira metade da década de 1970 marcaria um ponto de cisão na sua carreira e a campanha de 1975/76 apresentaria o atleta como reforço do Riopele.
Com a entrada no emblema da Pousada de Saramagos, Neca passaria a disputar o 2º escalão. Todavia, com o emblema associado à indústria têxtil a investir fortemente no futebol profissional, o médio, num grupo de trabalho orientado por Ferreirinha e a incluir nomes como Jorge Jesus, Padrão, Trindade, Fonseca ou Messias, teria, na temporada de 1977/78, o regresso ao patamar máximo do futebol luso. Porém, esse revisitar da 1ª divisão, durante o qual não conseguiria conquistar a titularidade, seria de pouca dura e a sua equipa, com o termo da campanha referida neste parágrafo, acabaria por claudicar na feroz luta pela manutenção.
Ao permanecer durante mais uma temporada no emblema do concelho de Famalicão, Neca veria a emergir na época de 1979/80 um nova mudança no seu rumo profissional, com o Lusitânia de Lourosa, dessa feita, a acolher os seus préstimos competitivos. Contudo, numa caminhada desportiva a entrar nos derradeiros capítulos, o médio, ao manter-se nas contendas dos degraus inferiores, ainda representaria outras agremiações e o Vilanovense e o Leça, numa carreira que findaria com o encerrar das provas entregues a 1983/84, ainda teriam tempo para colorir o trajecto do médio.

1687 - ADÉRITO

Apesar de ter concluído o percurso formativo com as cores do Benfica, seria em Trás-os-Montes, de onde é natural, que Adérito Luís Gonçalves Pires daria os primeiros passos como sénior. No GD Bragança a partir da temporada de 1973/74, o médio, que chegaria a actuar como avançado-centro, começaria por disputar a 3ª divisão. Aliás, as épocas seguintes à da sua estreia pelos “Canarinhos” do nordeste português, incluindo uma pequena passagem pelo Vila Real de 1977/78, mantê-lo-iam nas contendas dos escalões inferiores do futebol português. Tal paradigma viria apenas a mudar passados 8 anos e sua transferência para outra colectividade levá-lo-ia a pôr os olhos noutros horizontes.
Com a mudança do GD Bragança para o Rio Ave em 1981/82, Adérito, nessa campanha de chegada a Vila do Conde, faria a estreia no patamar maior. Porém, o médio não ficaria contente apenas com esses primeiros passos dados entre “grandes”. Também na referida temporada, o jogador conseguiria assumir-se como um dos esteios do conjunto a trabalhar sob a alçada de Mourinho Félix. Tal preponderância nos esquemas tácticos idealizados pelo aludido técnico, levá-lo-ia a consagrar-se como um dos principais nomes do 5º lugar conquistado com o termo do Campeonato Nacional. Ao manter o estatuto nos anos vindouros, o centrocampista viria igualmente a ser chamado a outro momento de crucial importância na história dos “Rioavistas”. Com o emblema nortenho a caminhar valentemente na Taça de Portugal de 1983/84, a chegada ao derradeiro encontro da prova, levaria o atleta a ser chamado à peleja agendada para o Estádio Nacional. Titular no Jamor, o atleta veria a sua equipa claudicar perante a forte réplica dada pelo FC Porto e assistira, após a derrota por 4-1, à partida do almejado troféu na direcção da “Cidade Invicta”.
Por razão da boa campanha na “Prova Rainha”, mesmo tendo em conta o desaire ocorrido na final, a cotação do médio subiria. Esse acréscimo de valor levá-lo-ia a ser cobiçado por outras agremiações. Curiosamente, a transferência para o Marítimo de 1984/85 empurrá-lo-ia para a disputa da 2ª divisão. Ainda assim, esse pequeno retrocesso duraria pouco tempo. Com os “Verde-rubro”, logo na campanha seguinte, a regressarem ao degrau maior do futebol luso, o jogador manter-se-ia, nessa aventura funchalense, como um dos titulares de Mário Nunes e, com a saída deste, de António Oliveira. Porém, mesmo cimentado como um elemento de valor primodivisionário, Adérito, mais uma vez, tomaria uma decisão algo surpreendente para o seu trajecto competitivo e na temporada de 1986/87, descendo ao 2º escalão, acabaria apresentado como reforço do Nacional da Madeira.
O regresso do jogador à 1ª divisão dar-se-ia, na temporada de 1987/88, por convite d’ “O Elvas”. No emblema alentejano, onde voltaria a trabalhar sob a intendência de Mário Nunes, o médio-centro viveria a derradeira campanha entre os “grandes”. Depois de uma época ao serviço da colectividade raiana, e com a descida dos “Azuis e Ouro”, o jogador decidir-se-ia pelo regresso a um clube bem conhecido e ao fim de dois anos com as cores do GD Bragança, onde desempenharia as funções de treinador-jogador, Adérito, findas as provas de 1989/90, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Já retirado das lides de futebolista, Adérito abraçaria, em exclusivo, as tarefas de técnico. Nesse papel, teria algumas experiências nos escalões inferiores e chegaria a orientar emblemas como o Montalegre, o Oliveira do Hospital, o Mirandela ou o Marítimo da Graciosa.
Como curiosidade, refira-se o seu regresso à prática desportiva federada, dessa feita no futsal e com as cores do Graciosa FC de 2002/03.

1686 - ELÓI

Com o começo da carreira desportiva cumprida entre o Andradina FC e a Associação Esportiva Araçatube, seria já como atleta da Juventus de São Paulo, para onde viria a mudar-se em 1975, que Francisco Chagas Elói começaria a destacar-se no futebol brasileiro.
Praticante de fino recorte técnico e com excelente visão de jogo, o atleta rapidamente conquistaria um lugar no “Moleque Travesso”. Já com vários emblemas no seu encalço, a campanha de 1978 apresentar-lhe-ia a Portuguesa dos Desportos. Contudo, no emblema fundado por imigrantes lusos, o médio-ofensivo não conseguiria demonstrar o seu real valor e o jogador, durante as 2 épocas seguintes, ver-se-ia ultrapassado pela concorrência interna.
Só com uma nova mudança de agremiação é que voltaria a recuperar a magia perdida. O Inter de Limeira, com a transferência a ocorrer no decorrer de 1980, devolvê-lo-ia às boas exibições. Seguir-se-ia, com o Grêmio e o Cruzeiro a “namorar” a sua contratação, a mudança, em Abril de 1981, para o Santos. No entanto, o muito especulado mau ambiente no balneário do “Peixe” minaria o caminho do jogador. Depois viria uma rápida passagem pelo, referido neste parágrafo, emblema de Belo Horizonte e finalmente a chegada ao América do Rio de Janeiro.
O destaque na formação “carioca” valer-lhe-ia, depois das vitórias no Torneio dos Campeões e na Taça Rio, a mudança para o Vasco da Gama de 1983. Em São Januário, ao lado do inolvidável Roberto Dinamite, Elói brilharia ao ponto de merecer o interesse de emblemas europeus. Bem cotado do outro lado do oceano Atlântico, seria o Genoa de 1983/84 a abrir-lhe as portas do Calcio. A época de estreia na Serie A, comandado por Luigi Simoni, daria ao currículo do médio números de aceitável monta. O pior surgiria com a despromoção do clube e com disputa, na campanha subsequente, do patamar secundário de Itália. Tal desaire fá-lo-ia regressar ao Brasil, nesse caso para representar o Botafogo. Contudo, a passagem pelo “Fogão” seria curta e, de volta ao “Velho Continente”, passaria a envergar a camisola do FC Porto.
Nos “Dragões” de 1985/86, o médio-ofensivo enfrentaria vários obstáculos para conseguir impor o seu jogo. Logo nessa época, numa partida a contar para a 2ª mão da Supertaça, perdido o troféu para o Benfica, Elói viveria uma situação no mínimo caricata e bem elucidativa das dificuldades que teria para começar a entender a mentalidade do treinador – “(…) o Artur Jorge substituiu-me aos 27 minutos. Estranhei, não estava a jogar mal, mas aceitei. Só uns dias depois é que entendi tudo (…). Ele viu-me a passar e chamou-me: «brasileiro, anda cá. Vou explicar-te uma coisa: nesta equipa, o único que tem a minha autorização para fazer chapéus aos adversários é o Madjer. Estamos entendidos?». Caiu-me tudo!”*.
Apesar da pequena peripécia, o jogador, apesar de nunca ter passado da condição de suplente, continuaria a contar para o aludido treinador. Nesse sentido, contribuiria para as conquistas do Campeonato Nacional de 1985/86 e da Supertaça da época seguinte. Porém, a temporada de 1986/87 haveria de trazer ao jogador outro episódio do qual, posteriormente, viria a arrepender-se e o médio, após ajudar na campanha a desaguar na vitória da Taça dos Clubes Campeões Europeus, e a umas semanas da decisiva partida de Viena, tomaria a decisão de rescindir o contrato com os “Azuis e Brancos” – “(…) eu assisti a essa final e à da neve, contra o Peñarol. Senti que devia estar lá com os meus companheiros do FC Porto. Tive dois anos bons e, por precipitação, afastei-me antes dos melhores momentos. Castigo-me por isso”*.
Após voltar ao América por alguns meses, o seu regresso a Portugal far-se-ia através do plantel de 1988/89 do Boavista. Pelas provas lusas, dessa feita no escalão secundário, ainda representaria o Louletano de 1989/90. Depois surgiria a última grande etapa da sua carreira e a presença nas provas brasileiras até passar a barreira dos 40 anos de idade. Nesse trajecto, representaria emblemas como o Campo Grande, o Fluminense, Fortaleza, Ceará, Catanduvense e Nacional de Manaus, onde viria a “pendurar as chuteiras” com o termo das provas agendadas para 1996. Seguir-se-ia a sua caminhada como técnico, a qual levaria Elói a orientar o Anapolina de Goiás, o Rubro Social ou o América do Rio de Janeiro

*retirado do artigo de Pedro Jorge da Cunha, publicado a 30/04/2014, em https://maisfutebol.iol.pt

1685 - LINO

Defesa-lateral que podia posicionar-se em ambos os lados do sector mais recuado, José Lino Brás de Sousa, antes ainda de encetar a caminhada na equipa principal do Vitória Futebol Clube, teria nos conjuntos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol o primeiro grande escaparate. Chamado, a 11 de Novembro de 1968, aos actualmente designados por sub-18, o jovem jogador, ao lado de outros intérpretes que haveriam de singrar no mais alto patamar luso, casos de Peixoto, Jacinto, Carolino, Vítor Manuel, Vieirinha ou Nicolau Vaqueiro, daria o primeiro passo num trajecto internacional a levá-lo, alguns meses após esse particular frente a França e sem sair do referido escalão competitivo, a uma segunda partida com a “camisola das quinas”.
Já no que diz respeito ao trajecto sénior, o defesa teria nas escolhas de José Maria Pedroto a sua grande oportunidade. Nesse sentido, ao ser arrolado, pelo referido treinador, às pelejas dos “Sadinos”, o atleta, na temporada de 1969/70, não só faria a estreia na 1ª divisão, como ajudaria o colectivo a jogar em casa no Estádio do Bonfim a terminar o Campeonato Nacional na 3ª posição da tabela classificativa. No entanto, apesar de reconhecido todo o seu potencial, a verdade é que ainda demorariam alguns anos até que Lino conseguisse ganhar algum protagonismo no seio do plantel do Vitória Futebol Clube. Tapado por outros colegas mais tarimbados, como são exemplo os internacionais Rebelo, Carriço ou Conceição, tal preponderância começaria a emergir apenas na campanha de 1973/74. Coincidentemente, a referida época traduzir-se-ia por um novo 3º lugar na principal prova do calendário futebolístico português e pela chegada do emblema luso, com a participação directa do lateral nas rondas frente ao Beerschot e ao Stuttgart, até aos quartos-de-final da Taça UEFA.
As 3 campanhas subsequentes trariam, de forma quase incontestada, a titularidade ao defesa-lateral. A verdade é que, mesmo com essa tríade de temporadas a representar, em partidas jogadas, praticamente o mesmo número das restantes épocas em que representou o emblema setubalense, Lino, com o termo das competições planeadas para 1976/77, veria o seu paradigma competitivo a mudar radicalmente. Daí em diante perderia a preponderância que havia conquistado anteriormente e, por conseguinte, deixaria de ser aferido como um dos habituais futebolistas a inscrever o seu nome no “onze” do Vitória Futebol Clube.
Mesmo perdida alguma importância, Lino manter-se-ia como um membro relevante nas dinâmicas do conjunto. Esse inegável peso, segurá-lo-ia a trabalhar com o listado verde e branco durante mais uns bons anos. A continuidade no emblema sediado na cidade de Setúbal, no total da sua carreira sénior, dar-lhe-ia a oportunidade de criar uma ligação a ultrapassar a década de duração. Numa união que, segundo os dados oficiais da Federação Portuguesa de Futebol viria a prolongar-se, inclusive, até à temporada de 1981/82,o defesa-lateral, de forma inata, juntar-se-ia aos notáveis daquela agremiação e mereceria a inscrição do seu nome no restrito rol de desportistas históricos do Vitória Futebol Clube.

1684 - REINALDO

 

Seria ao serviço do Ginásio de Alcobaça que Reinaldo Almeida Lopes da Silva teria o arranque da caminhada enquanto sénior. No entanto, 1982/83 não seria apenas a campanha de estreia do ponta-de-lança na equipa principal. Com a temporada a representar o começo do trajecto do referido clube no Campeonato Nacional da 1ª divisão, a visibilidade que o atleta conseguiria conquistar abrir-lhe-ia as portas para outros cenários competitivos. Nesse campo, as chamadas às jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol acabariam a sublinhar as expectativas depositadas no avançado. Com a partida inicial com a “camisola das quinas” a ocorrer a 13 de Abril de 1983, esse jogo de preparação disputado frente à Argélia, onde concretizaria um golo, daria jus, sempre integrado nos “esperanças” lusos, a outras partidas de cariz internacional. Seguir-se-iam mais chamadas, as quais, num total de 5 partidas por Portugal, terminariam com a sua participação, chamado por António Oliveira, à edição de 1987 do Torneio de Toulon.
Retornando ao percurso clubístico, o avançado, mesmo com a concorrência de atletas como Cavungi ou João Cabral, acabaria por merecer algumas oportunidades no conjunto sediado na região do Oeste. Se acrescentarmos, a essas partidas disputadas no âmbito das provas nacionais, os jogos cumpridos pela selecção portuguesa, então, facilmente perceberemos, perante a teimosa militância do Ginásio de Alcobaça no patamar secundário, o interesse de outras colectividades na contratação do jovem atacante.
A mudança levaria Reinaldo a ser apresentado, na temporada de 1984/85, como reforço da Académica de Coimbra. Já como elemento da “Briosa”, o ponta-de-lança apontaria a um lugar de destaque dentro do plantel. Tanto na época de chegada à “Cidade dos Estudantes, como nas seguintes, o jogador vincar-se-ia como um dos membros mais activos no seio da equipa. A sua importância para os diferentes técnicos fá-lo-ia apontar sempre para uma possível presença no “onze” inicial. Recorrentemente chamado à titularidade, a descida dos “Estudantes” no termo da campanha de 1987/88 não impediria a sua continuidade ao serviço do conjunto a vestir de negro. Todavia, a insistência da Académica de Coimbra nos resultados colectivos a impossibilitar o regresso ao convívio com os “grandes”, empurraria o ponta-de-lança para uma mudança de emblema e seria o Penafiel a acolher as suas ambições primodivisionárias.
No emblema duriense, onde, em 1990/91, voltaria a trabalhar com Vítor Manuel, seu antigo treinador na Académica, Reinaldo, tal como tinha acontecido em épocas anteriores, rapidamente asseguraria um lugar como titular. Curiosamente, o ano seguinte ao da sua entrada no Estádio Municipal 25 de Abril, no qual não seria utilizado com tanta regularidade, terminaria com a descida do clube. Depois de mais uma campanha nas pelejas do patamar secundário, uma nova mudança de colectividade acabaria a encaminhar o jogador para os principais palcos do cenário futebolístico português. Ainda assim, a transferência para o plantel de 1993/94 da União de Leiria, não cumpriria, de imediato, os objectivos da tal subida. A projectada meta emergiria apenas na época seguinte à da chegada à “Cidade do Lis”, campanha, no decorrer da qual, mais uma vez, seria orientado por Vítor Manuel.
Numa carreira a escrever os derradeiros capítulos, a passagem de um ano pelo Campomaiorense serviria para acrescentar ao seu currículo a vitória na divisão de Honra de 1996/97. Contudo, a tal conquista não viria a traduzir-se na sua continuidade na agremiação alentejana. Contrariamente ao que os desempenhos do ponta-de-lança poderiam indiciar, o retorno à divisão maior não cativaria o jogador e a sua preferência empurrá-lo-ia para o regresso a um clube, por si, bem conhecido. De volta à União de Leiria, tal como tinha acontecido ao serviço dos “Galgos”, o atleta daria um enorme contributo para o triunfo naquele que é o segundo degrau luso. Dessa feita, o avançado manter-se-ia com a mesma camisola e tal opção, na temporada de 1998/99, devolvê-lo-ia ao convívio com os “grandes”. Conservar-se-ia nesse contexto competitivo por mais uma campanha e a temporada seguinte traduzir-se-ia pelo arranque na “Cidade do Lis”, pela mudança para a Académica de Coimbra e pela decisão de “pendurar as chuteiras” com o termo de 1999/00.

1683 - HUGO COSTA

Filho de Vicente Costa, antigo avançado de equipas como o Tramagal ou o Sintrense, Hugo Alexandre Esteves Costa acabaria a seguir as passadas desportivas do pai. Antes ainda de terminar o período formativo com as cores do Benfica, já o defesa-central era visto como uma das grandes promessas do futebol luso. A provar o seu valor surgiriam as chamadas às equipas sob a guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse trilho, começaria por representar os actualmente denominados sub-16. A estreia, a 27 de Dezembro de 1989, levaria o jogador a entrar em campo frente à Hungria. Depois dessa partida, à qual seria chamado por Carlos Queiroz, o atleta continuaria a avançar no seu trajecto internacional. Participaria em grandes competições como o Euro sub-16 de 1990, o Euro sub-18 de 1992, a edição de 1993 do Torneio de Toulon ou, no mesmo ano do certame francês, no Mundial sub-20.
O acumular de partidas com a “camisola das quinas” levá-lo-ia até às 48 pelejas disputadas por Portugal. Contudo, a riqueza do seu trajecto enquanto praticante das camadas jovens, não daria o direito a Hugo Costa para conquistar um lugar na equipa principal do Benfica. Sem lugar nos “Encarnados”, o defesa-central acabaria cedido a outras colectividades. Ao descobrir um espaço na 1ª divisão, o capítulo inicial da carreira sénior levá-lo-ia a envergar as cores do plantel de 1992/93 do Gil Vicente, grupo comandado por Vítor Oliveira. De seguida, ainda por empréstimo das “Águias”, surgiriam o par de anos passados com o Beira-Mar e finalmente o Estrela da Amadora. No entanto, e mesmo tendo em conta que, com excepção feita à agremiação da Reboleira, o jogador conseguiria apresentar-se sempre como titular, a verdade é que o regresso à Luz nunca viria a acontecer e a solução, para a época de 1996/97, haveria de emergir vinda do estrangeiro.
A entrada no Stoke City, à altura a disputar o segundo escalão de Inglaterra, não seria assim tão proveitosa quanto o projectado inicialmente. Esse pequeno desaire levaria o jovem jogador, a meio da campanha britânica, a equacionar o regresso a Portugal. Já com o tal plano em marcha, seria o Alverca, numa altura em que o emblema ainda era “satélite” do Benfica, a abrir as suas portas ao defesa-central. A entrada no novo clube fá-lo-ia também participar noutro capítulo de enorme monta para os ribatejanos e a estreia da colectividade na 1ª divisão daria ao atleta a oportunidade de voltar, em 1998/99, às pelejas do patamar máximo luso.
Os 4 anos e meio cumpridos com as cores do Alverca, transformaria o clube na camisola mais representativa da sua carreira. Ainda assim, impulsionado pela perda da titularidade, a ligação de Hugo Costa com a agremiação ribatejana conheceria o fim com o termo das provas agendadas para 2000/01. Seguir-se-ia o também primodivisionário Vitória Futebol Clube, onde, durante as duas épocas seguintes, o defesa-central regressaria aos melhores índices exibicionais. Os números apresentados no Bonfim, alimentar-lhe-iam nova aventura além-fronteiras e seria na Alemanha que o atleta decidiria dar seguimento ao trajecto profissional.
Está bem que no escalão secundário germânico, mas a entrada no RW Oberhausen serviria para que Hugo Costa voltasse a sonhar com outros voos. Curiosamente, seria nessa experiência pela Alemanha que o defesa-central entraria numa fase menos consentânea com o valor já antes demonstrado. Mesmo ao revelar algum decréscimo exibicional, a 1ª divisão portuguesa, na temporada de 2005/06, voltaria a acolhê-lo. Porém, como destapado neste parágrafo, a entrada na União de Leiria não devolveria à sua carreira a ambicionada titularidade. Após 3 anos na “Cidade do Lis”, o atleta ainda viria a aventurar-se brevemente nos cipriotas do Atromitos Yeroskipou. Por fim, surgiria o Pinhalnovense e o “pendurar das chuteiras” na conclusão da campanha de 2010/11.
Já com a carreira de futebolista terminada, Hugo Costa manter-se-ia ligado à modalidade e no papel de treinador ainda viria a trabalhar com clubes dos escalões inferiores, como são exemplo o Fabril do Barreiro, a AD Oiras ou o Mineiro Aljustrelense.

1682 - KEITA

Quando tentei fazer a minha procura sobre um atleta de nome Keita que, em 1977/78 teria jogado no Académico de Viseu e na temporada seguinte acabaria a envergar as cores do Beira-Mar, deparei-me com algumas curiosidades. Em abono da verdade o termo usado no final da frase anterior, tendo em atenção a trapalhada de informações, só pode ser considerado um eufemismo. Sem querer alongar-me muito nesta nota introdutória passemos aos factos.
Logo no “zerozero” dei com as fichas de dois jogadores que, apesar de serem considerados pelo “site” como pessoas distintas, expunham semelhanças biográficas e curriculares deveras espantosas. Na primeira ficha, temos o futebolista apresentado como Cheick Keita (1). Já na segunda encontramos o atleta revelado como Fantamady Keita (2). Agora vamos às tais curiosidades. Em ambas as fichas os nomes completos têm algumas semelhanças. Vejamos. No caso assinalado por mim como (1) temos Cheick Fanta Mady (separado) Keïta, enquanto no marcado como (2) temos Fantamady (tudo seguido) Keita. Até aqui, os dados poderiam ser aferidos como coincidências, sendo os dois homens aproximadamente homónimos. No entanto, a seguir passei às datas de nascimento e qual não é o meu espanto – pior ainda, se tivermos em conta a nacionalidade maliana de um e do outro – ao constatar que os dois teriam nascido no mesmo dia! Como não há duas sem três, aparece-nos então um percurso desportivo que, em vários pontos, é espantosamente parecido (como os anos das passagens por um emblema de Bamako) ou coincidente na totalidade (temos para o caso a campanha de1975/76 no AS Angoulême ou algumas das épocas ao serviço do ECAC Chaumont)!
Ao profundar um pouco mais a minha investigação, deparei-me com dois artigos provenientes da mesma fonte (3) (4). Em ambos fala-se de uma antiga glória do futebol maliano que, em 1972, ter-se-á consagrado como o melhor marcador da CAN, ao mesmo tempo que terá ajudado a sua selecção a chegar à final do referido troféu. Nas duas notícias é referido Cheick Fantamady Keïta. Porém, se compararmos o nome com as fichas do “zerozero” facilmente reparamos que o jogador com uma identificação mais parecida com o atleta apresentado no “Maliweb” é aquele que não é internacional, nem tem qualquer referência à participação na CAN de 1972. Por outro lado, a servir para confundir mais as coisas, temos, no “site” maliano, a alusão a uma caminhada competitiva que, ao invés de ser uma das duas apresentadas pelo “zerozero”, é, se assim pode ser dito, uma mistura de ambas as carreiras!
Para baralhar outra vez este raciocínio, temos então mais duas informações. A primeira é dada pelo “RSSSF” (5) e identifica-nos o goleador máximo da CAN de 1972 como Fantamady Salif Keita, ou seja, um nome, na sua totalidade, diferente dos anteriormente apresentados. Por fim, deixo-vos o artigo do “Malijet” (6), no qual fazem menção a um jogador que, na maioria da biografia, coincide com o avançado patenteado pela segunda ficha do “zerozero” (2).
Mesmo ao não conseguir montar este puzzle de uma forma que possa ser vista como fidedigna, ainda assim tentei pôr alguma ordem nesta tremenda balbúrdia. Ora, a minha suposição leva-me a dar, para o internacional do Mali com presença na CAN de 1972, um trajecto mais parecido com o que, sem ter grandes certezas, em seguida vos deixo:

1970/71 a 1971/72 – Real Bamako (Mali)
1972/73 a 1974/75 – Rennes (França)
1975/76 - AS Angoulême (França)
1976/77 – Pontevedra (Espanha)
1977/78 – Académico de Viseu (Portugal)
1978 – Philadelphia Fever (EUA)
1978/79 – Beira-Mar (Portugal)
1979 – Philadelphia Fever (EUA)
1979/80 a  1983/84 – ECAC Chaumont (França)
Faltará descobrir em que período terá passado pelo Moutiers (Antilhas Francesas), se ainda jogou a época de 1984/85 no ECAC Chaumont e se terá representado o AS Plombières de 1985/86 (França).

Para finalizar, não posso deixar de fazer duas referências. Primeiro, ao facto de o Keita do Académico de Viseu ter sido um dos pilares da primeira subida da colectividade beirã ao escalão máximo do futebol português. A segunda, mais uma curiosidade, prende-se com o recorte de jornal encontrado em “A Magia do Futebol” (7) a assegurar-nos este Keita como primo da antiga estrela leonina Salif Keita.

1 – https://www.zerozero.pt/jogador/cheick-keita/253831
2 – https://www.zerozero.pt/jogador/fantamady-keita/316282
3 – https://www.maliweb.net/sports/que-sont-ils-devenus-cheick-fantamady-keita-le-goleador-de-yaounde-72-2757655.html
4 – https://www.maliweb.net/people/portrait/cheick-fantamady-keita-legende-vivante-1357942.html
5 – https://www.rsssf.org/tables/72a-scor.html
6 – https://web.archive.org/web/20090629060746/http://www.malijet.com/actualite_sportive_au_mali/palmares_des_joueurs_maliens/footballeur_fantamady_keita.html
7 – https://a-magia-do-futebol.blogspot.com/2013/09/recordar-keita.html

1681 - JULINHO

Nascido na “Cidade Invicta”, Júlio Correia da Silva, popularizado pelo diminutivo Julinho, teria no Boavista, onde chegaria para o lugar de guarda-redes, os anos dedicados à formação. Depressa convertido em avançado-centro, seria já na nova posição que, em 1936/37, ocuparia o seu espaço na equipa principal. Apesar de bastante novo, o atacante depressa conseguiria afirmar-se como um dos bons valores dos “Axadrezados”. Ainda assim, com as “Panteras” a militar na 2ª divisão lusa, ainda passariam alguns anos até à sua estreia no patamar máximo. Tal marco aconteceria após a transferência para um novo clube e, para o caso, já na segunda campanha ao serviço do Académico do Porto.
Com a mudança referida no parágrafo anterior a ocorrer na temporada de 1940/41, a época seguinte à da sua chegada ao emblema estudantil levaria o avançado, pela primeira vez na carreira, a disputar a 1ª divisão. Tamanha seria a sua prestação naquela que é a prova de maior importância no calendário futebolístico português que, rapidamente, passaria a ser disputado por equipas de maior renome. Nessa corrida, Julinho, a troco de quantias bem avultadas para a época – 25 mil escudos para o clube e 10 mil escudos para o atleta – acordaria a mudança para o Benfica. Logo de seguida, o FC Porto, com números bem mais tentadores, faria chegar ao jogador a sua proposta. No entanto, com a palavra já dada às “Águias”, o avançado manter-se-ia fiel ao inicialmente combinado e, em 1942/43, viajaria até Lisboa.
Como praticante das “Águias”, Julinho, acolhido pelo técnico Janos Biri, depressa iria impor-se no centro do ataque. A prova do impacto do avançado na estrutura benfiquista surgiria de imediato no ano da sua chegada, com o jogador a sagrar-se como o Melhor Marcador do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Tal feito repeti-lo-ia na época de 1949/50. Contudo, nem só de feitos individuais viveria a carreira do ponta-de-lança. Caracterizado como um intérprete muito inteligente e sagaz na hora de rematar à baliza, os seus inúmeros golos contribuiriam, e de que maneira, para diversos sucessos colectivos dos “Encarnados”. Nesse sentido, o destaque iria para as conquistas de 3 Campeonatos Nacionais, 6 Taças de Portugal e obviamente para a vitória na Taça Latina.
O feito continental ainda agora referido, aconteceria na edição de 1949/50 da prestigiada prova. No trajecto até ao triunfo, Julinho não haveria de posicionar-se somente como um dos jogadores no “onze” das diferentes rondas altercadas. Chamado por Ted Smith às pelejas agendadas para o Estádio Nacional, não só o avançado-centro marcaria presença na meia-final frente aos italianos da Lazio, como seria um dos escolhidos para a final e para finalíssima do torneio disputado em Lisboa. Aliás, seria no último encontro que o atleta assumiria um papel fulcral. Num jogo arrastado até ao 3º prolongamento, sairia dos pés do atacante, que já tinha atirado uma bola para o fundo das redes adversárias na partida anterior, o golo que, aos 134 minutos, faria cair a resolução da contenda a favor do conjunto português.
Apesar da preponderância atingida com as cores do Benfica, Julinho, com o facto parcialmente justificado pelo desenrolar da 2ª guerra mundial, não teria, na selecção nacional, números nada semelhantes aos conseguidos no clube. Ainda assim, depois da convocatória para, a 3 de Maio de 1947, disputar, frente à França, uma partida pela equipa “B” de Portugal, o dia 21 de Março de 1948 assinalaria a sua oportunidade no conjunto principal luso e o jogo marcado com a Espanha, chamado o avançado por Virgílio Paula, representaria para o atleta a sua única internacionalização “A” com a “camisola das quinas”.
Após cumprir mais de uma década com as cores do Benfica e de ter registado 202 golos em 200 partidas oficiais (outras fontes referem 272 golos em 269 jogos), seria já com a época de 1953/54 em andamento que Julinho deixaria o Benfica. Nos anos subsequentes, na mescla de tarefas dadas a um treinador-jogador, passaria por Coruchense e Benfica e Castelo Branco. Seria igualmente na aludida agremiação do distrito de Santarém que o antigo avançado decidiria passar a desempenhar, em exclusivo, as funções de técnico e, na nova carreira, ainda orientaria Marinhense, Alverca, Casa Pia, Torres Novas, Sacavenense, Alhandra e Vilafranquense.